Cerca de 50 ativistas em defesa dos direitos animais da Nova Zelândia estão protestando contra o envio de quase 5.500 bois vivos para a China. A ONG Save Animals from Exploitation (Salve Animais da Exploração ou SAFE, na sigla em inglês) está organizando os protestos no porto da cidade Napier. Ela alega que essa é a maior exportação de bois vivos em dois anos.
Foto: rnz.co.nz
Apesar do governo neozelandês ter ordenado uma revisão da exportação dos animais vivos em junho, o navio estava programado para deixar o porto por volta do meio dia do último domingo (4).
Mona Oliver, coordenadora das campanhas da SAFE, afirmou que todas as exportações devem ser suspensas enquanto essa revisão estiver em andamento. Segundo ela, a China tem padrões de bem-estar animal inferiores aos da Nova Zelândia, e lá provavelmente os bois serão enviados para fazendas industriais e mortos de maneira cruel.
“Até a revisão ser concluída, o Ministério das Indústrias Primárias (MPI) deve avaliar os pedidos de exportação e aprovar os aceitáveis, considerando que não houve mudança na lei”, declarou Chris Rodwell, diretor da saúde e bem-estar animal do MPI.
O Ministério também exigirá que o exportador relate como estão os animais por um mês depois que chegarem até à China.
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Em 2018, o Brasil exportou cerca de 700 mil bovinos vivos por via marítima (Foto: TV Tribuna/Reprodução)
Este mês o Ministério Público do Paraná expediu uma recomendação administrativa ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) com a finalidade de impedir a exportação de gado vivo a partir do Porto de Antonina.
No documento, a 2ª Promotoria de Justiça de Antonina e o Núcleo de Paranaguá do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo (Gaema) recomendam ao órgão ambiental estadual a anulação do protocolo que trata da autorização de exportação de gado vivo.
Na recomendação, o Ministério Público afirma que o Porto de Antonina não possui estrutura e condições adequadas para esse tipo de movimentação, tampouco as respectivas licenças ambientais, urbanísticas e sanitárias necessárias.
Por meio de nota, a administração do Porto de Antonina declarou que o embarque de animais vivos pelo Terminal Portuário Ponta do Felix tem seguido os trâmites de ordem jurídica e operacional.
“Reforçamos que a administração portuária não tem prerrogativa de negar ou barrar as operações privadas, que atendam os dispositivos legais e restrições operacionais”, publicou. O MPPR ainda não se manifestou sobre a resposta da administração portuária que decidiu permitir o embarque de quatro mil bovinos com destino à Turquia na semana passada, onde serão mortos seguindo os preceitos do abate halal.
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Eduardo Barre disse em coletiva à imprensa que nas últimas semanas o acordo para compra de gado vivo do Brasil está em andamento (Foto: Reprodução)
Na semana passada, o diretor de Serviços de Pecuária do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai, Eduardo Barre, disse em coletiva à imprensa que nas últimas semanas o acordo para compra de “gado em pé” do Brasil está em andamento, e pode ser definido nos próximos dias.
De acordo com o portal Beef Point, os produtores gaúchos estão concentrando esforços para garantir a entrada de “gado em pé” no Uruguai. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Carlos Sperotto, garante que o ambiente está favorável para uma definição que autorize a comercialização de animais para o país vizinho.
O Rio Grande do Sul já exporta para a Turquia e para outros países árabes cerca de 120 mil animais por ano, segundo a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul.
O secretário da pasta, Covatti Filho, disse que o governo gaúcho tem mantido diálogo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e apoiado as tratativas já em andamento para exportação de gado vivo para países do Oriente Médio e da Ásia.
Recentemente o Rio Grande do Sul embarcou no navio Kenoz, com destino ao Egito, 9359 animais, que tiveram de suportar uma viagem marítima com duração de 21 dias até o porto egípcio de Damietta, às margens do Mediterrâneo.
Pouco antes, pouco menos de dez mil animais embarcaram no navio Polaris com destino à Turquia, para onde o Rio Grande do Sul tem enviado a maior parte da sua exportação de gado vivo.
No último dia 14, que marcou o Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, defensores dos direitos animais de 12 cidades brasileiras foram às ruas protestar contra a prática.
O argumento é que as viagens são longas, os espaços são apertados e sujos e os animais são obrigados a lidarem com o calor extremo e falta de alimentação e assistência veterinária adequada. Outro apontamento é que não é raro os animais morrerem durante o percurso.
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A ONG Compassion in World Farming está liderando, pelo terceiro ano consecutivo, um movimento internacional para mobilizar a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado nesta sexta-feira (14). O intuito da data é conscientizar as pessoas acerca do sofrimento dos animais exportados.
Em 2017, 30 países participaram do movimento. Ano passado, o Brasil também aderiu à ação, que envolveu 33 nações. Neste ano, 41 países foram mobilizados e irão realizar manifestações. Coordenados pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em parceria com entidades de várias cidades, os protestos brasileiros começaram na quinta-fera (13) e serão realizados até o domingo (16). Doze cidades estão participando. As informações são da Agência Brasil.
Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)
De acordo com a diretora de Educação do Fórum, a geógrafa Elizabeth MacGregor, embora existam legislações que determinem que os animais exportados recebam tratamento humanitário, “a questão do bem-estar animal é zero”. Além disso, segundo ela, essa exportação é negativa do ponto de vista econômico, já que representa apenas 1% do que é produzido pela pecuária brasileira para consumo humano. De acordo com MacGregor, todos os países importadores também importam carne embalada.
A geógrafa lembrou ainda que, por não ser taxada, a exportação de boi vivo não gera riqueza para o Brasil. “O couro vai de graça” para o importador, disse MacGregor, que reforçou também que essa atividade não gera emprego no Brasil, mas nos países compradores, como a Turquia e o Líbano. Além disso, esses país, comentou a geógrafa, não utilizam práticas de bem-estar animal, o que faz com que os animais sejam mortos de maneira cruel.
O problema, porém, é ainda maior, já que “ambientalmente é péssimo”. Isso porque o transporte costuma ser feito em navios reformados ou adaptados, de péssima qualidade, sem condições mínimas de higiene, sem alimentação e hidratação adequada para os animais, sem assistência veterinária, impondo aos animais uma viagem longa e exaustiva, na qual eles são sujeitos a intempéries climatológicas, com urina e fezes provocando a proligeração de doenças. Em ambientes superlotados, esses animais também não têm espaço sequer para deitar e descansar durante o percurso, que pode levar semanas. “Vão cheios de outras substâncias que afetam o meio ambiente”, disse MacGregor.
De acordo com a diretora do Fórum, a exportação de animais vivos não é boa para o Brasil, “tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado”. A questão, na opinião da ONG, é econômica. Mais de 700 mil animais vivos foram exportados em 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o que gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil. Esse valor, porém, representa só 7% da receita proveniente da exportação de carne e derivados, que ultrapassa US$ 6 bilhões anuais.
Boi com corpo coberto por fezes e urina dentro do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Dentre os países contrários a essa prática, a maior parte está na Europa. Isso, segundo MacGregor, deve-se ao conhecimento. A diretora da ONG lembra que a ciência já comprovou que todo animal vertebrado é senciente, ou seja, consegue sentir dor, física e psicológica. “Têm capacidade cognitiva, então raciocinam, têm sentimentos e desde a década de 1970, a ciência do bem-estar animal usa parâmetros científicos e objetivos para analisar tecnicamente como os animais estão sendo tratados”, disse. Segundo ela, esse conhecimento ainda é heterogêneo, “como tudo no mundo”.
Sobre o movimento internacional, a diretora contou que os 41 países participantes estão localizados em todos os continentes. “O movimento é global mesmo”, explicou. Na Europa, também é defendida a redução das horas de transporte terrestre dos animais. “Mas o pior é essa exportação”, segundo MacGregor.
O movimento teve início em Londres, na Inglaterra, em 2017. Trata-se de uma iniciativa da ONG ‘Compassion in World Farming’, em parceria com a ONG ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Todas essas organizações reforçam o impacto negativo da pecuária e lembram que, dentre as atividades humanas, ela é a que causa prejudica o meio ambiente – considerando desde o desmatamento até a poluição de mares, lagos e oceanos. A diretora do Fórum explicou que a flatulência dos bois é gás metano – afirmação que é confirmada por estudos.
“Tem todo um embasamento técnico e de órgãos internacionais, não só de ONGs”, disse. MacGregor comentou também que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já se pronunciou sobre o impacto da pecuária na natureza. “O Brasil tem mais boi do que gente”, afirmou. A questão, segundo MacGregor, “é seríssima em todo o mundo”.
Graxaria do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Diretora do Fórum, a médica veterinária Vânia Nunes disse ainda que os maus-tratos se iniciam no transporte das fazendas para os portos, que já é “extremamente estressante para os animais”. Além disso, Nunes salientou que muitos animais morrem nos navios, durante as longas viagens de exportação, por não resistirem às péssimas condições as quais são submetidos. Os corpos, triturados, são jogados no mar, assim como toneladas de fezes e urina produzidas diariamente, poluindo o meio ambiente.
Na quinta-feira (13), foram realizados protestos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG). Para esta sexta-feira (14), há atos marcados em Brasília, Salvador (BA) e Sorocaba (SP). No sábado (15), as manifestações serão realizadas em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Indaiatuba (SP). O encerramento está marcado para domingo (16), em Lajeado (RS).
ANDA move ações contra exportação de animais
A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.
A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.
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Um assunto sempre polêmico, a exportação de gado vivo no Brasil tem sido associada por ativistas dos direitos animais à negligência em bem-estar animal (Foto: Reprodução)
Na sexta-feira, 17, a ministra da agricultura, Tereza Cristina, vai estar em Hanói, capital e segunda maior cidade do Vietnã, para discutir com autoridades do país um acordo para a exportação de “gado em pé”, soja, milho e frutas. A viagem de Tereza Cristina pela Ásia começou hoje e inclui outros países como Japão, China e Indonésia, segundo o Ministério da Agricultura.
Em 2018, o Brasil exportou 810 mil bovinos vivos, segundo a Scot Consultoria, e a expectativa é de que com novas parcerias o país ultrapasse o volume de exportação de gado vivo dos anos anteriores.
Um assunto sempre polêmico, a exportação de gado vivo no Brasil tem sido associada por ativistas dos direitos animais à negligência em bem-estar animal, como no emblemático caso do Navio Nada em 2018, quando foram identificados por fiscais casos de maus-tratos e constatação de ambiente insalubre.
Além disso, outros apontamentos contra a exportação de gado vivo incluíam experiências nacionais envolvendo óbitos de animais e poluição das águas em decorrência do descarte de resíduos de origem animal.
No ano passado, o que também chamou a atenção para a exportação de gado vivo partindo do Porto de Santos foram as intervenções e os esforços do então ministro da agricultura Blairo Maggi, da Advocacia-Geral da União (AGU) e de representantes da Câmara dos Deputados, como o ex-deputado federal Beto Mansur, que fizeram o possível para que as exportações de gado vivo não fossem coibidas.
Bezerros de não mais que duas semanas de idade levam tapas, socos e chutes segundo gravação sigilosa.
Foto: Eyes on Animals
Ativistas seguiram mais de 5 mil bezerros trancafiados em 23 caminhões durante o percurso da Irlanda até o posto de controle em Tollevast, na França, onde seria a pausa para que os animais se alimentem e descansem, sob as leis da União Europeia.
Ao invés disso, gravações mostram os animais sendo arrastados por suas orelhas e escancaradamente golpeados pelos trabalhadores com bastões. Alguns dos filhotes são tão cruelmente maltratados que chegam a entrar em colapso de dor, caindo no chão com as pernas ainda sem a coordenação motora para andar devidamente.
Uma gravação feita em segredo no posto de controle operado pela Qualivia em março, mostra um dos trabalhadores empurrando um dos bezerros no chão, e pulando repetidas vezes em cima do corpo do animal.
Nicola Glen, porta-voz da instituição que co-dirigiu a investigação, afirma: “É de partir o coração ver como esses animais vulneráveis, ainda instáveis em suas próprias pernas e dependentes do leite de suas mães, sofrem com violências horríveis durante o transporte para as instalações holandesas”.
No vídeo, pode-se ver os trabalhadores bater o rosto dos animais nos bicos de plástico para tomar leite, e jogando suas cabeças para trás. Os bezerros, desesperados por leite depois de uma longa jornada com pouco acesso à água, voltam para os campos e são golpeados novamente.
Foto: Eyes on Animals
“A Holanda é a força que está por trás desse transporte, e a Irlanda é o principal fornecedor”, comenta Glen. “Ambos os países devem se responsabilizar pelo bem-estar destes animais.”
A violência gravada está sob investigação da polícia francesa, que prendeu sob acusações o homem que pulou em cima de um dos bezerros. O agressor pode encarar até dois anos de prisão.
Robert Drisque, presidente do posto de controle de Qualivia, recusou-se a comentar, dizendo apenas que era uma “situação difícil” que afetou o seu time psicologicamente. Mas o caso expõe o escondido, e muitas vezes cruel, mundo da exportação de animais vivos, de acordo com grupos ativistas.
Isis La Bruyère, uma inspetora da L214, grupo ativista francês em defesa dos direitos animais, e que liderou a investigação ao lado da EOA, afirma: “A resposta das autoridades foi bem rápida neste caso. O que é bom, mas não vimos nenhuma atitude sendo tomada a respeito do negócio de exportações até agora.”
O próprio Qualivia é considerado um “posto de controle de qualidade” e tem recebido dinheiro da União Europeia para expandir suas instalações e serviços.
Bruyère declara: “Nossa demanda é a relegação de transportes [de longo curso] de animais não desmamados, visto que não há bem-estar animal nesse tipo de exportação.”
Homem que aparece no vídeo é o principal responsável pela violência registrada pela organização L214 em parceria com o projeto Eyes on Animals (Foto: Reprodução)
Um vídeo registrado pela associação francesa em defesa dos direitos animais L214 em parceria com o projeto Eyes on Animals mostra ao longo de três minutos a realidade dos bezerros “do tipo exportação” que são enviados da Irlanda para a Holanda.
Na filmagem divulgada na quinta-feira é possível ver animais com duas a três semanas de idade recebendo chutes, pisadas e golpes de bastão em um centro de trânsito em Cherbourg, na França, antes de seguirem viagem.
Em uma das cenas, um funcionário pula repetidamente sobre um bezerro que ele jogou contra o chão. No trajeto com duração de mais de 50 horas é revelado também o desgaste e o desconforto dos animais – que passam fome e sede ao longo do percurso.
Segundo o cofundador da L214, Sebástien Arsac, o transporte de bezerros jovens por longas distâncias é intolerável.
“Esses bezerros, recém-saídos do ventre de suas mães, suportam mais de 50 horas de transporte em péssimas condições. Até 300 animais amontoados em três níveis, além de sedentos e tratados com violência, vivem um verdadeiro inferno”, lamenta.
E acrescenta: “A União Europeia deve interromper o transporte de bezerros e outros jovens animais. Como consumidores, podemos agir diretamente substituindo produtos lácteos por alternativas vegetais.”
Em 2018, a Irlanda exportou mais de 100 mil bezerros principalmente para a Espanha e Holanda. No entanto, o volume de bezerros transportados entre países europeus ultrapassou 1,3 milhão no ano passado.
Cinco mil bois explorados para consumo humano foram embarcados em um navio no Porto de Imbituba, em Santa Catarina, na última quarta-feira (1º) com destino ao Porto de Iskenderun, na costa mediterrânea da Turquia. Os animais enfrentarão uma longa e estressante viagem para, na chegada ao destino, serem mortos.
Foto: Amanda Cristhie/Divulgação
De acordo com o governo de Santa Catarina, a operação de embarque dos bois foi a maior já feita pelo terminal. O procedimento para encaminhar os animais ao navio durou aproximadamente 13 horas, segundo o G1.
A Turquia é, atualmente, o país que mais importa bois vivos do Brasil. Os animais exportados por empresas brasileiras são mortos de forma extremamente cruel no país islâmico, atendendo a rigorosos critérios religiosos que, entre outras questões, estabelecem que eles devem ser mortos ainda conscientes, o que os submete a dor extrema.
Antes da viagem, os bois são mantidos em quarentena por 21 dias para que seis tipos de doença sejam testados. Após esse período, eles são colocados em caminhões superlotados e enviados aos portos, em um percurso que dura horas. A soma do transporte precário com as condições do embarque, que é um procedimento demorado no qual frequentemente os bois recebem choques para que sejam encaminhados ao navio, faz com que esses animais sejam embarcados já exaustos e estressados, situação que é piorada durante a viagem.
Bois afundados nos próprios excrementos no navio NADA (Foto: Magda Regina)
Dentro do navio, os bois viajam amontoados, sem espaço para deitar e descansar. É comum, também, que no desespero para encontrar um pouco de conforto, eles pulem uns aos outros e se pisoteiem, causando ferimentos. Casos de mortes também são registrados, já que alguns dos animais não suportam as condições insalubres da viagem. Conforme comprovaram fotos feitas no navio Nada, que atracou no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, a impossibilidade de realizar um procedimento adequado de limpeza na embarcação faz com que os bois sejam transportados em meio a fezes e urina.
Apesar das autoridades alegarem que fiscalizações são realizadas para que os pré-requisitos de bem-estar animal e combate aos maus-tratos sejam respeitados, as condições nas quais os animais são mantidos desde a saída das fazendas de origem torna impossível a prática da exportação sem crueldade.
ANDA move ações contra exportação de animais
A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.
Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)
A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.
Realidade dos bovinos brasileiros exportados no ano passado para a Turquia (Foto: Reprodução)
Na última sexta-feira, de forma bem discreta, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) assinou o Certificado Zoossanitário com o Cazaquistão, para que o Brasil exporte gado vivo ao país transcontinental. O documento foi assinado pelo secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal e pela vice-ministra de Agricultura do Cazaquistão, Gulmira Isayeva. Leal disse que esse acordo representa mais uma abertura de mercado para a exportação de gado brasileiro.
Estamos diante de mais um compromisso que pesa apenas os aspectos econômicos da exportação de “carga viva” e ignora todas as outras implicações – como o impacto do descarte de dejetos sólidos nas águas e a crueldade contra animais.
Ainda que a exportação de gado vivo seja irrelevante para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, conforme denunciado pelo documentário “Exportando Vidas”, além de trazer consequências negativas para o meio ambiente e também para os animais – que são submetidos a viagens longas e inclusive morrem durante o trajeto, os animais continuam sendo reduzidos a “objetos de exportação”.
Será que o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal, convive com animais domésticos e também os enviaria para uma longa viagem para o Cazaquistão em uma área de confinamento? Correndo o risco de não resistirem à viagem e serem descartados em um moedor?
Nos últimos anos, diversos países começaram a rever suas legislações em relação aos animais e passaram a considerá-los legalmente como criaturas sencientes e, assim, os reconhecendo como seres que necessitam de um mínimo de direitos e proibindo uma série de práticas que implicam na ampliação do sofrimento animal e da supressão de suas necessidades mínimas. Exemplos são a Bélgica, Nova Zelândia, Índia, etc.
O assunto também está sendo levado à discussão no Reino Unido e em outros países europeus, além de haver uma proposição nos Estados Unidos. Porém no Brasil a situação parece outra, já que continuamos desconsiderando vidas e supervalorizando um lucro que nem mesmo beneficia a população.
Quem não se recorda das manobras da Minerva Foods? Empresa de exportação de animais denunciada por impacto ambiental, vazamento de amônia, pagamento de propina, comercialização de carne contaminada e demissão em massa, mas que ainda assim, com a intervenção do Estado, por meio do então ministro da agricultura Blairo Maggi, da Advocacia-Geral da União e do ex-deputado federal Beto Mansur (que teve seu nome associado à trabalho escravo e sonegação de impostos), conseguiu garantir no ano passado a continuidade da exportação de gado vivo.
Mesmo após perícias no Navio Nada, denunciando que os bovinos estavam em más condições, e que havia inclusive um moedor para descarte de animais que não resistiam à viagem, a exportação de gado vivo foi mantida. Será que aqueles que são favoráveis à exportação de gado vivo conhecem realmente a realidade desses animais?
Será que já participaram de vistoria de algum navio? Já subiram na carroceria de um caminhão que transportou bovinos espremidos por até mais de 30 horas por longas distâncias até chegarem ao Porto de Santos? Testemunharam animais que não resistiram à viagem e tiveram seus corpos moídos dentro do próprio navio? E se conhecem, deveriam ignorá-la? É bastante cômodo ignorar a realidade dos animais criados e explorados para lucro e consumo.
O governo do Zimbábue planeja exportar até 35 filhotes de elefante para a China. Ativistas pelos direitos animais, que discordam do plano, fizeram um protesto. Eles afirmam que os procedimentos adequados não foram seguidos e lembram que o papel significativo da China no tráfico de espécies ameaçadas de extinção gera preocupação.
Um elefante africano e seu bebê são retratados em 18 de novembro de 2012, no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue (Martin Bureau / AFP / Getty Images)
De acordo com os ativistas, que realizaram investigações, os filhotes, que têm apenas dois anos, foram separados das mães e levados para currais no Parque Nacional Hwange, no Zimbábue, enquanto preparativos são feitos para que a viagem até a China aconteça. No país de destino, os elefantes serão levados para zoológicos. As informações são do portal Epoch Times.
Para ambientalistas locais e internacionais, a exportação é altamente prejudicial não só para os filhotes, mas para todo o rebanho. De acordo com a ativista Sharon Hoole, do grupo Bring Back Our Rhinos, com sede no Reino Unido, a Wildlife Act determina que critérios sejam obedecidos em caso de exportação de animais, mas o governo não atendeu a essas normas.
“Deveria haver consulta pública às partes interessadas, consulta parlamentar… Mesmo durante a captura, eles precisam atender a um critério em que representantes de cidadãos, partes interessadas e serviços de bem-estar animal devem estar envolvidos”, disse Hoole. “Essa captura e exportação dos filhotes de elefantes é ilegal porque esses critérios não foram cumpridos, mas eles não se importam com isso porque sabem que ninguém fará nada. Então temos que fazer alguma coisa”, completou.
Especialistas afirmam que a demanda chinesa por produtos advindos de animais silvestres está impulsionando o tráfico de espécies ameaçadas de extinção. Muitos animais, especialmente tigres, ursos e rinocerontes, são criados em massa na China e tratados de forma desumana. Os tigres são explorados para produção de itens de luxo, como vinho de osso de tigre e tapetes de pele de tigre, e os ursos pra extração da bílis para uso na medicina tradicional chinesa.
De acordo com o especialista em vida selvagem Mike Hitschmann, que dirige a Reserva Natural Cecil Kop, a preocupação não é só com o tráfico, mas também com o relacionamento da China com a África, que se caracteriza como um neocolonialismo que ocorre em países com governos questionáveis e que dá a vantagem a Pequim.
“O Zimbábue não é exceção e, basicamente, o que os chineses querem ou precisam, agora podem obtê-lo – sejam nossos recursos minerais ou nossos recursos naturais na forma de vida selvagem”, disse. “Com o advento do novo governo sob o presidente Emmerson Mnangagwa, não houve melhora. De fato, parece que a situação está piorando”, completou.
Com o aumento da presença chinesa no Zimbábue, a maior parte das espécies de répteis do país, como cágados e tartarugas, assim como rinocerontes, foram afetadas negativamente, segundo Hitschmann. Ele se preocupa também com a possibilidade de declínio das populações de elefantes.
Tinashe Farawo, porta-voz da Autoridade de Gestão de Parques e Vida Silvestre do Zimbábue, afirmou que o governo não está capturando elefantes para exportação. “Somos conhecidos por sermos líderes em conservação da vida selvagem e não podemos capturar elefantes para exportação”, afirmou. “Só podemos capturar subadultos – isto é, se quisermos capturar qualquer elefante [para exportação]. Nós capturamos apenas elefantes adultos jovens que não são mais dependentes de suas mães. Mas neste caso, não estamos fazendo isso ”, explicou.
Elefantes filhotes fotografados em um curral no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue (Andrew Mambondiyani para o Epoch Times)
Farawo afirmou que há mais de 80 mil elefantes no Zimbábue, o dobro da capacidade do país. “A última vez que nós selecionamos os elefantes foi em 1987 e os números estão crescendo, por isso estamos experimentando conflitos entre humanos e elefantes”, disse.
No entanto, para Hitschmann, as alegações de excesso de população são falsas e estão sendo usas para se opor à proibição mundial do comércio de marfim e para justificar a exportação de filhotes. O especialista indica ainda que existem práticas precárias de gestão que permitiram o aumento da invasão humana em áreas protegidas, como parques nacionais, e decisão políticas ruins que resultaram em menos terras disponíveis para animais silvestres.
Hitschmann acredita que o manejo eficaz da fauna requer um pensamento “fora da caixa”. Segundo ele, se uma área tem alta população de elefantes, os rebanhos podem ser realocados em outras áreas em que não há elefantes, incluindo outros países da África.
“Desta forma, fazemos a nossa parte para abrandar o crash da população em geral, mantendo os elefantes na África, que é o seu ambiente, e faz sentido porque necessitamos de turistas para visitar elefantes na África – não na China”, disse.
De acordo com a Humane Society dos Estados Unidos, esta é a quarta vez, desde 2012, que o Zimbábue captura elefantes – cerca de 108 animais – para exportá-los para a China, apesar das críticas severas.