Governo brasileiro diz que começará a exportar bois vivos para a Malásia

Embarque de 27 mil bois em navio no Porto de Santos, SP. Foto: Reprodução/TV Tribuna

Como não se bastassem as recentes e tristes notícias que assolam o país, o Chanceler do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo, anunciou em sua conta pessoal no Twitter a abertura do mercado de exportação de bois vivos para a Malásia.

A lamentável notícia foi dada por uma nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Hoje, o Brasil vive umas de suas maiores tragédias ambientais. Dezenas de pessoas morreram e centenas ainda estão desaparecidas sob a lama de Brumadinho, incontáveis animais também perderam suas vidas pela ganância e irresponsabilidade humana.

Bois e vacas atolados foram mortos friamente a tiros pela polícia e, estranhamente, isso chocou a população. Grande parte destas pessoas, consome carne bovina e financia todas as torturas e crueldades a que esses animais são submetidos durante toda a vida em matadouros e em navios de exportação de carga viva, como estes que em breve partirão do Brasil levando dor e desespero a milhares de criaturas indefesas.

Foto: Renan Fiuza | G1

Amontoados em um ambiente sujo e quente, muitos não chegam ao seu destino. Fezes e urinas, quando retirados, são jogados em alto mais, assim como os cadáveres daqueles que não suportam a jornada. Os dejetos dessas animais têm impacto negativo para a vida marinha, contribuindo para a poluição dos oceanos e, consequentemente, com a morte de milhares de outros animais.

Com a declaração, Ernesto Araújo, se vangloria em dizer que o Brasil reforçará a posição “de um dos maiores líderes mundiais na exportação de proteína animal”.

Este é apenas mais um grande passo para trás dado pelo pais, que tem leis fracas e falhas de proteção animal e do meio ambiente, que explora e destrói a floresta Amazônica com ações criminosas sem precedentes.

A luta contra a exportação de cargas vivas

A polêmica sobre a terrível e cruel prática de exportar animais vivos foi um assusto muito discutido ano passado. Em fevereiro de 2018, mais de 20 mil bois foram transportados em um navio destinado à Turquia.

A embarcação chegou a ficar retida no porto, após intervenção de ativistas e entidades de proteção animal mas, infelizmente a liminar que proibia a partida do navio foi derrubada e eles se foram.

Foto: Divulgação

Após tamanha repercussão, uma lei municipal em Santos, proibindo o tráfego de veículos de transporte de carga viva pelas ruas da cidade, foi aprovada. Mas, em outubro do ano passado, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou uma decisão individual do ministro Edson Fachin que suspendeu a lei.

 

 

 

 

 

Exploração animal: Brasil exporta até pênis de boi

Os animais são explorados de forma intensa em todo o mundo. No Brasil, até mesmo o pênis dos bois é visto como um produto.

Foto: Theo Marques/Folhapress

Hong Kong recebe 95% da exportação de “despojos não comestíveis de bovinos” do Brasil – como pênis, tendões e artérias -, segundo a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O país exporta também farinha de penas, ossos e sangue, para fabricação de ração de animais.

“Os chineses colocaram tudo dentro da panela junto com os temperos e caldos, e aquilo vira uma espécie de sopão”, disse Péricles Salazar, presidente da Abrafrigo. As informações são do portal UOL.

Foto: Anja Barte Telin/Divulgação

Em 2018, 150 mil toneladas de despojos foram exportadas. Só em farinhas de origem animal foram exportadas 180,7 mil toneladas no ano passado. Há previsão de crescimento para 2019 de 25%. As farinhas são exportadas principalmente para o Chile e para o Vietnã, segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra).

Até o final da década de 1990, os despojos eram descartados ou transformados em farinha para alimentação de animais. “Algumas empresas surgiram e começaram a aproveitar esses despojos”, afirmou Salazar. Esse comércio começou a ser regulamentado pelo Ministério da Agricultura em 2004.

Nota da Redação: o uso de todas as partes dos corpos de animais pela indústria expõe a imensa exploração a qual os animais são submetidos. Tratados como objetos, eles são vistos como coisas que devem ser aproveitadas ao máximo para aumentar os lucros de quem os explora. Criados apenas para que sejam mortos, os animais são condenados a vidas miseráveis, nas quais experimentam todo tipo de sofrimento.

bezerro enjaulado

Ativistas pedem mudanças contra a exportação de animais vivos

Organizações e grupos defensores dos animais da Grã-Bretanha apoiaram as solicitações da RSPCA para reduzir substancialmente o tempo de viagem para as exportações de animais vivos, já que o governo britânico está considerando proibir a prática depois do Brexit.

bezerro enjaulado

Foto: Kaale

A RSPCA fez um apelo à Comissão da União Europeia depois que um caminhão foi parado em um porto do Reino Unido pela instituição junto com outros ativistas e funcionários do governo no dia 10 de janeiro.

Os grupos pararam o caminhão que transportava cerca de 250 bezerros, devido aos animais estarem consideravelmente exaustos, para evitar que o veículo excedesse o tempo máximo de transporte permitido pela lei.

As leis atuais do país indicam que os bezerros não devem ser transportados por mais de nove horas sem um período de descanso de uma hora, e não mais de 21 horas antes de terem um período de descanso de 24 horas.

A RSPCA estimou que o caminhão, que veio da Escócia, viajou por cerca de 70 horas, incluindo paradas para descanso, em direção à Espanha passando por Calais, uma cidade francesa. Se os animais tivessem sido levados de barco, o transporte levaria muito mais tempo do que o permitido.

A Kent Action Against Live Exports (Kaale) disse ao The Guardian que, nas viagens que excedem o limite de tempo estabelecido, as ovelhas viajam por uma média de 14 horas partindo do Reino Unido, para terem apenas uma hora de descanso no caminhão e em seguida, mais 14 horas em trânsito.

Para os bezerros, com idades entre duas e seis semanas de idade, a jornada é de nove horas, seguida de um descanso de uma hora e mais nove horas em trânsito em direção a países da Europa, do norte da África e do Oriente Médio.

Yvonne Birchall, secretária da Kaale, disse: “Acreditamos que nenhum animal deve viajar por mais de oito horas para ter sua garganta cortada ao fim da viagem. Eu faço campanha há 25 anos. É cruel, desnecessário, e estressante.”

Em 1995, cerca de 30 caminhões passavam por Dover diariamente. A questão chamou a atenção dos grupos de direitos animais, e os protestos regulares nos portos contra o comércio e a exportação de animais tornaram-se cada vez mais intensos. Naquele mesmo ano, Jill Phipps, de 31 anos, ativista pelos direitos animais, morreu tragicamente após ser esmagado sob as rodas de um caminhão que transportava bezerros para o aeroporto de Coventry para serem exportados.

Em 2018, a operadora de balsas P&O parou de transportar bezerros pela Europa depois que um documentário da BBC, “Disclosure: the Dark Side of Dairy”, repercutiu entre a população, conscientizando as pessoas sobre a crueldade envolvida na indústria de laticínios.

A Escócia é crucial para o comércio e transporte de bezerros porque, em outras partes da Grã-Bretanha, as empresas de balsas se recusam a transportar animais para matadouros, fábricas ou qualquer indústria de carne de vitela.

James West, gerente de políticas da Compassion in World Farming, disse que, além de um limite de oito horas de transporte dentro da União Europeia, a organização pediu ao Departamento de Agricultura e Assuntos Rurais da Grã-Bretanha (Defra) para acabar de vez com a exportação de animais vivos no Reino Unido na primeira oportunidade após o Brexit.

Ativistas pelos direitos animais condenam a exportação de ovelhas e cabras vivas na Índia

A Federação das Organizações Indianas de Proteção aos Animais (FIAPO) escreveu uma carta ao gabinete do ministro principal de Maharashtra (CMO) falando sobre a exportação cruel de mais de 3.600 ovelhas e cabras vivas para Sharjah, através do aeroporto de Nashik desde o primeiro dia do ano.

Foto: Pixabay

De acordo com o The Times of India, a FIAPO suplicou ao governo do estado para cessar imediatamente as exportações para o Golfo, onde os animais atordoados e confusos são finalmente abatidos para o consumo.

“A exportação de animais vivos é extremamente cruel, pois os animais sofrem negligência, sofrimento e muitos morrem a caminho do destino. Esse tratamento dos animais não condiz com nossa cultura. Essa exportação também está ocorrendo sem qualquer documentação, orientação e formalidades e sem seguir o procedimento obrigatório estabelecido pela lei indiana. É, portanto, ilegal e viola várias disposições de nossas leis ”, declarou a carta da FIAPO à CMO.

“Além disso, o aeroporto Nashik não possui instalações de quarentena obrigatórias onde os animais podem ser mantidos, observados e cuidados. Eles são deixados em aberto, nenhum certificado de saúde de veterinários certificados foi fornecido e as diretrizes de transporte não foram seguidas. Todas as diretrizes citadas acima são desprezadas. Apesar de ter fortes leis de proteção animal, a exportação ao vivo da Índia é um escárnio da vida desses animais, bem como o estatuto. Pedimos que você seja sensível ao sofrimento desnecessário dos animais sendo enviados para fora do país “, afirma ainda a carta da FIAPO.

Foto: Pixabay

Siddh Vidya, advogado de Navi Mumbai, comentou: “Eu consegui parar o governo de Gujarat de exportar gado vivo para o Golfo do porto de Tuna. Além da violação da Lei de Crueldade contra Animais, de 1960, vários outros atos estão sendo violados simplesmente para o transporte de uma carga viva como esta para o Golfo. Vou apresentar um SLP se o governo do estado mostrar compaixão, que é o bloco de construção da nossa Constituição.”

Vidya também afirmou: “Houve campanhas públicas contra a exportação de gado em toda a Índia e mais de 12 lakh assinaturas físicas foram obtidas por várias ONGs contra a exportação de gado que envolve não apenas imensa crueldade, mas também tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, etc. ”

A indústria mundial de exportação viva 

Centenas de milhares de animais vivos são transportados a cada ano em navios de todo o mundo. A rota da Austrália para Israel é particularmente longa – a jornada é de três semanas no mar, onde vacas, bois e ovelhas são mantidos confinados durante todo o trajeto.

Estima-se que este ano passado Israel tenha importado 114.040 animais (bovinos e ovinos) da Austrália, e 409.123 ovinos e 169.991 bovinos da Europa.

Em julho de 2018, a fotógrafa Jo-Anne McArthur foi a Israel para fotografar os navios australianos que chegavam ao porto de Haifa. Um dos barcos, o Bahijah, carregava cerca de 22.000 animais.

Foto: Jo-Anne McArthur

“O navio nos encobriu completamente. Fiquei impressionada com o cheiro. Mesmo de longe, podíamos sentir o cheiro do barco se aproximando. Em quase todas as janelas, você podia ver animais amontoados. Os que estavam nas janelas tinham sorte por tomarem ar fresco”, disse Jo-Anne em uma entrevista ao The Guardian.