Fazendeiro espanhol compara touradas ao consumo de carne

Foto: Josep Lago / AFP

Um artigo publicado pelo portal El Español na última sexta-feira (15) chamou atenção de ativistas em defesa dos direitos animais. Assinado por um fazendo identificado como Victorino Martín, o texto, que pode ser lido na íntegra e em espanhol aqui, conta a história de um ex toureiro, que após a proibição das touradas, foi impedido de viver seu sonho: torturar e matar animais indefesos para deleite de seu público e prosperidade para seu bolso.

Conservador e antropocêntrico, o artigo acusa a sociedade catalunha de hipocrisia, por ser favorável ao fim das touradas, mas financiar ativamente a morte de milhões de animais para consumo humano. Como exemplo, o autor afirma que diariamente apenas na cidade da Catalunha, 14 mil porcos são mortos e a maior parte da sociedade ignora a vida destes animais.

A motivação do artigo tem como base a uma tentativa recente de ignorar a proibição de touradas decretada em 2016 para realizar um suposto espetáculo onde seis animais seriam brutalmente mortos. Victorino, que também é presidente da Fundación del Toro de Lidia, organização pró touradas, defende que a prática é uma tradição centenária e que sua proibição deve ser considerada censura.

Há um claro interesse financeiro e sede de violência, por trás da tentativa de minimizar a luta em defesa dos direitos animais que conseguiu proibir a continuação dessa prática bárbara na cidade espanhola. Propositalmente, também foi ocultado pelo autor do famigerado artigo, que a Espanha é um dos países com grande crescimento de interesse pelo veganismo, apesar de uma forte cultura carnista.

Foi conscientemente omitido também que a nova geração espanhola combate fortemente a exploração e crueldade contra animais e é ativa em ações positivas para a evolução da sociedade e criação de um mundo mais pacífico e compassivo com todas as espécies.

Cresce o movimento que não tolera a morte e sofrimento de nenhum ser vivo, principalmente animais mortos apenas para atender o egoísmo humano.

Segundo Victorino, aceitar a proibição de touradas “é uma armadilha que mais cedo ou mais tarde se voltará contra si mesmo”, ironicamente, o fazendeiro inconscientemente falou sobre a extinção de sua própria espécie, que cada vez mais sofrerá com a falta de habitat em um mundo em constante transformação e busca por esclarecimento.