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A notícia da suspensão da campanha de vacinação contra a raiva na cidade de São Paulo deixou tutores de animais e entidades de proteção animal em alerta. A denúncia foi feita pela Divisão de Vigilância de Zoonoses de São Paulo, que divulgou a foto de uma circular interna que informa que não há estoque de vacinas para a realização da campanha, feita todos anos de forma gratuita.
Segundo o comunicado, “o Ministério da Saúde não disponibilizará o quantitativo de vacinas suficientes para a realização da campanha de Vacinação no município de São Paulo/2019”. A vacina é atualmente a forma mais eficaz de prevenir a raiva, zoonose viral transmitida pela saliva que não tem cura ou tratamento. Ela é obrigatória em cães e gatos a partir dos três meses e costuma ser distribuída gratuitamente em todas as cidades do país.
O Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), segundo o portal Jornalistas Livres, acusa o Ministério da Saúde do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e a Secretaria Municipal de Saúde do prefeito Bruno Covas (PSDB) de promoverem o sucateamento das políticas públicas da cidade de São Paulo e que a suspensão da campanha de vacinação seria um efeito colateral negativo deste trabalho conjunto.
Para a protetora e idealizadora da ONG Patre, Cynthia Gonçalves, a suspensão da vacinação impacta diretamente na proteção animal. “Todo protetor está sujeito a ser contaminado por alguma zoonose, uma vez que lidamos o tempo todo com animais em situação de rua, sem histórico de cuidados e muito menos vacinação”, disse em entrevista à ANDA.
E completa: “A vacinação preventiva em humanos contra a raiva é bastante complexa, precisa de três aplicações e poucos municípios tem disposição imediata, pois alegam que um frasco da vacina após aberto precisa ser totalmente utilizado para evitar o desperdício, uma vez que cada frasco tem a quantidade exata para dez pessoas em precisa ser esgotado no dia que foi aberto, para não perder a eficácia. As campanhas de vacinação antirrábica em cães e gatos é extremamente importante, pois protege animais e indivíduos de uma só vez”.
O outro lado
A ANDA entrou em contato com a Prefeitura de São Paulo e foi informada em nota pela assessora de comunicação Rosângela da Silva Dias que a falta do estoque de vacinas só foi informada pelo setor responsável há poucos dias, mas que a Coordenadoria de Vigilância em Saúde de SP já está trabalhando para providenciar o abastecimento necessário para a realização da campanha de 2019. Veja a nota abaixo na íntegra:
“A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo foi comunicada no dia 28 de junho de que as vacinas contra a raiva animal para a campanha de vacinação de cães e gatos do mês de agosto não serão fornecidas pelo Ministério da Saúde (MS).
A SMS possui estoque para a vacinação de rotina dos animais nos 12 postos que funcionam na cidade e ressalta que a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (COVISA) do município, desde que foi comunicada pelo Ministério, está providenciando a compra emergencial de doses da vacina antirrábica para garantir o abastecimento”.

Foto: Pixabay
Raiva: um inimigo à espreita
A raiva é uma doença causada por um vírus do gênero Lyssavirus e pode afetar a maior parte dos mamíferos, incluindo seres humanos. Ela é transmitida através da saliva e possui taxa de mortalidade de 100%. Campanhas de vacinação realizadas em todo o Brasil nos últimos 30 anos ajudaram a controlar o contágio da doença, mas ainda não há uma erradicação total.
A médica veterinária Dra. Livea Ozorio reforça que a suspensão da campanha é um grande perigo à saúde pública. “Por mais que achem que a raiva está controlada, somente em 2019 já foram confirmadas 1 morte em humano em Santa Catarina após 38 anos sem que houvesse infecção pelo vírus e em gados no Rio Grande do Sul. Além disso foram encontrados morcegos infectados também no Rio de Janeiro”, disse em entrevista à ANDA.
Ela diz ainda que a vacinação é imprescindível para garantir a saúde dos animais domésticos e dos seres humanos. “A transmissão da raiva se dá através de mordidas, uma vez que algum animal está infectado pode servir como fonte de infecção para outros animais e até humanos. A vacinação antirrábica é de extrema importância, principalmente para cães e gatos, uma vez que esses tendem a morder uns aos outros e aos humanos”, concluiu.