Food Forum discute amanhã o futuro dos alimentos de origem vegetal

NotMayo vai começar a ser comercializada na rede Pão de Açúcar este mês (Foto: LatAm List)

Amanhã, dia 3, a partir das 8h30, no Teatro Santander, em São Paulo, o Food Forum vai discutir, entre outros assuntos, o futuro dos alimentos de origem vegetal. Ingressos continuam à venda no site do evento.

Este ano, entre os palestrantes está o engenheiro comercial chileno Matias Muchnick, um dos fundadores e CEO da NotCo, empresa alimentícia que conseguiu investimento de US$ 30 milhões de um grupo que inclui o fundador da Amazon, Jeff Bezos.

A NotCo é mais conhecida pelo desenvolvimento da Not Mayo, maionese vegana à base de grão-de-bico que imita o sabor e a textura da maionese tradicional. O produto vai começar a ser comercializado na rede Pão de Açúcar a partir deste mês de abril.

Atualmente a NotCo é apontada como uma das startups mais promissoras entre as que estão utilizando inteligência artificial para desenvolver alternativas aos produtos de origem animal. E foi exatamente isso que chamou a atenção do fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Os US$ 30 milhões que a NotCo recebeu serão usados no desenvolvimento e produção de leites, iogurtes, queijos e sorvetes vegetais. Para isso, a startup vai aperfeiçoar o Giuseppe, seu sistema de inteligência artificial que gera fórmulas alimentares com base em ingredientes vegetais, mas imitando os alimentos de origem animal.

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Ingressos para o Food Forum 2019 estão à venda no Ingresso Rápido – clique aqui.

Me recordo do Gadhimai

Gadhimai realizado em in Bariyarpur, no Nepal, em 2014 (Foto: Omar Havana/Getty Images)

Me recordo de pessoas criticando exaustivamente o Gadhimai, no Nepal, festival tradicional daquele país onde 500 mil animais eram sacrificados por degola e decapitação. Diziam que era um absurdo, inadmissível. O Gadhimai então, celebrado pelo povo madhesi e bihari, foi proibido. Muitos consideravam o festival de viés religioso absurdo pela quantidade de animais mortos, mas, como dizia Tom Regan, o número não importa para o animal que vai ser morto, se ele for o escolhido.

Brasil matou mais de 5,77 bilhões de animais para consumo em 2018

Foto: Pixabay

Em 2018, o Brasil matou mais de 5,77 bilhões de animais para consumo. No total, não estão incluídas todas as espécies mortas para consumo por ano, mas somente bovinos, suínos e frangos, de acordo com o mais recente relatório do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foram 31,90 milhões de bovinos abatidos no país no ano passado. Os estados que mais mataram bovinos foram Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, em ordem do primeiro ao terceiro colocado.

Em relação aos suínos, foram mortos 44,20 milhões em 2018, com Santa Catarina em primeiro lugar, seguida pelos estados do Paraná e Rio Grande do Sul. Mas nenhum animal terrestre no mundo todo supera o volume de abate do frango.

Foram mortos 5,70 bilhões de frangos em 2018, com o Paraná respondendo por 31,4% do volume nacional, seguido por Rio Grande do Sul (15%) e Santa Catarina (13,4%). Em um país com uma população de 209,3 milhões de pessoas é surpreendente considerar que matamos 5,77 bilhões de animais por ano para reduzi-los a alimentos.

Mesmo com a morte de tantos animais para consumo, o que virtualmente pode criar uma ilusão de “prosperidade nacional” fundamentada na matança de seres não humanos, o Brasil é um país que no último ano passou a ter quase dois milhões de pessoas a mais vivendo em situação de pobreza, segundo os Indicadores Sociais (SIS), do IBGE.

O país onde se mata orgulhosamente bilhões de animais para consumo por ano, depois de alimentá-los com grandes quantidades de vegetais, conta hoje com pelo menos 5,2 milhões de pessoas passando fome, conforme o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2018”, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agropecuária (FAO).

Soma-se a isso o fato de que o Mato Grosso, que é o maior criador de bovinos do país, tem o maior índice de desmatamento da Amazônia dos últimos dez anos, e fica fácil concluir o quão é absurda a realidade de se criar animais para consumo.

De 2009 a 2018, a taxa de desmatamento da Amazônia mato-grossense foi de 67%, de acordo com informações do Instituto Centro de Vida (ICV) com base em dados do Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes).

Em 2018, apenas dez municípios do Mato Grosso, de um total de 141, foram responsáveis por 55% da área desmatada. A situação é bem crítica em municípios das regiões Noroeste e Médio Norte do estado, marcados pela violência agrária e disputa de terras.

Mesmo analisando superficialmente a realidade, não é difícil reconhecer que temos um ciclo de matança massiva de animais motivado pela ganância e envolto em desrespeito à vida animal, à vida humana e ao meio ambiente.

Sou contra o sacrifício religioso de animais

Que responsabilidade tem um animal não humano sobre as inclinações religiosas humanas? (Foto: Getty)

Sou contra o sacrifício religioso de animais. Se a defesa da liberdade religiosa perpassa pelo assassinato de animais, realmente não sou favorável a isso. Há pessoas que justificam contrariedade à defesa da proibição da prática alegando preconceito, racismo, instrumento de opressão, etc. Então isso significa que há grupos, que por serem oprimidos, deveriam ter o direito de sacrificar vidas? E que se eu me posicionar contra estou sendo opressor?

Me desculpe, mas não concordo com esse raciocínio. Nos últimos anos, publiquei algumas matérias sobre os abates kosher e halal, e muitas pessoas que hoje qualificam a proibição do sacrifício de animais em religiões de matrizes africanas como arbitrária e inconstitucional sempre condenaram tanto o abate halal quanto kosher – que são abates rituais e sacrificiais.

Eu poderia citar inclusive muitas pessoas que anseiam fervorosamente por esse tipo de proibição em países de minoria muçulmana. Seguindo esse raciocínio, isso também não seria se opor à tradição de uma minoria? Considere também o fato de que o abate halal e kosher, ainda que sacrificiais, estão vinculados estritamente ao consumo, não a oblações, oferendas.

Que responsabilidade tem um animal não humano sobre as inclinações religiosas humanas? Nenhuma. Mas muitas pessoas, na tentativa de justificar a sua oposição à proibição, alegam que os católicos sacrificam animais nas celebrações de Páscoa, Natal, etc.

Bom, não me alimento de animais, então não estou sendo hipócrita ao condenar qualquer tipo de matança de animais para qualquer finalidade que seja. Não vejo como matar animais, ceifar vidas de criaturas vulneráveis e inocentes, ainda que com viés religioso, possa inspirar algo de bom, e isso independente de qual seja a religião.

Então alguém pode dizer que a ideia da proibição do sacrifício de animais no Brasil surgiu anos atrás a partir de uma iniciativa de um grupo pentecostal. Certo, mas isso muda o fato de que sacrificar animais é errado? Muitas das leis de proteção animal ou de proibição de determinadas violências contra animais que existem no mundo hoje não foram feitas por vegetarianos nem veganos, e não duvido que algumas tenham surgido a partir de algum interesse. Porém, isso as qualifica como arbitrárias ou irrelevantes?

Claro que há hipocrisia quando uma pessoa se alimenta de animais e condena o sacrifício religioso de animais. Afinal o que muda nesse aspecto são apenas os métodos e finalidade, até porque para quem morre não interessa o propósito, mas sim a obliteração da vida.

E se eu for usar o discurso do tipo: “de que adianta acabar com o sacrifício de animais enquanto bilhões de animais são mortos por ano para consumo?”, isso acaba esbarrando em uma consciência fatalista, na crença de que o pouco é nada diante da imensidão exploratória em que estamos imersos. Mas eu não sou fatalista, então não concordo com esse raciocínio.

Também não acho adequado usar o discurso de que o animal não sofre durante o sacrifício, porque isso pode soar como uma anuência ao ilusório “abate humanitário”. Ademais, considero adequado apontar que a recente decisão que valida o sacrifício de animais no Brasil prevê apenas o sacrifício no contexto das religiões de matrizes africanas – ou seja, não inclui todas as religiões.

Se alguém diz que o exercício de uma religião depende do sacrifício de animais, e que isso é insubstituível, há algo de muito errado com essa religião ou pelo menos com essa concepção. Se você discorda da minha posição, sem problema, mas espero que você não seja uma daquelas pessoas que compartilham vídeos e textos que condenam abates rituais ou sacrifícios realizados por outras religiões que não sejam de matriz africana.

Atualmente, há tantas pessoas condenando a exportação de gado vivo para o Oriente Médio, e muitas apontam como um dos principais problemas o fato de que esses animais serão mortos seguindo os preceitos do abate halal que, como citei antes, é um abate religioso. Então sejamos ponderados em nossas inclinações, predileções e contradições.

WAP está no sudeste da África para ajudar animais afetados pelo ciclone Idai

Além de infecções, os animais em contato prolongado com a água suja também estão sujeitos a doenças pulmonares e podridão dos cascos (Foto: AP)

A organização internacional World Animal Protection (WAP) está em Moçambique e no Malawi para ajudar os animais afetados pelo ciclone Idai, que devastou o sudeste da África, matando mais de 750 pessoas e milhares de animais. Há uma estimativa de que pelo menos 200 mil animais continuam precisando de cuidados.

Nos próximos dias, a WAP também deve enviar assistência para o Zimbábue. Por enquanto a prioridade é oferecer atendimento médico, comida e água aos animais. Segundo os enviados da organização, grandes áreas de terra continuam debaixo d’água, e a escassez de alimentos é crônica.

Durante o desespero, muitas pessoas acabaram deixando os animais para trás, e muitos deles estão doentes, feridos e famintos. Segundo a World Animal Protection, a ajuda não pode demorar muito porque os animais ilhados em áreas inundadas correm risco de contraírem doenças fatais causadas por parasitas.

Além de infecções, os animais em contato prolongado com a água suja também estão sujeitos a doenças pulmonares e podridão dos cascos.

Moby defende que o veganismo é pra vida toda

“Minha vida não significa menos nem mais do que a vida de qualquer animal” (Foto: Reprodução/Instagram)

O músico vegano Moby se manifestou ontem sobre as recentes polêmicas envolvendo influenciadoras digitais que se identificavam como veganas, mas que floram flagradas consumindo alimentos de origem animal ou declararam que não são mais veganas.

Diante disso, Moby publicou ontem em sua conta no Instagram que “ultimamente tem visto muitas notícias de alguns influenciadores confusos que estão abandonando o veganismo”. O músico afirmou que pra ele o veganismo é pra vida toda, não importando o que aconteça.

“Eu não poderia nem farei qualquer coisa que possa causar ou contribuir para o sofrimento de um animal. Minha vida não significa menos nem mais do que a vida de qualquer animal”, comentou. Ao final, Moby incluiu uma hashtag em apoio à libertação animal.

Em maio, o músico vai lançar o seu livro de memórias “Then It Fell Apart” 20 anos após a estreia de “Play”, o seu quinto álbum. Publicado pela Faber Books, do Reino Unido, o livro conta com narrativas envolvendo David Bowie, Lou Reed, Eminem e David Lynch. Moby também deixou claro que 100% dos lucros serão destinados a organizações que atuam em defesa dos animais.

O músico tem sido apontado nos últimos anos como um dos artistas mais ativos na defesa dos direitos animais nos Estados Unidos, No ano passado, ele abriu mão de equipamentos musicais, coleções e vendeu uma casa para destinar recursos para um comitê médico vegano e para um projeto em defesa dos animais.

Fotógrafa registra a primeira experiência ao ar livre de animais usados em laboratórios

“Meus pequenos modelos são animais usados em testes, que foram salvos pela La Collina dei Conigli” (Fotos: Rachele Totaro)

No último verão, a fotógrafa Rachele Totaro realizou um ensaio fotográfico com animais recém-libertados dos laboratórios. Segundo ela, foi a primeira vez que eles foram colocados ao ar livre e tiveram contato com a realidade externa, com a luz solar, o céu, as árvores…

“Meus pequenos modelos são animais usados em testes, que foram salvos pela La Collina dei Conigli, uma instituição de caridade italiana sediada em Milão”, informa Rachele, acrescentando que anualmente centenas de milhares de animais morrem nos laboratórios da Itália.

Há animais que são utilizados em testes letais, mas não todos. Outros não chegam a ser utilizados, mas são mantidos confinados. Apesar disso, muitos têm condições de se recuperar das experiências ruins vividas em laboratórios, segundo a fotógrafa. No entanto, e infelizmente, todos eles são considerados descartáveis para os laboratórios ao final das experiências.

Porém, na Itália a legislação prevê que os animais saudáveis sejam doados para pessoas ou instituições de caridade como a La Collina dei Conigli, que se especializou em resgatar e garantir abrigo para coelhos e outros animais utilizados em laboratórios.

E como meio de apoiar a iniciativa, Rochele tem realizado ensaios com os animais resgatados, assim tentando levar um pouco de conscientização e sensibilização a quem não costuma ver esses animais como pequenas criaturas com anseio pela vida.

A fotógrafa conta que o melhor de tudo em fotografá-los ao ar livre é perceber a satisfação ao sentirem o sol tocando pela primeira vez suas peles. “Todos agem de maneira diferente ao ar livre, e mostram que não são meros números, como são considerados em laboratórios, mas indivíduos com atitudes e personalidades peculiares”, enfatiza.

Caçadores matam ursa e filhotes indefesos que estavam hibernando no Alasca

“Você e eu fazemos o que queremos”, diz o rapaz (Foto: Reprodução)

Esta semana a Humane Society International divulgou um vídeo em que pai e filho matam ilegalmente uma ursa negra que estava hibernando com seus dois filhotes na Ilha Esther, na Enseada do Príncipe Guilherme, no litoral sul do Alasca. Na filmagem, é possível ouvir os gritos de terror dos filhotes.

Os autores do crime não imaginavam que no local haviam câmeras instaladas pelo Serviço Florestal como parte de um estudo sobre o comportamento animal. O vídeo começa com os dois homens avistando uma ursa hibernando.

Não demora, e eles disparam vários tiros no oco de uma árvore, onde os animais estavam alojados. Assim que a mãe é morta, os filhotes ficam horrorizados, mas os atiradores não se importam e os matam.

O filho, de 18 anos, posa para uma foto com o corpo de um dos animais e se gaba dizendo que eles jamais serão responsabilizados pelo que fizeram. “Você e eu fazemos o que queremos”, diz o rapaz. Os criminosos também descartaram os corpos dos filhotes e um colar de rastreamento que estava com a ursa, segundo a HSI.

Com o auxílio das câmeras, os autores foram identificados como Andrew e Owen Renner, de Wasilla, no Alasca. Depois de se declarar culpado, Andrew foi condenado a três meses de prisão e não poderá caçar pelos próximos dez anos. Já o filho, Owen, de 18 anos, recebeu apenas uma suspensão de 30 dias e a incumbência de realizar serviços comunitários.

Mercado de suplementos proteicos à base de vegetais terá alto crescimento até 2025

Divulgação

Uma pesquisa global da Persistence Market Research revelou que o mercado de suplementos proteicos deve experimentar um crescimento sem precedentes nos próximos anos, chegando a alcançar US$ 16,3 bilhões em faturamento até 2025.

O estudo é baseado em uma análise de mercado realizada na América do Norte, América Latina, Europa, África, Ásia-Pacífico e Oriente Médio. O crescimento diz respeito à oferta e demanda de suplementos proteicos concentrados e isolados comercializados em pó, em bebidas, snacks, barras, alternativas não lácteas e também como ingrediente em substitutos de carne.

O relatório informa também que isso é uma consequência da demanda por alimentos à base de vegetais, e que hoje os suplementos sem ingredientes de origem animal são considerados mais saudáveis em comparação com as fontes lácteas, inclusive por quem não é vegano ou vegetariano.

“Tendências como o aumenta da demanda por alimentos orgânicos, mais saudáveis e premium influenciam indiretamente o crescimento do mercado global de forma positiva”, acrescenta.

O mercado de proteínas de soja deve continuar liderando o mercado global, segundo a Persistence Market Research, mas alternativas como proteínas de trigo, ervilha, arroz, cânhamo, sementes de girassol e sementes de abóbora devem contribuir substancialmente.

ONG pede apoio a projeto que prevê uso de fogos silenciosos em Conde (PB)

O projeto também considera outros agravantes do uso de fogos com estampidos, como traumas emocionais, desenvolvimento de fobias, ataques aos tutores e convulsões (Foto: Getty)

No dia 1º de abril, às 14h, vai ser votado na Câmara Municipal de Conde (PB), na Região Metropolitana de João Pessoa, um projeto de lei do vereador Naldo Cell que propõe o uso de fogos de artifício silenciosos na cidade. O PL qualifica como inadmissível continuar utilizando fogos que, em decorrência do barulho, grande mal aos animais em decorrência da audição muito sensível.

O projeto considera alguns agravantes do uso de fogos com estampido, como traumas emocionais, desenvolvimento de fobias, atropelamento, ferimentos por artefatos, ataques aos tutores, convulsões e até mesmo a morte de animais. Um exemplo que gerou bastante repercussão no país em janeiro foi o da cadela Mila, que ficou muito assustada e faleceu em casa, no Rio de Janeiro, durante uma queima de fogos de artifício.

Para evitar situações como essa, a ONG Vida na Rua, de Conde, está pedindo que a população apoie a iniciativa, para coibir definitivamente o uso de fogos de artifício tradicionais, que geram desconforto inclusive em crianças e idosos, além de animais domésticos.

“Esperamos que a Câmara Municipal de Conde faça com que a cidade se destaque, assim como muitos outros municípios brasileiros e países que vêm adotando o uso de fogos silenciosos. Também estamos pedindo que as pessoas se manifestem de forma favorável à iniciativa nas redes sociais, porque isso ajuda a chamar a atenção para a nossa luta”, frisa a ONG.