Pesca está matando golfinhos na França

Retrato da pesca comercial: golfinho morto depois de ficar preso em uma rede de arrasto (Foto: Sea Shepherd)

A pesca comercial está matando golfinhos na costa atlântica francesa. Na semana passada, a Sea Shepherd encontrou mais dois golfinhos mortos sendo içados por dois arrastões que pescavam na região. Não é a primeira vez este mês que a organização de conservação da vida marinha flagra golfinhos mortos ou feridos em consequência da pesca comercial.

Só nas últimas seis semanas, a Sea Shepherd contabilizou mais de 600 golfinhos, a maioria mutilados, encontrados nas praias francesas. Os animais foram atingidos por redes de arrasto. “Embora esse número possa parecer enorme, está muito abaixo da verdadeira escala de mortes em curso”, garante a organização.

Segundo o Observatório Científico Pelagis, a estimativa é de que 80% dos golfinhos mortos na costa atlântica francesa afundam no mar e nunca chegam à costa. “Durante nossas patrulhas, encontramos diariamente muitos golfinhos nessa área particularmente sensível”, informa a presidente da Sea Shepherd France, Lamya Essemlali.

A organização rejeita a tese de que os animais são mortos em consequência da “pesca acidental”. A justificativa é que as técnicas de pesca comercial utilizadas na região são sistemáticas. Ou seja, os pescadores assumem conscientemente o risco de matarem os golfinhos.

Protagonista de documentário premiado no Oscar defende que a dieta vegetariana é melhor para o planeta

“Escalar definitivamente fez de mim alguém mais consciente em relação à dieta” (Acervo: Alex Honnold)

O escalador Alex Honnold, protagonista do documentário “Free Solo”, de Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, premiado ontem no Oscar na categoria Melhor Documentário, defende que a dieta vegetariana é melhor para o planeta.

No filme produzido pela National Geographic, Honnold, que é considerado o mais bem-sucedido escalador do mundo, sai em uma missão para escalar o El Capitan, no Vale de Yosemite, na Califórnia.

São 910 metros que ele escala sem usar cordas ou equipamentos de segurança – um feito histórico jamais alcançado antes, mas que não surpreende tanto para quem avalia o histórico do atleta e sua ambição por novos desafios.

E o amor de Alex Honnold pelo que faz permitiu que ele desenvolvesse ao longo dos anos uma relação cada vez mais íntima com o meio ambiente, já que a sua rotina é estar basicamente cercado pela natureza.

Isso também o levou a refletir há muito tempo sobre o impacto de suas escolhas, e se elas têm interferido positivamente ou negativamente nesse meio. Sobre o assunto, em entrevista ao Adventure Sports Network, Alex deixou claro que considera a dieta vegetariana melhor para o planeta.

O atleta disse que sempre se esforça para minimizar o impacto ambiental de sua alimentação. “Na maioria das vezes, isso significa uma dieta vegetariana ou vegana. Mas estou sempre tentando pensar nas minhas escolhas para causar o menor mal possível”, revelou.

Questionado se a escalada é um esporte que o influencia a considerar a sua alimentação, ele admite que sim: “Escalar definitivamente fez de mim alguém mais consciente em relação à dieta.”

Projeto ensina como denunciar o ciclo de exploração de vacas leiteiras

Mais tarde, são vendidas como “carne de baixa qualidade”, quando seus corpos já estão esgotados (Foto: Reprodução)

No Reino Unido, o Calf Project foi criado com o propósito de ensinar qualquer pessoa a denunciar o ciclo de exploração das vacas leiteiras. Além de fornecer a localização de mais de nove mil fazendas, o projeto vegano instrui qualquer pessoa a coletar legalmente evidências que levem as pessoas a refletirem sobre o que existe de errado com a produção e o consumo de laticínios.

“Para começar, escolha uma fazenda de gado leiteiro, de preferência uma que seja acessível através de um caminho público”, sugere. O projeto também disponibiliza em seu site um código de conduta que considera os cuidados que são necessários para não interferir no bem-estar de um animal na hora de filmar algo, além de evitar problemas legais.

Segundo o projeto, se uma pessoa acessar apenas áreas com direito público de passagem, ela não terá nenhum problema. “Alguns proprietários dirão que você não pode estar em suas terras. Há muita informação disponível sobre invasão de propriedade e a lei, mas essencialmente não é uma ofensa criminal estar acidentalmente na terra de alguém, desde que você não faça nada para danificar a propriedade ou intimidar ninguém, além de sair imediatamente quando solicitado”, informa o projeto.

De acordo com o Calf Project, todos nós crescemos acreditando que o leite é proveniente de vacas felizes alimentadas com pasto, que produzem leite o tempo todo e que adoram ser ordenhadas, mas a verdade é bem diferente:

“As vacas, como todos os mamíferos, só amamentam quando dão à luz a um bebê. Para fornecer leite para os humanos, elas passam por uma gravidez de nove meses e, em seguida, seus bebês são levados. Como parte desse processo, os bezerros machos são considerados subprodutos e mortos logo após o nascimento ou vendidos como vitela para a indústria de carnes.”

O projeto lembra que as fêmeas seguem o mesmo caminho de suas mães – uma vida de dor, estresse, inseminação repetida, nascimento e separação, para mais tarde serem abatidas e vendidas como “carne de baixa qualidade”, quando seus corpos já estão esgotados: “Isso geralmente acontece com cinco anos, apenas um quinto de sua expectativa de vida.”

Descrença nas mudanças climáticas mostra o quanto a alfabetização científica é necessária

“Precisamos de excelência na ciência e também na comunicação com a sociedade, que sofre os impactos desse fenômeno”

Embora a ciência climática tenha avançado muito nos últimos anos – seja em modelagem ou na avaliação de riscos e impactos – parte da sociedade ainda põe em dúvida o conhecimento científico acumulado sobre o assunto. Essa situação sui generis tem sido observada no Brasil e em outros países que lideram as pesquisas na área.

Para piorar a situação, esse ceticismo ocorre no mesmo período em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas alerta para a urgência de medidas para reduzir do ritmo das mudanças climáticas.

“As mudanças climáticas são um dos maiores exemplos de como a ciência é importante para a sociedade. Porque foi a ciência que descobriu que esse fenômeno estava e está ocorrendo. Isso já há décadas”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), na abertura da reunião anual do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), ocorrido na semana passada.

A reunião, que teve como proposta avaliar os 10 anos do programa, lançado em 2008, e propor novas abordagens, serviu também como reflexão para a importância da divulgação científica e da alfabetização científica – mais conhecida pelo termo em inglês science literacy, que tem por objetivo disseminar o conhecimento e o método científico para a população em geral, sobretudo nas escolas.

“Precisamos de excelência na ciência e também na comunicação com a sociedade, que sofre os impactos desse fenômeno. Não é questão de opinião, é uma questão comprovada por pesquisa, medição, teste e verificação há muitos anos por cientistas em todo o mundo. O que eu percebo é que nós brasileiros, mas também cientistas americanos, franceses e ingleses, não estamos conquistando os corações e mentes”, defende Brito Cruz.

Entre 2008 e 2018, a Fapesp investiu R$ 276 milhões em pesquisa sobre o tema mudanças climáticas globais e R$ 151 milhões em estudos que fazem parte do programa. “Um terço é por meio de colaboração internacional, ou seja, a cada R$ 1 da Fapesp outra agência internacional deposita também o equivalente a pelo menos R$ 1. Isso amplia recursos”, informa Brito Cruz.

Como o criador de “Mad Max” fez muita gente refletir sobre o consumo de animais

Divulgação

O cineasta australiano George Miller é mais conhecido como o criador da franquia “Mad Max”, iniciada em 1979. No primeiro filme, quando Max Rockatansky (Mel Gibson) está prestes a ver o seu mundo em ruínas, o ápice da idealização familiar é consagrado pela chegada de um cãozinho em um cenário bucólico e onírico – um microcosmo da realização e da felicidade.

Em “A Caçada Continua”, de 1982, a humanidade já não lhe inspira nada de bom, e o seu único vínculo familiar é com outro cãozinho, com quem divide a parca comida. E um exemplo de que para ele a relação com um animal é prioritária é a cena em que o cãozinho tem prioridade sobre a comida em detrimento do seu “novo amigo”, o Capitão Gyro – que fica com as sobras deixadas pelo animal; o que acentua também o seu estado de descrença no ser humano.

A relação de companheirismo entre o cão e Max é a prova de que ele não está morto para a vida e para o mundo. Há compaixão, há esperança. Mas o seu mundo se dilui quando, movido pela descrença no ser humano, e entregue a um sentimento de ostracismo e misantropia, ele decide se afastar novamente dos humanos. E paga um preço por isso. Max cai em uma emboscada, sofre um acidente e o seu único e verdadeiro companheiro, o cão, é morto com um disparo de balestra. O seu mundo se dilui mais uma vez e ele é salvo pelo Capitão Gyro.

Em “Além da Cúpula do Trovão”, de 1985, já não há cachorro, e aparentemente nenhum tipo de esperança – apenas sobrevivência pela sobrevivência. Porém, no terceiro filme os porcos são mais importantes do que os seres humanos, ainda que com um viés utilitarista, já que a energia da cidade é gerada a partir das fezes dos suínos. Quem fere ou mata um dos porcos, que vivem em um ambiente que lembra as fazendas industriais, pode ser condenado à prisão perpétua ou à morte em Bartertown.

Os suínos não são comida, nem podem ser vistos dessa forma, e a alimentação deles é prioritária. A subsistência e o equilíbrio dependem mais da existência não humana do que humana, como numa referência à nossa realidade planetária – já que os ecossistemas são comprometidos pela má ação humana que prejudica a vida selvagem; e com isso, amargamos consequências como a degradação do meio ambiente e o aquecimento global em decorrência das mudanças climáticas.

Em “Estrada da Fúria”, de 2015, o Max de Tom Hardy é tão cético quanto o de Mel Gibson, mas o seu protagonismo rapidamente é compartilhado, diferente dos outros filmes da franquia. Em relação à exploração, o que chama atenção é que as mulheres assumem posição análoga a das vacas leiteiras. A maioria serve apenas a um propósito – procriar e fornecer leite – um retrato da objetificação. Inclusive são mantidas em uma área separada, onde são condicionadas a atenderem as necessidades do vilão Immortan Joe.

Basicamente, são produtos e meios para um fim. Assim como ocorre com as vacas leiteiras que são exploradas a vida toda até serem encaminhadas para o matadouro, no filme de George Miller não é diferente. O valor das mulheres na cidadela é proporcional ao que elas podem proporcionar. E se já não podem, já não há uma atribuição de valor.

Outra curiosidade sobre o filme é que os figurinos dos atores e dos figurantes foram isentos de matéria-prima de origem animal. Inclusive no Oscar 2016, a figurinista Jenny Beavan subiu ao palco para receber o prêmio de Melhor Figurino usando uma jaqueta de couro vegana e levando uma mensagem contra o uso de artigos de origem animal.

“Mad Max” tem o potencial de despertar ponderações sobre a nossa relação com os animais e sobre a exploração animal, mas a maior mudança de consciência promovida por um dos trabalhos de George Miller veio com “Babe”, de 1995, dirigido por Chris Noonan.

A história do porquinho sonhador, que fez muita gente refletir pela primeira vez sobre a senciência, inteligência e personalidade curiosa dos animais, foi escrita pelo cineasta australiano, que assina o roteiro da obra. O filme influenciou o ator James Cromwell, que interpreta o fazendeiro Arthur Hoggett, a se tornar vegano e a se engajar no ativismo em defesa dos animais.

Algumas cenas do filme se tornaram emblemáticas. Quando o casal Hoggett recebe os familiares para a ceia de Natal, uma galinha pergunta: “E esse rebuliço todo, o que será?” “A gata disse que eles chamam de Natal”, responde o cavalo. “Natal, é? A ceia de Natal, é? Ceia quer dizer morte, morte, carnificina! Natal é carnificina! Natal é carnificina!”, grita o pato em desespero.

O que pouca gente sabe também é que George Miller, que levou muita gente a refletir sobre o consumo de animais, já era vegetariano quando escreveu “Babe”. No entanto, ele sempre preferiu que o filme fosse visto como uma obra sobre a perda da inocência e a vontade de viver.

Duquesa da Cornualha diz que dietas sem laticínios são “ridículas”

“Essas dietas são ridículas, cortar laticínios e todas as coisas que são boas para os ossos” (Foto: Getty Images)

Na semana passada, Camilla Rosemary Shand, a Duquesa da Cornualha, se envolveu em uma polêmica ao dizer que dietas sem laticínios são “ridículas”. Ao Daily Mail, ela declarou que a osteoporose matou sua mãe e sua avó. “Essas dietas são ridículas, cortar laticínios e todas as coisas que são boas para os ossos”, defendeu após o lançamento da Royal Osteoporosis Society, qualificando dietas sem laticínios como dietas da moda que apenas inspiram os jovens a arriscarem a própria saúde em busca de um corpo magro.

Embora seja louvável a preocupação da Duquesa da Cornualha com a saúde dos mais jovens, a sua concepção de uma dieta sem laticínios é equivocada. Um estudo publicado pelo British Medical Journal mostrou que pessoas que consumiram grandes quantidades de cálcio a partir do leite não tiveram redução em fraturas ósseas nem evitaram osteoporose. Na verdade, aqueles que consumiram altas quantidades de cálcio (mais de 1,1 mil miligramas por dia) apresentaram os maiores índices de fraturas de quadril e osteoporose, em comparação com quem consumiu bem menos cálcio.

Outra prova disso é o estudo “Three Daily Servings of Reduced-Fat Milk – An Evidence-Based Recommendation?”, publicado no jornal JAMA Pediatrics, pelos pesquisadores Walter Willett e David Ludwig, do Boston Children’s Hospital. Willett, que é médico e tem doutorado em saúde pública, é professor de nutrição e epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard e chairman do Departamento de Nutrição da Universidade Harvard.

Basicamente o trabalho refuta a suposta necessidade do consumo de leite de vaca e aponta as consequências do excesso de laticínios. Além disso, há inúmeras opções de alimentos de origem vegetal com boas quantidades de cálcio. Alguns exemplos são tofu, brócolis, espinafre, aveia, açaí, feijão-branco, linhaça, chia, gergelim, grão-de-bico, amêndoas, agrião, salsa, etc.

Bancário diz que “todos os veganos deveriam ser socados na cara”

O bancário tentou se justificar, alegando que os ativistas veganos o incomodam (Foto: Reprodução)

Esta semana o banco britânico NatWest se desculpou publicamente depois que uma cliente que ligou solicitando um empréstimo foi maltratada por um funcionário. Em entrevista à Rádio BBC Bristol, uma mulher, que pediu para não ser identificada, contou que o bancário disse que empréstimos são oferecidos a todos, menos aos veganos.

Quando ela revelou ser vegana, o homem ficou furioso e, não apenas deixou claro que ela não receberia o empréstimo, mas também disse que “todos os veganos deveriam ser socados na cara”. O relato foi confirmado depois em uma gravação analisada pelo banco. O objetivo dela era conseguir 400 libras esterlinas para custear um diploma de nutrição.

O bancário tentou se justificar, alegando que os ativistas veganos o incomodam com suas mensagens do tipo “animais são amigos, não comida”, e que isso “é uma tentativa de tentar forçar crenças sobre ele”.

Segundo o The Guardian, o NatWest se desculpou com a mulher e deu a ela 200 libras esterlinas: “Lamentamos muito a forma como nossa cliente foi tratada por um membro de nossa equipe e pedimos desculpas por qualquer problema e perturbação. Esses comentários foram totalmente inadequados e já iniciamos um procedimento disciplinar.”

Premiado documentário sobre pecuarista que se torna vegetariano vai ser exibido no Parlamento Europeu

Um dia, Wilde decidiu mudar a sua vida e a das vacas que viviam em sua propriedade (Foto: Divulgação)

Premiado este mês no BAFTA, na Inglaterra, o documentário de curta-metragem “73 Cows”, que conta a história do ex-pecuarista britânico Jay Wilde, que se tornou um vegetariano ético, vai ser exibido no Parlamento Europeu, em Bruxelas, em março. O comunicado foi feito pelo diretor Alex Lockwood.

O filme conta a história de Jay Wilde, um fazendeiro que atuava no ramo de produção de leite e carne. Um dia, incomodado com a ideia de ter que enviar suas vacas para o matadouro, já que esse é o destino comum quando cai a produção de leite, Wilde decidiu mudar a sua vida e a das vacas que viviam em sua propriedade.

Em vez de enviá-las para a morte, Jay Wilde, de Derbyshire, na Inglaterra, as levou para um santuário, iniciando uma nova jornada de respeito e compaixão pelos animais. No filme com duração de 15 minutos, Wilde rompe uma tradição familiar e passa a investir na produção orgânica de vegetais com o apoio da organização The Vegan Society.

Vovô Vegano: “Sou otimista com relação a um futuro cada vez mais vegano”

“Vejo que muitos jovens estão entendendo o grande erro da humanidade em se alimentar de animais” (Foto: Arquivo Pessoal)

Em 2017, o arquiteto e contador de histórias carioca José Matos decidiu criar uma página para compartilhar conversas fictícias entre um avô e um neto. O nome? Vovô Vegano, que usa uma linguagem leve e afetiva para conscientizar sobre a exploração animal e os benefícios do veganismo.

Hoje, aos 72 anos, o Vovô Vegano conta que a sua história com a abstenção do consumo de animais começou por acaso em 1996, quando ele tinha 50 anos e foi a um centro espírita kardecista. “Naquele dia, uma pessoa fez uma palestra sobre vegetarianismo e sugeriu a leitura do livro ‘Fisiologia da Alma’, de Ramatis. Comprei o livro e, logo nas primeiras páginas, decidi parar de comer todos os tipos de carne, de um dia para o outro”, relata.

Como a obra não falava nada sobre o consumo de outros laticínios e ovos, José Matos achou que não havia nenhum problema em consumi-los. Durante 16 anos sem comer carne, ele não conheceu nenhum ovolactovegetariano e muito menos algum vegano.

“Desconhecia a crueldade na produção de leite e de ovos. Só em 2012 que conheci algumas pessoas veganas. Primeiro pelo Facebook e depois pessoalmente em uma festa junina. Por sugestão delas, busquei no Google e no YouTube por ‘indústria do leite’ e ‘indústria dos ovos’. Parei de consumir leite, queijos e ovos de um dia para o outro”, confidencia.

Embora não tenha passado por uma fase de transição, já que Matos não sabia da realidade da produção de outros alimentos de origem animal, ele conta que a sua adaptação do ovolactovegetarianismo para o veganismo foi bem simples. “No início, ainda passava creme vegetal Becel (sem leite) no pão, mas logo parei quando soube dos testes em animais da Unilever. Fiquei um tempo sem comer queijo e depois passei a comprar, de vez em quando, versões vegetais nas feiras veganas”, explica.

O Vovô Vegano revela com orgulho que há poucas semanas foi a mais uma consulta anual com o cardiologista, que avaliou exames de sangue, urina e realizou outros: “Ele disse: ‘Está tudo ótimo! O eletrocardiograma, a pressão, a glicose, o colesterol, os triglicerídeos, as vitaminas B12 e D, a testosterona, tudo ótimo!’”

Arroz, feijão, legumes, verduras, frutas e castanhas são a base da alimentação do Vovô Vegano. De vez em quando, ele encomenda algumas refeições veganas que qualifica como “mais elaboradas”. Quando participa de alguma feira vegana, leva para casa hambúrgueres, risoles, coxinhas, etc.

“Não tenho nenhum prato preferido. No café da manhã, costumo comer pão de forma integral com pasta de soja ou alguma manteiga vegana que compro nas feiras. Frutas, café com leite de coco ou de soja em pó e suco também fazem parte da minha alimentação”, acrescenta.

Com a sua página homônima no Facebook, o Vovô Vegano está sempre encontrando novas formas de levar as pessoas a refletirem sobre a nossa relação com os animais. Embora a receptividade seja bem positiva, ele se recorda que antes de criar a fanpage algumas pessoas sempre se incomodavam com suas publicações veganas em sua página pessoal. “Era comum alguém fazer críticas ou comentários debochados”, lembra.

Segundo o Vovô Vegano, a resistência ao veganismo é uma reação esperada porque toda mudança de conceitos é difícil de ser adotada, considerando que as pessoas são criadas com padrões de crenças e, de uma maneira geral, não querem sair da zona de conforto:

“E quanto mais idade a pessoa tiver, mais difícil é pensar em mudar algo que está entranhado nos seus conceitos de vida. No caso do veganismo, acredito que muita gente se convence de que não é certo praticar crueldade contra os animais, mas se agarra a justificativas como ‘é cultural’, ‘todo mundo sempre comeu carne’, ‘está na Bíblia’, e coisas assim. Para os jovens, é mais fácil mudar os seus conceitos.”

Apesar disso, o Vovô Vegano tem motivos para comemorar. Tem conquistado cada vez mais pessoas com seus diálogos descontraídos a favor do veganismo. A prova disso são os milhares de seguidores no Facebook e no Instagram. “A experiência de ser reconhecido nos eventos veganos é gratificante. O carinho das pessoas é ótimo!”, garante.

Perto de completar 73 anos, ele afirma que a sua saúde, disposição e bom astral talvez não fossem tão bons se não tivesse parado de consumir alimentos de origem animal: “Sou otimista com relação a um futuro cada vez mais vegano. Vejo que muitos jovens estão entendendo o grande erro da humanidade em se alimentar de animais, não só pelo lado ético, como pelos danos que esse tipo de alimentação causa à própria saúde e ao planeta.”

Maratonista vegano fica em 1º lugar em competição mundial na Tailândia

O atleta australiano disputou a categoria 50 quilômetros e conseguiu cumprir o trajeto 16 minutos à frente do segundo colocado (Acervo: Vlad Ixel)

O maratonista vegano Vlad Ixel ficou em primeiro lugar na competição mundial de endurance North Face, realizada na Tailândia no final do mês passado. O atleta australiano disputou a categoria 50 quilômetros e conseguiu cumprir o trajeto 16 minutos à frente do segundo colocado.

Ixel concluiu a prova em 4h33m7s, liderando em cada um dos checkpoints. Apenas nove dos 433 finalistas conseguiram terminar o percurso em menos de cinco horas.

“Todo ano o percurso fica mais difícil e mais técnico. Este ano foi muito mais difícil do que nos anos anteriores, mas realmente gostei disso”, disse em entrevista ao Great Vegan Athletes.

Segundo o maratonista, corridas em montanha são muito imprevisíveis. Por isso, ele evita pensar na vitória antes de ver a linha de chegada.

O atleta diz que a sua alimentação sem ingredientes de origem animal tem importante papel no seu desempenho: “Vi muitos corredores fazerem a transição para uma dieta vegana nos últimos anos e eles estão se recuperando mais rápido e conseguindo melhores resultados.“