Ambientalistas e comerciantes criticam ideia de Bolsonaro de transformar área protegida em “Cancún brasileira”

Ambientalistas e comerciantes da cidade de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, decidiram se mobilizar contra a proposta do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de transformar a Estação Ecológica de Tamoios, conhecida como Esec Tamoios, em uma “Cancún brasileira” para explorá-la através do turismo.

A estação é formada por ilhas, ilhotas, lajes e rochedos (Foto: Reprodução/TV Globo)

Formada por 29 ilhas e um raio de 1 km de mar ao redor de cada uma, na baía de Ilha Grande, ao longo de Angra dos Reis e de Paraty, no Rio de Janeiro, a estação é considerada única devido ao mar pontilhado, com ilhas, ilhotas, lajes e rochedos. Atualmente, o local é uma unidade de conservação e, por isso, a pesca, o desembarque e o mergulho são proibidos. As informações são do portal G1.

A área preservada corresponde a apenas 5% da baía de Ilha Grande, os outros 95% podem ser aproveitados e habitados. Por essa razão, biólogos que estudam a região afirmam que a Esec Tamoios não impede o turismo. Ainda assim, o presidente tem a pretensão de transformar a estação em local turístico, o que preocupa ambientalistas, comerciantes e pessoas sensíveis à causa ambiental.

“Acabar com a Esec pra incentivar o turismo, na verdade, é você acabar com o turismo. O turismo existe na baía da Ilha Grande justamente porque existem esses paraísos ecológicos preservados. Ninguém vem aqui pra ficar vendo uma área totalmente degradada”, explicou o biólogo Leonardo Flach, do Instituto Boto-Cinza.

Apostar no turismo na estação é, também, preocupante do ponto de vista da proteção a espécies de animais. Isso porque o local é responsável pela preservação de mais de 10 espécies ameaçadas de extinção. Os botos-cinza, por exemplo, correm sério risco de desaparecer caso a proteção ambiental da estação seja retirada.

A região é chamada de santuário, porque não é permitido nenhum tipo de exploração, explicou o professor de direito ambiental da PUC-Rio, Fernando Walcacer.

Golfinhos nadam na Estação Ecológica de Tamoios (Foto: Reprodução/TV Globo)

“Qualquer atividade que possa prejudicar a preservação da diversidade biológica dos ecossistemas nessas unidades é um atentado contra direitos de gerações futuras que a constituição brasileira protege”, disse Fernando.

Pequenos comerciantes e proprietários de pousadas da região também são contra a proposta de Bolsonaro. “A gente teria mais embarcações andando por ali, então é óleo no mar, é arrasto de fundo de baía. Isso tudo traz uma parte negativa”, justificou Cagério de Souza, dono de pousada. “Tem que ser preservado o máximo possível, porque a gente depende do turismo, né?”, disse Luis Alberto das Neve, proprietário de um restaurante.

Retirar a proteção da estação seria um grande retrocesso. Com ela, a região já sofre ameaças. Sem, estaria fadada à degradação. Em Angra dos Reis, o Ministério Público Federal ajuizou uma ação pública contra o sucateamento da estação ecológica. De acordo com o procurador da República Igor Miranda da Silva, atualmente os escritórios do Ibama e também da Esec Tamoios estão praticamente fechados no local.

Nenhum dos dois órgãos, ainda segundo o MP, tem barcos em funcionamento para realizar a fiscalização da área. Quando as fiscalizações eram frequentes, o próprio atual presidente, na época ainda deputado, foi multado por pescar numa área proibida ao redor da Ilha Samambaia, em 2012. A multa nunca foi paga e, após a eleição de Bolsonaro, foi anulada. Além disso, a pedido do presidente, o fiscal José Augusto Morelli, responsável por aplicar a multa, foi exonerado em março deste ano. A conduta das autoridades envolvidas nesse episódio é investigada pelo Ministério Público Federal.

Por duas vezes, em visitas ao Rio de Janeiro, Bolsonaro criticou a existência da estação ecológica. “A situação ecológica de Tamoios está demais. Não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica que pode trazer bilhões de reais por ano do turismo fique parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista nessa questão. Ou seja, o meio ambiente e o progresso podem casar, sim, e permanecer juntos para o bem da nossa população. A Baía de Angra pode ter, com certeza, brevemente, se Deus quiser, uma Cancún aqui no Brasil”, disse o presidente. As declarações do presidente sobre a estação não preservar “absolutamente nada” são rebatidas por ambientalistas, que reforçam que espécies de animais e plantas dependem da proteção da estação para que sobrevivam.

Esec de Tamoios (Foto: Reprodução/TV Globo)

Cancún é um balneário no México com uma praia de 22 km com grandes construções, como hotéis. O local atrai milhões de turistas. Mas, para o ambientalista Israel Klabin, que foi um dos responsáveis pela criação da estação ecológica de Tamoios, o modelo de Cancún, citado por Bolsonaro, não é compatível com a Esec Tamoios.

“Não tem como você fazer grandes edifícios e grandes usos”, justificou Klabin.

De acordo com juristas, a Constituição não permite que o presidente extingua uma estação ecológica. “Só pode ser extinta por lei. Então precisaria haver um ato do Congresso Nacional, extinguindo a estação ecológica. Fora disso, seria totalmente inconstitucional”, explicou Fernando Walcacer.

O Ministério do Meio Ambiente, ao ser questionado sobre o sucateamento da frota de barcos e o abandono dos prédios e instalações do Ibama e do ICMBio, mais uma vez jogou a responsabilidade para os antigos governos, dizendo que o problema é “um legado de gestões anteriores” e não apresentou nenhuma proposta para resolver a questão – o que é uma característica do novo governo, que ficou conhecido pelos retrocessos ambientais gerados em apenas 100 dias de mandato.

Lewis Hamilton lança coleção de tênis veganos em parceria com a Tommy Hilfiger

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Cinco vezes campeão mundial de Fórmula Um, o atleta vegano Lewis Hamilton, juntou-se à Tommy Hilfiger para lançar uma linha de streetwear (moda de rua) com dezenas de produtos livres de crueldade.

A nova coleção TOMMYXLEWIS possui 49 itens, incluindo moletons, calças de corrida, shorts, jaquetas jeans, camisetas, bolsas, chapéus, sapatos e meias.

Hamilton traz sua “estética diferenciada” para a marca de moda americana, escreveu on-line a Tommy Hilfiger, em uma “coleção arrojada de moda de rua com uma abordagem urbana”.

Nem todos os produtos são vegan-friendly (a linha inclui um suéter feito de lã), mas a maioria é feita sem o uso de produtos de origem animal.

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

A colaboração da marca com o atleta, produziu também um par de tênis masculinos veganos. Os calçados, que são da cor batizada de “marshmallow”, são feitos com couro sintético, malha reciclada e borracha. Eles exibem um design retrô de cano alto e tiras de fecho manual, passando uma “energia da moda de rua animada dos anos 80.” O calçado vem completo com um bordado do monograma de Hamilton na etiqueta.

Os calçados veganos também estão disponíveis nas cores preto e rosa, com revestimento macio e solas grossas. Os sapatos são feitos com couro sem crueldade e “parecem tão confortáveis quanto parecem”.

Uma jaqueta retrô de design ousado permite que os fãs de Hamilton “cruzem a pista” em grande estilo. O item é feito de poliamida – um polímero vegano sintético – e apresenta um revestimento de contraste reversível.

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Calças de moletom sem crueldade, feitas com algodão, também estão disponíveis. Elas possuem punhos na boca da calça e uma fita do logotipo “impressionante” decoradas nas pernas da peça.

Lewis Hamilton e o veganismo

Hamilton adotou uma alimentação baseada em vegetais em 2017 depois de assistir “What The Health”, um documentário que estuda a conexão entre alimentação e doença. O piloto disse que o abandono de produtos animais ajudou-o a se sentir “o melhor que já sentiu em toda a minha vida”, acrescentando que jamais voltaria a comer carne.

Desde a mudança, Hamilton tornou-se mais interessado na ética do veganismo. Ele usou suas redes sociais para falar sobre várias questões ligadas ao bem-estar animal, usando principalmente o Instagram – onde o campeão tem 11 milhões de seguidores – para aumentar a conscientização sobre temas próximos ao seu coração como a caça às baleias e focas.

No início deste mês, Hamilton compartilhou uma foto online de um burro puxando uma carroça, dizendo que a imagem “causava muita dor em seu coração”.

Filhote de cachorro é resgatado após ficar preso em tubulação em SC

Um filhote de cachorro ficou preso em uma tubulação de água de chuva no bairro Velha, em Blumenau, no estado de Santa Catarina. O acidente aconteceu na quarta-feira (22).

Foto: Corpo de Bombeiros Militar de Blumenau/Divulgação

Como o animal não conseguiu sair sozinho do local, o Corpo de Bombeiros Militar de Blumenau foi acionado e esteve no local para prestar socorro ao filhote. As informações são do portal O Município Blumenau.

Os socorristas foram acionados por volta de 23h20. Quando chegaram ao local, eles avaliaram a situação e decidiram utilizar uma mangueira para medir a distância que o animal havia percorrido dentro da tubulação.

Após esse primeiro procedimento, os bombeiros escavaram o concreto da rua para ter acesso ao filhote, que após cerca de 20 minutos de trabalho, foi salvo.

Depois de ser resgatado pelos militares, o cachorro foi entregue ao tutor. Não há informações sobre o estado de saúde do animal.

Animais são vítimas de crueldade em rituais de magia negra

Foto: New Indian Express

Foto: New Indian Express

Na maioria dos casos que chegam ao conhecimento público, os caçadores tiram a vida de animais inocentes visando sua carne e outras partes de seus corpo que são valorizadas nos mercados paralelos (vendidos para a medicina chinesa). No entanto, um fato menos conhecido mas que tem causado muitas mortes de animais é a prática de crenças e seitas, como magia negra e os sacrifícios de animais.

Desde 2016, a célula CID do Departamento de Florestas da Índia registrou 100 casos sob a Lei de Proteção à Vida Selvagem, e em 80% deles os animais foram usados para magia negra e vaastu. Especialistas em vida selvagem dizem que entre as pessoas que usam animais para magia negra estão muitos políticos, entre eles vários estão contestando as leis de proteção aos animais.

Pelo menos 201 caçadores foram presos pelas autoridades nos últimos três anos. Falando ao New Indian Express, representante do departamento de vida selvagem de Bengaluru, Sharath R Babu, disse que esses casos estão aumentando a cada dia e acrescentou que muitos casos passam despercebidos também.

Ele acrescentou que durante as temporadas eleitorais, eles se deparam com sete a oito casos de animais sendo feridos em rituais de magia negra. “É desumano como os animais são torturados”.

“Olhos de corujas são perfurados, asas, garras ou bicos são cortados ou queimados. Às vezes, as roupas da pessoa para quem a magia negra é conduzida estão fortemente amarradas aos animais, o que impede a circulação do sangue deles”, disse ele.

Fontes alegam que alguns dos animais que estão em alta demanda por rituais de magia negra são tartaruga-estrela (Geochelone elegans), cobra boa vermelha (Eryx johnii), papagaio preto (Milvus migrans) e loris cinzentos delgados (Loris lydekkerianus). De acordo com um veterinário da People for Animals (PFA), Dr. Karthik M, eles resgatam de 130 a 150 animais e aves em média todos os meses.

Recentemente, um papagaio negro ferido foi encontrado em Yeshwantpur. “As unhas da ave foram cortadas uniformemente e seu bico foi queimado. Isto não foi um acidente, mas alguém poderia ter feito isso com o pássaro para realizar um ritual de magia negra”, disse ele.

Cadela tem gravidez psicológica após adotar filhote de gato em SP

Uma cadela teve gravidez psicológica após a chegada de um filhote de gato na casa onde ela mora em Itapetininga, no interior do estado de São Paulo. Jully, como é chamada a cadela, adotou o gato e passou a tratá-lo como filho, que, inclusive, é amamentado por ela.

Foto: Heloísa Casonato/G1

“Percebi que ela estava amamentando o Theodoro pelo ‘barulhinho’ do gato. Ele está com a gente há umas quatro semanas e está crescendo rápido por tomar o leite dela”, afirmou a autônoma Adaiz Alves Leite ao G1.

A médica veterinária Juliana Sonoda explica que a gravidez psicológica no animal ocorre devido a uma disfunção hormonal. Segundo ela, apesar dos animais pertencerem a espécies diferentes, o leite da cadela tem feito bem para o filhote de gato.

“Ela [a Jully] teve um cio há uns dois meses e quando o filhote chegou, ela achou que teve um bebê e produziu leite. Os comportamentos são como se ela estivesse gestante e se preparando para a chegada do filhote. Agora, o que era psicológico ‘casou’ mesmo sendo em espécies diferentes. O amor e instinto materno foram muito maiores neste caso”, explicou a veterinária.

Foto: Renan Ciconelo/TV TEM

Adaiz conta que Jully foi adotada há três anos para conviver com o filho dela, Pedro, que tem autismo. Segundo a autônoma, a cadela distribui amor para toda a família.

“Meu filho hoje ajuda a cuidar dos bichinhos aqui em casa e é carinhoso, a Jully ajudou muito a melhorar o comportamento dele. Esses animais são tudo para a gente”, concluiu.

Foto: Heloísa Casonato/G1

Bombeiro vegano processa governo de Ontário por deixá-lo sem comida

Por David Arioch

“Minhas crenças devem ser respeitadas, inclusive enquanto eu estiver trabalhando no combate a incêndios florestais” (Foto: Animal Justice/Divulgação)

O bombeiro canadense Adam Knauff, que atua no Corpo de Bombeiros de Ontário há 11 anos, está processando o governo por violar o seu direito de acesso à comida vegana enquanto trabalhava em Williams Lake, na Colúmbia Britânica.

Knauff, que atuou em um incêndio de grandes proporções por dez dias, trabalhando cerca de 16 horas diárias, teve de lidar com a falta de comida – mesmo desempenhando um trabalho que exigia muito vigor físico e não oferecia a possibilidade de se ausentar.

Segundo a organização Animal Justice, que representa o bombeiro, ele disse que repetidamente pediu que fornecessem comida vegana, mas o pedido continuou sendo ignorado. Adam Knauff então foi obrigado, em muitas situações, a ficar com fome para não trair as suas próprias convicções.

Por causa de suas queixas, o Corpo de Bombeiros ainda o puniu disciplinarmente e o deixou sem salário. “Sou vegano porque não quero prejudicar ou matar animais. Por mais de 20 anos, esse sistema de crenças influenciou todos os aspectos da minha vida e me tornou consciente da epidemia global que envolve o abuso de animais para alimentação”, justificou na terça-feira.

E acrescentou: “Minhas crenças devem ser respeitadas, inclusive enquanto eu estiver trabalhando no combate a incêndios florestais. O veganismo tem um potencial incrível para mudar o mundo promovendo a compaixão e o respeito pelos outros, e isso deve ser celebrado – não punido, desprezado ou menosprezado.”

Em queixa ao Tribunal de Direitos Humanos de Ontário, o bombeiro afirmou que foi discriminado por ser vegano, e percebeu isso no momento em que seus supervisores inviabilizaram qualquer possibilidade de ele receber comida vegana.

Desde 2016, o Código de Direitos Humanos de Ontário prevê atenção às necessidades dos veganos, já que o veganismo está classificado como uma crença não-religiosa, uma filosofia de vida fundamentada em um posicionamento ético. Portanto, seus adeptos não podem ter seus direitos negados – aponta a Animal Justice.

Estudo revela que espécies maiores como rinocerontes e águias estarão extintos nos próximos 100 anos

Foto: Baz Ratner/Reuters

Foto: Baz Ratner/Reuters

Conforme os seres humanos continuam destruindo o habitat dos animais maiores, o tamanho médio dos animais está previsto a “encolher” em 25% no próximo século, de acordo com um novo estudo.

Espécies maiores, menos adaptáveis e de vida mais lenta, como águias-de-tawny e rinocerontes, serão extintas, enquanto criaturas menores e adaptáveis como roedores, gerbos-anões (esquilos) e pássaros provavelmente predominarão, disseram pesquisadores da Universidade de Southampton.

A menos que ações radicais sejam tomadas para proteger a vida selvagem e restaurar habitats, ecossistemas inteiros podem entrar em colapso.

“De longe, a maior ameaça para aves e mamíferos é a humanidade – com habitats sendo destruídos devido ao nosso impacto no planeta, como desmatamento, caça, agricultura intensiva, urbanização e os efeitos do aquecimento global”, disse Rob Cooke, principal autor do estudo que foi publicado na revista Nature Communications.

“O substancial ‘downsizing’ (encolhimento) de espécies que previmos poderia gerar impactos negativos adicionais para a sustentabilidade a longo prazo da ecologia e da evolução. Esse downsizing pode estar acontecendo devido aos efeitos da mudança ecológica, mas, ironicamente, com a perda de espécies que desempenham funções únicas dentro do nosso ecossistema global, também pode acabar como um impulsionador da mudança”.

Os declínios previstos são particularmente grandes quando comparados com a redução de 14% do tamanho corporal observada em espécies desde o último período interglacial há 130 mil anos.

A equipe de pesquisa concentrou-se em 15.484 mamíferos terrestres e aves e considerou como variáveis como a massa corporal, o tamanho da ninhada, a largura do habitat, a dieta e o tempo entre as gerações afetavam seu papel na natureza.

Eles também usaram a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para determinar quais animais são mais propensos a se tornarem extintos no próximo século.

Os cientistas descobriram que animais pequenos e altamente férteis que comem insetos, podem prosperar em uma variedade de habitats e serão os mais resilientes.

“Nós demonstramos que a perda projetada de mamíferos e aves não será ecologicamente aleatória – e sim um processo seletivo em que certas criaturas serão filtradas, dependendo de suas características e vulnerabilidade à mudança ecológica”, disse Felix Eigenbrod, professor da Universidade de Southampton.

Amanda Bates, presidente de pesquisa da Universidade Memorial, no Canadá, acrescentou: “Extinções eram vistas anteriormente como inevitáveis determinidades trágicas, mas também podem ser vistas como oportunidades para ações de conservação direcionadas. Enquanto uma espécie que está projetada para extinção, persistir existindo, há tempo para ações de conservação e esperamos que pesquisas como a nossa possam ajudar a orientar e definir essas atitudes”.

Extinção de animais e vegetais aumenta em escala sem precedentes

A extinção de animais e vegetais está aumentando em uma escala sem precedentes. Houve uma redução de, pelo menos, 20% na abundância média de espécies nativas na maioria dos principais habitats terrestres, principalmente a partir de 1900. Em relação aos anfíbios, a queda foi de mais de 40% e de quase 33% dos corais. Os mamíferos também estão sofrendo redução de suas espécies, tendo sido registrada uma queda de mais de um terço. As descobertas foram feitas por um grupo de cientistas de 50 países, incluindo o Brasil, autores da primeira avaliação global do estado da natureza da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês).

O sumário para os formuladores de políticas do relatório foi lançado em Paris, na França, depois de ter sido submetido à aprovação de 132 países durante a 7ª plenária do órgão, chamada de “IPCC Para a Biosdiversidade”. As informações são da Agência FAPESP.

Foto: Pixabay

“A saúde dos ecossistemas de que toda a humanidade e as espécies dependem está se deteriorando mais rapidamente do que nunca. Estamos erodindo os próprios alicerces de nossas economias, meios de subsistência, segurança alimentar, saúde e qualidade de vida em todo o mundo”, disse Robert Watson, presidente da IPBES.

O relatório, que foi elaborado durante três anos por 145 especialistas, com apoio de outros 310 autores, avaliou mudanças na biodiversidade e nos serviços ecossistêmicos – como o fornecimento de alimentos e de água – durante os últimos 50 anos. Durante os trabalhos, os pesquisadores fizeram uma revisão de aproximadamente 15 mil fontes científicas, governamentais, de conhecimento indígena e de comunidades tradicionais.

“Esse é primeiro relatório intergovernamental que foca não só a biodiversidade, mas também suas interações com trajetórias de desenvolvimento econômico e com fatores que afetam a natureza, como as mudanças climáticas”, disse Eduardo Sonnewend Brondizio, professor da Indiana University, dos Estados Unidos, à Agência FAPESP.

“Nunca tantos dados, de diferentes áreas, como das ciências naturais e sociais, foram reunidos para fazer uma avaliação detalhada da condição do ambiente em escala global e em uma perspectiva integrada de interação com a sociedade”, disse Brondizio.

O cientista brasileiro, radicado há mais de 20 anos nos EUA, foi um dos três copresidentes do relatório e é um dos pesquisadores responsáveis por um projeto apoiado pela FAPESP, em parceria com o Belmont Forum, um consório das principais agências que financiam projetos de pesquisa sobre mudanças ambientais no mundo. Além dele, outros pesquisadores brasileiros são autores do relatório: Ana Paula Aguiar, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Bernardo Baeta Neves Strassburg, do Instituto Internacional para Sustentabilidade (ISS); Cristina Adams, da Universidade de São Paulo (USP); Gabriel Henrique Lui, do Ministério do Meio Ambiente; Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, da USP; Pedro Henrique Santin Brancalion, também da USP; e Rafael Dias Loyola, da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Foto: Pixabay

“A contribuição dos autores brasileiros foi excepcional porque todos eles conseguiram trazer uma perspectiva social e ecológica integrada para o relatório. Eles colocaram suas respectivas especialidades, como ecologia, políticas públicas e cenários ambientais, em um contexto interdisciplinar”, disse Brondizio.

De acordo com o relatório, ecossistemas, espécies, populações selvagens, variedades locais de plantas e de animais domesticados estão diminuindo, deteriorando ou desaparecendo por completo. Com isso, a rede interconectada da vida na Terra está sendo reduzida e ficando desgastada.

Desde o século 16, pelo menos 680 espécies de vertebrados foram extintas e mais de 9% de todas as raças domesticadas de mamíferos explorados para a alimentação e a agricultura também foram levadas à extinção até 2016. Estima-se ainda que 1 milhão de espécies de animais e de vegetais ainda podem ser extintas.

Algumas das causas do declínio das espécies são, em ordem decrescente: mudanças no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudanças climáticas, poluição e espécies invasoras.

As emissões de gases do efeito estufa dobraram desde 1980, o que elevou a temperatura média global em pelo menos 0,7ºC. O impacto do aquecimento global, que já afeta a natureza, inclusive interferindo na genética animal, deve aumentar nas próximas décadas e pode, em algumas circunstâncias, superar o impacto da mudança do uso da terra e do mar e outros fatores, segundo os autores do relatório.

Tartaruga fica presa à rede de plástico (Foto: Jordi Chias/ National Geographic)

“O sumário mostra que a situação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos, essenciais para a qualidade de vida, é ainda mais crítica do que a do aquecimento global”, disse Carlos Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), coordenador do programa BIOTA-FAPESP e responsável por coordenar o Painel Multidisciplinar de Especialistas da IPBES nos seus primeiros anos de existência, em parceria com o australiano Mark Londsdeale, da Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (CSIRO). Joly é também membro da coordenação da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES, na sigla em inglês), que teve a criação inspirada na IPBES.

Ainda segundo o relatório, três quartos do meio ambiente terrestre foram alterados de forma significativa pelas ações humanas, assim como 66% do ambiente marinho. Áreas mantidas ou geridas por povos indígenas e comunidades locais foram menos afetadas.

A pecuária e a agricultura – em sua maioria, voltada para a produção de grãos, como a soja, para a alimentação de animais explorados e mortos para consumo – abrange mais de um terço da superfície terrestre do mundo e quase 75% dos recursos de água doce. Aproximadamente 60 bilhões de toneladas de recursos renováveis e não renováveis são extraídos da natureza anualmente. Esse número quase dobrou desde 1980.

A destruição da terra fez com que a produtividade da superfície terrestre global caísse 23%. Já a perda de habitat costeiros e proteção colocam em risco entre 100 e 300 milhões de pessoas, devido à possibilidade de inundações e furacões. Além disso, a perda de polinizadores está colocando em risco até US$ 577 bilhões em safras globais anuais.

O relatório apontou também que a poluição plástica aumentou 10 vezes desde 1980. Além disso, entre 300 e 400 milhões de toneladas de metais pesados, solventes, lama tóxica e outros resíduos industriais são despejados todos os anos nas águas do mundo.

Mais de 400 “zonas mortas” oceânicas, com mais de 245 mil km², foram criadas por fertilizantes usados na agricultura que tiveram acesso aos ecossistemas costeiros. A área é maior que a do Reino Unido, segundo os pesquisadores.

Foto: Pixabay

“O relatório mostra que as populações mais ricas ou privilegiadas se acostumaram a ignorar os problemas ambientais porque não convivem com os impactos no dia a dia. São as populações mais pobres ou menos privilegiadas que estão sofrendo o impacto desse padrão de vida, na forma de poluição, desmatamento e atividades de mineração em lugares longe dos olhos do resto do mundo”, disse Brondizio.

As tendências negativas contra o meio ambiente devem continuar até 2050, segundo os pesquisadores, e devem persistir além desse período em todos os cenários políticos explorados no relatório, com exceção daqueles que realizam mudanças transformadoras.

Para os autores, as metas globais para conservar e usar a natureza de forma sustentável não podem ser atingidas nas trajetórias atuais, apesar dos esforços em políticas de preservação realizadas por alguns países. Ainda de acordo com eles, até 2013 e além dessa data, as metas só podem ser alcançadas através de mudanças transformadoras e de fatores políticos e tecnológicos.

A adoção de abordagens integradas e intersetoriais de gestão que considerem as compensações da fabricação de alimentos e energia, infraestrutura, manejo de água doce e costeira e a conservação da biodiversidade são ações indicadas pelos pesquisadores.

“Ainda não chegamos a um ponto de irreversibilidade na perda de biodiversidade e a consequente degradação dos serviços ecossistêmicos essenciais para a qualidade de vida. Se tomarmos decisões agora, para, em conjunto e de forma coordenada e cooperativa, promovermos mudanças transformativas integradas, inclusivas e baseadas no melhor conhecimento científico disponível, é possível reverter a velocidade da degradação”, disse Joly.

“Isso passa, obrigatoriamente, por conseguir cumprir as metas do Acordo de Paris, pois o aquecimento global já é um dos principais impulsionadores da perda de biodiversidade e degradação dos serviços ecossistêmicos”, ressaltou.

Os pesquisadores indicam também a construção de uma economia global sustentável, que se afaste do atual paradigma limitado de crescimento econômico.

“O relatório mostra que é preciso mudar a narrativa de que o desenvolvimento econômico é um fim em si mesmo e que todos os custos para alcançá-lo, como a degradação ambiental e a desigualdade social, são inevitáveis e justificáveis”, disse Brondizio.

Prefeito cria Semana da Consciência Vegana no Canadá

Por David Arioch

Semana da Consciência Vegana termina no domingo com o Kelowna VegFest 2019 (Foto: Kelowna Vegan Festival/Divulgação)

O prefeito de Kelowna, na Colúmbia Britânica, Colin Basran, criou a Semana da Consciência Vegana na cidade, a pedido dos coordenadores do Kelowna VegFest. A iniciativa que inclui a oferta de eventos e outras atividades até domingo, quando será realizado o tradicional festival vegano local, é uma forma de aproximar mais as pessoas da realidade do veganismo.

Esta semana, além de mostrar como o veganismo é possível, ainda serão oferecidas palestras sobre como se tornar um empreendedor vegano, nutrição vegana no esporte e jornada rumo ao desperdício zero. “Nossa equipe está profundamente comovida ao ver uma comunidade vegana se unindo”, enfatiza a direção do restaurante vegano Naked Cafe.

No domingo, pelo menos 70 expositores vão participar do Kelowna VegFest, que também oferece palestras, aulas de ioga, apresentações musicais e oficinas de culinária. Segundo a organização do evento, Kelowna está se tornando conhecida por ser vegan-friendly, e hoje é fácil encontrar opções para veganos na cidade de pouco mais de 130 mil habitantes.

Jovens fazem nova manifestação global pelo clima nesta sexta-feira

Jovens de todo o mundo se uniram novamente para realizar mais uma manifestação global pelo clima. O primeiro ato foi realizado há dois meses e o segundo foi marcado para esta sexta-feira (24).

Os atos começaram devido à iniciativa de Greta Thunberg, uma sueca de 16 anos, descendente de Svante Arrhenius, Prêmio Nobel de química em 1903 e um dos pais da ciência das mudanças climáticas. Greta passou a faltar à escola nas sexta-feiras para realizar o Fridays For Future (Sexta-feiras para o futuro, em tradução livre). A garota passava horas sozinha em frente ao Parlamento sueco reivindicando aos políticos fontes de energia renovável e ações de combate ao aquecimento global. As informações são do Blog da Redação.

Manifestações pelo clima ganham o mundo (Foto: Reuters / F. Bensch)

“Nossa biosfera está sendo sacrificada para que os ricos, em países como o meu, possam viver no luxo. É o sofrimento da maioria que paga pelo luxo de poucos”, disse Greta em dezembro de 2018, na COP24 da Polônia. “Vocês nos ignoraram no passado e nos ignorarão de novo. Não estamos mais no tempo das desculpas, não temos mais tempo. Viemos aqui para lhes dizer que, gostem ou não, a mudança está chegando. O poder real pertence ao povo”, completou.

Cerca de 125 países de todos os continentes se comprometeram a realizar manifestações nesta sexta-feira. Suécia, Canadá, Estados unidos, oito países da América Latina, inclusive o Brasil, Índia, Afeganistão e Ubequistão, Alemanha, rança, China, Austrália e Nova Zelândia integram a ação global. Até a quinta-feira (23), havia sido confirmadas 2.265 greves estudantis, duas delas na Antártida.

No Brasil, segundo o mapa do site oficial do movimento Fridays For Future, há atos marcados em Brasília, Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Rio de Janeiro, Belo Horizonte (MG), Aracaju (SE), Recife (PE), Fortaleza (CE), Manaus (AM), Feira de Santana e Petrolina (BA), Bacabal (MA), Araguatins (GO), Joinville (SC) Ribeirão Preto (SP) e outras cidades do interior e do litoral do estado de São Paulo, como Sumaré, Sorocaba, Bragança Paulista, Praia Grande e Peruíbe.

Greta Thunberg segura seu cartaz de ‘greve escolar climática’ em frente ao parlamento sueco (Foto: Reuters)

Na manifestação realizada em 15 de março, 1,6 milhões de manifestantes participaram em 123 países. A expectativa para esta sexta-feira (24) é de que os protetores superem os anteriores.

“As gerações adultas prometeram deter a crise climática, mas não fazem a lição de casa, ano após ano. Nossa geração já não aguenta mais! Vamos faltar à escola e fazer ações pelo clima para obrigar os adultos a parar de queimar combustíveis fósseis e queimar o planeta que é nossa casa!”, afirmam os jovens.

“Estamos nos levantando para que a indústria de combustíveis fósseis interrompa todos os projetos de extração de carvão, petróleo e gás e construa fontes de energia limpa para todos”, dizem os adolescentes, que chamam pessoas sensíveis à causa a apoiar o movimento e fazer parte das manifestações.

Segundo o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), em 2030 o aquecimento global será irreversível, a não ser que medidas urgentes sejam tomadas.

“Ativismo funciona. Então aja”, disse Greta, na última semana, pelo Twitter.