Ibama diz que Centros de Triagem de Animais Silvestres permanecerão em funcionamento em MG

Por David Arioch

Os centros de triagens são um alento para animais silvestres no Brasil (Foto: Cetas-MG)

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) afirmou novamente esta semana que os Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de Montes Claros e Juiz de Fora permanecerão em funcionamento.

A superintendência do Ibama de Minas Gerais está buscando parceria com órgão ambiental estadual para minimizar o custeio das atividades desenvolvidas nos centros de triagem, e que não serão cobertas pelo governo federal, assim evitando que as duas unidades encerrem as atividades.

Os centros de triagens são um alento para animais silvestres no Brasil, seja animais resgatados de cativeiro em situação de maus-tratos ou até mesmo animais atropelados ou vítimas não fatais de caçadores. Quando os animais estão aptos para viver na natureza, mais tarde eles são destinados às unidades de conservação.

Dia Internacional da Biodiversidade: o veganismo como forma de proteção aos animais e à natureza

Hoje, 22 de maio, é celebrado o Dia Internacional da Biodiversidade ou Diversidade Biológica – que, nada mais é, do que a variedade de vida existente no planeta. A data, criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem o objetivo de celebrar a proteção ao meio ambiente e aos animais e conscientizar a sociedade sobre a necessidade de buscar meios para resolver os problemas globais que levam espécies da fauna e da flora à extinção, para impedir que mais animais e plantas sejam extintos.

Foto: Pixabay

O veganismo é a forma mais eficaz e ética de promover mudanças de hábitos que colaborem com a preservação de animais e do meio ambiente. Através dele, não apenas os animais explorados pela indústria para consumo são poupados, como áreas imensas deixam de ser desmatadas para dar espaço a pastagem onde são colocados animais, como bois, ou estabelecidas plantações de grãos, como a soja, para a alimentação desses animais.

Sem desmatamento, animais silvestres não morrerão sem alimento e abrigo, e espécies não serão dizimadas. A água desperdiçada em larga escala para fabricação de produtos de origem animal também será economizada e, com isso, a natureza será respeitada, gerando, inclusive, um lugar melhor para a existência humana.

Em 2010, a ONU publicou um relatório recomendando a adoção de uma alimentação vegana como forma de proteger o meio ambiente. Três anos depois, um novo documento foi divulgado pela organização, incentivando novamente o veganismo como uma maneira ideal para a preservação da natureza.

Para a elaboração do relatório publicado em 2013 pela ONU, um estudo, intitulado “Our Nutrition World” (Nosso Mundo de Nutrientes), foi desenvolvido por 50 especialistas de 14 países diferentes e liderado pelo professor Mark Sutton.

Ibope aponta que 93% da população é contra a liberação da caça a animais

Uma pesquisa do Ibope, encomendada pela WWF-Brasil, indicou que 93% da população é contra a liberação da caça a animais silvestres e o incentivo à prática. Trata-se de um levantamento sobre a valorização do meio ambiente realizado pelo órgão em junho do ano passado. Os dados, no entanto, só foram divulgados nesta quarta-feira (22). O Ibope entrevistou 2.002 pessoas com idades a partir de 16 anos, em 142 cidades de todas as regiões do país.

De acordo com o Ibope, houve “uma sólida regularidade nos resultados quando analisadas as respostas por grupos de gênero, escolaridade, situação econômica ou localização geográfica”. As informações são do UOL.

Foto: WWF / AFP

Em todos os grupos pesquisados a rejeição à caça é de 90% para cima. No entanto, ela é superior entre as mulheres, com 95%, do que entre os homens, com 90%. É maior, também, entre os entrevistados com ensino superior (94%). Para os que cursaram entre o quinto e o oitavo ano do ensino fundamental, a rejeição chega a 93% e para os que fizeram até o quarto ano, alcançou os 90%.

A rejeição foi maior, também, entre moradores de regiões metropolitanas (95%), quando comparados aos que vivem em cidades do interior (90%). No Nordeste, o índice contrário à caça foi o menor (91%) de todas as regiões brasileiras. O Sudeste teve o maior índice (94%).

Famílias que ganham até um salário mínimo tiveram 91% de rejeição e as que ganham entre um e cinco salários mínimos registraram 93%. No caso das que ganham mais de cinco, a rejeição foi de 90%.

“É praticamente uma unanimidade na população ser contra a ideia de liberar a caça. É só parar para pensar: as pessoas gostam da natureza, elas não querem que se saia matando animais silvestres por esporte, passatempo ou negócio”, afirma Warner Bento Filho, analista de Políticas Públicas da WWF-Brasil. “Foi um resultado muito expressivo mesmo”, completa.

Bento Filho critica o governo de Jair Bolsonaro (PSL) e afirma que o presidente tem estimulado uma “série de projetos e iniciativas que visam desmontar a política ambiental que se constrói nesse país há décadas”. O decreto assinado por Bolsonaro em maio, que facilita o porte de armas é um dos exemplos dados pelo analista.

Imagem: WILSON DIAS/AGÊNCIA BRASIL

ONGs de proteção ambiental criticam também a transferência do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Se você olha cada decreto ou projeto que circula pelo Congresso isoladamente, não vê. Mas, quando se olha as decisões de uma forma macro, juntas, é possível ver este desmonte”, afirma ele.

Questionado sobre a liberação da caça, o Mapa disse que “não tem posição pública sobre projetos em tramitação no Congresso”. O MMA e o SFB não responderam ao questionamento sobre o tema.

“Todos Contra a Caça e as Armas”

Os dados do levantamento feito pelo Ibope foram apresentados pela WWF-Brasil, na manhã desta quarta-feira (22), em um salão da Câmara dos Deputados, em Brasília, para o lançamento da campanha “Todos Contra a Caça e as Armas”.

De acordo com a instituição, o objetivo é pressionar os deputados para que eles barrem propostas sobre o tema que tramitam na Casa.

“É lá que essa discussão está sendo feita. Eles não deveriam nem apreciar um projeto que tem a rejeição da massiva maioria da população. É quase princípio democrático”, argumenta Filho.

1,4 mil marrequinhos são incinerados vivos em Santa Catarina

Por David Arioch

Letícia Filpi: “A Cidasc agiu de forma inconstitucional, foi contra a lei de crimes ambientais” (Foto: Reprodução)

Um caminhão-baú foi abordado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Ponte Alta (SC) em uma fiscalização conjunta entre vários órgãos de governo estadual de Santa Catarina.

Ali, haviam 1,4 mil filhotes de marreco e, devido à falta de documentação de procedência dos animais e as rígidas normas de vigilância sanitária, os animais foram incinerados vivos. O caso aconteceu no dia 10 de abril, mas só veio à tona agora.

Sabemos que a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) tem amparo legal para a procedência, mas tratam-se de vidas.

O deputado Marcius Machado se mostrou indignado em suas redes sociais e declarou que irá propor uma alteração na Lei para que, ao invés de abater esses animais que viajam sem procedência, sejam doados para assentamentos e/ou para os agricultores da subsistência familiar.

O deputado declarou ainda que, neste projeto também fez as alterações para que os animais não sejam enterrados ou incinerados, só que em outra legislação. “Altera a Lei nº 10.366, de 1997, que instituiu a Lei sobre a fixação de política de defesa sanitária do animal, visando proibir o enterro ou incineração de animais de produção vivos sem indicação de patologia emitida por autoridade competente e estabelece outras providências.”

O Projeto de lei está com o deputado Mocellin como relator e foi enviado para a Cidasc para se manifestar sobre o PL (confira aqui).

Para a advogada animalista, Letícia Filpi, a Cidasc está tratando os animais como coisas inanimadas. O correto seria entrar em contato com órgãos ambientais para saber como destinar os patinhos. Além disso, não havia prova do risco desses animais. A única coisa que tinha era falta de documentação, mas nada indicava que havia motivo para justificar a morte de 1,4 mil animais.

“A Cidasc agiu de forma inconstitucional, foi contra a lei de crimes ambientais. Na minha opinião de jurista, isso configura 1,4 mil crimes de maus-tratos com mortes, porque você só abate o animal quando você tem certeza de que isso é estritamente necessário”, destacou.

E acrescentou: “A Cidasc é um órgão da agropecuária, mas não pode se sobrepor a um órgão ambiental. O Brasil possui o princípio da não crueldade e o princípio do in dúbio pró natura. Os animais antes de ser propriedade humana, são bens ambientais.”

*Colaboração de Luciane Pires, publicitária, brander, ativista, infoativista pelo direito dos animais e formadora de opinião no Instagram @luhpires_

Ator de Game of Thrones se junta à empresa que criou a criptomoeda vegana

Por David Arioch

“[A plataforma] Vegan Nation é a base de uma economia vegana internacional que torna a vida vegana mais simples, mais econômica e melhor para a terra e para a alma de um cada um de nós” (Foto: Getty)

O ator britânico Jerome Flynn, mais conhecido como Bronn da série Game of Thrones, da HBO, e que não consome alimentos nem outros produtos de origem animal, agora é um dos membros do conselho consultivo da empresa vegana VeganNation, que surgiu no ano passado com o objetivo de criar uma criptomoeda rastreável que pode ser utilizada para produtos e serviços com certificação vegana disponíveis na plataforma.

“Vegan Nation é a base de uma economia vegana internacional que torna a vida vegana mais simples, mais econômica e melhor para a terra e para a alma de um cada um de nós. A VeganCoin permitirá que mais pessoas se tornem veganas e assim contribuam para reduzir a nossa pegada ecológica”, defende Flynn, que tem participado de diversas campanhas em defesa dos animais, em comunicado da empresa.

A criptomoeda vegana começou a ser comercializada no final do mês passado. Segundo a empresa, a intenção maior é apoiar empresas veganas e criar uma economia livre de crueldade.

O CEO Isaac Thomas afirma que é importante tornar o estilo de vida vegano mais acessível, criando uma comunidade global descentralizada e rica em recursos que podem ajudar as pessoas nos mais diversos aspectos de uma vida livre de ingredientes e produtos de origem animal.

Embora tenha sido idealizado para unir e facilitar a vida dos veganos, o aplicativo da VeganNation é destinado a qualquer pessoa de qualquer lugar que queira se abster do consumo de animais.

Uma pessoa do Brasil, por exemplo, pode comprar facilmente um produto vegano disponibilizado na plataforma por uma pessoa ou empresa da Islândia. Não há restrições de origem e destino. O aplicativo permite não apenas compras, mas também permutas.

A plataforma se volta ainda para o ativismo em prol do veganismo, já que oferece recursos para o compartilhamento de conteúdo entre usuários de qualquer país.

Milhares de baleias e golfinhos são mortos na temporada de caça das Ilhas Faroe

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

As Ilhas Faroe, são um aglomerado incomum de ilhas localizadas no Atlântico Norte, cerca de 200 milhas ao norte da Escócia e também um dos principais pontos turísticos da região. Formalmente o território do arquipélago é dinamarquês, mas o país possui autonomia própria significante e não fazem parte da União Europeia, ao contrário da Dinamarca.

De acordo com informações do Business Insider, a ilha é hoje tão popular que se fechou aos turistas, exceto aqueles que estão dispostos a ajudar a reparar e manter o arquipélago. No entanto, há um lado mais sombrio do território belo e selvagem.

Ecologistas publicaram uma série de fotografias chocantes mostrando baleias e golfinhos sendo caçados nas Ilhas Faroe.

O grupo Sea Shepherd, que faz campanha contra práticas de pesca bárbaras, registrou as imagens ao longo de um período de meses.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Eles documentaram uma série dos chamados “passeios de baleias”, nos quais o governo das Ilhas Faroe diz que cerca de 1.200 baleias e 500 golfinhos foram mortos. Cabe ressaltar que o governo do arquipélago defendeu vigorosamente a prática que classifica de “secular”.

Ao analisar as fotos é possível concluir, com o que se parece essa prática de caça e entender mais sobre sua história por meio das imagens. Atenção: imagens de conteúdo forte ou perturbador para pessoas mais sensíveis.

O processo de matança envolve barcos indo em busca de grupos de baleias e golfinhos, e os encurralando em águas rasas, onde são mortos à mão.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Um grande número de habitantes locais se envolve com o processo, e cada um pode reivindicar uma porção da carne depois. Estas são as baleias-piloto.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Esta baleia estava grávida – seu bebê acabou morrendo também.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Estatísticas oficiais mostram que 1.194 baleias-piloto foram mortas na temporada de caça de 2017.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os faroenses também caçam um grande número de golfinhos de face branca, como estes. Um total de 488 golfinhos foram mortos em 2017.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os pais levam seus filhos para ver o processo em ação, e é normal posar para fotos com os animais mortos.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Nem as baleias nem os golfinhos estão em perigo, sendo as autoridades do arquipélago. O governo das Ilhas Faroe disse que na maioria dos anos cerca de 1% do total das populações de golfinhos e baleias são caçados.

Caçadas de extermínio como estas vêm ocorrendo desde pelo menos 1298, quando as primeiras leis de sobrevivência que regulam a prática foram publicadas, e registros precisos existem desde 1584, de acordo com o governo das Ilhas Faroe.

A temporada de caça deste ano foi grande. Cerca de 1.700 animais foram mortos em 2017, em comparação com cerca de 800 em um ano médio.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A última vez que tantos animais assim foram mortos foi em 1996.

Os animais são marcados para acompanhamento – ao olhar de perto pode-se ver o número 16 sobre este golfinho, ao lado da nadadeira.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os animais são massacrados por carne e gordura – aqui um homem corta pedaços de um golfinho.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

Os habitantes das ilhas dizem que a carne de baleia e golfinho é uma parte importante de sua alimentação, e dessa forma eles não precisam gastar dinheiro e desperdiçar recursos naturais importando alimentos do exterior.

Os cadáveres de alguns animais são levadas para caminhões e transportadas para processamento posterior.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

No final, a carne é toda embalada. A maior parte é compartilhada na comunidade das Ilhas Faroe, mas alguns podem ser comprados nas lojas também.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A Sea Shepherd se opõe à caça há anos e já tentou fisicamente parar o processo com seus próprios barcos.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

A Sea Shepherd disse ao Business Insider que eles foram impedidos por meios legais de usar seus navios para protestar.

Em vez disso, os voluntários foram para as Ilhas Faroe e posaram como turistas para tirar fotografias das caçadas, com a esperança de garantir uma cobertura da mídia adversa a matança.

Um deles escreveu sobre o que viu:

“Testemunhar uma matança em primeira mão foi realmente uma experiência terrível. Em um lugar tão quieto e calmo, em meio a natureza, foi enervante ver os moradores locais tão animados quando a temporada de caça foi anunciada”.

“A primeira caçada que vimos foi em Hvannasund, cenário de várias mortes em 2017. Testemunhamos todo o processo desde a chegada das cerca de 50 baleias-piloto até sua morte, o massacre e a distribuição da carne e da gordura.

“À medida que as baleias-piloto eram levadas para a costa pelos pequenos barcos, a intensidade dos corpos se agitava. Ganchos eram atirados em seus corpos e as baleias eram arrastadas para a costa em um jogo sádico de cabo de guerra. Testemunhamos baleias aparentemente batendo suas cabeças contra as pedras em um frenesi desesperado”.

O governo das Ilhas Faroe defende a tradição e diz que a Sea Shepherd irá “fazer qualquer coisa” para desacreditá-los.

Foto: Sea Shepherd

Foto: Sea Shepherd

As imagens falam por si. Absolutamente nenhuma justificativa pode ser dada para atos cuja barbaridade é impossível de ser descrita. Sadismo, crueldade, violência e desrespeito pela vida são alguns termos que se encaixam, embora estejam longe de descrever o horror das cenas mostradas tendo como cenário um verdadeiro mar de sangue.

Cerca de 150 canários peruanos são incinerados por falta de documentação sanitária

Por David Arioch

Os 144 canários foram incinerados na sede da Polícia Militar Ambiental (PMA) (Foto: PMA-MS)

Na semana passada, 144 canários peruanos foram resgatados de uma casa no bairro Dom Bosco, em Corumbá (MS). No entanto, o que tem chocado ativistas que atuam em defesa dos animais é que pelas aves “terem entrado” em território brasileiro sem documentação sanitária obrigatória elas tiveram um destino bastante cruel.

Os 144 canários foram incinerados na sede da Polícia Militar Ambiental (PMA). A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (IAGRO) alegou que os animais teriam de ser sacrificados porque poderiam colocar em risco a fauna avícola e a avicultura comercial.

Governo brasileiro negocia ampliação da exportação de carne halal

Por David Arioch

Tereza Cristina com o ministro da Agricultura da Indonésia negociando ampliar as exportações de carne halal do Brasil (Fotos: Mapa/Save Movement)

A ministra da Agricultura Tereza Cristina se reuniu ontem com o ministro da Agricultura da Indonésia, Amran Sulaiman, para discutir a abertura do mercado de carnes brasileiras para o país asiático.

A ministra disse que o Brasil tem condições de suprir a demanda por proteína animal da Indonésia, que é um país bem mais populoso que o Brasil.

“É um país que tem 270 milhões de pessoas. Se você somar o Vietnã e Indonésia, teremos um mercado de quase 300 milhões de pessoas que podem consumir vários produtos do agro brasileiro”, disse Tereza Cristina, acrescentando que o Brasil tem condições de vender carne a preços mais baixos que a Austrália.

Como 87% da população da Indonésia se identifica como muçulmana, caso o país concorde em se abrir mais para o mercado de carnes brasileiras, as exportações devem atender aos preceitos do abate halal.

Nesse processo, o animal não passa por nenhum suposto procedimento de insensibilização e recebe um corte no pescoço em movimento de meia-lua, que culmina no corte dos três principais vasos – jugular, traqueia e esôfago.

Esse tipo de abate, assim como o kosher, tem feito parte de muitas discussões sobre “bem-estar animal” em diversos países. No início do ano, por exemplo, a região de Flandres, na Bélgica, aprovou a proibição de abates halal e kosher, sob a justificativa de que como os animais não são submetidos a nenhum método de insensibilização, o sofrimento é ainda mais evidente.

De acordo com Ali Saifi, diretor-executivo da Cdial Halal, empresa de referência em certificação halal, até 2020 o Brasil tem condições de ampliar as exportações de carne halal em pelo menos 60%. Atualmente o país exporta para 22 países de cultura predominante islâmica – o que representa mais de dois milhões de toneladas de carne halal.

Dezenove hectares de floresta são desmatados por hora na Amazônia

O Brasil registrou recorde de desmatamento na Região Amazônica em 2018, superando os números registrados em toda a história do país. A situação, no entanto, só tem piorado. Se desde agosto a devastação atingia, em média, 52 hectares por dia, dados mais recentes indicam que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de floresta por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Foto: VINICIUS MENDONCA – IBAMA

Em uma quinzena, 6.880 hectares de floresta preservada foram perdidos, o que equivale a quase 7 mil campos de futebol. O volume está próximo do desmatamento registrado na soma de todos os nove meses anteriores, entre agosto de 2018 e abril de 2019, quando 8.200 hectares foram destruídos. As informações são do O Estado de S. Paulo.

Levados ao governo, os dados foram confirmados. De acordo com dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento, uma das regiões mais devastadas é a Floresta do Jamanxim, que sofre, historicamente, com saques de madeira a partir da BR-163. A região perdeu 3.100 hectares. Os números do levantamento feito pelo Deter se referem ao desmatamento registrado em unidades de conservação, ou seja, florestas protegidas que são administradas e fiscalizadas por órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

As medições oficiais costumam ser feitas de agosto a julho do ano seguinte. No período encerrado em julho de 2018, 20.200 hectares de desmatamento foram registrado na região, batendo um recorde histórico. No ciclo atual, aberto em agosto de 2018 e levando em consideração os primeiros 15 dias de maio, o acumulado chega a 15 mil hectares, havendo a possibilidade de, ao final de julho de 2019, ser batido um novo recorde.

O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, culpou os governos anteriores pelo desmatamento, ignorando as responsabilidades que o próprio governo tem sob o desmatamento, já que está no poder desde janeiro e poderia já ter tomado medidas favoráveis ao meio ambiente – mas fez o contrário, como provam os retrocessos cometidos na área ambiental em 100 dias de governo. O Ibama e o ICMBio, por sua vez, não responderam aos questionamentos feitos sobre o tema.

De acordo com técnicos do governo, o grande volume de desmatamento em duas semanas pode ter ligação com a meteorologia, isso porque, segundo eles, março e abril são meses muito chuvosos e a maior incidência de nuvens dificulta o uso de satélites. Com o final das chuvas, o céu se abre e a área captada aumenta. Porém, ainda de acordo com os técnicos, as taxas de devastação se referem exclusivamente ao desmatamento registrado em 2019 e a questão climática vale para os anos anteriores, que registraram números menores.

Fiscalização

Apesar da fiscalização continuar a ser realizada neste ano por agentes do Ibama e do ICMBio na Amazônia, dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o número de multas diminuiu. O Ibama emitiu 850 multas entre 1º de janeiro e 15 de maio deste ano, 35% menos do que o registrado no mesmo período de 2018, quando 1.290 multas foram aplicadas. Já o ICMBio aplicou, entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2019, 317 multas, praticamente metade do que foi aplicado no mesmo intervalo de 2018.

O MMA não comentou a redução. Ela pode, no entanto, ter relação com o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem criticado regulamente o que ele chama de “indústria de multas”. Ambientalistas discordam do presidente e reforçam que as multas são aplicadas corretamente para punir crimes ambientais.

Em janeiro, o Ministério do Meio Ambiente colocou fim ao Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento, que funcionava dentro da pasta desde 2007, com 15 servidores. O órgão era ligado à Secretaria de Mudanças do Clima e Floresta, que também foi desmontada. Com o fim dela, os funcionários foram realocados. O caso também não foi comentado pelo MMA.

Antecessor de Salles rebate argumento

O argumento de Salles sobre os dados relacionados ao desmatamento registrado em 2019 foi rebatido pelo antecessor dele no Ministério do Meio Ambiente.

“Não há surpresa nessas informações. Há tristeza. Quando um governo resolve desmoralizar os agentes do Ibama, desmontar o ICMBio e acabar com as unidades de conservação, ele só está dando o sinal verde para o desmatamento”, disse Sarney Filho, hoje secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal. “Como diminuir os índices, se os instrumentos criados para combater esses crimes estão sendo desmontados pelo discurso e pela ação concreta do governo?”, completou.

Fila de multas

Multas que já tramitaram pela área técnica e administrativa e que já receberam justificativas dos autuados estão paradas no ICMBio. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, 254 autos de infração emitidos por agentes do órgão estão prontos para serem homologados pelo presidente do ICMBio, para que a cobrança dos valores seja feita.

Neste ano, a chefia do órgão não homologou nenhuma multa, conforme estabelece o regimento interno. As cobranças prontas para serem aplicadas já alcançam o valor de R$ R$ 146,2 milhões, que o órgão poderia receber. Ao ser procurado, o ICMBio não apresentou justificativas para a situação. Assim como o MMA, que também não se manifestou. Desde que assumiu o posto no ministério, Salles tem trocado todos os cargos de liderança do ICMBio e nomeado militares.

No mês passado, um decreto de 2008 foi alterado por Bolsonaro. O decreto dispunha sobre crimes ambientais e, com a mudança, passa a existir “núcleos de conciliação” para discutir as multas ambientais aplicadas pelos órgãos. A alteração também modifica o programa de conversão de multas em projetos de restauração florestal, que vinha sendo realizado pelo Ibama.

O governo justificou a mudança do decreto dizendo que “a conciliação deve ser estimulada pela administração pública federal ambiental (…) com vistas a encerrar os processos administrativos federais relativos à apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”. Com a nova regra, o autuado poderá, após ser notificado da multa, participar de uma audiência de conciliação, caso queira, com dia e horário marcados, para discutir a aplicação da multa. Na prática, a ação diminui o número de multas aplicadas e abre margem para que mais crimes ambientais ocorram.

Bolsonaro foi multado em 2012 pelo Ibama por pescar em área protegida em Angra dos Reis (RJ). A multa nunca foi paga e, após ele se tornar presidente, foi anulada. O agente responsável por aplicar a penalidade também foi exonerado, sob ordem do presidente.

Denúncia de descaso da polícia no resgate de cachorro-do-mato é apurada

Após a empresária Ana Maria Immer tornar público o caso do cachorro-do-mato resgatado por ela, depois de um pedido de socorro à Polícia Militar Ambiental ter sido negado, o órgão abriu uma investigação para apurar a conduta tomada em relação ao caso. O animal foi atropelado no domingo (19), no distrito de Sousas, em Campinas (SP).

Foto: Reprodução / EPTV

Ana Maria passava pelo local com o marido e, com a ajuda de mais duas pessoas, colocou o animal ferido em um carro e o levou até a Associação Mata Ciliar. Ela conta que, antes, entrou em contato com a fundação responsável pela Mata Santa Genebra, que a orientou a pedir auxílio para a PM Ambiental. O órgão, no entanto, não prestou socorro ao cachorro-do-mato.

Ana disse que a polícia foi omissa e disse que era pra ela “deixar o animal lá [na via] ou levar o animal para a minha casa […]”. As informações são do G1.

O comandante do Pelotão Ambiental de Campinas, Matheus Zanchetta, disse que o caso será investigado em um prazo de dez dias. Ele disse que, apesar do resgate ser feito pela corporação, é necessário acionar o órgão responsável pela rodovia para a contenção do trânsito no local e também para evitar o contato com animais silvestres.

O resgate

Ana Maria e o marido transportaram o animal, que foi colocado dentro de uma caixa de papelão, até a Associação Mata Ciliar, 40 minutos distante do local do atropelamento.

Foto: Reprodução / EPTV

A coordenadora da ONG, no entanto, faz um alerta. “Ninguém é apto para socorrer um animal silvestre. Pode ser que aquele animal estivesse doente e veio a ser atropelado posteriormente […] É claro que órgãos públicos são competentes, o que acontece muito em fim de semana principalmente é que um empurra para o outro”, disse Cristina Harumi Adania.

Levado dentro do porta-malas de um veículo, o cachorro-do-mato chegou à entidade e recebeu atendimento. Ele foi diagnosticado com ferimentos internos graves e a sobrevivência dele é incerta.

“Bastante preocupante”, falou a veterinária da Associação Mata Ciliar Ana Beatriz de Oliveira Gomes.