Deputado Célio Studart quer que empresários do ramo de produtos veganos recebam benefícios tributários

Por David Arioch

“As práticas veganas valorizam a ética e a compaixão, e trazem benefícios para a sociedade e todo o ecossistema”, enfatiza Célio Studart (Foto: Divulgação)

O deputado federal Célio Studart (PV-CE) protocolou ontem o Projeto de Lei (2556/2019), que prevê benefícios tributários para empresas que atuam exclusivamente no ramo de produtos veganos.

“Entende-se por produtos veganos aqueles que seguem convicções éticas com base na igual consideração para com animais humanos e não humanos, visando abolir toda a forma de exploração ou abuso”, frisa o projeto de lei.

O PL, que destaca que o veganismo tem crescido no Brasil e no mundo, defende redução de 25% dos tributos federais que incidirem sobre produtos e serviços veganos.

E a justificativa para o benefício, segundo o texto do projeto lei, é que o veganismo é uma prática louvável e ética, que leva o bem às pessoas, aos animais e ao meio ambiente.

“As práticas veganas valorizam a ética e a compaixão, e trazem benefícios para a sociedade e todo o ecossistema”, enfatiza Célio Studart.

Resíduos de café podem substituir o óleo de palma

Por David Arioch

Objetivo da Revive Eco é criar um produto final que possa ser utilizado na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica, assim reduzindo o impacto ambiental do óleo de palma (Fotos: Getty)

A startup escocesa Revive Eco, fundada por Scott Kennedy e Fergus Moore, está extraindo e purificando o óleo encontrado nos resíduos de café com a finalidade de substituir o óleo de palma, que tem sua produção em grande escala associada à devastação do habitat dos orangotangos.

O objetivo é criar um produto final que possa ser utilizado na indústria alimentícia, cosmética e farmacêutica, e assim reduzir a aquisição de óleo de palma proveniente de áreas comprometidas pelo desmatamento.

Kennedy e Moore contam que depois de trabalharem tanto tempo em cafés e restaurantes eles notaram que o volume de descarte de resíduos de café é muito grande, e que algo precisava ser feito.

“Só no Reino Unido, bebemos 55 milhões de xícaras de café por dia, levando a mais de meio milhão de toneladas de resíduos de café desperdiçados. Nós estamos nos esforçando para mudar radicalmente a mentalidade em relação a isso e mostrar que os materiais ainda podem ter um valor enorme, mesmo depois de usados para o seu propósito principal”, argumentam.

A previsão é de que o óleo de resíduos de café em substituição ao óleo de palma esteja pronto em Glasgow, na Escócia, a partir de junho. Em entrevista ao Good Morning Scotland, da BBC, os fundadores da Revive Eco declararam que a longo prazo eles querem construir um negócio que possa ser levado para outros países.

Populações de orangotangos caíram pela metade na última década
De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

Associação de Veterinários Americanos lança seu primeiro guia de diretrizes para despovoamento de animais

Foto: Stewart McLean

Foto: Stewart McLean

A American Medical Veterinary Association (AVMA, na sigla em inglês) publicou suas primeiras “Diretrizes para o despovoamento de animais” para ajudar os veterinários a apoiar o bem-estar animal em situações em que a difícil decisão de despovoar foi tomada.

De acordo com o anúncio, essas novas diretrizes da AVMA são uma ferramenta importante para ajudar os veterinários a tomar decisões humanas nas situações mais difíceis.

Como as emergências podem acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento, a AVMA afirmou que esta é uma orientação vital para os veterinários em todos os campos da prática – da medicina de abrigo à agricultura, práticas que envolvem animais de companhia, zoológicos, saúde pública e vida selvagem.

“Tirar as vidas dos animais humanamente é uma das tarefas mais difíceis, mas necessárias, para os veterinários realizarem”, disse o Dr. Steven Leary, presidente do Painel de Despovoamento da AVMA. “Em tempos de crise ou grandes catástrofes, o despovoamento dos animais afetados pode, às vezes, ser a ação mais ética e compassiva a ser feita”.

As diretrizes de despovoamento representam a última parte da orientação dividida em três partes da AVMA chamada “Humane Endings” (Finais Humanos, tradução livre). Os outros são as “Diretrizes da AVMA para a Eutanásia dos Animais” e as “Diretrizes da AVMA para o Abate Humano de Animais”.

O despovoamento equilibra a necessidade de responder rapidamente e evitar mais devastação com o método de morte mais humano possível em resposta a circunstâncias urgentes, como um desastre natural, um surto de doença perigosa ou um incidente terrorista, explicou a AVMA.

AVMA disse que as experiências passadas mostraram que não fazer absolutamente nada pode resultar em um sofrimento maior aos animais e pôr em perigo os tratadores de animais e as equipes de resgate; portanto, o despovoamento às vezes pode ser a resposta mais humana e compassiva a uma catástrofe.

As novas diretrizes da AVMA visam garantir que seja dada intensa atenção ao bem-estar animal, dentro das restrições de uma emergência, disse o anúncio do lançamento.

Para garantir o melhor bem-estar possível aos animais durante as crises, as diretrizes apoiam o planejamento antecipado de possíveis situações de emergência, o que é essencial para proteger o bem-estar animal e garantir o menor sofrimento possível aos animais, disse a AVMA.

As diretrizes de despovoamento são o resultado do trabalho de mais de 70 voluntários, incluindo especialistas multidisciplinares e experientes em medicina veterinária, ética animal e ciência animal. Eles refletem a preocupação da AVMA com o tratamento ético dos animais em todas as fases da vida e em todas as situações.

O Painel AVMA de Despovoamento, que liderou o desenvolvimento das diretrizes, foi financiado por meio de um acordo de cooperação com o Departamento de Agricultura dos EUA.

A AVMA, fundada em 1863, é uma das maiores e mais antigas organizações médicas veterinárias do mundo, com mais de 93 mil membros veterinários em todo o mundo envolvidos em uma ampla variedade de atividades profissionais e dedicados à arte e à ciência da medicina veterinária.

Animal Planet terá programa com histórias de animais que escaparam do matadouro

Por David Arioch

“Todos nós no Barn Sanctuary estamos entusiasmados em abrir as portas do celeiro para milhões de espectadores do Animal Planet” (Foto: Divulgação)

O canal de televisão Animal Planet vai ganhar um programa com histórias de animais que escaparam do matadouro e de outras situações de maus-tratos na cadeia de criação de animais para consumo.

O novo programa que deve ser exibido no final deste ano vai ser produzido pela High Noon Entertainment e conta com a parceria do Barn Sanctuary, um santuário situado em Chelsea (MI), nos Estados Unidos, fundado por Dan McKernan, que cuida principalmente de animais que acabariam mortos e reduzidos a alimentos e produtos.

“Todos nós do Barn Sanctuary estamos entusiasmados em abrir as portas do celeiro para milhões de espectadores do Animal Planet”, diz McKernan, acrescentando que o santuário se dedica a resgatar e reabilitar animais maltratados e negligenciados, criando um refúgio seguro onde eles possam se recuperar, prosperar e servir como exemplo do porquê é importante levar a sociedade em direção a um estilo de vida vegano.

Dan McKernan defende que o programa dará aos animais uma oportunidade de serem vistos sob um olhar diferente, ou seja, não como objetos, alimentos ou produtos. “Há uma enorme e rara oportunidade de mostrar ao mundo quem são esses animais incríveis, e ficamos comovidos com o entusiasmo por esse show”, enfatiza Kelly Holt, diretora executiva do Barn Sanctuary.

O programa terá como ponto de partida o fato de McKernan ter deixado a vida na cidade para viver na área rural de Michigan, onde converteu uma tradicional fazenda em um santuário para animais; e fez isso sem nenhuma experiência. Os espectadores podem esperar por histórias de resgates de animais, de reabilitações e de novas perspectivas sobre o valor da vida animal, segundo o Barn Sanctuary.

Conheça os três principais países que estão aderindo ao veganismo

 Foto: ZHANG GUO RONG / CHINA DAILY

Foto: ZHANG GUO RONG / CHINA DAILY

Quais os países mais veganos do mundo? Comunidades pesquisadas nos EUA, na Índia e na China descobriram que as populações estão adotando uma alimentação baseada em vegetais pela saúde, meio ambiente e ética.

Novas pesquisas revelaram que populações nos EUA, na China e na Índia provavelmente adotam novos métodos de produção de carne, como carne vegana e baseada em células.

Segundo a pesquisa 63% dos indianos responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais | Foto: AFP

Segundo a pesquisa 63% dos indianos responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais | Foto: AFP

A pesquisa realizada com 3 mil pessoas foi conduzida pela Universidade de Bath, o Centro de Prioridades de Longo Prazo e o Good Food Institute (GFI), uma organização sem fins lucrativos que promove o avanço da agricultura baseada em vegetais e agricultura celular (cultivo de carne em laboratório), foi publicada recentemente na revista Sustainable Food Systems (Sistemas de Alimentação Sustentável, na tradução livre).

Quais são as populações “mais veganas”?

O estudo perguntou aos participantes das três nações mais populosas do mundo – EUA, China e Índia – suas opiniões e sentimentos sobre carne feita a base de vegetais e carne limpa. A Ásia carregava muitas expectativa por parte dos pesquisadores por ser uma região importante, extremamente populosa, já que o consumo de carne deve subir nos próximos anos.

Uma taxa de 62% dos entrevistados na China e 63% na Índia responderam que estão “muito ou extremamente propensos a comprar regularmente carne à base de vegetais”. Os EUA ficaram atrás com apenas 33%. Os entrevistados estavam menos interessados em carne limpa (desenvolvida em laboratório): 30% para os EUA, 59% para a China e 49% para a Índia.

Comida vegana nos EUA, Índia e China

A GFI (Good Foods Institute) concluiu que os três países apresentam “um forte interesse do consumidor” em carne feita a base de vegetais e carne limpa, mas o estudo observa que os recrutados para o questionário na China e na Índia eram de comunidades “desproporcionalmente urbanas, de alta renda e com boa educação”.

Os participantes em todos os países mostraram-se mais confortáveis com a ideia de comida vegana quando é algo já familiar a eles. Os hambúrgueres à base de vegetais estão impulsionando as vendas em restaurantes nos EUA; a marca Right Treat, com sede em Hong Kong, produz o Omnipork, uma versão vegana da proteína chinesa popular; a startup indiana de alimentos Good Dot faz carnes sem animais versáteis o suficiente para serem usadas em uma grande variedade de receitas.

Um percentual de 30% dos americanos entrevistados no estudo se mostrou interessado em experimentar a carne limpa | Foto: PETA

Um percentual de 30% dos americanos entrevistados no estudo se mostrou interessado em experimentar a carne limpa | Foto: PETA

A presença de carne limpa também está crescendo nos três países. Memphis Meats, Blue Nalu e JUST nos EUA; Dao Foods International, na China; e a GFI e o Instituto de Tecnologia Química deverão abrir uma instalação de produção e pesquisa de carne limpa em Mumbai no próximo ano.

O apelo vegano

O que está impulsionando a maior aceitação da tecnologia vegana e de novos alimentos?

Os entrevistados entre os chineses vêem a carne vegana como mais saudável do que a versão tradicional e muitos esperam que a carne limpa tenha um valor nutricional mais alto que a de origem animal.

Aqueles a favor da carne sem animais na Índia estavam mais preocupados com a sustentabilidade e a ética da produção de carne.

Nos EUA, 91% dos interessados em carne vegana eram onívoros, enquanto a carne limpa era mais atraente para indivíduos com “alto apego ao sabor carne”.

O estudo revela como o marketing para comercialização de carne vegana em diferentes países será essencial ao sucesso da empreitada, de acordo com a GFI.

Ativistas veganos libertam nove mil faisões no Reino Unido

Por David Arioch

“Um caminho foi feito para que as aves se dirigissem para a floresta e para longe das estradas” (Foto: Reuters)

Este mês, ativistas veganos do grupo Animal Liberation Front (ALF) libertaram nove mil faisões de uma fazenda em Suffolk, na Inglaterra. A incursão aconteceu em Mildenhall como parte de uma ação que, além de garantir a liberdade das aves, também visa chamar atenção para a realidade dos animais criados para serem usados em atividades de caça.

Um porta-voz da ALF disse que eles pretendem continuar libertando faisões porque isso acaba pressionando os caçadores e quem lucra de alguma forma com essa atividade a sair do mercado.

“Um caminho foi feito para que as aves se dirigissem para a floresta e para longe das estradas. Usamos grãos para atraí-las por essa direção”, revelou um porta-voz da ALF, segundo o jornal britânico The Times.

No Reino Unido, a caça às aves estimula a criação anual de mais de 35 milhões de faisões e perdizes. Muitos desses animais são soltos na natureza para serem mortos por “esporte”.

“Embora haja alegações de que as aves são comidas, um grande número delas é descartada ou incinerada, porque há pouca demanda por carne de caça”, informa Chris Lufingham, diretor de campanhas da League Against Cruel Sports.

Outro ponto crítico em relação à caça de aves é que as fêmeas usadas como reprodutoras são criadas em gaiolas. “Nossa investigação secreta revelou o sofrimento contínuo daquelas aves reprodutoras, que definham aos milhares em condições terríveis”, declara Isobel Hutchinson, diretora da Animal Aid. Pesquisa da entidade também revelou que 80% dos britânicos se opõem ao confinamento desses animais.

“A frustração que elas experimentam em cativeiro as levam a se atacarem e a voarem continuamente em direção ao teto da gaiola em uma tentativa improdutiva de fugir”, enfatiza Isobel.

Depois de consultar a população, em atitude inédita na Grã-Bretanha, o governo do País de Gales anunciou que vai proibir a caça esportiva de aves até maio deste ano. Sobre o assunto, a ministra do meio ambiente, Hannah Blythyn, complementou que os alugueis de espaços públicos para a caça de aves não devem ser renovados, considerando a opinião pública e a preocupação com o bem-estar animal.

Estudantes de química criam réplica vegana de leite integral

Startup vegana se une a universitários para criar leite integral livre de animais | Foto: VegNews/Reprodução

Startup vegana se une a universitários para criar leite integral livre de animais | Foto: VegNews/Reprodução

A proprietária da empresa de produtos veganos e antialérgicos Awesome Bites, Jennifer Thai, de Houston, Texas (EUA), fez recentemente uma parceria com estudantes de química da Rice University para criar um leite a partir de sementes de linhaça e coco que se mantivesse estável e homogêneo (sem o uso de emulsificantes).

Thai foi a criadora da receita de leite – livre de laticínios – e afirma que o produto tem o mesmo gosto e a sensação ao paladar de leite integral, mas é feita com ingredientes à base de vegetais.

No entanto, a rápida separação dos ingredientes impediu que ela colocasse o produto no mercado comercialmente. O primeiro lote de Thai manteve sua integridade por sete dias antes dos componentes se separarem, mas a estabilidade do leite era imprevisível.

Idealmente, a Thai queria que o produto permanecesse homogêneo nas prateleiras por duas semanas a um mês sem a utilização de emulsificantes como a lecitina. No decorrer de um semestre, os alunos assumiram a solução de parte do problema para testar a mistura de ingredientes, como processá-los, a acidez e a moagem antecipada da linhaça.

Os alunos foram obrigados a seguir rigorosamente o método científico e manter notas abrangentes sobre os procedimentos adotados por toda parte. No final do semestre, eles apresentaram suas receitas à Rice University, onde puderam cozinhar e experimentar suas criações pela primeira vez.

“Na apresentação final, eles sugeriram alterações relativamente simples que, segundo eles, prolongariam a vida útil”, disse Michelle Gilbertson, professora da Rice University.

As mudanças incluíam mudar a proporção de linhaça para a quantidade de coco e a utilização de um filtro de metal no lugar de gaze. “Esta foi uma vitória para mim em todos os aspectos possíveis”, disse Thai.

A empreendedora planeja incorporar as soluções dos alunos em sua fórmula para criar um leite novo e melhorado que estará disponível em sua padaria e sorveteria com sede em Houston (que abre no próximo mês) em sabores como original, sem açúcar e horchata.

Uma vez que a nova versão for testada tanto para validade e como para separação (homogenização), Thai espera embalar e distribuir localmente o produto com o objetivo de longo prazo de expandir nacionalmente e internacionalmente.

Orangotangos podem estar extintos em 10 anos se o desmatamento das florestas indonésias continuar

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Ambientalistas e especialistas preveem que, sem uma intervenção rápida e adequada, logo nenhum desses belos e indefesos animais restará no planeta.

Segundo o premiado Chefe do Executivo da ONG International Animal Rescue, Alan Knight, os orangotangos se encontram atualmente no “precipício da extinção”.

“Se o ritmo atual de destruição da floresta tropical continuar como esta, então não tenho absolutamente nenhuma esperança de que algum orangotango permaneça em estado selvagem.”

O ambientalista previu que os orangotangos só continuariam a existir por apenas mais 10 anos.

“Eu provavelmente diria dez anos se não pudermos parar a destruição. Eu acho que os orangotangos de Sumatra desaparecerão antes disso se eles não resolverem a situação em que estão”.

O orangotango Tapanuli (Pongo tapanuliensis), descoberto por cientistas em 2017, tem os números de suas populações estimados em apenas 800 indivíduos, o que o torna a espécie mais rara de macacos do planeta.

As espécies de orangotango se juntam a uma lista de animais altamente ameaçados que incluem o tigre malaio, o rinoceronte-de-sumatra, o pangolim malaio e muitos outros.

Foto: International Animal Rescue

Foto: International Animal Rescue

Infelizmente a culpa dessa situação extrema é do ser humano e de suas ações irresponsáveis movidas pela ganância e ambição descontroladas.

Conforme relatado pelo Independent, o declínio nos números da população de orangotangos nas florestas de Bornéu é devido ao desmatamento em massa que ocorre há anos no local.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) relatou: “As florestas em que esses animais vivem são transformadas em plantações de dendê, borracha ou papel, e outras são destruídas por humanos”.

“Como os orangotangos são caçados e expulsos de seus habitats, as perdas dessa espécies de reprodução lenta são enormes e serão extremamente difíceis de reverter.”

Se a tendência atual de desmatamento continuar, o orangotango não será mais do que apenas uma parte da história dos animais que uma vez vagaram pela terra.

Os dados expostos pedem uma atitude urgente e efetiva para garantir que os habitats dos orangotangos seja preservados e a espécie seja salva da extinção e posteriormente protegida das decorrentes ameaçadas causadas pela ação humana.

Populações caem pela metade em uma década

De acordo com informações da Orangutan Foundation International, as populações de orangotangos caíram pela metade na última década. Este é um dado preocupante considerando que os orangotangos já somaram centenas de milhares de indivíduos.

Além das mudanças climáticas, outras atividades humanas têm favorecido à perda e degradação do habitat desses animais. “A IUCN [União Internacional para a Conservação da Natureza] classificou o orangotango de Bornéu como ameaçado de extinção e o orangotango de Sumatra como criticamente ameaçado”, aponta a OFI.

As últimas estimativas mostraram que apenas 7,3 mil orangotangos de Sumatra (Pongo abelii) ainda permaneciam em estado selvagem, embora tais estimativas não sejam tão recentes. Isso significa que a redução pode ser pior do que imaginamos. Outro dado importante é que aproximadamente 150 mil orangotangos da Ilha de Bornéu desapareceram nos últimos 16 anos, segundo o Instituto Max Planck.

“A destruição e a degradação da floresta tropical, particularmente a floresta das terras baixas, em Bornéu e Sumatra, é a principal razão pela qual os orangotangos estão ameaçados de extinção”, lamenta a Orangutan Foundation.

Entre as atividades humanas que têm contribuído para isso estão a exploração madeireira, incluindo a extração ilegal, conversão de florestas em plantações de óleo de palma, mineração e derrubada de mata para a construção de estradas, além de incêndios e comércio ilegal de animais.

“Durante a última década, as populações de orangotangos provavelmente diminuíram em 50% na natureza. O orangotango de Bornéu e o orangotango de Sumatra estão em grave declínio. Isso significa que, sem uma drástica intervenção, os orangotangos podem em breve ser extintos como populações biologicamente viáveis na natureza”, revela a OFI.

Pesquisadores do Instituto Max Planck lamentam o fato de que quase 50 anos de esforços de conservação não conseguiram evitar que os números de orangotangos caíssem. E o que torna a situação ainda mais delicada é que os orangotangos são animais que se reproduzem lentamente.

Há 33 anos, explosão em Chernobyl reduziu a expectativa de vida dos animais

Por David Arioch

“Os cães de Chernobyl foram expostos à raiva por causa de predadores selvagens” (Foto: Sean Gallup/Getty Images)

No dia 26 de abril de 1986, a explosão do reator da Unidade 4, que espalhou materiais radioativos no meio ambiente, mudou a vida de milhares de animais que viviam em um raio de 30 quilômetros da Usina Nuclear de Chernobyl.

Após a tragédia, a União Soviética comandou uma evacuação de mais de 120 mil pessoas de Pripyat, no norte da Ucrânia, e das vilas vizinhas. Ninguém pôde levar nada, nem seus companheiros animais, que foram obrigatoriamente abandonados, mesmo com a resistência dos moradores.

No livro “Chernobyl Prayer: A Chronicle of the Future”, de 2016, a autora Svetlana Alexievich relata que os cães latiam e uivavam tentando entrar nos ônibus que partiam de Pripyat, mas os soldados do Exército Soviético os chutavam para longe.

“Eles correram atrás dos ônibus por muito tempo. Famílias desoladas fixaram bilhetes em suas portas: ‘Não mate nossa Zhulka. Ela é uma boa cadela.’” Como havia muitos cães, dispersos por toda Prypiat e por outras aldeias que faziam parte da Zona de Exclusão, uma parcela significativa sobreviveu, inclusive migrando para as florestas, onde desenvolveram capacidade de sobrevivência.

Com o tempo, os cães tiveram seus descendentes, e são esses animais que hoje povoam Chernobyl e a Zona de Exclusão. Há alguns anos, um homem foi contratado para capturá-los e matá-los, sob a alegação de que não havia recursos para cuidar dos animais. Ele se recusou a fazer o serviço.

Quem trabalha na localidade já está acostumado com a presença canina e reserva uma parte de sua refeição para alimentá-los. A estimativa da organização Clean Futures Fund, dos Estados Unidos, que ajuda cidades afetadas por acidentes industriais, é de que há mais de 250 cães vivendo em torno da usina nuclear, outros mais de 225 cães na Cidade de Chernobyl e centenas de cães nos postos de controle de segurança e em outras localidades da Zona de Exclusão.

“Os cães de Chernobyl foram expostos à raiva por causa de predadores selvagens”, informa a Clean Futures. Em Chernobyl, a expectativa de vida dos cães é bastante reduzida por causa da exposição à radiação. A maioria tem no máximo quatro ou cinco anos e poucos ultrapassam os seis anos.

Apesar de tudo, os cães que moram perto dos postos de controle têm cabanas feitas pelos guardas de Chernobyl. Com o tempo, eles aprenderam também que a presença humana pode significar sempre uma chance de ganhar comida. Prova disso é que vários podem ser vistos na entrada do Café Desyatka, onde normalmente esperam receber dos clientes um pouco de borscht, uma tradicional sopa de beterraba.

O trabalho da Clean Futures Fund também ajuda a levar alento aos animais. A organização montou clínicas na localidade para oferecer atendimento veterinário, incluindo um programa de vacinação e castração.

Milhares de filhotes de pinguins-imperador são exterminados pela queda de plataforma de gelo

Foto: CHRISTOPHER WALTON

Pinguins-imperadores | Foto: Christopher Walton

Milhares de filhotes da espécie pinguim-imperador afogaram-se quando a plataforma de gelo marinho no qual estavam sendo criados foi destruída pelas condições de tempo severas.

A catástrofe ocorreu em 2016 no Mar de Weddell na Antártida.

Os cientistas dizem que a colônia de pinguins que vivia na borda da Plataforma de Gelo Brunt foi atingida pela queda do enorme bloco de gelo, sendo que as aves adultas que não mostram sinais de tentar salvar população de filhotes.

Muito jovens para conseguir nadar e sem o desenvolvimento físico necessário em pelugem, os bebês pereceram.

E provavelmente seria inútil para as aves tentar qualquer esforço com um iceberg gigante prestes a destruir seu lar.

A dramática perda dos jovens pinguins imperadores é relatada por uma equipe do British Antarctic Survey (BAS).

Os drs. Peter Fretwell e Phil Trathan notaram o desaparecimento da chamada colônia Halley Bay em imagens de satélite capturadas do espaço.

É possível até mesmo a partir dos 800 km de altura ver o excremento dos animais, ou guano, no gelo branco e depois estimar o tamanho provável de qualquer estimativa de mortes.

Mas a população de Brunt, que mantinha uma taxa média de 14 a 25 mil casais reprodutores por várias décadas (5-9% da população global), desapareceu essencialmente da noite para o dia.

Os imperadores são as espécies de pinguins mais altas e pesadas e precisam de trechos confiáveis de gelo marinho para se reproduzir, e essa plataforma gelada deveria (em teoria) permanecer íntegra a partir de abril, quando as aves chegam, até dezembro, quando seus filhotes voam.

Se o gelo do mar se rompe cedo demais, os filhotes não terão conseguido ainda a pelugem certa para começar a nadar.

Isto parece ter sido o que aconteceu em 2016.

Ventos fortes erodiram o gelo marinho que havia endurecido ao lado da plataforma de gelo Brunt, normalmente mais espessa em seus veios, e eles nunca mais se reformaram adequadamente. Não em 2017, nem em 2018.

Fretwell disse: “O gelo marinho que se formou desde 2016 não tem sido tão forte como os anteriores. Os eventos de tempestades de neve que ocorrem normalmente em outubro e novembro agora vão acabar mais cedo. Portanto, houve algum tipo de mudança no regime ambiental vigente. O gelo marinho anteriormente estável e confiável se tornou agora, apenas insustentável”.

A equipe do BAS acredita que muitos pinguins adultos evitaram a reprodução nesses últimos anos ou mudaram-se para novos locais de reprodução ao longo do Mar de Weddell. Uma colônia a cerca de 50 km de distância, perto da Geleira Dawson-Lambton, notou um grande aumento em seus números.

Enquanto a humanidade se acomoda em um conformismo confortável, a crise ambiental causada pela mudança climática e consequente aquecimento das temperaturas, vem fazendo cada vez mais vítimas silenciosamente.

O planeta não suporta mais o nível de exploração e violência a que tem sido submetido pelos seres humanos e é necessário que posturas sejam revistas e atitudes urgentes tomadas, para que possamos escapar da nossa própria extinção.