Ameaçados de extinção, 12 peixes-bois são devolvidos à natureza no AM

Doze peixes-bois da Amazônia foram devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, nas proximidades do município de Beruri, a 173 quilômetros de Manaus, no Amazonas. A espécie corre o risco de ser extinta.

A soltura desses animais, realizada no último final de semana, foi a maior já realizada na história,segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). O trabalho foi realizado em uma parceria entre o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia (Ampa) e o Museu na Floresta. As informações são do G1.

Foto: Ive Rylo/G1 AM

Os peixes-bois soltos foram vítimas da caça ou da captura acidental, por meio de redes de pesca, de acordo com o biólogo responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, Diogo de Souza. Eles têm idades entre três e 16 anos, pesam aproximadamente 120 kg e medem, em média, dois metros de comprimento. São sete fêmeas e cinco machos.

“Os filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, disse o biólogo.

A pesquisadora Vera da Silva, coordenadora do projeto, lembrou que o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie, que está ameaçada.

“Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. Para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explicou.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, as solturas são feitas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, no qual as comunidades são parceiras do programa. A última soltura foi realizada em abril de 2018 e dez animais, sendo cinco machos e cinco fêmeas, foram reintroduzidos à natureza.

Foto: Divulgação/AMPA

“Nossa ideia é levar de maneira recorde 12 animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza nos permitiu acelerar o processo”, ressaltou o responsável pelo programa.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa). Tem ainda como parceiro o Projeto Museu na Floresta – uma cooperação com a Universidade de Kyoto, no Japão, e o apoio do Aquário de São Paulo.

Reabilitação e readaptação

Após o processo de reabilitação ser finalizado, os peixes-bois iniciam a readaptação, na etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru. Essa segunda fase tem duração de um ano. Ao fim dela, os animais são soltos.

Souza explica que na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os peixes-bois se alimentam sozinhos. “Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, disse.

“Os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados”, afirmou Diogo Souza. “E destes doze animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, acrescentou o biólogo ao explicar que os outros sete animais serão soltos diretamente na natureza e não terão monitoramento devido ao sucesso na adaptação de outros peixes-bois que já foram reintroduzidos.

Maus-tratos a animais foi crime ambiental mais registrado em 2018 em Manaus (AM)

O crime de maus-tratos foi o mais registrado em 2018 na Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente (Dema). Segundo a Polícia Civil, quase 40% das ocorrências registradas na especializada foram de maus-tratos referentes a crimes contra os animais domésticos.

Em 2018, das 432 ocorrências registradas na Dema, 171 foram de maus-tratos, segundo a Polícia Civil. Além disso, os casos de desmatamento, poluição e transporte ilegal de carvão e madeira também estão entre os crimes mais comuns atendidos na unidade policial. No total, dessas ocorrências, 201 tornaram-se inquéritos e foram encaminhados à Vara Especializada do Meio Ambiente e Questões Agrárias (Vegama), no ano passado.

Foto: Divulgação/Semsa

Em nota, a delegada titular da Dema, Carla Biaggi, afirmou que existe uma grande categoria de crimes ambientais, que podem ser desde crimes contra a fauna (silvestre e doméstica, em que os procedimentos investigatórios são diferentes); flora (desmatamento, invasão de áreas de preservação, extração irregular de madeira); poluição (sonora, ar, queimadas, outras) e urbanístico (uso irregular de logradouro público).

Biaggi também ressalta que o trabalho da Dema acontece em conjunto com o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAMB), da Polícia Militar. Segundo ela, 80% dos casos atendidos são oriundos do trabalho integrado entre a Polícia Civil e Militar, além da participação da população na realização de denúncias.

“Pedimos sempre que a pessoa venha até a delegacia para formalizar a denúncia, que, mesmo feita de forma presencial, é garantido o anonimato do denunciante. Também orientamos que sejam reunidas a maior quantidade de provas possíveis, como fotos e vídeos, para fortalecermos as investigações das denúncias”, disse a delegada, por meio de nota.

Após o registro do Boletim de Ocorrência, a equipe de investigação inicia o trabalho de levantamento de dados, com fotos e depoimentos e, em alguns caos, também realiza perícia no local da ocorrência. Em algumas situações, o trabalho conta com apoio de outros órgãos municipais, estaduais e federais ligados ao meio ambiente.

Maus-tratos

A delegada ressalta, ainda, que o crime de maus-tratos, em especial contra cães e gatos, não corresponde apenas a casos de agressão, mutilação, morte e trabalhos forçados dos animais.

“Os maus-tratos podem ser configurados pelo abandono do animal, por mantê-lo isolado, sem passeios, sem os devidos cuidados de saúde, como vacinação e sem alimentação. Muitas pessoas não sabem, mas pela lei, só é permitido ter no máximo dez animais por residência”, afirmou Biaggi.

A delegada lembra, ainda, que não cabe à delegacia realizar o resgate dos animais em condições de abandono, mas que, em casos de risco iminente à segurança dos cães e gatos, é pedido o apoio de entidades que trabalham na causa animal.

A Lei de Crimes Ambientais penaliza quem praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos em detenção de três meses a um ano e multa. A pena pode ser aumentada de um sexto a um terço, se o animal morrer.

Dema

A sede da delegacia fica localizada na rua Paul Adam, sem número, no conjunto Shangrila IV, no bairro Parque Dez, na Zona Centro-Sul de Manaus. Para contatos e denúncias, a unidade policial disponibiliza os telefones (92) 3239-3870 e (92) 99962-2340.

Fonte: G1

Cachorro morre após ser esfaqueado por homem no interior do Amazonas

Um cachorro foi esfaqueado por um homem de 40 anos, no município de Manacapuru, localizado a 68 km de distância de Manaus (AM). Uma câmera de vigilância de um imóvel registrou o momento em que o animal foi atacado. O animal chegou a ser internado, mas faleceu nesta terça-feira (29).

Câmera de segurança flagrou homem atacando cachorro — Foto: Reprodução / G1

Segundo a Polícia Civil, o caso aconteceu por volta das 20h da última segunda (28). A tutora do cão registrou boletim de ocorrência e identificou o suspeito. No registro, ela afirmou que o suspeito tem deficiência intelectual.

Nas imagens registradas pela câmera de segurança, o homem aparece com uma faca na mão e encurrala o animal em um canto. Além disso, é possível ver o homem no vídeo desferindo o golpe. O cachorro foi encontrado, logo em seguida, com uma perfuração profunda.

Moradores da área onde caso ocorreu disseram à equipe da Rede Amazônica que o homem que aparece nas imagens já teria sido visto furando pneus de carros nas ruas do município

Um Boletim de Ocorrência foi registrado na delegacia na Delegacia Interativa (DIP) em Manacapuru. Em nota, a Polícia Civil disse que mais informações não podem ser repassadas no momento.

Fonte: G1