Releitura do filme ‘O Rei Leão’ tem animais da Amazônia como protagonistas

A versão brasileira do filme “O Rei Leão” é uma releitura do longa-metragem da Disney, criado em 1994. A animação original tem como protagonistas leões e leoas, um suricato, um javali, um pássaro, um macaco babuíno e hienas. Na releitura, idealizada pelo designer gráfico e ilustrador Vilmar Rossi Júnior, as estrelas são os animais da Amazônia.

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior

“Eu me inspirei com a chegada do novo filme [lançamento da versão computadorizada do Rei Leão]. Sou muito fã de animação e, conversando com a minha esposa sobre política e o que está acontecendo, sobretudo no meio ambiente, a junção das ideias foi natural”, explicou Rossi ao G1.

“Eu gosto muito de ‘mashups’, pois a gente mistura dois temas muito conhecidos e gera um terceiro resultado e, nesse momento, gera uma leitura nova. No original a gente dá pouca atenção para a savana e foca no drama do jovem príncipe”, disse.

“Ao mudar o cenário, a gente passa a questioná-lo: se o Rei Leão fosse aqui, teria que lidar com o desmatamento, as queimadas, os madeireiros, os latifundiários, a extinção. O ‘mashup’ aflorou as questões ecológicas que se escondiam na animação original – e isso foi inesperadamente bom”, completou.

Oito cenas já foram reproduzidas até agora. A do Hakuna Matata foi a primeira. “Ela tem uma certa alegria despretensiosa, sabe? De quem só estava se divertido… estava ‘Hakuna Matata’ (risos). Mas gostei do resultado da cena da abertura, da conversa do Simba com o espírito do pai e da última, onde o Mufasa diz ao Simba que até onde a luz toca é o reino deles. Ao fundo, coloquei uma queimada, subindo um rolo de fumaça. Quem conhece o filme sabe que o Simba pergunta ‘E aquele lugar escuro?'”, explicou.

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior

Simba, nas ilustrações, é uma onça-pintada, Timão é um cateto e Pumba uma irara ou papa-mel. “Alguns animais foram fáceis de escolher, mas tentei trazer espécies mais desconhecidas, como o araçari (em vez do tucano que todos já viram). O Rafiki fiz, na primeira vez, um mico-leão, mas algumas pessoas chamaram a atenção de que ele não é tão típico da Amazônia. Então lembrei do uacari, que acho um macaco imponente, lindo. Agora, as hienas me deram dor de cabeça, pois não temos animais carniceiros desse tipo aqui. Até que o cachorro-do-mato-vinagre coube nesse papel”, disse.

Dentre as espécies escolhidas pelo ilustrador, a onça-pintada é a mais conhecida. Extinta nos Estados Unidos, a onça-pintada, considerada o maior felino das Américas, está criticamente em perigo na Caatinga e Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável na Amazônia e Pantanal. A espécie é uma das prioridades da Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN).

O cateto está presente em quase todos os biomas e é considerado quase ameaçado, vulnerável ou em perigo, dependendo da localização. Eles vivem em bandos de 5 a 25 membros, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior

Presente em vários habitats, especialmente naqueles de vegetação densa, segundo o ICMBio, a irara ou papa-mel tem olfato bastante apurado. O araçari-castanho, que tem status de conservação considerado “menos preocupante”, alimenta-se de frutos e vive no alto das árvores.

Conhecido como macaco-da-noite ou macaco-da-noite-de-pescoço-cinza, o uacari tem uma população de cerca de 10 mil animais. Eles vivem na Amazônia do Brasil e de outros países, como Colômbia, Equador e Peru.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Ministério alemão anuncia suspensão de R$ 155 milhões para proteção da Amazônia

O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha anunciou que vai suspender o financiamento de projetos para a proteção da Amazônia. O motivo é a política desastrosa de Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles, que têm promovido um verdadeiro ataque ao meio ambiente.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A ministra responsável pela pasta, Svenja Schulze, concedeu entrevista ao jornal “Tagesspiegel” no sábado (10) e explicou que, num primeiro momento, 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 155 milhões) não serão mais investidos no Brasil. Os valores são provenientes de uma iniciativa para proteção climática do Ministério do Meio Ambiente em Berlim. Desde 2008, 95 milhões de euros (cerca de R$ 425 milhões) foram entregues ao Brasil para execução de projetos de preservação ambiental.

“A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, declarou a ministra. Segundo ela, os investimentos poderão voltar a ser feitos apenas quando houver clareza sobre a política do governo brasileiro.

“Embora o governo do presidente direitista, Jair Bolsonaro, esteja comprometido com o objetivo do Acordo Climático de Paris de reduzir o desmatamento ilegal de florestas a zero até 2030 e de iniciar o reflorestamento maciço, a realidade é outra”, escreveu o jornal alemão. “Um dos maiores defensores de Bolsonaro é o lobby agrário”, completou.

“A região amazônica é amplamente utilizada para o cultivo de soja para ração animal e para criação de gado. Por volta de 17% da Floresta Amazônica desapareceu nos últimos 50 anos, alertam os pesquisadores, uma perda de 20% a 25% poderia fazer com que o pulmão verde da Terra entrasse em colapso – ameaçando transformar a região numa vasta savana”, explicou o “Tagesspiegel”.

A Alemanha é uma das apoiadoras do Fundo Amazônia, que combate o desmatamento florestal. Já foram injetados 55 milhões de euros (aproximadamente R$ 245 milhões) no fundo. A suspensão de projetos abrange apenas o financiamento do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.

A maior parte do Fundo Amazônia é financiada pela Noruega – quase 800 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 3,5 bilhões. A Alemanha é responsável por uma pequena parte dele. O recurso é destinado a ações de reflorestamento, contenção do desmatamento e apoio à população indígena.

A reportagem publicada pelo jornal alemão informou ainda que o Ministério do Meio Ambiente em Berlim defende também que a participação da Alemanha no Fundo Amazônia seja revista.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Desmatamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação a 2018

O desmatamento da Amazônia em julho apresenta crescimento de 278% quando comparado ao mesmo mês de 2018. Foram 2.254,8 km² desmatados neste ano e 596,6 km² no ano passado. O desmate registrado em julho equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, de agosto de 2018 a julho de 2019, período em que 6.833 km² foram desmatados – o número é 33% maior do que o registrado nos 12 meses anteriores.

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) responsável por fiscalizar o desmatamento.

(Foto: Vinícius Mendonça)

Os dados levam em consideração apenas três categorias de corte de vegetação, como medida para evitar distorções. As categorias, identificadas pelo próprio governo como desmatamento efetivo, são: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por promover um desmonte na agenda ambiental, em parceria com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem atacado desde maio os dados divulgados pelo Inpe. Recentemente, Bolsonaro declarou que “maus brasileiros” divulgam números mentirosos sobre a Amazônia.

Os dados, no entanto, são verídicos, e o Inpe é um instituto renomado com credibilidade reconhecida. Além disso, não há “maus brasileiros” entre os que expõe o desmatamento da Amazônia. Pelo contrário, esses são os brasileiros realmente comprometidos com o Brasil e com as riquezas naturais do país. As verdades sobre os fatos, porém, não impediram que Ricardo Galvão fosse exonerado da chefia do órgão.

Para o lugar de Galvão, foi indicado o coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, que assume o cargo interinamente. Em entrevista à VEJA, o militar afirmou que o Inpe divulgará dados com antecedência ao governo – conforme Bolsonaro havia solicitado, numa tentativa de exigir que qualquer estatística passe pelo crivo presidencial.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


The Economist e The Guardian destacam aumento do desmatamento no Brasil

Por Rafaela Damasceno

A capa da edição mais recente da The Economist, uma das principais revistas inglesas, exibe uma reportagem sobre o avanço do desmatamento da Amazônia. O texto cita o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, dizendo que ele “deixou claro para os infratores que não há nada a temer”.

A capa da revista The Economist

Foto: The Economist

Segundo a reportagem, depois de um esforço governamental de sete anos para diminuir a destruição da floresta, em 2013 o desmatamento tornou a crescer por culpa do enfraquecimento da fiscalização.

A revista não foi o único veículo midiático a noticiar o crime: o jornal americano The New York Times também declarou que o desmatamento da Amazônia está aumentando rapidamente, definindo o atual governo do Brasil como “extrema direita”.

A revista científica Science foi ainda mais além, afirmando que o presidente Jair Bolsonaro diz que os números são mentirosos, atacando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) enquanto todos os dados apontam para um aumento na devastação amazônica.

A revista americana Nature definiu o presidente brasileiro como “Trump tropical” e também noticiou as acusações contra o Inpe. “Em 19 de julho, Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre os números e depois sugeriu que o governo tenha o direito de aprovar os dados da agência antes da divulgação pública”, disse o texto.

Segundo o G1, o jornal The Guardian também se posicionou sobre o assunto, afirmando que a floresta amazônica está sendo cortada e queimada a uma velocidade maior do que nunca. “Mas o governo Jair Bolsonaro está focado em reinterpretar os dados em vez de lidar com os culpados”, criticou o jornal.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Bolsonaro diz que vai permitir que os Estados Unidos explorem a Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado (27) que está em busca de parcerias com “o primeiro mundo”, em especial com os Estados Unidos, para a exploração da Amazônia. Na prática, o plano do presidente é entregar os recursos naturais brasileiros a outros países, permitindo que o Brasil perca sua riqueza e que a natureza seja ainda mais destruída em nome do lucro.

A declaração de Bolsonaro foi dada durante uma cerimônia de formatura de paraquedistas do Rio de Janeiro em resposta a questionamentos de países europeus sobre a gestão dos recursos naturais da Amazônia.

Foto: Reuters

“O senhor presidente da França [Emmanuel Macron], a senhora Merkel [chanceler da Alemanha] queriam que eu voltasse para cá [depois da reunião do G20], demarcando mais 30 reservas indígenas, ampliando reservas ambientais. Isso é um crime. Só de reserva indígena já temos 14% tomados aqui no Brasil. Na Reserva Ianomâmi, são 9 mil índios e tem o dobro do estado do Rio de Janeiro. É justo isso? Terra riquíssima. Se junta com Raposa Serra do Sol é um absurdo o que temos de reservas minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro fez ainda um discurso nacionalista, afirmando que a Amazônia é dos brasileiros. “O Brasil é nosso. A Amazônia é nossa. A Presidência é do povo brasileiro. Povo esse ao qual devo lealdade absoluta”, disse. O presidente também afirmou que está cumprindo a promessa que fez de “colocar o Brasil no local destaque que ele merece. É declarar nossa verdadeira independência, e é lutar para o bem de todos”.

O nacionalismo, no entanto, fica apenas no discurso. Isso porque entregar a Amazônia para que os Estados Unidos a destrua seguindo seus próprios interesses financeiros não é mantê-la como um patrimônio dos brasileiros, tampouco declarar independência, já que a intenção do presidente é justamente fazer que o Brasil dependa dos interesses norte-americanos.

Dados desmentem o presidente

Apesar de Bolsonaro afirmar que há reservas ambientais em excesso no país, ao ponto de considerar “um crime” aumentá-las, a declaração dele não condiz com levantamentos recentes feitos pelo Deter, sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No que se refere a florestas desmatadas, os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de mata por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Em junho, o desmatamento na Amazônia foi cerca de 57% maior do que o registrado no mesmo mês de 2018. Cerca de 769 km² foram desmatados em junho deste ano. Em 2018, foram aproximadamente 488 km². Esse resultado mostra, segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, que o discurso do governo de “combater a indústria de multas” e contrário à destruição legal de equipamentos utilizados por desmatadores favorece o desmatamento.

“Se você diz que vai tirar o governo das costas de quem quer produzir, estamos, na verdade, tirando o governo das costas de quem está cometendo crimes ambientais”, disse Rittl ao jornal O Globo.

Desde da época da campanha eleitoral, Bolsonaro tem deixado claro seu desprezo pela proteção ambiental e, junto do ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem promovido uma série de retrocessos contra o meio ambiente.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Bolsonaro prossegue com desmonte ambiental ao dizer que dados sobre desmatamento são mentirosos

Ao abordar os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que tem “a convicção que os dados são mentirosos”. A declaração do presidente configura mais um dos desmontes ambientais promovidos pelo governo. Ao negar estatísticas levantadas por um instituto conceituado e respeitado, Bolsonaro reforça em parte da população a ideia de que não há desmatamento e, com isso, abre espaço para que áreas continuem sendo desmatadas sem qualquer ação de combate.

Em junho, segundo dados do Inpe, o desmatamento na Amazônia Legal brasileira chegou a 920,4 km² – o que representa 57% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior.

(luoman/Getty Images)

O presidente disse ainda, em entrevista à imprensa estrangeira na última sexta-feira (19), que parece que quem está à frente do Inpe “está a serviço de alguma ONG”, mais uma vez tentando deslegitimar uma questão que atinge seu governo usando a desculpa infundada da ideologia, sem qualquer prova que a fundamente.

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as declarações de Bolsonaro. Segundo ele, as críticas feitas são inaceitáveis e parecem mais “conversa de botequim”. Para Galvão, a atitude do presidente foi “pusilânime e covarde”.

No domingo (21), Bolsonaro voltou a criticar o Inpe ao afirmar que o desmatamento tem que ser combatido, mas que não se deve “fazer campanha contra o Brasil”.

“A questão ambiental aí fora é na verdade psicose ambiental. Você tem que combater se tiver desmatamento, não é justo aqui dentro fazer campanha contra o Brasil. No mínimo, se o dado for alarmante, ele [Ricardo Magnus Osório Galvão, diretor do Inpe] deveria, em tom de responsabilidade, respeito e patriotismo procurar o chefe imediato, no caso o ministro e dizer: olha ministro, temos uns dados aqui, vamos divulgar, devemos divulgar, o senhor se prepare. Assim que deve ser feito e não de forma rasa como ele faz, que coloca o Brasil em situação complicada. […] Um dado desse aí, da maneira de divulgar, prejudica a gente”, declarou Bolsonaro.

Apesar do presidente afirmar que se deve combater o desmatamento, as declarações e ações de seu governo dizem o contrário. Desde o período da campanha eleitoral, Bolsonaro bate na tecla de que há uma indústria de multas no Ibama – o que nunca aconteceu, já que as multas aplicadas pelo órgão são justas e tem como objetivo combater, entre outros crimes, o desmatamento. Em abril, o presidente assinou um decreto para converter multas em ações de compensação ambiental. De acordo com o jornal O Globo, o documento prevê “a conversão de multas simples em serviços de preservação do meio ambiente e descontos de até 60% no valor da multa em audiências de conciliação”. Se o intuito de Bolsonaro fosse, de fato, agir contra desmatadores, ele apoiaria as multas, não o contrário.

Ao se referir ao diretor do Inpe, Bolsonaro afirmou que seus ministros falarão com ele. “Ele tem mandato, eu não vou falar com ele. Quem vai falar com ele é o Marcos Pontes e, talvez, o Ricardo Salles. O que nós não queremos é uma propaganda negativa para o Brasil. Não queremos fugir da verdade. Aqueles dados pareceram muito com os do ano passado e deram um salto. Então, eu fiquei preocupado com aqueles números, obviamente, mas também fiquei achando que eles poderiam não estar condizentes com a verdade, então, ele vai conversar com esses dois ministros e toca o barco”, declarou Bolsonaro.

“Chamar de manipulação é uma ofensa inaceitável”

O diretor do Inpe afirmou, em entrevista à TV Vanguarda, que chamar os dados do Inpe de manipulação é uma “ofensa inaceitável” e que ele não deixará o cargo.

“O sr. Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva para a imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis não somente a mim, mas a pessoas que trabalham pela ciência desse País. Ele disse estar convicto de que os dados do Inpe são mentirosos. Mais do que ofensivo a mim, isso foi muito ofensivo à instituição”, disse.

Galvão falou ainda sobre a importância do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e sobre sua própria trajetória como cientista. “O Inpe permitiu ao Brasil ser o terceiro país do mundo a receber imagens de satélite para monitoramento de desmatamento, do Landsat. Começamos isso em meados da década de 1970. Íamos a reuniões internacionais que só tinham Brasil, Canadá e Estados Unidos. O Inpe tem credibilidade internacional inatacável”, afirmou. “Quanto a mim, fiquei realmente aborrecido, porque acho que ele fez comigo o mesmo jogo que fez com Joaquim Levy (que pediu demissão do BNDES após também ser criticado em público por Bolsonaro). Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, talvez esperando que eu peça demissão, mas não vou. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos. Eu sou um senhor de 71 anos, membro da Academia Brasileira de Ciências, não vou aceitar uma ofensa dessas. Ele que tenha coragem de, frente a frente, justificar o que está fazendo”, completou.

“Todos os diretores dessas unidades de pesquisa não são escolhidos por indicação política ou porque o pai deles quis dar um filé mignon pra eles. Eles são escolhidos por um comitê de busca nomeado pelo governo, por cinco especialistas de renome nacional, tanto na área científica quanto na área tecnológica”, reiterou Galvão ao fazer uma referência à indicação de Eduardo Bolsonaro, feita pelo presidente, para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos. Ao ser acusado de praticar nepotismo, Bolsonaro negou e disse que pretende, sim, beneficiar o filho e que se “puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou”.

O cientista abordou ainda a transparência dos dados divulgados à população brasileira. “O presidente não entende que não somos nós que fornecemos os nossos dados para a imprensa. Os nossos alertas de desmatamento são fornecidos ao Ibama. Isso começou ainda na gestão da ministra Marina Silva (2003-2008) por demanda do Ministério do Meio Ambiente. Os dados são acessados pelo Ibama na nossa página na internet. Estão abertos para todo mundo poder verificar. São publicados em revistas científicas internacionais. Então chamar de manipulação é uma ofensa inaceitável”, reforçou.

Ao ser questionado sobre o posicionamento de Ricardo Salles, que colocou em dúvida a veracidade dos dados do Inpe antes mesmo de Jair Bolsonaro, Galvão disse que entendia que o ministro fazia essas críticas por falta de conhecimento, mas que não sabe quais as intenções dele. “O ministro Ricardo Salles vem atacando, desde o começo do ano, os dados do Inpe. Realmente não sei com que intenções. Algumas pessoas dizem que ele tem intenção de transferir esse trabalho feito pelo Inpe para empresas privadas. Não sei se é verdade, porque ele aparentemente desmentiu”, explicou.

Galvão citou também o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que, segundo o cientista, “sempre manifestou que as questões do desmatamento e das mudanças climáticas são questões científicas e não políticas” e “sempre demonstrou grande respeito pelo Inpe”. O diretor do Instituto disse que, antes de Bolsonaro se pronunciar sobre o tema, havia enviado um ofício a Pontes por meio do qual propôs a abertura de um canal de comunicação para explicar os dados do Inpe e criar ferramentas para que o governo pudesse usar essas informações de forma mais clara e transparente. “Mandei para o ministro Marcos Pontes, mas acho que ele estava viajando”, disse.

SBPC se manifesta em apoio ao Inpe

Após o presidente criticar o Inpe, o Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) se manifestou, no domingo (21), publicando um manifesto em apoio ao Instituto.

De acordo com o SBPC, as críticas feitas pelo presidente são “ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico.” O Conselho afirmou ainda que “em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza”.

Confira abaixo a nota na íntegra:

O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, em reunião realizada no dia 20/07/2019, deliberou por unanimidade manifestar seu apoio integral ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, dirigido pelo Dr. Ricardo Galvão, face às críticas do trabalho do INPE de monitoramento do desmatamento da Amazônia brasileira, apresentadas em entrevista à imprensa internacional pelo Presidente da República, Sr. Jair Messias Bolsonaro.

Conforme carta das principais entidades nacionais representativas da ciência brasileira, enviada ao Presidente Bolsonaro no dia 10/07/2019 (OF. ABC-97/2019), a ciência produzida pelo INPE está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País. O Diretor do INPE, Dr. Ricardo Galvão, é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil. Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico.

Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do INPE gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada. Reafirmamos nossa confiança na qualidade do monitoramento do desmatamento da Amazônia realizado pelo INPE, conforme a carta anteriormente enviada ao Presidente da República, e manifestamos nossa preocupação com as ações recentes que colocam em risco um patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do Brasil e para a soberania nacional.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Brasil já perdeu 85,5% da floresta nativa da Mata Atlântica

Por David Arioch

Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas (Foto: Dmitry V. Petrenko/Shutterstock)

Na quarta-feira, especialistas presentes na audiência pública que discutiu o papel dos biomas na produção de água, biodiversidade e estratégias de conservação na Comissão de Meio Ambiente (CMA) alertaram para o futuro dos biomas brasileiros, de acordo com informações da Agência Senado. A reunião fez parte da programação do Junho Verde no Senado.

Segundo dados apresentados por João Paulo Capobianco, vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade, o Brasil precisa criar 262 mil quilômetros quadrados de unidades de conservação para proteger, pelo menos, 10% dos seus biomas, fora a Amazônia.

Já perdemos a maior parte (85,5%) da floresta nativa da Mata Atlântica; o Pampa tem mais da metade da sua área (54,2%) desmatada; no Cerrado, restam 50% da vegetação natural; a Caatinga desflorestou 46,6% da sua área; e o Pantanal perdeu 15,4%. No caso da Amazônia, o desmatamento, em um intervalo de 20 anos, foi de mais de 370 mil hectares, entre 1967 e 1987.

Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas, ou seja, aquelas que existem apenas nessas regiões. Isso significa que se elas forem extintas nesses locais, desaparecem do planeta.

São mais de duas mil espécies de plantas e 1.173 espécies de animais. Só na Mata Atlântica, são 428 espécies vulneráveis ou em perigo de extinção. Diante desses números, outra preocupação de Capobianco é a política ambiental do governo federal.

“Algo que nos apavora são as iniciativas oficialmente declaradas de revisão das unidades de conservação, de cancelamento de novas unidades, de intervenção branca no ICMBio inviabilizando a sua atividade. Isso significa um retrocesso inadmissível dentro de um quadro já extremamente preocupante”, disse.

Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ressaltou que todo os fragmentos florestais acima de três hectares totalizam apenas 12,4% do bioma. Ou seja, foi o que restou da área original, ocupada atualmente por mais de 140 milhões de pessoas, em 3.429 municípios, principalmente na Região Sudeste, onde ficam os maiores remanescentes, na Serra do Mar e em áreas protegidas.

Famílias ribeirinhas protegem desovas de quelônios no Acre

Eles registram o número de ninhos, de ovos e de filhotes vivos e soltos nos rios (Foto: SOS Amazônia/Divulgação)

Eles registram o número de ninhos, de ovos e de filhotes vivos e soltos nos rios (Foto: SOS Amazônia/Divulgação)

Por David Arioch

Desde 2003, e com o apoio da associação SOS Amazônia, famílias ribeirinhas do Acre protegem voluntariamente desovas de quelônios como tartarugas, tracajás e iaçás em praias do Rio Juruá, situadas na região do Parque Nacional da Serra do Divisor e da Reserva Extrativista Alto Juruá.

Nas duas maiores Unidades de Conservação (UC) do Acre, que concentram grande diversidade biológicas na fronteira com o Peru, os ribeirinhos têm desempenhado papel fundamental na proteção das praias e no monitoramento da desova, eclosão dos ovos e da soltura dos filhotes.

“Demonstram muito amor pela causa. As crianças acompanham os pais nessa atividade, o que as aproxima da prática de conservação dessas espécies. Eles registram o número de ninhos, de ovos e de filhotes vivos e soltos nos rios”, destaca a SOS Amazônia.

As informações coletadas e registradas em fichas de campo são repassadas à associação que analisa e monitora os resultados. “Por outro lado, e muito importante também, são as pessoas e empresas que, mesmo de longe, ajudam esse trabalho a acontecer, fazendo doações no nosso site institucional”, informa.

Com os recursos arrecadados a SOS Amazônia consegue mobilizar mais famílias na proteção de quelônios – entregando kits de proteção das praias, realizando visitas técnicas e distribuindo material para registro e mapeamento, além de acompanhar o período de soltura dos filhote de quelônios.

Comissão rejeita projeto que limita desmatamento da Amazônia a 30% da área

Por David Arioch

A proposta será analisada ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (Foto: AP/Andre Penner)

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei 8672/17, que limita o desmatamento da floresta amazônica a 30% da área total do bioma.

Autor da proposta, o deputado Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO) argumenta que mais de 750 mil km² da floresta já foram desmatados, o que corresponde a cerca de 20% de sua extensão original.

Mas, segundo a Agência Câmara, para o relator, deputado Capitão Alberto Neto (PRB-AM), a proposta pode ter o efeito oposto do desejado. “Estabelecer um limite de 30%, como proposto no projeto, seria visto pelos desmatadores, e talvez até pelo governo, como uma meta, e não um teto”, disse.

Ele ressaltou ainda que o desmatamento, quando realizado sem licença da autoridade ambiental competente, já é crime pela legislação atual.

A proposta será analisada ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Imprensa internacional noticia aumento do desmatamento na Amazonia

Reuters/Nacho Doce

Reuters/Nacho Doce

O desmatamento na Amazônia aumentou em 20% no ano passado, revelam informações da entidade ambientalista Imazon, que não possui ligação com governo e monitora a floresta tropical há duas décadas, informa o jornal inglês The Independent.

A extração descontrolada de madeira e a invasão de terras foram atribuídas pelos analistas como responsáveis por grande parte da perda, algumas das quais ocorreram em áreas protegidas e reservas indígenas.

O grupo ambientalista afirmou que imagens de satélite mostraram que a região perdeu 2.169 km² de florestas entre agosto e abril. Este número corresponde a 1,807 km² perdidos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

O ano-base de monitoramento do grupo começa em agosto, para coincidir com a estação seca do Brasil, quando as taxas de extração são geralmente mais altas.

O presidente do país, Jair Bolsonaro, e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, questionaram a realidade da mudança climática e falaram a favor da expansão da mineração e da agricultura industrial na Amazônia e em áreas protegidas.

Ambos os políticos acreditam que as leis ambientais e os grupos ativistas freqüentemente trabalham para impedir o potencial econômico do Brasil.

Salles disse no início do mês que queria reformar o Fundo Amazônia, uma iniciativa criada para conter o desmatamento em uma área de quase sete milhões de quilômetros quadrados.

O ministro agendou uma reunião com representantes dos governos alemão e norueguês, dois dos principais contribuintes do fundo, esta semana.

Salles disse que seu ministério revisou 103 contratos concedidos pelo fundo a grupos sem fins lucrativos, cerca de um terço de todos os contratos assinados desde o seu lançamento em 2008. Ele disse que a investigação encontrou “irregularidades” em todos os 103 contratos, mas ele não deu quaisquer casos específicos, citando cláusulas de confidencialidade até revisão pelos auditores.

Ele reiterou sua intenção de “sacudir” o fundo apertando regras e a supervisão sobre a alocação de contratos e a escolha de projetos que possam obter financiamento, em uma recente entrevista à TV Globo.

“Queremos melhores resultados para reverter o aumento do desmatamento”, disse Salles, acrescentando que queria resultados “mensuráveis” e um “retorno sobre o investimento”.

Ele não pôde dar mais detalhes sobre as mudanças propostas pelo ministério antes de discuti-las com a Noruega e a Alemanha, disse ele. A estatal brasileira de petróleo, a Petrobras, é o terceiro maior contribuinte do fundo.

O fundo foi criado para receber doações para ajudar a prevenir, monitorar e combater o desmatamento na floresta amazônica, uma vasta área rica em biodiversidade e cuja preservação é vista como essencial para conter a mudança climática.