Dezenove hectares de floresta são desmatados por hora na Amazônia

O Brasil registrou recorde de desmatamento na Região Amazônica em 2018, superando os números registrados em toda a história do país. A situação, no entanto, só tem piorado. Se desde agosto a devastação atingia, em média, 52 hectares por dia, dados mais recentes indicam que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de floresta por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Foto: VINICIUS MENDONCA – IBAMA

Em uma quinzena, 6.880 hectares de floresta preservada foram perdidos, o que equivale a quase 7 mil campos de futebol. O volume está próximo do desmatamento registrado na soma de todos os nove meses anteriores, entre agosto de 2018 e abril de 2019, quando 8.200 hectares foram destruídos. As informações são do O Estado de S. Paulo.

Levados ao governo, os dados foram confirmados. De acordo com dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento, uma das regiões mais devastadas é a Floresta do Jamanxim, que sofre, historicamente, com saques de madeira a partir da BR-163. A região perdeu 3.100 hectares. Os números do levantamento feito pelo Deter se referem ao desmatamento registrado em unidades de conservação, ou seja, florestas protegidas que são administradas e fiscalizadas por órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

As medições oficiais costumam ser feitas de agosto a julho do ano seguinte. No período encerrado em julho de 2018, 20.200 hectares de desmatamento foram registrado na região, batendo um recorde histórico. No ciclo atual, aberto em agosto de 2018 e levando em consideração os primeiros 15 dias de maio, o acumulado chega a 15 mil hectares, havendo a possibilidade de, ao final de julho de 2019, ser batido um novo recorde.

O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, culpou os governos anteriores pelo desmatamento, ignorando as responsabilidades que o próprio governo tem sob o desmatamento, já que está no poder desde janeiro e poderia já ter tomado medidas favoráveis ao meio ambiente – mas fez o contrário, como provam os retrocessos cometidos na área ambiental em 100 dias de governo. O Ibama e o ICMBio, por sua vez, não responderam aos questionamentos feitos sobre o tema.

De acordo com técnicos do governo, o grande volume de desmatamento em duas semanas pode ter ligação com a meteorologia, isso porque, segundo eles, março e abril são meses muito chuvosos e a maior incidência de nuvens dificulta o uso de satélites. Com o final das chuvas, o céu se abre e a área captada aumenta. Porém, ainda de acordo com os técnicos, as taxas de devastação se referem exclusivamente ao desmatamento registrado em 2019 e a questão climática vale para os anos anteriores, que registraram números menores.

Fiscalização

Apesar da fiscalização continuar a ser realizada neste ano por agentes do Ibama e do ICMBio na Amazônia, dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o número de multas diminuiu. O Ibama emitiu 850 multas entre 1º de janeiro e 15 de maio deste ano, 35% menos do que o registrado no mesmo período de 2018, quando 1.290 multas foram aplicadas. Já o ICMBio aplicou, entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2019, 317 multas, praticamente metade do que foi aplicado no mesmo intervalo de 2018.

O MMA não comentou a redução. Ela pode, no entanto, ter relação com o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem criticado regulamente o que ele chama de “indústria de multas”. Ambientalistas discordam do presidente e reforçam que as multas são aplicadas corretamente para punir crimes ambientais.

Em janeiro, o Ministério do Meio Ambiente colocou fim ao Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento, que funcionava dentro da pasta desde 2007, com 15 servidores. O órgão era ligado à Secretaria de Mudanças do Clima e Floresta, que também foi desmontada. Com o fim dela, os funcionários foram realocados. O caso também não foi comentado pelo MMA.

Antecessor de Salles rebate argumento

O argumento de Salles sobre os dados relacionados ao desmatamento registrado em 2019 foi rebatido pelo antecessor dele no Ministério do Meio Ambiente.

“Não há surpresa nessas informações. Há tristeza. Quando um governo resolve desmoralizar os agentes do Ibama, desmontar o ICMBio e acabar com as unidades de conservação, ele só está dando o sinal verde para o desmatamento”, disse Sarney Filho, hoje secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal. “Como diminuir os índices, se os instrumentos criados para combater esses crimes estão sendo desmontados pelo discurso e pela ação concreta do governo?”, completou.

Fila de multas

Multas que já tramitaram pela área técnica e administrativa e que já receberam justificativas dos autuados estão paradas no ICMBio. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, 254 autos de infração emitidos por agentes do órgão estão prontos para serem homologados pelo presidente do ICMBio, para que a cobrança dos valores seja feita.

Neste ano, a chefia do órgão não homologou nenhuma multa, conforme estabelece o regimento interno. As cobranças prontas para serem aplicadas já alcançam o valor de R$ R$ 146,2 milhões, que o órgão poderia receber. Ao ser procurado, o ICMBio não apresentou justificativas para a situação. Assim como o MMA, que também não se manifestou. Desde que assumiu o posto no ministério, Salles tem trocado todos os cargos de liderança do ICMBio e nomeado militares.

No mês passado, um decreto de 2008 foi alterado por Bolsonaro. O decreto dispunha sobre crimes ambientais e, com a mudança, passa a existir “núcleos de conciliação” para discutir as multas ambientais aplicadas pelos órgãos. A alteração também modifica o programa de conversão de multas em projetos de restauração florestal, que vinha sendo realizado pelo Ibama.

O governo justificou a mudança do decreto dizendo que “a conciliação deve ser estimulada pela administração pública federal ambiental (…) com vistas a encerrar os processos administrativos federais relativos à apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”. Com a nova regra, o autuado poderá, após ser notificado da multa, participar de uma audiência de conciliação, caso queira, com dia e horário marcados, para discutir a aplicação da multa. Na prática, a ação diminui o número de multas aplicadas e abre margem para que mais crimes ambientais ocorram.

Bolsonaro foi multado em 2012 pelo Ibama por pescar em área protegida em Angra dos Reis (RJ). A multa nunca foi paga e, após ele se tornar presidente, foi anulada. O agente responsável por aplicar a penalidade também foi exonerado, sob ordem do presidente.

Áreas protegidas da Amazônia perdem equivalente a 6 cidades de SP em 30 anos

Áreas protegidas da Amazônia, que deveriam ter “desmatamento zero”, perderam o equivalente a seis cidades de São Paulo em vegetação em três décadas. O espaço corresponde a 953 hectares desmatados em unidades de Conservação (UCs), terras indígenas (TIs) e quilombolas, que deveriam ter sido preservados.

Foto: Marcelo Brandt/G1

Essas áreas, que estão cercadas por territórios ainda mais desmatados, e que não saíram ilesas da exploração humana, são responsáveis pela preservação de mais da metade da floresta. Em 1985, elas representavam 47% da floresta amazônica, hoje representam 53%, segundo um monitoramento de satélite feito pelo projeto Mapbiomas.

A Floresta Nacional (Flona) do Tapajós abriga mais de mil famílias que caçam, plantam e extraem recursos da natureza apenas para sobreviver. Nas imediações, ao lado da unidade de conservação, é feito o cultivo de grãos. A Flona fica na cidade de Belterra. O município registrou 10% de desmatamento na floresta em três décadas. O percentual dentro da unidade, entretanto, foi de 0,1%. As informações são do G1.

A diferença entre as áreas protegidas e os outros locais da região começou a se intensificar nos anos 1970, quando a BR-163 foi inaugurada, em Mato Grosso, pelo governo militar, quase junto da demarcação da Flona do Tapajós, em fevereiro de 1974. Um plano de povoar o Pará era colocado em prática na época. Com isso, muitas famílias foram vive no estado e começaram a formar, com o passar dos anos, pequenas comunidades. Depois, a maior parte das terras desmatadas foi transformada em pastagem que, em seguida, foi substituída por agricultura. Esse ciclo de desmatamento da Amazônia ainda se repete atualmente e boa parte dos vegetais produzidos, especialmente a soja, são plantados para alimentar animais explorados e mortos para consumo humano.

Foto: Rodrigo Sanches/G1

De acordo com a promotora de Justiça Ione Nakamura, que trabalha para regularizar as terras da região, por falta de registro de quem ocupa as áreas, não é fácil encontrar o responsável pelo desmatamento ou qualquer outra exploração irregular da natureza. Se uma área rural é privada e está situada na Amazônia Legal, ela deve respeitar a regra de proteger 80% da floresta.

Para tentar resolver o problema, o governo criou o Cadastro Ambiental Rural (CAR) em 2012. Por meio da ferramenta, que é autodeclaratória, a pessoa diz que é dona da terra e informa dados ambientais, depois faz a confirmação junto ao governo. No entanto, há casos de sobreposição, quando duas ou mais pessoas declaram ser proprietárias da mesma terra. Em 2017, um levantamento do G1 descobriu que mais de 11 mil declarações sobrepostas em terras indígenas foram homologadas no Brasil.

“Ocupa-se a área pública, e é feito o desmatamento como forma para valorizar a terra e vender. Se uma área tem aptidão para agricultura, ela vai valer mais”, diz Tasso Azevedo, coordenador-técnico do Observatório do Clima e coordenador-geral do MapBiomas.

Fora das áreas protegidas, 39,8 milhões de hectares foram perdidos na Amazônia em 30 anos, o que representa 19% de toda a floresta natural não demarcada que existia em 1985. A perda equivale ao tamanho de 262 cidades de São Paulo. Nas áreas protegidas, perdeu-se 0,5%.

Foto: Rodrigo Sanches/G1

Segundo os dados de satélite, todos os biomas brasileiros sofrem e são transformados para servir de área para o agronegócio. Pastagem e agricultura são, hoje, 84% do que se tornou a Amazônia nos últimos 33 anos.

Segundo Caetano Scannavino, que mora na região de Santarém há mais de 30 anos e coordena a ONG Saúde e Alegria, não é possível separar a preservação da natureza da manutenção do regime de chuvas da região e, como consequência, do sucesso das lavouras.

“Se você não tem água, você não tem agricultura”, disse ele, que completou afirmando que é “contra desmatar a floresta para botar soja ou boi”.

Ambientalistas alertam para o risco do percentual de 80% de preservação da floresta em propriedades rurais sofrer alteração. Isso porque um projeto de lei (2.362/2019), apresentado por Flávio Bolsonaro (PSL) e Marcio Bittar (MDB), quer eliminar a obrigatoriedade de manter a reserva legal prevista na Código Florestal, lei 12.651, de 2012.

Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Eduardo Assad, produzir e exportar mais sem aumentar o tamanho do terreno onde está a lavoura é o modelo que vai garantir mais lucro no futuro. Assad defende o uso de terras que já desmatadas e cita um estudo recente do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), apresentado em 2014, chamado o TerraClass, que traz os números de terras que poderiam ser aproveitadas na Amazônia sem destruir mais floresta primária – isso é, que ainda não foi desmatada.

Foto: Marcelo Brandt/G1

“São 17 milhões de hectares desmatados na Amazônia em regeneração. O dado é de 2014, mas de lá para cá piorou. Além disso, são mais 10 milhões de hectares de pastos degradados só no bioma. No Brasil, são 70 milhões de hectares de pastos com baixa produtividade”, disse.

Segundo ele, 87 milhões de hectares podem ser ocupados sem a necessidade de alterar o Código Florestal. O que permitiria, de acordo com o pesquisadora, em uma estimativa conservadora, mais de 240 milhões de toneladas de grãos sem realizar novos desmatamentos.

“A maior biodiversidade do planeta está nas nossas mãos. Então, além de um privilégio, também é uma grande responsabilidade em tempos de mudanças climáticas. A Amazônia gera benefícios globais, mesmo que os custos muitas vezes sejam locais”, concluiu Caetano Scannavino.

Presidente da França oferece apoio para proteger biodiversidade do Xingu

O presidente da França Emmanuel Macron recebeu, na quinta-feira (16), a visita do líder indígena Raoni e prometeu a ele que irá apoiar a sua luta pela proteção da biodiversidade e dos povos da Amazônia. De acordo com informações divulgadas pelo Palácio do Eliseu, a França planeja sediar uma cúpula internacional de povos indígenas do mundo inteiro, que tem previsão de ser realizada em junho de 2020.

Foto: Philippe Wojazer / Reuters

Além de Raoni, outros três líderes da Amazônia – Kailu, Tapy Yawalapiti e Bemoro Metuktire -, que realizam uma turnê na Europa até o final do mês de maio, conversaram com o presidente francês durante 45 minutos no Palácio do Eliseu. Quando a reunião acabou, eles foram até os degraus do palácio e levantaram os braços. Um vídeo do encontro foi publicado no Twitter por Macron.

O objetivo da turnê de três semanas na Europa é alertar, junto à opinião pública e líderes políticos, sobre a necessidade de salvar a grande reserva do Xingu, que tem cerca de 180 mil km². As informações são da Folha de S. Paulo.

“Busco 1 milhão de euros para financiar muros verdes feitos de bambu, para delinear a grande reserva do Xingu, que tem sofrido com a intrusão permanente de traficantes de madeira e de animais, garimpeiros e caçadores, que vêm caçar em nossas terras”, disse Raoni em entrevista ao Le Parisien.

De acordo com o Eliseu, a França “apoiaria o projeto de Raoni” como parte de “seu compromisso com a biodiversidade e no âmbito da presidência do G7” este ano. Esse compromisso, que também será financeiro, vai ser anunciado posteriormente.

O desmatamento na Amazônia, que havia diminuído drasticamente de 2004 a 2012, voltou a crescer em janeiro, com uma alta de 54% em relação ao mesmo período de 2018, de acordo com a ONG Imazon.

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“Como um país amazônico” com a Guiana, “a França está naturalmente comprometida com a luta contra o desmatamento e defende os direitos dos povos indígenas, especialmente como atores-chave na preservação das florestas e da biodiversidade e, por isso, engajados na luta contra as mudanças climáticas”, ressaltou o Eliseu antes da reunião.

Macron tem demonstrado preocupação com o assunto. No ano passado, ele alfinetou Jair Bolsonaro (PSL) após a vitória na eleição sobre a possível saída do Brasil do Acordo de Paris, que prevê a redução de emissões de dióxido de carbono em escala global, e afirmou que esperava manter a cooperação bilateral no âmbito da “diplomacia ambiental”.

“É no respeito a esses valores que a França deseja levar adiante sua cooperação com o Brasil, para enfrentar os grandes desafios contemporâneos do nosso planeta, tanto no campo da paz e da segurança internacionais quanto no da diplomacia ambiental e dos compromissos com o Acordo de Paris sobre o clima”, disse Macron na época.

“A França e o Brasil mantêm uma parceria estratégica em torno de valores comuns de respeito e de promoção dos princípios democráticos”, diz o comunicado divulgado pelo Palácio do Eliseu

Raro, cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas é visto na Amazônia

Por David Arioch

Cientistas suspeitam que o número de indivíduos está caindo como resultado do desmatamento e da diminuição de presas (Foto: Reprodução)

Um animal raro, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas foi visto há alguns meses na Amazônia. Sua aparição foi registrada por uma câmera instalada por pesquisadores que estudam o comportamento animal e a realidade de espécies em extinção.

Quase do tamanho de uma raposa, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas é um animal sobre o qual se tem poucas informações, segundo vídeo publicado pela National Geographic.

“Por ser tão raro, pouco se sabe sobre ele. O comportamento, a população e a distribuição da espécie até hoje são um mistério. Cientistas suspeitam que o número de indivíduos está caindo como resultado do desmatamento e da diminuição de presas”, informa.

Brasil divulga menos de 30% das informações mais relevantes sobre a realidade da Amazônia

Por David Arioch

Entidade analisou 50 sites que fornecem ou deveriam fornecer informações sobre a Amazônia (Foto: Daniel Beltra/Greenpeace)

De acordo com informações do Instituto Centro de Vida, que avalia índices de transparência de dados ambientais sobre a Amazônia Legal, tanto por parte dos nove estados que compõem a área quanto do governo federal, os governos e órgãos públicos divulgam menos de 30% das informações mais relevantes sobre a realidade da Amazônia.

A organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP) denuncia que somente 53% das solicitações de informações sobre a Amazônia Legal são respondidas dentro do prazo ou de maneira satisfatória – o que também é apontado como um grande indicativo da falta de transparência.

Segundo o Instituto Centro de Vida, para se chegar ao percentual de menos de 30% de transparência em relação à Amazônia, a entidade analisou 50 sites que fornecem ou deveriam fornecer informações sobre a Amazônia, além de 101 solicitações de informações por meio de sistema eletrônico.

O que também pesou no resultado não foi apenas a disponibilidade das informações, mas também a qualidade, já que a OSCIP também avalia o grau de detalhamento dos dados disponibilizados, o formato e o período de atualização.

Saiba mais

A área da Amazônia Legal é formada pelos estados do Acre, Amapá, Pará, Amazonas, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Tocantins e Maranhão.

Botos da Amazônia estão ameaçados de extinção mesmo diante da proibição da caça da espécie

Foto: Green World Warriors

Foto: Green World Warriors

No início de 2000, nas profundezas da selva amazônica, o massacre começava, até os filhotes de golfinhos de água doce ou botos não foram poupados, nem as fêmeas grávidas que tiveram seus filhotes arrancados do ventre covardemente.

Sem hesitação ou remorso, esses monstros bárbaros arrancaram o bebê do útero da mãe, jogando-o para o lado como um pedaço de lixo. O Brasil aprovou uma lei com a proibição efetiva da caça, no entanto os caçadores não pararam de matar os mamíferos indefesos e no Peru, os botos são mortos apenas para servir de isca.

Foto: Green World Warriors

Foto: Green World Warriors

O boto ou golfinho cor de rosa do rio ou ainda golfinho do amazonas, como é comumente conhecido, cientificamente a espécie é identificada como Inia geoffrensis, não são caçados para servir de alimento.

Como muitos pescadores pegam peixes menores para capturar as espécies maiores, os botos são capturados simplesmente por essa razão, assim eles são mortos e divididos em pedaços de carne que depois é jogada em caixas para pegar espécies menores de peixes comumente conhecidos como piracatinga, que se alimentam de carne podre de animais mortos – neste caso, de botos.

Os massacres de golfinhos japoneses são noticiados frequentemente – mas os campos de matança dentro da Amazônia ainda permanecem na obscuridade. Alguns conservacionistas parecem não se incomodar em divulgar esse fato, enquanto os caçadores exterminam esses membros da vida aquática.

Só no início do ano passado, cerca de dois mil golfinhos do rio Amazonas foram mortos. No entanto, os grupos de conservação da Europa e da América do Sul e do Norte estão tomando posição e, entregaram uma petição de 50 mil assinaturas ao governo do país pedindo ações urgentes.

Embora esteja em vigor a proibição da caça no Brasil, ela não é suficiente para parar a matança ilegal que ocorre distante dos olhos da lei. Além disso, a caça no Peru, Equador, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiné Francesa também acontece.

Ninguém foi capaz de parar essas matanças, a população fora da Amazônia fica completamente alheia ao fato de que essa atrocidade realmente existe. A Fundação Internacional de Resgate de Animais do Brasil, além de muitos grupos menores de conservação, soube deste extermínio apenas nos últimos anos.

Quando o governo federal impôs uma proibição temporária cinco anos atrás, tudo parecia mais calmo, infelizmente a proibição da caça foi suspensa com muitos botos mortos em agosto do ano passado, e seria realmente um milagre se a espécie realmente se recuperasse antes que a proibição da caça terminasse. Mas não foi que aconteceu.

Foto: Green World Warriors

Foto: Green World Warriors

Desde o início de agosto do ano passado, o país impôs uma nova [proibição total], mas isso não explica os caçadores clandestinos e aventureiros assassinos que atualmente estão descendo os rios da Amazônia para matar botos.

Até o segundo semestre do ano [2014] a expectativa era de que mais de três e meio mil botos seriam mortos. O número pode até ser ainda maior sendo que atividade é completamente ilegal.

Mais de 60% da floresta amazônica está no Brasil e, assim, o país abriga mais golfinhos do rio Amazonas, do que qualquer outro país da América do Sul. Os botos vivem nos rios e lagos da Amazônia e entram na floresta alagada durante a alta temporada.

A Amazônia, e particularmente as florestas inundadas, são habitats ameaçados. Desde a década de 1980, a taxa de desmatamento e exploração da floresta amazônica para mineração, extração de madeira, assentamento humano e pecuária aumentou significativamente.

Essas atividades comerciais representam uma grave ameaça para os povos indígenas e a vida selvagem da região.

Boto do sexo masculino só se reproduz após os 10 anos de idade

Especialistas da região afirmam que todos os anos, na região na Reserva de Desenvolvimento de Mamirauá, a população de botos diminui em torno de 7,5%. Isso não é sustentável”, diz ele.

Segundo eles, o agravante é que os pescadores preferem os jovens golfinhos-do-rio, que quase nunca atingem a idade reprodutiva. Um golfinho macho leva 10 anos para atingir a idade reprodutiva e a fêmea entre 6 e 7 anos. A gestação leva entre 11 e 13 meses, além disso, a jovem mãe ainda alimenta os pequenos por dois anos.

A morte dos jovens botos está tendo um enorme impacto sobre as espécies de golfinhos do rio Amazonas, das quais, mesmo com uma proibição, vai resultar no extermínio de toda a espécies se o mundo não se unir agora para impor uma proibição completa na Venezuela, Peru, Colômbia e Bolívia, Guiana, Suriname e Guiné Francesa.

A alimentação do boto consiste principalmente de piracatinga, que é um bagre carnívoro comido pelos habitantes locais e tribos indígenas. No entanto, os seres humanos na Amazônia exigem 4.500 botos para colher (pescar) todos os anos a piracatinga.

Então, por que esse massacre não está sendo visto no mundo ocidental da conservação? Bem, basicamente este método de extração de piracatinga, que se tornou ilegal no Brasil em agosto de 2014, só começou em 2000. Apesar de toda a prática ser 100% ilegal, os governos e as agências de segurança estão fazendo pouco ou nada para impedir isso.

Quando o pescador captura o boto a morte do animal geralmente é feita no mesmo local desta forma o cadáver não apodrece rapidamente. O corpo do animal é então colocado em caixas de madeira que os pescadores usam para capturar o peixe piracatinga.

As caixas de carne de boto são então abaixadas na água. Os pescadores aguardam enquanto os piracatinga se aproximam para atacar as carnes mortas do golfinho de água doce em decomposição. É nesse momento que os pescadores pegam o piracatinga.

Tem sido amplamente divulgado em algumas revistas, artigos e mídias que o Brasil de fato proibiu essa prática a partir de julho 2014. No entanto, esses meios de comunicação e repórteres de imprensa – até os de base científica – podem querer visitar as selvas da Amazônia, nas quais esta prática ainda está ocorrendo e tem sido assim desde 2000.

Conservacionistas ficaram encantados ao ouvir sobre a proibição anunciada pelo governo do Brasil, uma vez que o país possui a maior parte da Floresta Amazônica. “É a maior proibição de pesca desde 1967, quando as leis originais de proteção da fauna do Brasil foram feitas”, diz Jone César, da Associação Amigos do Peixe-boi, um grupo de conservação sediado em Manaus, Brasil.
Só porque o Brasil proibiu a prática, não significa que nos rios do Equador ou do Peru, por exemplo, nos quais o boto também habita e que não estão dentro do território brasileiro, os pescadores não vão continuar matando os botos.

Além disso, até que a proibição brasileira seja completamente aplicada, é esperado que os pescadores matem mais milhares de botos para armazenar para pescas posteriores. Então, é claro, temos caçadores que podem e ainda vão desrespeitar essa proibição e, infelizmente, isso já foi visto outras vezes.

Estamos agora a muitos anos depois e o golfinho da Amazônia parece que logo estará extinto. Os botos foram classificados com o status “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em sua última “Lista Vermelha”, publicada em novembro de 2018.

Ameaçados de extinção, 12 peixes-bois são devolvidos à natureza no AM

Doze peixes-bois da Amazônia foram devolvidos à natureza na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, nas proximidades do município de Beruri, a 173 quilômetros de Manaus, no Amazonas. A espécie corre o risco de ser extinta.

A soltura desses animais, realizada no último final de semana, foi a maior já realizada na história,segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). O trabalho foi realizado em uma parceria entre o Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia (Ampa) e o Museu na Floresta. As informações são do G1.

Foto: Ive Rylo/G1 AM

Os peixes-bois soltos foram vítimas da caça ou da captura acidental, por meio de redes de pesca, de acordo com o biólogo responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, Diogo de Souza. Eles têm idades entre três e 16 anos, pesam aproximadamente 120 kg e medem, em média, dois metros de comprimento. São sete fêmeas e cinco machos.

“Os filhotes resgatados são reabilitados no Inpa em tanques de fibra. Geralmente, eles perdem a mãe para a caça ou são pegos em redes de pesca”, disse o biólogo.

A pesquisadora Vera da Silva, coordenadora do projeto, lembrou que o Programa de Reintrodução é essencial para a conservação da espécie, que está ameaçada.

“Eles são animais dóceis e com movimentos lentos, por isso acabam sendo alvos para a caça. Para restabelecer a população dessa espécie, que é muito importante para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos, a Ampa e o Inpa realizam o Programa de Reintrodução de Peixes-Bois há dez anos”, explicou.

O Inpa já reintroduziu aos rios da Amazônia 23 peixes-bois. Desde 2016, as solturas são feitas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, no qual as comunidades são parceiras do programa. A última soltura foi realizada em abril de 2018 e dez animais, sendo cinco machos e cinco fêmeas, foram reintroduzidos à natureza.

Foto: Divulgação/AMPA

“Nossa ideia é levar de maneira recorde 12 animais de uma só vez. O sucesso das solturas passadas com os animais se readaptando muito bem à natureza nos permitiu acelerar o processo”, ressaltou o responsável pelo programa.

O Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental e executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa). Tem ainda como parceiro o Projeto Museu na Floresta – uma cooperação com a Universidade de Kyoto, no Japão, e o apoio do Aquário de São Paulo.

Reabilitação e readaptação

Após o processo de reabilitação ser finalizado, os peixes-bois iniciam a readaptação, na etapa de semicativeiro em uma fazenda de piscicultura em Manacapuru. Essa segunda fase tem duração de um ano. Ao fim dela, os animais são soltos.

Souza explica que na área de soltura, a várzea da Reserva Piagaçu-Purus, os peixes-bois se alimentam sozinhos. “Eles comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso e no cativeiro, em Manaus, são alimentados prioritariamente com vegetais cultivados e capim membeca. Na Reserva, estes animais terão uma diversidade na dieta de mais de 60 espécies de plantas aquáticas”, disse.

“Os animais estão em boas condições de saúde, com peso e tamanho adequados”, afirmou Diogo Souza. “E destes doze animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, acrescentou o biólogo ao explicar que os outros sete animais serão soltos diretamente na natureza e não terão monitoramento devido ao sucesso na adaptação de outros peixes-bois que já foram reintroduzidos.

Oceano subterrâneo com 160 trilhões de metros cúbicos é descoberto na Amazônia

Um oceano subterrâneo foi descoberto na Amazônia. A reserva de água tem volume de aproximadamente 160 trilhões de metros cúbicos. A descoberta foi debatida durante a Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no campus da Universidade Federal do Acre (UFAC).

O depósito de água doce subterrânea tem volume 3,5 vezes maior que o Aquífero Guarani. Com 1,2 milhão de quilômetros quadrados, ele abrange os territórios do Uruguai, Argentina, Paraguai e Brasil. A informação é de João Lara Mesquita, publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Foto: Pixabay

A reserva subterrânea representa mais de 80% do total da água presente na Amazônia. As águas atmosféricas e dos rios amazônicos representam, cada uma, somente 8% do sistema hidrológico desse bioma.

É necessário, porém, aprimorar o conhecimento sobre o oceano amazônico para avaliar a possibilidade de uso para abastecimento humano e também para ter maiores condições de preservá-lo. Falta ter informações sobre a qualidade da água para entender se ela é apropriada para consumo.

As pesquisas sobre o Aquífero da Amazônica tiveram início há 10 anos e indicaram que ele está situado em meio ao cenário de uma das mais belas praias fluviais do país e teria um depósito de água doce subterrânea com volume aproximado de 86,4 trilhões de metros cúbicos. O aquífero começou a ser formado há cerca de 135 milhões de anos, a partir do período Cretáceo.

Denominado como Sistema Aquífero Grande Amazônia (Saga), o local tem como uns dos obstáculos para ser estudado a complexidade que possui, segundo Ingo Daniel Wahnfried, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Composto por grandes rios, com camadas sedimentares de diferentes profundidades, o reservatório de água tem áreas permanentemente livres, ao contrário do Aquífero Guarani, que é acessível apenas pelas bordas.

De acordo com Wahnfried, a água subterrânea é amplamente distribuída e disponível na Amazônia, representando 71% do abastecimento público dos 62 municípios do estado. No Acre, das 22 cidades, quatro são totalmente abastecidas com água subterrânea.

Desmatamento na Amazônia cresce 54% no primeiro mês de 2019

Dados do do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), divulgados pelo Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), indicam que o desmatamento na Amazônia Legal – território que abrange os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão – cresceu 54% em janeiro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado.

(Andre Penner/AP/VEJA)

O aumento alarmante confirma as projeções feitas por ambientalistas, pesquisadores e cientistas políticos sobre os efeitos negativos das políticas propostas pelo governo Bolsonaro. Inclusive, os municípios da Amazônia que elegeram Bolsonaro em primeiro turno foram os que mais desmataram nos últimos 17 anos.

Foram registrados 108 km² de desmatamento na Amazônia Legal, sendo o Pará o estado que mais desmatou, com 37% do total, seguido de Mato Grosso (32%), Roraima (16%), Rondônia (8%), Amazonas (6%) e Acre (1%). As informações são do Greenpeace Brasil.

De acordo com os dados, 67% do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. Outros 5% de área desmatada correspondem a Unidades de Conservação e 7% a terras indígenas, o que gera preocupação nos ambientalistas e pode indicar que a sinalização de que o novo governo irá afrouxar a fiscalização e paralisar desmarcações já tem gerado desmatamentos.

Os dados, apesar de alarmantes, já eram esperados. Isso porque Bolsonaro dava sinais claros, desde a campanha eleitoral, de que promoveria retrocessos na agenda socioambiental caso se tornasse presidente do Brasil. Logo no primeiro dia do mandato, uma medida provisória transferiu a responsabilidade pela identificação, delimitação, reconhecimento e demarcação de terras indígenas para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), comandado pela ministra Tereza Cristina, líder da bancada ruralista. Além disso, a Funai foi retirada do Ministério da Justiça e passou a ser subordinada ao novo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

Ao colocar a demarcação de terras indígenas sob a responsabilidade do MAPA, Bolsonaro gera um conflito de interesses, já que esse ministério é conhecido por defender, historicamente, os interesses da bancada ruralista, que em nome do lucro dos proprietários de terra lidera ataques às áreas protegidas do país.

“Combater o desmatamento é uma responsabilidade do Brasil e deveria ser tratada pelo governo como uma prioridade, já que esta é a principal fonte de emissões de gases do efeito estufa do país”, afirmou Carolina Marçal, da campanha de Amazônia do Greenpeace. “Ao protagonizar a imposição de uma agenda que viola os direitos dos povos indígenas e populações tradicionais, o novo governo nos conduz a um cenário ainda mais desolador de avanço da violência no campo e destruição ambiental, confirmados pelos primeiros dados do SAD”, completou.

Leonardo DiCaprio faz o #10YearChallenge com imagens da Amazônia

O ator e ativista Leonardo DiCaprio usou o #10YearChallenge para fazer um alerta sobre o desmatamento no Brasil.

Foto: Reprodução | Instragram

O ator comparou imagens aéreas da Floresta Amazônica. “Rondônia, no Brasil, originalmente tinha mais de 200 mil km² de floresta, mas se tornou um dos locais mais desmatados da Amazônia”, diz a legenda em inglês.

Além de DiCaprio, outros famosos estão aproveitando o desafio para chamar atenção do público. No Brasil, por exemplo, Anitta e Leandra Leal usaram a brincadeira para falar sério.

Foto: Reprodução | Instragram

Foto: Reprodução | Instragram

Conforme já noticiado pela ANDA, o desmatamento da Amazônia está prestes a atingir um determinado limite a partir do qual regiões da floresta tropical podem passar por mudanças irreversíveis, em que suas paisagens podem se tornar semelhantes as de cerrado, com vegetação rala e esparsa e baixa biodiversidade.

O alerta foi feito em um editorial publicado na revista Science Advances. O artigo é assinado por Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, nos Estados Unidos, e Carlos Nobre, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas – um dos INCTs apoiados pela FAPESP no Estado de São Paulo em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O sistema amazônico está prestes a atingir um ponto de inflexão”, disse Lovejoy à Agência FAPESP. De acordo com os autores, desde a década de 1970, quando estudos realizados pelo professor Eneas Salati demonstraram que a Amazônia gera aproximadamente metade de suas próprias chuvas, levantou-se a questão de qual seria o nível de desmatamento a partir do qual o ciclo hidrológico amazônico se degradaria ao ponto de não poder apoiar mais a existência dos ecossistemas da floresta tropical.