Adaptação natural protege alguns animais dos efeitos da mudança climática

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Foto: CYNTHIA MOSS LAB

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade de Southampton, na Inglaterra, aponta que a ameça em larga escala prevista para algumas espécies como resultado da mudança climática pode ser superestimada devido à capacidade de certos animais se adaptarem ao aumento de temperatura e a aridez.

Pesquisadores recentemente desenvolveram uma nova abordagem para determinar com mais precisão a vulnerabilidade dessas espécies, o que poderia ajudar os esforços de conservação, garantindo que eles foquem em espécies de maior risco. Suas descobertas foram publicadas hoje na revista científica PNAS.

Os métodos atuais para avaliar a vulnerabilidade das espécies ignoram o potencial de algumas populações de animais de se adaptarem geneticamente ao seu ambiente em mudança, significando que são capazes de sobreviver em temperaturas mais quentes e condições mais secas do que outras populações dentro da mesma espécie.

A equipe internacional de pesquisadores foi liderada pelo Dr. Orly Razgour, professor de Ecologia da Universidade de Southampton, e concentrou os estudos nos dados genômicos de duas espécies de morcegos nativas do Mediterrâneo, uma área que é particularmente afetada pelo aumento das temperaturas globais.

O Dr. Razgour disse: “A abordagem mais usada para prever o futuro dos morcegos sugere que a variedade de habitats adequados diminuiria rapidamente devido às mudanças climáticas. No entanto, isso pressupõe que todos os morcegos da mesma espécie lidem com mudanças de temperatura e climas mais secos. Da mesma forma, desenvolvemos uma nova abordagem que leva em conta a capacidade de os morcegos da mesma espécie se adaptarem a diferentes condições climáticas”.

Foto: animalspal

Foto: animalspal

Pegando amostras das asas de mais de 300 morcegos que vivem na natureza, os cientistas puderam estudar seu DNA e identificar os morcegos individuais que se adaptaram para prosperar em condições quentes e secas e aqueles que foram adaptados para ambientes mais frios e úmidos. Eles então usaram essa informação para criar modelos de mudanças na adequação climática e a distribuição de cada grupo sob futuras mudanças no clima.

Uma vez que os cientistas mapearam as áreas mais povoadas por cada grupo de morcegos adaptados, eles estudaram as paisagens entre cada área para determinar se elas permitiriam que os morcegos adaptados a seca se movessem para áreas habitadas pelos morcegos adaptados ao frio. As descobertas do estudo mostraram contudo que havia cobertura florestal adequada – elemento vital para esses morcegos se movimentarem – na maior parte das paisagens.

Graças a esta conectividade paisagística, os indivíduos adaptados às condições de seca a temperaturas mais quentes podem alcançar populações adaptadas ao frio e se reproduzir com elas, o que aumentará o potencial da população para sobreviver à medida que as condições se tornam mais quentes e secas.

“Acreditamos que se este modelo for usado para avaliar a vulnerabilidade de qualquer espécie à mudança climática, poderemos reduzir previsões errôneas e esforços de conservação equivocados. Qualquer estratégia de conservação deve considerar como os animais podem se adaptar localmente e não deve se concentrar apenas em áreas com populações ameaçadas, mas também em facilitar o movimento entre as populações. É por isso que é importante olhar para o efeito combinado das mudanças climáticas e da perda de habitat”, o Dr. Razgour concluiu.

Curitiba (PR) terá ambulância para socorrer animais em situação de emergência

A cidade de Curitiba, no Paraná, terá uma ambulância para socorrer animais em situação de emergência. O anúncio foi feito pelo prefeito Rafael Greca (DEM) através do Facebook. Segundo ele, a ambulância deve estar disponível em três meses e vai ampliar os serviços prestados pelo Centro de Atendimento de Animais em Situação de Risco (Crar).

Foto: Pixabay

“Estamos com licitação em andamento para contratar serviços de apoio veterinário e suporte às atividades do Crar, que incluirá veículo de resgate para as situações mais graves. A expectativa de prazo para que mais esse serviço entre em operação é para os próximos três meses”, escreveu Greca. As informações são da Gazeta do Povo.

O edital prevê ainda a contratação de serviços de apoio veterinário para permitir o funcionamento de um centro de atendimento para situações emergenciais, para onde os animais resgatados pela ambulância serão levados.

“A intenção é de que com o suporte, animais atropelados ou em situação de rua sejam resgatados e encaminhados a um local que tenham os serviços necessário para o atendimento emergencial”, explicou o diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna da prefeitura de Curitiba, Edson Evaristo.

O prefeito disse também que, em casos mais graves, os animais serão encaminhados aos hospitais veterinários das universidades. Evaristo, no entanto, afirmou que a intenção é que seja possível, com a licitação, contratar um serviço próprio de atendimento nesses casos.

Centro de atendimento

O Centro de Atendimento de Animais em Situação de Risco de Curitiba trabalha, atualmente, com a fiscalização de casos de animais que vivem em situação de risco. O órgão multa tutores que praticam maus-tratos a animais e também faz o resgate daqueles que não têm como permanecer sob a tutela do responsável.

“A demanda que chega para nós hoje é de animais que precisam de cuidados não emergenciais, como vacinação, castração e uso de vermífugos”, contou Evaristo.

Os animais resgatados são, depois, disponibilizados para adoção. Com a licitação, que ainda está sendo elaborada, a intenção é promover uma rotatividade de adoção. “Nós esperamos dinamizar a rotatividade de adoção. Temos vagas para 30 cães e 20 gatos, mas a intenção é que eles ganhem um lar muito mais rápido”, disse o diretor.

Interessados em conhecer ou adotar animais resgatados pelo Crar devem ir até a unidade, na rua Lodovico Kaminski, 1381, na Cidade Industrial de Curitiba. O atendimento ocorre todos os dias da semana, das 9h30 às 12h e das 13h30 às 17h30.

Projeto de lei quer tornar obrigatório o socorro a animais atropelados no Brasil

Por David Arioch

O argumento de Sabino é que muitos animais, domesticados ou silvestres, poderiam ser salvos se recebessem socorro em tempo hábil (Foto: SunnyS/Fotolia)

De autoria do deputado Celso Sabino (PSDB-BA), o Projeto de Lei 1362/19 quer tornar obrigatório o socorro a animais atropelados. A matéria do PL também prevê alteração no Código de Trânsito Brasileiro, que versa apenas sobre seres humanos enquanto vítimas.

O argumento de Sabino é que muitos animais, domesticados ou silvestres, poderiam ser salvos se recebessem socorro em tempo hábil. Com a aprovação do PL 1362/19, quem atropelar um animal terá de pagar multa, “caso não constitua elemento de crime mais grave”.

O deputado aponta que há casos em que a vítima pode ser um animal silvestre e, temendo pela própria segurança, o condutor resolve não fazer nada. No entanto, ele destaca que é responsabilidade do condutor entrar em contato com autoridades que possam fazer algo a respeito, também evitando mais acidentes no mesmo local.

O projeto de lei elaborado em março deve ser encaminhado em breve para as Comissões de Viação e Transportes; de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Constituição e Justiça e de Cidadania.

475 milhões de animais mortos nas estradas brasileiras em 2018

Aproximadamente 475 milhões de animais foram mortos nas estradas brasileiras em 2018. A estimativa do atropelômetro do Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE) é de que 15 animais silvestres foram mortos por segundo, chegando a 1,3 milhão de mortes por dia. Os maiores índices de atropelamentos se concentram em rodovias federais de pista simples.

A região Sudeste responde pelo maior número de mortes de animais por atropelamento, seguida pelas regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Cerca de 430 milhões de vítimas são animais de pequeno porte. Os de médio porte correspondem a 40 milhões e os de grande porte a cinco milhões, segundo o CBEE.

Lei que obriga estabelecimento do ramo animal a denunciar maus-tratos entra em vigor em MT

A Lei Nº 1.0872, que obriga estabelecimentos do ramo animal, como pet shops, clínicas e hospitais, a denunciar maus-tratos a animais atendidos nesses locais, entrou em vigor no Mato Grosso.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Após ser encaminhada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), a medida foi sancionada pelo governador. O Poder Executivo poderá regulamentar a fiscalização e a execução da lei.

Qualquer indício de maus-tratos deve ser denunciado, segundo a nova lei, à Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) e à Polícia Civil. A denúncia deve ser feita por meio de ofício ou comunicação digital. As informações são do portal G1.

Para o registro do caso, deve ser disponibilizado o nome, endereço e contato do responsável pelo animal presente no momento do atendimento, um relatório do atendimento prestado, no qual conste a espécie, a raça e as características físicas do animal, além da descrição do estado de saúde do animal na hora do atendimento e dos procedimentos adotados.

Maus-tratos é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais, com punição de detenção de até um ano, além de multa. Segundo a Dema, a fiscalização e o registro de denúncias já estão sendo realizados.

Embora ilegais, rinhas de animais são comuns no Afeganistão

Por David Arioch

Diferentemente das rinhas de cães na maior parte do restante do planeta, essas estavam se realizando abertamente e sem o menor receio de serem reprimidas (Foto: Jim Huylebroek / NYTNS)

Um garoto de oito anos, sentado com as pernas cruzadas na cabine de um caminhão, gritou com toda a força: “Vai lá, John Cena, vai, garoto, mostra para ele, eu quero sentir toda a sua dor!”

John Cena, no caso, não era o lutador profissional americano, mas um pastor-alemão surrado, de pelo marrom-alaranjado, cuja cabeça, naquele momento, estava enfiada nas mandíbulas de um rival durante uma briga sangrenta, uma das 13 organizadas em um estádio num único dia no mês passado, como parte da celebração do Noruz, as festividades que comemoram o ano-novo do calendário persa.

John Cena conseguiu soltar a cabeça e, em frenesi, atacou o adversário, um cachorro chamado German, até que o juiz declarasse o vencedor e os monitores da luta os separassem.

Diferentemente das rinhas de cães na maior parte do restante do planeta, essas estavam se realizando abertamente e sem o menor receio de serem reprimidas. Na realidade, havia um policial, Ahmad Fawad, em serviço.

Ele empunhava um grande bastão para manter os animais de duas pernas sob controle, nem sempre com sucesso.O local do evento era uma arena pública ao ar livre no meio de Mazar-i-Sharif, cidade no norte do Afeganistão; os ingressos custavam 50 afeganes, menos de três reais. Milhares compareceram.

Os esportes violentos que usam animais são vistos nas mais diversas formas no Afeganistão e são organizados sem controle, apesar da oposição dos mulás, que denunciam a prática como pecaminosa, e das críticas cada vez mais frequentes feitas por uma geração de jovens mais cultos que consideram essas lutas um costume detestável incentivado por comandantes militares e seus seguidores armados.

Os afegãos encenam brigas com praticamente todos os tipos de animais: cachorros, galos, camelos, canários, tentilhões, codornas, pombos. Embora as rinhas de cachorro e pássaros sejam tecnicamente ilegais, as multas chegam a modestos 150 dólares (600 reais) – uma fração das somas apostadas regularmente.

Nos ainda mais populares jogos de buzkashi, os cavalos não lutam entre si, mas os ferimentos aparecem aos montes, visto que os animais mordem, escoiceiam e chutam. Além disso, os condutores os açoitam, e uns aos outros, com chicotes nesta que poderia ser descrita como uma versão particularmente perversa do polo.

Era possível encontrar uma abundância dessas atividades durante o Noruz. Para a briga de cachorros, por exemplo, é o fim da temporada, pois a maioria das lutas se realiza durante o inverno. Os proprietários dos cães acreditam piamente que o frio protege os inúmeros ferimentos dos animais de infecções. Lutar no calor, segundo eles, seria desumano.

O confronto no estádio em Mazar atraiu donos de cachorros de todo o Afeganistão, com prêmios variando entre 65 dólares (260 reais) e mais de 20 mil dólares (80 mil reais). Normalmente, os donos acordam um valor a ser pago pelo perdedor ao vencedor. As apostas extraoficiais, usualmente consideráveis, são feitas pelos espectadores.

Naquele dia, à medida que a multidão se formava, jovens garotos organizavam combates rápidos de treino com os cachorros; um cão mais fraco ajuda o dominante a entrar no clima de luta. A maioria dos cachorros lutadores era grande e de raça mista, alguns tão fortes que eram necessários um cabresto, uma coleira e dois homens para contê-los.

Vendedores circulavam com bandejas na cabeça, repletas de chamuças e doces, enquanto latidos implacáveis ressoavam de todos os cantos. Os monitores lavavam os cachorros prestes a lutar para garantir que nenhum tivesse recebido camadas de pesticidas ou pimenta em pó para evitar mordidas.

As multidões da celebração do Noruz e todo o dinheiro das apostas não atraem apenas donos de cachorros. Wais Qasab entrou calmamente no estádio com seus cinco camelos de luta, incluindo um preto enorme de 2,5 metros de altura, que, como informou, era seu campeão.

Ele contou que consegue reproduzir animais desse tamanho cruzando um macho da espécie camelo-bactriano, ou camelo de duas corcovas, com uma fêmea da espécie dromedário, camelo árabe ou de uma corcova. Os machos bactrianos são mais agressivos; os árabes, mais altos, disse.

Ele mostrou vídeos no celular de embates passados; os animais parecem lutar usando o longo pescoço até um se render e sair correndo. “Um bom camelo de luta pode chegar a valer 200 mil dólares (800 mil reais)”, garantiu Qasab, que saiu sem brigar, já que o adversário esperado não apareceu.

No entanto, havia lutas de cachorro em excesso, um espetáculo em que os donos dos animais praticamente participam do combate, dando tapas na bunda dos cães e os empurrando de volta à luta com gritos de incentivo.

Os duelos terminam quando os juízes decretam que um dos animais está exibindo comportamento submisso; eles raramente lutam até a morte, em parte porque os cachorros vitoriosos são valiosos demais para serem submetidos a ferimentos graves.

Tofan Satari, de 18 anos, estava entre os primeiros a lutar naquele dia, e seu cachorro, Shiraz, venceu o quinto confronto; ele tinha cicatrizes suficientes para comprovar o feito. Na casa de Satari, o animal tem seu próprio quarto e nunca brinca com as crianças. “Não seria uma boa ideia”, justificou.

Foi então que uma briga começou no estádio – entre dois homens. Os respectivos cachorros tinham acabado de terminar uma luta e os juízes declararam vitória do marrom-claro Bee sobre o preto Leopard. O dono deste, Akbar, se recusou a pagar e estava sendo vaiado pela multidão com os dizeres “Akbar perdedor”. O vitorioso, Javed, entrou no coro e ambos trocaram socos. O que se viu a seguir foi um tumulto generalizado envolvendo centenas de pessoas.

“Os cachorros não são os únicos animais aqui”, declarou um dos espectadores. Ele não quis dar o nome, mas disse que era um estudante universitário e garantiu que aquela era sua primeira e última luta de cachorros.

Em qualquer outro lugar, tal aversão é comum. Um vendedor de livros da Mesquita Azul de Mazar, Aziz Ibrahimi, disse que nunca assistiu a uma luta de cachorros ou a uma partida de buzkashi. “É desumano, selvagem e nocivo aos animais”, disse, e acrescentou:

“Nós nos denominamos um país muçulmano, mas isso não é algo que o Islã defende. Os que apoiam esportes desse tipo são, em sua maioria, pobres e analfabetos, ou ricos que ganharam dinheiro de maneira ilícita, como os milicianos.”

Ismat Afghan, de 21 anos, estudante, prefere a pista de boliche local ao campo de buzkashi. “Não é justo machucar animais dessa maneira. Não gosto e não assisto.” Os entusiastas das brigas de cachorros adotam uma postura defensiva quanto ao passatempo, apesar da aparente impunidade.

Muitos proibiram estranhos de fotografar ou filmar – mesmo que eles estivessem fazendo muitas fotos e vídeos deles mesmos. “Se vocês, jornalistas, fizerem registros, vai aparecer na televisão e eles vão proibir os jogos”, argumentou Mohammed Alim, de 30 anos, que veio de Kunduz para ver as rinhas de cachorros.

Após lutar, Bee estava mancando muito. Javed Masjidi, de 33 anos, o dono, afirmou que o cachorro ama brigar e que é bem tratado; recebe mais proteína na dieta do que o próprio Masjidi e sua família. Ele trabalha em uma fazenda, onde o cachorro é alimentado com sobras dos matadouros, um litro de leite por dia e meia dúzia de ovos. O treino físico diário inclui caminhadas de quatro horas.

“Os mulás reclamam muito, dizem que é pecado; por isso, fazemos onde eles não podem ver”, confessou Masjidi. O mulá Abdul Basir Bahrawi esclareceu que quase não há dúvidas de que o Islã proíbe qualquer jogo que fira ou mate animais, brigas de cachorros em particular.

Entretanto, levantou uma questão: será que competições violentas, como o buzkashi, são piores do que os combates enjaulados ou as lutas profissionais dos Estados Unidos? “Após 40 anos de guerra, muita coisa se quebrou por aqui”, concluiu.

Reportagem especial de Rod Nordland, publicada originalmente no The New York Times no último dia 30 com o título “In Afghan Blood Sports, the Animals Aren’t the Only Ones Fighting”.

Tecnologia brasileira pode reduzir testes em animais na indústria farmacêutica

Por David Arioch

Tecnologia tem o intuito de ser mais ética porque reduz o número de testes em animais (Foto: Getty)

Cientistas brasileiros do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem) estão desenvolvendo miniórgãos que podem reduzir os testes em animais na indústria farmacêutica. Os organoides são feitos com células humanas, em escala micrométrica, e exercem a mesma função de órgãos humanos como intestino e fígado.

Para avaliar a eficácia dos miniórgãos, o Cnpem já realizou testes utilizando paracetamol, que é uma droga farmacológica bastante consumida no Brasil e sobre a qual se tem uma gama de informações em relação aos efeitos em humanos.

“O que a gente conseguiu mostrar nesse estudo inédito foi que o intestino artificial que a gente construiu em laboratório, bem como o fígado, se comportaram de maneira semelhante ao corpo humano”, explica a pesquisadora Talita Marin.

E acrescenta: “Ou seja, o nosso intestino conseguiu absorver o paracetamol e o fígado metabolizou esse paracetamol e também demonstrou efeitos tóxicos do paracetamol, como acontece no ser humano também.”

De acordo com a pesquisadora, os miniórgãos reproduzem as funções biológicas e genéticas do organismo humano com muita semelhança. Nesse sistema, os órgãos foram conectados entre si por um fluxo sanguíneo e ligados a equipamentos que reproduzem as condições fisiológicas do corpo humano.

“Essa tecnologia que nós estamos implementando e desenvolvendo tem esse intuito, de ser um teste mais robusto, diminuir o custo do desenvolvimento de medicamentos e, ao mesmo tempo, ser mais ético, porque reduz o número de [testes em] animais”, enfatiza Talita Marin e acrescenta que o próximo passo é testar outros medicamentos de efeitos bem conhecidos utilizando o mesmo modelo.

Vereador pede apoio para PL que prevê proibição do comércio de animais domésticos em SP

Por David Arioch

“As vidas animais também não têm preço, animais não devem servir a interesses humanos de exploração” (Foto: Reprodução)

Protocolado na Câmara Municipal de São Paulo, o Projeto de Lei 115/2019, de autoria do vereador Celso Giannazi (PSOL), quer acabar com a comercialização de animais em estabelecimentos da capital paulista.

“Esse projeto é um passo em direção a uma sociedade que respeite os direitos dos animais, especialmente desses que tanto nos acompanham. As vidas animais também não têm preço, animais não devem servir a interesses humanos de exploração, não são mercadorias, e adotar é um ato de amor”, enfatiza Giannazi.

Por meio do projeto, o vereador estabelece normas gerais sobre a proibição da comercialização de animais de estimação em São Paulo. “Expostos como mercadorias em vitrines, eles são alienados do convívio familiar e social, além de sofrerem abusos e maus-tratos. São inúmeras as denúncias, como o confinamento em jaulas ou locais pequenos e abafados”, aponta.

Atualmente Giannazi está pedindo apoio ao projeto de lei 115/2019. Para apoiá-lo, clique aqui ou acesse naoavendadeanimais.celsogiannazi.com.br.

Bebê orangotango é resgatado após passar quase um ano em gaiola minúscula

Budi, o orangotango bebê resgatado | Foto: One Green Planet

Budi, o orangotango bebê resgatado | Foto: One Green Planet

O pensamento ignorante que algumas pessoas infelizmente partilham de que ter um animal doméstico exótico não é diferente do que cuidar de um cão ou gato, é o que alimenta uma indústria sórdida e cruel de venda de animais selvagens. Além de tudo, essas pessoas não poderiam estar mais erradas.

O fato é que animais selvagens pertencem à natureza e só a ela. As pessoas geralmente desejam a companhia de animais exóticos e selvagens sem o devido conhecimento de sua dieta ou necessidades especificas e sociais, o que faz com que esses animais fiquem doentes e incrivelmente angustiados.

Foto: One Green Planet

Foto: One Green Planet

Mesmo cuidadores que podem fornecer espaços enormes e uma dieta adequada nunca são capazes de reproduzir a vida na natureza. Porque é impossível reproduzir a condição de uma vida em liberdade.

Animais selvagens nasceram para ser livres, condição sob a qual podem prosperar, ao lado de seus iguais e nos seus habitats naturais, podem escolher seus caminhos, buscar por seu alimento, conviver em sociedade e serem felizes.

Sim animais são capazes de felicidade. Não só desse sentimento como também de alegria, tristeza, amor, criação de vínculos duradouros, luto por perda e sofrimento.

Essa capacidade foi denominada com o termo senciência animal e corroborada cientificamente em 2012 por uma ampla gama de cientistas do mundo todo que assinaram a declaração de Cambridge.

Ao serem submetidos à exploração e ganância humanas esses animais sofrem, sentem e compreendem o que estão vivendo e o mundo ao seu redor.

Foto: One Green Planet

Foto: One Green Planet

E sofrimento foi tudo o que conheceu desde que nasceu, Budi, o orangotango bebê, que infelizmente, foi mais uma vítima do comércio de animais exóticos e passou os primeiros 10 meses de sua vida trancado em uma gaiola usada para manter galinhas em cativeiro e alimentado apenas com leite condensado.

Os orangotangos são espécies altamente ameaçadas e, muitas vezes, são vítimas do comércio de animais domésticos, à medida que os seres humanos penetram mais em seu habitat nativo.

Na natureza, os orangotangos são totalmente dependentes de suas mães para serem cuidados – como uma criança humana – e não deixam o lado da mãe até que atinjam sua adolescência. O ex tutor de Budi não sabia quais eram suas necessidades e achava que o leite era a melhor opção.

Felizmente, Budi foi descoberto pela International Animal Rescue (IAR) e está agora, pela primeira vez na vida, recebendo os cuidados de que precisa. O pobre Budi esta sofrendo de desnutrição e seus membros e corpo estão extremamente inchados, o que lhe causa uma imensa dor. Seus cuidadores explicam que apesar de sua dor, Budi é um lutador nato e está progredindo pouco a pouco.

Será um longo caminho para a recuperação total de Budi, mas ele está em mãos perfeitamente capazes. Quando Budi estiver forte o suficiente, é provável que ele se junte a um grupo de outros jovens orangotangos que vivem no centro de resgate do IAR.

Esses pequenos orangotangos vão para a “escola”, onde aprendem como fazer ninhos, procurar comida e todas as outras habilidades que precisam para sobreviver na natureza.

O objetivo final do IAR é liberar os animais sob seus cuidados de volta a um habitat silvestre seguro, onde eles possam viver como orangotangos regulares.

Norte da Inglaterra é considerado o epicentro da revolução vegana

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

O norte da Inglaterra pode se tornar o epicentro da “revolução vegana” se a empreendedora e também celebridade, Heather Mills, conseguir realizar seu intento.

A ativista e empresária – que afirma que o veganismo a salvou depois que ela perdeu a perna em um acidente de carro – comprou fábricas em County Durham e Northumberland (Inglaterra) para sua marca de alimentos baseada em vegetais, a VBites.

A empresa – que oferece peixe, bacon, frango, hambúrgueres veganos e queijos sem laticínios – está em operação há mais de 25 anos e afirma oferecer mais variedade do que qualquer outra marca do gênero no mercado.

Mills diz que os produtos VBites possuem alta demanda, não apenas no Reino Unido, mas também de empresas no exterior. As novas fábricas permitirão que a marca atenda a essa demanda crescente e impulsione a economia também, criando centenas de empregos para os trabalhadores locais.

“O que temos é que cada grande empresa do mundo está chegando até nós por nossos produtos, só precisamos expandir”, disse Mills em uma conferência para empreendedores em Gateshead esta semana, de acordo com o Chronicle Live. “Nossa única limitação é o fluxo de caixa e a compra das máquinas, mas nós estamos trabalhando nisso e vamos fazer acontecer.”

Ela acrescentou: “Eu coloquei tudo na VBites e fazer acontecer só depende de encontrar alguém que seja tão corajoso quanto eu”.

Carne vegana no norte

A VBites não é a única marca que fabrica grandes fábricas sem carne naregião.

A popular marca vegetariana e vegana Quorn abriu a maior fábrica de carne vegetariana do mundo em Teesside no ano passado. No momento da abertura, a instalação havia sido projetada para produzir mais de um milhão de produtos a cada semana, o que equivale a poupar a vida de cerca de 1600 vacas.

A nova fábrica foi necessária depois que a Quorn superou a capacidade em seu espaço em Stokesley, North Yorkshire. O CEO Kevin Brennan disse na época que “estamos crescendo a 15% a cada ano e planejamos crescer a uma taxa a cada ano”. A empresa pretende ser uma empresa de £ 1 bilhão até 2027.

“Temos um interessante canal de produtos apto para crescer no Reino Unido”, acrescentou Brennan. Desde o anúncio da nova fábrica, a Quorn lançou um novo hambúrguer vegano “que sangra”, filés de peixe vegano, e fez uma parceria com a rede de padarias Greggs para fazer seu best-seller de salsicha vegana.

Epicentro vegano

A revista Time Out London publicou uma pesquisa recente que aponta que 36% dos londrinos estão reduzindo seu consumo de carne

“Uma loja vegana de salgadinhos e batatas fritas, um pub totalmente vegano e uma loja de frango frito vegana são apenas alguns exemplos da tendência que vem tomando conta de Londres nos últimos anos – e parece que a demanda está realmente crescendo”, observa a Time Out.

De acordo com o Índice Time Out deste ano, “mais de um terço dos londrinos estão ingerindo uma alimentação mais rica em vegetais. A pesquisa mostra que 5% dos londrinos são veganos, 11% são vegetarianos e 20% estão reduzindo a carne. Isso dá um total de 36% se somados todos que mudaram ou estão migrando para um consumo menor de produtos de origem animal”.

Veganismo por idade

De acordo com o estudo, os londrinos mais jovens, com idades entre 18 e 27 anos, tem quase o dobro de probabilidade de serem vegetarianos e três vezes mais de serem veganos, em comparação aos idosos com mais de 58 anos.

A tendência reflete a mudança que vem sendo acusada em dados coletados no mundo todo, mostrando que as gerações mais jovens estão diversificando suas opções de proteína e produtos lácteos, especificamente optando por incluir carne vegana, leite e produtos derivados de ovos.

Eles tem reduzido ativamente o consumo de produtos de origem animal, principalmente em função de preocupação com o meio ambiente, saúde e maior conscientização sobre o tratamento antiético que sofrem os animais.

Reino Unido vegano

Londres, em particular, tem dado provas de ser um epicentro vegano. As principais redes de supermercados do país – Tesco, Sainsbury’s e Waitrose – têm ofertas veganas variadas, incluindo produtos de marca própria, assim como uma ampla oferta das principais marcas veganas.

Os restaurantes no Reino Unido continuam aumentando suas ofertas de opções veganas também. O McDonald’s recentemente adicionou Happy Meals e sanduíches veganos aos cardápios do Reino Unido.

E depois do sucesso de um teste durante Veganuary – campanha com duração de um mês que encoraja as pessoas a se tornarem veganas que acontece em janeiro – a Pizza Hut tornou a pizza vegana de jaca um item permanente do cardápio em todos os restaurantes do Reino Unido.

O teste foi tão bem-sucedido que a rede também expandiu suas ofertas veganas, incluindo um cardápio de três pratos que, além das opções de pizza vegana, apresenta pãezinhos do tipo ‘Jack’ N ‘Rolls recheados com chili doce, jaca grelhada e queijo vegano e até uma opção de sobremesa vegana: Bolinhos de canela, cobertos com gotas de açúcar congelado.

A rede de restaurantes, Wetherspoons, que atende um público “estilo família” em sua cadeia de lojas, também aumentou as opções veganas, adicionando até mesmo cervejas veganas ao seu cardápio para a próxima Ale and Beer Fest (Festival de Cervejas) no Reino Unido.

Estudo da compreensão do comportamento animal pode ajudar na conservação da vida selvagem

Foto: Arpat Ozgul/University of Zurich

Foto: Arpat Ozgul/University of Zurich

O avanço nas tecnologias dos sensores permitiu que os biólogos de campo, possam agora coletar uma massa crescente de dados cada vez mais precisos sobre o comportamento animal. No entanto, não há atualmente nenhum método padronizado para determinar exatamente como interpretar esses sinais.

Pegando os suricatos como exemplo. Um sinal de que o animal está ativo pode ser o fato de que ele está se movendo; já quando feito alternativamente, pode indicar que está cavando em busca de sua presa favorita: escorpiões. Da mesma forma, um suricato imóvel pode estar descansando – ou vigiando, conforme informações do Science News.

Em um esforço para responder a essas perguntas, pesquisadores do Laboratório de Análise e Medição de Movimento (LMAM) da EPFL se uniram a colegas do Grupo de Pesquisa em Ecologia da População da Universidade de Zurique para desenvolver um modelo de reconhecimento de comportamento. A pesquisa foi realizada em conjunto com o Centro de Pesquisa Kalahari.

Avaliando o impacto humano na vida selvagem

“A atividade humana tem um impacto cada vez maior e mais frequente no comportamento animal”, diz Pritish Chakravarty, estudante de doutorado no LMAM.

“Uma vez que entendemos como o comportamento animal muda em resposta a estímulos externos, podemos moldar melhor nossos esforços de conservação”, diz Chakravarty.

O doutorando explica, por exemplo, que as autoridades podem designar áreas de alimentação e caça conhecidas como áreas protegidas. “Mas isso só pode acontecer se soubermos com alta precisão quais sinais significam que o animal está procurando comida, mudando de localização ou engajado em uma atividade estática”.

Uma nova abordagem biomecânica

O novo modelo baseia-se em princípios biomecânicos gerais, como postura, intensidade de movimento e frequência. Ele permite que os pesquisadores determinem com precisão o que um animal está fazendo – descansando, vigiando, correndo ou procurando comida – usando informações de um acelerômetro portátil.

O dispositivo, que é compatível com uma variedade de espécies, teve seu propósito inicial adaptado pela equipe de pesquisa do LMAM, para capturar dados como inclinação do corpo, aceleração, vibrações e impactos.

Primeiro, o modelo distingue entre duas categorias amplas de comportamento – dinâmico (corrida, busca de comida) e estático (descanso, vigilância) – pela análise da intensidade do movimento e da postura.

Se o animal estiver parado, os pesquisadores podem dizer se ele está descansando ou vigiando, ao observar a inclinação de seu tronco. E quando o animal está em movimento, ele pode usar a intensidade e a frequência do movimento para determinar se ele está correndo ou procurando comida.

Dados de campo

O trabalho de campo foi realizado por voluntários especialmente treinados, durante um bom tempo, no Centro de Pesquisa Kalahari. A equipe colocou coleiras de sensores em 10 suricatos, registrou dados e filmou os animais durante três horas.

Depois de analisar as gravações para identificar diferentes tipos de atividade, os pesquisadores desenvolveram um modelo híbrido, usando princípios biomecânicos e os dados coletados em campo para treinar o algoritmo de aprendizado (software) para reconhecer diferentes padrões de comportamento.

O trabalho dos pesquisadores marca o primeiro passo na construção de um método padronizado para analisar o comportamento animal a partir de sinais captados por um acelerômetro. O modelo pode ser refinado para produzir informações mais precisas e detalhadas sobre comportamentos específicos em estudos futuros.

“O modelo de análise poderia ser usado, por exemplo, para fornecer uma estimativa de quanta energia um animal gasta procurando por comida”, diz Chakravarty. “Isso nos diria quanto tempo e esforço é necessário para um suricato encontrar algo para comer e se um determinado ponto é de interesse particular para o grupo todo.”

O Kalahari Research Center foi criado em 1993 pela Universidade de Cambridge e é palco de vários projetos de pesquisa.