Quatro animais desapareceram da América Latina nos últimos 15 anos

Apesar dos esforços de ONGs de defesa animal, quatro espécies desapareceram por completo da América Latina nos últimos 15 anos, devido à ação humana.

Ararinha-azul (Foto: Getty Images)

Uma dessas espécies é a ararinha-azul. Famosa por ter sido um personagem da animação Rio, ela foi extinta no habitat em 2000 devido ao desmatamento e a caça. No entanto, segundo um estudo de setembro de 2018 da organização Bird Life, ainda restam entre 60 e 80 ararinhas em cativeiro. Em 2016, uma ave da espécie foi vista em liberdade, na natureza, em Curaçá, na Bahia. A origem dela é um mistério. As informações são do UOL.

A tartaruga gigante de Galápagos é outro animal que sumiu da América Latina. A última tartaruga, que vivia nas ilhas Galápagos, no Equador, e era conhecida como George Solitário, morreu de velhice, com mais de 100 anos, em 2012. A caça para consumo da carne do animal o levou à extinção.

Tartaruga gigante de Galápagos (Foto: Getty Images)

O início da ação humana contra essa espécie teve início no século 18, quando piratas descobriram que as tartarugas conseguiam sobreviver em navios sem água e comida por meses. A partir de então, os navegadores que frequentaram Galápagos no século 19 começaram a capturar grandes quantidades de tartarugas vivas para levá-las nos barcos e consumir a carne delas, segundo Linda J. Cayot, da organização Galapagos Conservancy.

Sapo dourado (Foto: Getty Images)

Além da caça, outros fatores interferem na sobrevivência das espécies. Como é o caso do sapo dourado, que desapareceu devido às mudanças climáticas. Esse animal precisa de um certo nível de umidade para se reproduzir, por isso alterações no clima extinguiram a espécie, que vivia nos pântanos da floresta nublada em Monteverde, na Costa Rica. O habitat desse animal secou por causa de uma mudança drástica na temperatura da região, que impediu a formação da neblina que protegia a espécie, segundo informações do Centro Científico Tropical da Costa Rica. Em 1989 foi última vez em que a presença do anfíbio foi registrada. Em 2008, uma expedição buscou por sobreviventes da espécie, mas não encontrou nenhum.

Entre os animais que desapareceram na América Latina também está a foca-monge-do-caribe, um mamífero marinho que nadava pelas correntes do Golfo do México e foi declarado extinto em 2008. Causas humanas causaram a extinção, de acordo com a Administração Nacional Atmosférica Oceânica (NOAA, na sigla em inglês). Essas focas eram caçadas pela indústria pesqueira e tinham sua pele e gordura comercializadas.

Foca-monge-do-caribe (Foto: NOAA)

Governo se mantém reticente quanto a proibição da importação de troféus de caça

Foto: wildwatch

Foto: wildwatch

Junto com os Estados Unidos, o Reino Unido é um dos maiores importadores de troféus do mundo, sendo responsável pelo extermínio de milhares de animais indefesos, alimentando um mercado de criação e reprodução de espécies destinadas apenas para este fim e impulsionando uma indústria sórdida e cruel que lucra com a morte.

Alguns desses animais, como os leões, são catalogados como produtos e vendidos em menus pela internet, onde são escolhidos para serem mortos por valores altíssimos. Uma vez selecionados eles são soltos em áreas cercadas junto com seus caçadores assassinos para correr por sua vida, numa batalha já perdida.

Proibições da importação de pedaços dos cadáveres desses animais (ou do corpo todo), vistos por seus assassinos como troféus, representariam um passo importante em defesa dos animais. Os governos tem esse poder nas mãos.

Recentemente o secretário do meio ambiente do Reino Unido, Michael Gove deu passo importante em prol dos direitos animais ao anunciar a introdução do projeto de lei que criminaliza a exploração de animais selvagens em circos.

Mas o político é enfático em dizer que não tem planos para proibir a importação dos sanguinários troféus de caça.

O secretário afirma que a medida envolve um “delicado equilíbrio de interesses”.

Falando em entrevista ao conservacionista Kevin Pietersen, na BBC Radio 5 Live, Gove disse que havia sido aconselhado por instituições de caridade a “ser cautelosos” em seguir outros países e proibir a prática polêmica de importar partes de animais resultantes de caçadas raras, muitas vezes de animais ameaçados de extinção.

O ex-jogador de críquete da Inglaterra, e também apresentador do programa, Kevin Pietersen, deixou sua carreira de rebatedor para perseguir sua paixão pela conservação das espécies e prometeu fazer o governo britânico mudar sua posição em permitir que os caçadores de troféus importem suas vítimas.

Pietersen abordou o ministro sobre a caça de espécies em extinção, especialmente o rinoceronte, em sua terra natal a África do Sul.

Nascido na África do Sul, o ex-jogador de críquete da Inglaterra recentemente filmou um documentário sobre a caça ao troféu depois que o leão Cecil foi morto no Zimbábue em 2015.

Na entrevista, ele pergunta a Gove por que o Reino Unido não seguiu outros países, como Austrália, França e Holanda, e impôs a proibição de troféus.

Gove responde que foi aconselhado por conservacionistas e ONGs a proceder com cautela. Ele diz: “Não entre com os dois pés no peito no Reino Unido e diga às pessoas em cada um desses países como devem regular sua própria vida selvagem”, disse ele.

“Em um nível emocional e pessoal, acho difícil de entender. Mas você sabe que também reconheço que tenho que respeitar se há especialistas, que dizem que fazer isso de uma maneira gerenciada pode ajudar a vida selvagem em geral, então vamos apenas testar isso”.

Atualmente, se um caçador de troféus quiser trazer uma lembrança de sua caça de volta para o Reino Unido, eles poderiam fazê-lo, com uma permissão especial.

Um movimento entre os partidos chamado Early Day Motion, assinado por mais de 159 deputados, também pediu ao governo do Reino Unido que pare com as importações de espécies ameaçadas de extinção.

Gove disse: “Eu acho que há uma força crescente lutando para que a lei mude. Mas o que eu não quero fazer é atropelar as coisas”.

O político se justifica: “Eu não quero estar em uma posição em que esteja correndo tão longe e antes das ONGs e outros líderes querem, que possa arriscar o bom relacionamento construído ao longo do tempo”.

“Como muitas áreas de conflito, este é em parte um processo de educação e em parte um processo de diálogo”.

Durante a entrevista, um espectador e caçador de troféus disse a Pietersen que o esporte é emocionante e ajuda na conservação: “Matar um elefante é uma coisa incrível de se fazer, é uma coisa absolutamente impressionante, e é por isso que eu o fiz”.

“Eu quero tentar preservar esses lugares selvagens na África. Mas a única maneira de serem preservados é se houver dinheiro. Se não pagar, não há como. É tão simples quanto isso”, disse o caçador.

Os clientes, principalmente da Europa ou dos EUA, pagam muitas vezes milhares de libras e dólares para participar de uma caçada e guardam um “troféu” – geralmente a cabeça, a pele ou outra parte do corpo.

Em 2018, mais de 50 celebridades – incluindo os cantores Ed Sheeran e Liam Gallagher – assinaram uma carta aberta em apoio à Campanha para Proibir a Caça ao Troféu, instando o governo a banir os caçadores de troféus da importação de partes do corpo para a Grã-Bretanha.

Celebridades apoiam os direitos animais em evento da ONG Humane Society

Foto: HSUS

Foto: HSUS

As cantoras Kesha e Leona Lewis estão entre as estrelas que estiveram presentes no evento de apoio aos direitos animais organizado pela ONG Humane Society of the United States (HSUS) este ano.

A entidade realizou o baile de gala chamado de To The Rescue (Ao resgate, na tradução livre) de 2019 em Los Angeles, no Paramount Studios, com o objetivo de aumentar a conscientização sobre as campanhas da organização de proteção aos animais que visam proteger especialmente os animais de fazenda, conhecidos também como animais de criação.

Cerca de 300 amantes de animais, alguns vestidos com peles artificiais e couro vegano, juntaram-se ao baile de gala para mostrar seu apoio à causa e ao esforço da HSUS, bem como homenagear Wallis Annenberg e Kesha por seu trabalho dedicado ao bem-estar animal.

Falando sobre Kesha, a HSUS disse em um comunicado: “Estamos honrados em apresentar a superstar indicada ao Grammy [Kesha] com o Prêmio Voz para os Animais em nosso baile anual de gala”.

“Por meio de sua paixão pelo ativismo animal, Kesha trouxe à tona vários problemas relacionados ao bem-estar e a proteção dos animais, incluindo testes de cosméticos em animais, barbatanas de tubarão, a caça às focas canadenses e muitos outros”, disse a ONG.

“Não temos como agradecer o suficiente por ela usar sua notoriedade para falar por aqueles que não tem voz”.

A CEO da HSUS, Kitty Block, falou sobre a importância de reconhecer o trabalho que visa ajudar os animais, incluindo aqueles reproduzidos e criados exclusivamente para consumo humano.

“Todas essas empresas aqui presentes estão se esforçando para fazer a coisa certa para os animais”, disse Block ao The Hollywood Reporter. “É emocionante ver o poder do consumidor”.

Outras estrelas que se juntaram ao evento foram Leona Lewis, ativista dos direitos animais e dos músicos, que se apresentou cantando na festa, assim como a atriz e cantora Bellamy Young, que foi uma das anfitriãs e organizadoras da festa.

Young, que é vegana e apoiadora da HSUS desde a faculdade, falou sobre sua jornada rumo ao veganismo e sobre como as pessoas podem ajudar os animais.

“Isso não significa que as pessoas precisam ser veganas a qualquer preço, quer dizer apenas que comer de forma ética, comer conscientemente, talvez cortar carne algumas vezes por semana, pode fazer uma grande diferença”, disse ela em entrevista ao The Hollywood Reporter. “Uma atitude simples pode mudar o futuro das pessoas que estão vivas hoje e o de todos os que ainda virão ao mundo”.

A primeira homenageada da festa foi Wallis Annenberg, presidente da Fundação Annenberg, que recebeu o prêmio HSUS “Lifetime Achievement” (Conquistas de uma Vida, na tradução livre).

A filantropa de Los Angeles falou sobre o esforço de sua fundação para ajudar todos os animais, incluindo cães e gatos que se beneficiam dos serviços do Annenberg PetSpace em Playa Vista, bem como da vida selvagem no sul da Califórnia.

“Eu acho que vale a pena gastar um milhão de vezes mais para obter toda aquela alegria, amor e gratidão em troca”, disse ela em seu discurso de aceitação do prêmio.

A segunda homenageada da noite foi Kesha, que recebeu o “Prêmio Voz para os Animais”.

Kesha | Foto: HSUS

Kesha | Foto: HSUS

“Eu só vou falar sobre meus gatos”, Kesha brincou ao subir ao palco e aceitar o prêmio. “A primeira vez que senti amor incondicional verdadeiro – não posso dizer que foi por um membro da família – foi quando eu saí de um lugar em que estava fazendo um show, era um clube de striptease, eu saí de lá e havia um gatinho bebê pequenino e frágil miando em uma lata de lixo.

“Meu instinto falou mais alto na hora, eu simplesmente o agarrei e disse: ‘Eu não posso deixar você aqui’, meu baterista disse: ‘Não toque nisso, ele é um gato do lixo’ e eu respondi: ‘Você que é um lixo de pessoa, nós vamos levar o gato embora e pronto”.

Kesha terminou seu discurso anunciando que planeja criar um filme que dará voz aos animais. Ela também pediu que os participantes contribuam com o projeto para ajudar os animais do mundo todo.

Audiência: protetores defendem PL que proíbe venda de cães e gatos

Protetores de animais defenderam o projeto de lei que proíbe a venda de cães e gatos em Santos (SP) durante audiência pública realizada no auditório da Câmara Municipal na terça-feira (7). Donos de canis e de comércios do ramo animal também participaram do evento.

Foto: Pixabay

Os criadores e comerciantes que participaram da audiência defenderam a regulamentação da prática para coibir maus-tratos a animais, não a proibição da venda. Segundo o vereador Benedito Furtado, autor do projeto, “muita gente trabalha com isso” e “tudo vai ser analisado”. As informações são do portal G1.

“Em todas as áreas há profissionais que não seguem as regras. O mesmo acontece com o setor pet. Tem criadores ruins, mas é preciso que haja fiscalização para coibir isso”, disse Martina Campos, diretora-executiva do Instituto Pet Brasil, entidade que congrega a indústria e o varejo de comércios brasileiros do ramo animal.

Os protetores de animais, no entanto, que defendem que seres vivos não podem ser tratados como mercadorias e que casos de maus-tratos não deixarão de existir enquanto houver comércio de animais, posicionaram-se favoráveis ao projeto.

De acordo com Furtado, a audiência foi tumultuada. “Quando você mexe com interesse financeiro, econômicos, é complicado. A audiência foi muito concorrida, nós vemos uma incompatibilidade ao amor, fidelidade, com a questão do dinheiro”, explicou.

O projeto segue agora para comissão e, de acordo com o vereador, poderá ser submetido a alterações. Em seguida, a proposta será encaminhada para votação na Câmara Municipal de Santos.

Bodes são resgatados de matadouro clandestino e homens são presos

Dois bodes vivos foram resgatados de um matadouro clandestino em Olinda (PE), nesta quinta-feira (9). Dois homens, que não tiveram os nomes divulgados, foram presos. Eles confessaram o crime.

Foto: Polícia Militar/Divulgação

De acordo com a Polícia Militar, os homens foram presos no bairro Jardim Brasil após denúncias anônimas terem sido feitas. As informações são do portal G1.

No local, além dos dois bodes vivos, havia quatro corpos de animais mortos, já cortados, uma balança digital e utensílios cortantes usados para cortar os animais.

Os dois homens foram encaminhados para a Central de Plantões da Capital (Ceplanc), no bairro de Campo Grande, na Zona Norte do Recife. Eles pagaram, cada um, uma fiança no valor de um salário mínimo e foram liberados.

“O dono do matadouro nos atendeu e confirmou a denúncia. Ele nos levou até o quintal, onde funcionava o estabelecimento clandestino. Ele estava, inclusive, fazendo o corte de um dos animais. No local, eles foram autuados e assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência”, diz a militar Pâmela Gomes.

A Vigilância Sanitária foi acionada e adotou as medidas cabíveis.

Depois do caso Manchinha, mais um episódio de crueldade animal está prestes a acontecer em Osasco (SP)

Tudo o que Sorriso (foto) quer é continuar vivendo no cemitério Santo Antônio de Osasco (SP) onde já está há oito anos. Como o próprio nome diz, ele é feliz, saudável e não incomoda ninguém ou, pelo menos, não incomodava até agora. Sorriso e outros nove cães correm o risco de serem despejados sumariamente, incluindo o Negão que vive no cemitério há 15 anos e, certamente, não aguentaria uma mudança brusca a essa altura da vida. Isso se ele não morrer de fome antes já que existe também a proibição dos cães serem alimentados por parte das secretarias de Meio Ambiente e de Obras de Osasco.

A protetora Janaína com o cão Sorriso, ameaçado de despejo (Foto: Arquivo Pessoal)

O município, que recentemente foi alvo de revolta nacional e internacional devido à morte do cão Manchinha no Carrefour, pode colecionar mais um triste episódio de crueldade animal se essas ações se concretizarem. Diante da repercussão que o caso está ganhando, na próxima segunda-feira, dia 13 de maio, a protetora Janaína Dornelas, responsável pela manutenção dos animais, se reúne com o secretário de Meio Ambiente Marcelo Silva, o secretário de Obras Lau Alencar e o diretor de Bem-Estar Animal de Osasco Fábio Cardoso. O objetivo é chegarem a uma solução sem prejuízo para os animais.

“O CCZ de Osasco não tem espaço. Já tem 80 animais lá esperando adoção. Não é justo levarem os cães do cemitério para uma baia lotada sendo que estão sendo bem tratados e não causam nenhum problema à comunidade. Já quebraram casinhas que eu tinha acabado de comprar. Agora estou tendo dificuldade de dar comida e água”, desabafa a protetora.

O deputado estadual Delegado Bruno Lima (PSL) se prontificou a ajudar: “Os animais são cães comunitários e têm o direito de permanecerem no cemitério. Farei tudo que for possível e impossível para proteger esses animais”. De fato, a ordem vinda das duas secretarias contraria a Lei Feliciano ou 12.916 que desde 2008 instituiu a figura do “cão comunitário”.

A Lei dita: “O animal reconhecido como comunitário será recolhido para fins de esterilização, registro e devolução à comunidade de origem, após identificação e assinatura de termo de compromisso de seu cuidador principal. Para efeitos desta lei considera-se cão comunitário aquele que estabelece com a comunidade em que vive laços de dependência e de manutenção, embora não possua responsável único e definido”.

Obviamente a lei se refere a animais comunitários instalados em locais públicos já que em áreas particulares quem decide se deve ou não ter animais são os proprietários dos imóveis. “Estão infringindo a Lei Feliciano e também a lei federal 9.605/98 por não permitir que alimentem os animais. Isso pode ensejar um pedido de cassação de mandato do Prefeito por improbidade administrativa por conta de descumprimento de lei.”, comenta Feliciano Filho autor da Lei 12.916 que também pôs fim as terríveis “carrocinhas”.

Prêmio

Vale lembrar que o controle populacional de cães e gatos por meio da castração, vacinação e monitoramento é, aliás, a recomendação da OMS – Organização Mundial da Saúde. Por isso, o método de CED – Captura, Esterilização e Devolução ao local de origem tem sido uma tendência no mundo todo. Até mesmo em importantes pontos turísticos de Roma o governo investe em CED. Cemitérios da França estão cheios de gatos que viraram até atração turística.
Por conta dessa tendência, a Proteção Animal Mundial recebe até 10 de junho inscrições para o prêmio “Cidade Amiga dos Animais”. Voltado para cidades latino-americanas, o prêmio irá identificar as melhores estratégias para lidar com as populações de cães e gatos de forma humanitária. O reconhecimento faz parte da campanha “A vida é melhor com cães”, que visa celebrar a convivência com o “melhor amigo do homem”.

O cão Caramelo é um dos dez cães que vivem há mais de 8 anos no cemitério de Osasco (Foto: Arquivo Pessoal)

O gestor responsável pela inscrição da cidade vencedora ganhará uma viagem para a 3a Conferência em Manejo de Populações de Cães – ICAM, que acontecerá em Mombasa, no Quênia, de 18 a 20 de setembro deste ano. Segundo e terceiro lugar receberão uma placa de reconhecimento “Cidade Amiga dos Animais”. As dez primeiras colocadas terão seus projetos publicados em um livro digital, que será divulgado em toda a América Latina. O regulamento está disponível do site da World Animal Protection.

O prêmio conta com o apoio do Centro Colaborador da OIE em Bem-Estar Animal e Sistemas de Produção Pecuária do Chile, Uruguai e México, da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), do Instituto Técnico de Educação e Controle Animal (ITEC), do Conselho Federal de Medicina Veterinária e Zootecnia do Brasil (CFMV) e da Associação Mundial de Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA).

Questão de saúde pública

Castrar, cuidar e monitorar os animais de áreas públicas não é só uma medida humanitária. É também uma questão de saúde pública já que animais castrados, alimentados e saudáveis impedem a proliferação de doenças. Além disso, quando se “remove” um grupo de animais saudáveis, rapidamente outro grupo não-castrado nem vacinado toma conta do lugar. É o chamado o “efeito vácuo”.

Cães comunitários são protegidos por lei no estado de SP (Foto: Arquivo Pessoal)

Assim, proibir que esses animais sejam tratados, alimentados e investir em sua “remoção” não é nada inteligente e muito menos eficaz. O que deve ser feito é o monitoramento desses animais no local onde vivem e o aumento do controle de segurança para que as pessoas não fiquem abandonando cães e gatos em cemitérios e parques. Alguns cemitérios já possuem câmeras para impedir abandonos.

A volta da “carrocinha”

Lamentavelmente, parece que algumas prefeituras de SP estão navegando contra a maré e tentando resgatar as antigas e terríveis “carrocinhas”, com o intuito de “remover” animais de lugares públicos como se fossem lixo. O Departamento da Prefeitura que cuida dos cemitérios da capital de SP também já assinalou que não quer que funcionários e munícipes alimentem animais e está proibindo caixas, casinhas e outros objetos que sirvam de abrigo ou para se colocar comida e água.

Reuniões estão sendo agendadas com protetores e associações de defesa animal para se chegar a uma solução. Que tal atender a órgãos internacionais que já estudam há décadas os métodos mais eficientes de controle populacional nas grandes cidades? Fica a dica.

Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal.

Bolsonaro bate novo recorde com 166 novos agrotóxicos liberados em 2019

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) concedeu 12 novos registros de agrotóxicos. Já são 166 venenos liberados em pouco mais de quatro meses de governo. Os novos pesticidas liberados constam no ato nº 29, publicado no dia 30 de abril no Diário Oficial da União.

Nos dois primeiros meses de governo, foram 86 novos registros. Ao final de março, o número chegou a 121. Com os novos agrotóxicos liberados, o país tem um número total de 2.232 herbicidas liberados, considerando os que já estavam em circulação no mercado. As informações são do portal Brasil de Fato.

Foto: Eliana Aponte/Agência Brasil

“Não temos tantos problemas agrícolas no Brasil para que se necessite tamanha multiplicidade de venenos. Se esses novos venenos forem mais eficientes e menos perigosos que os antigos, os antigos têm que ser retirados do mercado”, assinala o engenheiro agrônomo Leonardo Melgarejo, membro da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida. “O que está caracterizado é que o governo está permitindo [novos registros] sem fazer as análises necessárias sob o ponto de vista da saúde e da eficiência dos venenos”, completa.

Entre os novos agrotóxicos liberados em 2019, 24 são altamente tóxicos e 49 são extremamente tóxicos. Eles representam, juntos, 43,9% do total. A classificação é feita pela Anvisa, que responde também pela autorização dos venenos. A chancela final, porém, é dada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“Nós estamos tendendo a ampliar o leque de produtos de pior qualidade. Está claro que o governo está deixando de fazer o seu papel de triagem sob o ponto de vista dos interesses públicos. Está permitindo que o mercado tome as decisões que deveriam ser do Estado”, critica Melgarejo, que lembrou ainda que os agrotóxicos têm reconhecida capacidade de prejudicar a saúde humana e o meio ambiente.

A Adama Brasil S.A. foi uma das empresas que obteve liberação para venda de herbicidas este ano. Apenas ela conseguiu 13 autorizações. Uma cooperativa associada ao grupo francês InVivo Agrosciences e as chinesas Rotam do Brasil e Xingfa & Wenda do Brasil Ltda também foram beneficiadas. A última, inclusive, conseguiu o registro da marca Glifosal, uma variante do glifosato, que conseguiu renovação na validação pela Anvisa em fevereiro sob intensos protestos de especialistas e seguimentos populares, que são contra a liberação do produto, associado a casos de câncer e intoxicações agudas reconhecidas pelo Ministério da Saúde, conforme documento publicado em 2018.

O deputado Nilton Tatto (PT-SP), membro da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, lembra que a propaganda comercial e política em defesa dos agrotóxicos é bancada por grandes corporações que dominam a cadeia de produção e distribuição desses produtos. Elas buscam, por meio do jogo político e do lobby, apoio estatal para sustentar seus próprios interesses.

No governo Bolsonaro, o problema dos agrotóxicos se intensificou devido ao apoio político da bancada ruralista, e da participação na gestão da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). O principal articulador é o Mapa, que tem à frente a ruralista Tereza Cristina, ex-coordenadora da FPA.

“Isso mostra claramente a vocação do governo Bolsonaro, em que o setor mais atrasado da agricultura brasileira é hegemônico no centro do governo, no Ministério da Agricultura e também no Ministério do Meio Ambiente (MMA), que está com uma agenda completamente subordinada aos interesses desse setor agrário atrasado brasileiro”, critica Tatto, apontando os retrocessos promovidos recentemente contra a agenda ambiental no país.

Tatto lembra que a expansão do uso de agrotóxicos afeta a soberania alimentar do povo, o meio ambiente, a saúde da população e tende a atingir inclusive produtores de alimentos com veneno.

“É um tiro no pé da própria agricultura e do agronegócio, na medida em que, em outros países que importam os produtos agrícolas brasileiros, a população local também vem cobrando os seus dirigentes para que comecem a vetar a importação de produtos com muito agrotóxico, o que vem ocorrendo no Brasil”, reforça.

De acordo com a assessoria de comunicação do Mapa, “o registro de agrotóxicos tem relação direta com o aumento no uso apenas nos casos em que não existe nenhuma alternativa já autorizada no mercado. Para outras situações o aumento no registro de agrotóxicos vai permitir o aumento na competição do mercado, um direito previsto na Lei de Agrotóxicos e na Lei Agrícola. Os produtos de baixa toxicidade tem tramitação priorizada, já os demais seguem a fila de protocolo conforme a Lei n. 9784/1999 Lei de Processo Administrativo”.

A Anvisa, por sua vez, disse que “todos esses processos foram avaliados e autorizados não só pela Anvisa, mas também passaram pela análise técnica do Ibama e do próprio Mapa. Ou seja, todos esses produtos foram analisados pelos três órgãos e demonstraram que todos os requisitos legais para a concessão de registro foram atendidos, não havendo outra ação possível a ser tomada pelo poder público além da concessão do registro”.

Ainda de acordo com a Anvisa, os produtos glifosato, 2,4 D, abamectina e tiram passarão por um processo de reavaliação este ano. “A Anvisa tem priorizado esse processo para que mais produtos possam ser reavaliados anualmente, retirando do mercado aqueles que possuem risco inaceitável a população”, finaliza a nota.

Nocivos aos animais

Especialistas alertam que os agrotóxicos são nocivos para os animais. O argumento tem sido reforçado por estudos que demonstram os prejuízos causados por esses venenos à fauna local.

Um deles, divulgado na revista científica Nature, avaliou o impacto dos inseticidas imidacloprido (neonicotinoide) e clorpirifós (organofosforado), ambos usados no Brasil, em aves canoras (pássaros que têm a capacidade de cantar) que se alimentam de sementes. Os tico-ticos de coroa branca (Zonotrichia leucophrys), pássaros das Américas analisados na pesquisa, apresentaram sinais de envenenamento, perda de massa corporal e alteração na capacidade de orientação durante voos migratórios.

“São compostos químicos projetados para ter um efeito biológico prejudicial ao crescimento, ao desenvolvimento, à reprodução ou à sobrevivência dos organismos”, disse à BBC News Brasil Luis Schiesari, professor de gestão ambiental da USP.

As abelhas têm sido gravemente afetadas pelos pesticidas e o fenômeno de declínio populacional desses insetos, relacionado ao uso dos agrotóxicos, vem sendo acompanhado por vários países e comprovado por pesquisas.

Um relatório divulgado, em 2018, pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA) comprovou que os danos que os pesticidas causas às abelhas variam de acordo com a espécie, a utilização e a via de exposição. Mas, de modo geral, representa riscos para todas.

Outras pesquisas revelaram que o composto químico neurotóxico danifica a memória do inseto – ao sair para buscar alimento, ele se perde e não consegue voltar para a colmeia – e provoca a morte precoce de abelhas rainhas e operárias.

Uma pesquisa britânica, publicada na revista científica Proceedings of the Royal Society B., concluiu ainda que as abelhas desenvolvem dependência química dos agrotóxicos. Ao longo do tempo, as abelhas são atraídas pelo néctar contendo inseticidas neonicotinóides, o que pode aumentar suas chances de exposição a altos níveis de substâncias químicas.

Destruição ambiental

Os agrotóxicos prejudicam, também, o meio ambiente. O solo dos locais em que venenos são aplicados ficam mais frágeis com o passar do tempo e sofrem uma redução da fertilidade. Os pesticidas desencadeiam também a morte de micorrizas, diminuem a biodiversidade do solo, geram acidez e outros problemas.

Os agrotóxicos também poluem o ar, afetando organismos vivos, e as águas. De acordo com o IBGE, a contaminação de rios pelos pesticidas só perde para a contaminação por esgoto. As águas, por sua vez, sofrem diferentes impactos dependendo do tipo de substância utilizada e da estabilidade do ambiente atingido. Elas são afetadas mediante lançamento intencional e escoamento superficial a partir de locais onde agrotóxicos são usados. As informações, publicadas no portal Brasil Escola, são do artigo “Contaminação ambiental por agrotóxicos”, de Vanessa Sardinha dos Santos.

Em casos graves de contaminação das águas, os agrotóxicos podem levar várias espécies de plantas aquáticas e de animais à morte.

Ativistas protocolam agravo contra decisão que condena à morte animais resgatados da farra do boi

Por David Arioch

Boi resgatado da Farra do Boi no dia 20 de abril em Governador Celso Ramos (Foto: GOR)

Ontem, o Grupo de Advocacia Animalista Voluntário de São Paulo (GAAV) protocolou, com a titularidade da ONG Princípio Animal e por encomenda do movimento Brasil Contra Farra (BCF), um agravo de instrumento contra decisão que garante a manutenção do abate de bovinos resgatados da farra do boi em Santa Catarina.

Em março, o Juiz Marco Aurélio Ghis Machado, titular da 3º Vara da Fazenda Pública, em Florianópolis, indeferiu a liminar do GAAV, encomendada pelo BCF, que pede o fim do abate sanitário dos bois sem brinco – o que justifica a necessidade do agravo.

O juiz alegou “que as normas sanitárias de Santa Catarina são rígidas, e assim devem ser para garantir a característica privilegiada do rebanho bovino, autorizando o abate de qualquer animal encontrado sem identificação”.

Porém os ativistas explicam que quando os animais são recolhidos da farra, ainda assim são abatidos. Se não pelas mãos dos farristas, acabam mortos pelas mãos do Estado devido às rígidas normas de vigilância sanitária da Cidasc.

Os farristas retiram o brinco do animal para que não seja identificada a procedência, ou seja, o emissário do boi, porque isso configuraria o crime. Diante do fato, a Cidasc alega que bois sem brinco são bovinos sem procedência e, portanto, podem conter doenças e contaminar todo o rebanho.

A inédita ação civil pública protocolada em março sustenta que os argumentos da Cidasc são inválidos, porque se os farristas retiram o brinco do animal, isso significa que os bovinos têm a orelha furada – logo já estiveram com brincos, comprovando que são animais vacinados e saudáveis.

A ACP requer o direito de, após os animais serem recolhidos da farra mediante horas de tortura e linchamento, permanecerem em quarentena, sendo examinados para descartar qualquer doença a fim de serem “rebrincados”; até mesmo em caráter educativo contra os crimes com animais.

“A ação civil pública foi pedida em caráter liminar para proteger os bovinos desde a Quaresma, porém a liminar foi negada pelo juiz. Ontem, entramos com o agravo pela vida dos bois da farra”, reforça o Brasil Contra Farra.

Animais aparecem mortos e moradores suspeitam de envenenamento

Doze animais, sendo 11 gatos e um cachorro, foram encontrados mortos no condomínio Jardim Botânico, na região do Coxipó, em Cuiabá (MT). O caso foi denunciado à Polícia Civil, na segunda-feira (6), por moradores que suspeitam de envenenamento.

Foto: Jenifer Gonçalves/Arquivo pessoal

A ativista Jenifer Gonçalves conta que a morte de animais é comum no local. Ela reforça, porém, que antes os casos eram mais esporádicos e agora estão acontecendo de forma mais frequente.

“A semelhança entre os casos é que todos os animais são encontrados mortos no mesmo local ou próximo”, afirmou Jenifer ao G1.

O tutor do cachorro que morreu contou que o animal passou mal após ingerir algo que estava próximo ao meio-fio. Ele foi socorrido, mas não resistiu. Na clínica, foi comprovada a ingestão de substância tóxica.

“Não conseguimos comprovar que substância é essa, porque não há exames disponíveis no estado, mas diante das evidências e da forma como são encontrados, suspeitamos que estejam sendo envenenados”, explicou ela.

Os moradores afirmam que todos os animais encontrados mortos apresentam as mesmas características: baba na boca e corpo inchado. As regras do condomínio permitem que os moradores criem animais e que eles circulem pelo local.

Após os moradores efetivarem denúncia, a polícia informou que irá investigar o caso.

Comissão do legislativo mineiro aprova projeto que reconhece animais como sencientes

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou, nesta terça-feira (7), um projeto de lei que reconhece os animais como seres sencientes. O parecer aprovado é de autoria da relatora e deputada Ana Paula Siqueira (Rede).

(Foto: Juliana Cipriani / EM / D.A. Press)

O projeto inicial reconhece os animais como sujeitos de direito e os enquadra no conceito usado para pessoas físicas e jurídicas, deixado de tratá-los como “coisas”. O termo, no entanto, foi retirado no substitutivo aprovado. Os autores da proposta, porém, já se mobilizam para retomar o texto original na próxima comissão. As informações são do Estado de Minas.

Ana Paula retirou o termo “sujeitos de direito” sob a alegação de que a doutrina jurídica brasileira não adota esse reconhecimento. O novo texto, apresentado por ela, diz que os animais “são reconhecidos como seres sencientes, sujeitos a dor e sofrimento”. A comissão aprovou a mudança por unanimidade. O projeto segue agora para a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

De autoria do ex-deputado estadual (atual federal) Fred Costa (PEN) e do deputado estadual Noraldino Junior (PSC), a medida pretende mudar a condição dos animais na legislação mineira que define maus-tratos.

Na justificativa do projeto, os autores afirmam que em países da Europa os animais já foram reconhecidos como sujeitos de direito. “A Nova Zelândia e a França modificaram suas legislações conferindo aos animais o status de seres sencientes, ou seja, retirando-os definitivamente da condição de coisa. Alguns países como a Alemanha, Suíça e Áustria fazem constar em seus textos legais que animais não são objetos”, afirmam.

Os parlamentares lembram, porém, que para uma mudança efetiva legal para este caso, é preciso alterar a legislação federal.

A atitude da relatora, de alterar o projeto, foi criticada pelo deputado Fred Costa. Para ele, a alteração feita por Ana Paula descaracteriza a proposta. “Lamentavelmente o direito que a gente queria garantir fica prejudicado. Esse substitutivo desfigurou a razão de existir do projeto”, diz. Costa considera ainda que a modificação proposta na lei mineira funcionaria como um paliativo, mas solucionaria a questão no estado de Minas Gerais.

Para justificar a mudança que propôs, Ana Paula afirmou que não pode se sobrepor ao Código Civil. “As políticas e leis voltadas para resguardar os direitos dos animais já conquistaram avanços importantes, como a lei 22.231, que deixa muito clara a questão dos maus-tratos e a punição que cabe nestes casos. O reconhecimento dos animais como sujeitos de direito é uma questão que precisa ser debatida em nível nacional, pois exige mudanças no Código Civil”, explica.

O deputado Noraldino Junior informou que vai apresentar uma emenda para que o projeto volte a ter o texto original. Após ser avaliado pelas comissões, a proposta será encaminhada ao plenário.

Legislações federais

Dois outros projetos, que tramitam no âmbito federal, pretendem mudar o status dos animais no país. No Senado, um deles afirma que os animais não serão considerado coisas no Código Civil. De autoria do senador Antonio Anastasia (PSDB), a proposta foi aprovada pelo Senado e pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara dos Deputados e seguiria para avaliação do presidente, mas teve o prosseguimento impedido por um recurso no plenário movido pela bancada ruralista. O texto aguarda agora deliberação da Mesa Diretora da Casa.

O deputado Ricardo Izar é o autor do outro projeto, também aprovado pela CCJ da Câmara, que quer que os animais passem a ser tratados como sujeitos de direitos despersonificados. No relatório aprovado em 2017, foi expressa a sugestão de que o novo status fosse incluído na Lei de Crimes Ambientais e não no Código Civil. O projeto aguarda avaliação do Senado.