Justiça proíbe vaquejada pelo terceiro ano consecutivo em Governador Valadares (MG)

A vaquejada de Governador Valadares (MG), que seria realizada entre os dias 14 e 17 de junho, foi proibida pela Justiça pelo terceiro ano consecutivo. Caso os organizadores do evento descumpram a proibição, eles receberão multa diária de R$ 10 mil.

(Foto: Reprodução / Portal Amazonas Atual)

Na decisão, o desembargador Dárcio Lopardi Mendes afirmou que a vaquejada promove apenas sofrimento ao animal e é uma agressão a valores mínimos, como o respeito à vida dos animais. As informações são do portal O Tempo.

Em 2018, o evento havia sido inicialmente proibido pela Justiça, que depois voltou atrás. A vaquejada, porém, não oi realizada porque os organizadores afirmaram não ter tempo hábil para planejamento.

Na vaquejada, dois vaqueiros, montados em cavalos, derrubam um boi puxando-o pelo rabo. O ato faz com que o animal sofra o chamado “desenluvamento”, nome dado a prática de arrancar o rabo do boi, retirando a pele e os tecidos da cauda.

Praticada há décadas, a vaquejada tem sido muito contestada por ativistas e pela sociedade em geral, devido ao intenso sofrimento que é imposto aos animais. Em 2016, essa atividade foi considerada inconstitucional pelo STF, que analisou uma lei do Ceará que reconhece a vaquejada como cultural e desportiva. No entanto, pouco tempo depois uma emenda, promulgada pelo Congresso, liberou a vaquejada e os rodeios em todo o Brasil e determinou que práticas que explorem animais não são cruéis se forem manifestações culturais ou patrimônio cultural imaterial, ignorando todo o sofrimento presentes nessas atividades.

No entanto, juristas, no geral, costumam entender que qualquer prática que submeta animais à crueldade não podem ser consideradas de valor cultural. Como é o caso do desembargador Mendes, que classificou a vaquejada como “tortura” e “maus-tratos”.


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Ativistas publicam vídeo que denuncia violência contra bezerros em fornecedora da Coca-Cola

A fazenda denunciada é a Fair Oaks, situada no estado de Indiana, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

A fazenda denunciada é a Fair Oaks, situada no estado de Indiana, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução)

Por David Arioch

A organização Animal Recovery Mission (ARM), que atua em defesa dos direitos animais, divulgou ontem um vídeo que mostra a violência contra bezerros em uma fazenda que atua como fornecedora da Fairlife, marca de produtos lácteos que pertence à Coca-Cola.

A filmagem, que aborda desde a realidade do transporte até o confinamento dos animais, mostra bezerros sendo chutados, socados e empurrados – além de receberem golpes na boca e no rosto com vergalhões e garrafas.

O vídeo apresenta ainda cenas de animais sendo submetidos a queimaduras, temperaturas extremas e nutrição inadequada. Há momentos em que os funcionários espancam os animais enquanto tentam obrigá-los a mamar.

“[Tudo] isso resultou em extrema dor e sofrimento para os bezerros e, em alguns casos, lesões permanentes e até mesmo a morte”, informa a organização.

A fazenda denunciada é a Fair Oaks, situada no estado de Indiana, nos Estados Unidos. Atuante no ramo de laticínios, a empresa é conhecida como uma das maiores produtoras de leite dos Estados Unidos.

O nível de estresse dos animais também é outra face explorada no vídeo, além do desespero de uma vaca que começa a mugir incessantemente após a separarem de seu bezerro.

Outra denúncia feita no vídeo é que a Fair Oaks costuma dizer que os bezerros que nascem na propriedade não são enviados para a indústria de carne de vitela. Porém é exatamente isso também que a ARM revela na filmagem.

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Santuário reúne crianças e animais vítimas de abusos para ajudar ambos a se curarem

Foto: safeinaustin.org

Foto: safeinaustin.org

O santuário Safe in Austin (Seguros em Austin, na tradução livre) foi criado por Jamie Griner depois que o texano notou o conforto que seu filho autista de 13 anos, tinha ao redor de animais domésticos, abraçando e trocando carinho com eles.

Griner decidiu adotar outros animais que tiveram um mau começo na vida, vítimas de abuso e maus-tratos e teve a ideia de permitir que crianças que sofreram da mesma forma, viessem encontrá-los na esperança de que eles se ligassem, se ajudassem e se encontrassem.

Foto: safeinaustin.org

Foto: safeinaustin.org

Seu palpite deu certo e foi um sucesso inquestionável, com o abrigo popular entre as crianças do estado todo abrigando agora 100 animais, incluindo filhotes, gatinhos, porcos, galinhas, bois e cabras.

O chefe do abrigo disse à KVUE: “Durante a semana, convidamos as crianças que também foram vítimas de algum tipo de abuso e negligência ou têm necessidades especiais para o santuário, para tocar e amar e se curar ao lado dos animais resgatados das mesmas condições de sofrimento”.

Ela acrescentou: “Não importa quando ou como, quando eles (as crianças) vêm aqui, sempre podem encontrar um animal que viveu algo semelhante ao que eles passaram, então a união acontece”.

Taylor Salazar tem três irmãos adotivos que foram abusados antes de term sido adotados, e já viu em primeira mão o conforto que os animais podem trazer aos seres humanos e vice versa.

Foto: safeinaustin.org

Foto: safeinaustin.org

Salazar, que agora é mãe, explicou: “Eu fui criada com três irmãos que foram adotados de um orfanato, então eles também lidaram com abuso, negligência e abandono, vê-los interagir com os animais é realmente muito especial e emocionante”.

Safe em Austin não é um zoológico, é um santuário, um refúgio para animais resgatados de situação de sofrimento e depende de voluntários, bem como doações para mantê-lo funcionando.

Foto: safeinaustin.org

Foto: safeinaustin.org

“Todas as crianças são bem-vindas. Os amigos dos colégios Brooklyn Mackenzie e Reagan Mount, mesmo as que tiveram ambas as infâncias felizes, adoraram conhecer nossos moradores peludos”, disse Griner.

Reagan concluiu: “Isso me faz sentir bem porque é como uma forma de se curar do abuso e dos maus-tratos e fazê-los se sentirem felizes”.

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Carreta tomba e mata 20 bois em rodovia em Minas Gerais

Um caminhão que levava 60 bois tombou na madrugada deste sábado (1º) na BR-365, no trecho próximo a cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Segundo o Corpo de Bombeiros, cerca de 20 bois morreram no acidente.

Divulgação/CBMG

O motorista do veículo não precisou de atendimento. De acordo com testemunhas, ele sofreu apenas escoriações.

Para retirar os animais do local foi usado um guincho. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu apoio à ação de resgate.

A carreta seguia da cidade de Montes Claros, no Norte do Estado, para a cidade de Fronteira, na região do Triângulo Mineiro, já na divisa com São Paulo. A carga levada pelo veículo era de bois nelores, raça explorada para consumo humano. Cada animal pode alcançar o peso de até 1,2 tonelada.

Fonte: BHAZ


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Caminhão carregado com bois tomba na BR-365 em Uberlândia (MG)

Um caminhão que transportava cerca de 60 bois da raça nelore tombou na madrugada deste sábado (1º), por volta das 4h30, no km 585 da BR-365, próximo à Usina de Miranda, em Uberlândia (MG). O motorista estava sozinho e não ficou ferido. Ao menos 20 animais morreram.

Foto: Michele Ferreira/MG1

O caminhão saiu de Montes Claros em direção ao município de Fronteira, que fica na divisa com São Paulo. A carreta ficou atravessada na pista. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a pista teve que ser interditada nos dois sentidos.

O motorista do caminhão disse à Tenente Grazielle Ferreira, do Corpo de Bombeiros, que saiu da pista para tentar desviar de outra carreta e acabou tombando o veículo.

Fonte: G1


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Noiva abandona festa de casamento pela mais bela das razões

Uma noiva fugindo no meio do dia do casamento pode ser um ato interpretado como sinal de má sorte.

Mas o que fez Carla Reilly Moore sair de sua festa estava longe de ser motivo de azar.

Enquanto Moore e seu noivo estavam realizando o sonho de ter um santuário, se acostumando a cuidar de tantos animais e estavam no meio do planejamento de seu casamento, que aconteceria no próprio santuário, o destino deu uma virada repentina.

“Naquele mesmo ano, enquanto dirigia para o trabalho, eu estiva em um acidente de carro devastador”, disse ela. “Isso causou danos permanentes nas minhas costas.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Moore teve que passar por uma reabilitação longa e intensiva. “Passei horas com os animais, uma vez que isso aliviou a minha dor e ajudou-me ao longo do caminho para a recuperação”, disse ela.

Quando o dia do casamento chegou, e Moore já estava muito mais forte e melhor, ela sabia que os animais seriam uma grande parte da celebração.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para realizar nossas núpcias do que aqui no santuário”, disse ela, “o lugar que me deu paz e cura, e o lugar que ajudamos a curar os outros. Queríamos estar cercados por tudo nós amamos: natureza, família e, claro, os animais”.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Dois porcos, Franklin e Sylvester, ajudaram a inspecionar a propriedade enquanto a cerimônia estava sendo organizada. E, depois que os votos foram trocados, Daphne, a cachorrinha da raça chihuahua resgatada por eles se juntou a Moore e seu novo marido para a primeira dança.

Em troca de toda a sua ajuda, Moore sabia que teria de aguentar o fim do acordo.

“Enquanto a maioria das pessoas depois de dizer que ‘eu aceito’ é levada para fotos, bailes, jantares e festas, tivemos que fazer uma pausa para cuidar dos convidados mais vulneráveis do nosso casamento – nossos residentes de animais”, lembrou Moore. “Eu não pensei duas vezes em descer para verificar todo mundo, e até mesmo alimentá-los, mesmo com meu vestido de noiva.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Os porcos e patos pareciam muito satisfeitos em ver a sua salvadora, mesmo que ela estivesse vestida de forma um pouco diferente do normal.

“Enquanto cuidava dos animais, meu marido cuidava dos convidados da festa”, disse Moore. “E então nós trocamos!”.

Moore sabia que seu sonho seria um trabalho 24/7 (24 horas por dia/sete dias por semana), mas ela vê os animais como parte da família.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Quando você é um cuidador de tantas vidas, não é como se você pudesse simplesmente se ausentar e sair”, disse ela. “Eles confiam em você para tudo.”

Os votos de amor vêm claramente em muitas formas – e Moore se considera feliz por poder incluir tantos indivíduos em sua vida.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Nós tivemos nossa lua de mel aqui!” ela disse. E desde então, o casal não troca por nada a atividade de cuidar dos animais e relaxar ao sol com eles.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para compartilhar nosso amor um pelo outro”, disse ela. “Parece que já foi feito para ser assim.”

Preocupações com o bem-estar animal têm impacto de mais de 3 bilhões de dólares na indústria de carne

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Com um ativismo jovem, corajoso, ousado e incansável o movimento em defesa dos direitos animais e o veganismo crescem e se espalham cada vez mais e ao contrário do que a indústria de carne imaginava, não vão desaparecer com o tempo ou se intimidar, na contramão disso, ele cresce cada dia mais e quem se intimida são os criadores e exploradores de animais.

Na outra ponta do debate, Jacqueline Baptista, gerente de envolvimento comunitário na Meat and Livestock Australia (MLA), falou em uma recente reunião da Federação de Fazendeiros de Victoria, em Darnum, Victoria (Austrália), sobre “desafiar o crescente movimento vegano”, informa a ABC. Baptista conversou com mais de 30 produtores de carne, laticínios e ovelhas no encontro.

A agropecuária – atualmente avaliada em 15 bilhões de dólares – deverá sofrer uma perda de 3,8 bilhões até 2030, e 84% dela é resultado do fato dos produtores não se adaptarem às mudanças que tem ocorrido nas atitudes dos consumidores envolvendo o bem-estar animal, disse ela.

“Não podemos mudar o que as pessoas escolhem para comer, se preferem comer legumes, ou vegetais, carne vermelha ou não – essa é a escolha individual de cada um e respeitamos isso”, disse Baptista.

“Na verdade, temos um problema com o comportamento e as campanhas dos ativistas”, disse ela. “Invasões agrícolas são obviamente um problema sério para nós”.

Ativistas realizaram invasões em fazendas e protestos pacíficos em toda a Austrália para conscientizar as pessoas sobre a crueldade envolvida nas indústrias de carne, laticínios e ovos.

Foto: Livekindly/Foto

Foto: Livekindly/Foto

Muitos desses protestos encorajam o público a assistir “Dominion”, um documentário que investiga o “lado negro da criação de animais industrial” através do uso de câmeras escondidas e drones aéreos.

Baptista observou que a MLA, uma autoridade pública que fornece pesquisas para o mercado de carne do país, quer “proteger nossos produtores”.

Ela afirmou que as questões subjacentes aos protestos não desapareceriam. “Passamos décadas pensando que essa ameaça desapareceria, ou mudaria, ou seria apenas uma espécie de grupo ativista de esquerda que sumiria magicamente e lidamos com isso de maneiras diferentes”, disse ela.

“Um deles foi ignorá-los e esperar que eles fossem embora, outra tática foi agressiva ou defensiva – nenhuma dessas atitudes realmente funcionou muito bem para nós como indústria”, disse Baptista.

Ela incentivou a indústria a ser mais transparente sobre suas práticas e encontrar “o método de entrega que as pessoas querem”.

Em um comunicado, a ONG Animal Liberation Victoria, um grupo independente e sem fins lucrativos de direitos animais, disse que “ficaria feliz em ver a indústria se abrir sobre suas práticas”, mas afirmou que “a trajetória do movimento vegano” não está diminuindo.

“O movimento dos direitos animais é jovem e só está ficando cada dia mais forte”, disse ela.

Animal Liberation Victoria acrescentou: “Com a disponibilidade cada vez maior de proteína de carne vegetal, que o próprio MLA reconhece que ‘é cada vez mais semelhante à carne’, na aparência, sabor e até mesmo cheiro” – bem como a crescente consciência de questões éticas na pecuária, e a destruição causada ao nosso meio ambiente, o movimento, sem dúvida, continuará a crescer ”.

Flautista realiza concerto para bois na Índia

Por David Arioch

Um boi não apenas se sente confortável próximo do flautista como também começa a lambê-lo (Imagem: Animal Rahat/Reprodução)

No santuário Animal Rahat, na Índia, o flautista Rasul Mulani realizou este mês um concerto para bovinos. Os animais que hoje levam uma vida tranquila em Sangli foram explorados por anos em serviços pesados em pobres comunidades agrícolas do estado de Maharashtra.

Na apresentação de Mulani, os animais se aproximam assim que o músico começa a tocar. Um deles se acomoda no chão e o observa tocando. Outro boi não apenas se sente confortável próximo do flautista como também começa a lambê-lo. A experiência revela a sensibilidade, atenção e perspicácia de animais culturalmente reduzidos a produtos e mão de obra na maior parte do mundo.

No Animal Rahat (Rahat significa alívio), os bovinos se comprazem com boa companhia, lambem bloquinhos de sal, se alimentam da grama verde, fresca e orgânica, e também são alimentados com bolos de farelo de amendoim e grão-de-bico. Livres da violência e da exploração, vivem a serenidade da própria índole.

O resgate dos animais geralmente ocorre de forma gradual. Os funcionários do Rahat costumam visitar as comunidades agrícolas para prestar atendimento gratuito, lidando com casos de desidratação, desnutrição, tensões musculares, lesões e claudicações.

Eventualmente, perguntam ao proprietário do animal se ele poderia deixá-lo viver em um santuário. Como já existe um vínculo baseado no atendimento prestados às comunidades agrícolas, não é incomum permitirem que os animais passem seus últimos anos de vida em paz no santuário em Sangli.

‘As pessoas não pensam que animais de fazenda têm sentimentos’, diz fundadora de santuário

Animais que vivem em fazendas, como bois, cabras, porcos e galinhas, são seres sencientes. Isso é, têm emoções e sentimentos. O que eles sentem vai além da dor física. São capazes, também, de sentir amor, afeto, medo, tristeza, de sofrer e de amar. E para protegê-los e conscientizar a sociedade sobre a senciência deles, Patrícia Fittipaldi fundou, há 11 anos, o Santuário das Fadas. Em entrevista exclusiva à ANDA, ela falou sobre os desafios para manter o local, que precisa de doações constantes, e revelou a bela missão que exerce diariamente cuidando de seres negligenciados e maltratados pela sociedade.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O santuário foi fundado quando e quantos animais atualmente vivem nele?

Patricia Fittipaldi: Foi fundado em 2008, temos aproximadamente 200 animais.

ANDA: Animais de que espécies vivem no santuário?

Patricia Fittipaldi: cães, gatos, aves, equinos, caprinos, suínos, bovinos, roedores e jabutis.

ANDA: O que te motivou a criar o santuário?

Patricia Fittipaldi: Desde criança sempre fui protetora de animais. Enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro, eu resgatava muitos cães e gatos, mas com o tempo fui resgatando também animais como bodes e galinhas, e com isso foi ficando bem complicado morar na cidade e continuar resgatando esse tipo de animal. Então, me mudei para a Região Serrana, inicialmente fui para Itaipava. E eu quis montar um santuário principalmente de animais de fazenda porque são animais que não têm muitos abrigos e nem santuários para eles. O que têm mais são abrigos de cães e gatos. São poucas pessoas que fazem esse trabalho aqui no Rio de Janeiro, a gente praticamente faz um trabalho pioneiro.

E foi o amor a todas as espécies que me motivou. E com essa demanda de animais precisando de ajuda, principalmente animais de fazenda, que são animais que não costumam ser vistos com bons olhos, porque as pessoas gostam muito de cão e gato, não pensam que animais de fazenda sofrem, têm sentimentos, então foi isso que me motivou. Aí mudei para a Região Serrana, fiquei 10 anos em Itaipava e há quase dois anos a gente se mudou para Teresópolis, que é interior do Rio de Janeiro também.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você diz que as pessoas não pensam que os animais de fazenda sofrem e têm sentimentos. Você poderia contar uma história ou momento presenciado por você que demonstre o sofrimento e/ou o amor e a gratidão que estes animais sentem?

Patricia Fittipaldi: A maioria dos animais chegam aqui com desconfiança do ser humano, porque viveu muitas situações de maus-tratos. Os nossos equinos foram todos retirados de carroceiros, apanhavam muito, viviam trabalhando até a exaustão. Então, é muito legal observar a mudança deles e nem demora tanto, uma ou duas semanas aqui já no santuário, pela energia, pelo cuidado e pelo amor que a gente tem com esses animais, eles já demonstram muita gratidão.

Têm animais que chegam aqui muito agressivos, algumas vacas, alguns bois que participaram até de vaquejada, e com uma, duas semanas, nos casos mais graves um mês, esses animais mudam o comportamento completamente. Eles sentem, não só pela energia da gente com eles, mas também pelo cuidado e pelo amor que a gente passa para eles. Então, todos os animais que chegaram aqui chegaram dessa forma. Suínos que iriam ser mortos, eram criados em lugares imundos, em situação precária, não recebiam carinho. A gente não podia chegar perto deles que eles já gritavam com medo de apanhar. E com uma semana você percebe que eles já chegam perto da gente para pedir carinho, vão se aproximando devagarinho, até acontecer aquela entrega total de confiança.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O que você acredita que falta para que as pessoas percebam, que no que se refere a sentimentos, medo, dor, sofrimento, que os animais de fazenda são iguais aos cães e gatos?

Patricia Fittipaldi: Eu acredito que para as pessoas, principalmente para as que vivem na cidade, como não têm contato com esses animais e os enxergam como alimento, falta conviver com esses seres. Por isso em breve a gente quer fazer um programa de visitação monitorada no santuário, que dá a oportunidade das pessoas conhecerem e terem um momento de perto com esses animais. A gente em breve vai realizar isso para que as pessoas possam, cada vez mais, ter mais consciência sobre o fato de que esses animais também sentem, têm sentimentos, ficam felizes e tristes. Então, para mim, o que falta mesmo para as pessoas perceberem, no que se refere a sentimento, medo, dor sofrimento, é a vivencia com esses animais. Para as pessoas da cidade é muito difícil.

Nós que temos santuários, acho importante fazermos esse planejamento das visitações monitoradas, que não podem também ser diárias ou com muita frequência para não estressar os animais. Porque eles têm contato com a gente que está na lida com eles todo dia, mas muitos deles ainda têm receio quando se deparam com seres humanos diferentes, outros até gostam, então é uma coisa que a gente vai em breve fazer, mas também para não estressar os animais vai ser um projeto quinzenal ou mensal. Mas quando as pessoas têm contato com esses animais, elas começam a perceber que eles pedem carinho, que eles têm emoções.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você disse que fundou o santuário em 2008. De lá pra cá, nestes onze anos com o santuário, e também considerando o período no qual você já estava envolvida na causa animal, mesmo antes da criação do santuário, você notou alguma evolução na sociedade em relação aos animais? Os cães e gatos e, principalmente, os animais de fazenda, têm sido vistos de melhor forma pelos humanos, embora grande parte da população ainda seja omissa e até cruel com eles?

Patricia Fittipaldi: Eu notei muita mudança. Porque mesmo na época que eu não tinha o santuário, que eu só era envolvida com ativismo, era uma coisa muito difícil as pessoas se comoverem com animais de grande porte, animais de fazenda. E hoje em dia, mesmo as pessoas que se alimentam de carne têm aquela hipocrisia, comem a carne mas ficam com pena de ver as situações, e isso já é um despertar. E muitas delas, até por causa desse despertar, viram vegetarianas e veganas.

E entre os animais de fazenda, acho que as pessoas se sensibilizam mais com os equinos. Porque elas encontram muitos equinos na própria cidade, puxando carroça, animais desmaiando de cansaço, então são animais de fazenda, mas que também são encontrados na cidade. Portanto, eu vejo uma grande evolução em relação ao despertar das pessoas com os animais de fazenda, mas ainda tem muita coisa para evoluir.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: E como você faz para sustentar todos estes animais do santuário? 

Patricia Fittipaldi: Infelizmente, a gente vive literalmente de doação e são doações eventuais, o que é uma coisa incerta. Todo mês é uma loucura, a gente implorando ajuda na internet, nas mídias sociais. Não temos patrocínio fixo de empresa ou pessoa e o gasto é altíssimo, com ração, medicamentos, funcionários, com os recintos, que têm que ampliar, modificar, melhorar, criar mais recintos. É muito difícil. A gente gostaria muito de ter um patrocínio pelo menos para rações, um patrocínio mensal. Mas, infelizmente, a gente até hoje não conseguiu, então vivemos literalmente de doação.

* Por Mariana Dandara


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Mais de 28 mil kg de carne com suspeita de contaminação por bactéria é recolhida das prateleiras

Foto: Fox News

Foto: Fox News

Preocupações com a saúde, assim como o futuro do planeta e o bem-estar dos animais tem motivado consumidores do mundo todo a rever seus hábitos alimentares, agora, diante das recentes informações sobre a insustentabilidade do mercado de carne, é mais importante do que nunca preencher o prato com opções saudáveis e satisfatórias.

Enquanto os estoques da Beyond Meat continuam a subir, refletindo o crescente apetite por refeições à base de vegetais e os muitos benefícios inerentes a comê-los, chega também outro lembrete sobre os sérios riscos associados ao consumo humano de alimentos feitos de animais ou subprodutos de animais ou de origem animal.

De acordo com um comunicado divulgado ontem pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar do Departamento de Agricultura dos EUA (FSIS), estima-se que 62.112 libras (cerca de 28 mil kg) de carne bovina crua, que já foram enviadas para distribuição e processamento, podem estar contaminadas com a bactéria E. coli.

Os produtos de carne crua que estão sendo retirados foram embalados em 19 de abril de 2019 na Aurora Packing Company, Inc., em North Aurora, Illinois (EUA).

Uma planilha com a lista dos produtos que estão sujeitos ao recolhimento doi divulgada. Todos incluem o número do estabelecimento “EST. 788 ”dentro da marca de inspeção do depto de vgilância sanitária USDA.

O departamento avisa que a E. coli é uma bactéria potencialmente mortal que pode causar desidratação, diarréia sanguinolenta e cólicas abdominais por 2 a 8 dias (3 a 4 dias, em média) após a exposição.

Enquanto a maioria das pessoas se recupera dentro de uma semana, algumas desenvolvem um tipo de insuficiência renal chamada síndrome urêmica hemolítica (SHU).

Esta condição pode ocorrer entre pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em crianças menores de 5 anos e adultos mais velhos.

A doença é identificada por fácil contusão, palidez e diminuição da produção de urina. Pessoas que experimentam esses sintomas devem procurar atendimento médico de emergência imediatamente.

O ato de se alimentar não deve vir com tais riscos e sempre que houver carne crua ou cozida de animais usados para consumo humano, a ameaça existe.

Esta é mais uma razão para eliminar permanentemente carne e quaisquer subprodutos animais da alimentação. É melhor para a sua saúde, para o planeta, para o meio ambiente e, igualmente importante, para os animais inocentes mortos para que sua carne seja consumida por humanos.