
Foto: PETA
O status de alienação em que vive nossa sociedade em relação ao sofrimento animal é o resultados de séculos de especismo, doutrina arraigada na mente da população como crença predominante.
A melhor maneira de quebrar esse círculo vicioso é educar e conscientizar as crianças, futuros herdeiros do planeta, sobre a crueldade de que são vítimas esses seres sencientes, indefesos perante a ganância e a irresponsabilidade humana.
Criar animais com a intenção de matá-los para consumir sua carne ou roubar o leite de seus filhos é um ato cruel. Essas vacas, bois, porcos, galinhas e demais animais explorados são mantidos sob condições terríveis, em compartimentos superlotados, insalubres, sem tratamento veterinário e privados de sua liberdade para atender aos interesses humanos.
Brinquedos lançados pela franquia Lego da Playmobil mostram fazendas com animais felizes, rotinas tranquilas e bucólicas em harmonia com fazendeiros e animais.
Na intenção de conscientizar os pequenos e corrigir esse engano ativistas veganos estão pedindo à gigante de brinquedos Playmobil que lance um brinquedo de matadouro realista para crianças.
De acordo com os defensores da ONG PETA, a empresa de brinquedos enganou os consumidores no passado, retratando animais felizes em seu conjunto de brinquedos “Grande Fazenda”.
A PETA diz que essas figuras felizes “deturpam a realidade da vida dos animais de criação, que sofrem com o sofrimento e a violência muitas vezes passando a vida presos e só se libertando com a morte”.
Sem resposta
A ONG tentou contato com a Playmobil no passado, pedindo para que a empresa removesse os animais felizes, mas ainda não recebeu resposta.
Como resultado, a PETA tem uma nova proposta para a marca: pedir para lançar um conjunto na franquia de sucesso Lego, “My First Abattoir'”, que “mostraria às crianças como as vacas e bois são realmente tratadas na indústria de laticínios e carne para consumo”.
Mentir para as crianças
“Como as vacas usadas pela indústria de laticínios são enviadas para a morte uma vez que não produzem mais leite suficiente para serem lucrativas para os fazendeiros, o brinquedo “My First Abattoir”, idealizado pela ONG, incluiria duas figuras de vacas que foram penduradas de cabeça para baixo e cortadas”, disse PETA em uma declaração enviada ao Plant Based News.
“E porque os bezerros machos são considerados inúteis para a indústria de laticínios, o conjunto mostra um bezerro jogado em um carrinho de mão para ser descartado”.
“Se a Playmobil vai oferecer brinquedos que representem negócios que exploram animais para alimentação, ela não deve, no mínimo, deturpar as condições em que esses seres vivem e morrem”, acrescentou a diretora da PETA, Elisa Allen.
“A PETA está pedindo à companhia que pare de mentir para as crianças sobre o horror e a crueldade por trás de cada copo de leite de vaca e de cada hambúrguer de carne bovina que eles consomem”.
O site Plant Based News entrou em contato com a Playmobil para comentar mas não obteve resposta.
A realidade dos matadouros
Com o objetivo de mostrar a realidade dos matadouros uma organização australiana que atua pelos direitos animais, a Aussie Farms, disponibiliza em seu site um banco de dados com mais de 14 mil fotos, vídeos e documentos de investigações realizadas em fazendas, além de um mapa interativo que mostra a localização de mais de cinco mil fazendas industriais e matadouros.
O objetivo é mostrar que o sofrimento dos animais criados nesse sistema não se resume à exceções, fatos pontuais.
A iniciativa é resultado de um trabalho de oito anos do diretor-executivo da Aussie Farms, o cineasta Chris Delforce, que em 2018 lançou o documentário “Dominion”, que tem aproximadamente duas horas de duração e explora seis facetas primárias da relação humana com os animais – animais de companhia, vida selvagem, pesquisa científica, entretenimento, vestuário e alimentos. O filme se propõe a questionar a moralidade e a validade do nosso domínio sobre o reino animal.
Ao disponibilizar os arquivos envolvendo as fazendas industriais e os matadouros, a intenção da organização também é forçar as empresas a atuarem com transparência, já que a realidade da cadeia de produção de alimentos de origem animal normalmente está bem distante dos consumidores.
“Acreditamos na liberdade de informação como uma ferramenta poderosa na luta contra o abuso e a exploração de animais. Defendemos que os consumidores têm o direito de saber da existência, localização e operações desses negócios”, afirmou Delforce em um comunicado oficial da Aussie Farms.