Um ouriço-cacheiro foi encontrado morto por técnicos da Defesa Civil na região de Miracema, no Rio de Janeiro. O animal tinha o focinho queimado e foi enterrado em uma área de vegetação da cidade.
Foto: G1
“Ele deve ter ficado preso em uma toca no barranco e se queimado”, disse coordenador da Defesa Civil, Cláudio Martins, em entrevista ao G1. “Ao sair, ele caiu”.
O coordenador também afirma que a região afetada pelo incêndio tem muitas tocas de animais. Infelizmente, muitos outros podem ter se ferido ou morrido nas tocas. Entre eles, outros ouriços, mas também cobras, lagartos e tatus. “Essas cenas entristecem toda a equipe que vem combatendo esses incêndios e resgatando animais silvestres que fogem do fogo”, contou.
O incêndio ocorreu dois dias antes do animal ser encontrado, o que faz a Defesa Civil acreditar que o animal permaneceu na toca por um tempo, antes de tentar escapar do fogo.
A queimada é uma técnica primitiva utilizada no Brasil desde o período colonial. Por ser rápida e barata, ainda é empregada no meio agrícola como forma de “limpar o terreno” – o que acaba provocando inúmeras consequências, como o desequilíbrio dos ecossistemas, liberação de gases poluentes, intensificação da erosão e a morte de vários animais. Acidentes também podem causar queimadas, mas na maioria das vezes os incêndios ocorrem de maneira criminosa.
Segundo a Defesa Civil, as queimadas deste ano já destruíram em cerca de 19 hectares, algo em torno de 190.000 metros quadrados ou mais 17 campos de futebol. Isso só em Miracema. As perdas totais da biodiversidade são incalculáveis.
O órgão informou que está emitindo alertas e promovendo campanhas nas redes sociais para conscientizar as pessoas sobre o crime de colocar fogo na vegetação.
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Só em 2018, o Brasil exportou cerca de 700 mil bovinos nessas condições (Fotos: Reprodução)
Hoje (21), às 10h, ativistas dos direitos animais vão se reunir na Praça Major João Fernandes, perto do Hotel Roma, em São Sebastião (SP), em manifestação contra a exportação de animais vivos. Depois seguirão para protestar em Ilhabela.
São Sebastião, no litoral norte paulista, tem um dos portos brasileiros de onde com mais frequência tem partido navios com grandes quantidades de animais vivos enviados ao Oriente Médio para serem mortos seguindo os preceitos do abate halal. Enquanto em 2016 eram embarcados cerca de 46 mil bovinos por ano, em 2017 o total já havia ultrapassado 92 mil – ou seja, o dobro.
Já em 2018, a média foi de 10 mil animais embarcados por mês, movimentando 300 mil reais por dia de embarque, embora o Porto de São Sebastião não cumpra as exigências ambientais do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
No Brasil, o assunto hoje é bastante polêmico, considerando episódios de laudos comprovando crueldade contra animais, más condições de higiene e espaço, calor extremo, bovinos mortos, moídos e descartados em alto mar; e poluição das águas em decorrência dos dejetos gerados pelos animais ao longo de 21 dias – que é o tempo médio que dura uma viagem de navio que transporta “carga viva” até o Oriente Médio.
Só em 2018, o Brasil exportou cerca de 700 mil bovinos nessas condições. E tudo indica que este ano o volume será maior, levando em conta acordos que o governo vem firmando para que o país amplie as exportações de “gado em pé” para Egito, Turquia, Jordânia, Iraque, Líbano e Irã. Além disso, deve começar a exportá-los para o Vietnã e Uruguai.
Ainda que haja uma alegação de suposta contribuição à economia, vale lembrar que no início deste ano sete desembargadores que analisaram recurso interposto pelo Fórum Animal no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) em São Paulo reconheceram que a exportação de gado vivo é irrelevante para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, além de trazer consequências negativas para o meio ambiente e para os animais.
Um trabalho que também apresenta inúmeras razões pelas quais a exportação de gado vivo já deveria ter chegado ao fim no Brasil é o documentário de curta-metragem “Exportando Vidas”, lançado em julho de 2018 pelo movimento Nação Vegana Brasil.
No filme, que representa manifesto e voz de milhões de animais exportados no mundo todo para serem mortos em outros países, o advogado Ricardo de Lima Cattani afirma que a alegação comum de ruralistas, inclusive políticos, de que a exportação de animais vivos interfere substancialmente na economia, é mentirosa, porque se um animal não é embarcado vivo para outro país, o dono do gado vai abatê-lo e lucrar do mesmo jeito.
“Ele quer ganhar mais dinheiro vendendo o animal vivo, e mesmo que custe o mal-estar, a crueldade contra os animais. Assim ele ganha mais dinheiro, sem imposto, porque quando vende para o frigorífico ele tem os encargos”, frisa Cattani. O documentário produzido pelo grupo Nação Vegana Brasil também mostra imagens reais e inclusive atuais da exportação de animais. É possível ver animais apreensivos, assustados e sujos dentro de navios – em um perceptível cenário de negligência e imundície.
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A Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), em Botucatu, introduziu um Ambulatório de Corpo de Delito de Medicina Legal Veterinária. O serviço foi criado para atender a crescente demanda sobre investigação de crimes ambientais, sindicâncias e responsabilidades de contratos comutativos para prestação de serviço, que envolvam animais vivos e seus produtos.
Foto: FMVZ Unesp
O Ambulatório é o primeiro no Brasil a funcionar exclusivamente com esse foco na medicina veterinária.
“As demandas para o Ambulatório partem de autoridades judiciais, como delegados, promotores e juízes, via boletins de ocorrência, requisições ou intimações”, explica a professora Noeme Sousa Rocha, responsável pelo ambulatório.
Alberto Soiti Yoshida, perito veterinário e consultor da ANDA, acredita que o IML animal é essencial. De acordo com ele, a criminalização ocorreu, mas não houve nenhum sistema que tornasse possível a coleta de provas para a confirmação o crime. “A legislação brasileira tornou os maus-tratos aos animais um crime, mas a estrutura do Estado não acompanhou essa alteração legislativa”, afirma.
O perito declara que as universidades assumiram esse papel já há algum tempo, realizando a perícia nos animais, atividade que precisa especificamente dos médicos veterinários capacitados. Para ele, as iniciativas nas universidades se mostram mais adiantadas que o Estado, que pode e deve utilizá-las como meio de provas para fazer valer a lei.
“Nós temos um projeto de lei tramitando no Congresso para aumentar a pena de maus-tratos aos animais. A legislação está adiantada, mas não há estruturas acompanhando”, menciona ele. Alberto parabeniza a FMVZ pela criação do Ambulatório, afirmando que isso será benéfico tanto para aqueles que trabalham para levantar provas dos maus-tratos nos animais quanto para a sociedade como um todo.
Publicado no YouTube na última quarta-feira (26), o episódio “Da escassez ao alimento”, o primeiro da websérie documental “O que você vai comer amanhã?”, da Urban Farmcy, destaca os benefícios de uma alimentação à base de vegetais. O episódio aponta que entre evidências e novas linhas de pesquisas os estudos reforçam cada vez mais o poder de cura do alimento de verdade.
(Foto: Reprodução/Vegazeta)
“As dietas baseadas em plantas trazem esperança no combate à hipertensão e podem contribuir para a redução de doenças cardíacas em mais de 15%. A preferência por alimentos íntegros pode colaborar para a redução de alguns tipos de câncer em 40% e o risco de diabetes é capaz de cair em até um terço”, informa.
Além de apontar falhas na alimentação de grande parte da população hoje e enfatizar as grandes consequências desses maus hábitos associados a inúmeras doenças, o episódio defende que a qualidade de vida hoje é indissociável da importância em substituir uma dieta pobre por alimentos de verdade. “Uma melhora é rapidamente notada”, frisa o narrador enquanto são exibidos alimentos de origem vegetal.
Em “Da escassez ao alimento”, o médico especialista em nutrologia Eric Slywitch diz que vivemos em uma sociedade em que o consumo é instigado para além das nossas necessidades. “Então a gente acha que precisa de coisas que não realidade a gente não precisa. Então essas mudanças que a gente faz baseadas no esforço pessoal trazem uma sensação de bem-estar que ninguém tira”, comenta Slywitch.
A série também afirma que nas comunidades ao redor do mundo que se destacam pela longevidade as pessoas têm uma dieta com pelo menos 95% de alimentos de origem vegetal. “Sem fórmula mágica, apenas uma alimentação que funciona de acordo com o seu propósito – nutrir.” E destaca ainda que o Brasil é privilegiado por ter um dos ambientes mais férteis do mundo para a produção de vegetais.
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São dados que realmente chamam a atenção se ponderarmos que porcos são seres sociáveis com aptidão para interagir e viver em grupo (Foto: Peter Andrews/Reuters)
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados esta semana, o Brasil matou 11,31 milhões de suínos somente no primeiro trimestre de 2019, o que representa aumento de 5,5% em comparação com o mesmo período de 2018.
Só a região Sul foi responsável por 66,2% dos animais abatidos, seguida pelo Sudeste (18,6%), Centro-Oeste (14,2%) e Norte (0,1%). No mundo todo, cerca de 23 milhões de porcos são mortos por semana, segundo a organização Animal Ethics, do Reino Unido.
Dos mamíferos reduzidos a alimentos e outros produtos, os porcos estão no topo. Mata-se no mundo todo pelo menos três vezes mais suínos do que bois e vacas, de acordo com a AE. São dados que realmente chamam a atenção se ponderarmos que porcos são seres sociáveis com aptidão para interagir e viver em grupo.
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Entrega do manifesto fez parte do evento “Um Dia Animal!”, iniciativa do deputado Fred Costa (Patri-MG) (Foto: CFBio)
Ontem, um grupo formado por organizações da sociedade civil, parlamentares e artistas entregou ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um manifesto contra a liberação da caça no Brasil.
Também foi entregue um abaixo-assinado com mais de 700 mil assinaturas contra a prática no país, além do resultado de uma pesquisa encomendada pela WWF-Brasil, que mostra que 93% da população brasileira é contra a caça.
A rejeição à caça é de 95% nas capitais e 91% em cidades do interior. Tratando-se de regiões, o percentual é de 94% no Sudeste, 93% no Sul, 92% no Norte e Centro-Oeste e 91% no Nordeste.
Atualmente há vários projetos que visam favorecer a caça e os caçadores no Brasil. De autoria do ex-deputado federal e atual chefe-ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o projeto de Lei (PL) 7136/2010 visa transferir aos municípios o poder de autorizar a caça de animais – prerrogativa que é do governo federal.
Já o Projeto de Lei Complementar (PLP) 436/2014, de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB-SC), quer tornar a caça e o “manejo de fauna” ações administrativas dos governos estaduais. Mendonça também é autor do PL 986/2015, que protege caçadores no que diz respeito à aquisição propriedade, posse, trânsito e uso de armas de fogo.
De autoria do ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC), e atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro, o Projeto de Lei (PL) 6268/2016 é provavelmente o mais conhecido e prevê a liberação da caça em todo o país e ainda altera o Código de Caça brasileiro, editado em 1967.
Há também o PL 1019/2019, que cria o Estatuto dos CACs que, segundo o próprio autor, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP), que este ano desarquivou o projeto de Valdir Colatto, de liberação da caça, tem a finalidade de regular o exercício das atividades de colecionamento, tiro desportivo e caça, “a fim de apaziguar as diferentes interpretações legais sobre o assunto e prevenir que caçadores, atiradores e colecionadores sejam presos indevidamente”.
“As futuras gerações vão precisar de água. Vai ser uma situação muito grave” | Foto: Divulgação
Na última terça-feira, durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente (CMA), e que fez parte da programação da campanha Junho Verde, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que o Brasil é o país mais irresponsável do mundo com o meio ambiente.
“Quando vejo alguém querer dar condição de desmatamento de mais cinco milhões de hectares no Brasil, parece que esse povo não tem filho nem neto”, declarou.
E acrescentou: “Esse pessoal no futuro vai querer beber água de qualidade e em quantidade suficiente. As futuras gerações vão precisar de água. Vai ser uma situação muito grave.”
As declarações do senador surgiram durante discussão sobre as tentativas de flexibilização do Código Florestal, que além de propor mais relaxamento na legislação ambiental também prevê mais anistia para os desmatadores no Brasil. Exemplo é a Medida Provisória 867/2018, proposta pelo deputado Sergio Souza (MDB-PR).
O professor de agronomia Roberto José de Freitas, que participou da audiência, defendeu que é um erro os produtores rurais acharem que qualquer medida de redução de áreas de preservação ambiental pode ser benéfica.
A justificativa é bem simples – um ambiente bem preservado reduz problemas de doenças e pragas. “Quando ele conserva a água, ele é o primeiro beneficiário”, disse.
Durante a audiência também foram abordados pontos que podem contribuir para uma “economia verde”, incluindo mais investimentos em energia solar.
“Se a gente continuar emitindo gases de efeito estufa, vai ter mais uns 15 anos de vida como planeta. O sol é a grande resposta. É a fonte mais abundante, barata e limpa. É a matriz que mais gera emprego”, declarou o empresário do ramo de energia solar, Tiago Alves.
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A ONG Compassion in World Farming está liderando, pelo terceiro ano consecutivo, um movimento internacional para mobilizar a população mundial em torno do Dia Internacional contra a Exportação de Gado Vivo, celebrado nesta sexta-feira (14). O intuito da data é conscientizar as pessoas acerca do sofrimento dos animais exportados.
Em 2017, 30 países participaram do movimento. Ano passado, o Brasil também aderiu à ação, que envolveu 33 nações. Neste ano, 41 países foram mobilizados e irão realizar manifestações. Coordenados pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, em parceria com entidades de várias cidades, os protestos brasileiros começaram na quinta-fera (13) e serão realizados até o domingo (16). Doze cidades estão participando. As informações são da Agência Brasil.
Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)
De acordo com a diretora de Educação do Fórum, a geógrafa Elizabeth MacGregor, embora existam legislações que determinem que os animais exportados recebam tratamento humanitário, “a questão do bem-estar animal é zero”. Além disso, segundo ela, essa exportação é negativa do ponto de vista econômico, já que representa apenas 1% do que é produzido pela pecuária brasileira para consumo humano. De acordo com MacGregor, todos os países importadores também importam carne embalada.
A geógrafa lembrou ainda que, por não ser taxada, a exportação de boi vivo não gera riqueza para o Brasil. “O couro vai de graça” para o importador, disse MacGregor, que reforçou também que essa atividade não gera emprego no Brasil, mas nos países compradores, como a Turquia e o Líbano. Além disso, esses país, comentou a geógrafa, não utilizam práticas de bem-estar animal, o que faz com que os animais sejam mortos de maneira cruel.
O problema, porém, é ainda maior, já que “ambientalmente é péssimo”. Isso porque o transporte costuma ser feito em navios reformados ou adaptados, de péssima qualidade, sem condições mínimas de higiene, sem alimentação e hidratação adequada para os animais, sem assistência veterinária, impondo aos animais uma viagem longa e exaustiva, na qual eles são sujeitos a intempéries climatológicas, com urina e fezes provocando a proligeração de doenças. Em ambientes superlotados, esses animais também não têm espaço sequer para deitar e descansar durante o percurso, que pode levar semanas. “Vão cheios de outras substâncias que afetam o meio ambiente”, disse MacGregor.
De acordo com a diretora do Fórum, a exportação de animais vivos não é boa para o Brasil, “tanto na questão econômica, como na questão da imagem do país que, no momento, parece estar sendo deixada de lado”. A questão, na opinião da ONG, é econômica. Mais de 700 mil animais vivos foram exportados em 2018, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o que gerou receita de US$ 470 milhões para o Brasil. Esse valor, porém, representa só 7% da receita proveniente da exportação de carne e derivados, que ultrapassa US$ 6 bilhões anuais.
Boi com corpo coberto por fezes e urina dentro do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Dentre os países contrários a essa prática, a maior parte está na Europa. Isso, segundo MacGregor, deve-se ao conhecimento. A diretora da ONG lembra que a ciência já comprovou que todo animal vertebrado é senciente, ou seja, consegue sentir dor, física e psicológica. “Têm capacidade cognitiva, então raciocinam, têm sentimentos e desde a década de 1970, a ciência do bem-estar animal usa parâmetros científicos e objetivos para analisar tecnicamente como os animais estão sendo tratados”, disse. Segundo ela, esse conhecimento ainda é heterogêneo, “como tudo no mundo”.
Sobre o movimento internacional, a diretora contou que os 41 países participantes estão localizados em todos os continentes. “O movimento é global mesmo”, explicou. Na Europa, também é defendida a redução das horas de transporte terrestre dos animais. “Mas o pior é essa exportação”, segundo MacGregor.
O movimento teve início em Londres, na Inglaterra, em 2017. Trata-se de uma iniciativa da ONG ‘Compassion in World Farming’, em parceria com a ONG ‘World Wide Fund for Nature’ (WWF), o Banco Mundial (BIRD) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE). Todas essas organizações reforçam o impacto negativo da pecuária e lembram que, dentre as atividades humanas, ela é a que causa prejudica o meio ambiente – considerando desde o desmatamento até a poluição de mares, lagos e oceanos. A diretora do Fórum explicou que a flatulência dos bois é gás metano – afirmação que é confirmada por estudos.
“Tem todo um embasamento técnico e de órgãos internacionais, não só de ONGs”, disse. MacGregor comentou também que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) já se pronunciou sobre o impacto da pecuária na natureza. “O Brasil tem mais boi do que gente”, afirmou. A questão, segundo MacGregor, “é seríssima em todo o mundo”.
Graxaria do navio NADA (Foto: Magda Regina)
Diretora do Fórum, a médica veterinária Vânia Nunes disse ainda que os maus-tratos se iniciam no transporte das fazendas para os portos, que já é “extremamente estressante para os animais”. Além disso, Nunes salientou que muitos animais morrem nos navios, durante as longas viagens de exportação, por não resistirem às péssimas condições as quais são submetidos. Os corpos, triturados, são jogados no mar, assim como toneladas de fezes e urina produzidas diariamente, poluindo o meio ambiente.
Na quinta-feira (13), foram realizados protestos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte (MG). Para esta sexta-feira (14), há atos marcados em Brasília, Salvador (BA) e Sorocaba (SP). No sábado (15), as manifestações serão realizadas em Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Belém (PA) e Indaiatuba (SP). O encerramento está marcado para domingo (16), em Lajeado (RS).
ANDA move ações contra exportação de animais
A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.
A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.
Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.
Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas (Foto: Dmitry V. Petrenko/Shutterstock)
Na quarta-feira, especialistas presentes na audiência pública que discutiu o papel dos biomas na produção de água, biodiversidade e estratégias de conservação na Comissão de Meio Ambiente (CMA) alertaram para o futuro dos biomas brasileiros, de acordo com informações da Agência Senado. A reunião fez parte da programação do Junho Verde no Senado.
Segundo dados apresentados por João Paulo Capobianco, vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade, o Brasil precisa criar 262 mil quilômetros quadrados de unidades de conservação para proteger, pelo menos, 10% dos seus biomas, fora a Amazônia.
Já perdemos a maior parte (85,5%) da floresta nativa da Mata Atlântica; o Pampa tem mais da metade da sua área (54,2%) desmatada; no Cerrado, restam 50% da vegetação natural; a Caatinga desflorestou 46,6% da sua área; e o Pantanal perdeu 15,4%. No caso da Amazônia, o desmatamento, em um intervalo de 20 anos, foi de mais de 370 mil hectares, entre 1967 e 1987.
Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas, ou seja, aquelas que existem apenas nessas regiões. Isso significa que se elas forem extintas nesses locais, desaparecem do planeta.
São mais de duas mil espécies de plantas e 1.173 espécies de animais. Só na Mata Atlântica, são 428 espécies vulneráveis ou em perigo de extinção. Diante desses números, outra preocupação de Capobianco é a política ambiental do governo federal.
“Algo que nos apavora são as iniciativas oficialmente declaradas de revisão das unidades de conservação, de cancelamento de novas unidades, de intervenção branca no ICMBio inviabilizando a sua atividade. Isso significa um retrocesso inadmissível dentro de um quadro já extremamente preocupante”, disse.
Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ressaltou que todo os fragmentos florestais acima de três hectares totalizam apenas 12,4% do bioma. Ou seja, foi o que restou da área original, ocupada atualmente por mais de 140 milhões de pessoas, em 3.429 municípios, principalmente na Região Sudeste, onde ficam os maiores remanescentes, na Serra do Mar e em áreas protegidas.
O sacerdote cubano Dagoberto Isaac Cordero Chirino, de 66 anos, conhecido como Alawowwo, está fazendo uma campanha no Brasil contra o sacrifício animal em rituais religiosos. O objetivo dele é convencer pais e mães de santo a parar de matar animais.
Alawowwo veio ao Brasil a convite de mãe Solange, uma ialorixá proprietária do terreiro de canbomblé Roça dos Oxirás Afro-brasileiros, em Guarulhos (SP). Os dois se aproximaram, após se conhecerem em Cuba, porque mãe Solange queria parar de fazer sacrifícios de animais nos trabalhos que realiza.
O sacerdote Alawowwo (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)
Adepto do culto yezam (Ozaín), uma religião africana de 4,5 mil anos que nunca fez sacrifício animal, Alawowwo veio ao Brasil com a esposa, Marta de Armas Sotolongo, com quem é casado há 35 anos e tem três filhos. Os dois se hospedaram em uma casa a meio quarteirão do terreiro Roça dos Oxirás Afro-brasileiros.
Em 2016, Alawowwo iniciou mãe Solange no culto yezam. “Desde então não faço mais sacrifício animal em minha casa”, afirma ela, em entrevista exclusiva ao jornal Folha de S. Paulo.
Com algumas similaridades com a umbanda e o candomblé, o yezam nasceu no Benin, na África, e chegou a Cuba e a outros países da América Latina ao ser trazido por escravos africanos. A religião deve chegar, também, ao Brasil, caso os planos de mãe Solange e Alawowwo derem certo.
“Yezam é mais antigo que o candomblé e a umbanda, e tem alternativas para o uso do sangue”, afirma Alawowwo. Essas alternativas, porém, não podem ser expostas a quem não for iniciado no culto.
“Todas as religiões um dia fizeram sacrifício animal, os cristãos, os muçulmanos, os budistas. Mas se adaptaram às mudanças da sociedade e não fazem mais isso”, diz Alawowwo. “Até hoje nas missas católicas os padres falam ‘o sangue de Cristo’ quando levantam o copo, mas não é mais sangue que tem ali. Agora está na hora das religiões de origem africanas se adequarem aos tempos modernos”, completa.
A mãe de santo Solange Buonocore (Foto: Eduardo Knapp / Folhapress)
Os animais são mortos durante os rituais de iniciação, quando o sangue deles é usado, e para despachos oferecidos aos orixás. A justificativa para os sacrifícios é o uso do sangue na comunicação com as entidades. São mortos galinhas, patos, pombos, bodes, carneiros e bois e, depois, a carne é assada e consumida. Até mesmo o couro é utilizado para fabricação de instrumentos de percussão.
O sacrifício animal é legal, segundo a legislação brasileira. Em março deste ano, o Supremo Tribunal Federal decidiu, após realizar uma discussão sobre o tema que se iniciou em agosto de 2018, que a prática é constitucional. A lei, no entanto, determina que não pode haver crueldade nos sacrifícios, cabendo punição de até um ano de detenção em caso de maus-tratos. Não são, no entanto, todos os terreiros que praticam o sacrifício. Aqueles denominados “mesa branca” não o fazem.
“Na Europa já é proibido matar animais em cerimônias religiosas. As religiões africanas no mundo todo sofrem pressão das organizações de defesa dos animais e dos governos, e o culto de Yezam é um caminho”, diz Alawowwo.
O objetivo, agora, é conscientizar os pais e mães de santo brasileiros através de palestras e encontros, que serão organizados por mãe Solange. Até o momento, Alawowwo não tem compromissos agendados no Brasil, mas permanecerá no país pelo menos até meados de agosto. “É um trabalho complicado, mas estamos apelando à inteligência, à sensibilidade e à fé de integrantes de outros cultos”, concluiu o sacerdote.
Candomblé vegetariano
No Brasil, a mãe de santo Iya Senzaruban, decidiu parar de usar o sangue de animais em rituais do candomblé e começou a dar palestras e cursos sobre o que ela chama de “candomblé vegetariano”. Em entrevista exclusiva à ANDA, Iya afirmou que “a proposta do vegetarianismo no candomblé é fazer de uma outra forma, sem prejudicar o tipo de energia que a gente trabalha, sem mudar muito. As mudanças são muito poucas”. De acordo com ela, “não são eliminados os elementos da natureza, que é o que o candomblé trabalha, as forças da natureza”, mas são feitas mudanças “que vão desde a comida de santo, que não usa nem camarão ou ovo, nada de origem animal”.
A mãe de santo Iya Senzaruban (Foto: Divulgação)
“Não dá para buscar a mesma energia, porque a energia de sangue é muito pesada. Ela traz muita proteção mas ao mesmo tempo traz muita sujeira espiritual. Hoje em dia eu procuro ter uma limpeza espiritual e conseguir a mesma coisa sem ter que fazer uma matança: livrar as pessoas de problemas, principalmente na área de saúde, de doenças graves”, disse.
Estudos já comprovaram que o consumo de produtos de origem animal é prejudicial para a saúde humana. A mãe de santo, porém, lembra que eles fazem mal também para a espiritualidade de quem os consome. “Matar os animais é algo que espiritualmente não faz bem, pois você está tirando a vida e depois comendo cadáveres”, afirmou. Por outro lado, os vegetais, lembrou Iya, “não atingem a aura da pessoa”.
“O vegetarianismo é um estilo de vida para o bolso, para a saúde mental, espiritual e psicológica, pois tudo está ligado”, afirmou a mãe de santo.
Ao ser questionada sobre o que pretende o candomblé vegetariano, Iya respondeu: “a minha função, assim como para quem se sente nesta situação, é encontrar uma nova forma de louvar os orixás sem ofender os outros seres vivos. Eu acho que é uma demonstração de boa vontade para com Deus.”
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