Cerca de 100 animais são resgatados com vida em Brumadinho

Acervo: Extra

De acordo com informações do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV-MG), o número de animais resgatados após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, no dia 25, subiu para 98 até ontem.

Entre os resgatados estão cães, gatos, bois, vacas, cavalos, patos, galinhas, canários, tico-tico, azulão, trinca-ferro e cágado. Segundo o CRMV, a maioria dos animais está se recuperando bem.

O trabalho de resgate continua sendo feito com o suporte de médicos veterinários, biólogos, bombeiros, Defesa Civil, ativistas da causa animal e ONGs ligadas ao bem-estar animal e aos direitos animais.

Mesmo amarrado, cão sobrevive ao rompimento da barragem em Brumadinho

O cão estava agitado, com fome e sede (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

No último dia 27, bombeiros estavam fazendo o reconhecimento de uma área atingida pelo rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), quando Leôncio Valverdes se aproximou de uma residência e encontrou um cão amarrado.

Não havia ninguém na casa próxima à pousada Nova Estância, a não ser o animal que poderia ter morrido caso a lama tóxica tivesse chegado ao local em que foi mantido preso.

Valverdes conseguiu soltar o cachorro que estava amarrado há pelo menos dois dias e levá-lo a bordo de um helicóptero para um local seguro.

Impacto ambiental da tragédia de Brumadinho “será sentido por anos”, diz ONG

Foto: Corpo de Bombeiros | Divulgação

A organização advertiu, na última terça-feira (29), sobre o terrível impacto ambiental causado pela enxurrada de lama causada pelo rompimento da barragem na Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

“Aproximadamente 125 hectares de florestas foram perdidos, o equivalente a mais de um milhão de metros quadrados, ou 125 campos de futebol”, indicou o relatório divulgado quatro dias depois da tragédia que causou até agora a morte de mais de 100 pessoas e o desaparecimento de outras 238.

A lama afetou também a aldeia indígena Naô Xohã, com 27 famílias, a 22 km de Brumadinho.

“Estamos em uma situação muito séria. Dependíamos do rio e o rio morreu. Não sabemos o que fazer”, disse o cacique Háyó Pataxó Hã-hã-hãe, contando que os peixes mortos e um odor fétido tomaram conta da pequena comunidade.

De acordo com o G1, a Agência Nacional de Águas (ANA) estima que a onda de rejeitos e lama chegará entre 5 e 10 de fevereiro à hidrelétrica de Retiro Baixo, a 300 km da mina.

Foto: Andre Penner | AP

A expectativa é que as barragens de contenção nessa estrutura retenham os rejeitos, mas a ANA esclarece que “está sendo avaliado se a onda de rejeitos alcançará a reserva da hidrelétrica de Três Marias, no rio São Francisco, 30 km abaixo da barragem de Retiro Baixo”.

A WWF Brasil considera que ainda é cedo para algumas afirmações. Paula Hanna Valdujo, especialista em conservação da ONG, opina que “serão necessários estudos mais detalhados para entender a intensidade deste impacto e até onde se estende”.

Sobe para 73 o número de animais resgatados em Brumadinho

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 18 mil bovinos viviam na área rural de Brumadinho até o dia 25 (Foto: Estadão)

De acordo com informações do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Minas Gerais (CRMV-MG), que tem contabilizado o número de sobreviventes não humanos, pelo menos 73 animais já foram resgatados da lama tóxica da barragem da Vale em Brumadinho (MG) desde o último dia 25. Entre os resgatados estão cães, gatos, bovinos, aves e um cágado, que serão encaminhados para a adoção. A maior parte dos animais passa bem.

No local, há médicos veterinários, biólogos, bombeiros, Defesa Civil, ativistas da causa animal e ONGs ajudando nos resgates e nos planos de ação voluntária. Segundo a organização Proteção Animal Mundial, o rompimento da barragem de Brumadinho já afetou milhares de espécimes da fauna regional, o que é muito preocupante porque a região tem uma fauna bastante diversificada de aves, mamíferos e répteis.

A estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é de que 18 mil bovinos e 10 mil suínos viviam na área rural de Brumadinho até o dia 25. No entanto, ainda não é possível afirmar quantos desses animais foram afetados pelo rompimento da barragem.

Leitãozinho sobrevive em Brumadinho e ganha o nome de Guerreiro

“É um mistério como conseguiu se salvar. Foi bom ver o bichinho de novo” (Foto: André Ávila/Agência RBS)

Os agricultores Pedro de Jesus e Isamara de Araújo estavam esquentando o almoço quando foram surpreendidos pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG). “Parecia o fim do mundo. Só deu tempo de sair e correr”, relatou Isamara ao GaúchaZH.

Um hectare de cana, um pomar, uma casa de alvenaria, oito cabras, 50 galinhas caipiras e 20 d’angola, além de uma porca com oito leitões, foram soterrados pela lama tóxica. O único sobrevivente foi um leitãozinho que reapareceu enlameado horas depois.

O casal ficou tão surpreso que decidiu dar ao animal o nome de Guerreiro. “Esse aí não morre mais tão cedo. Decidimos que ficará sempre com a gente. Não será abatido. É um mistério como conseguiu se salvar. Foi bom ver o bichinho de novo”, declarou Jesus ao GaúchaZH.

ONG resgata cachorros salvos em Brumadinho (MG) e pede ajuda

A ONG OperaCÃO Resgate ficou responsável por dois cachorros resgatados da lama em Brumadinho (MG). A família dos animais está desaparecida.

“Sejam bem-vindos Simba e Nala, iremos cuidar de vocês e prometemos encontrar famílias que lhes darão muito amor e cuidados”, afirmou a voluntária da ONG, Larissa Alves.

A entidade precisará de ajuda financeira para arcar com os gastos dos cães com consulta, hemogramas, exames específicos de leishmaniose e, posteriormente, castração e vacinas.

“Como ainda não sabemos se eles estão contaminados pela leishmaniose, eles precisam ficar internados em isolamento e isso tem um custo. Não tínhamos como resgatar nada, pois como sabem, estamos devendo mais de 40 mil, mas não tínhamos como saber dessa tragédia e ficar de braços cruzados”, disse.

Interessados em ajudar devem entrar em contato com a ONG pelo e-mail adote@operacaoresgatecampinas.com.br.

Primeiro boi resgatado em Brumadinho (MG) ganha o nome de ‘Resistência’

Resistência é o nome do primeiro boi resgatado na lama de rejeitos da barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG). Batizado com esse apelido pelos bombeiros que o salvaram, o animal é um dos mais de 60 resgatados até a última quinta-feira (31). Eles foram encaminhados para uma fazenda na zona rural da cidade.

(Foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)

Os bovinos presos na lama da Vale geraram comoção por causa das primeiras imagens do desastre. Mas também foram encontrados ilhados, por causa do desalojamento das pessoas, cães, gatos, patos, porcos e até um cágado. Diferente das imagens em que aparecia atolado, Resistência agora está tranquilo e descansando em um curral, junto a algumas galinhas da fazenda. Não se importou muito com a imprensa que não parou de fotografá-lo depois que se tornou personagem da tragédia.

A fazenda fica entre Córrego do Feijão e a UPA da cidade e tem grupos especialistas em todas as espécies. Há espaços separados para os cachorros e as aves. Também está sendo construído um viveiro para os pássaros. Estagiárias da UFMG faziam a avaliação de uma gatinha com filhotes que estava ilhada. Também há um caminhão para receber e transportar os animais mortos.

A médica Mirella Lauria D’Elia, contratada pela Vale para atuar na fazenda, que funciona como Hospital de Campanha, informou que há médicos veterinários de plantão realizando os atendimentos. “Os animais resgatados por civis ou pelas nossas equipes são triados e medicados, se houver algum quadro crítico temos ônibus móvel que pode fazer cirurgias emergenciais”, disse.

Segundo a veterinária, uma cadela que chegou em estado mais crítico precisou passar por uma transfusão à noite mas já está estabilizada. Ela estava com um processo infeccioso. “Existem animais que perderam tutores e alguns que estão em estado geral bom mas atordoados. Eles tomam banho, antiparasitários e passam por atendimentos”, disse.

Todos que chegam são fotografados e a Vale vai fazer um mural e disponibilizar as imagens para que os tutores possam identificar os animais. Aqueles que não forem “encontrados” serão encaminhados para a adoção.

A coordenadora de resgate de fauna do Conselho Regional de Medicina Veterinária Laiza Bonela Gomes, da brigada veterinária, explicou o motivo da demora do início dos resgates dos animais. Segundo ela, isso ocorreu porque os veterinários tiveram de obedecer às restrições impostas pelos bombeiros e pela defesa civil.

Ativistas em defesa da causa animal criticaram a dificuldade de acesso aos animais, com restrições e barreiras impostas nos locais. De acordo com Laiza, a justificativa das autoridades foi por três motivos: a prioridade para o resgate de vidas humanas, o grande número de corpos a serem buscados e o risco de um novo rompimento de barragem.

A veterinária explicou que o resgate dos animais de grande porte, como os bois e cavalos, é o mais complicado e pode durar de seis a sete horas. É necessário o uso de helicóptero, redes especiais e suporte anestésico. “Esses são os resgates mais complexos em virtude do peso, da condição clínica do animal e da quantidade de profissionais envolvidos. É difícil içar mais de um animal por dia”, disse.

Fonte: Estado de Minas

Região de Brumadinho abriga aves e mamíferos ameaçados de extinção

Washington Alves | Reuters

Devastada pelo rompimento da barragem da Vale na última sexta-feira (25), a região de Brumadinho é habitada por cinco espécies de animais ameaçados de extinção. Entre elas figuram três aves e dois mamíferos.

As informações estão presentes no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) apresentado pela Vale em um projeto de continuidade das operações da mineradora na região dos municípios de Brumadinho e Sarzedo, ambos em Minas Gerais.

Entre as 153 espécies de aves localizadas na região, 27 vivem em um tipo específico de ambiente, 23 têm hábito migratório e três estão ameaçadas de extinção. Destas, o choca-da-mata e o patinho são listadas como vulneráveis e chupa-dente encontra-se em perigo.

Das 14 espécies de mamíferos presentes na área de Brumadinho, nove apresentam médio porte e outros cinco são de pequeno porte. Presente na lista de ameaçados de extinção, o lobo-guará figura com o maior número de registros na região. “Trata-se de um mamífero de hábitos solidários e que vive em áreas de vegetação aberta”, avalia o documento.

A onça-parda é outro mamífero nas listas de ameaçados de extinção do Ministério do Meio Ambiente e de Minas Gerais que vive na localidade.

No caso específico dos mamíferos, o documento afirma que o baixo número de espécies encontradas na região “pode ser explicado pela proximidade de alguns pontos de áreas próximas à mina e pela ausência de solos propícios para a marcação de pegadas e outros vestígios”.

Já entre as quatro espécies de peixes, duas de répteis (lagarto e jararaca) e 19 de anfíbios identificadas na região de Brumadinho, nenhuma encontra-se ameaçada de extinção ou ainda não foi descrita pela ciência.

O Relatório de Impacto Ambiental também destaca para a presença de 520 espécies de flora na região, sendo que nove delas aparecem como ameaçadas de extinção em uma portaria do Ministério do Meio Ambiente publicada em 2014.

Para coletar os dados, foram realizadas visitas ao local para identificar espécies de animais plantas. No caso de alguns animais, o documento aponta que foram também realizadas entrevistas com moradores para saber se as espécies foram vistas por eles.

Fonte: R7

Chef Fogaça leva cadela para doar sangue para animais de Brumadinho (MG)

O chef Henrique Fogaça, que é jurado do programa MasterChef Brasil, levou uma cadela tutelada por ele para doar sangue para os animais atingidos pelo rompimento de uma barragem em Brumadinho (MG).

(Foto: Reprodução / Instagram / @henrique_fogaca74)

Na última quarta-feira (31), Fogaça publicou uma foto de Granola, como é chamada a cadela, no Instagram. Na imagem, é possível ver a cadela doando sangue enquanto usa uma capa roxa de super-herói. As informações são do portal Catraca Livre.

“Ontem foi dia da minha Granola fazer doação de sangue para os animais que sobreviveram à tragédia de Brumadinho! Quem puder ajudar, por favor entrar em contato com a The Point Pet… Obrigado, qualquer doação será muito bem vinda”, escreveu o chef na legenda da foto.

Na foto, Granola, da raça labrador, se mostra bastante calma e paciente. A publicação encantou os seguidores do chef no Instagram. “Você vive me dando motivos para te aplaudir de pé”, escreveu um internauta. “Ano passado meu cachorro precisou de transfusão e quase fiquei louca para conseguir fazer. E foi uma doação como essa que salvou a vida dele”, disse outro.

Cães resgatados após rompimento de barragem voltam para casa em MG

A história do cachorro que ficou à espera dos tutores após o rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG) possibilitou que dois cães voltassem para casa. Isso porque o cão que pensavam chamar Vitinho é, na verdade, Zeus. E a repercussão gerada pela divulgação de uma foto dele na internet permitiu que os dois animais reencontrassem os tutores.

(Foto: Alexandre Guzanshe/EM)

O auxiliar administrativo Lucas Assis, de 32 anos, viu a foto do cão e acreditou que o animal fotografado era Vitinho. No entanto, horas depois do cachorro ser levado para a casa de Lucas, o pai do rapaz, José Moreira, percebeu que aquele não era o cão da família.

“Vitinho tem as orelhas maiores e mais caídas que este da foto de vocês. O cão que vocês fotografaram não é o nosso”, disse o aposentado. A observação de Moreira foi confirmada pela nora dele. “São quase idênticos, por isso o Lucas acabou confundindo, mas não é ele. De qualquer forma, ficamos muito gratos, pois a mobilização gerada pelo post do jornal nos trouxe o Vitinho de volta”, contou Vanessa Monteiro, de 28 anos. As informações são do jornal Estado de Minas.

(Foto: Estado de Minas)

A história, no entanto, chegou aos ouvidos da médica veterinária Larissa Alves, que fez a parte dela para que Zeus voltasse para casa. “Eu me lembro que o animal tinha um machucado na parte de cima do pescoço e também na pata. O ferimento estava manchado de roxo, como se tivessem passado um remédio por cima”, disse a veterinária, que lembrou que Zeus também tinha esse mesmo ferimento.

Foi assim que o animal voltou para a casa da família de Kayck Junior Braga, 15 anos. “Por causa do desastre, a gente também teve que desocupar nossa casa por um tempo. O Zeus, na confusão, acabou ficando para trás. Minha mãe então publicou uma foto dele em seu perfil no Facebook. A Larissa entrou em contato com a família do Vitinho, achando que havia encontrado o cachorro deles. Eles então ficaram sabendo do post da minha mãe, nos ligaram e trouxeram o Zeus para nós”, disse.

(Foto: Estado de Minas)

Segundo o adolescente, o irmão dele, Lucas, de um ano e cinco meses, foi quem ficou mais feliz com o retorno do animal. “O cão, na verdade, é do meu irmão. Meu pai o trouxe pra morar com a gente logo quando ele nasceu. O menino estava muito triste, sentiu muita falta do companheiro. Agora, está mais calmo”, afirmou Kayck.

Além de Zeus, a família criava vacas no pasto da pousada Nova Estância – onde o cão permaneceu à espera dos tutores. Esses animais, no entanto, não sobreviveram ao rompimento da barragem. Segundo Kayck, as vacas foram soterradas pelos 12,7 milhões de metros cúbicos de lama.