Governo de SP anuncia desburocratização de normas para caça ao javali

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou na última segunda-feira (29), durante a Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow), em Ribeirão Preto (SP), a desburocratização de normas para a caça ao javali, que, segundo ele, seguirá regras federais de controle e será feita de forma integrada ao Ibama. A medida, considerada um retrocesso do ponto de vista dos direitos animais, atinge também o javaporco.

Foto: Pixabay

“Ele passa a ser considerado um animal invasor, com legislação e regulação específica, para que ele possa ser caçado, possa ser controlado, possa ser morto”, disse o secretário da Agricultura de São Paulo, Gustavo Diniz Junqueira, ignorando o direito à vida e à integridade física, intrínsecos a qualquer ser vivo.

A partir de agora, para que a caça ocorra, basta que o caçador se cadastre no site do Ibama. O sistema online também será usado pelo governo do estado. As informações são da Folha de S. Paulo.

De acordo com a Federação da Agricultura e do Estado de São Paulo (Faesp), javaporcos e javalis já foram encontrados em pelo menos 500 dos 645 municípios paulistas.

“O que havia no governo anterior era uma confusão dentro do sistema. Ele fazia com que o controle não acontecesse, era muito difícil para os proprietários rurais, para os caçadores de fato se credenciarem para fazer o combate”, disse o secretário ao criticar a medida conservacionista do governo de Márcio França (PSB), que sancionou uma lei que proibiu a caça a animais silvestres em São Paulo. O ex-governador, no entanto, voltou atrás após uma reunião com representantes da Faesp e da SRB (Sociedade Rural Brasileira), e liberou a caça ao javali, sob supervisão do estado,
“em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco”.

Com a postura de França, a caça permaneceu proibida, mas com a ressalva do produtor solicitar autorização para matar os javalis caso o animal aparecesse nas proximidades de sua propriedade rural. No entanto, a autorização era dada em até 30 dias, período considerado longo pelos produtores, que se queixavam da situação. Com a medida anunciada por Doria, o objetivo é reverter esse cenário, beneficiando produtores rurais e prejudicando gravemente os animais.

De acordo com Junqueira, a caça passa a ser controlada agora pelo sistema do Ibama. Uma instrução normativa já foi assinada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

“É uma simplificação do processo. Adere-se ao sistema nacional, se cadastra, para que possa caçar o animal e nós tenhamos o controle da forma que está sendo feita, sem nenhuma violência, uma coisa mais tranquila, de maneira que possa ser feito o controle sanitário e de nossas propriedades”, disse o secretário Marcos Penido, da Infraestrutura e Meio Ambiente.

A alegação de que os javalis e javaporcos serão mortos “sem nenhuma violência” é, no entanto, contestada por ativistas dos direitos animais. Isso porque não há como fiscalizar a forma como esses animais serão mortos. Além disso, os ativistas alegam também a impossibilidade de tirar uma vida sem promover sofrimento.

Deputado diz que caça a javalis será legalizada o mais rápido possível em SP

Por David Arioch

A regulamentação da caça de javalis é uma das pautas prioritárias da bancada ruralista da Alesp (Fotos: Thais Bilenky/Folhapress/Wikimedia Commons)

Na semana passada, em entrevista ao programa Mercado & Companhia, do Canal Rural, o deputado Frederico D’Avila (PSL) disse que a caça a javalis será legalizada o mais rápido possível em São Paulo.

“Já conversei com o líder do governo na Assembleia, deputado Carlão Pignatari, conversei com o governador João Doria e com o secretário [da agricultura] Gustavo Junqueira e vamos agora regulamentar a legislação dentro do estado”, destacou.

A regulamentação da caça de javalis é uma das pautas prioritárias da Frente Parlamentar da Agricultura e Irrigação da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). D’Avila acrescentou que vai pedir regime de urgência na legalização.

Vale lembrar que no último dia 4 foi publicada no Diário Oficial da União uma nova portaria que permite o uso de cães de qualquer espécie e de armas brancas, como facas, na caça a javalis.

A publicação é resultado de uma atualização nas regras de caça da espécie estabelecidas pelo Ibama, que tem como presidente Eduardo Fortunato Bim, nomeado pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que quando concorreu à eleição para deputado federal no ano passado teve como uma das principais bandeiras a defesa da caça.

Quase 4 mil caçadores estão inscritos para matar javalis em SC

Estimativas indicam que existam de 1 a 2 javalis por quilômetro quadrado e uma população total de aproximadamente 200 mil animais da espécie em Santa Catarina. Sob a desculpa de controle populacional, 3.868 caçadores estão inscritos no estado para matá-los.

Foto: Pixabay

Tendo os direitos básicos à vida e à integridade física desrespeitados, o javali é atualmente o único animal cuja caça é permitida no Brasil. A permissão para que ele fosse caçado em todo o território nacional passou a vigorar em 2013. No entanto, desde 1995, a caça já era realizada, de forma experimental, no Rio Grande do Sul.

Em março deste ano, uma nova portaria do Ibama informatizou o sistema de autorizações para caçadores, autorizou o uso de armas brancas e armadilhas – com exceção das armadilhas de laço e de dispositivos com acionamneto automático de armas de fogo – e permitiu que cachorros fossem explorados para a caça do javali, colocando esses animais em risco.

As pessoas autorizadas a caçar javali fazem uma inscrição no Cadastro Técnico Federal (CTF), do Ibama, e um registro no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), também gerido pelo órgão ambiental. As autorizações têm validade máxima de três meses.

A autorização da caça ao javali por si só coloca em risco outras espécies. A queixada e o cateto, por exemplo, são confundidos com os javalis pelos caçadores e acabam sendo mortos. Outros animais são assassinados de forma proposital. Além disso, a permissão para caça pode autorizar a prática até mesmo em unidades de conservação e florestas nacionais, o que ameaça ainda mais a fauna brasileira.

Após matar os javalis, os caçadores devem apresentar relatórios sobre a caçada, que devem ser entregues em até três meses contados a partir da data em que a autorização foi concedida.

História do javali no Brasil

O javali foi trazido ao Brasil no início dos anos 2000 para ser explorado para consumo humano. “De repente tínhamos muitos criadores. Foi aí que a gente contaminou várias áreas. Uma parte de um rebanho escapou, alguém deu um filhote para o vizinho, e assim foi. Não tiveram condições de segurar”, explica o biólogo Carlos Henrique Salvador.

Com a capacidade da espécie de percorrer longas distâncias, reproduzir-se de forma acelerada e se dispersar, o número de javalis aumentou e o animal se espalhou pelo Brasil. Locais que não tinham a presença do javali, receberam o animal após ele ser levado por caçadores que, de maneira cruel, queriam caçá-lo por hobby.

Na natureza, os javalis se reproduziram com os porcos domésticos e os porcos asselvajados, dando origem ao javaporco.

Nota da Redação: o javali, assim como qualquer outro animal, deve ter seu direito à vida resguardado. Autorizar que ele seja covardemente morto é totalmente antiético e injustificável. É preciso que o Brasil avance na defesa dos direitos animais, e não retroceda, como tem feito ao liberar uma nova portaria que facilita a caça ao javali e ainda coloca em risco a vida de cachorros, explorados por caçadores. 

ONG denuncia extermínio de raposas pela caça

Foto: Adobe

Foto: Adobe

Apesar de ser proibida no bloco de países, a caça à raposa ainda acontece frequentemente e em grande escala na Grã-Bretanha, com dezenas de animais sendo mortos de forma covarde, de acordo com uma instituição voltada para o bem-estar animal.

A Liga Contra Esportes Cruéis (LACS) afirma ter recebido 284 relatos de caçadas e 43 relatos de mortes de raposas causadas pela caças, a partir de novembro, quando a temporada foi aberta, e agora no seu encerramento.

A caça às raposas e a lei

A caça à raposa foi proibida na Inglaterra e no País de Gales sob a Lei de Caça de 2004 e na Escócia sob o Ato de Proteção de Mamíferos Selvagens da Escócia de 2002.

Mas acredita-se que os caçadores ignoram rotineiramente a lei, explorando as lacunas que encontram nela. Por exemplo, eles dizem que estão “caçando trilhas” – ou seja, seguindo uma trilha pré-estabelecida ao invés de um animal vivo – mas ainda estão caçando como antes na verdade.

Por causa disso, os ativistas pelos direitos animais pedem regularmente que a lei seja reforçada. Um debate parlamentar sobre crimes contra a vida selvagem em meados de março, levou ao fortalecimento dos apelos dos parlamentares inter-partidários pelo fortalecimento da Lei de Caça.

Fazendo campanha contra a caça à raposa

Além disso, políticos pró-caça ameaçaram derrubar a proibição estabelecida no passado, com a primeira-ministra Theresa May admitindo no passado que ela é a favor do esporte sangrento, sugerindo que ela pode derrubar a proibição se vencer a eleição com uma grande maioria.

Essa declaração causou um grande protesto público em maio de 2017, com milhares de pessoas tomando as ruas para mostrar seu apoio à proibição da caça às raposas. Falando no evento, o astro de TV Bill Oddie disse: “Este é um dia que pensei que eu nunca veria depois de uma conquista incrível em 2004 – a Lei da Caça. Muitos de nós pensamos ‘ok, evoluímos, agora vamos para outra questão’. O fato de termos que discutir sobre isso novamente é péssimo”, disse o astro.

Depois que May venceu a eleição – mas com uma pequena maioria – a questão parecia ter sido retirada a pauta, com os ativistas agora concentrando seus esforços no fortalecimento da legislação atual.

Matança

“Estes números mostram a triste realidade da imensa matança que ainda está ocorrendo nos campos britânicos pela caça à raposa”, disse Chris Luffingham, diretor de campanhas da League Against Cruel Sports.

“Sabemos que esses relatórios são apenas a ponta do iceberg, com caçadas matando raposas indefesas indiscriminadamente em todo o Reino Unido e mentindo sobre suas atividades sanguinárias para encobrir seus crimes”, disse ele.

“No entanto, acredito que a maré está mudando, e os partidos políticos estão reconhecendo a necessidade de levar o bem-estar animal muito mais a sério e criar uma legislação mais forte para proteger a vida selvagem britânica”, acredita Luffingham.

Questão de legislação

Ele acrescentou: “A questão do bem-estar animal nunca foi tão importante para o público e para os partidos políticos como agora e está se tornando um ponto vital para o sucesso eleitoral”.

“Estamos pedindo que a proibição da caça seja reforçada com a introdução de sentenças de prisão para os que são pegos caçando. Precisamos de um impedimento adequado para acabar com as atividades bárbaras da caça e também é imperioso acabar com as brechas que permitem que os caçadores burlem a lei”.

Deputado afirma que caça ao javali será legalizada no estado de São Paulo

O deputado Frederico D’Avila (PSL), coordenador da Frente Parlamentar da Agricultura e Irrigação da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, afirmou que a caça ao javali será legalizada no estado. Esse é um dos temas que a bancada ruralista paulista tem se dedicado a colocar em votação rapidamente.

Foto: Pixabay

“A caça para controle de javali será legalizada o mais rápido possível. Já conversei com o líder do governo na Assembleia, deputado Carlão Pignatari, conversei com o governador João Doria e com o secretário [da Agricultura] Gustavo Junqueira e vamos agora regulamentar a legislação dentro do estado”, disse o parlamentar ao Canal Rural.

“Sou contra a caça esportiva, mas o javali é uma espécie exótica, não existe outra forma de ser controlada a não ser que seja morto e ele se reproduz com velocidade muito grande”, completou.

O deputado disse também que irá solicitar regime de urgência para a votação do projeto.

Na última semana, o presidente da Associação Nacional de Caça e Conservação (ANCC), Daniel Terra, publicou um vídeo na internet por meio do qual contou ter participado de uma reunião, através de videoconferência, com integrantes da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil. Segundo ele, o objetivo do setor produtivo agrícola é juntar ideias, criar um projeto legislativo sobre a legalização da caça ao javali e entregar para a bancada ruralista “para poder forçar essas mudanças no âmbito legislativo”.

Terra explicou que foram dadas sugestões aos membros da Confederação. Dentre elas, que uma portaria ou lei classifique o javali como animal exótico, assim como outros animais, e que fique explícito que esse tema é de competência exclusiva da União, para que as leis que protegem os javalis em outros estados deixem de ter validade. O presidente da ANCC disse que foi sugerido também que a caça ao javali passe a ser considerada serviço voluntário não passível de multa, com contrapartidas ao caçador, como incentivo fiscal para importação de armas e carga tributária menor para a compra de munição. Segundo Terra, a ideia foi bem aceita na reunião.

Outra proposta do setor agrícola, discutida na reunião, é classificar o javali como animal sinantrópico – aquele que se adapta sozinho a ambientes urbanos, independentemente da vontade do homem, e tira benefícios das condições ecológicas criadas pela atividade humana. Segundo Terra, o objetivo é “colocar o javali no mesmo patamar do rato”.

A autorização para o transporte de corpos de javalis mortos também foi apresentada na reunião. De acordo com o presidente da ANCC, uma proposta será estudada e, depois, repassada ao ministro da Agricultura para ser regulamentada.

Ao final do vídeo, Terra afirma que a discussão sobre a caça ao javali continuará a ser realizada. “Vão ter mais reuniões, vai ser amadurecido isso, mas é uma coisa importante, é o setor produtivo rural, é a bancada ruralista que vai estar recebendo isso, preocupada com a questão do javali. É um momento novo que a gente está vivendo, um cenário mais positivo do que a gente tinha daquele bando de grupos ideológicos lá no poder tentando proteger o javali e contra o controlador”, concluiu.

Nota da Redação: legalizar a caça ao javali no estado de São Paulo é um retrocesso. A proteção à agricultura, para que o javali não interfira nas plantações, deve ser feita através de alternativas éticas e não por meio da caça, que é uma prática cruel e desumana. Classificar o javali como exótico ou sinantrópico não muda o fato de que ele é um ser vivo que deve ter seu direito à vida e à integridade física respeitado. Mudar a classificação da espécie apenas para ter liberdade para matá-la é uma medida antiética, que contraria os direitos animais. Além disso, a liberação da caça ao javali coloca também outras espécies em risco: os cães, que frequentemente são explorados para caçar outros animais, e todas as demais espécies silvestres, que poderão ser mortas na natureza quando caçadores saírem em busca de javalis. É preciso, portanto, que o projeto que prevê a liberação dos javalis no estado de São Paulo, que ainda será colocado em votação, seja barrado e que essa prática jamais receba liberação ou incentivo para ser realizada. 

Jaguatirica baleada e atropelada se recupera e é devolvida à natureza

Uma jaguatirica que foi vítima de um tiro e de atropelamento se recuperou dos ferimentos e foi devolvida à natureza no interior de São Paulo. O animal foi encontrado ferido na rodovia João Baptista Cabral Rennó (SP-225), em março, e foi solta a 200 quilômetros do município de Bauru, em área de mata determinada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. A soltura contou com o acompanhamento de uma equipe composta por integrantes da da Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart), veterinários e biólogos.

Foto: Pixabay / Ilustrativa

Quando foi encontrada, a jaguatirica, espécie ameaçada de extinção, apresentava feridas na cabeça e na coxa direita, além de ter um projétil de arma de fogo alojado na patela direita, com ferimento já cicatrizado. As informações são do portal A Tarde.

A suspeita é que a jaguatirica tenha sido atropelada após sobreviver a um ataque anterior, promovido por caçadores. “É um caso raro de dupla sobrevivência, esperamos que daqui para a frente ela possa viver em paz e se reproduzir”, disse Astélio Ferreira de Moura, diretor do Zoológico Municipal de Bauru, que abrigou e tratou do animal durante o período de recuperação. A soltura na natureza foi realizada na última quarta-feira (10).

A jaguatirica foi levada para o zoo após ser resgatada pela equipe ambiental da Concessionária Auto Raposo Tavares. Desidratada e debilitada, ela recebeu os cuidados necessários e se recuperou. O projétil encontrado no corpo do animal, do tipo balote usado em arma de caça, foi extraído com sucesso.

A bióloga Fernanda Abra, da Via Fauna, empresa parceira da Cart, explicou que a caça, da qual a jaguatirica provavelmente foi alvo, é uma das principais causa do declínio da espécie na natureza. A jaguatirica está classificada como vulnerável no Livro Vermelho do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), de 2018, que lista as espécies ameaçadas de extinção. Devolvido ao habitat em fase reprodutiva, o animal pode contribuir com a reprodução da espécie.

“Quando um animal duplamente ferido, como esse, se recupera e tem a chance de retornar à natureza, isso deve ser comemorado. Vida longa a essa jaguatirica”, disse Fernanda.

Quenianos saem as ruas contra o tráfico internacional de animais

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Centenas de quenianos marcharam pelas ruas de Nairóbi, capital do Quênia na África para pedir a proibição dos mercados internacionais de animais selvagens especializados em espécies ameaçadas de extinção.

O secretário do gabinete de turismo do Quênia, e também líder da marcha, Najib Balala, disse que o protesto foi planejado em conjunto por várias coalizões da proteção à vida selvagem, durante meses.

Os organizadores informaram que mais de 500 pessoas marcharam pelos animais pedindo o fim da caça pelas ruas de Nairobi na manhã de sábado.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Algumas das coalizões incluídas na organização do evento foram Conselho de Administração do Serviço de Vida Selvagem do Quênia, o Serviço de Vida Silvestre do Quênia, o Conselho de Diretores da Wildlife Direct e os Líderes Mundiais do Conselho de Diretores.

“Pessoas de todo o Quênia vieram emprestar suas vozes pela conservação da herança da vida selvagem, que se tornou um desafio internacional”, disse Balala.

O enorme grupo caminhou por dez quilômetros, do Museu Nacional Quênia até o quartel-general do Serviço de Vida Selvagem em Lang’ata, gritando slogans e segurando cartazes pelo fim do comércio internacional de os animais.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

“Este evento é voltado para impedir a caça de elefantes e rinocerontes e, posteriormente, o fim do comércio de marfim e chifre de rinoceronte, que é uma questão global”, disse ele.

Balala observou que entre 2012 e 2013, 400 elefantes foram mortos, enquanto em 2012 pelo menos 60 rinocerontes foram caçados.

De acordo com o presidente do SUSO, Peter Moll, os produtos da vida selvagem valem bilhões de dólares no mercado paralelo, um fator que levou à ganância humana a mirar o marfim de presas e chifres, fazendo rinocerontes e elefantes perderem batalha pela sobrevivência.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

Moll disse ainda que os animais majestosos estão mais ameaçados hoje, em função do avanço da tecnologia, o que levou a métodos mais modernos de caça.

“Atualmente a caça utiliza meios sofisticados, como armas automáticas, helicópteros e equipamentos de visão noturna”, disse ele.

Outras ameaças à vida selvagem incluem; redes criminosas de ação internacional, degradação e aumento dos conflitos entre elefantes e humanos, perda de habitat dos animais e taxa de crescimento da população humana, causando um aumento do uso da terra para a agricultura e pastoreio, entre outros.

A marcha global é um evento internacional, com mais de cem países participantes.

AP Photo/Khalil Senosi

AP Photo/Khalil Senosi

O Quênia participa pela quinta vez com o slogan “No market to trade”.

Isso quer dizer simplesmente que enquanto a compra de produtos feitos de partes de vida selvagem seja proibida, a matança desses animais não vai terminar.

A marcha antecede uma reunião global sobre o comércio internacional de espécies ameaçadas no mês que vem, no Sri Lanka.

Balala disse que o evento deve ajudar na campanha pelas propostas que serão apresentadas pelo país na conferência da CITES.

O turismo da vida selvagem é um dos principais contribuintes para a economia do Quênia.

A CEO da WildlifeDirect, Paula Kahumbu, afirma que o uso de espécies ameaçadas de extinção para produzir medicamentos em algumas partes da Ásia está contribuindo para a queda vertiginosa dos números das espécies.

Após morte do leão Cecil, nova lei pode proibir troféus de caça nos EUA

Reprodução | Facebook

Já se passaram quatro anos desde a morte brutal de Cecil. O ato cruel praticado pelo dentista norte-americano Walter Palmer provocou protestos globais e possibilitou debates sobre as consequências da caça de animais selvagens. Cecil era monitorado pela Universidade de Oxford, no Parque Nacional de Hwange, no Zimbábue.

A familiaridade do leão com seres humanos o deixou extremamente amigável, o que rapidamente o tornou muito amado por moradores, guardas e turistas. Quando Cecil foi baleado e morto, a história explodiu nas redes sociais e legalidade da importação de troféus de caça ganhou a atenção mundial, sendo alvo de crítica de ativistas e organizações internacionais de proteção animal e ambiental.

Agora, a trágica história da vida e morte do leão criou um novo precedente. O presidente do Comitê de Recursos Naturais da Câmara, Raúl M. Grijalva, introduziu uma nova lei na Câmara dos Representantes em homenagem ao leão com o objetivo de restringir a importação da caça de troféus para os Estados Unidos. A Lei de Conservação dos Ecossistemas por Cessar a Importação de Troféus de Grandes Animais, também chamada Lei CECIL, proibirá a importação de troféus de caça de espécies ameaçadas, salvo em condições especiais.

A lei proposta promoverá a transparência dentro do Serviço de Pesca e Vida Selvagem (FWS, na sigla em inglês), exigindo que a agência publique cada pedido de importação para receber um animal ameaçado ou em perigo de extinção. A lei reverenciará várias das políticas do governo ao proibir troféus de elefantes ou leões da Tanzânia, Zimbábue ou Zâmbia.

A presidente do Animal Welfare Institute, Cathy Liss, elogiou a nova proposta e a possibilidade do assunto estar sendo discutido mesmo em um cenário político nebuloso. “Espécies como elefantes e leões africanos enfrentam graves ameaças à sua sobrevivência e não há provas científicas confiáveis de que a caça contribua positivamente para a conservação de animais selvagens”, disse.

E completou: “a receita gerada pela importação de troféus de caça muitas vezes não fornece nenhuma renda significativa para os moradores empobrecidos. Em vez disso, essas caçadas geralmente canalizam dinheiro para as mãos de um grupo seleto sem melhorar as proteções para as populações de animais selvagens caçados. Nenhuma espécie que enfrente a extinção deve ser vitimada por alguém que queira pendurar a cabeça do animal na parede”, concluiu.

Caçador se torna vegano e oferece jantares com refeições a base de vegetais para outros caçadores

O ex-caçador e agora ativista John Castle em suas terras | Foto: Shushana Castle

O ex-caçador e agora ativista John Castle em suas terras | Foto: Shushana Castle

Jack Castle caçou animais por décadas, como membro da quarta geração de uma família de caçadores, ele aprendeu desde criança que tirar a vida desses seres indefesos era normal. Felizmente agora ele mudou de lado e decidiu passar a defender os animais em vez de matá-los. Castle dá o crédito de sua impressionante e enorme mudança à sua esposa, que transformou sua perspectiva de vida.

Jack Castle nasceu no Texas (EUA) e costumava viajar pelo mundo caçando em torneios e buscando troféus de animais selvagens com seu pai – que era fazendeiro e tinha pesqueiros também. Agora, ele dedica seu tempo à defesa dos animais, promovendo os benefícios de uma alimentação baseada em vegetais, defendendo as vidas desses seres sencientes, e transformando sua propriedade, localizada no Colorado, em um refúgio da vida selvagem.

Castle atribui essa mudança, que transformou a sua vida, à sua esposa Shushana Castle, defensora da alimentação a base de vegetais, e co-autora do livro “Rethink Food, 100+ Doctors Can’t Be Wrong” (Repense sua alimentação, mais de 100 médicos não podem estar todos errados, na tradução livre) e co-produtora executiva do filme “What the Health” entre outros filmes sobre o tema.

Desafiando caçadores

Depois de caçar a si mesmo, se encontrar e resgatar-se, Castle decidiu desafiar pessoalmente outros caçadores a se tornarem vaganos, convidando-os à sua casa para jantares chamados de “Hunters Dine Vegan” (Caçadores jantam de forma vegana, na tradução livre).

“Ele serve refeições veganas em seis pratos diferentes, enquanto educa os caçadores sobre o poder dos fitonutrientes em seus corpos e a a necessidade de compaixão pelo nosso ecossistema”, disse Shushana ao Plant Based News.

Shushana Castle e os livros de sua autoria: Meat Truth e Rethink Your Food | Foto: Deskgram

Shushana Castle e os livros de sua autoria: Meaty Truth e Rethink Your Food | Foto: Deskgram

“Ele também colocou toda a extensão de 900 acres (cerca de 3 mil e 500 km²) de sua fazenda, uma bela e exuberante propriedade, com vista de 360 graus para as montanhas da região, disponíveis para a conservação das espécies. Ele poderia ter feito uma fortuna desenvolvendo e arrendando a terra para agricultura em pequenas parcelas. Em vez disso, escolheu utilizá-la como abrigo e refúgio para a vida selvagem e seus ecossistemas”, disse a esposa orgulhosa.

“Ele ampliou um lago para quatro acres para receber os gansos e patos que migram do Canadá. Eles passam cerca de cinco meses no lago e têm seus filhotes ao redor dele. Castle diz que adora vê-los relaxar e aninhar-se no lago.” O ex-caçador criou também dezenas de pequenas lagoas de água doce para servir toda a vida selvagem que caminha pela terra”.

Respeito pelos animais

“Transformar a fazenda em uma reserva natural e abandonar a caça é o maior respeito que eu poderia demonstrar aos animais e isso é ótimo para o coração também”, acrescentou Jack Castle.

“Esse respeito se estende a toda a vida, especialmente aos animais criados em fazendas. Estamos todos diretamente conectados e esse relacionamento doentio está bem diante de nós. Hoje, a crise do desmatamento e do sofrimento dos animais nas fazendas de criação não pode ser ignorada”, declara ele.

“Eu sei que nem todo mundo tem a sorte de se casar com uma mulher que pode colocar sua cabeça no lugar, definir o que você deve comer e como a comida a base de vegetais é a melhor cura para qualquer mal, mas todos podem começar onde quer que estejam. Essa mudança nunca foi tão importante como agora”, conclui o ex-caçador.

Bolsonaro anuncia decreto favorecendo caçadores, atiradores e colecionadores de armas

Foto: Bolsonaro/Facebook

Foto: Bolsonaro/Facebook

Em uma declaração feita ao vivo de seu Facebook, na noite de quinta feira última (11), o presidente Jair Bolsonaro afirmou ter um decreto pronto sobre as atividades de colecionadores de armas, atiradores esportivos e caçadores, os chamados CACs:

“Vai dar o que falar também. Está prontinho um decreto sobre os CACs. O que é CAC? Colecionador, atirador e caçador. Ouvimos gente na ponta da linha, essas pessoas, ouvimos gente do Exército, [ouvimos] Polícia Federal. Lógico, já houve choque de conflitos, mas democraticamente eu decidi por vocês. O decreto deve sair na semana que vem”.

A declaração representa motivo de preocupação não só para os movimentos ligados à conservação da biodiversidade e contrários à liberação da caça como para todos os defensores dos direitos animais.

O presidente disse ainda que convidará parlamentares integrantes da bancada da segurança pública para o evento de assinatura do decreto no Palácio do Planalto e ressaltou que a medida vai “facilitar e muito” a vida de colecionadores, atiradores e caçadores.

Não foram fornecidos mais detalhes sobre o decreto, o que abre espaço para especulações e apreensão. Já existe um projeto de lei considerado pró-caça que “cria o Estatuto dos CACs, para dispor sobre o exercício das atividades de colecionamento, de tiro desportivo e de caça, em todo o território nacional”, o que deixa margem para a crença de que a declaração do presidente possa ter alguma novidade não divulgada de início e de impacto considerável em relação ao assunto que não estaria presente no projeto de lei 1.019/2019, conhecido como PL Pró-caça.

O PL pró-caça é o 1.019/2019, de autoria do deputado federal Alexandre Leite (DEM/SP). Na proposta do parlamentar, “é direito de todo cidadão brasileiro o exercício das atividades de colecionamento, de tiro desportivo e de caça, de acordo com o disposto nesta Lei e em seus regulamentos” (artigo 3º).

Somando-se a isso há ainda há o fato preocupante de que na campanha em 2018, circulou um vídeo em que Bolsonaro se dizia favorável à caça esportiva para um integrante da Associação Nacional de Caça e Conservação (ANCC). Posteriormente o atual presidente negou ser favorável à caça, alegando que o vídeo foi editado, pois na gravação completa ele estaria falando “somente” de abate de javalis.

Foto: WIKIMEDIA COMMONS

Foto: WIKIMEDIA COMMONS

O que não o isenta do mal-estar causado pela declaração, uma vez que os javalis são tão dignos do direito â vida como qualquer outro animal.

Mas sociedade está reagindo e não pretende aceitar a tudo calada: em 26 de março foi divulgado o Manifesto Contra a Liberação da Caça no Brasil, o texto é uma iniciativa do coletivo de ambientalistas e pesquisadores Aliança Pró Biodiversidade (APB) que elaborou um manifesto contra as tentativas de tornar a caça comercial e esportiva práticas legalizadas no Brasil.

O manifesto já conta com 400 signatários até o momento.

Foto: Vinicius Ribeiro/YouTube

Foto: Vinicius Ribeiro/YouTube

Proibida no Brasil desde 1967, as iniciativas a favor da liberação da caça não param de crescer a sombra do atual governo. Atualmente, quatro projetos de lei pró-caça estão tramitando na Câmara dos Deputados.

A caça nada mais é que é um extermínio de vidas de seres indefesos de forma covarde e predatória por humanos prepotentes. Os animais ficam expostos e ao bel prazer de caçadores armados têm suas vidas arrebatas e seus corpos expostos como motivo de orgulho e vaidade.

Acreditar e apoiar a diversão ao custo da vida de outro ser é um ato cruel e irresponsável que sinaliza de forma clara e inequívoca a que rumo se dirige nossa sociedade.

Lutemos para que esse triste retrato de nosso tempo, que representa um retrocesso, não se consolide.

Clique aqui para conhecer o manifesto “A SOCIEDADE REAGE: NÃO À LIBERAÇÃO DA CAÇA NO BRASIL! “