Caça leva palanca-negra-gigante a risco de extinção na Angola

A palanca-negra-gigante, subespécie rara de antílope, está ameaçada de extinção. Com apenas 200 animais vivendo na Angola, a sobrevivência da palanca é afetada pela caça, que ocorre devido à falta de fiscalização em parques e zonas de conservação.

Foto: Reprodução / Portal Observador

O secretário de Estado do Ambiente angolano, Joaquim Manuel, conta que os cerca de 200 animais existentes vivem no Parque Nacional da Cangandala e na Reserva Integral do Luando, na província angolana de Malanje, e “continuam ameaçados e em fase decrescente”. As informações são da Agência Lusa.

“O número que temos hoje indica que o pico continua decrescente e temos de elevá-lo. Hoje temos por volta de 10%, em comparação com a época colonial, e teríamos de ter um número suficiente por volta de 70% para assim podermos acautelar sua continuação”, disse.

O secretário disse também que, apesar do risco de extinção, as ações de conservação da espécie “melhoraram, substancialmente, desde 2003” e afirmou que, atualmente, pode-se falar em “uma recuperação” da espécie.

“Mas ainda está ameaçada. Existe um Plano de Gestão para os próximos cinco anos e isso é muito bom, porque já se pode avançar para outras atividades que não poderíamos desenvolver, como o ecoturismo, que poderá trazer os fundos para a conservação. Queremos levar o turismo para essas zonas para dar a conhecer o animal e arrecadar alguns recursos”, adiantou.

A caça, somada à incapacidade dos fiscais atenderem a 100% dois oito parques nacionais e das quatro reservas naturais do país, preocupam as autoridades ambientais de Angola. Atualmente, 1,6 mil fiscais trabalham em prol da conservação da palanca. Para ter um maior controle das áreas, seriam necessários 8 mil fiscais, segundo o Ministério do Ambiente.

“Só este dado dá para ver a diferença da necessidade gritante da quantidade de fiscais que ainda necessitamos. Hoje já se fala que, esse número de 8.000 fiscais poderia ser reduzido em 50% se se inserir as novas tecnologias”, disse. “A inserção do ecoturismo vem também no sentido de termos uma capacidade financeira para aumentarmos o número de fiscais nessas zonas”, acrescentou.

Com a apresentação do Plano de Gestão do Parque Nacional da Cangandala, em 2o18, defendeu-se a “necessidade da revisão dos limites” do parque para 85.000 hectares para “melhor conservação” das espécies. Para o secretário, essa revisão precisa ser feita para “melhor conservação do seu ecossistema e acompanhamento dos assentos populacionais que ali se encontram”.

“Visa que as comunidades que estão dentro das áreas de conservação saiam. Isso é que nos levou a fazer uma revisão da lei. A alteração está sendo feita e penso que até maio teremos a lei aprovada para que as comunidades inseridas nessas áreas tenham um tipo de atividade”, explicou. “Na Quiçama, temos população dentro do parque, infraestruturas alheias à conservação, temos uma estrada nacional que divide o parque em três partes e várias atividades que achamos que não fazem parte da conservação”, completou.

Caçador que matou mais de 5 mil elefantes diz não estar arrependido e espera conseguir mais troféus

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

O caçador zimbabueano Ron Thomson foi identificado como um assassino voraz da vida selvagem em um novo relatório que revela como as populações de elefantes despencaram em cerca de dois terços.

Assim como milhares de elefantes, o caçador de 80 anos, conta em seu site que “também matou mais de 800 búfalos, cerca de 60 leões, até 40 leopardos, cerca de 50 hipopótamos e muitos mais”.

Pai de dois filhos, ele diz que passou a vida como guarda florestal em parques nacionais africanos, o caçador negou ter sido motivado por uma incontrolável sede de sangue e insistiu que ele mata os animais para “ajudar” as populações a sobreviverem.

Com impressionante frieza, Thomson defendeu-se com o argumento falacioso de que “se as espécies não fossem reduzidas, seu número crescente destruiria seus próprios habitats”.

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

E o caçador foi mais longe ainda lançando acusações infundadas aos conservacionistas ocidentais, acusando-os de espalhar “mentiras fraudulentas” para extrair dinheiro do público.

Porém contra fatos não é argumentos: o número de elefantes caiu de cerca de 1,3 milhão na década de 1980 para cerca de 400 mil, de acordo com uma investigação da Campanha para Proibir a Caça ao Troféu (CBTH).

The Great Elephant Census, um levantamento de alcance mundial realizado por uma ONG que atua em defesa da vida selvagem, finalizado em 2016, apontou 352.271 elefantes da savana africana em 18 países, 30% a menos que os números de sete anos atrás. Uma queda rápida e perigosa.

Thomson negou ser um caçador de troféus ou um assassino de animais, argumentando que seu trabalho era em prol de “uma grande redução populacional” e apesar de já não caçar regularmente, em função da idade, ele diz que pode fazê-lo se for convidado.

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

Foto: Ron Tomsom/Reprodução

“Eu fiz o suficiente na minha vida para satisfazer qualquer sede de sangue que as pessoas possam pensar que eu tenho. Não foi sede de sangue, foi o meu trabalho”, acredita o assassino impiedoso.

“Quando eu levanto um rifle para um animal, eu tenho que matá-lo absolutamente com um tiro”, disse ele ao The Independent.

O ato de tirar a vida de animal parece não incomodar em nada o caçador sanguinário, que alega não ter nenhum arrependimento ou dor na consciência pelo número surpreendente de animais mortos por ele: “Eu sou um ecologista universitário treinado – eu certamente tenho que saber algo sobre isso”, afirma ele como se tentasse convencer a si mesmo.

Segundo Tomsom, o fato do elefante africano estar comprovadamente a beira da extinção não passa de uma “mentira inventada por ONGs de direitos animais que pedem dinheiro”.

Foto: The independent/Reprodução

Foto: The independent/Reprodução

E para justificar sua matança descontrolada ele defende que está na verdade “contribuindo” garantir que a população não aumente além da capacidade de seu habitat. Teoria que os especialistas já derrubaram por meio de argumentos baseados em evidências populacionais: a natureza se auto-regula, sem necessidade de intervenção humana.

O CBTH descobriu que 1,7 milhão de troféus foram importados entre 2004 e 2014, entre esses 200 mil eram de espécies ameaçadas.

Os leões foram uma das espécies mais afetadas, sofrendo o maior aumento de vítimas na caça de troféus entre as principais espécies desde 2004.

Eduardo Gonçalves, fundador da campanha contra a caça, disse: “A caça ao troféu é uma prática cruel e repugnante que data dos tempos coloniais. O recente aumento na caça de elefantes mostra que essa indústria está fora de controle”.

“A população de elefantes africanos como um todo está em um declínio muito sério”, disse ele. “Há numerosos exemplos de desculpas usadas como ‘seleção de manejo’ como cobertura para a caça de troféus”.

“Caça e morte de animais podem criar mais conflitos e desequilíbrio entre humanos e animais selvagens. Se você remover um elefante maduro de um rebanho, os machos jovens frequentemente exibem um comportamento semelhante à delinquência juvenil entre os humanos. Isso causa mais conflito e perseguição. ”

Austrália se opõe à caça de baleias feita pelo Japão

Foto: Tim Watters/Sea Shepherd Australia/EPA

Foto: Tim Watters/Sea Shepherd Australia/EPA

A frota de navios de caçadores de baleias do Japão chegou ao porto de Shimonoseki no fim de semana com um registro assustador de 333 baleias mortas.

Se a matança feita pelos caçadores japoneses se assemelhar a do ano passado, em que mais de 100 baleias grávidas e 50 delas ainda muito jovens foram mortas, as perdas para a espécies serão imensas. Mas a partir de agora, as coisas parecem estar se movendo para um rumo diferente.

O anúncio feito pelo Japão ano passado, sobre sua saída da Comissão Internacional da Baleia (IWC), significou, entre outros pontos, que os baleeiros provavelmente nunca mais voltariam ao Oceano Antártico. Agora eles só poderão caçar baleias em “suas próprias águas”.

Pela primeira vez em mais de 100 anos, as baleias do Oceano Antártico estão livres da ameaça iminente de uma nação que pretende persegui-las.

A Noruega montou uma estação de caça às baleias na Antártida em 1904 e os baleeiros japoneses têm ido para o sul todo verão desde antes da Segunda Guerra Mundial, juntando-se a dezenas de navios-pesqueiros da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. O único alívio temporário que as baleias tiveram foi devido a segunda guerra mundial.

Então, não se pode subestimar o peso dessa decisão histórica, tanto para o Japão quanto para as baleias do Oceano Antártico que vivem ao redor da Antártida.

Infelizmente, o governo australiano não poderá descansar nem acreditar que a guerra contra as baleias foi vencida pois com as eleições australianas em maio, dentro de um mês com o próximo governo tomando posse, o Japão voltará para matar baleias em suas próprias águas.

O impacto que isso terá sobre essas espécies migratórias ainda não é claro, mas a crueldade em matar e remover dos mares esses gigantes oceânicos é inquestionável.

Só porque essas mortes estão acontecendo em um hemisfério diferente não significa que isso não seja um problema global, e a posição da Austrália como líder mundial na conservação das baleias agora enfrenta um novo e difícil teste.

O próximo governo australiano precisa deixar claro que quem quer que esteja matando baleias será chamado a prestar contas. O Japão pode ter deixado a IWC, mas não pode escapar à sua responsabilidade internacional de conservarão das populações de baleias.

O representante da Austrália na IWC, Nick Gales, disse ao Japão na mais recente reunião da comissão no Brasil, que globalmente o país tinha “perdido sua licença social” para matar baleias.

O Japão não vai recuperá-la apenas por deixar o grupo mundial que foi criado para garantir a conservação e gestão da espécie.

O Japão alega que vai caçar as baleias de acordo com os métodos da IWC para calcular os limites de captura “para evitar impactos negativos sobre os recursos dos cetáceos”. Mas a realidade é que o interesse do Japão pela conservação das baleias é falso. Em diversas reuniões da IWC, o Japão bloqueou e se opôs a inúmeras medidas de conservação da espécie, conforme informações do The Guardian.

As baleias enfrentam muitas ameaças e a Austrália tem desempenhado um papel de liderança na condução da agenda de conservação da IWC. Quando os ministros australianos chegam a essas reuniões, eles são tratados como celebridades. É um reconhecimento merecido por duros anos de combate à pesca de baleias. A Austrália levou o Japão e a premissa falsa de seu programa “científico de caça às baleias” para o tribunal internacional de justiça da ONU em 2014 – e venceu.

Na mais recente reunião da IWC, a Austrália esteve novamente na linha de frente bloqueando as tentativas do Japão de reescrever as regras de votação da IWC e encerrar a proibição de 33 anos de duração sobre a caça às baleias.

Mas agora a Austrália precisa garantir que a IWC se torne uma organização capaz de proteger as baleias de todas as outras ameaças que elas enfrentam.

Ameaças que incluem o aumento no transporte marítimo global que coloca mais baleias em risco de colisões e torna os oceanos mais barulhentos; os “enredamentos” acidentais, estima-se que 300 mil cetáceos morrem acidentalmente a cada ano depois de serem apanhados em equipamentos de pesca; e a explosão na exploração offshore de petróleo e gás que expõe as baleias aos efeitos sonoros desorientadores das explorações sísmicas.

A hora é propícia para levar esses esforços a níveis mais altos, pois a urgência se torna imperativa dada a proximidade e tamanho das ameaças.

Mas não são apenas as baleias que precisam ser salvas. A retirada do Japão da comissão ameaça o futuro da própria IWC. Como o país paga a maior taxa de associação, sua saída cria um significativo buraco de 230 mil dólares nas contas financeiras da comissão – ou seja, 8% das taxas que recebe dos governos. Tentativas de usar que esse déficit como desculpa para reduzir os esforços de conservação serão feitas.

Como guardião dos oceanos com a maior biodiversidade do planeta e de áreas marinhas de renome mundial, como a Grande Barreira de Corais, o Recife Ningaloo e a Grande Baía Australiana, a Austrália construiu uma reputação de líder global em conservação marinha.

Mas essa liderança tem sofrido ameaças. Principal atração turística do país, a Grande Barreira de Corais, tem lutado para sobreviver ao aquecimento global, enquanto a política climática do governo tem se deteriorado.

O governo australiano excluiu cerca de 35 milhões de hectares de zonas de proteção da sua rede de parques marinhos. O número de tubarões em Queensland despencou em três quartos, enquanto as autoridades resistiam em aderir aos esforços globais para proteger essas espécies marinhas.

O próximo governo do país enfrentará o desafio do retorno do Japão à caça de baleias. O mundo todo espera que o pais se erga em defesa da espécie mais uma vez. Porém, a Austrália também tem assuntos ambientais internos para colocar em dia.

Saída do Japão da IWC

O Japão saiu da Comissão Internacional das Baleias (IWC) para poder retomar a caça comercial do animal em julho de 2019. O anúncio da saída foi feito em dezembro de 2018, três meses após a IWC se opor à petição do país asiático para retomar a atividade.

O secretário-chefe do gabinete, Yoshihide Suga, disse que a caça será limitada às águas territoriais do Japão e à sua zona econômica exclusiva ao longo da costa do país e que o Japão interromperá suas expedições anuais para os oceanos Antártico e Pacífico Noroeste.

Com a decisão, o Japão se torna a terceira nação a praticar abertamente a caça, junto da Islândia e Noruega.

“Lamentavelmente, chegamos a uma decisão de que é impossível na IWC buscar a coexistência de estados com visões diferentes”, disse Suga.

Suga disse também que a IWC tem sido dominada por ambientalistas e que o Japão está desapontado com seus esforços para administrar as populações de baleias, embora a IWC tenha um mandato para a conservação de baleias e o desenvolvimento da indústria baleeira.

A decisão não foi bem recebida pela comunidade internacional. A Austrália disse estar “extremamente desapontada”, e a Nova Zelândia lamentou a retomada da “ultrapassada e desnecessária” matança de baleias. No entanto, o ministro das Relações Exteriores da Austrália e Nova Zelândia, Winston Peters, saudou a retirada do Japão do oceano sul.

O grupo ambientalista Greenpeace também condenou a decisão e contestou a opinião do Japão de que as populações de baleias se recuperam, dizendo que a vida oceânica está sendo ameaçada pela poluição e pela pesca excessiva. As informações são do Daily Mail.

“A declaração do Japão está fora de sintonia com a comunidade internacional e menos ainda com a proteção necessária para o futuro dos nossos oceanos e dessas criaturas majestosas”.

“O governo do Japão precisa urgentemente agir para conservar os ecossistemas marinhos, em vez de retomar a caça”, disse Sam Annesley, diretor executivo do Greenpeace Japan, em um comunicado.

Diplomacia

A decisão do Japão, causou estranheza por se tratar de uma ação unilateral, sendo que o país não costuma adotar medidas assim em sua diplomacia.

Em setembro de 2018, o Brasil sediou a 67ª reunião anual da IWC, ocasião na qual a petição do Japão para retomar a caça foi rejeitada por 41 votos contra 27.

Segundo o Estadão, o vice-ministro japonês da Pesca, Masaaki Taniai, lamentou o resultado da votação e disse que a possibilidade de abandonar a IWC seria uma última opção.

Tecnicamente, o país asiático nunca deixou de caçar baleias, já que se aproveitava de uma falha a moratória de 1986 que autoriza a captura dos animais para investigações científicas. Mas a carne das baleias, de um jeito ou de outro, acabava nas peixarias.

Ibama autoriza uso de armas brancas e exploração de cães na caça ao javali

O Ibama atualizou as regras para a prática cruel da caça ao javali, única espécie que tem autorização para ser caçada em todo o território nacional. Com a mudança, passa a ser permitido de arma de fogo, facas e armadilhas, além de ter sido autorizada a exploração de cachorros durante a caça. A nova portaria foi publicada no Diário Oficial na última semana.

A nova portaria implementou também o Sistema Integrado de Manejo de Fauna (SIMAF), um sistema eletrônico para recebimento de declarações e relatórios sobre a caça ao javali que, segundo o pesquisador da UNESP de Rio Claro (SP) Felipe Pedrosa, é a principal novidade das novas regras estabelecidas.

Foto: Pixabay

“Antes o processo era o uso de documentação em papel e ida na sede do Ibama mais próxima”, disse. As informações são do portal O Eco.

Pedrosa classifica a exploração de cachorros na caça como “polêmica”, mas a defende, dizendo que trata-se de uma ferramenta portante “que não poderia ser negligenciada ou proibida”, ignorando o fato de que esses cães são explorados ao serem submetidos a treinamentos anti-naturais e forçados a participar de uma prática que coloca suas vidas e sua integridade física em risco, além de causar sofrimento também para os javalis.

A normativa estabelece que a exploração de cães deve ser vedada de maus-tratos, que o javali deve ser morto rapidamente “sem que provoque sofrimento desnecessário aos animais”. No entanto, vídeos divulgados na internet que mostram cachorros mordendo javalis, sob ordem de caçadores, demonstram que a crueldade animal é intrínseca a essa prática e que, portanto, os animais sofrem e sentem dor.

As novas regras estabelecem que os cães usem um colete peitoral, com identificação do responsável, que deve portar atestado de saúde dos animais emitido por veterinário e carteira de vacinação atualizada. O caçador poderá ser punido nos termos da Lei de Crimes Ambientais caso não cumpra essas exigências.

A exploração de cachorros, no entanto, não foi autorizada de forma definitiva. O Ibama disse que irá reavaliar a autorização em um período de até dois anos para definir se os caçadores poderão continuar explorando cães, conforme prevê o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil.

Enquanto o Ibama caminha na contramão dos direitos animais, autorizando a exploração de cães e promovendo mais sofrimento aos javalis, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados aprovou, em 31 de março, um projeto de lei que criminaliza a prática de explorar cachorros em caçadas. A proposta será analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça para depois seguir para o plenário da Câmara e, em seguida, para o Senado.

Nota da Redação: a caça ao javali, que já é permitida no Brasil há bastante tempo, é por si só uma prática extremamente cruel e que atenta contra os direitos animais. No entanto, as novas regras são ainda mais cruéis, já que autorizam o uso de armas de fogo e facas, que causarão ainda mais sofrimento aos javalis, e permitem que cachorros sejam explorados, o que os insere em uma situação em que eles são forçados a realizar uma atividade anti-natural que os coloca em risco. O fato dessas normas terem sido regulamentadas pelo Ibama, um órgão que se diz defensor do meio ambiente e que deveria zelar pela vida e integridade física dos animais, torna o caso ainda mais alarmante e inaceitável. É preciso que órgãos e governantes atuem em consenso em prol da proteção animal, garantindo o direito à vida a todos os seres, não o contrário.

Eduardo Bolsonaro declara apoio à caça de javaporcos e javalis em todo o país

Reprodução

Assim como o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu ontem a caça de javaporcos e javalis em todo o território nacional. Segundo Eduardo, parafraseando Salles, o caçador é o único predador dos javaporcos:

“O tema passa longe de ser maldade com os animais, é um tema de controle.” O deputado federal também cita que os javaporcos são animais exóticos que foram indevidamente introduzidos e soltos, e se proliferam sem controle.

As últimas observações realmente são bem honestas, mas vamos analisar a defesa por partes. “O tema passa longe de ser maldade com os animais.” Bom, o ser humano pode não analisar como maldade impingir dor ou morte a outra espécie, já que não há como dissociar a caça do sofrimento imposto a um ser senciente.

Mas se o suposto controle depende da matança de animais, como isso pode não se enquadrar no critério de um mal para a vítima, que pode ser inclusive bem saudável, mas será morta porque é vista como um risco principalmente aos lucros de uma espécie que por se considerar superior aniquila tudo aquilo que lhe parece incômodo?

Não estou negando que há muitos javaporcos se reproduzindo em algumas regiões do Brasil, mas outro ponto que me chama a atenção é a defesa da caça desses animais em todo o país, com uma extensa área territorial de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Ainda que isso seja colocado em prática, sob a pretensa justificativa de controle populacional, não tenho dúvidas de que teríamos uma matança indiscriminada de javaporcos e javalis.

Procurem por fotos de caça desses animais no Brasil. Não são poucos que aparecem sorrindo e celebrando a matança de javaporcos e javalis. Com caçadores até mesmo usando as cabeças de suas vítimas como artigos de decoração, fazendo fileiras de mortos como se estivessem brincando com espólios de uma guerra, arrastando animais amarrados na carroceria do veículo.

E mais, permitir que civis tenham o direito de matá-los abre um perigoso precedente para o favorecimento da caça de animais de outras espécies, que podem ser mortos sob a alegação de um suposto efeito colateral. Além disso, qual a qualificação que um civil tem para lidar com “controle populacional” de espécies silvestres? Muitos não sabem nem diferenciar javalis, javaporcos, catetos e queixadas. Vivemos no Brasil, onde atualmente já é impossível fiscalizar todas as ações de caça ilegal, imagine com essa legitimação mais enfática por parte do governo.

Acho importante não ignorar também que trouxeram esses animais para o Brasil visando lucrar com eles, desistiram, foram abandonados, se reproduziram e agora são vistos como praga. Quais serão as sanções contra quem tirou esses animais do habitat e os trouxe ao Brasil? Acredito também que a ostensiva liberação da caça de javaporcos e javalis estimula a prática com fins comerciais.

Na minha opinião, esse é um caminho para convencer a população a apoiar o projeto de lei nº 6.268/2016, de autoria do ex-deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC), que prevê a liberação da caça de animais silvestres no Brasil. Até porque embora Colatto não tenha sido reeleito, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) entrou com um pedido de desarquivamento do projeto na Câmara dos Deputados no dia 12 de fevereiro.

Para quem não conhece o PL nº 6.268/2016, é importante saber que o texto discorre sobre a implantação de criadouros comerciais, áreas dotadas de instalações para o manejo e a criação de espécies da fauna silvestre com fins econômicos e industriais. De acordo com o IBGE, diariamente o Brasil mata mais de 16 milhões de frangos, mais de 118 mil porcos e mais de 84 mil bovinos. Será que já não matamos animais demais?

E isso apenas citando três espécies de animais domesticados e criados com fins comerciais. O projeto ainda permite a instalação de criadouros científicos, ou seja, a exploração de animais silvestres em pesquisas científicas em universidades e centros de pesquisa.

Essa é outra medida que é vista como um retrocesso, levando em conta que hoje em dia discute-se no mundo todo o banimento do uso de animais em pesquisas, já que além de ser uma prática desnecessária, considerando os meios tecnológicos de obter inclusive melhores resultados sem usar animais, é evidentemente cruel.

Em síntese, o PL defende que a caça de animais silvestres pode ser colocada em prática com diversas finalidades, como alimentação, entretenimento, defesa e fins comercias. Também visa autorizar importação e exportação de animais, e permite que zoológicos possam comercializá-los.

Ademais, o projeto defende a anulação do agravamento de até o triplo da pena de detenção de seis meses a um ano para quem matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animais sem licença, o que impacta diretamente na lei 9.605/98, que versa sobre crimes ambientais.

Vale lembrar ainda que Valdir Colatto, defensor da caça, é o atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro e, quando deputado, se empenhou em prorrogar o prazo de inscrição dos ruralistas no Cadastro Ambiental Rural (CAR) e quis impedir que os dados dos proprietários rurais cadastrados fossem divulgados.

Essa falta de transparência levantou suspeitas sobre o favorecimento do desmatamento, já que o CAR existe exatamente para fiscalizar e monitorar as ações dos proprietários rurais e impedir que eles prejudiquem a Amazônia, habitat de mais de dois milhões de espécies animais. Sendo assim, por que alguém não iria contribuir com o CAR se está atuando dentro da lei?

Já o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, foi condenado no final do ano passado por fraude no plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Tietê quando era secretário de Meio Ambiente de São Paulo, que beneficiou empresas de mineração e filiadas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Especialistas alertam que rinocerontes podem estar extintos em cinco anos

Foto: Neil Aldridge

Foto: Neil Aldridge

A divulgação recente de fotos pungentes, mostrando rinocerontes mutilados sendo resgatados na África, após caçadores terem cortado seus chifres – que a ignorância popular acredita serem “curadores de câncer” – tem levantado questões sobre a ameaça contínua que paira sobre essa espécie.

Nas imagens um rinoceronte pode ser visto com os olhos vendados, dentro de um contêiner, enquanto é levado para um centro de resgate depois de ter sido mutilado por caçadores ávidos por dinheiro, responsáveis por alimentar um comércio cruel que movimenta em torno de um bilhão de libras.

Em outra foto é possível ver uma ativista pelos direitos animais alimentando um bebê rinoceronte com uma mamadeira gigante improvisada. Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é vista protegendo seu filhote em outra imagem onde que os animais parecem estar em movimento.

Na década de 70, haviam milhares desses magníficos animais por toda a África, mas atualmente, os rinocerontes negros e brancos foram levados à beira da extinção pela caça implacável e cruel da espécie.

O fotógrafo conservacionista, Neil Aldridge, que atualmente mora em Bristol, na Inglaterra, mas cresceu na África do Sul, tem acompanhado a situação dos rinocerontes há anos e foi o responsável pelas fotos, reveladoras e tristes, tiradas na África do Sul e em Botsuana.

Alimentada pela demanda das classes médias cada vez mais ricas da China e do Vietnã, a caça aos rinocerontes por seus chifres tem crescido. Após cortado do corpo dos animais, o chifre é comercializado ilegalmente no mercado paralelo. Alguns compradores ignorantemente acreditam que o item possa curar o câncer, enquanto outros querem o objeto apenas para ostentar como símbolo de status social. Acredita-se que esse comércio gere em torno de 13 bilhões de libras por ano.

O Projeto Botsuana de Conservação aos Rinos advertiu que se a caça ao animal continuar no ritmo atual, eles estarão extintos até 2024.

Hora de um novo lar: Um rinoceronte branco é mostrado em um contêiner sendo resgatado em Botsuana. O animal compreensivelmente esta aterrorizado por seus salvadores humanos, sem perceber que esta sendo levado para um lugar seguro

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge.

Uma mãe rinoceronte cujo chifre foi cortado é protege seu filhote | Foto: Neil Aldridge

 

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

Jovem rinoceronte que teve o chifre cortado preparado para ser libertado : Foto: Neil Aldridge

 

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

O que restou do chifre de um rinoceronte pode ser visto nesta foto que mostra a equipe de resgate, incluindo o diretor do RCB Map Ives (à direita), tentando ajudar o animal | Foto: Neil Aldridge

 

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

Voluntária alimenta um bebê rinoceronte em Botsuana. África do Sul e Quênia têm os níveis mais altos de caça à espécie, com 95% das mutilações e mortes ocorrendo nesses dois países em 2013 | Foto: Neil Aldridge

 

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldridge

Chifres de rinoceronte podem crescer até mais de um metro de comprimento como mostrado na imagem. Cerca de três rinocerontes por dia são mortos por seus chifres | Foto: Neil Aldrige

 

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo - valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

O quilo de chifre de rinoceronte pode chegar a valer 50 mil libras no mercado paralelo, tornando-se um dos produtos naturais mais valiosos do mundo – valendo mais do que ouro | Foto: Neil Aldridge

 

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

Um jovem rinoceronte branco mutilado é retratado em uma carroceria, vendado e parcialmente drogado após uma longa viagem da África do Sul, antes de ser libertado na natureza em Botsuana | Foto: David Aldridge

 

"Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

“Eu não vejo apenas uma história sobre rinocerontes, vejo uma história sobre pessoas, as melhores pessoas”, elogia o fotógrafo | Foto: Neil Aldridge

 

"Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos", diz Aldridge | Foto: David Aldridge

“Os sindicatos de caçadores são incrivelmente bem financiados, então para vencê-los precisamos apoiar esses grandes projetos”, diz Aldridge | Foto: David Aldridge

 

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

Os olhos vendados e as drogas aliviam qualquer desconforto que os rinocerontes poderiam sentir quando são levados para tratamento e depois soltos na natureza | Foto: David Aldridge

 

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

Rinocerontes protegidos se alinham no cocho para tomar água no santuário | Foto: David Aldridge

 

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

Um rinoceronte protegido, com seus chifres totalmente intactos nas planícies onde fica projeto Botsuana da Rhino Conservation (RCB) | Foto: David Aldridge

 

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: "Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais" | Foto: David Aldridge

Um impressionante close de um imenso rinoceronte. Aldridge conclui: “Quero que as pessoas saibam que existem pessoas dedicadas lutando por esses animais” | Foto: David Aldridge

Curta metragem expõe a indústria de criação de filhotes de leão para os torneios de caça ao troféu

Foto: WAN/Reprodução

Foto: WAN/Reprodução

Um novo e poderoso curta-metragem tem aumentado a conscientização pública sobre a situação dos leões na África do Sul, que são cruelmente explorados desde o nascimento até a morte.

Patrocinado pela Fundação de Ajuda Internacional para a Proteção e Bem-Estar dos Animais (IAPWA, na sigla em inglês), em parceria com a The Born Free Foundation e Olsen Animal Trust, o curta Claws Out: The Truth About Cub Petting, Garras de Fora: A verdade sobre a criação de filhotes de leão, veio para preencher uma lacuna enorme presente na formação de voluntários e conscientização de turistas sobre as contribuições que eles podem fazer, mesmo sem saber, para alimentar essa indústria criminosa que se alimenta da exploração de animais inocentes.

A campanha Claws Out, lançada em 2015, foi criada com base na experiência pessoal de Beth Jennings da IAPWA. Antes de ingressar na ONG, Ela fez uma viagem à África do Sul, onde se voluntariou para tabalhar com filhotes de leão órfãos, acreditando que seriam soltos na natureza.

Jennings logo descobriria que no país, mais de 6 mil leões definham nos mais de 200 parques de criação de filhotes, onde são ditas as mesmas mentiras aos voluntários, a verdade é que muitos desses filhotes são vendidos para a indústria de caça aos troféus quando não podem mais ser usados a indústria do voluntariado. Esse número corresponde ao dobro do número de leões selvagens no país.

Eu criei o documentário Claws Out depois de perceber o impacto que minha história pessoal poderia ter sobre os outros”, Jennings falou com ao site da WAN (Word Animal News). “Desde o lançamento do blog há quatro anos, tenho recebido inúmeras mensagens de apoio de pessoas que não tinham ideia de que uma indústria como essa existia – voluntários criando leões com fins lucrativos, sem saber que eles morreriam em cativeiro por concursos de caça ou mortos por seus esqueletos”.

A campanha Claws Out pretende lançar um programa educacional em todo o Reino Unido com expansão planejada para outros países, assim como trabalhar para a conscientização sobre esse tema por meio do curta-metragem.

“É vital que todos usemos nossa voz para espalhar a verdade sobre essa indústria cruel para o mundo todo e possibilitar a conscientização para aqueles que ignoram a realidade, de modo que possamos romper essa cadeia de exploração”, disse Nicky Stevens, fundador e CEO da IAPWA ao site da WAN.

Campanhas como essa são indispensáveis para possibilitar a mudança necessária que não apenas os animais inocentes precisam e merecem, mas também para as pessoas compassivas que tentam salvá-los e acabam sendo enganadas.

Mais de 60 mil focas são por mortas por ano no Canadá

Jonathan Hayward/Shutterstock

Jonathan Hayward/Shutterstock

A temporada anual de caça às focas bebês no Canadá corre o risco de continuar em um nível ainda pior uma vez que lobistas tem trabalhado fortemente junto ao governo para que sejam eliminadas as restrições vigentes aos massacres brutais.

O governo canadense permite o extermínio em massa desses animais com o objetivo de comercializar de sua pele. Notícias recentes relatam que novos e intensos lobbies tem ocorrido junto ao primeiro-ministro Justin Trudeau.

A temporada sangrenta tem atraído severas críticas de defensores dos direitos animais, os métodos cruéis usados pelos caçadores para matar as focas incluem empalamento, goles de machados e tiros.

A maioria dos animais mortos são filhotes que tem entre duas semanas e três meses de idade, fotos da ONG The Human Society mostraram os bebês sendo sendo espancados, macerados cruelmente antes de serem arrastados para os barcos de pesca.

Nos últimos cinco anos, mais de 1 milhão de focas foram mortas no país, não satisfeitos, os lobistas trabalham agora pela suspensão das normas protetivas nas licenças comerciais, permitindo a caça em uma reserva natural em Quebec e a liberação para o lançamento de uma caçada comercial em massa em British Columbia, segundo informações do jornal The Independent.

As focas mortas são em sua maioria focas brancas (Pagophilus groenlandicus) e em um grau menor focas cinzentas (Halichoerus grypus). Os números mostram que desde 2002 um número expressivo de mais de 2 milhões de focas brancas foram mortas, sendo que 66.800 apenas em 2016 – isso por menos de mil caçadores ativos.

Stewart Cook/Shutterstock

Stewart Cook/Shutterstock

O número recente de focas mortas apresenta uma queda significativa em relação aos números registrados em meados da década de 2000, com 218 mil focas mortas em 2008, 355 mil em 2006 e 366 mil em 2004.

A razão para a queda no número de animais mortos é a proibição em nível mundial (alcançando 37 países) da venda de peles de focas, o que levou o mercado global desse item ao colapso. Mas os defensores das focas afirmam que a cota de mortes aumenta a cada ano, mesmo com a diminuição da demanda por peles.

Assumindo a frente das acusações contra a caça na Costa Leste do Canadá, dentro e ao redor de Newfoundland, a ONG Humane Society argumenta que a atividade cruel esta sendo até subsidiada pelo governo desde que vários países no mundo proibiram as importações de peles de foca.

A entidade classifica a caça as focas como um ato brutal, economicamente nula e além de ser responsável por dizimar populações inteiras de animais.

Combatendo argumentos dos caçadores, o órgão afirma que, 6 mil pescadores participam do extermínio fora de temporada e isso equivale a apenas um vigésimo de sua renda.

Alguns grupos de lobby da indústria pesqueira tentam afirmar que as focas devem ser mortas para proteger os estoques de peixe, mas nada pode estar mais longe da verdade”, disse a ONG.

A Humane Society afirma que a verdadeira causa do esgotamento dos estoques de peixes na Costa Leste do Canadá é a pesca humana e não a ação das focas.

A Pacific Balance Pinniped Society (Sociedade do Equilíbrio de Pinípedes do Pacífico), um grupo de caçadores de focas, afirma que as águas ao redor de Britsh Columbia são “atormentadas por uma superpopulação” de focas e leões-marinhos, como forma de tentar justificar o sacrifício dos animais.

Os cientistas contestam este argumento e alertam que ele pode até pôr em perigo as baleias, afirmando que uma queda nas populações de focas, que são parte da cadeia alimentar desses cetáceos gigantes, pode impactar na alimentação deles.

Foto: Humane Society Internacional

Foto: Humane Society Internacional

“As focas estão sendo usadas como bode expiatório, assim como as baleias já foram acusadas uma vez pelo declínio da pesca”, disse Hal Whitehead, biólogo marinho de Halifax, Nova Escócia, ao The Guardian.

A Humane Society acusou a tentativa da associação de caçadores de colocar a culpa pela queda do número de peixes nas focas de “uma argumentação conveniente para a indústria pesqueira”. Dessa forma eles desviam a atenção de suas “práticas irresponsáveis e ambientalmente destrutivas que continuam até hoje”.

Relatos mencionam denúncias de filhotes sendo esfolados vivos e sua carne sendo deixada em pilhas para apodrecer, pois há mercado apenas para o óleo extraído das focas e para seus pênis que são tidos como afrodisíaco em algumas partes da Ásia.

A fim de evitar danos às peles, a maioria delas é morta com tacos ou “hakapik” – uma ferramenta desenvolvida especialmente para a caça as focas, que tem uma “cabeça” de martelo em uma ponta, usado para esmagar seus crânios de um lado e do outro um gancho para arrastar suas carcaças.

O extermínio vergonhoso desses animais foi amplamente prejudicado pela proibição da importação de peles de foca pela UE. A Índia juntou-se mais recentemente à proibição que une 37 países, incluindo os EUA.

Islandeses pedem ao governo o fim da caça as baleias

Vários grupos que atuam em defesa dos direitos animais se uniram e enviaram recentemente uma carta aberta ao governo islandês pedindo a proibição da caça às baleias.

Em fevereiro, Kristján Þór Júlíusson, ministro do departamento de Pesca e Agricultura da Islândia, autorizou a renovação de licenças que permitiriam aos caçadores matar baleias-comuns e baleias-minke até pelo menos 2023.

A decisão de Júlíusson se baseou em um relatório dúbio que alegava que as populações de baleias haviam se estabilizaram na Islândia e que caçá-las novamente não causaria danos ambientais.

No texto da carta carta, os grupos – que incluem Reykjavik Animal Save, Sea Shepherd Islândia e Stop Whaling na Islândia – discordaram da decisão de Júlíusson e ressaltaram o papel fundamental das baleias no combate à mudança climática. A carta acusava a hipocrisia da existência de caça à baleia na Islândia, um país exatamente conhecido e procurado pela observação de baleias como atração turística.

“Não entendemos como é possível que a Islândia proteja as baleias em uma área, promovendo a observação delas vivas e plenas em seu habitat natural e, ao mesmo tempo, mate-as em outras áreas”, diz a carta. “Com o sucesso da observação de baleias na Islândia, é claro que uma baleia viva vale mais que uma baleia morta, especialmente quando a carne de baleia não é uma tradição islandesa, mas um costume adquirido dos noruegueses há décadas.”

De acordo com a carta, apenas 1% dos islandeses comem carne de baleia regularmente e 81% nunca experimentaram esse alimento, de acordo com uma pesquisa Gallup, citada inclusive, no documento. “Nem é possível argumentar a favor do consumo de carne de baleia por seus benefícios para a saúde, uma vez que ela possui uma alta concentração de metais pesados e, portanto, é ainda mais difícil de vendê-la no exterior”, acrescentava o texto da carta.

Além de entregar a carta ao governo, representantes dos grupos protestaram do lado de fora do parlamento esta semana na esperança de acabar com a caça às baleias na Islândia.

Orelhas de elefante e ossos de leão estão entre os troféus de caça importados para o Reino Unido

Foto: Ton Koene/Alamy

Foto: Ton Koene/Alamy

Ossos de leões, crânios de leopardo e couro de elefante em uma cadeira otomana, estavam entre as partes do corpo de animais ameaçados de extinção importados para o Reino Unido por caçadores de troféus por meio de uma brecha na lei internacional de 2018, de acordo com informações do The Guardian.

O governo está enfrentando novos pedidos de proibição da importação de troféus de caça de espécies ameaçadas de extinção, após 74 partes raras de corpos de animais terem sido legalmente trazidas para o país por caçadores no ano passado, incluindo dentes de hipopótamo, orelhas de elefante e peles de crocodilo.

Ativistas afirmaram que as partes de leões importadas da África do Sul provavelmente vieram de fazendas de leões, lugares onde os animais são criados especificamente para caçadores de troféus e para atender à crescente demanda de ingredientes para remédios tradicionais nos mercados asiáticos.

Dois animais inteiros taxidermizados, quatro crânios e dois tapetes de pele estavam entre as 12 partes de leões africanos importados para o Reino Unido usando a lei de exceção de caça ao troféu firmada na Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora (CITES) em 2018, segundo dados obtidos da Agência de Sanidade Animal e Vegetal, sob um pedido de liberdade de informação.

Um crescente descontentamento público com a caça de troféus no Reino Unido vem sendo observado depois que o vídeo de um caçador americano atirando em um leão macho adormecido no Zimbábue em 2011 surgiu nas redes sociais. O leão, mostrado se contorcendo de dor após o primeiro tiro, precisou ser baleado mais duas vezes.

O governo prometeu banir as importações de troféus de leões por volta de 2017, a menos que a indústria de caça tenha derrubado a lei, mas até então ela não sofreu alterações.

Christine MacSween, diretora executiva da LionAid, disse sobre os novos números divulgados: “O fato desses produtos (partes) de leões todos virem da África do Sul indica fortemente que os caçadores de troféus estão apoiando a indústria de criação desses animais em cativeiro, que foi amplamente condenada em todo o mundo como crueldade animal, além de ser uma prática antiética e moralmente repreensível”.

“Na verdade, foi o ex-jornalista Roger Cook quem expôs essa indústria de criação de leões, criada para satisfazer os caçadores de troféus em 1997, e apesar da repulsa sobre o que foi mostrado pelo Cook Report, 22 anos depois o governo não fez nada para evitar a importação de troféus de caça para o Reino Unido”, lamenta MacSween.

Alguns conservacionistas argumentam que proibir a caça de troféus seria uma distração, já que a grande maioria das espécies ameaçadas e vulneráveis são mortas por caçadores (para tráfico) de vida selvagem. Mais de 50 elefantes são mortos por dia, segundo o WWF.

Couro de elefante, oito presas e quatro pés estavam entre as 28 partes dos corpos de elefantes importadas para o Reino Unido em 2018, de acordo com os números divulgados. Sob regras internacionais, os troféus podem ser trazidos para o bloco de paises, desde que não afetem a sobrevivência de nenhuma espécie. Os dados da Cites não indicam quando os animais foram mortos.

Em uma uma menção aos troféus de elefantes oriundos da Zâmbia, Eduardo Gonçalves, o fundador da Campanha para Proibir a Caça ao Troféu, disse: “Há um desastre em curso envolvendo a população de elefantes da Zâmbia, que sintetiza a crise que a espécie enfrenta. Na década de 1960, a Zâmbia tinha uma das maiores populações de elefantes na África, estimada em mais de 200 mil animais. Hoje acredita-se que sejam menos de 10 mil..

“Cientistas descobriram que a combinação de caça para abastecer o tráfico e caça de troféus já está superando a taxa reprodutiva de elefantes. Sem uma ação drástica, há o risco de que o elefante africano esteja em um estado de declínio terminal”, diz Gonçalves.

Uma moção inter-partidária exigindo que o governo do Reino Unido suspendesse as importações de troféus foi assinado por mais de 159 deputados.

Respondendo a uma pergunta parlamentar (feita em sessão) sobre as importações de troféus de caça em janeiro, a ministra Thérèse Coffey disse: “O governo leva a conservação das espécies muito a sério”.

“A importação de troféus de caça de espécies ameaçadas para o Reino Unido já está sujeita a controles rígidos. Uma licença só será emitida se não for demonstrado nenhum impacto negativo sobre a sobrevivência de espécies ameaçadas. Isto significa que as importações de certas espécies e de certos países são atualmente proibidas porque são consideradas insustentáveis”, comentou ela.

“Pretendemos realizar uma mesa redonda com organizações de todos os lados do debate, a fim de obter uma melhor compreensão das questões, bem como considerar qualquer aconselhamento científico”, concluiu a ministra.