Caçador que matou leão adormecido e causou revolta na internet é identificado


Quem aparece nas imagens mirando no animal indefeso e disparando três tiros contra ele é Guy Gorney, 64, de Manhattan, Illinois (USA). Acredita-se que a caçada aconteceu no Zimbábue.

Em uma entrevista de 2015 a CBS , Gorney não demonstrou nenhum remorso por caçar elefantes, leões, leopardos, rinocerontes e búfalos (ele já havia assassinado 70 animais).

“Eu tenho dificuldade em entender, se você tem uma foto de alguém com um cervo, ninguém parece se importar. Mas se é um elefante, é um grande problema. Se é um leão – especialmente agora – é um problema enorme”, disse Gorney na época.

“Para mim, de qualquer forma, eu parei um coração batendo.”

Repercussão

A conta que compartilhou o vídeo é uma conta de defesa dos direitos dos animais do Reino Unido, de acordo com as informações na página.

“Sou um defensor da vida selvagem”, diz a biografia.

“Exponho abuso de animais e abusadores onde quer que estejam. Eu nunca deixarei de lutar por melhores direitos e bem-estar animal”.

As imagens causaram revolta na internet e o usuários da rede comentaram a publicação do @protect_wildlife e, posteriormente, do “@doglab

“Eu vivo para derramar água fervente nele enquanto ele dorme e vê-lo gritar em agonia – isso seria horrível de se ver”, escreveu um seguidor.

“Um leão adormecido, uau que grande homem”, ironizou um usuário.

“Isso não é caça, nem esporte … é assassinato”, escreveu a usuária @verdiKate

“Mesmo se estivesse acordado, o pobre animal não deveria ser morto!”, escreveu outro usuário.

“Deveria ficar cinco anos na cadeia. Grotesco”, sugeriu um usuário.

Pés de elefante e peles de urso polar estão entre troféus de caça importados para a Grã-Bretanha

Foto: The Telegraph/Divulgação

Foto: The Telegraph/Divulgação

Pés de elefante, peles de ursos polares e um tapete feito de um leão morto estão entre as partes de espécies ameaçadas de extinção enviadas à Grã-Bretanha como troféus em um único ano, segundo informações do Telegraph.

Um total de 86 partes de corpos de animais raros, muitas deles ameaçados de extinção, foram importadas pela Grã-Bretanha durante os anos de 2017 e 2018.

A análise do catálogo de controle mantido pelo órgão internacional que controla esses embarques revela que existe uma indústria próspera de caçadores de troféus com assassinos ansiosos por celebrar suas mortes com lembranças extravagantes.

De acordo com as regras internacionais, esses troféus só podem ser trazidos para o Reino Unido desde que não afetem a sobrevivência de qualquer espécie.

Embora a caça envolva atirar em espécies ameaçadas, muitos países permitem caçadas profissionais turísticas, muitas vezes deixando que animais mais velhos ou mais fracos sejam mortos. Os defensores da caça, afirmam que seu “esporte” ajuda na conservação das espécies e pode fornecer o turismo necessário para áreas pobres.

No entanto, defensores dos direitos animais condenam a prática. Mais de 150 deputados assinaram um Early Day Motion (EDM) pedindo ao secretário do Meio Ambiente, Michael Gove, que proibisse a importação de troféus. Mais de 280 mil pessoas assinaram uma petição on-line pedindo à Defra que proíba a entrada de troféus de leão enviados para o Reino Unido.

As importações de troféus de caça já foram proibidas pela França, Austrália e Holanda. De acordo com arquivos mantidos pela Cites, a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, que supervisiona o acordo assinado pelos governos em relação ao comércio e ao movimento de animais selvagens, 82 das espécies ou criaturas mais ameaçadas cujo futuro é incerto se o comércio não for cuidadosamente controlado para o Reino Unido de 2017 a 2018.

Chris Packham, ambientalista e apresentador de televisão, disse que os números relacionados aos troféus de caça o deixou “envergonhado de ser um conservacionista britânico”.

“O fato de que isso está acontecendo é como se fosse uma cuspida na cara da nação de amantes de animais que está despertando para o fato de que não há vida selvagem suficiente para ser desperdiçada e que matar animais selvagens por diversão é um negócio sujo”.

“Eu, como a maioria dos outros, gostaria de uma proibição imediata da importação de troféus para o Reino Unido. Esta sanção teve um impacto comprovado e rápido em outros locais”.

Joanna Lumley, a atriz e defensora dos direitos dos animais, disse:
“Eu sou contra qualquer tipo de caça, e acho que as pessoas que são colecionadores de troféus são péssimas”.

Zac Goldsmith, MP (membro do parlamento) de Richmond e defensor dos direitos animais que apresentou o EDM (projeto de lei), disse ao Telegraph: “A caça aos troféus envolve matar algumas das mais belas espécies de animais selvagens do planeta simplesmente por diversão”.

“Não é apenas prejudicial às próprias espécies em extinção, a evidência mostra que a importação dessas partes de animais também oferece cobertura para um comércio cruel”.

“De várias formas, isso prejudica as comunidades que dependem da vida selvagem para obter receita de turismo. Já é tempo de proibirmos a importação dos chamados “troféus” para o Reino Unido ”.

Um porta-voz do Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais disse sob as regras da Cites que tais troféus só podem ser trazidos para o Reino Unido sob regras estritas.

No início deste ano, a ministra do Meio Ambiente, Therese Coffey, disse que estava planejando uma mesa redonda com organizações de todos os lados do debate em torno da caça aos troféus em um futuro próximo.

Caçador atira em leão adormecido e comemora ao vê-lo agonizando

Atualmente, restam menos de 20 mil leões no mundo, mas ainda assim eles são perseguidos e cruelmente mortos para servirem como “troféus” nas mãos de caçadores. Estes majestosos felinos podem ser extintos até 2050, de acordo com a African Wildlife Foundation.

A conta do Twitter @protect_wildlife postou o vídeo na última segunda-feira (18), sem nenhum detalhe de identificação sobre o atirador ou onde ocorreu o incidente. A única pista é a voz do guia chamando o homem pelo sobrenome: ‘Mr. Goney ‘ou’ Mr. Gooney’.

O caçador mirou no animal indefeso e disparou um tiro que o acordou. O leão se contorceu de dor e foi alvejado por mais dois tiros. E então o guia diz: “Ok, Ok, não faça mais nada”.

O homem apertou a mão do atirador e dizendo: “Aquele é um leão muito bom, , o Sr, (inaudível).”

“Um leão muito bom”, continuou ele enquanto sorria.

Em seguida, o guia cutucou o leão com o rifle e disse novamente: “Leão muito bonito”, parabenizando mais uma vez o caçador.

“Lindo”, diz o guia, enquanto o vídeo mostra um close do rosto do animal sem vida.

“Esse é um leão excepcional”

Repercussão

A conta que compartilhou o vídeo é uma conta de defesa dos direitos dos animais do Reino Unido, de acordo com as informações na página.

“Sou um defensor da vida selvagem”, diz a biografia.

“Exponho abuso de animais e abusadores onde quer que estejam. Eu nunca deixarei de lutar por melhores direitos e bem-estar animal”.

As imagens causaram revolta na internet e o usuários da rede comentaram a publicação do @protect_wildlife e, posteriormente, do “@doglab

“Eu vivo para derramar água fervente nele enquanto ele dorme e vê-lo gritar em agonia – isso seria horrível de se ver”, escreveu um seguidor.

“Um leão adormecido, uau que grande homem”, ironizou um usuário.

“Isso não é caça, nem esporte … é assassinato”, escreveu a usuária @verdiKate

“Mesmo se estivesse acordado, o pobre animal não deveria ser morto!”, escreveu outro usuário.

“Deveria ficar cinco anos na cadeia. Grotesco”, sugeriu um usuário.

Conservadores e autoridades do Reino Unido lutam para impedir a caça de troféus, mas pouco sucesso já foi obtido.

Em 2015, o então ministro do Meio Ambiente, Rory Stewart, declarou que seriam suspensas as importações de partes de grandes felinos até 2017.

No ano seguinte, Liz Truss, repetiu a promessa em uma carta.

“A menos que vejamos melhorias na forma como a caça acontece, julgados com base em critérios rígidos, baniremos as importações de troféus nos próximos dois anos”.

Até agora, nada mudou.

Todos contra a caça!

Divulgação

Breve histórico da proteção à fauna nativa

A fauna nativa brasileira tem sido protegida legalmente da caça há mais de 50 anos, quando a Lei Federal n° 5.197, de 3 de janeiro de 19671 revogou o Decreto-Lei no. 5.894 de 20 de outubro de 1943, o antigo Código de Caça. Em seu Artigo 1º, a Lei 5.197/1967 estabeleceu que “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha”.

Além disso, a Constituição Federal de 05 de outubro de 19882 corroborou com a lei de proteção contra a caça, determinando em seu Artigo no. 225 que o Estado deve “VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade”.

Finalmente, a Lei Federal no. 9605 de 12 de fevereiro de 19983 estabeleceu como crime contra a fauna, em seu Artigo 29, “Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida”.

Ameaça contra a biodiversidade

Mesmo com todo o arcabouço legal de proteção à fauna nativa no Brasil, uma série de tentativas recentes a favor da caça tem ameaçado a biodiversidade brasileira. Em resposta, vários setores da sociedade começaram a se mobilizar no início de 2017 para fazer resistência e oposição a este conjunto de projetos de lei, apresentados por vários deputados federais a partir de 2014 e direcionados para a caça de animais silvestres (da fauna nativa brasileira), bem como a sustação das Listas Nacionais de Flora e da Fauna Ameaçadas de Extinção.

Dois movimentos, o Movimento Todos Contra Caça (Figura 01) e a Aliança Pró Biodiversidade – APB (Figura 02), foram formados para esta finalidade, aglutinando técnicos e pesquisadores das ciências naturais (Biologia e Medicina Veterinária, principalmente), associações ambientalistas e de defesa dos animais, artistas e formadores de opinião.

O dia 31 de janeiro de 2019 representou um grande alento para estes dois movimentos e uma esperança para minimizar os grandes impactos à nossa fauna e biodiversidade como um todo, caso estes projetos acima citados sejam aprovados no Congresso.

Arquivamento dos projetos de lei a favor da caça

Conforme previsto no Artigo no 105 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, ao final de uma legislatura e início de outra (ciclo de quatro anos de mandato dos deputados), todos os projetos de lei – exceto poucas exceções elencadas no corpo do art.) são automaticamente arquivados. Entre estes se enquadram os projetos extremamente impactantes para a biodiversidade brasileira, que citamos:

1) Projeto de Lei (PL) nº 6.268/20164, de autoria do ex-deputado Valdir Colatto (MDB/SC), atual chefe do Serviço Florestal Brasileiro (que transferido do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura), que regulamenta (LIBERA) a caça de animais silvestres no Brasil e autoriza a implantação das fazendas de caça (art. 15);

2) Projeto de Lei Complementar (PLC) da Câmara nº 436/20145, de autoria do deputado Rogério Peninha Mendonça (MDB/SC), que modifica a Lei Complementar nº 140/2011, para incluir a CAÇA de animais silvestres como uma mera decisão administrativa de cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal;

3) Três Projetos de Decretos Legislativos (PDC) de Sustação de Atos Normativos do Poder Executivo: 01. PDC 03/20156 do ex-deputado Nilson Leitão (PSDB/MT), 02. PDC 36/20157 do deputado Alceu Moreira (MDB/RS) e 3. PDC 427/20168 do ex-deputado Valdir Colatto (MDB/SC), que revogam as três Listas Nacionais de Plantas e de Fauna Ameaçadas de Extinção, ambas apresentadas em Portarias do Ministério do Meio Ambiente (MMA 4439, 44410 e 44511), em dezembro de 2014.

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Trâmite atual dos projetos de lei a favor da caça

No entanto, esta é apenas uma trégua na luta pela conservação da biodiversidade e contra a regulamentação da caça aos animais silvestres no Brasil. Isto, porque, o parágrafo único do Artigo no 105 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados determina que “a proposição poderá ser DESARQUIVADA mediante requerimento do Autor, ou Autores, dentro dos primeiros cento e oitenta dias da primeira sessão legislativa ordinária da legislatura subsequente, retomando a tramitação desde o estágio em que se encontrava.” Ou seja, temos seis meses em que devemos monitorar as páginas sociais dos citados deputados autores dos PLs e o site da Câmara, para verificar quais deles irá ter a coragem de prestar o DESSERVIÇO à ciência da conservação nacional e solicitar o DESARQUIVAMENTO das propostas.

Deve ser notado que há riscos distintos com o processo de desarquivamento. No Projeto de Lei (PL) 6.268/2016, por exemplo, teoricamente seria menor, pois seu autor não foi reeleito para o mandato 2019-2022. Mas a ele temos apensado o Projeto de Lei (PL) 7.129/2017, de autoria do deputado Alexandre Leite (DEM/SP), que foi reeleito. Se o deputado solicitar o desarquivamento de seu PL, pode ser que o Projeto de Lei (PL) 6.268/2016 também seja desarquivado em conjunto. Os Projetos de Decretos Legislativos (PDC) 3/2015 e 427/2016 também tem menos riscos, pois seus autores (ex-deputados Nilson Leitão e Valdir Colatto não foram reeleitos em 2018).
Por sua vez, O Projeto de Lei Complementar (PLP) 436/2014 deve ter atenção prioritária, pois está tramitando na terceira e última das Comissões da Câmara, Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), e o deputado Alceu Moreira (MDB/RS) que é o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA, que abriga os autodenominados “ruralistas”) deverá dar seu Parecer de RELATOR ao PLP em breve propiciando que ficará apto a ser votado pelos deputados da CCJC, caso ele seja desarquivado pelo deputado Rogério Peninha Mendonça). Se aprovado na CCJC o PLP 436/2014 vai para votação em plenário da Câmara e, caso seja ali aprovado, seguirá para apreciação no Senado.

Como alertado, o risco da aprovação deste Projeto de Lei Complementar (PLP) é enorme. Se hoje a decisão de elaborar e sancionar uma norma legal para autorizar a caça de um animal é de competência única do poder executivo federal, com a vigência desta nova lei, a decisão passa a ser individual e específica, por mero ATO ADMINISTRATIVO do poder executivo de cada Estado da Federação e o Distrito Federal.

Em recente consulta a assessores da Câmara dos Deputados, houve a confirmação de que somente o autor do Projeto de Lei (PL) poderia desarquivá-lo. No entanto, outro parlamentar poderia apresentar a mesma proposta (ou similar) como sua, o que seguiria o curso inicial de tramitação por todo o processo legislativo. Além disso, não há prazo para desarquivamento, que poderia ser feito em qualquer momento, mesmo contrariando o Regimento Interno da Câmara de Deputados.

Ainda, o deputado Alceu Moreira pode não continuar como relator da PLP 436 na CCJC. Para que continue, teria de se candidatar à nova composição da CCJC e ser o presidente desta (de modo a se indicar como relator), ou entrar em acordo com o novo presidente da Comissão para continuar o relator da PLP. Realmente, o deputado Alexandre Leite poderia reavivar o seu PL apensado e o do ex-deputado Valdir Colatto ser desarquivado junto, com tudo ficando como antes. A única diferença seria a ausência do ex-deputado nas comissões para defender o seu próprio PL.

O que fazer agora?

Exposto este cenário, as duas frentes contra a caça pedem a sua ajuda para que envie um e-mail ou uma mensagem para os telefones e as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram, e os respectivos sites) dos citados deputados acima solicitando que: “Senhor deputado federal, na qualidade de eleitor(a) preocupado(a) com a conservação da biodiversidade brasileira e contra a regulamentação da caça no Brasil, solicito que V.Exa. NÃO DESARQUIVE o projeto de lei (citar o respectivo projeto de autoria do deputado em questão), ora arquivado de acordo com artigo 105 do Regimento Interno da Câmara. Atenciosamente …assinar seu nome”

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Endereços dos deputados para ser enviada a mensagem acima:

1) Deputado ROGÉRIO PENINHA MENDONÇA (autor do PLP 436/2014)
E-mail: dep.rogeriopeninhamendonca@camara.leg.br
Tel.: (61) 3215-5656 Câmara e (48) 3225-6117 Escritório Regional
Facebook: https://www.facebook.com/deputadopeninha
Twitter: @deputadopeninha
Instagram: https://www.instagram.com/deputadopeninha/

2) Deputado ALCEU MOREIRA (Relator do PLP 436/2014 na CCJC e autor do PDC 36/2015): https://www.facebook.com/depalceumoreira/
Twitter: @depalceumoreira. Tel.: (61) 3215-5238

3) Deputado ALEXANDRE LEITE (autor do PDC 36/2015, que está apensado ao PL 6.268/2016 do ex-deputado Colatto):
https://www.facebook.com/AlexandreLeiteSP/
Twitter: @lexandreleite
E-mail: dep.alexandreleite@camara.leg.br
Tel.: (61) 3215-3841

*Sobre os autores:

Alexander Welker Biondo, MV, MSc, PhD. Disciplinas de Zoonoses e Medicina Veterinária do Coletivo do Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, Paraná. abiondo@ufpr.br

Paulo Pizzi, Biólogo, Especialista. Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais. Integrante da Aliança Pró-Biodiversidade – APB. pizzi@maternatura.org.br

*Artigo originalmente publicado na Revista Clínica Veterinária.

 

Concursos de caça pagam 500 dólares por cada animal morto

Foto: WAN/Divulgação

Foto: WAN/Divulgação

Ambientalistas e grupos em defesa dos direitos animais estão exigindo que o governo de Britsh Columbia, no Canadá, encerre com urgência os chamados “concursos de extermínio da vida selvagem” após a descoberta de que pelo menos três grupos de caça do interior da província têm promovido vários destes eventos cruéis e assassinos.

Uma carta aberta assinada por 54 grupos que atuam em defesa dos direitos animais foi enviada ao ministro do departamento de Florestas, Terras e Recursos Naturais, Doug Donaldson. A carta argumenta que este evento viola as diretrizes que protegem a vida selvagem da província e ser cancelado imediatamente.

“Permitir este tipo de ‘competição’, onde além da vida selvagem ser exterminada, isso é feito ainda em troca de um prêmio, vai além do limite”, afirma o texto da segunda carta.

De acordo com a ONG Bears Matters (Ursos Contam, na tradução livre), os três concursos assassinos incluem: O “Predator Tournament” (Torneio do Predador) organizado pelo Creston Valley Rod e Gun Club que acontece de 16 de março a 24 de março de 2019, o Chilcotin Gun Store em Williams Lake que organiza o concurso “Wolf-Whacking”(Espancamento de Lobos, na tradução livre) que começou em 1º de dezembro de 2018, e vai até 31 de março deste ano e, por último, há uma “recompensa de 500 dólares” sendo oferecida aos membros do The West Kootenay Outdoorsmen por cada lobo morto.

Foto: WAN/Divulgação

Foto: WAN/Divulgação

Este é um crime doentio e precisa acabar.

O Ministro do departamento de Florestas, Terras, Operações de Recursos Naturais e Desenvolvimento Rural respondeu às acusações dizendo: “O Ministério não tolera ou encoraja esse tipo de evento, atualmente não há regras que impeçam esses tipos de ´concursos´ de acontecer, desde que os caçadores estejam devidamente licenciados e todas as leis forem seguidas”.

Participantes (caçadores) desses concursos entendem que o ato de tirar uma vida é um esporte. Nesses eventos criminosos mata-se para ser glorificado perante os demais e ainda receber um prêmio por isso. Tornando o ato de matar uma celebração.

Torneios que pagam pessoas com base em quantos animais elas são capazes de matar são um estímulo ao assassinato indiscriminado de seres indefesos feitos de alvos por interesses indignos.

Mianmar realiza queima histórica de quase duas mil partes de animais selvagens apreendidas com caçadores

No ano passado, o governo do Mianmar também realizou a queima de partes de animais apreendidas com caçadores (Foto: Reuters/Myo Kyaw Soe)

Na semana passada, o governo de Mianmar, na Ásia, realizou a queima histórica de quase duas mil partes de animais selvagens apreendidas com caçadores.

O ato organizado pelo Ministério de Recursos Naturais e Conservação Ambiental foi uma manifestação contra a caça e o comércio de partes de animais selvagens.

A intenção é ampliar a conscientização sobre o assunto e compartilhar a mensagem de que esse tipo de crime não será mais tolerado no país, segundo a agência de notícias Xinhuanet

Na ocasião, o governo de Mianmar queimou 219 pedaços de marfim, 210 pedaços de tronco de elefante seco, 527 ossos de animais selvagens, 800 chifres, 241 partes diversas de animais e 134,7 quilos de escamas de pangolim.

Basicamente, a maior parte era de animais que atualmente são considerados em risco de extinção ou que estão na iminência de entrar na lista de espécies ameaçadas.

Queda na população de elefantes do Zimbábue preocupa grupos de proteção aos animais

Elefantes no Zimbábue | Foto: Alamy

Elefantes no Zimbábue | Foto: Alamy

A população de elefantes do Zimbábue na África do Sul, caiu cerca de 10% nos últimos 8 anos segundo informações do Zambezi Elephant Fund (ZEF).

Em um comunicado divulgado na semana passada para marcar o Dia Mundial da Vida Selvagem, o ZEF, que foi formado em 2015 para combater ativamente a caça no Vale do Zambeze, declarou que os elefantes estavam agora sob crescente ameaça

“O Zimbábue abriga a segunda maior população de elefantes africanos do mundo e, ainda assim, a população total de elefantes do Zimbábue diminuiu em 10% desde o censo de 2011 realizado pela fundação Paul G. Allen do Great Elephant Census.

No Vale do Zambeze, os elefantes africanos, entre outras espécies, estão seriamente ameaçados pela caça. Nos últimos 13 anos, 60% dos elefantes do Vale do Zambeze foram mortos”, dizia parte do comunicado.

O ZEF, que trabalha em colaboração com a Departamento de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue, ONGs e setor privado na luta contra a caça de elefantes, acrescentou que permanecerá empenhado em colaborar com outras organizações anti-caça.

“Nós do ZEF reafirmamos nosso compromisso de trabalhar com as autoridades locais, bem como em uma colaboração ampla em grupo com parceiros ligados a causa, para assegurar a proteção e preservação a longo prazo do Vale do Zambeze, seus habitats e sua vida selvagem”, declarou a instituição.

A entidade declara que dada a importância dos elefantes, não apenas como uma espécie-chave para a sobrevivência e biodiversidade dos ecossistemas da África, mas símbolo e identidade do país, é vital que sejam tomadas medidas urgentes para garantir a proteção dessas criaturas inteligentes.

Embora os resultados alcançados até aqui sejam significativos e as realizações desde que o grupo foi criado não tenham sido poucas, a entidade pede a ajuda a todos os que se comprometem com a preservação da vida selvagem para se associarem ao grupo na luta contra a caça na região. “Em apenas oito anos, uma perda de 10% do número total de elefantes, é uma perda significativa, estamos solicitando o apoio do Departamento de Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue e reforçando os esforços de várias organizações parceiras no sentido de proteger essa espécie.

“Há, no entanto, mais do que estamos fazendo, e ainda muito mais que podemos fazer e para isso precisamos mobilizar pessoas”, disse Richard Maasdorp coordenador do grupo de proteção aos elefantes

Partido verde tenta acabar com a caça de lebres da montanha

Atualmente, proprietários de terras na Escócia operam uma política de restrição voluntária sobre o número de lebres mortas, mas Alison Johnstone disse que isso é inadequado.

Ela pediu a licença para matar os animais, exigida nesta temporada, que vai de 1º de março a 31 de julho, seja estendida durante todo o ano.

De acordo com o Daily Mail, uma média de quase 26.000 lebres são mortas por temporada. Só em 2014, 37.681 animais foram assassinados.

“Precisamos acabar com a matança desta espécie nativa”, disse Johnstone.

“A restrição voluntária exigida pela agência de natureza do governo mostrou-se inadequada”.

Ela acrescentou: “Eu sugeri anteriormente que os ministros usassem seus poderes para introduzir uma ordem de conservação da natureza para proibir os abates. A Escócia é uma nação de amantes dos animais e o público ficará indignado com o fato de o governo continuar a arrastar os pés para acabar com a crueldade contra os animais”.

“Hoje marca o início de um período durante o qual as lebres são protegidas para que possam se reproduzir em paz”.

“Os ministros têm o poder de prolongar este período todo o ano, e eu mais uma vez insto-os a fazê-lo.”

Ela alegou que não há “nenhuma evidência científica” que os animais possam proteger a perdiz contra um vírus disseminado por carrapatos.

No ano passado, o primeiro-ministro Nicola Sturgeon alertou que abates em massa poderiam colocar em risco o status de conservação da espécie e que a legislação para proteger as lebres está entre as opções consideradas. As informações são do Daily Mail.

“O governo escocês acredita que o abate em larga escala de lebres de montanha que poderiam ameaçar seu status de conservação não pode ser justificado”, disse um porta-voz do governo escocês.

“Encomendamos um grupo independente para analisar a gestão atual, presidida pelo professor Alan Werrity, e este grupo considerará se é necessária uma regulamentação adicional do controle da lebre de montanha”.

“Esperamos que o grupo relate suas descobertas nesta primavera e considere todas as recomendações ou ações propostas.”

Mais de 50 mil galgos são mortos de forma cruel na Espanha após o fim da temporada de caça

Galgo resgatado de um poço | Foto: Guardia Civil Espanhola

Galgo resgatado de um poço | Foto: Guardia Civil Espanhola

Milhares de galgos estão enfrentando mortes terríveis após serem jogados em poços, amarrados aos trilhos de trens ou abandonados em estradas movimentadas com o fim da temporada de caça espanhola se aproximando.

Seres humanos egoístas descartam os cães para não terem que arcar com os gastos que o animal daria se continuasse vivo após o termino da temporada.

Ativistas pelos direitos animais estimam que a Espanha tenha em torno de 200 mil tutores de galgos registrados, cada um com até dez cães, e que até 50 mil galgos são abandonados ao final de cada temporada de caça.

ONGS lutam para absorver o afluxo de cães abandonados, muitos dos quais são deixados para se virarem sozinhos ou para serem enviados a abrigos que matam cães.

Outros são deixados para morrer em poços profundos, com donos cruéis fechando a entrada para que não haja chance de escapar.

Anna Clements que lidera a campanha para salvar os galgos, disse: “Este é o segredinho sujo da Espanha e algo que os turistas raramente veem”.

“Estamos esperando a chegada de milhões de cães abandonados mas, nem nós, nem outras ONGS podemos dar conta de tudo. Não podemos salvar a todos”, desabafa ela.

“Eles são descartados brutalmente quando deixam de ser úteis, das piores formas possíveis, um deles foi salvo de dentro de um poço quando uma pessoa que passava pelo local ouviu seus ganidos, a abertura do poço estava fechada com madeira”, conta ela.

Além de usados para caça, os galgos são colocados para fazer a “corrida da lebre”, em que dois cães competem para pegar uma lebre em campo aberto.

Cães com desempenho insatisfatório ou que não aderem a um código específico de caça são vistos como uma vergonha para os donos, o que os leva a serem descartados com selvageria.

Galgos são classificados como “animais de trabalho” e não entram na legislação que protege animais domésticos.

Geralmente eles são mantidos em porões escuros pela maior parte do dia e são muito mal alimentados para que quando saírem à caça eles estejam desesperados pela presa. Apesar de inglesa, Anna vive em Barcelona com seu marido, que é veterinário, e juntos eles dirigem uma ONG, a SOS Galgos.

“Os que tem sorte são encontrados e tem uma chance, os outros são deixados para morrer, na maioria das vezes sozinhos, sofrendo de dores excruciantes”, declara ela.

Os galgos são animais naturalmente calmos, amáveis e gentis mas são privados de todo amor e não sabem lidar com isso. Aqueles que sobrevivem ficam profundamente traumatizados e com problemas de confiança, mas Anna conta que a ONG, mesmo assim, consegue encontrar lares para eles, para que possam viver a vida que merecem.

Foto: Roger Allen

Foto: Roger Allen

“Os responsáveis pela caça costumavam pendurar os cachorros de pontes, mas isso acontece menos agora porque eles perceberam o quanto esse ato reflete mal neles próprios, mas eles ainda são abandonados regularmente em postos de gasolina, ao lado das estradas movimentadas e houve um caso no ano passado em que alguém amarrou 20 cães a um linha férrea e todos foram mortos quando o trem passou”, desabafa ela.

Anna explica que como essa é uma tradição antiga que persiste em áreas rurais, muitas pessoas tem medo de denunciar. Esta crueldade é escondida dos turistas mas o governo está demorando muito em tomar uma atitude porque o lobby da caça é muito poderoso.

O cão resgatado do poço perto de Toledo, a cerca de 100 quilômetros a sudoeste da capital Madri, vive agora com uma família em Barcelona.

Outro cão abandonado por um caçador, Naldo, foi adotado por Julie Marshall, de Birmingham.

“Turistas britânicos que descobriram a verdade sobre situação dos galgos tem sido muito gentis e generosos com a causa”, acrescenta Anna.

“Mas nós precisamos de mais fundos para salvar esses belos animais, movê-los para canis apropriados e então coloca-los para adoção para que encontrem famílias que os amem de verdade”.

Ana conta que nunca se acostumou, mesmo vendo o mesmo filme de horror todos os anos, com o nível de crueldade infligido a esses cães e sabe que sem a ajuda das ONGS, eles vão morrer.

O trabalho que Ana e as demais ONG fazem é apenas tratar as consequências do ato. A resposta correta seria a proibição completa de caçadas com galgos.

“Esses caçadores são a minoria da população espanhola e eles estão destruindo a reputação a reputação do país”, desabafa ela.

“Mais e mais pessoas estão ficando indignadas com essa prática brutal e as escolas estão começando a educar as próximas gerações sobre o bem estar animal. Mas nós estamos agora no final da temporada de caça que é exatamente o início da temporada de extermínio dos galgos e isso é trágico”, conclui ela.

Caçadora mata um puma e posa orgulhosa para fotos

Foto: Facebook Prairie Protection Colorado

Visões como estas, tragicamente, são familiares nas mídias sociais. Pessoas pagam fortunas pelo desprezível prazer de assassinar animais selvagens ou simplesmente matam ilegalmente.

A mulher das fotos é Franny Esplin, uma esposa e mãe, posando orgulhosamente com um puma que ela matou, compartilhando a ocasião “magestosa” que sempre estivera sua lista de sempre. Lamentavelmente, a caça é permitida no país.

De acordo com um post na página do Facebook da Prairie Protection Colorado, a organização compartilhou que “não foi especificamente visando Franny, mas visando a mentalidade dos caçadores de troféus”, observando ainda que “qualquer um que se glorie no sangue de um animal algumas tendências claramente sociopatas ”.

“Infelizmente, essa mentalidade e a matança de nossas espécies nativas por esporte é codificada nas leis de vida selvagem do Colorado que são voltadas para proteger os caçadores esportivos do direito de matar”, continuou a organização.

“Se você quer proteger a vida neste planeta, você tem que colocar essa preocupação e raiva justa em ação. Continuaremos a expor essa mentalidade para educar e construir uma base de cidadãos preocupados que estejam dispostos a fazer o que for preciso para acabar com as atrocidades”.

De acordo com a KDVR News , Esplin permitiu que a emissora exibisse as imagens e disse que “ela usou o leão inteiro e que a caça é parte de sua herança”. As informações são do World Animal News.

Foto: Facebook Prairie Protection Colorado

Leis contra caça

Esforços estão sendo direcionados em todo o mundo para acabar com o assassinato de milhares de animais silvestres.

Conservadores prometem proibir a importação de troféus de caça de leões no Reino Unido. Os Estados Unidos classificam os leões como espécies ameaçadas de extinção, o que significa que importar partes de leões é efetivamente proibido.

Enquanto países como a Colômbia proíbem a caça esportiva, a Zâmbia anunciou que permitirá a morte de 2 mil hipopótamos por caçadores de troféu. Botswana, também na África, está considerando liberar a caça de elefantes. Veteranos do Exército dos EUA criaram grupo para combater os caçadores no país.

Recentemente, surpreendendo o mundo, o Quênia anunciou pena de morte aos caçadores de animais em extinção.
A medida gerou elogios daqueles que pediam por uma medida com impacto suficiente para salvar essas espécies de extinção, mas também críticas dos que são contra pena de morte.

Já no Brasil, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) quer dar continuidade ao projeto que libera a caça no Brasil, embora Valdir Colatto (MDB-SC), autor do projeto de lei nº 6.268/2016, que prevê a liberação da caça de animais silvestres no Brasil, não tenha sido reeleito.