Fotógrafa faz ensaio com animais idosos sobreviventes de fazendas de criação

Pete, 34 anos | Foto: Isa Leshko

Pete, 34 anos | Foto: Isa Leshko

Quando a fotógrafa Isa Leshko conheceu Petey, um cavalo malhado de 34 anos de idade, havia algo no animal da raça appaloosa, que sofria de uma espécie de artrite que a cativou.

Seus olhos estavam cobertos de catarata, seu pelo era duro e grosseiro, e ele se movia com dificuldade e rigidez enquanto a seguia pelo pasto. Hipnotizada pelo gentil animal, Leshko correu para dentro para pegar sua câmera.

“Eu não tinha certeza do por que eu estava tão atraída por ele, mas continuei tirando fotos. Fazia muito tempo desde que eu senti pela última vez esse tipo de emoção ao segurar uma câmera”, diz Leshko.

Leshko e sua irmã estavam cuidando de seu pai, que havia combatido com sucesso o câncer bucal de estágio 4, e sua mãe, que estava lidando com a doença de Alzheimer em estágio avançado.

“Quando analisei os negativos de minha tarde com Petey, percebi que tinha encontrado uma maneira de encarar minha dor e medo decorrentes da doença de mamãe, e sabia que tinha que encontrar outros animais idosos para fotografar”, diz Leshko. “Eu não estava pensando em embarcar em um projeto de longo prazo. Eu estava buscando catarse”.

Mais de uma década depois, aquele encontro com Petey resultou no lançamento do livro de Leshko, “Allowed to Grow Old: Portraits of Elderly Animals from Farm Sanctuaries” Permitidos a Envelhecer: Retratos de Animais Idosos de Santuários-Fazendas” (University of Chicago Press, 2019). O trabalho apresenta imagens de cavalos, vacas, galinhas, cabras, porcos e outros animais de fazenda que foram resgatados e estão vivendo seus últimos dias em segurança.

“A experiência teve um efeito profundo em mim e me obrigou a enfrentar minha própria mortalidade”, diz Leshko. “Estou com medo de envelhecer e comecei a fotografar animais idosos para ter uma visão inflexível desse medo. Como conheci animais de fazenda resgatados e ouvi suas histórias, minha motivação para criar esse trabalho mudou. Tornei-me uma defensora apaixonada desses esses animais e queria usar minhas imagens para falar em nome deles. ”

Foto: Isa Leshko

Pete, 34 anos | Foto: Isa Leshko

Os sortudos

Os animais fotografados por Leskko viviam em santuários de animais em todo o país. Alguns foram abandonados durante tempestades ou outros desastres naturais. Outros foram resgatados de fazenda de criação em escala idustrial ou de operações de criação de quintal. Alguns foram encontrados vagando pelas ruas depois que eles escaparam no caminho para o matadouro. Alguns raros eram animais domésticos cujas pessoas não podiam mais cuidar deles.

“Quase todos os animais de fazenda que conheci para este projeto sofreram abusos e negligências horríveis antes de seu resgate. No entanto, é um eufemismo enorme dizer que eles são os sortudos”, diz Leshko. E como Melissa observou em Treehugger, “A questão é que não temos a oportunidade de conhecer muitos animais velhos, eles morrem antes”.

“Cerca de 50 bilhões de animais terrestres são criados em fazendas industriais mundialmente a cada ano. É um milagre estar na presença de um animal de fazenda que conseguiu atingir a velhice. A maioria de seus parentes morrem antes de completarem 6 meses. Retratando a beleza e a dignidade de animais de fazenda idosos, eu convido a todos para refletir sobre o que é perdido quando esses animais não podem envelhecer”.

Foto: Isa Leshko

Foto: Isa Leshko

Memórias dolorosas

As imagens costumavam ser emocionalmente difíceis para a fotógrafa.

“Eu chorei ao fotografar os animais, particularmente depois que aprendi sobre os terríveis traumas que eles sofreram antes de serem resgatados“, diz ela. “Às vezes um animal me lembrava da minha mãe, que também sentiu muita dor.”

Na introdução do livro, Leshko descreve encontrar um peru cego que ela diz se assemelha a sua mãe depois que ela se tornou catatônica:

“Um dos animais que conheci para este projeto foi um peru cego chamado Gandalf, que vivia no santuário Safe Haven em Sultan, Washington. Por ele ser cego, seus olhos muitas vezes tinham uma cor branca impressionante. Estava um dia muito abafado quando eu o conheci pela primeira vez, e Gandalf – como a maioria dos perus – se refrescava respirando com o bico aberto “, escreve ela.

“Seu olhar vazio somado a sua boca escancarada me transportou para o leito da minha mãe durante seus últimos meses, quando ela estava catatônica. Eu fugi do recinto de Gandalf em lágrimas depois de passar alguns momentos com ele. Foram necessárias mais algumas visitas antes que eu finalmente conseguisse ver Gandalf e não minha mãe quando eu olhava para ele através do meu visor. Fiquei impressionada com a natureza gentil e digna do pássaro, e me concentrei nesses atributos enquanto o fotografava”.

Foto: Isa Leshko

Foto: Isa Leshko

Impacto emocional

Os retratos amáveis e ao mesmo tempo imponentes de Leshko costumam ter bastante impacto sobre as pessoas que os vêem.

“Muitas pessoas choram. Recebi centenas de e-mails profundamente pessoais de pessoas de todo o mundo, compartilhando comigo a tristeza por um pai que está morrendo ou um animal de estimação amado e doente”, diz ela.

“Nas inaugurações de exposições, recebo rotineiramente abraços de pessoas totalmente estranhas que compartilham suas histórias de perda. Estou profundamente comovida pelo fato de meu trabalho ter afetado as pessoas em um nível tão emocional. Sou grata pela manifestação de amor e apoio que recebi. para este trabalho, mas às vezes esses encontros têm sido dolorosos também, particularmente quando eles aconteceram enquanto eu estava de luto pela morte de meus pais”.

“Passar tempo com animais de fazenda que desafiaram todas as probabilidades de atingir a velhice me lembrou que o envelhecimento é um luxo, não uma maldição”, diz Leshko. “Eu nunca vou deixar de ter medo do que o futuro tem reservado para mim.

“Mas eu quero enfrentar o meu declínio final com o mesmo estoicismo e graça que os animais nestas fotografias mostraram.”

Foto: Isa Leshko

Foto: Isa Leshko

Inflexível nos detalhes

Ao fotografar os animais idosos, Leshko diz que queria que eles fossem “inflexíveis em detalhes”, mas não frios ou cruéis. Ela fotografou a maioria dos animais enquanto estava no chão ao seu nível em um celeiro ou pasto para fazê-los sentirem-se mais confortáveis.

Os animais têm diferentes razões para esconder sinais de envelhecimento.

“Alguns animais disfarçam sinais de doença ou se camuflam para evitar ser uma presa fácil. Muitas espécies alteram sua aparência física para atrair parceiros. Mas isso não significa que os animais são autoconscientes de sua aparência da mesma maneira que os humanos”. ela diz. “No entanto, ao editar minhas imagens para este projeto, eu cuidadosamente considerei se as imagens que eu selecionei eram respeitosas com os animais que eu havia fotografado.”

Embora ela tenha clareado um pouco os olhos dos animais para aumentar os detalhes, ela pouco fez para mudar o que fotografou.

“Muitos dos animais que eu conheci perderam muitos dentes e babaram muito. Eu sofri para decidir incluir a baba nas minhas imagens ou para editá-las no Photoshop ou escolher uma imagem totalmente diferente. Eu decidi incluí-las em minhas imagens porque eu não queria impor normas antropocêntricas a esses animais. Eu queria respeitar o fato de que meus sujeitos são animais não humanos e não são seres humanos em pelos e penas”.

Foto: Isa Leshko

Foto: Isa Leshko

Testamentos à sobrevivência e resistência

A maioria dos animais que aparecem no livro de Leshko morreu dentro de seis meses a um ano depois que ela os fotografou. Em alguns casos, um animal morreu no dia seguinte ao seu encontro.

“Essas mortes não são surpreendentes, dada a natureza deste projeto, mas elas têm sido dolorosas, no entanto”, diz ela.

Desde que ela começou o projeto, ambos os pais faleceram, ela perdeu dois gatos domésticos para o câncer e um amigo próximo morreu depois de uma queda.

“O luto inicialmente inspirou este trabalho, e tem sido meu companheiro constante, já que trabalhei neste livro”, diz Leshko, que, em vez de ficar desanimada com sua experiência, encontrou um motivo para ser elevado. “Eu prefiro pensar neles como testamentos de sobrevivência e resistência”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Eduardo Bolsonaro faz campanha pela regulamentação do rodeio e da vaquejada

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) usou o Twitter, no último domingo (16), para defender a exploração e a crueldade animal promovidas pela vaquejada e pelo rodeio.

Na rede social, Eduardo alegou que os cavalos “melhores cuidados são justamente os que participam de esportes equestres”. O parlamentar não considerou, entretanto, que independentemente de supostos cuidados veterinários e boa alimentação, os cavalos submetidos à exploração e ao sofrimento durante a vaquejada e o rodeio, assim como os bois, bezerros e demais animais que são forçados a participar desses eventos.

Foto: Reprodução / portal O Holocausto Animal

Ao abordar o assunto, Eduardo publicou uma imagem que mostra uma reportagem do portal “Leiagora” denominada “Família Bolsonaro entra na ‘briga’ pela regulamentação do esporte equestre”. Na matéria, consta a informação de que políticos se posicionaram contra uma ação do Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE/MT) que proibiu na Justiça a realização da prova do laço na 7ª Semana do Cavalo, no Haras Twin Brothers, em Cuiabá (MT). Ao contrário do que defendem esses políticos, inclusive a família Bolsonaro, a prova do laço é uma atividade extremamente cruel, na qual um participante, montado em um cavalo, persegue um bezerro e o laça pelo pescoço. O golpe sofrido pelo animal é tamanho que casos de lesões são comuns.

Na vaquejada – prática também bastante cruel -, o vaqueiro, montado em um cavalo, tem que derrubar um boi, puxando-o pela cauda, o que causa intensa dor ao animal e pode provocar ferimentos graves.

A intenção de Eduardo Bolsonaro é conseguir que um Projeto de Lei sobre o tema seja apresentado e aprovado para que, depois, o presidente Jair Bolsonaro (PSL), ferrenho defensor do rodeio e da vaquejada, faça a regulamentação para que não se repitam casos de ações judiciais que defendam os animais e impeçam que eles sejam vítimas da crueldade imposta por essas práticas.

Estudos científicos

A ativista vegana Paula Aviles publicou um vídeo no YouTube por meio do qual apresenta estudos que comprovam a crueldade de práticas exploratórias cometidas contra cavalos. O objetivo da militante era de expor os maus-tratos existentes na cavalgada. Os estudos apresentados por Aviles, porém, também serve para contrapor o posicionamento de Eduardo Bolsonaro de que cavalos são bem tratados em rodeios e vaquejadas.

Aviles explica que, ao contrário do que propaga o senso comum, o peso de um humano sobre um cavalo pode machucá-lo. “Já existem estudos que comprovam que a coluna do animal é prejudicada, que ele sente dores”, diz ela.

A ativista lembra ainda que a pele do cavalo tem mais terminações nervosas que a humana e, por essa razão, é mais sensível à pancadas e atritos, causados, inclusive, pela cela e também pela espora – artefato de metal que se prende ao calçado do cavaleiro, usado para pressionar a barriga do cavalo, machucando-o.

Ela contou também que o cavalo tem a tendência de não demonstrar dor, porque na natureza ele é presa de carnívoros e, para não transparecer fraqueza, não mostra que está sofrendo. E mesmo não estando na natureza, ele mantém seu instinto. “Toda dor que o cavalo está sentindo por meio dos equipamentos da montaria, ele não mostra. Ele está sentindo dor nas costas por causa do cavaleiro, dor na região abdominal por causa da espora”, explica.

Outro equipamento usado nos cavalos que lhes causa dor é o freio, colocado na boca dos equinos, lembra Paula. Ela explica que “quando o cavaleiro puxa a rédea com força, ela vem com impacto, e aquele ferro comprime a língua do cavalo, causando, obviamente, dor”. Isso impede que ele movimente a língua livremente e engula saliva, razão pela qual permanece salivando.

Confira o vídeo publicado pela ativista:

Especialistas criticam rodeio e vaquejada

A crueldade do rodeio e da vaquejada é criticada por especialistas sérios e comprometidos com os direitos animais. Em laudo técnico presente nos autos nº. 8.961/97 da Segunda Vara da Fazenda Pública de Santos/SP, a médica veterinária e zootecnista Julia Maria Matera explica que os equipamentos usados nos rodeios causam sofrimento físico e psicológico aos animais.

“A utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”, disse Matera.

Sedém é apertado para o boi pular (Foto: Reprodução/YouTube/O Holocausto Animal)

O sedém, feito de lã ou algodão, é amarrado na cintura do animal – seja ele um boi ou um cavalo. Quando o animal ainda está no brete, momentos antes da montaria começar, o sedém é apertado, o que gera dor e desconforto, além do risco de gerar feridas. Incomodado, o animal pula na arena.

Defensores do rodeio costumam alegar que o sedém e os demais equipamentos usados não causam sofrimento aos animais. Entretanto, essa alegação é refutada não só pelo posicionamento de veterinários competentes e comprometidos com a proteção animal, como também por uma decisão do Rodeio de Limeira, de 2014, quando a Justiça proibiu que espora, peiteira, polaco e sedém fossem usados no evento e a organização cancelou a montaria sob o argumento de que sem esses equipamentos não seria possível realizar as provas. O posicionamento dos organizadores do rodeio comprovou que os animais só pulam porque o sedém os incomoda e lhes causa dor.

Em relação à vaquejada, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) divulgou, em 2016, uma nota oficial por meio da qual declarou que a prática causa sofrimento ao animal. A declaração foi apoiada e divulgada pela entidade “Proteção Animal Mundial”.

A Profª. Drª. Carla Molento, da Comissão de Ética, Bioética e Bem-estar Animal (Cebea/CFMV) explicou que “o gesto brusco de tracionar violentamente o animal pelo rabo pode causar luxação das vértebras, ruptura de ligamentos e de vasos sanguíneos (…) e a queda também pode resultar em contusões na musculatura e lesões aos órgãos internos”.

Molento disse ainda que, mesmo que o sofrimento físico pudesse ser evitado, o impedimento de fuga a uma ameaça leva o animal a desenvolver reações de ansiedade, medo e desespero. Isso, segundo ela, “confirma o sofrimento emocional a que os bovinos são expostos em uma vaquejada”.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Levantamento revela o destino terrível que os cavalos exportados pela Austrália enfrentam

Foto: PETA

Foto: PETA

Outros 11% estão listados nos registros da Korean Racing Authority (KRA) como “indeterminado”, uma entrada que muitas vezes coincide com o fim abrupto do histórico médico, ou a listagem de uma lesão que é incompatível com as corridas.

Segue-se a publicação pela Guardian Austrália de imagens secretamente gravadas por investigadores da PETA em um dos principais matadouros de cavalos em Nonghyup na Ilha de Jeju na Coréia do Sul, mostrando cavalos sendo espancados na cabeça com tubos de plástico antes de serem empurrados para pelos corredores do matadouro.

Esse vídeo inclui imagens de três cavalos australianos, incluindo o Dynamic Tank, Bareal Jeong e Winx, todos explorados em corridas de cavalos e considerados “campeões” sendo que o último deles foi listado em uma auditoria – realizada em registros de 40 anos de mortes – realizada pela KRA em 2015. Ele provavelmente foi morto em 2010, quando seus registros veterinários terminam.

Uma análise dos registros Australian Stud Book e KRA mostra que dos 190 cavalos exportados da Austrália para a Coréia do Sul entre janeiro de 2013 e maio de 2019, 22 estão listados como tendo sido enviados para o matadouro e 29 estão listados como tendo morrido, acredita-se que a maioria dessas mortes esteja ligada à indústria da carne.

Outros 11 morreram em consequência de acidentes durante uma corrida ou treino, ou devido a doenças como cólica. Cerca de 27% – ou 53 cavalos – ainda estavam competindo, com a maioria desse número sendo de cavalos que haviam sido exportados mais recentemente. Treze cavalos haviam sido transferidos para a indústria de criação, e 40, ou 21%, haviam sido aposentados como cavalos de passeio.

O tempo médio entre a data listada de exportação da Austrália e a data em que um cavalo morreu, ou foi listado “indeterminado”, é de 22 meses.

O cientista-chefe da RSPCA, Bidda Jones, disse que as imagens mostram que há “problemas óbvios que precisam ser resolvidos” se a Austrália pretende continuar exportando cavalos.

“Pedimos à Racing Austrália que trabalhe em estreita colaboração com suas contrapartes estrangeiras para garantir o manejo humano dos cavalos australianos ao longo de suas vidas, seja aqui ou no exterior”, disse Jones.

Jones disse que a história recebeu “milhares de reações de revolta e ira” dentro de uma hora depois de ser compartilhada na página do Facebook da RSPCA na quinta-feira.

“Os australianos não vão tolerar a violência e a crueldade contra os animais”, disse ela

Jones comparou a reação expressada pelas pessoas às respostas ao comércio de exportação de ovinos vivos, que foi fortemente restringido após o lançamento no ano passado de imagens terríveis divulgadas nas mídias sociais.

“Nesta época em que vivemos, não há onde se esconder”, disse ela. “Se os animais sob seus cuidados não estiverem sendo bem tratados, quando isso acontecer, onde quer que isso aconteça, você será descoberto”.

Jones disse que as indústrias que dependem de animais devem abordar essas questões “muito antes de serem expostas em uma reportagem de alcance mundial”.

A Racing Austrália mostrou imagens do matadouro na terça-feira última, mas disse que não pretendia expandir uma declaração anterior sobre protocolos de aposentadoria de cavalos introduzida na Austrália em 2015, e também expressou seu apoio ao estabelecimento de um registro de rastreabilidade de cavalos financiado pelo governo.

Embora contatada a entidade não respondeu a um pedido de comentário.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Justiça proíbe vaquejada pelo terceiro ano consecutivo em Governador Valadares (MG)

A vaquejada de Governador Valadares (MG), que seria realizada entre os dias 14 e 17 de junho, foi proibida pela Justiça pelo terceiro ano consecutivo. Caso os organizadores do evento descumpram a proibição, eles receberão multa diária de R$ 10 mil.

(Foto: Reprodução / Portal Amazonas Atual)

Na decisão, o desembargador Dárcio Lopardi Mendes afirmou que a vaquejada promove apenas sofrimento ao animal e é uma agressão a valores mínimos, como o respeito à vida dos animais. As informações são do portal O Tempo.

Em 2018, o evento havia sido inicialmente proibido pela Justiça, que depois voltou atrás. A vaquejada, porém, não oi realizada porque os organizadores afirmaram não ter tempo hábil para planejamento.

Na vaquejada, dois vaqueiros, montados em cavalos, derrubam um boi puxando-o pelo rabo. O ato faz com que o animal sofra o chamado “desenluvamento”, nome dado a prática de arrancar o rabo do boi, retirando a pele e os tecidos da cauda.

Praticada há décadas, a vaquejada tem sido muito contestada por ativistas e pela sociedade em geral, devido ao intenso sofrimento que é imposto aos animais. Em 2016, essa atividade foi considerada inconstitucional pelo STF, que analisou uma lei do Ceará que reconhece a vaquejada como cultural e desportiva. No entanto, pouco tempo depois uma emenda, promulgada pelo Congresso, liberou a vaquejada e os rodeios em todo o Brasil e determinou que práticas que explorem animais não são cruéis se forem manifestações culturais ou patrimônio cultural imaterial, ignorando todo o sofrimento presentes nessas atividades.

No entanto, juristas, no geral, costumam entender que qualquer prática que submeta animais à crueldade não podem ser consideradas de valor cultural. Como é o caso do desembargador Mendes, que classificou a vaquejada como “tortura” e “maus-tratos”.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Promotoria oficia órgãos para coibir maus-tratos em cavalgada em Araguaína (TO)

A 12ª Promotoria de Justiça de Araguaína enviou ofícios a órgãos públicos municipais, estaduais e a instituições privadas envolvidas na organização da cavalgada da Exposição Agropecuária de Araguaína (Expoara 2019), que será realizada no próximo domingo (9).

Cavalos são explorados em cavalgada (Foto: SRA)

O procedimento é necessário, segundo o promotor Gustavo Schult Júnior, porque a cavalgada interfere na qualidade de vida e no bem-estar dos animais e dos cidadãos. As informações são do portal AF Notícias.

A Promotoria solicitou que a Ciretran adote estratégias para prevenir acidentes de trânsito, que Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), Sindicato Rural e Batalhão da Polícia Militar Ambiental previnam acidentes com pessoas e animais no interior do parque de exposição e que a polícia ambiental seja imediatamente acionada caso acidentes ocorram.

Caso indícios ou atos de maus-tratos ou a morte de animais ocorram, o presidente do Sindicato Rural deverá comunicar o caso à Polícia Ambiental imediatamente. A recomendação foi motivada por casos de maus-tratos contra animais registrados recentemente em uma cavalgada realizada no município de Pium.

Testemunhas denunciam morte de burro em cavalgada em Pium (Foto: Divulgação)

Os órgãos oficiados terão três dias para se pronunciar sobre o acatamento dos termos presentes no documento e informar sobre providências a serem adotadas para prevenir danos aos animais e às pessoas.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Imagens flagram animais negligenciados em “pele e osso” abandonados em uma propriedade rural

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

Fotos com imagens fortes e pungentes foram divulgadas pela polícia da Flórida (EUA), em um flagrante de fome e negligência enfrentadas por quase uma dúzia de animais que viviam sem comida ou água, em uma propriedade na região.

Oficiais estavam realizando uma verificação com relação ao bem-estar animal de vários animais em Ridge Manor, ao norte de Tampa, após receber uma denúncia de que muitos deles pareciam estar em perigo.

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

A Unidade de Fiscalização de Animais da Delegacia do Condado de Hernando respondeu à chamada de denúncia.

O oficiais encarregados da investigação encontraram vários animais debilitados e em necessidade de cuidados médicos urgentes, incluindo um cavalo com os ossos do quadril, costelas e coluna a mostra sobre a pele, tamanha a sua magreza.

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

No outro extremo da propriedade, eles encontraram um porco extremamente acima do peso, juntamente com três cabras e cinco cães cujo alojamento estava coberto de fezes e mofo.

Os policiais disseram a responsável pelos dos animais, Kay Davis de 68 anos, que ela precisava limpar o alojamento dos cães imediatamente e fornecer panos e camas limpos para eles dormirem e água limpa também.

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

Davis disse que um homem estava “vindo limpar o alojamento dos cachorros” mais tarde naquele mesmo dia.

Os oficiais do bem-estar animal também informaram a Davis que ela precisaria de um veterinário para examinar tanto o cavalo quanto uma das cabras que pareciam severamente desnutridas.

Davis foi inicialmente informada de que as condições tinham que mudar no final de abril, mas parece que desde o encontro inicial os policiais se esforçaram para voltar a entrar em contato com Davis sem sucesso.

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

Enquanto isso, as condições dos animais só pioraram.

“Quando os policiais chegaram ao local, puderam observar o estado do cavalo, cuja condição parecia ter piorado desde a última visita”, afirma o relatório.

Nenhum dos animais tinha acesso a comida. Sua água estava coberta de algas e contaminada.

Foto: Hernando County Sheriff's Office

Foto: Hernando County Sheriff’s Office

“Todos os animais da propriedade foram encontrados em estado de negligência e foram resgatados e levados para o Serviço de Animais em Brooksville.”

Davis e Glen Gulvin, 64 anos, que também ajudam a cuidar dos animais, foram ambos citados e acusados por crime de crueldade contra animais.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Circo usa hologramas no lugar de animais para acabar com os maus-tratos

Photo: Twitter

Photo: Twitter

Muitas pessoas já se conscientizaram do mal que o cativeiro representa para os animais. Nascidos para serem livres os animais sofrem e morrem quando privados de sua liberdade. Apresentando doenças mentais e físicas decorrentes dessa violência.

Contudo os zoológicos do mundo parecem estar mudando os conceitos nos quais eles são baseados. Em muitos países os zoológicos já foram deixados para trás, essas instalações são verdadeiras “cadeias” onde os animais selvagens são trancados em gaiolas ou jaulas ou maltratados, sem falar nos abusos praticados contra a integridade desses seres sencientes, num zoo de Gaza onde as garras de uma leoa foram cortadas para que as crianças pudessem brincar com ela.

No caso dos circos, a situação e os maus-tratos podem ser ainda piores, com choques, espancamentos e privação de alimento como forma de “treinamento”. Mas alguns desses circos estão caminhando na direção oposta, às vezes até de forma radical e, para isso, estão recorrendo às mais recentes tecnologias disponíveis. Isso permite que os visitantes apreciem a visão dos animais em plena ação, mas sem danificá-los ou ameaçar sua saúde.

Photo: Twitter

O circo em questão está localizado na Alemanha, é chamado de Circo Roncalli, e é o primeiro no mundo que substituiu animais por hologramas realistas.

As animações feitas por computador são projetadas em tamanho real e mostradas de maneira espetacular em movimento.

Animais como elefantes, cavalos selvagens, macacos e até peixes correm, nadam e fazem acrobacias no palco.

O circo já existe há muitas décadas, sendo sido fundado em 1976, mas recentemente eles decidiram substituir os animais por 11 projetores, lasers e lentes estrategicamente posicionadas para oferecer um belíssimo show sem envolver um único animal.

Graças à tecnologia, muitos animais se livram de ficar presos em cativeiro, enquanto os humanos podem desfrutar de sua presença virtual dessa maneira incrível e inovadora.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Justiça proíbe realização de prova de laço com animais em evento em Cuiabá (MT)

A Justiça de Mato Grosso proibiu a realização de provas de laço com animais em um evento que acontece até o próximo domingo (2) em Cuiabá. A decisão atende a um pedido formulado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Foto: Rogério Aderbal

Em caso, de descumprimento, os organizadores devem pagar multa de R$ 5 mil por dia.

Como argumento para pedir a proibição, o MPE apontou os maus-tratos aos animais que participam das provas.

A constatação baseia-se em estudos científicos e técnicos realizados em todo o país. As provas em laço envolvem diversas modalidades, onde o objetivo é imobilizar o animal por meio do laço.

A Polícia Ambiental acompanha o caso para garantir que a decisão judicial seja respeitada.

Fonte: G1

Noiva abandona festa de casamento pela mais bela das razões

Uma noiva fugindo no meio do dia do casamento pode ser um ato interpretado como sinal de má sorte.

Mas o que fez Carla Reilly Moore sair de sua festa estava longe de ser motivo de azar.

Enquanto Moore e seu noivo estavam realizando o sonho de ter um santuário, se acostumando a cuidar de tantos animais e estavam no meio do planejamento de seu casamento, que aconteceria no próprio santuário, o destino deu uma virada repentina.

“Naquele mesmo ano, enquanto dirigia para o trabalho, eu estiva em um acidente de carro devastador”, disse ela. “Isso causou danos permanentes nas minhas costas.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Moore teve que passar por uma reabilitação longa e intensiva. “Passei horas com os animais, uma vez que isso aliviou a minha dor e ajudou-me ao longo do caminho para a recuperação”, disse ela.

Quando o dia do casamento chegou, e Moore já estava muito mais forte e melhor, ela sabia que os animais seriam uma grande parte da celebração.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para realizar nossas núpcias do que aqui no santuário”, disse ela, “o lugar que me deu paz e cura, e o lugar que ajudamos a curar os outros. Queríamos estar cercados por tudo nós amamos: natureza, família e, claro, os animais”.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Dois porcos, Franklin e Sylvester, ajudaram a inspecionar a propriedade enquanto a cerimônia estava sendo organizada. E, depois que os votos foram trocados, Daphne, a cachorrinha da raça chihuahua resgatada por eles se juntou a Moore e seu novo marido para a primeira dança.

Em troca de toda a sua ajuda, Moore sabia que teria de aguentar o fim do acordo.

“Enquanto a maioria das pessoas depois de dizer que ‘eu aceito’ é levada para fotos, bailes, jantares e festas, tivemos que fazer uma pausa para cuidar dos convidados mais vulneráveis do nosso casamento – nossos residentes de animais”, lembrou Moore. “Eu não pensei duas vezes em descer para verificar todo mundo, e até mesmo alimentá-los, mesmo com meu vestido de noiva.”

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Os porcos e patos pareciam muito satisfeitos em ver a sua salvadora, mesmo que ela estivesse vestida de forma um pouco diferente do normal.

“Enquanto cuidava dos animais, meu marido cuidava dos convidados da festa”, disse Moore. “E então nós trocamos!”.

Moore sabia que seu sonho seria um trabalho 24/7 (24 horas por dia/sete dias por semana), mas ela vê os animais como parte da família.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Quando você é um cuidador de tantas vidas, não é como se você pudesse simplesmente se ausentar e sair”, disse ela. “Eles confiam em você para tudo.”

Os votos de amor vêm claramente em muitas formas – e Moore se considera feliz por poder incluir tantos indivíduos em sua vida.

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

Foto: Happy Tails Farm Sanctuary

“Nós tivemos nossa lua de mel aqui!” ela disse. E desde então, o casal não troca por nada a atividade de cuidar dos animais e relaxar ao sol com eles.

“Não poderíamos pensar em um lugar melhor para compartilhar nosso amor um pelo outro”, disse ela. “Parece que já foi feito para ser assim.”

‘As pessoas não pensam que animais de fazenda têm sentimentos’, diz fundadora de santuário

Animais que vivem em fazendas, como bois, cabras, porcos e galinhas, são seres sencientes. Isso é, têm emoções e sentimentos. O que eles sentem vai além da dor física. São capazes, também, de sentir amor, afeto, medo, tristeza, de sofrer e de amar. E para protegê-los e conscientizar a sociedade sobre a senciência deles, Patrícia Fittipaldi fundou, há 11 anos, o Santuário das Fadas. Em entrevista exclusiva à ANDA, ela falou sobre os desafios para manter o local, que precisa de doações constantes, e revelou a bela missão que exerce diariamente cuidando de seres negligenciados e maltratados pela sociedade.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O santuário foi fundado quando e quantos animais atualmente vivem nele?

Patricia Fittipaldi: Foi fundado em 2008, temos aproximadamente 200 animais.

ANDA: Animais de que espécies vivem no santuário?

Patricia Fittipaldi: cães, gatos, aves, equinos, caprinos, suínos, bovinos, roedores e jabutis.

ANDA: O que te motivou a criar o santuário?

Patricia Fittipaldi: Desde criança sempre fui protetora de animais. Enquanto morava na cidade do Rio de Janeiro, eu resgatava muitos cães e gatos, mas com o tempo fui resgatando também animais como bodes e galinhas, e com isso foi ficando bem complicado morar na cidade e continuar resgatando esse tipo de animal. Então, me mudei para a Região Serrana, inicialmente fui para Itaipava. E eu quis montar um santuário principalmente de animais de fazenda porque são animais que não têm muitos abrigos e nem santuários para eles. O que têm mais são abrigos de cães e gatos. São poucas pessoas que fazem esse trabalho aqui no Rio de Janeiro, a gente praticamente faz um trabalho pioneiro.

E foi o amor a todas as espécies que me motivou. E com essa demanda de animais precisando de ajuda, principalmente animais de fazenda, que são animais que não costumam ser vistos com bons olhos, porque as pessoas gostam muito de cão e gato, não pensam que animais de fazenda sofrem, têm sentimentos, então foi isso que me motivou. Aí mudei para a Região Serrana, fiquei 10 anos em Itaipava e há quase dois anos a gente se mudou para Teresópolis, que é interior do Rio de Janeiro também.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você diz que as pessoas não pensam que os animais de fazenda sofrem e têm sentimentos. Você poderia contar uma história ou momento presenciado por você que demonstre o sofrimento e/ou o amor e a gratidão que estes animais sentem?

Patricia Fittipaldi: A maioria dos animais chegam aqui com desconfiança do ser humano, porque viveu muitas situações de maus-tratos. Os nossos equinos foram todos retirados de carroceiros, apanhavam muito, viviam trabalhando até a exaustão. Então, é muito legal observar a mudança deles e nem demora tanto, uma ou duas semanas aqui já no santuário, pela energia, pelo cuidado e pelo amor que a gente tem com esses animais, eles já demonstram muita gratidão.

Têm animais que chegam aqui muito agressivos, algumas vacas, alguns bois que participaram até de vaquejada, e com uma, duas semanas, nos casos mais graves um mês, esses animais mudam o comportamento completamente. Eles sentem, não só pela energia da gente com eles, mas também pelo cuidado e pelo amor que a gente passa para eles. Então, todos os animais que chegaram aqui chegaram dessa forma. Suínos que iriam ser mortos, eram criados em lugares imundos, em situação precária, não recebiam carinho. A gente não podia chegar perto deles que eles já gritavam com medo de apanhar. E com uma semana você percebe que eles já chegam perto da gente para pedir carinho, vão se aproximando devagarinho, até acontecer aquela entrega total de confiança.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: O que você acredita que falta para que as pessoas percebam, que no que se refere a sentimentos, medo, dor, sofrimento, que os animais de fazenda são iguais aos cães e gatos?

Patricia Fittipaldi: Eu acredito que para as pessoas, principalmente para as que vivem na cidade, como não têm contato com esses animais e os enxergam como alimento, falta conviver com esses seres. Por isso em breve a gente quer fazer um programa de visitação monitorada no santuário, que dá a oportunidade das pessoas conhecerem e terem um momento de perto com esses animais. A gente em breve vai realizar isso para que as pessoas possam, cada vez mais, ter mais consciência sobre o fato de que esses animais também sentem, têm sentimentos, ficam felizes e tristes. Então, para mim, o que falta mesmo para as pessoas perceberem, no que se refere a sentimento, medo, dor sofrimento, é a vivencia com esses animais. Para as pessoas da cidade é muito difícil.

Nós que temos santuários, acho importante fazermos esse planejamento das visitações monitoradas, que não podem também ser diárias ou com muita frequência para não estressar os animais. Porque eles têm contato com a gente que está na lida com eles todo dia, mas muitos deles ainda têm receio quando se deparam com seres humanos diferentes, outros até gostam, então é uma coisa que a gente vai em breve fazer, mas também para não estressar os animais vai ser um projeto quinzenal ou mensal. Mas quando as pessoas têm contato com esses animais, elas começam a perceber que eles pedem carinho, que eles têm emoções.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: Você disse que fundou o santuário em 2008. De lá pra cá, nestes onze anos com o santuário, e também considerando o período no qual você já estava envolvida na causa animal, mesmo antes da criação do santuário, você notou alguma evolução na sociedade em relação aos animais? Os cães e gatos e, principalmente, os animais de fazenda, têm sido vistos de melhor forma pelos humanos, embora grande parte da população ainda seja omissa e até cruel com eles?

Patricia Fittipaldi: Eu notei muita mudança. Porque mesmo na época que eu não tinha o santuário, que eu só era envolvida com ativismo, era uma coisa muito difícil as pessoas se comoverem com animais de grande porte, animais de fazenda. E hoje em dia, mesmo as pessoas que se alimentam de carne têm aquela hipocrisia, comem a carne mas ficam com pena de ver as situações, e isso já é um despertar. E muitas delas, até por causa desse despertar, viram vegetarianas e veganas.

E entre os animais de fazenda, acho que as pessoas se sensibilizam mais com os equinos. Porque elas encontram muitos equinos na própria cidade, puxando carroça, animais desmaiando de cansaço, então são animais de fazenda, mas que também são encontrados na cidade. Portanto, eu vejo uma grande evolução em relação ao despertar das pessoas com os animais de fazenda, mas ainda tem muita coisa para evoluir.

Foto: Patrícia Fittipaldi

ANDA: E como você faz para sustentar todos estes animais do santuário? 

Patricia Fittipaldi: Infelizmente, a gente vive literalmente de doação e são doações eventuais, o que é uma coisa incerta. Todo mês é uma loucura, a gente implorando ajuda na internet, nas mídias sociais. Não temos patrocínio fixo de empresa ou pessoa e o gasto é altíssimo, com ração, medicamentos, funcionários, com os recintos, que têm que ampliar, modificar, melhorar, criar mais recintos. É muito difícil. A gente gostaria muito de ter um patrocínio pelo menos para rações, um patrocínio mensal. Mas, infelizmente, a gente até hoje não conseguiu, então vivemos literalmente de doação.

* Por Mariana Dandara


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.