Cachorro fica deprimido após ser abandonado amarrado a poste

Um cachorro foi abandonado preso a um poste de energia elétrica. Deixado pelo tutor, ele ficou bastante deprimido, o que era visível em sua feição e expressão corporal. Olhando para a rua, ele parecia esperar pelo retorno de quem o abandonou.

Foto: Vida Loca/YouTube

Max, como é chamado o cão, foi encontrado por Graham Dobson, de 43 anos, que passava pelo local onde o animal foi deixado enquanto ia para o trabalho. As informações são do portal I Love My Dog.

O homem, então, fotografou o cachorro e publicou a foto na internet. A imagem viralizou e chegou ao tutor de Max, que apareceu para se explicar, afirmando que abandonou o animal porque não tinha mais condições de arcar com as despesas dele. Ao ser descoberto, ele pegou o cão e entregou oficialmente para o diretor de um abrigo para animais.

No abrigo, Max tem se mostrado um cachorro muito doce e comportado, mas ele demonstra se sentir solitário e, por isso, precisa encontrar uma nova família. Potenciais adotantes já tem conversado com os membros da ONG e em breve ele pode ser adotado.

Foto: Hull City Council news/Facebook

Cinco mil bois explorados para consumo são exportados para a Turquia

Cinco mil bois explorados para consumo humano foram embarcados em um navio no Porto de Imbituba, em Santa Catarina, na última quarta-feira (1º) com destino ao Porto de Iskenderun, na costa mediterrânea da Turquia. Os animais enfrentarão uma longa e estressante viagem para, na chegada ao destino, serem mortos.

Foto: Amanda Cristhie/Divulgação

De acordo com o governo de Santa Catarina, a operação de embarque dos bois foi a maior já feita pelo terminal. O procedimento para encaminhar os animais ao navio durou aproximadamente 13 horas, segundo o G1.

A Turquia é, atualmente, o país que mais importa bois vivos do Brasil. Os animais exportados por empresas brasileiras são mortos de forma extremamente cruel no país islâmico, atendendo a rigorosos critérios religiosos que, entre outras questões, estabelecem que eles devem ser mortos ainda conscientes, o que os submete a dor extrema.

Antes da viagem, os bois são mantidos em quarentena por 21 dias para que seis tipos de doença sejam testados. Após esse período, eles são colocados em caminhões superlotados e enviados aos portos, em um percurso que dura horas. A soma do transporte precário com as condições do embarque, que é um procedimento demorado no qual frequentemente os bois recebem choques para que sejam encaminhados ao navio, faz com que esses animais sejam embarcados já exaustos e estressados, situação que é piorada durante a viagem.

Bois afundados nos próprios excrementos no navio NADA (Foto: Magda Regina)

Dentro do navio, os bois viajam amontoados, sem espaço para deitar e descansar. É comum, também, que no desespero para encontrar um pouco de conforto, eles pulem uns aos outros e se pisoteiem, causando ferimentos. Casos de mortes também são registrados, já que alguns dos animais não suportam as condições insalubres da viagem. Conforme comprovaram fotos feitas no navio Nada, que atracou no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, a impossibilidade de realizar um procedimento adequado de limpeza na embarcação faz com que os bois sejam transportados em meio a fezes e urina.

Apesar das autoridades alegarem que fiscalizações são realizadas para que os pré-requisitos de bem-estar animal e combate aos maus-tratos sejam respeitados, as condições nas quais os animais são mantidos desde a saída das fazendas de origem torna impossível a prática da exportação sem crueldade.

ANDA move ações contra exportação de animais

A Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA) entrou com duas ações contra a exportação de animais. A primeira, feita em conjunto com a Associação de Proteção Animal de Itanhaém (AIPA), solicitou a interrupção das operações no porto de Santos com base nas implicações ambientais e nos crimes de maus-tratos registrados durante o embarque feito pelo porto em dezembro de 2017.

Bois mantidos em condição insalubre no navio NADA (Foto: Magda Regina)

O pedido das entidades foi aceito pelo desembargador Luis Fernando Nishi, que determinou a suspensão imediata das operações no porto no final de janeiro deste ano. Dias depois, entretanto, a liminar foi derrubada por um recurso impetrado pela Advocacia Geral da União (AGU) e o navio seguiu viagem.

A segunda ação, movida exclusivamente pela ANDA, foi contra os embarques de animais vivos no porto de São Sebastião. Devido à existência de outras duas ações contra tais operações no porto que tinham como foco os maus-tratos contra os animais, a ANDA optou por usar o enfoque ambiental como fundamento para se opor à exportação de animais vivos em São Sebastião.

Após a ação ter extraviado, a ONG impetrou um mandado de segurança solicitando o julgamento da liminar. O mandado foi deferido pelo juiz Dr. Guilherme Kischner que, em abril, suspendeu temporariamente os embarques no porto.

Embriões de peixe morrem e sofrem anomalias após testes sobre toxicidade da lama de Brumadinho (MG)

Embriões de peixe-zebra foram vítimas de um teste sobre a toxicidade da lama que atingiu Brumadinho (MG) após o rompimento de uma barragem. Casos de anomalias e mortes foram registrados. O estudo foi feito por cientistas de universidades e centros de pesquisa do Rio de Janeiro e de São Paulo e incluiu dosagem de poluentes, quantificação de micro-organismos potencialmente perigosos e testes ecotoxicológicos.

Rio Paraopeba 30 dias após a barragem romper em Brumadinho (Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo)

A lama foi coletada cinco dias após a ocorrência do crime ambiental e, mesmo após ser diluída 6.250 vezes, matou embriões e causou defeitos graves neles, segundo Mônica Lopes-Ferreira, cujo laboratório funciona no Instituto Butantan, em São Paulo.

Os testes feitos com água retirada de locais mais próximos da área do rompimento da barragem resultaram em maior letalidade aos embriões. O material coletado junto à mina gerou mortalidade de até 100%. Deformações no cérebro, na boca, na coluna, na cauda e hemorragias foram causadas pela água retirada de todos os pontos abaixo do local onde a barragem rompeu.

“Para testar a lama tivemos que diluí-la até 6.250 vezes e ainda assim ela continuou letal para os embriões, o que atesta sem dúvida seus risco para a saúde”, diz Mônica Lopes-Ferreira. As informações são do O Globo.

Corpo de Bombeiros trabalhando em Brumadinho após crime ambiental (Foto: WASHINGTON ALVES / REUTERS)

No experimento, cinco embriões de peixe-zebra foram deixados dentro de 50 microlitros de água contaminada misturados com dois mililitros de água limpa. Cada mililitro é equivalente a mil microlitros. Os embriões tinham de 30 minutos a três horas de nascidos. Eles foram explorados nos testes por um período de 24 horas até 96 horas.

“Não há dúvida que um material tóxico foi lançado no [rio] Paraopeba. Não sabemos como a situação está agora, mas a área precisa ser acompanhada porque esse material é muito fino, pode permanecer por muitos anos. Ele fica no leito do rio, no solo e entra em contato com pessoas e animais”, destaca a pesquisadora do Butantan.

Por falta de dinheiro, os pesquisadores interromperam os testes, mas pretendem fazer novas coletas. “O dano potencial desse tipo de acidente perdura por décadas. Toda a região afetada precisa ser monitorada com extremo rigor”, frisa Rezende.

Manifestantes protestaram contra a Vale em São Paulo e no Rio de Janeiro ( Foto: MIGUEL SCHINCARIOL / AFP)

Para Fabiano Thompson, as águas do Paraopeba representam uma ameaça à saúde pública. “A saúde do rio pode estar comprometida por décadas. Uma vergonha”, diz.

Com as coletas feitas, os cientistas identificaram uma concentração elevada de mercúrio, metal altamente tóxico, no Rio Paraopeba. A concentração encontrada é pelo menos 720 vezes maior que o máximo estabelecido como seguro pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) para águas de classe 2, como a do rio. Essa classificação indica que a água é destinada ao abastecimento humano, após tratamento.

Um relatório oficial, recentemente divulgado pela ANA, Capasa, CPRM e Igam, aponta elevada concentração de mercúrio na água entre 25 de janeiro e 10 de março deste ano, além de indicar turbidez média (NTU), ferro dissolvido (mg/L) e mercúrio dissolvido (ug/L) acima dos limites estabelecidos pela resolução Conama 357. Os cientistas lembram, porém, que uma interpretação mais abrangente sobre a situação atual do rio está sendo dificultada pela ausência de dados a partir de 11 de março.

O estudo foi feito por pesquisadores do Instituto Butantan, da Uenf e da UFRJ e amostras foram coletadas em seis localidades ao longo do Paraopeba, incluindo pontos localizados 26 quilômetros antes da área atingida e até 150 quilômetros após o local.

Vaca fica presa à lama em Brumadinho. Foto: Mauro Pimentel/AFP

O resultado da pesquisa indicou concentração de ferro 100 vezes maior que a estabelecida pelo Conama e de alumínio, mil vezes superior. O mercúrio, no entanto, é o que preocupa os pesquisadores, devido à elevada toxicidade e persistência no ambiente. Fabiano Thompson, do Instituto de Biologia e da Coppe da UFRJ e autor de uma análise sobre os efeitos dos rejeitos da lama de Mariana (MG), acredita que uma possibilidade para explicar essa situação é que a forte lama lançada contra Brumadinho após o rompimento da barragem pode ter revirado o leito do rio e liberado sedimentos de antigos locais de extração de ouro.

Carlos Eduardo de Rezende, da Uenf, que é um dos coordenadores do estudo, lembra que o mercúrio é um dos piores poluentes existentes, já que causa uma espécie de contaminação crônica.

Além do metal, foram encontrados também micróbios potencialmente tóxicos na água do rio, com concentrações dez vezes superior à máxima tolerada pelo Conama.

O outro lado

De acordo com a Vale, após três meses do rompimento da barragem, “é possível avaliar que o rio Paraopeba poderá ser recuperado. Tal afirmação é baseada em estudos de quase 900 mil análises da água, solo, rejeitos e sedimentos.”

A empresa diz que está realizando um monitoramento detalhado do rio, com coletas diárias de amostras de água e solo, além de avaliação dos níveis de turbidez.

Ainda segundo a mineradora, análises feitas em 48 pontos mostraram que os rejeitos não são perigosos à saúde e que os níveis de toxicidade estão abaixo dos limites legais para “rejeitos de mineração, de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”.

Um relatório feito em conjunto pela Agência Nacional de Águas (ANA), pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), concluiu que a concentração de mercúrio no local está “abaixo do limite de detecção do método analítico” e que a densidade de micro-organismos e toxinas derivadas deles está dentro do padrão legal.

Nota da Redação: explorar embriões de peixes em testes sobre a toxicidade da lama de rejeitos do rime ambiental de Brumadinho (MG) é uma prática antiética. Esses experimentos contrariam os direitos animais, já que tratam embriões de peixes como objetos e os condenam à morte e a anomalias. É de extrema necessidade avaliar o risco que a água do rio Paraopeba representa, após o rompimento da barragem, não só para os seres humanos, como também para os animais. Isso, no entanto, deve ser feito de forma ética, através da avaliação em laboratório de amostras da água, sem o envolvimento de seres vivos.

Ativistas denunciam consumo de carne de cachorro na China

Ativistas pelos direitos animais denunciaram o consumo de carne de cachorro na China durante um concurso de cães, que começou na terça-feira (30) em Xangai. A exposição canina, organizada pela Federação Cinológica Internacional, dura quatro dias.

(Johannes Eisele/AFP)

Mais de 730 mil assinaturas foram coletadas em uma petição online para denunciar a organização do concurso em um país que mata cachorros para consumo humano. As informações são do portal UOL.

Atualmente, o consumo de carne de cachorro é minoritário na China. No entanto, isso não impede que uma festa de carne de cães seja realizada todos os anos, em junho, em Yulin, na região de Guangxi.

Cerca de um terço dos 30 milhões de cachorros consumidos no mundo estão na China, segundo o grupo de proteção de animais Humane Society International (HSI).

O Kennel Club britânico se negou a se apresentar no concurso em Xangai e denunciou a morte, muitas vezes brutal, de cães no país. Os ativistas criticam a dicotomia dos chineses entre amar os cães e matá-los para consumo.

“É um duplo critério, que indigna muitos amantes dos cachorros na China, contrariados de ver que este comércio ilegal continua”, afirmou a Humane Society International (HSI), em um comunicado.

Ameaçadas de extinção, lontras vivem aprisionadas em cativeiro

Lontras estão sendo traficadas e criadas em cativeiro para atender ao desejo humano de tratar esses animais como domésticos, ignorando a necessidade da espécie de viver em liberdade. No Japão, a presença de lontras em cafeterias nas quais os clientes interagem com os animais é crescente. No país, muitos desses estabelecimentos, e também pet shops, vendem as lontras para qualquer um.

“A demanda e a popularidade são crescentes. Mas a oferta não acompanha”, disse um atendente em um café. Esses animais também tem sido vítimas do tráfico na Indonésia, Tailândia, Vietnã e Malásia. As informações são da Folha de S. Paulo.

Lontras exploradas por um café em Tóquio  – Noriko Hayashi/The New York Times

Segundo a bióloga conservacionista da Oregon State University e co-presidente do comitê de lontras da União Internacional para a Conservação da Natureza, Nicole Duplaix, a internet é a responsável por aumentar a popularidade da espécie, condenando-a à vida no cativeiro.

“Vendedores anunciam online e pessoas postam fotos fofas de lontras. Isso difunde a ideia de que seriam ótimos animais domésticos, o que não é o caso”, diz Duplaix.

Por ser difícil reproduzir lontras em cativeiro, conservacionistas suspeitam que a maior parte desses animais está sendo retirada da natureza.

As lontras lisas e as lontras-de-nariz-peludo são vítimas do tráfico. Mas a principal espécie traficada é a lontra-anã-oriental, segundo Duplaix. Todas elas estão ameaçadas de extinção.

Não há informações precisas sobre como começou o tráfico de lontras. O antropólogo Vincent Nijman, da Oxford Brookes University, no Reino Unido, acredita que o início foi há cinco anos, na Indonésia. No país, a lontra-anã-oriental não é protegida, mas todo comércio de animais silvestres não protegidos possui cotas. No entanto, não há cotas para a lontra.

De acordo com Nijman, isso significa que comercializar lontras sem autorização é ilegal. “Agora vemos centenas sendo vendidas no Facebook e Instagram. Nenhuma com autorização”, diz.

Apesar da ilegalidade e da crueldade existente na manutenção de lontras em cativeiro, Nijman conta que tutores de lontras se unem em comunidades e desfilam pelas ruas de Jacarta, na Indonésia, carregando os animais. “Nos noticiários isso é descrito como aceitável, divertido, inovador”, afirma. “Para quem quer algo diferente de um cão ou gato comum”, completa.

Na Tailândia, capturar, vender ou exportar lontras é ilegal, mas isso não impede que o tráfico ocorra. Ao “Journal of Asia-Pacific Biodiversity”,  Penthai Siriwat, doutoranda da Oxford Brookes University que monitorou páginas do Facebook que vendiam o animal, afirmou que mais da metade das lontras traficadas são ninhadas de recém-nascidos que nem abriram os olhos.

Da Tailândia, a prática de aprisionar lontras em cativeiro se disseminou, principalmente para o Japão, onde, segundo a entidade Traffic Japan, uma série de TV ajudou a popularizar a espécie ao retratar uma lontra como animal doméstico.

“Temos uma cultura que valoriza o bonitinho, o que tem um grande papel nisso”, diz a pesquisadora Yui Naruse, da Traffic Japan.

Em maio, representantes vão decidir, durante uma reunião da Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (Cites), se a lontra-anã-oriental e a lontra lisa vão receber uma proteção maior, com proibição do comércio internacional dessas espécies.

Polícia vai investigar morte e desaparecimento de 10 gatos em Santos (SP)

A Polícia Civil irá investigar a morte e o desaparecimento de 10 gatos em Santos (SP). Animais foram encontrados com sinais de envenenamento entre 17 de abril e a última quarta-feira (24), na rua Professor Arnaldo Amado Ferreira, no bairro Areia Branca. Quatro gatos também foram encontrados mortos no Cemitério da Areia Branca.

Gatos foram encontrados mortos em Santos (Foto: Arquivo Pessoal)

A moradora Adriana Lourenço da Silva era tutora de cinco gatos que foram mortos. Outro animal era tutelado pela vizinha dela. Segundo ela, no dia 17 de abril uma das gatas apareceu morta e outro animal desapareceu. No domingo (21), ele também foi encontrado morto. Os outros três gatos também morreram da mesma forma.

“O Algodão passou o dia em casa, brincando e, perto das 17h, saiu e foi até o telhado de casa. Poucos minutos depois, ele voltou agitado, passando mal”, disse ao G1.

“Meu filho achou estranho e levou ele ao veterinário. O gato chegou até a urinar no carro no caminho do médico. No dia seguinte, o veterinário me ligou e disse que ele havia sido envenenado e não resistiu, que o quer que tenham dado para ele machucou por dentro. É muito triste e revoltante saber que tem alguém que provavelmente é aqui do bairro fazendo isso”, completou.

Apesar da suspeitas, ainda não há informações sobre o autor dos crimes. “Os moradores desconfiam de uma pessoa, mas ninguém tem certeza. A cada um ou dois dias, um gato está aparecendo morto por aqui, é uma situação muito ruim, não sabemos mais o que fazer”, lamentou.

Tutores procuram gatos desaparecidos (Foto: Arquivo Pessoal)

“É revoltante porque cuidamos muito bem de todos eles, tratamos com carinho, e alguém faz uma maldade dessa, envenena esses gatos. E quem tem coragem de fazer isso com um gato, pode facilmente fazer isso com uma criança, dando um doce ou alguma coisa parecida. A gente fica com medo”, concluiu.

A Prefeitura de Santos afirmou, por meio de nota, que não tem registro de denúncia na administração sobre envenenamento de gatos no bairro Areia Branca e que apenas um gato foi achado morto em 2019 dentro do cemitério da região. Não há levantamentos sobre animais mortos em vias públicas.

Nestes casos, a administração municipal orienta a população a denunciar os casos à polícia, com lavratura de boletim e ocorrência. A comprovação do envenenamento só pode ser feita por meio e laudo veterinário ou exame laboratorial.

Cão sofre fratura no crânio e perde visão de um olho após ser espancado

Um cachorro sofreu uma fratura no crânio e perdeu a visão de um olho após ser brutalmente espancado com uma pá na cidade de Wall Ferraz, no Piauí. O animal foi internado em estado grave.

Foto: Montagem / Fala Piauí

A tutora do cachorro, a professora Eudiana dos Santos, denunciou o caso à polícia. Ela afirma que um vizinho agrediu o animal sob a justificativa de que ele havia mordido a sua filha. No entanto, a mulher pediu para ver o suposto ferimento que teria sido causado pela mordida, e o homem não o mostrou. O crime aconteceu na última semana. As informações são do portal Fala Piauí.

“Ele estava na rua fazendo suas necessidades, como sempre fazia. De repente, escutei as pancadas e os gritos. Quando cheguei lá fora, vi o Corintiano rolando no chão e o vizinho entrou. Perguntei o que tinha acontecido e ele disse que o cachorro havia mordido sua filha. Pedi para ver o ferimento, para tomar as medidas cabíveis, mas ele se recusou. O Corintiano é um animal dócil e tinha costume de brincar com a criança. Acredito que não teve mordida e mesmo que tivesse, ele jamais poderia ter espancado daquele jeito. Foi muita crueldade”, disse a tutora do cão Corintiano.

O cachorro vive com a família há mais de dez anos. Para registrar um boletim de ocorrência, Eudiana viajou quase 2 horas, até uma cidade vizinha, onde fica a delegacia regional.

“Confio em Deus que ele vai melhorar. A cabeça ainda está muito inchada. Está sendo um sofrimento, pois convive há anos com nossa família. Imagino a dor que ele está sentindo. Um ser humano sabe se defender, uma animal não. O que aconteceu foi um absurdo. Estamos sofrendo muito por vê-lo naquela situação”, desabafou a professora.

A Polícia Civil investiga o caso. Os envolvidos ainda não foram convocados para depor.

Quase 4 mil caçadores estão inscritos para matar javalis em SC

Estimativas indicam que existam de 1 a 2 javalis por quilômetro quadrado e uma população total de aproximadamente 200 mil animais da espécie em Santa Catarina. Sob a desculpa de controle populacional, 3.868 caçadores estão inscritos no estado para matá-los.

Foto: Pixabay

Tendo os direitos básicos à vida e à integridade física desrespeitados, o javali é atualmente o único animal cuja caça é permitida no Brasil. A permissão para que ele fosse caçado em todo o território nacional passou a vigorar em 2013. No entanto, desde 1995, a caça já era realizada, de forma experimental, no Rio Grande do Sul.

Em março deste ano, uma nova portaria do Ibama informatizou o sistema de autorizações para caçadores, autorizou o uso de armas brancas e armadilhas – com exceção das armadilhas de laço e de dispositivos com acionamneto automático de armas de fogo – e permitiu que cachorros fossem explorados para a caça do javali, colocando esses animais em risco.

As pessoas autorizadas a caçar javali fazem uma inscrição no Cadastro Técnico Federal (CTF), do Ibama, e um registro no Sistema de Informação de Manejo de Fauna (Simaf), também gerido pelo órgão ambiental. As autorizações têm validade máxima de três meses.

A autorização da caça ao javali por si só coloca em risco outras espécies. A queixada e o cateto, por exemplo, são confundidos com os javalis pelos caçadores e acabam sendo mortos. Outros animais são assassinados de forma proposital. Além disso, a permissão para caça pode autorizar a prática até mesmo em unidades de conservação e florestas nacionais, o que ameaça ainda mais a fauna brasileira.

Após matar os javalis, os caçadores devem apresentar relatórios sobre a caçada, que devem ser entregues em até três meses contados a partir da data em que a autorização foi concedida.

História do javali no Brasil

O javali foi trazido ao Brasil no início dos anos 2000 para ser explorado para consumo humano. “De repente tínhamos muitos criadores. Foi aí que a gente contaminou várias áreas. Uma parte de um rebanho escapou, alguém deu um filhote para o vizinho, e assim foi. Não tiveram condições de segurar”, explica o biólogo Carlos Henrique Salvador.

Com a capacidade da espécie de percorrer longas distâncias, reproduzir-se de forma acelerada e se dispersar, o número de javalis aumentou e o animal se espalhou pelo Brasil. Locais que não tinham a presença do javali, receberam o animal após ele ser levado por caçadores que, de maneira cruel, queriam caçá-lo por hobby.

Na natureza, os javalis se reproduziram com os porcos domésticos e os porcos asselvajados, dando origem ao javaporco.

Nota da Redação: o javali, assim como qualquer outro animal, deve ter seu direito à vida resguardado. Autorizar que ele seja covardemente morto é totalmente antiético e injustificável. É preciso que o Brasil avance na defesa dos direitos animais, e não retroceda, como tem feito ao liberar uma nova portaria que facilita a caça ao javali e ainda coloca em risco a vida de cachorros, explorados por caçadores. 

Comissão do Senado aprova criação do Dia Nacional do Rodeio

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado aprovou, na terça-feira (23), o relatório do senador Wellington Fagundes (PR-MT) que cria o Dia Nacional do Rodeio (PLC 108/2018), a ser celebrado em 4 de outubro. A análise do projeto segue agora para o Plenário do Senado.

(Foto: Shark)

A aprovação representa um retrocesso para os direitos animais, já que os rodeios são eventos extremamente cruéis, que exploram e maltratam animais em provas feitas para entreter o público.

Ironicamente, a opção por escolher o dia 4 de outubro para a comemoração do Dia Nacional do Rodeio ocorreu por ser celebrado nesta data o Dia dos Animais e de São Francisco de Assis, santo da comunidade católica que é padroeiro dos animais. A escolha escancara o quanto a proposta aprovada pela Comissão ignora o sofrimento imposto aos animais pelos rodeios.

O relator do projeto usou do fato de ser veterinário para defender que os animais são bem tratados nos rodeios, o que é rebatido por ativistas pelos direitos animais e desmentido por fotos e vídeos dos eventos, além de ser refutado por especialistas comprometidos com os animais.

O médico veterinário Dr. C.G. Haber, que trabalhou durante 30 anos como inspetor federal de carne em matadouros e viu vários animais descartados de rodeios serem vendidos para que fossem mortos para consumo, descreveu os animais como “tão machucados que as únicas áreas em que a pele estava ligada à carne eram cabeça, pescoço, pernas e abdome. Eu vi animais com 6 a 8 costelas quebradas à partir da coluna, muitas vezes perfurando os pulmões. Eu vi de 2 a 3 galões de sangue livre acumulado sobre a pele solta. Estes ferimentos são resultado dos animais serem laçados nos torneios de laçar novilhos ou quando são montados através de pulos nas luta de bezerros”, segundo informações divulgadas pela ONG Apasfa.

Ainda de acordo com a entidade, o veterinário Dr. T.K. Hardy, que também trabalha como laçador de bezerros, desmentiu o argumento dos organizadores de rodeio de que os animais são bem tratados. “Eu mantenho 30 cabeças de gado para prática, a U$200 por cabeça. Você pode aleijar três ou quatro numa tarde… É um hobby bem caro”, disse à revista Newsweek.

A veterinária e zootecnista Julia Maria Matera é outra especialista que expõe o horror dos rodeios. Ao falar sobre os apetrechos sem os quais seria impossível realizar as provas na arena, Maria Julia abordou a crueldade imposta aos animais.

“A utilização de sedém, peiteiras, choques elétricos ou mecânicos e esporas gera estímulos que produzem dor física nos animais em intensidade correspondente à intensidade dos estímulos. Além da dor física, esses estímulos causam também sofrimento mental aos animais uma vez que eles têm capacidade neuropsíquica de avaliar que esses estímulos lhes são agressivos, ou seja, perigosos à sua integridade”, afirmou.

Gata esfolada viva e vários gatos mortos a pauladas na Semana Santa

Por Fátima ChuEcco*

Gatinha não sobreviveu aos maus-tratos | Divulgação

A semana que antecedeu a Páscoa foi um verdadeiro inferno felino no Brasil. Uma gata foi esfolada viva e teve o rabo arrancado em Maceió (Alagoas). Foi encontrada viva na última quinta-feira, véspera da sexta-feira da Paixão, com um corte que se estendia do pescoço à cauda. “Alguém pegou uma faca, arrancou o couro dela e cortou o rabo”, detalha Naíne Teles ao G1 , coordenadora do Projeto Acolher que resgatou a gatinha batizada de Melissa e morreu na noite do último domingo.

Segundo a matéria do G1, a presidente da comissão de Bem-Estar Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/AL), Rosana Jambo, acredita que algumas pessoas sabem quem são os assassinos, mas não denunciam por medo de represálias: “Para fazer um crime desse nível com o animal, ele deve ter sido amarrado. Provavelmente o ato não foi feito por uma pessoa sozinha. Um animal que sofre esse nível de dor deve ter gritado muito. É impossível que ninguém escute. Que ninguém saiba”.

Em São Luís do Maranhão, um local conhecido como “Sítio dos Gatos também virou palco de chacina de animais na “Semana Santa”. Na sexta-feira, dia 19, um gato adulto e dois filhotes foram encontrados mortos com lesões por todo o corpo. O pior é que não é a primeira vez que isso acontece naquele local. Há anos gatos vem sendo mortos das formas mais cruéis sem que ninguém seja preso ou punido.

“Há um ritual que ele (autor das mortes) faz questão de continuar. Ele mata os animais e coloca enfileirados. O instrumento que ele utiliza é um pedaço de pau, que fica ensanguentado ao lado. O chão fica ‘banhado’ de sangue”, disse Jô Veras, uma das voluntárias que cuidam dos gatos abandonados ao G1.

Gatos são vítimas de chacina em São Luís, no Maranhão | Divulgação

Animais podem ser torturados em rituais?

Crimes como esses, ocorridos durante a Semana Santa, costumam ser apontados como rituais de seitas religiosas. Recentemente, uma decisão do STF- Supremo Tribunal Federal sobre a constitucionalidade do sacrifício de animais em cultos religiosos, causou muita revolta e, principalmente, pânico e confusão entre os defensores de animais.

Mas a advogada Adriana Cecílio que, inclusive, é uma estudiosa da Constituição brasileira, afirma: “A liberdade religiosa está em nossa Constituição, mas isso não significa que as pessoas estão autorizadas a torturar animais. A mesma Constituição não permite maus-tratos a animais e, portanto, continua sendo crime”.

Ela explica que o STF se baseou na constitucionalidade dos sacrifícios das religiões de matriz africana cujos adeptos conseguiram provar, durante o processo de julgamento de uma lei do Rio Grande do Sul, que não existe crueldade animal nos sacrifícios: “Então todos os demais cultos que sacrificam, por exemplo, cães e gatos, que fazem coisas horríveis com esses animais e os largam nas ruas, não estão contemplados na decisão do STF porque isso não é próprio de religião de matriz africana”.

Psicopatas à solta

Vale ressaltar que não importa a motivação (seja religiosa, vingança ou de outra natureza) de um crime hediondo como esses que têm ocorrido com certa frequência contra cães e gatos. Em todo o Brasil (e também no Exterior) têm surgido casos dos mais perversos, como o noticiado pela ANDA, em primeira mão, de um gatinho que teve olhos perfurados, abdômen aberto, dentes e unhas arrancados. O que importa é o ato em si que revela uma personalidade extremamente perigosa não só para os animais, mas também para as pessoas.

Foto: Divulgação

Estudos do FBI mostram que os psicopatas começam matando animais e, inclusive, a pesquisa vai mais longe, mostrando que é possível detectar um psicopata até mesmo na infância. John Edward Douglas, um dos analistas de crimes perversos do FBI, declarou: “Incêndios propositais e crueldade contra animais são sinais que surgem na infância sinalizando um assassino serial em potencial”.

Aqui mesmo no Brasil, um estudo dirigido pelo Capitão da Polícia Militar Ambiental de São Paulo, Marcelo Robis, prova que a violência doméstica, em muitos lares, tem início com o abuso aos animais. “As pessoas que maltratam animais tendem a causar violência contra outras pessoas. Quem faz mal aos animais provavelmente também vai bater na esposa ou machucar os filhos, porque não tem respeito pela vida. Nos EUA, por exemplo, quando a esposa é agredida, ela pode sair de casa e levar o animal junto, para que ele não fique nas mãos do marido”, comentou o capitão à revista Veja.

Em 2011, foi realizada uma pesquisa com mulheres vítimas de violência doméstica pela Associação Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente (AADAMA). Cerca de 71% delas revelaram que seus bichos de estimação também foram ameaçados, agredidos e até mortos pelos companheiros. E na mídia, não raro, também surgem notícias de animais espancados ou mortos por maridos e namorados violentos.

Os psicopatas não são apenas criminosos frios e sádicos. Eles são também covardes. Agridem animais, mulheres, idosos e crianças indefesos ou pessoas em situação que não permita uma reação ao ataque. Essa é a principal característica do psicopata: torturar e matar quem não pode se defender. Por isso é tão importante a Polícia e as autoridades atentarem para os “matadores e torturadores de animais”. Porque neles reside uma personalidade cruel sempre em busca de mais vítimas, sejam animais ou pessoas.

*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal