Amazonas decreta situação de emergência por conta de queimadas e desmatamento

Queimadas e desmatamento na Região Metropolitana de Manaus e no Sul do Amazonas levaram o governo a decretar situação de emergência.

Foram registrados 1.699 focos de calor nos primeiros sete meses do ano, sendo que 80% aconteceram em julho, quando a seca teve início.

(Foto: iStockphotos)

O governador em exercício, o vice-governador Carlos Almeida (PRTB), assinou na sexta-feira (9) o decreto que ficará em vigor por 180 dias. As informações são da Revista Planeta, do portal Terra.

“A medida que estamos adotando tem por objetivo conter desmatamentos e queimadas, que degradam a floresta, o nosso maior ativo, como as queimadas, mais comuns nesse período do ano, que chamamos de verão amazônico”, declarou o governador em nota.

O decreto estabelece que a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) deve coordenar a articulação com os demais órgãos públicos para definir e executar estratégias de combate ao desmatamento e às queimadas. A operação das estratégicas fica sob a responsabilidade do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

Em julho, o desmatamento na Amazônia cresceu 278% em relação ao mesmo mês do ano passado. Os dados foram compilados pelo Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).


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Ministério alemão anuncia suspensão de R$ 155 milhões para proteção da Amazônia

O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha anunciou que vai suspender o financiamento de projetos para a proteção da Amazônia. O motivo é a política desastrosa de Bolsonaro e do ministro Ricardo Salles, que têm promovido um verdadeiro ataque ao meio ambiente.

Foto: Paulo Whitaker/Reuters

A ministra responsável pela pasta, Svenja Schulze, concedeu entrevista ao jornal “Tagesspiegel” no sábado (10) e explicou que, num primeiro momento, 35 milhões de euros (aproximadamente R$ 155 milhões) não serão mais investidos no Brasil. Os valores são provenientes de uma iniciativa para proteção climática do Ministério do Meio Ambiente em Berlim. Desde 2008, 95 milhões de euros (cerca de R$ 425 milhões) foram entregues ao Brasil para execução de projetos de preservação ambiental.

“A política do governo brasileiro na região amazônica deixa dúvidas se ainda se persegue uma redução consequente das taxas de desmatamento”, declarou a ministra. Segundo ela, os investimentos poderão voltar a ser feitos apenas quando houver clareza sobre a política do governo brasileiro.

“Embora o governo do presidente direitista, Jair Bolsonaro, esteja comprometido com o objetivo do Acordo Climático de Paris de reduzir o desmatamento ilegal de florestas a zero até 2030 e de iniciar o reflorestamento maciço, a realidade é outra”, escreveu o jornal alemão. “Um dos maiores defensores de Bolsonaro é o lobby agrário”, completou.

“A região amazônica é amplamente utilizada para o cultivo de soja para ração animal e para criação de gado. Por volta de 17% da Floresta Amazônica desapareceu nos últimos 50 anos, alertam os pesquisadores, uma perda de 20% a 25% poderia fazer com que o pulmão verde da Terra entrasse em colapso – ameaçando transformar a região numa vasta savana”, explicou o “Tagesspiegel”.

A Alemanha é uma das apoiadoras do Fundo Amazônia, que combate o desmatamento florestal. Já foram injetados 55 milhões de euros (aproximadamente R$ 245 milhões) no fundo. A suspensão de projetos abrange apenas o financiamento do Ministério do Meio Ambiente em Berlim.

A maior parte do Fundo Amazônia é financiada pela Noruega – quase 800 milhões de euros, o que equivale a cerca de R$ 3,5 bilhões. A Alemanha é responsável por uma pequena parte dele. O recurso é destinado a ações de reflorestamento, contenção do desmatamento e apoio à população indígena.

A reportagem publicada pelo jornal alemão informou ainda que o Ministério do Meio Ambiente em Berlim defende também que a participação da Alemanha no Fundo Amazônia seja revista.


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Desmatamento na Amazônia em julho cresceu 278% em relação a 2018

O desmatamento da Amazônia em julho apresenta crescimento de 278% quando comparado ao mesmo mês de 2018. Foram 2.254,8 km² desmatados neste ano e 596,6 km² no ano passado. O desmate registrado em julho equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, de agosto de 2018 a julho de 2019, período em que 6.833 km² foram desmatados – o número é 33% maior do que o registrado nos 12 meses anteriores.

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) responsável por fiscalizar o desmatamento.

(Foto: Vinícius Mendonça)

Os dados levam em consideração apenas três categorias de corte de vegetação, como medida para evitar distorções. As categorias, identificadas pelo próprio governo como desmatamento efetivo, são: desmatamento com solo exposto, desmatamento com vegetação e mineração.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL), conhecido por promover um desmonte na agenda ambiental, em parceria com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem atacado desde maio os dados divulgados pelo Inpe. Recentemente, Bolsonaro declarou que “maus brasileiros” divulgam números mentirosos sobre a Amazônia.

Os dados, no entanto, são verídicos, e o Inpe é um instituto renomado com credibilidade reconhecida. Além disso, não há “maus brasileiros” entre os que expõe o desmatamento da Amazônia. Pelo contrário, esses são os brasileiros realmente comprometidos com o Brasil e com as riquezas naturais do país. As verdades sobre os fatos, porém, não impediram que Ricardo Galvão fosse exonerado da chefia do órgão.

Para o lugar de Galvão, foi indicado o coronel da reserva da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião, que assume o cargo interinamente. Em entrevista à VEJA, o militar afirmou que o Inpe divulgará dados com antecedência ao governo – conforme Bolsonaro havia solicitado, numa tentativa de exigir que qualquer estatística passe pelo crivo presidencial.


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The Economist e The Guardian destacam aumento do desmatamento no Brasil

Por Rafaela Damasceno

A capa da edição mais recente da The Economist, uma das principais revistas inglesas, exibe uma reportagem sobre o avanço do desmatamento da Amazônia. O texto cita o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, dizendo que ele “deixou claro para os infratores que não há nada a temer”.

A capa da revista The Economist

Foto: The Economist

Segundo a reportagem, depois de um esforço governamental de sete anos para diminuir a destruição da floresta, em 2013 o desmatamento tornou a crescer por culpa do enfraquecimento da fiscalização.

A revista não foi o único veículo midiático a noticiar o crime: o jornal americano The New York Times também declarou que o desmatamento da Amazônia está aumentando rapidamente, definindo o atual governo do Brasil como “extrema direita”.

A revista científica Science foi ainda mais além, afirmando que o presidente Jair Bolsonaro diz que os números são mentirosos, atacando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) enquanto todos os dados apontam para um aumento na devastação amazônica.

A revista americana Nature definiu o presidente brasileiro como “Trump tropical” e também noticiou as acusações contra o Inpe. “Em 19 de julho, Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre os números e depois sugeriu que o governo tenha o direito de aprovar os dados da agência antes da divulgação pública”, disse o texto.

Segundo o G1, o jornal The Guardian também se posicionou sobre o assunto, afirmando que a floresta amazônica está sendo cortada e queimada a uma velocidade maior do que nunca. “Mas o governo Jair Bolsonaro está focado em reinterpretar os dados em vez de lidar com os culpados”, criticou o jornal.


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Bolsonaro diz que vai permitir que os Estados Unidos explorem a Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou neste sábado (27) que está em busca de parcerias com “o primeiro mundo”, em especial com os Estados Unidos, para a exploração da Amazônia. Na prática, o plano do presidente é entregar os recursos naturais brasileiros a outros países, permitindo que o Brasil perca sua riqueza e que a natureza seja ainda mais destruída em nome do lucro.

A declaração de Bolsonaro foi dada durante uma cerimônia de formatura de paraquedistas do Rio de Janeiro em resposta a questionamentos de países europeus sobre a gestão dos recursos naturais da Amazônia.

Foto: Reuters

“O senhor presidente da França [Emmanuel Macron], a senhora Merkel [chanceler da Alemanha] queriam que eu voltasse para cá [depois da reunião do G20], demarcando mais 30 reservas indígenas, ampliando reservas ambientais. Isso é um crime. Só de reserva indígena já temos 14% tomados aqui no Brasil. Na Reserva Ianomâmi, são 9 mil índios e tem o dobro do estado do Rio de Janeiro. É justo isso? Terra riquíssima. Se junta com Raposa Serra do Sol é um absurdo o que temos de reservas minerais ali. Estou procurando o primeiro mundo para explorar essas áreas em parceria e agregando valor. Por isso, a minha aproximação com os Estados Unidos”, disse Bolsonaro.

Bolsonaro fez ainda um discurso nacionalista, afirmando que a Amazônia é dos brasileiros. “O Brasil é nosso. A Amazônia é nossa. A Presidência é do povo brasileiro. Povo esse ao qual devo lealdade absoluta”, disse. O presidente também afirmou que está cumprindo a promessa que fez de “colocar o Brasil no local destaque que ele merece. É declarar nossa verdadeira independência, e é lutar para o bem de todos”.

O nacionalismo, no entanto, fica apenas no discurso. Isso porque entregar a Amazônia para que os Estados Unidos a destrua seguindo seus próprios interesses financeiros não é mantê-la como um patrimônio dos brasileiros, tampouco declarar independência, já que a intenção do presidente é justamente fazer que o Brasil dependa dos interesses norte-americanos.

Dados desmentem o presidente

Apesar de Bolsonaro afirmar que há reservas ambientais em excesso no país, ao ponto de considerar “um crime” aumentá-las, a declaração dele não condiz com levantamentos recentes feitos pelo Deter, sistema de alertas de desmatamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

No que se refere a florestas desmatadas, os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de mata por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Em junho, o desmatamento na Amazônia foi cerca de 57% maior do que o registrado no mesmo mês de 2018. Cerca de 769 km² foram desmatados em junho deste ano. Em 2018, foram aproximadamente 488 km². Esse resultado mostra, segundo o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, que o discurso do governo de “combater a indústria de multas” e contrário à destruição legal de equipamentos utilizados por desmatadores favorece o desmatamento.

“Se você diz que vai tirar o governo das costas de quem quer produzir, estamos, na verdade, tirando o governo das costas de quem está cometendo crimes ambientais”, disse Rittl ao jornal O Globo.

Desde da época da campanha eleitoral, Bolsonaro tem deixado claro seu desprezo pela proteção ambiental e, junto do ministro de Meio Ambiente, Ricardo Salles, tem promovido uma série de retrocessos contra o meio ambiente.


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Bolsonaro prossegue com desmonte ambiental ao dizer que dados sobre desmatamento são mentirosos

Ao abordar os recentes dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) sobre o desmatamento no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que tem “a convicção que os dados são mentirosos”. A declaração do presidente configura mais um dos desmontes ambientais promovidos pelo governo. Ao negar estatísticas levantadas por um instituto conceituado e respeitado, Bolsonaro reforça em parte da população a ideia de que não há desmatamento e, com isso, abre espaço para que áreas continuem sendo desmatadas sem qualquer ação de combate.

Em junho, segundo dados do Inpe, o desmatamento na Amazônia Legal brasileira chegou a 920,4 km² – o que representa 57% de aumento em relação ao mesmo período do ano anterior.

(luoman/Getty Images)

O presidente disse ainda, em entrevista à imprensa estrangeira na última sexta-feira (19), que parece que quem está à frente do Inpe “está a serviço de alguma ONG”, mais uma vez tentando deslegitimar uma questão que atinge seu governo usando a desculpa infundada da ideologia, sem qualquer prova que a fundamente.

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Ricardo Magnus Osório Galvão, rebateu as declarações de Bolsonaro. Segundo ele, as críticas feitas são inaceitáveis e parecem mais “conversa de botequim”. Para Galvão, a atitude do presidente foi “pusilânime e covarde”.

No domingo (21), Bolsonaro voltou a criticar o Inpe ao afirmar que o desmatamento tem que ser combatido, mas que não se deve “fazer campanha contra o Brasil”.

“A questão ambiental aí fora é na verdade psicose ambiental. Você tem que combater se tiver desmatamento, não é justo aqui dentro fazer campanha contra o Brasil. No mínimo, se o dado for alarmante, ele [Ricardo Magnus Osório Galvão, diretor do Inpe] deveria, em tom de responsabilidade, respeito e patriotismo procurar o chefe imediato, no caso o ministro e dizer: olha ministro, temos uns dados aqui, vamos divulgar, devemos divulgar, o senhor se prepare. Assim que deve ser feito e não de forma rasa como ele faz, que coloca o Brasil em situação complicada. […] Um dado desse aí, da maneira de divulgar, prejudica a gente”, declarou Bolsonaro.

Apesar do presidente afirmar que se deve combater o desmatamento, as declarações e ações de seu governo dizem o contrário. Desde o período da campanha eleitoral, Bolsonaro bate na tecla de que há uma indústria de multas no Ibama – o que nunca aconteceu, já que as multas aplicadas pelo órgão são justas e tem como objetivo combater, entre outros crimes, o desmatamento. Em abril, o presidente assinou um decreto para converter multas em ações de compensação ambiental. De acordo com o jornal O Globo, o documento prevê “a conversão de multas simples em serviços de preservação do meio ambiente e descontos de até 60% no valor da multa em audiências de conciliação”. Se o intuito de Bolsonaro fosse, de fato, agir contra desmatadores, ele apoiaria as multas, não o contrário.

Ao se referir ao diretor do Inpe, Bolsonaro afirmou que seus ministros falarão com ele. “Ele tem mandato, eu não vou falar com ele. Quem vai falar com ele é o Marcos Pontes e, talvez, o Ricardo Salles. O que nós não queremos é uma propaganda negativa para o Brasil. Não queremos fugir da verdade. Aqueles dados pareceram muito com os do ano passado e deram um salto. Então, eu fiquei preocupado com aqueles números, obviamente, mas também fiquei achando que eles poderiam não estar condizentes com a verdade, então, ele vai conversar com esses dois ministros e toca o barco”, declarou Bolsonaro.

“Chamar de manipulação é uma ofensa inaceitável”

O diretor do Inpe afirmou, em entrevista à TV Vanguarda, que chamar os dados do Inpe de manipulação é uma “ofensa inaceitável” e que ele não deixará o cargo.

“O sr. Jair Bolsonaro precisa entender que um presidente da República não pode falar em público, principalmente em uma entrevista coletiva para a imprensa, como se estivesse em uma conversa de botequim. Ele fez comentários impróprios e sem nenhum embasamento e fez ataques inaceitáveis não somente a mim, mas a pessoas que trabalham pela ciência desse País. Ele disse estar convicto de que os dados do Inpe são mentirosos. Mais do que ofensivo a mim, isso foi muito ofensivo à instituição”, disse.

Galvão falou ainda sobre a importância do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e sobre sua própria trajetória como cientista. “O Inpe permitiu ao Brasil ser o terceiro país do mundo a receber imagens de satélite para monitoramento de desmatamento, do Landsat. Começamos isso em meados da década de 1970. Íamos a reuniões internacionais que só tinham Brasil, Canadá e Estados Unidos. O Inpe tem credibilidade internacional inatacável”, afirmou. “Quanto a mim, fiquei realmente aborrecido, porque acho que ele fez comigo o mesmo jogo que fez com Joaquim Levy (que pediu demissão do BNDES após também ser criticado em público por Bolsonaro). Ele tomou uma atitude pusilânime, covarde, talvez esperando que eu peça demissão, mas não vou. Eu espero que ele me chame a Brasília para eu explicar o dado e que ele tenha coragem de repetir, olhando frente a frente, nos meus olhos. Eu sou um senhor de 71 anos, membro da Academia Brasileira de Ciências, não vou aceitar uma ofensa dessas. Ele que tenha coragem de, frente a frente, justificar o que está fazendo”, completou.

“Todos os diretores dessas unidades de pesquisa não são escolhidos por indicação política ou porque o pai deles quis dar um filé mignon pra eles. Eles são escolhidos por um comitê de busca nomeado pelo governo, por cinco especialistas de renome nacional, tanto na área científica quanto na área tecnológica”, reiterou Galvão ao fazer uma referência à indicação de Eduardo Bolsonaro, feita pelo presidente, para o cargo de embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos. Ao ser acusado de praticar nepotismo, Bolsonaro negou e disse que pretende, sim, beneficiar o filho e que se “puder dar um filé mignon ao meu filho, eu dou”.

O cientista abordou ainda a transparência dos dados divulgados à população brasileira. “O presidente não entende que não somos nós que fornecemos os nossos dados para a imprensa. Os nossos alertas de desmatamento são fornecidos ao Ibama. Isso começou ainda na gestão da ministra Marina Silva (2003-2008) por demanda do Ministério do Meio Ambiente. Os dados são acessados pelo Ibama na nossa página na internet. Estão abertos para todo mundo poder verificar. São publicados em revistas científicas internacionais. Então chamar de manipulação é uma ofensa inaceitável”, reforçou.

Ao ser questionado sobre o posicionamento de Ricardo Salles, que colocou em dúvida a veracidade dos dados do Inpe antes mesmo de Jair Bolsonaro, Galvão disse que entendia que o ministro fazia essas críticas por falta de conhecimento, mas que não sabe quais as intenções dele. “O ministro Ricardo Salles vem atacando, desde o começo do ano, os dados do Inpe. Realmente não sei com que intenções. Algumas pessoas dizem que ele tem intenção de transferir esse trabalho feito pelo Inpe para empresas privadas. Não sei se é verdade, porque ele aparentemente desmentiu”, explicou.

Galvão citou também o ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, que, segundo o cientista, “sempre manifestou que as questões do desmatamento e das mudanças climáticas são questões científicas e não políticas” e “sempre demonstrou grande respeito pelo Inpe”. O diretor do Instituto disse que, antes de Bolsonaro se pronunciar sobre o tema, havia enviado um ofício a Pontes por meio do qual propôs a abertura de um canal de comunicação para explicar os dados do Inpe e criar ferramentas para que o governo pudesse usar essas informações de forma mais clara e transparente. “Mandei para o ministro Marcos Pontes, mas acho que ele estava viajando”, disse.

SBPC se manifesta em apoio ao Inpe

Após o presidente criticar o Inpe, o Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) se manifestou, no domingo (21), publicando um manifesto em apoio ao Instituto.

De acordo com o SBPC, as críticas feitas pelo presidente são “ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico.” O Conselho afirmou ainda que “em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza”.

Confira abaixo a nota na íntegra:

O Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, em reunião realizada no dia 20/07/2019, deliberou por unanimidade manifestar seu apoio integral ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, dirigido pelo Dr. Ricardo Galvão, face às críticas do trabalho do INPE de monitoramento do desmatamento da Amazônia brasileira, apresentadas em entrevista à imprensa internacional pelo Presidente da República, Sr. Jair Messias Bolsonaro.

Conforme carta das principais entidades nacionais representativas da ciência brasileira, enviada ao Presidente Bolsonaro no dia 10/07/2019 (OF. ABC-97/2019), a ciência produzida pelo INPE está entre as melhores do mundo em suas áreas de atuação, graças a uma equipe de cientistas e técnicos de excelente qualificação, e presta inestimáveis serviços ao País. O Diretor do INPE, Dr. Ricardo Galvão, é um cientista reconhecido internacionalmente, que há décadas contribui para a ciência, tecnologia e inovação do Brasil. Críticas sem fundamento a uma instituição científica, que atua há cerca de 60 anos e com amplo reconhecimento no País e no exterior, são ofensivas, inaceitáveis e lesivas ao conhecimento científico.

Em ciência, os dados podem ser questionados, porém sempre com argumentos científicos sólidos, e não por motivações de caráter ideológico, político ou de qualquer outra natureza. Desmerecer instituições científicas da qualificação do INPE gera uma imagem negativa do País e da ciência que é aqui realizada. Reafirmamos nossa confiança na qualidade do monitoramento do desmatamento da Amazônia realizado pelo INPE, conforme a carta anteriormente enviada ao Presidente da República, e manifestamos nossa preocupação com as ações recentes que colocam em risco um patrimônio científico estratégico para o desenvolvimento do Brasil e para a soberania nacional.


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Construção de estrada expulsa capivaras de seu habitat em Ribeirão Preto (SP)

Por Rafaela Damasceno

Ribeirão Preto, município de São Paulo, vem sendo constantemente visitado por capivaras. Vídeos gravados pelos moradores mostram os animais andando calmamente por uma das avenidas mais populares da cidade, a Avenida Presidente Vargas. Ela fica longe de córregos e matas, onde as capivaras costumam viver.

Uma capivara andando na rua

Foto: Reprodução/EPTV

As aparições se tornaram mais comuns desde que começaram as obras de ampliação da Avenida Coronel Fernando Ferreira Leite, que antigamente era coberta de árvores e vegetação.

Segundo o professor de gestão e instrumentos da política ambiental da USP, Marcelo Pereira de Souza, os dois fatos possuem ligação direta. O desmatamento provocado pelas obras faz com que as capivaras percam parte de seu habitat, e o professor afirma que a vegetação deveria ter sido respeitada.

“Deveria existir um recuo de, pelo menos, 30 metros nas margens. Com isso, manteria as questões ambientais razoavelmente respeitadas. Mas haverá um asfalto”, explicou ao G1.

De acordo com Marcelo, o asfalto também trará outros problemas. Ele dificultará a impermeabilização da chuva e, no futuro, o trecho pode alagar. Enxurradas poderão levar a água para bairros mais baixos, afetando também os moradores do local.

O Assistente da Secretaria do Meio Ambiente, Alexandre Bertarello, afirma que as capivaras estão migrando em busca de comida, não pela perda do habitat. Segundo ele, há uma superpopulação dos animais, que migram constantemente.

Para Marcelo, entretanto, o desaparecimento da Área de Preservação Permanente (APP) tem culpa na migração das capivaras. “A função ambiental está sendo eliminada”, disse ele.

Como compensação pelo desmatamento, a Prefeitura tem que seguir algumas regras. Por enquanto, ela já plantou 5 mil árvores e plantará mais 3 mil. O fato é positivo, mas não poderá repor a perda de um ecossistema.


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Humanidade consome recursos 74% mais rápido do que o planeta consegue regenerar

No dia 29 de julho, a humanidade terá consumido todos os recursos naturais que o planeta é capaz de regenerar em um período de um ano. Essa descoberta, feita pela ONG Global Footprint Network, parceira da WWF, levou à conclusão de que a velocidade de consumo das pessoas é 74% maior do que a capacidade de regeneração do planeta Terra.

O dia 29 de julho é a data mais crítica desde 1970, quando o consumo ultrapassou em dois dias capacidade anual dos recursos serem regenerados, o planeta entrou em déficit ecológico, sendo a data da sobrecarga o dia 29 de dezembro. Em 1979, a data era 29 de outubro. Já em 1989, o dia foi 11 de outubro. Em 1999, 29 de setembro e 18 de agosto em 2009. Quando todos esses dias, registrados num período de 49 anos, são somados, o déficit alcança 4.493 dias, ou 12,3 anos.

Foto: Jonathan Lins/FPI do São Francisco

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores fizeram cálculos que levam em consideração: capacidade de produção dos ecossistemas; quantidade de pessoas no planeta; o quanto é consumido pela humanidade; com que eficiência os produtos são fabricados.

A produção de petróleo faz com que os países que lideram essa produção estejam na frente no que se refere à data em que a velocidade de regeneração dos recursos passa a ser inferior ao consumo deles. O primeiro país a exceder esse consumo foi o Catar, com data em 11 de fevereiro. Outros grandes produtos de petróleo também estão à frente, como Emirados Árabes Unidos, que teve a data de déficit em 8 de março, e o Kuwait, em 11 de março. Os recursos dos Estados Unidos foram consumidos em 15 de março. Dia 26 de maio foi a data de Portugal e dia 17 do mesmo mês a da Inglaterra. Em 26 de abril, a Rússia consumiu seus recursos e a China foi em 14 de junho. A data da Argentina foi 26 de junho. O mesmo acontecerá no Brasil em 31 de julho, dois dias depois da média mundial.

Enquanto a principal causa do uso dos recursos em muitos países é o consumo exacerbado, no Brasil é a queda na capacidade de regeneração de recursos ecológicos consumidos em terras agrícolas, pastagens e áreas onde é realizada a pesca. Além disso, o transporte e o desperdício de alimento também geram demanda por recursos naturais no país.

De acordo com o estudo, o uso exacerbado dos recursos naturais levam a escassez de água potável, erosão do solo, perda de biodiversidade e acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera, além do aumento nas inundações, das secas, dos furacões e dos incêndios florestais.

A queima de combustíveis fósseis também é um problema. Segundo a pesquisa, 60% do déficit está relacionado ao acúmulo de CO2 na atmosfera e no oceano.

Ambientalistas indicam a adoção de hábitos mais sustentáveis. Dentre eles, está o veganismo. Isso porque o consumo de produtos de origem animal, especialmente a carne, está intimamente ligado ao desperdício de água, à contaminação do solo e de rios, lagos e oceanos, e ao desmatamento. Até mesmo a produção agrícola, que desmata grandes áreas, está relacionada à carne, já que a maior parte dos grãos produzidos são usados na alimentação de animais explorados para consumo – que também geram desmatamento de maneira direta, quando florestas são destruídas para dar espaço a pasto para criação desses animais.

De acordo com o Banco Mundial, em 2050 serão necessários três planetas Terra para atender à demanda de recursos naturais da humanidade, já que a população deve chegar a 9,6 bilhões de pessoas.


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Restam apenas 250 mil chimpanzés no continente africano

Restam apenas 250 mil chimpanzés na África. O número, quando comparado ao que foi registrado há 10 anos, quando cerca de 2 milhões desses animais viviam em 25 países do continente africano, expõe uma grave queda na população da espécie.

Foto: Pixabay

A diretora adjunta do Instituto Jane Goodall, Laia Dotras, afirmou à agência EFE o declive populacional drástico que os chimpanzés vivenciam é provocado “sobretudo pela perda do habitat” devido à “exploração de madeira e recursos minerais”. A espécie é vítima também da caça.

Segundo Dotras, essa é “uma das maiores crises de biodiversidade” atuais e se não forem tomadas medidas urgentes, os chimpanzés “não tardarão a desaparecer”. As informações são do portal Público.

A diretora afirma que é “essencial educar e fazer entender os problemas socioambientais locais” para evitar a extinção da espécie. Para “assegurar a sustentabilidade a longo prazo”, Dotras sugere que seja incentivado o desenvolvimento sustentável em diferentes regiões africanas.

“A pobreza e o desconhecimento induzem muitos africanos a usar os recursos do seu meio ambiente de forma insustentável”, asseverou Dotras, que citou como exemplo o desmatamento, que faz com que áreas fiquem “quase desertas e a terra já não se pode aproveitar para cultivar”.


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Retrocessos ambientais de Bolsonaro podem levar à destruição irreversível da Amazônia

Os desmontes da agenda ambiental promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) podem fazer com que a destruição da Amazônia atinja um limite irreversível “em dois governos Bolsonaro”, segundo o cientista Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia desde 1984, época em que viajou para a floresta pela primeira vez para realizar uma pesquisa para seu doutorado.

(Foto: Think Stock)

Segundo estimativas, se uma área de 40% da floresta for desmatada, o restante não consegue sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa e, assim, parte da floresta poderia se transformar em cerrado. Até o momento, 20% da Amazônia já foi destruída.

“É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”, explica Artaxo.

Atualmente, o cientista supervisiona o Projeto LBA – uma torre de 325 metros que investiga a atmosfera amazônica e que permitiu que Artaxo ajudasse a desvendar a formação das nuvens de chuva na região – e vai à Amazônia pelo menos uma vez ao mês.

Membro, desde 2003, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Artaxo é um dos 12 brasileiros que integram a lista dos 4 mil cientistas mais influentes do mundo, feita pela Highly Cited Researchers 2018 a partir de números de citações em artigos acadêmicos.

Em entrevista à BBC News Brasil, Artaxo afirmou que a pressão de outros países é o único caminho que pode frear o atual desmonte da fiscalização e da legislação ambientais iniciadas no governo Bolsonaro. Ao ter sua polícia ambiental criticada pela chanceler alemã Angela Markel, Bolsonaro respondeu, na última semana, após chegar ao Japão para cúpula do G20, que não foi ao encontro para “ser advertido” e que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil.

Para Artaxo, usar temas econômicos, como moeda de troca, como foi o caso do acordo entre Mercosul e União Europeia, seria uma estratégia eficiente para frear os retrocessos ambientais do governo brasileiro.

Paulo Artaxo (FOTO: MARCOS SANTOS/USP IMAGENS VIA BBC NEWS BRASIL)

Nas condições atuais, o planeta vai sofrer um aquecimento de, em média, 3,5ºC e, no caso do Brasil, segundo Artaxo, “vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos”.

“Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário”, concluiu o cientista.

Confira, abaixo, trechos da entrevista de Artaxo à BBC News Brasil.

BBC News Brasil – Como o senhor avalia a agenda ambiental nesses seis meses de governo Bolsonaro?
Paulo Artaxo – 
A mesma coisa que o Trump fez nos EUA. Basicamente desmontar toda a legislação ambiental – que, no Brasil, foi construída a duras penas ao longo dos últimos 30 anos, incluindo Código Florestal e assim por diante -, e desmontar toda a estrutura de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente.

Porque este governo tem como uma das principais bandeiras o não cumprimento da lei. Nós temos um governo que a todo momento diz: ‘Olha, não vamos cumprir a lei, essa lei não vale, essa lei não é boa’. Seja de cadeirinhas para criança no carro, seja o cadastro ambiental rural na Amazônia (o presidente editou em junho Medida Provisória extinguindo o prazo para os proprietários de terra fazerem o cadastro).

Então, a lei que eles não gostam não é pra ser cumprida. É a primeira vez no Brasil que a gente tem um governo que vai contra sua própria razão de existência, que é dar um ordenamento jurídico para um país como o Brasil.

BBC News Brasil – Em termos de medidas concretas, em que consiste esse desmonte ao qual o sr. se refere?
Artaxo – 
O principal é você estimular ações violentas no campo. O atual governo está fazendo isso, primeiro, por meio da não repressão quando esses atos violentos ocorrem.

O Brasil hoje é campeão de ações que matam ambientalistas, aqueles que lutam pelo direito da terra, ações contra populações indígenas e assim por diante. O que a gente vê é uma fração muito pequena do que está ocorrendo no campo, que é o que acaba saindo na grande imprensa.

A segunda questão é a destruição de todo o sistema de fiscalização ambiental no Brasil. O Ibama tinha, por exemplo, um sistema chamado Prevfogo, de prevenção de queimadas, que tinha centenas de funcionários há um ano e hoje está reduzido a algumas dezenas de pessoas para cuidar do combate a queimadas na Amazônia.

É um sistema que, mesmo que o Brasil no ano que vem retome a necessidade de combater queimadas, basicamente todas as pessoas que estavam lidando com isso foram dispensadas.

BBC News Brasil – O governo fala, nesses casos, que isso é reflexo da falta de recursos, que acaba afetando todos os ministérios…
Artaxo –
 O Brasil é a nona economia do planeta e não existe essa questão de falta de recursos. Falta de recursos é uma justificativa para você implementar a sua própria agenda. Por que não faltam recursos para pagar os juros da dívida? Por que não faltam recursos para financiar a produção agropecuária brasileira? Por que não faltam recursos para se dar subsídios às indústrias?

E faltam recursos para manter um sistema como o Prevfogo, que custa absolutamente nada para o país, mas que foi desmantelado. O discurso de falta de recursos não existe. O problema é onde você aloca os recursos. É a mesma coisa nos EUA. O Trump desmontou toda a estrutura da EPA (Environmental Protection Agency). É falta de dinheiro? Não. É ideologia.

BBC News Brasil – O sr. elencou então como segundo ponto esse desmonte da estrutura de fiscalização…
Artaxo – 
Fiscalização e legislação. Aí entra, por exemplo, o desmonte do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, criado em 1981 e do qual o físico faz parte), da estrutura de monitoramento e acompanhamento das mudanças climáticas globais, que antes era dividido entre Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Meio Ambiente e Itamaraty.

Se você vai hoje nesses três órgãos e pergunta quem cuida da questão climática no país, você não encontra ninguém. Toda a divisão de clima do MCTI não existe mais.

É um desmonte que, para se refazer toda essa estrutura num próximo governo, vai demorar de 10 a 20 anos, realisticamente.

BBC News Brasil – Do ponto de vista ambiental, que tipo de consequência de médio e longo prazo essa política pode acarretar? Pode haver algum tipo de dano irreversível?
Artaxo – 
Pode não, já está tendo. O desmatamento na Amazônia já está aumentando, porque todos os mecanismos de combate foram desmantelados.

Não são problemas futuros – é no presente. A questão de agrotóxicos. Vamos ter algum problema no futuro? Não, estamos tendo no presente. São quase 250 novos agrotóxicos, inclusive que são proibidos em outros países, aprovados nesses seis meses. Não é no futuro, é prejuízo hoje, que já está ocorrendo.

BBC News Brasil – Existe uma conta de que o “ponto de não retorno” para a Amazônia, a partir do qual a floresta entraria em autodestruição, seria um desmatamento de 40% de sua área. O quão distante estamos desse limite?
Artaxo –
 Ontem (26/6) o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) soltou um novo número de quanto da floresta original foi desmatada.

Nós desmatamos 20% – 20% de 5,5 milhões de km² é uma área absurdamente grande. Estimativas de cálculos do Carlos Nobre, do Thomas Lovejoy mostram que, se você desmatar 40% da floresta, basicamente o restante não tem condições de sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa.

E aí todo o carbono que está armazenado naquela floresta vai para atmosfera, agravando em muito e acelerando em muito as mudanças climáticas.

Nós não estamos falando de um aspecto trivial ou de um aspecto que não tenha impacto sério sobre o clima do planeta. É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos, em particular dos EUA.

BBC News Brasil – Então estamos no meio do caminho?
Artaxo – 
Isso, estamos no meio do caminho. E o restante do caminho pode acontecer nos próximos oito anos, durante dois mandatos de governo Bolsonaro.

BBC News Brasil – No ritmo atual, essa é uma possibilidade real?
Artaxo – 
Não há menor dúvida. A única coisa que pode impedir isso é pressão internacional. É o que a Merkel está fazendo essa semana (a chanceler alemã declarou, em sessão do Parlamento, estar “muito preocupada” com a atuação do presidente brasileiro na área ambiental, disse considerar a situação “dramática” e afirmou que conversaria sobre o tema com Bolsonaro durante a cúpula do G20).

Mesmo pressão interna não é suficiente, não tem força.

BBC News Brasil – O caminho é esse então, usar como moeda de troca temas econômicos importantes, como o acordo Mercosul-União Europeia?
Artaxo – 
Claro.

BBC News Brasil – Nesse sentido, o governo tem questionado o Fundo Amazônia. O ministro do Meio Ambiente chegou a entrar em atrito com a Noruega, um dos principais mantenedores do fundo, afirmando que não há indicativo de que ele tenha ajudado a reduzir o desmatamento e apontando problemas em contratos com ONGs. Faz sentido a análise do ministro?
Artaxo – 
Veja, o ministro não fez uma análise. Ele primeiro acusou o Fundo Amazônia, sem qualquer comissão que fizesse análise de cada projeto que estava sendo executado, de estar desviando recursos. Por que isso?

Porque o Fundo Amazônia é o único instrumento em funcionamento hoje trabalhando pela sustentabilidade e preservação da Amazônia. Não existe qualquer outro recurso financeiro para isso.

Segundo aspecto: o Fundo Amazônia tem mais de R$ 300 milhões depositados no BNDES esperando para ser gastos. O que o ministro quer é passar a mão nesses R$ 300 milhões.

Este dinheiro está aqui, já foi doado, é muito difícil para Noruega e para Alemanha pedirem esse dinheiro de volta. Mesmo que eles cortem futuros investimentos no fundo, este já foi feito.

BBC News Brasil – Tomando a própria Noruega, entretanto, a gente tem o caso recente da mineradora Hydro Alunorte, que despejava rejeitos em nascentes amazônicas por meio de um duto clandestino. A posição do país para cobrar uma política ambiental responsável do Brasil não fica comprometida?
Artaxo –
 Você tem que separar uma questão de macropolítica ligada com mudanças climáticas globais com questões específicas de uma, duas ou três empresas.

É evidente que as empresas, inclusive as alemãs no Brasil, se aproveitam da fraca legislação ambiental brasileira. A mesma coisa com Noruega, EUA, França.

BBC News Brasil – Nesse caso específico o governo norueguês também é acionista.
Artaxo – 
Não importa isso, é uma empresa. Isso ocorre sim.

E a culpa disso não é deles, é nossa. Nós é que temos que ter uma legislação que proteja a população brasileira de questões como Brumadinho etc. O erro não é deles, é nosso, da fraqueza da nossa legislação em proteger a economia e a população brasileira.

BBC News Brasil – Qual é a maneira mais eficiente de se controlar desmatamento?
Artaxo – 
Controlar desmatamento é muito, muito, muito simples. Temos todas as ferramentas para isso. Um sistema de monitoramento de queimadas que não existe em nenhum outro lugar do mundo – o sistema do INPE funciona, é extremamente eficiente e foi aprimorado e validado com experimentos de campo ao longo dos últimos 20 anos.

Com o cruzamento agora com o MapBiomas, com o cruzamento com o cadastro ambiental rural e dados de propriedade de terra, a gente não sabe só onde mas quem está desmatando.

O Brasil, se quiser zerar o desmatamento, pode fazer isso no ano que vem. Não falta nenhuma tecnologia para isso, basta vontade política.

(Entre 2004 e 2012) nós conseguimos reduzir o desmatamento de 24 mil km² por ano para 4 mil km². Esses 4 mil km² em 2013/2013 estão hoje em 8 mil km² e, em 2019, vai ser um número próximo de 10 mil km² de floresta desmatada.

BBC News Brasil – O ministro Ricardo Salles defende a geração de emprego para as comunidades locais, uma alternativa à exploração ilegal da floresta, como caminho para reduzir o desmatamento. Faz sentido?
Artaxo – 
Faz. Inclusive um dos principais projetos do Fundo Amazônia, executado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), trabalhou quatro anos exatamente nesta direção: como dar uma vida decente com recursos para populações ribeirinhas de tal maneira que eles não precisem se deslocar e continuar desmatando.

Com isso, você ataca um dos aspectos do desmatamento, que é uma questão muito mais complexa e envolve grandes empresas agropecuárias, mineração, empresas de extração de madeira e também pequenos sitiantes e pequenos proprietários de terra.

Esse projeto do Ipam foi de extremo sucesso, evitou um desmatamento enorme porque deu perspectiva, renda e assessoria técnica para pequenos produtores do sul do Pará. Um minúsculo investimento de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões traz um retorno enorme para a comunidade e para o Brasil.

É possível achar um caminho de sustentabilidade para a Amazônia com uma renda decente para os 20 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica? A resposta clara é sim. Mas, para isso, você precisa de políticas públicas consistentes, de longo prazo.

BBC News Brasil – O governo tentou tirar a Funai do Ministério da Justiça, o Congresso decidiu mantê-la na pasta. O presidente editou então nova Medida Provisória, transferindo a competência da demarcação de terras para a Agricultura, mas a medida foi suspensa pelo STF. Como o senhor avalia essa queda de braço?
Artaxo –
 Não importa onde a Funai vai ficar, na minha opinião. Pode ficar na Agricultura, pode ficar na Justiça, no Meio Ambiente, em qualquer lugar.

Mas, se for uma Funai fraca, inoperante, com dez funcionários para cuidar de centenas de reservas indígenas… Não faz a menor diferença.

O que é mais importante é a política do governo de realmente destruir a população indígena brasileira. Isto é explícito.

Esse embate, se fica na Agricultura, se fica na Justiça, na minha opinião, não é importante. O que a gente quer é uma Funai forte, que efetivamente proteja a população indígena, que dê assistência a essa população indígena, que a proteja de mineradores, de ataques de latifundiários, das milícias que atuam na Amazônia, do crescente tráfico de drogas que está entrando forte na Amazônia, através das fronteiras com a Colômbia, Bolívia e Peru. E isto não está ocorrendo.

BBC News Brasil – No meio dessa polêmica da Funai a gente vê circulando gráficos mostrando que as áreas de reservas indígenas são aquelas em que…
Artaxo – 
A floresta é mais preservada. Isso é real, você mede por satélite, fácil. É exatamente por isso que os indígenas estão sendo atacados, porque eles conseguem preservar adequadamente as suas fronteiras.

BBC News Brasil – O governo ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris, mas voltou atrás. O senhor viu isso como sinalização positiva?
Artaxo – 
Sair ou não sair, na minha opinião, é uma questão meramente semântica. Se você não cumprir as metas, tanto faz – que é do que o Trump acabou sendo convencido.

Para quê sair do Acordo de Paris? É só não cumprir as metas – não tem punição pra ninguém. É irrelevante a questão de sair ou não sair, se você não tem uma política para cumprir os compromissos internacionais do país na área ambiental e energética.

BBC News Brasil – O ministro falou que todas as metas serão cumpridas…
Artaxo – 
Dependendo de como você calcula o cumprimento dessas metas… O Brasil se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares. As florestas abandonadas estão nesse critério? Se for, nós já cumprimos. Mas será que a promessa foi feita nessa direção? Não, ela foi feita na direção de fomentar novas áreas com plantio para retirar CO2 na atmosfera. E isso não está sendo feito.

Outros tópicos vão ser também igualmente difíceis. Por exemplo, ter um aumento significativo da fração de energias alternativas, solar e eólica, na matriz energética brasileira. Isso está sendo cumprido, mas de forma muito mais lenta que o necessário.

A principal promessa, que é reduzir o desmatamento ilegal a zero até 2025… Neste ano, nós desmataremos 10 mil km² de florestas virgens. Isto não tem como ser cumprido. Nós não vamos cumprir as nossas metas.

BBC News Brasil – Ainda no caso do Acordo de Paris, chegou-se a dizer que o governo reviu sua posição por pressão do próprio agronegócio, que tem feito contraponto a alguns aspectos da política ambiental bolsonarista…
Artaxo –
 Assim como na sociedade brasileira, é importante a gente perceber que existem duas correntes antagônicas, no governo e no agronegócio, que estão radicalmente divididas.
Assim como a sociedade brasileira acabou sendo dividida por esse discurso do ódio e da violência.

Tem uma corrente do agronegócio que diz: ‘Vamos ocupar a Amazônia o mais rápido possível, enquanto a gente pode, vamos derrubar tudo o que for possível, sem qualquer fiscalização, sem qualquer punição, sem qualquer mecanismo estatal de controle’. Essa é uma corrente.

A outra corrente é a que diz: ‘Olha, essa estratégia vai nos prejudicar, prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro no estrangeiro, e daqui a pouco vai ficar difícil a gente exportar até para a China, porque nós podemos ser acusados de predadores do meio ambiente’ – e isso não é um bom negócio pro Brasil.

BBC News Brasil – Essas duas correntes estão representadas hoje no Congresso?
Artaxo – 
Sim. Obviamente, a primeira é atualmente predominante, claramente.

Então nós temos que trabalhar para construir políticas públicas para diminuir a velocidade da destruição da floresta amazônica, já que o próprio presidente tem uma política de destruir o mais rápido possível a maior parcela possível da floresta.

BBC News Brasil – O senhor acha que há risco de o Acordo de Paris virar um Protocolo de Kyoto, não ver as metas cumpridas e se tornar uma frustração no futuro?
Artaxo – 
Não é questão de ser frustração. Existe um problema grave na questão das mudanças climáticas globais – a falta de governança.

Essa história do fracasso de Kyoto… Não é fracasso. Seria impossível, sem um sistema de governança global que funcione, você atingir as metas de Kyoto – assim como vai ser impossível atingir as metas do Acordo de Paris.

Quem vai punir os EUA pelo não cumprimento das metas? Quem vai punir o Brasil? Que tribunal vai julgar isto? Quem vai aplicar essas sanções? Isso tudo não existe. Isso tudo vai ter que ser construído do zero.

Nós temos que fazer o pós-Acordo de Paris ser um acordo com vinculação, ou seja, onde haja penalidades claras para os países que não cumprirem as suas metas. Por enquanto, nós estamos brincando de reduzir emissões.

Mesmo se todas as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, o planeta se aquece ainda 2,7ºC, em média, o que em áreas continentais significa um aumento de 3,5ºC.

BBC News Brasil – Ou seja, nossa geração ainda vai ver uma situação de catástrofes…
Artaxo –
 Não é catástrofe. É importante dizer o seguinte: isso não está colocando em risco a nossa existência (como humanidade).

Eu não gosto de chamar de catástrofe. Nós vamos ver o planeta se aquecendo, em média, 3,5ºC, vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos.

Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário. O próximo acordo pós-Paris vai ter que lidar com esse cenário.

Por isso que, nas últimas semanas, vários países estão dizendo que a gente está entrando em uma “emergência climática”. Caiu a ficha. A Islândia vai proibir a venda de carros a gasolina, diesel ou qualquer combustível fóssil a partir de 2025. Noruega também.

Outros países estão tentando ganhar o máximo de dinheiro possível agora, antes que esse cenário aconteça – como os EUA.

BBC News Brasil – O senhor fala de cair a ficha, mas a questão ambiental mobiliza menos a sociedade civil do que outros temas. Os cientistas estão falando de impactos negativos sérios na vida das pessoas no médio prazo e, ainda assim, não há uma pressão social importante pra que os governos tomem uma atitude pra tentar evitar esse cenário.
Artaxo –
 Veja, você acha que as pessoas têm consciência do que significa você dar uma arma na mão de cada um dos brasileiros? Acha que as pessoas têm consciência disso? Não.

São coisas que estão no dia a dia delas, violência urbana, e as pessoas votaram por isso. Tá respondido.

BBC News Brasil – Não adianta então ficar mostrando mapa com as capitais litorâneas do Brasil submersas…
Artaxo – 
Não. Mas, para a Ciência, é muito claro. O nível do mar vai subir 1,5 metro até 2050, 2070. A praia de Copacabana que você vê hoje vai ser coisa do passado.

Não há menor dúvida – e esse processo é irreversível faça o que você quiser fazer com o Acordo de Paris. Vamos falar português bem claro.

BBC News Brasil – Sua visão como cientista então, diante desse cenário, é otimista ou pessimista?
Artaxo – 
Esse negócio de a imprensa ficar procurando heróis e vilões, ser otimista ou pessimista… Não existe isso.

A sociedade tem uma dinâmica complexa, que é dirigida não por desejo das pessoas, mas pelo interesse econômico. Quem vai mandar nisso é o dinheiro.

Um grupo de 477 investidores que administram um patrimônio total de US$ 34 trilhões assinou uma carta aberta aos governos falando que nós precisamos urgentemente apertar as metas do Acordo de Paris, fazer medidas concretas e mensuráveis pra diminuir as emissões já.

Por que eles estão fazendo isso? Não é porque eles são bonzinhos. Eles têm uma única preocupação: como é que eu vou continuar ganhando dinheiro? Uma fração dos bilionários percebeu que eles estão correndo um risco enorme.

Agora voltando para a sua pergunta, não é questão de ser otimista ou pessimista, você tem que ser realista: nem um lado, nem outro.

O que a realidade está nos mostrando é que a gente está realmente acelerando as mudanças climáticas, os eventos climáticos extremos, isso já está tendo um impacto econômico e social enorme na nossa sociedade, e isso vai se intensificar muito e em um futuro muito próximo, nos próximos cinco ou dez anos.

Isto vai trazer recessão econômica, tensões enormes entre os países. Hoje você tem uma região do Oriente Médio que é semiárida. Quando essa região ficar desértica, com cinco graus acima do que é hoje, o que vai acontecer com as migrações para a Europa? O que a gente está vendo hoje é uma amostra grátis do que vai vir nos próximos dez anos. Esta ficha está caindo.

BBC News Brasil – Ainda assim, líderes como o presidente americano não acreditam…
Artaxo – 
Essa questão do “acredito” também me deixa doente em qualquer debate. Não é religião, nós estamos falando de Ciência. Você pode acreditar em Deus, acreditar ou não na sua mulher, isso é irrelevante.

O que nós estamos observando cientificamente é que estamos mudando fortemente e rapidamente o clima do nosso planeta. Ponto.


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