Área equivalente a oito Maracanãs é encontrada desmatada no RJ

Uma área de vegetação de Mata Atlântica de tamanho equivalente a oito estádios de futebol do Maracanã foi encontrada desmatada em Baia Formosa, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. Oitenta mil metros quadrados foram destruídos. Uma equipe do Inea fez uma operação no local na segunda-feira (24) para retirar mourões que demarcavam lotes para venda no local.

Foto: Marcelo Morel/Parque Estadual da Costa do Sol

A identificação da área desmatada é de responsabilidade do projeto Olho Verde, que monitora a vegetação via satélite. Investigações estão sendo feitas para tentar identificar os criminosos responsáveis pelo desmatamento. No entanto, até o momento, ninguém foi preso.

O chefe do Parque Costa do Sol, Marcelo Morel, explicou ao G1 que a investigação será enviada para a delegacia do município de Búzios.

Foto: Marcelo Morel/Parque Estadual da Costa do Sol

Segundo ele, a área não faz parte do parque, mas mutias espécies de animais viviam no local e o grupo que desmatou a região não tinha autorização para isso.

Como a área desmatada não pode ser vista da rua, a identificação do desmatamento só foi possível graças ao trabalho do projeto Olho Verde, que é comandado no Rio de Janeiro e detecta a destruição ambiental através da mudança de cor das áreas monitoradas.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Confira a lista das 67 unidades de conservação que Bolsonaro quer reduzir

Foto: Pixabay

Mais de 60 unidades de conservação brasileiras são alvo de uma proposta de redução do governo Bolsonaro. A justificativa para tal retrocesso é de eliminar “interferências” com estruturas existentes e dar “segurança jurídica” para empreendimentos como estradas federais, ferroviais, portos e aeroportos.

O governo está trabalhando em um projeto de lei sobre o tema. Escrito pelo Ministério de Infraestrutura, com apoio da pasta do Meio Ambiente – que é chefiada por Ricardo Salles, conhecido pelo desmonte promovido contra os recursos naturais -, o texto deve ser encaminhado ao Congresso nas próximas semanas. As informações são do jornal Estadão.

No projeto constará a lista de florestas que Bolsonaro pretende reduzir, aumentando o desmatamento e afetando negativamente a natureza, os animais e, indiretamente, os humanos, já que a vida humana também depende de um meio ambiente equilibrado.

Confira abaixo a lista das unidades de conservação que podem ser afetadas:

Unidades de proteção integral margeadas por rodovias federais

Estação Ecológica de Iquê
Estação Ecológica de Murici
Estação Ecológica de Tamoios
Parque Nacional da Chapada Diamantina
Parque Nacional da Serra do Itajaí
Parque Nacional das Nascentes do Rio Parnaíba
Parque Nacional de Boa Nova
Parque Nacional do Itatiaia
Parque Nacional de Paccas Novos
Parque Nacional de Catimbau
Parque Nacional do Iguaçu
Parque Nacional do Jamanxim
Parque Nacional Mapinguari
Parque Nacional Nascentes do Lago Jari
Reserva Biológica das Araucárias
Reserva Biológica das Peróbas
Reserva Biológica de Poço das Antas
Reserva Biológica Guaribas

Unidades de proteção integral interceptadas por rodovias federais

Estação Ecológica do Castanhão
Estação Ecológica do Taim
Monumento Natural do Rio São Francisco
Parque Nacional Cavernas do Peruaçu
Parque Nacional da Amazônia
Parque Nacional da Serra da Bocaina
Parque Nacional da Serra da Capivara
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Refúgio de Vida Silvestre de Boa Nova
Parque Nacional de Ilha Grande
Parque Nacional de Itatiaia
Parque Nacional do Iguaçu
Parque Nacional do Pico da Neblina
Parque Nacional Mapinguari
Parque Nacional da Serra Itabaiana
Reserva Biológica de Sooterama
Reserva Biológica do Rio Trombetas
Reserva Biológica do Tinguá
Reserva Biológica União

Unidades de conservação de uso sustentável interceptadas por rodovias federais (exceto APA)

Floresta Nacional de Balata-Tufari
Floresta Nacional de Goytacasez
Floresta Nacional de Lorena
Floresta Nacional de Saracá-Taquera
Floresta Nacional de Três Barras
Floresta Nacional de Mário Xavier
Reserva Extrativista Rio Cajari
Reserva Extrativista Ioaú-Anilzinho
Reserva Extrativista Riozinho da liberdade

Unidades de conservação de uso sustentável margeadas por rodovias federais

Floresta Nacional de Brasília
Floresta Nacional de Passo Fundo
Floresta Nacional de Tapajós
Floresta Nacional de Mário Xavier
Reserva Extrativista do Lago do Capanã Grande

Unidades de conservação integral interceptadas por ferrovias

Parque Nacional da Tijuca
Reserva Biológica das Araucárias
Reserva Biológica de Poços das Antas
Reserva Biológica União

Unidades de conservação integral margeadas por ferrovias

Parque Nacional Restinga de Jurubatiba
Parque Nacional de Sete Cidades
Parque Nacional dos Campos Gerais

Unidades de conservação de uso sustentável margeadas por ferrovias

Área de Relevante Interesse Ecológico Capetinga-Taquara

Unidades de conservação de uso sustentável interceptadas por ferrovia (exceto APA)

Floresta Nacional Contendas do Sincorá
Floresta Nacional da Restinga de Cabedelo
Floresta Nacional de Carajás
Floresta Nacional de Ipanema
Floresta Nacional de Lorena
Floresta Nacional de Passo Quatro
Floresta Nacional do Ibura
Floresta Nacional de Ritápolis


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Governo abre consulta pública para liberar exploração da Floresta Nacional do Amapá

Serviço Florestal Brasileiro abriu consulta pública para a concessão de três unidades de manejo florestal (UMF) na Floresta Nacional do Amapá. Pela proposta apresentada, cerca de 267 mil hectares – o equivalente a 65% do território – poderão ser concedidos para a iniciativa privada realizar o manejo florestal sustentável.

Antes parte do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro passou para a alçada do Ministério da Agricultura, em um conflito de interesses promovido pela atual gestão federal. O órgão é liderado por Valdir Colatto, deputado próximo do agronegócio.

Foto: Reprodução / Ecycle

Em uma visão limitada sobre como uma floresta pode gerar lucros, a proposta do Serviço Florestal Brasileiro é permitir a “exploração sustentável” de madeira em uma área de floresta nativa. Os valores mínimos do metro cúbico de madeira a serem oferecidos pelas empresas interessadas em participar da licitação foram fixados em R$ 35/m3 (UMF I), R$ 25/m3 (UMF II) e R$ 15/m3 (UMFIII).

Além das propostas de preço, a concorrência pública levará em consideração a proposta técnica, que inclui fatores como investimentos na proteção da floresta, investimento em infraestrutura, bens e serviços para as comunidades, inovações tecnológicas e processamento local do produto, dentre outros.

O governo afirma que as três unidades de manejo devem produzir 132 mil metros cúbicos de madeira em tora por ano, o que pode gerar cerca de R$ 3,6 milhões/ano para os cofres públicos. A expectativa do Serviço Florestal é que sejam criados mais de 500 empregos diretos e 1.000 indiretos.

São valores muito baixos considerando o impacto de oferecer para madeireiras quase 65% da área de uma Floresta Nacional. O governo fala em manejo sustentável, mas, além da desproporção entre a área de floresta e o baixo lucro previsto, parece difícil que o governo consiga garantir a fiscalização necessária para que a exploração de fato se dê de modo sustentável.

Audiências Públicas

Além de estar disponível para consulta no site do Serviço Florestal, a proposta de edital também será apresentada em quatro audiências públicas, que serão realizadas entre os dias 17 e 21 de junho, nos municípios de Ferreira Gomes (17/06), Pracuúba (18/06), Amapá (19/06) e Serra do Navio (21/06).

As audiências têm por objetivo apresentar a proposta de edital de forma que a população local e demais atores interessados possam avaliar e contribuir na construção do documento. As contribuições, como dúvidas, críticas e questionamentos, também podem ser feitas até o dia 21/07 pelo e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), uma Flona tem por objetivos o manejo sustentável dos recursos naturais; a garantia da proteção dos recursos hídricos, das belezas cênicas e outros; além do fomento ao desenvolvimento da pesquisa básica e aplicada.

Madeira em primeiro lugar?

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) será o responsável pela gestão dos contratos das três UMF submetidas à concessão florestal. Atualmente, mais de um milhão de hectares de florestas públicas estão sob concessão florestal federal. São 17 contratos em seis florestas nacionais situadas nos estados do Pará e Rondônia. Por meio dos contratos, são retirados das florestas nacionais sob concessão cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira por ano.

Com o lançamento de novos editais, o Serviço Florestal pretende aumentar esse número para 2 milhões de metros cúbicos/ano, o que corresponde a 20% da produção amazônica. O número é divulgado com êxito, sob o pretexto de se tratar de manejo sustentável, mas o que não se responde é como toda essa floresta desmatada está se recuperando e qual o custo desse “manejo sustentável”, se é que de fato acontece, em termos de serviços ecossistêmicos, os bens e serviços que obtemos direta ou indiretamente a partir da natureza.

Alternativas sustentáveis e lucrativas

Além das incertezas quanto à fiscalização ambiental, outra questão que fica é: a madeira é o recursos mais lucrativo presente nas áreas de proteção ambiental? É preciso cortar mais árvores para obter renda com uma floresta nativa? A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial composto por mais de 170 membros, entre entidades do agronegócio, ONGs ambientais e representantes do meio acadêmico, elaborou 28 propostas relacionadas ao uso da terra e ao desenvolvimento sustentável. O material foi apresentado no meio de 2018 aos candidatos da disputa eleitoral.

O professor Carlos Nobre, membro do Joint Steering Committee do World Climate Research Programme (WCRP) e um dos mais respeitados climatologistas brasileiros, faz parte do grupo e explica que se trata de um roteiro de bom-senso. “As 28 propostas são factíveis e, de modo geral, apontam um caminho de redução da expansão da fronteira agrícola, com ganhos de produtividade, além de sinalizar a importância da regularização fundiária e destinação para fins de conservação dos mais de 60 milhões de hectares de terras públicas”, declarou.

Conheça algumas das propostas que poderiam ser implementadas na Floresta Nacional do Amapá e que trariam melhores rendimentos que a atividade madeireira:

  • Trabalhar junto aos agentes do mercado financeiro, tanto nacionais quanto internacionais, para estruturar estratégias de financiamento para projetos que tragam benefícios ambientais e para a agricultura de baixo carbono, especialmente o plantio de florestas nativas;
  • Incluir incentivos para a expansão agrícola e pecuária, bem como para a recuperação florestal, em áreas degradadas e de baixa aptidão agrícola por meio dos planos plurianuais de investimento e ação;
  • Eliminar das cadeias produtivas brasileiras a produção oriunda de desmatamento ilegal ou de exploração ilegal, imputando a corresponsabilidade a compradores de produtos de base florestal ilegais e não rastreáveis;
  • Desenvolver mecanismos de financiamento e incentivo à P&D e Inovação voltados ao desenvolvimento de oportunidades para o uso sustentável de produtos não madeireiros e dos recursos genéticos e bioquímicos das florestas nativas, como forma de valorização da biodiversidade nacional;
  • Desenvolver programa pré-competitivo de P&D e Inovação para silvicultura de espécies arbóreas nativas do Brasil;
  • Criar iniciativa específica para recuperar a cobertura florestal, atrelada a múltiplos usos, em áreas de recarga dos aquíferos das bacias hidrográficas consideradas estratégicas.

Conheça a proposta do edital e mande seus comentários para o e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

Fonte: Ecycle


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Países que injetam verba no Fundo Amazônia são contra uso de recursos para indenizar proprietários rurais

A Alemanha e a Noruega, dois países que mais injetam dinheiro no Fundo de Preservação da Amazônia, posicionaram-se contra a intenção do governo brasileiro de usar parte dos recursos do fundo para indenizar proprietários rurais em unidades de conservação e ao aumento da participação do governo nas decisões relacionadas à aplicação da verba.

(iStock/Thinkstock)

Maior meio de transferência de recursos do mundo, entre nações, para preservar florestas, o Fundo Amazônia foi criado há mais de dez anos e depende basicamente da Noruega e da Alemanha que, juntas, são responsáveis por mais de 99% dos recursos doados, que representam mais de R$ 3 bilhões. A verba já financiou projetos de pesquisa, gerou empregos e renda na floresta, além de ter sido usada em ações de redução do desmatamento.

Os ministros do Meio Ambiente e da Secretaria de Governo apresentaram, em maio, a embaixadores da Noruega e da Alemanha, a proposta de mudança. Os embaixadores responderam ao anúncio feito pelo governo por meio de uma carta que defende o modelo atual de gestão do fundo. No documento, os embaixadores afirmaram que futuros projetos devem respeitar os acordos já estabelecidos. As informações são do Jornal Nacional.

Enviada aos ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, Santos Cruz, da Secretaria de Governo, com cópia para Tereza Cristina, da Agricultura, Paulo Guedes, da Economia, para o embaixador Ruy Carlos Pereira e para o presidente do BNDES, Joaquim Levy, a carta lembra que o principal objetivo do fundo é apoiar a redução das “emissões de gases estufa que vêm do desmatamento e da degradação da floresta”. Segundo os embaixadores, como a experiência brasileira tem mostrado, governos sozinhos não são capazes de diminuir o desmatamento.

O documento elogia a estrutura e o modelo de governança do Fundo Amazônia, no qual decisões são feitas partindo da união entre governos, empresas privadas, ONGs e comunidades locais. A carta expõe ainda a competência e a independência do BNDES na gestão do fundo e ressalta que esse modelo tem funcionado há mais de uma década.

Ainda de acordo com os embaixadores, nenhuma irregularidade foi constatada nas auditorias realizadas. Por isso, Alemanha e Noruega defendem a manutenção do BNDES na gestão do fundo e na aprovação de projetos.

Sem apresentar qualquer denúncia ou fato, o ministro Ricardo Salles criticou a gestão do fundo há cerca de um mês. Um dia antes da crítica feita por ele, a chefe do departamento de Meio Ambiente do BNDES e gestora do Fundo Amazônia, Daniela Baccas, foi afastada do cargo.

Segundo auditoria do TCU feita em 2018, a verba destinada ao fundo foi aplicada corretamente. Os ministros Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e Santos Cruz, da Secretaria de Governo, não se posicionaram sobre o caso até o fechamento da reportagem.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Brasil já perdeu 85,5% da floresta nativa da Mata Atlântica

Por David Arioch

Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas (Foto: Dmitry V. Petrenko/Shutterstock)

Na quarta-feira, especialistas presentes na audiência pública que discutiu o papel dos biomas na produção de água, biodiversidade e estratégias de conservação na Comissão de Meio Ambiente (CMA) alertaram para o futuro dos biomas brasileiros, de acordo com informações da Agência Senado. A reunião fez parte da programação do Junho Verde no Senado.

Segundo dados apresentados por João Paulo Capobianco, vice-presidente do Conselho Diretor do Instituto de Desenvolvimento e Sustentabilidade, o Brasil precisa criar 262 mil quilômetros quadrados de unidades de conservação para proteger, pelo menos, 10% dos seus biomas, fora a Amazônia.

Já perdemos a maior parte (85,5%) da floresta nativa da Mata Atlântica; o Pampa tem mais da metade da sua área (54,2%) desmatada; no Cerrado, restam 50% da vegetação natural; a Caatinga desflorestou 46,6% da sua área; e o Pantanal perdeu 15,4%. No caso da Amazônia, o desmatamento, em um intervalo de 20 anos, foi de mais de 370 mil hectares, entre 1967 e 1987.

Outro risco apontado pelo biólogo é a ameaça às espécies endêmicas desses biomas, ou seja, aquelas que existem apenas nessas regiões. Isso significa que se elas forem extintas nesses locais, desaparecem do planeta.

São mais de duas mil espécies de plantas e 1.173 espécies de animais. Só na Mata Atlântica, são 428 espécies vulneráveis ou em perigo de extinção. Diante desses números, outra preocupação de Capobianco é a política ambiental do governo federal.

“Algo que nos apavora são as iniciativas oficialmente declaradas de revisão das unidades de conservação, de cancelamento de novas unidades, de intervenção branca no ICMBio inviabilizando a sua atividade. Isso significa um retrocesso inadmissível dentro de um quadro já extremamente preocupante”, disse.

Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, ressaltou que todo os fragmentos florestais acima de três hectares totalizam apenas 12,4% do bioma. Ou seja, foi o que restou da área original, ocupada atualmente por mais de 140 milhões de pessoas, em 3.429 municípios, principalmente na Região Sudeste, onde ficam os maiores remanescentes, na Serra do Mar e em áreas protegidas.

Xingu registra desmatamento recorde com 13 milhões de árvores derrubadas

Um monitoramento feito pela Rede Xingu +, que recebeu o nome de Sirad X, concluiu que 13.865 hectares foram desmatados na região do Xingu que pertence ao estado do Mato Grosso. Desses, 78% foram destruídos ilegalmente, o que corresponde a 11 mil hectares ou aproximadamente 13 milhões de árvores.

“O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alerta Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Socioambiental (ISA).

Há municípios do estado de Mato Grosso, como Canarana, Cláudia, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo e Querência, que a taxa de desmatamento feito na ilegalidade atingiu 100% durante o período analisado. Na cidade de Feliz Natal, 68% de mata foi desmatada ilegalmente, mas o município foi o que mais desmatou em área: 1.572 hectares. As informações são do portal oficial do Instituto Socioambiental.

Ao ser questionada sobre os motivos que levam ao desmatamento ilegal, Ana Valdiones, analista do Instituto Centro de Vida (ICV), afirmou que “a percepção do risco que é muito baixa”. Segundo o ICV, 85% do desmatamento na parte amazônica do Mato Grosso, no ano de 2018, foi realizado de forma ilegal. As altas taxas são explicadas, também, pela morosidade no processo de regularização ambiental e pela falta de políticas públicas estaduais, segundo Valdiones. “No geral a ilegalidade continua presente. Sempre foi e continua presente”, lamentou.

Outros dados, apresentados pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA-MT), indicam que 98% das áreas desmatadas entre 2015 e 2016 no estado não tinham autorização para o desmate e que, entre 2016 e 2017, a taxa foi de 94%. Até o fechamento da reportagem, a SEMA não se pronunciou sobre o caso.

Apesar dos altos números relacionados a desmatamento ilegal, as autuações feitas pelo Ibama caíram 35% quando comparadas ao período de janeiro a maio de 2018.

No mês de março, foi registrado um aumento de 461% no desmatamento feito em Unidades de Conservação na bacia do Xingu, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A Floresta Nacional (Flona) de Altamira, de jurisdição federal, foi alvo de um aumento de 550% no desmatamento em abril, com o desmate de 242 hectares devido a garimpo ilegal.

“É preocupante que, em um momento em que o desmatamento ilegal avança, a atuação do instituto fiscalizador seja reduzida. A fiscalização e responsabilização são etapas essenciais no combate às atividades ilegais”, comentou Abad.

Valdiones afirma que é preciso haver mais transparência nos dados sobre desmatamento ilegal e a promoção de iniciativas de adequação ambiental no estado. “A transparência, aliada ao uso e produção de informações a partir desses dados públicos, deixa claro quem é quem. Fica claro quem tem passivo [ambiental]”, apontou.

As áreas protegidas da região também estão em risco. Em março e abril, o desmatamento na bacia do Xingu aumentou em 156%, quando comparado aos dois primeiros meses do ano. Foram desmatados 21.495 hectares. Desse total, 19% ocorreu em áreas protegidas, isso é, terras indígenas e unidades de conservação.

A biodiversidade do Xingu, que tem uma área de 51 milhões de hectares, com 31 terras indígenas e 21 unidades de conservação, é singular e de grande importância. No entanto, o avanço do desmatamento, da grilagem, do garimpo, do roubo de madeira e da contaminação da flora por agrotóxicos ameaça a região, que abrange mais de 60 municípios do Pará e do Mato Grosso.

Desmatamento no Rio Grande do Sul

O desmatamento não se restringe ao Mato Grosso. No Sul, o pampa gaúcho está ameaçado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coletados por dois satélites, mostram que, em 2016, 43,7% da vegetação nativa foi desmatada e apenas 47,3% foi preservada. Os outros 9% representam a hidrografia da região.

Um dos seis biomas brasileiros, o pampa é restrito ao Rio Grande do Sul. E de acordo com Daniel Hanke, professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), que conduz uma pesquisa sobre o tema, a biodiversidade da região é imensa.

“Ao modificar um sistema que estava em equilíbrio, com os organismos trabalhando todos juntos, destruindo a vegetação, retira-se o alimento de muitos animais e o refúgio de várias espécies com funções ecológicas específicas”, explicou Hanke.

O estudo do Inpe ainda não aponta a causa do desmatamento. Hanke, no entanto, afirma que, enquanto a plantação de arroz está estabilizada e a de milho tem decrescido, o plantio de soja vem ganhando espaço. O grão é majoritariamente produzido no Brasil para alimentar animais explorados e mortos para consumo humano.

“Quando se suprime a vegetação para introduzir uma monocultura de soja, não se troca só uma planta por outra. O que se troca é um sistema que evoluiu ecologicamente para o equilíbrio por uma única vegetação”, explicou o pesquisador.

O levantamento do Inpe mostrou ainda que a maior área preserva pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) Ibirapuitã, que foi criada em 1992 por meio de decreto federal. Outras porções preservadas, em meio a áreas desmatadas, também foram registradas.

“Essas ilhas no meio de um mar de soja aumentam a fragilidade do pampa porque a supressão começa pelas bordas. Um campo nativo de 20 hectares é menos resistente à pressão lateral do que um campo nativo de mil hectares”, comentou Hanke.

Com o desmatamento, novas estradas entre os campos são criadas. Nelas, circulam caminhões que espalham sementes do capim-annoni, que é considerado uma praga. O crescimento desse tipo de planta era controlado, no passado, por animais gigantes da pré-história, que foram extintos. Cerca de oito mil anos após a extinção deles, bois e cavalos foram trazidos ao Brasil pelos colonizadores, conforme explicam os pesquisadores Rafael Cabral Cruz, da Unipampa, e Demétrio Luis Guadagnin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no trabalho Uma Pequena História Ambiental do Pampa, de 2010.

De acordo com Ranke, a vegetação do pampa e os bois convivem em equilíbrio, ao contrário do que acontece na Amazônia, em que grandes áreas são desmatadas para a criação de bois que, depois, serão mortos para consumo. “No pampa, não há efeitos negativos na presença desse animal. Pelo contrário, ela é desejável”, disse Hanke.

No entanto, ultimamente tem sido registrada uma queda no número de bois no pampa, o que reforça a percepção de que a soja tem tomado conta do bioma.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Comissão rejeita projeto que limita desmatamento da Amazônia a 30% da área

Por David Arioch

A proposta será analisada ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania (Foto: AP/Andre Penner)

A Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados rejeitou o Projeto de Lei 8672/17, que limita o desmatamento da floresta amazônica a 30% da área total do bioma.

Autor da proposta, o deputado Carlos Henrique Gaguim (DEM-TO) argumenta que mais de 750 mil km² da floresta já foram desmatados, o que corresponde a cerca de 20% de sua extensão original.

Mas, segundo a Agência Câmara, para o relator, deputado Capitão Alberto Neto (PRB-AM), a proposta pode ter o efeito oposto do desejado. “Estabelecer um limite de 30%, como proposto no projeto, seria visto pelos desmatadores, e talvez até pelo governo, como uma meta, e não um teto”, disse.

Ele ressaltou ainda que o desmatamento, quando realizado sem licença da autoridade ambiental competente, já é crime pela legislação atual.

A proposta será analisada ainda, em caráter conclusivo, pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Imprensa internacional noticia aumento do desmatamento na Amazonia

Reuters/Nacho Doce

Reuters/Nacho Doce

O desmatamento na Amazônia aumentou em 20% no ano passado, revelam informações da entidade ambientalista Imazon, que não possui ligação com governo e monitora a floresta tropical há duas décadas, informa o jornal inglês The Independent.

A extração descontrolada de madeira e a invasão de terras foram atribuídas pelos analistas como responsáveis por grande parte da perda, algumas das quais ocorreram em áreas protegidas e reservas indígenas.

O grupo ambientalista afirmou que imagens de satélite mostraram que a região perdeu 2.169 km² de florestas entre agosto e abril. Este número corresponde a 1,807 km² perdidos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

O ano-base de monitoramento do grupo começa em agosto, para coincidir com a estação seca do Brasil, quando as taxas de extração são geralmente mais altas.

O presidente do país, Jair Bolsonaro, e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, questionaram a realidade da mudança climática e falaram a favor da expansão da mineração e da agricultura industrial na Amazônia e em áreas protegidas.

Ambos os políticos acreditam que as leis ambientais e os grupos ativistas freqüentemente trabalham para impedir o potencial econômico do Brasil.

Salles disse no início do mês que queria reformar o Fundo Amazônia, uma iniciativa criada para conter o desmatamento em uma área de quase sete milhões de quilômetros quadrados.

O ministro agendou uma reunião com representantes dos governos alemão e norueguês, dois dos principais contribuintes do fundo, esta semana.

Salles disse que seu ministério revisou 103 contratos concedidos pelo fundo a grupos sem fins lucrativos, cerca de um terço de todos os contratos assinados desde o seu lançamento em 2008. Ele disse que a investigação encontrou “irregularidades” em todos os 103 contratos, mas ele não deu quaisquer casos específicos, citando cláusulas de confidencialidade até revisão pelos auditores.

Ele reiterou sua intenção de “sacudir” o fundo apertando regras e a supervisão sobre a alocação de contratos e a escolha de projetos que possam obter financiamento, em uma recente entrevista à TV Globo.

“Queremos melhores resultados para reverter o aumento do desmatamento”, disse Salles, acrescentando que queria resultados “mensuráveis” e um “retorno sobre o investimento”.

Ele não pôde dar mais detalhes sobre as mudanças propostas pelo ministério antes de discuti-las com a Noruega e a Alemanha, disse ele. A estatal brasileira de petróleo, a Petrobras, é o terceiro maior contribuinte do fundo.

O fundo foi criado para receber doações para ajudar a prevenir, monitorar e combater o desmatamento na floresta amazônica, uma vasta área rica em biodiversidade e cuja preservação é vista como essencial para conter a mudança climática.

Desmatamento da Mata Atlântica cresce em 5 estados e bioma perde 113 km² de floresta

Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) concluiu que a Mata Atlântica continua sendo desmatada em cinco estados do Brasil e que, entre 2017 e 2018, o bioma perdeu 113 km² de floresta. Os dados são da 13ª edição do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”.

Foto: Pixabay

Há degradação da Mata Atlântica em Minas Gerais, no Piauí, no Paraná, na Bahia e em Santa Catarina, de acordo com o estudo. Os cinco estados caminham na contramão do restante do país. Isso porque o Brasil registrou queda de 9,3% no desmatamento deste tipo de floresta, o que representa o menor índice em 30 anos.

O desmatamento do bioma coloca em risco espécies de plantas e animais, além de ameaçar a água, já que a preservação da floresta garante a manutenção de rios e nascentes. As informações são do portal G1.

O diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, afirma que os índices são inaceitáveis porque demonstram inércia na aplicação de legislações que foram feitas para proteger o bioma – já que a Mata Atlântica é a única floresta do Brasil que tem lei específica para protegê-la – e porque estão ligados à exclusão social, inclusive envolvendo trabalho escravo em muitos casos.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

As principais atividades que geram desmatamento nos cinco estados são:

Carvão

No caso de Minas Gerais e da Bahia, segundo Mantovani, ocorre a derrubada de árvores para queimar e produzir carvão.

“O problema não é só parar a atividade carvoeira, mas tem famílias que vivem disso, famílias inteiras dentro do forno [de carvão]. Teríamos que pegar a cadeia produtiva e identificar quem está por trás. É um trabalho de inteligência para realmente diminuir o desmatamento”, afirma.

Soja

No estado do Piauí, o desmatamento da Mata Atlântica está ligado a plantações de soja. As árvores são retiradas para dar lugar ao plantio do grão que, em sua maioria, é usado para alimentar animais explorados e mortos para consumo.

“Em um estado que enfrenta seca, isso fica ainda pior se pensarmos no dano às águas”, diz Mantovani.

Celulose

Araucárias estão sendo derrubadas em Santa Catarina e no Paraná para a indústria da celulose, matéria-prima do papel, conforme explica Mantovani.

Fauna e flora

Cerca de 20 mil espécies vegetais, 261 espécies de mamíferos, 200 de répteis, 370 de anfíbios, 350 de peixes e 849 espécies de aves dependem da Mata Atlântica para existir, segundo informações do Ministério do Meio Ambiente. Em 17 estados do país são encontradas formações florestais, restingas, manguezais e campos de altitude.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

O bioma cobria originalmente 15% do território brasileiro, segundo a SOS Mata Atlântica, mas por estar presente na região onde estão os maiores municípios, atualmente há apenas 1% da mata original no país. Mais de 92% da cobertura natural já foi destruída.

O desmatamento é extremamente preocupante também devido aos animais ameaçados. A Mata Atlântica abriga o maior número de espécies que estão sob ameaça de extinção, tanto em números absolutos quanto em proporcionais à riqueza dos ecossistemas. Vivem na floresta 1.026 animais, sendo 428 endêmicos, isso é, que só existem em regiões de Mata Atlântica.

Dezenove hectares de floresta são desmatados por hora na Amazônia

O Brasil registrou recorde de desmatamento na Região Amazônica em 2018, superando os números registrados em toda a história do país. A situação, no entanto, só tem piorado. Se desde agosto a devastação atingia, em média, 52 hectares por dia, dados mais recentes indicam que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, tendo sido registrada a destruição de 19 hectares de floresta por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.

Foto: VINICIUS MENDONCA – IBAMA

Em uma quinzena, 6.880 hectares de floresta preservada foram perdidos, o que equivale a quase 7 mil campos de futebol. O volume está próximo do desmatamento registrado na soma de todos os nove meses anteriores, entre agosto de 2018 e abril de 2019, quando 8.200 hectares foram destruídos. As informações são do O Estado de S. Paulo.

Levados ao governo, os dados foram confirmados. De acordo com dados do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que fiscaliza ações de desmatamento, uma das regiões mais devastadas é a Floresta do Jamanxim, que sofre, historicamente, com saques de madeira a partir da BR-163. A região perdeu 3.100 hectares. Os números do levantamento feito pelo Deter se referem ao desmatamento registrado em unidades de conservação, ou seja, florestas protegidas que são administradas e fiscalizadas por órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

As medições oficiais costumam ser feitas de agosto a julho do ano seguinte. No período encerrado em julho de 2018, 20.200 hectares de desmatamento foram registrado na região, batendo um recorde histórico. No ciclo atual, aberto em agosto de 2018 e levando em consideração os primeiros 15 dias de maio, o acumulado chega a 15 mil hectares, havendo a possibilidade de, ao final de julho de 2019, ser batido um novo recorde.

O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, culpou os governos anteriores pelo desmatamento, ignorando as responsabilidades que o próprio governo tem sob o desmatamento, já que está no poder desde janeiro e poderia já ter tomado medidas favoráveis ao meio ambiente – mas fez o contrário, como provam os retrocessos cometidos na área ambiental em 100 dias de governo. O Ibama e o ICMBio, por sua vez, não responderam aos questionamentos feitos sobre o tema.

De acordo com técnicos do governo, o grande volume de desmatamento em duas semanas pode ter ligação com a meteorologia, isso porque, segundo eles, março e abril são meses muito chuvosos e a maior incidência de nuvens dificulta o uso de satélites. Com o final das chuvas, o céu se abre e a área captada aumenta. Porém, ainda de acordo com os técnicos, as taxas de devastação se referem exclusivamente ao desmatamento registrado em 2019 e a questão climática vale para os anos anteriores, que registraram números menores.

Fiscalização

Apesar da fiscalização continuar a ser realizada neste ano por agentes do Ibama e do ICMBio na Amazônia, dados obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo mostram que o número de multas diminuiu. O Ibama emitiu 850 multas entre 1º de janeiro e 15 de maio deste ano, 35% menos do que o registrado no mesmo período de 2018, quando 1.290 multas foram aplicadas. Já o ICMBio aplicou, entre 1º de janeiro e 15 de maio de 2019, 317 multas, praticamente metade do que foi aplicado no mesmo intervalo de 2018.

O MMA não comentou a redução. Ela pode, no entanto, ter relação com o posicionamento do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que tem criticado regulamente o que ele chama de “indústria de multas”. Ambientalistas discordam do presidente e reforçam que as multas são aplicadas corretamente para punir crimes ambientais.

Em janeiro, o Ministério do Meio Ambiente colocou fim ao Departamento de Florestas e Combate ao Desmatamento, que funcionava dentro da pasta desde 2007, com 15 servidores. O órgão era ligado à Secretaria de Mudanças do Clima e Floresta, que também foi desmontada. Com o fim dela, os funcionários foram realocados. O caso também não foi comentado pelo MMA.

Antecessor de Salles rebate argumento

O argumento de Salles sobre os dados relacionados ao desmatamento registrado em 2019 foi rebatido pelo antecessor dele no Ministério do Meio Ambiente.

“Não há surpresa nessas informações. Há tristeza. Quando um governo resolve desmoralizar os agentes do Ibama, desmontar o ICMBio e acabar com as unidades de conservação, ele só está dando o sinal verde para o desmatamento”, disse Sarney Filho, hoje secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal. “Como diminuir os índices, se os instrumentos criados para combater esses crimes estão sendo desmontados pelo discurso e pela ação concreta do governo?”, completou.

Fila de multas

Multas que já tramitaram pela área técnica e administrativa e que já receberam justificativas dos autuados estão paradas no ICMBio. Segundo apuração do jornal O Estado de S. Paulo, 254 autos de infração emitidos por agentes do órgão estão prontos para serem homologados pelo presidente do ICMBio, para que a cobrança dos valores seja feita.

Neste ano, a chefia do órgão não homologou nenhuma multa, conforme estabelece o regimento interno. As cobranças prontas para serem aplicadas já alcançam o valor de R$ R$ 146,2 milhões, que o órgão poderia receber. Ao ser procurado, o ICMBio não apresentou justificativas para a situação. Assim como o MMA, que também não se manifestou. Desde que assumiu o posto no ministério, Salles tem trocado todos os cargos de liderança do ICMBio e nomeado militares.

No mês passado, um decreto de 2008 foi alterado por Bolsonaro. O decreto dispunha sobre crimes ambientais e, com a mudança, passa a existir “núcleos de conciliação” para discutir as multas ambientais aplicadas pelos órgãos. A alteração também modifica o programa de conversão de multas em projetos de restauração florestal, que vinha sendo realizado pelo Ibama.

O governo justificou a mudança do decreto dizendo que “a conciliação deve ser estimulada pela administração pública federal ambiental (…) com vistas a encerrar os processos administrativos federais relativos à apuração de infrações administrativas por condutas e atividades lesivas ao meio ambiente”. Com a nova regra, o autuado poderá, após ser notificado da multa, participar de uma audiência de conciliação, caso queira, com dia e horário marcados, para discutir a aplicação da multa. Na prática, a ação diminui o número de multas aplicadas e abre margem para que mais crimes ambientais ocorram.

Bolsonaro foi multado em 2012 pelo Ibama por pescar em área protegida em Angra dos Reis (RJ). A multa nunca foi paga e, após ele se tornar presidente, foi anulada. O agente responsável por aplicar a penalidade também foi exonerado, sob ordem do presidente.