Cachorro fica famoso na internet após destruir cama da tutora

Um cachorro ficou famoso na internet após a tutora dele divulgar imagens que mostram a destruição que ele fez na cama dela e em um controle remoto de televisão. O caso, que aconteceu em Bauru (SP), repercutiu em rede social na quinta-feira (18). Chico, como é chamado, tem oito meses de idade e foi adotado pela gerente de uma empresa de telefonia Patrícia Rodrigues Barros, de 48 anos, para fazer companhia a Luke, outro cachorro da família.

Foto: Arquivo Pessoal

No momento em que gravava o vídeo, Patrícia afirmou que ia devolver o cachorro. Depois, no entanto, ela justificou que estava apenas brincando e que não irá se desfazer do animal, muito menos abandoná-lo.

A tutora contou ao G1 que os cachorros ficam no quintal durante o dia e dormem dentro de casa à noite.

No dia em que destruiu parte do quarto, Chico foi encontrado deitado na cama, com parte da espuma destruída, a roupa de cama rasgada e um controle remoto parcialmente destruído. Luke, o outro cachorro da família, não apareceu nas imagens, mas estava embaixo da cama no momento em que Patrícia flagrou a destruição. Tudo aconteceu enquanto a tutora ia ao cinema.

Foto: Arquivo Pessoal

“Fiquei chocada, quase enfartei. Fiz o vídeo, coloquei toda a espuma para conseguir dormir e no outro dia comprei um protetor de colchão”, disse. “Estou tipo marido que não quer encarar a mulher e fica no bar e não quer ir para a casa. Neste caso eu sou o marido e o Chico é a mulher. Adotei cachorro e cresceu dinossauro”, brincou.

Patrícia contou ainda que já está acostumada a ter a casa revirada por Chico, que já destruiu quatro caminhas de cachorro, as almofadas da sala, roupas penduradas no varal e vasos de planta, além da cama da tutora e do controle remoto. Uma casinha de papelão que Patrícia deu para o cão, no entanto, ele ignorou. “A gente quer agradar, mas parece que não gosta. O mais simples e mais fácil de destruir foi o que gostou”, afirmou.

Foto: Arquivo Pessoal

A filha mais velha de Patrícia, de 25 anos, decidiu adotar Chico em uma feira de adoção em Bauru para fazer companhia para Luke, de 7 anos. “Tinha uns trinta cachorros que pareciam loucos. Acredite, ele era o único, no cantinho, com carinha de dó. Eu mal sabia que estava se passando de vítima. Pegamos um cão e virou um furacão, mas carinhoso”, afirmou a tutora.

Com a grande repercussão do vídeo, que teve milhares de visualizações, Patrícia teve que explicar, em rede social, que não irá deixar ou abandonar Chico e que tanto ele quanto Luke continuarão morando com ela.

“Vai ficar dentro de casa, tenho dó. A gente fala que vai devolver, mas é só brincadeira”, concluiu.

Veja o vídeo:

Nota da Redação: filhotes tem muita energia para gastar, assim como alguns cachorros adultos também têm. É importante, portanto, que essa energia seja gasta para que o animal não se torne destrutivo. A ANDA recomenda aos leitores que façam passeios diários com os animais até que eles estejam cansados e que brinquem bastante com eles. Além disso, reforçamos a necessidade de adotar animais de forma responsável, sabendo que mesmo com passeios eles podem vir a destruir algum objeto da casa e que isso jamais deve ser justificativa para devolvê-los, doá-los ou abandoná-los. Animais são vidas e devem ser tratadas com respeito, amor e compreensão.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Retrocessos ambientais de Bolsonaro podem levar à destruição irreversível da Amazônia

Os desmontes da agenda ambiental promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) podem fazer com que a destruição da Amazônia atinja um limite irreversível “em dois governos Bolsonaro”, segundo o cientista Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP) e estudioso da Amazônia desde 1984, época em que viajou para a floresta pela primeira vez para realizar uma pesquisa para seu doutorado.

(Foto: Think Stock)

Segundo estimativas, se uma área de 40% da floresta for desmatada, o restante não consegue sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa e, assim, parte da floresta poderia se transformar em cerrado. Até o momento, 20% da Amazônia já foi destruída.

“É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”, explica Artaxo.

Atualmente, o cientista supervisiona o Projeto LBA – uma torre de 325 metros que investiga a atmosfera amazônica e que permitiu que Artaxo ajudasse a desvendar a formação das nuvens de chuva na região – e vai à Amazônia pelo menos uma vez ao mês.

Membro, desde 2003, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Artaxo é um dos 12 brasileiros que integram a lista dos 4 mil cientistas mais influentes do mundo, feita pela Highly Cited Researchers 2018 a partir de números de citações em artigos acadêmicos.

Em entrevista à BBC News Brasil, Artaxo afirmou que a pressão de outros países é o único caminho que pode frear o atual desmonte da fiscalização e da legislação ambientais iniciadas no governo Bolsonaro. Ao ter sua polícia ambiental criticada pela chanceler alemã Angela Markel, Bolsonaro respondeu, na última semana, após chegar ao Japão para cúpula do G20, que não foi ao encontro para “ser advertido” e que a Alemanha tem muito a aprender com o Brasil.

Para Artaxo, usar temas econômicos, como moeda de troca, como foi o caso do acordo entre Mercosul e União Europeia, seria uma estratégia eficiente para frear os retrocessos ambientais do governo brasileiro.

Paulo Artaxo (FOTO: MARCOS SANTOS/USP IMAGENS VIA BBC NEWS BRASIL)

Nas condições atuais, o planeta vai sofrer um aquecimento de, em média, 3,5ºC e, no caso do Brasil, segundo Artaxo, “vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos”.

“Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário”, concluiu o cientista.

Confira, abaixo, trechos da entrevista de Artaxo à BBC News Brasil.

BBC News Brasil – Como o senhor avalia a agenda ambiental nesses seis meses de governo Bolsonaro?
Paulo Artaxo – 
A mesma coisa que o Trump fez nos EUA. Basicamente desmontar toda a legislação ambiental – que, no Brasil, foi construída a duras penas ao longo dos últimos 30 anos, incluindo Código Florestal e assim por diante -, e desmontar toda a estrutura de fiscalização do Ministério do Meio Ambiente.

Porque este governo tem como uma das principais bandeiras o não cumprimento da lei. Nós temos um governo que a todo momento diz: ‘Olha, não vamos cumprir a lei, essa lei não vale, essa lei não é boa’. Seja de cadeirinhas para criança no carro, seja o cadastro ambiental rural na Amazônia (o presidente editou em junho Medida Provisória extinguindo o prazo para os proprietários de terra fazerem o cadastro).

Então, a lei que eles não gostam não é pra ser cumprida. É a primeira vez no Brasil que a gente tem um governo que vai contra sua própria razão de existência, que é dar um ordenamento jurídico para um país como o Brasil.

BBC News Brasil – Em termos de medidas concretas, em que consiste esse desmonte ao qual o sr. se refere?
Artaxo – 
O principal é você estimular ações violentas no campo. O atual governo está fazendo isso, primeiro, por meio da não repressão quando esses atos violentos ocorrem.

O Brasil hoje é campeão de ações que matam ambientalistas, aqueles que lutam pelo direito da terra, ações contra populações indígenas e assim por diante. O que a gente vê é uma fração muito pequena do que está ocorrendo no campo, que é o que acaba saindo na grande imprensa.

A segunda questão é a destruição de todo o sistema de fiscalização ambiental no Brasil. O Ibama tinha, por exemplo, um sistema chamado Prevfogo, de prevenção de queimadas, que tinha centenas de funcionários há um ano e hoje está reduzido a algumas dezenas de pessoas para cuidar do combate a queimadas na Amazônia.

É um sistema que, mesmo que o Brasil no ano que vem retome a necessidade de combater queimadas, basicamente todas as pessoas que estavam lidando com isso foram dispensadas.

BBC News Brasil – O governo fala, nesses casos, que isso é reflexo da falta de recursos, que acaba afetando todos os ministérios…
Artaxo –
 O Brasil é a nona economia do planeta e não existe essa questão de falta de recursos. Falta de recursos é uma justificativa para você implementar a sua própria agenda. Por que não faltam recursos para pagar os juros da dívida? Por que não faltam recursos para financiar a produção agropecuária brasileira? Por que não faltam recursos para se dar subsídios às indústrias?

E faltam recursos para manter um sistema como o Prevfogo, que custa absolutamente nada para o país, mas que foi desmantelado. O discurso de falta de recursos não existe. O problema é onde você aloca os recursos. É a mesma coisa nos EUA. O Trump desmontou toda a estrutura da EPA (Environmental Protection Agency). É falta de dinheiro? Não. É ideologia.

BBC News Brasil – O sr. elencou então como segundo ponto esse desmonte da estrutura de fiscalização…
Artaxo – 
Fiscalização e legislação. Aí entra, por exemplo, o desmonte do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente, criado em 1981 e do qual o físico faz parte), da estrutura de monitoramento e acompanhamento das mudanças climáticas globais, que antes era dividido entre Ministério da Ciência e Tecnologia, Ministério do Meio Ambiente e Itamaraty.

Se você vai hoje nesses três órgãos e pergunta quem cuida da questão climática no país, você não encontra ninguém. Toda a divisão de clima do MCTI não existe mais.

É um desmonte que, para se refazer toda essa estrutura num próximo governo, vai demorar de 10 a 20 anos, realisticamente.

BBC News Brasil – Do ponto de vista ambiental, que tipo de consequência de médio e longo prazo essa política pode acarretar? Pode haver algum tipo de dano irreversível?
Artaxo – 
Pode não, já está tendo. O desmatamento na Amazônia já está aumentando, porque todos os mecanismos de combate foram desmantelados.

Não são problemas futuros – é no presente. A questão de agrotóxicos. Vamos ter algum problema no futuro? Não, estamos tendo no presente. São quase 250 novos agrotóxicos, inclusive que são proibidos em outros países, aprovados nesses seis meses. Não é no futuro, é prejuízo hoje, que já está ocorrendo.

BBC News Brasil – Existe uma conta de que o “ponto de não retorno” para a Amazônia, a partir do qual a floresta entraria em autodestruição, seria um desmatamento de 40% de sua área. O quão distante estamos desse limite?
Artaxo –
 Ontem (26/6) o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) soltou um novo número de quanto da floresta original foi desmatada.

Nós desmatamos 20% – 20% de 5,5 milhões de km² é uma área absurdamente grande. Estimativas de cálculos do Carlos Nobre, do Thomas Lovejoy mostram que, se você desmatar 40% da floresta, basicamente o restante não tem condições de sustentar o funcionamento de um ecossistema de uma floresta tropical chuvosa.

E aí todo o carbono que está armazenado naquela floresta vai para atmosfera, agravando em muito e acelerando em muito as mudanças climáticas.

Nós não estamos falando de um aspecto trivial ou de um aspecto que não tenha impacto sério sobre o clima do planeta. É uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos, em particular dos EUA.

BBC News Brasil – Então estamos no meio do caminho?
Artaxo – 
Isso, estamos no meio do caminho. E o restante do caminho pode acontecer nos próximos oito anos, durante dois mandatos de governo Bolsonaro.

BBC News Brasil – No ritmo atual, essa é uma possibilidade real?
Artaxo – 
Não há menor dúvida. A única coisa que pode impedir isso é pressão internacional. É o que a Merkel está fazendo essa semana (a chanceler alemã declarou, em sessão do Parlamento, estar “muito preocupada” com a atuação do presidente brasileiro na área ambiental, disse considerar a situação “dramática” e afirmou que conversaria sobre o tema com Bolsonaro durante a cúpula do G20).

Mesmo pressão interna não é suficiente, não tem força.

BBC News Brasil – O caminho é esse então, usar como moeda de troca temas econômicos importantes, como o acordo Mercosul-União Europeia?
Artaxo – 
Claro.

BBC News Brasil – Nesse sentido, o governo tem questionado o Fundo Amazônia. O ministro do Meio Ambiente chegou a entrar em atrito com a Noruega, um dos principais mantenedores do fundo, afirmando que não há indicativo de que ele tenha ajudado a reduzir o desmatamento e apontando problemas em contratos com ONGs. Faz sentido a análise do ministro?
Artaxo – 
Veja, o ministro não fez uma análise. Ele primeiro acusou o Fundo Amazônia, sem qualquer comissão que fizesse análise de cada projeto que estava sendo executado, de estar desviando recursos. Por que isso?

Porque o Fundo Amazônia é o único instrumento em funcionamento hoje trabalhando pela sustentabilidade e preservação da Amazônia. Não existe qualquer outro recurso financeiro para isso.

Segundo aspecto: o Fundo Amazônia tem mais de R$ 300 milhões depositados no BNDES esperando para ser gastos. O que o ministro quer é passar a mão nesses R$ 300 milhões.

Este dinheiro está aqui, já foi doado, é muito difícil para Noruega e para Alemanha pedirem esse dinheiro de volta. Mesmo que eles cortem futuros investimentos no fundo, este já foi feito.

BBC News Brasil – Tomando a própria Noruega, entretanto, a gente tem o caso recente da mineradora Hydro Alunorte, que despejava rejeitos em nascentes amazônicas por meio de um duto clandestino. A posição do país para cobrar uma política ambiental responsável do Brasil não fica comprometida?
Artaxo –
 Você tem que separar uma questão de macropolítica ligada com mudanças climáticas globais com questões específicas de uma, duas ou três empresas.

É evidente que as empresas, inclusive as alemãs no Brasil, se aproveitam da fraca legislação ambiental brasileira. A mesma coisa com Noruega, EUA, França.

BBC News Brasil – Nesse caso específico o governo norueguês também é acionista.
Artaxo – 
Não importa isso, é uma empresa. Isso ocorre sim.

E a culpa disso não é deles, é nossa. Nós é que temos que ter uma legislação que proteja a população brasileira de questões como Brumadinho etc. O erro não é deles, é nosso, da fraqueza da nossa legislação em proteger a economia e a população brasileira.

BBC News Brasil – Qual é a maneira mais eficiente de se controlar desmatamento?
Artaxo – 
Controlar desmatamento é muito, muito, muito simples. Temos todas as ferramentas para isso. Um sistema de monitoramento de queimadas que não existe em nenhum outro lugar do mundo – o sistema do INPE funciona, é extremamente eficiente e foi aprimorado e validado com experimentos de campo ao longo dos últimos 20 anos.

Com o cruzamento agora com o MapBiomas, com o cruzamento com o cadastro ambiental rural e dados de propriedade de terra, a gente não sabe só onde mas quem está desmatando.

O Brasil, se quiser zerar o desmatamento, pode fazer isso no ano que vem. Não falta nenhuma tecnologia para isso, basta vontade política.

(Entre 2004 e 2012) nós conseguimos reduzir o desmatamento de 24 mil km² por ano para 4 mil km². Esses 4 mil km² em 2013/2013 estão hoje em 8 mil km² e, em 2019, vai ser um número próximo de 10 mil km² de floresta desmatada.

BBC News Brasil – O ministro Ricardo Salles defende a geração de emprego para as comunidades locais, uma alternativa à exploração ilegal da floresta, como caminho para reduzir o desmatamento. Faz sentido?
Artaxo – 
Faz. Inclusive um dos principais projetos do Fundo Amazônia, executado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), trabalhou quatro anos exatamente nesta direção: como dar uma vida decente com recursos para populações ribeirinhas de tal maneira que eles não precisem se deslocar e continuar desmatando.

Com isso, você ataca um dos aspectos do desmatamento, que é uma questão muito mais complexa e envolve grandes empresas agropecuárias, mineração, empresas de extração de madeira e também pequenos sitiantes e pequenos proprietários de terra.

Esse projeto do Ipam foi de extremo sucesso, evitou um desmatamento enorme porque deu perspectiva, renda e assessoria técnica para pequenos produtores do sul do Pará. Um minúsculo investimento de R$ 2 milhões ou R$ 3 milhões traz um retorno enorme para a comunidade e para o Brasil.

É possível achar um caminho de sustentabilidade para a Amazônia com uma renda decente para os 20 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica? A resposta clara é sim. Mas, para isso, você precisa de políticas públicas consistentes, de longo prazo.

BBC News Brasil – O governo tentou tirar a Funai do Ministério da Justiça, o Congresso decidiu mantê-la na pasta. O presidente editou então nova Medida Provisória, transferindo a competência da demarcação de terras para a Agricultura, mas a medida foi suspensa pelo STF. Como o senhor avalia essa queda de braço?
Artaxo –
 Não importa onde a Funai vai ficar, na minha opinião. Pode ficar na Agricultura, pode ficar na Justiça, no Meio Ambiente, em qualquer lugar.

Mas, se for uma Funai fraca, inoperante, com dez funcionários para cuidar de centenas de reservas indígenas… Não faz a menor diferença.

O que é mais importante é a política do governo de realmente destruir a população indígena brasileira. Isto é explícito.

Esse embate, se fica na Agricultura, se fica na Justiça, na minha opinião, não é importante. O que a gente quer é uma Funai forte, que efetivamente proteja a população indígena, que dê assistência a essa população indígena, que a proteja de mineradores, de ataques de latifundiários, das milícias que atuam na Amazônia, do crescente tráfico de drogas que está entrando forte na Amazônia, através das fronteiras com a Colômbia, Bolívia e Peru. E isto não está ocorrendo.

BBC News Brasil – No meio dessa polêmica da Funai a gente vê circulando gráficos mostrando que as áreas de reservas indígenas são aquelas em que…
Artaxo – 
A floresta é mais preservada. Isso é real, você mede por satélite, fácil. É exatamente por isso que os indígenas estão sendo atacados, porque eles conseguem preservar adequadamente as suas fronteiras.

BBC News Brasil – O governo ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris, mas voltou atrás. O senhor viu isso como sinalização positiva?
Artaxo – 
Sair ou não sair, na minha opinião, é uma questão meramente semântica. Se você não cumprir as metas, tanto faz – que é do que o Trump acabou sendo convencido.

Para quê sair do Acordo de Paris? É só não cumprir as metas – não tem punição pra ninguém. É irrelevante a questão de sair ou não sair, se você não tem uma política para cumprir os compromissos internacionais do país na área ambiental e energética.

BBC News Brasil – O ministro falou que todas as metas serão cumpridas…
Artaxo – 
Dependendo de como você calcula o cumprimento dessas metas… O Brasil se comprometeu a reflorestar 12 milhões de hectares. As florestas abandonadas estão nesse critério? Se for, nós já cumprimos. Mas será que a promessa foi feita nessa direção? Não, ela foi feita na direção de fomentar novas áreas com plantio para retirar CO2 na atmosfera. E isso não está sendo feito.

Outros tópicos vão ser também igualmente difíceis. Por exemplo, ter um aumento significativo da fração de energias alternativas, solar e eólica, na matriz energética brasileira. Isso está sendo cumprido, mas de forma muito mais lenta que o necessário.

A principal promessa, que é reduzir o desmatamento ilegal a zero até 2025… Neste ano, nós desmataremos 10 mil km² de florestas virgens. Isto não tem como ser cumprido. Nós não vamos cumprir as nossas metas.

BBC News Brasil – Ainda no caso do Acordo de Paris, chegou-se a dizer que o governo reviu sua posição por pressão do próprio agronegócio, que tem feito contraponto a alguns aspectos da política ambiental bolsonarista…
Artaxo –
 Assim como na sociedade brasileira, é importante a gente perceber que existem duas correntes antagônicas, no governo e no agronegócio, que estão radicalmente divididas.
Assim como a sociedade brasileira acabou sendo dividida por esse discurso do ódio e da violência.

Tem uma corrente do agronegócio que diz: ‘Vamos ocupar a Amazônia o mais rápido possível, enquanto a gente pode, vamos derrubar tudo o que for possível, sem qualquer fiscalização, sem qualquer punição, sem qualquer mecanismo estatal de controle’. Essa é uma corrente.

A outra corrente é a que diz: ‘Olha, essa estratégia vai nos prejudicar, prejudicar a imagem do agronegócio brasileiro no estrangeiro, e daqui a pouco vai ficar difícil a gente exportar até para a China, porque nós podemos ser acusados de predadores do meio ambiente’ – e isso não é um bom negócio pro Brasil.

BBC News Brasil – Essas duas correntes estão representadas hoje no Congresso?
Artaxo – 
Sim. Obviamente, a primeira é atualmente predominante, claramente.

Então nós temos que trabalhar para construir políticas públicas para diminuir a velocidade da destruição da floresta amazônica, já que o próprio presidente tem uma política de destruir o mais rápido possível a maior parcela possível da floresta.

BBC News Brasil – O senhor acha que há risco de o Acordo de Paris virar um Protocolo de Kyoto, não ver as metas cumpridas e se tornar uma frustração no futuro?
Artaxo – 
Não é questão de ser frustração. Existe um problema grave na questão das mudanças climáticas globais – a falta de governança.

Essa história do fracasso de Kyoto… Não é fracasso. Seria impossível, sem um sistema de governança global que funcione, você atingir as metas de Kyoto – assim como vai ser impossível atingir as metas do Acordo de Paris.

Quem vai punir os EUA pelo não cumprimento das metas? Quem vai punir o Brasil? Que tribunal vai julgar isto? Quem vai aplicar essas sanções? Isso tudo não existe. Isso tudo vai ter que ser construído do zero.

Nós temos que fazer o pós-Acordo de Paris ser um acordo com vinculação, ou seja, onde haja penalidades claras para os países que não cumprirem as suas metas. Por enquanto, nós estamos brincando de reduzir emissões.

Mesmo se todas as metas do Acordo de Paris forem cumpridas, o planeta se aquece ainda 2,7ºC, em média, o que em áreas continentais significa um aumento de 3,5ºC.

BBC News Brasil – Ou seja, nossa geração ainda vai ver uma situação de catástrofes…
Artaxo –
 Não é catástrofe. É importante dizer o seguinte: isso não está colocando em risco a nossa existência (como humanidade).

Eu não gosto de chamar de catástrofe. Nós vamos ver o planeta se aquecendo, em média, 3,5ºC, vamos ver o Nordeste se desertificar totalmente nos próximos 30 anos, vamos ver alterações profundas no bioma amazônico e mudanças climáticas sem precedentes nos últimos 10 milhões de anos.

Isto vai ocorrer. O que nós podemos fazer é minimizar esse cenário. O próximo acordo pós-Paris vai ter que lidar com esse cenário.

Por isso que, nas últimas semanas, vários países estão dizendo que a gente está entrando em uma “emergência climática”. Caiu a ficha. A Islândia vai proibir a venda de carros a gasolina, diesel ou qualquer combustível fóssil a partir de 2025. Noruega também.

Outros países estão tentando ganhar o máximo de dinheiro possível agora, antes que esse cenário aconteça – como os EUA.

BBC News Brasil – O senhor fala de cair a ficha, mas a questão ambiental mobiliza menos a sociedade civil do que outros temas. Os cientistas estão falando de impactos negativos sérios na vida das pessoas no médio prazo e, ainda assim, não há uma pressão social importante pra que os governos tomem uma atitude pra tentar evitar esse cenário.
Artaxo –
 Veja, você acha que as pessoas têm consciência do que significa você dar uma arma na mão de cada um dos brasileiros? Acha que as pessoas têm consciência disso? Não.

São coisas que estão no dia a dia delas, violência urbana, e as pessoas votaram por isso. Tá respondido.

BBC News Brasil – Não adianta então ficar mostrando mapa com as capitais litorâneas do Brasil submersas…
Artaxo – 
Não. Mas, para a Ciência, é muito claro. O nível do mar vai subir 1,5 metro até 2050, 2070. A praia de Copacabana que você vê hoje vai ser coisa do passado.

Não há menor dúvida – e esse processo é irreversível faça o que você quiser fazer com o Acordo de Paris. Vamos falar português bem claro.

BBC News Brasil – Sua visão como cientista então, diante desse cenário, é otimista ou pessimista?
Artaxo – 
Esse negócio de a imprensa ficar procurando heróis e vilões, ser otimista ou pessimista… Não existe isso.

A sociedade tem uma dinâmica complexa, que é dirigida não por desejo das pessoas, mas pelo interesse econômico. Quem vai mandar nisso é o dinheiro.

Um grupo de 477 investidores que administram um patrimônio total de US$ 34 trilhões assinou uma carta aberta aos governos falando que nós precisamos urgentemente apertar as metas do Acordo de Paris, fazer medidas concretas e mensuráveis pra diminuir as emissões já.

Por que eles estão fazendo isso? Não é porque eles são bonzinhos. Eles têm uma única preocupação: como é que eu vou continuar ganhando dinheiro? Uma fração dos bilionários percebeu que eles estão correndo um risco enorme.

Agora voltando para a sua pergunta, não é questão de ser otimista ou pessimista, você tem que ser realista: nem um lado, nem outro.

O que a realidade está nos mostrando é que a gente está realmente acelerando as mudanças climáticas, os eventos climáticos extremos, isso já está tendo um impacto econômico e social enorme na nossa sociedade, e isso vai se intensificar muito e em um futuro muito próximo, nos próximos cinco ou dez anos.

Isto vai trazer recessão econômica, tensões enormes entre os países. Hoje você tem uma região do Oriente Médio que é semiárida. Quando essa região ficar desértica, com cinco graus acima do que é hoje, o que vai acontecer com as migrações para a Europa? O que a gente está vendo hoje é uma amostra grátis do que vai vir nos próximos dez anos. Esta ficha está caindo.

BBC News Brasil – Ainda assim, líderes como o presidente americano não acreditam…
Artaxo – 
Essa questão do “acredito” também me deixa doente em qualquer debate. Não é religião, nós estamos falando de Ciência. Você pode acreditar em Deus, acreditar ou não na sua mulher, isso é irrelevante.

O que nós estamos observando cientificamente é que estamos mudando fortemente e rapidamente o clima do nosso planeta. Ponto.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Mais fatais que armas: iscas explosivas destroem mandíbulas de elefantes no Sri Lanka

Foto: Vijitha Perera

Foto: Vijitha Perera

Os elefantes em extinção no Sri Lanka há muito lutam para sobreviver diante das ameaças como o desmatamento, a caça e um ambiente político turbulento, mas um perigo novo e mortal surgiu agora.

Os elefantes do país – os mais jovens em particular – estão sendo cada vez mais mutilados e mortos pela isca explosiva deixada propositalmente para atingir os animais selvagens, segundo uma pesquisa do site de notícias ambientais Mongabay.

Esses explosivos caseiros agora se tornaram a principal causa de mortes de elefantes no Sri Lanka e uma terrível ameaça à população de elefantes já ameaçada da ilha.

A isca explosiva é formada de alimentos contendo pólvora e pequenos pedaços de metal ou pedras. Embalados juntos, esses elementos formam um dispositivo explosivo improvisado. Uma vez escondida a isca, a arma fatal é deixada na floresta.

Foto: Rajiv Welikala

Foto: Rajiv Welikala

Os explosivos – conhecidos localmente como “explodidores da mandíbula” – são projetados para matar pequenos animais, como javalis, que são fontes de carne de animais selvagens. No entanto, a isca também atrai elefantes muito maiores, causando ferimentos graves e as vezes fatais.

Quando um animal morde a isca, a pólvora se inflama, destruindo as mandíbulas, dentes, língua e outros tecidos moles da boca e da garganta. Para os animais que não morrem imediatamente, hemorragias graves e infecções são riscos potenciais. Tais infecções podem se espalhar da boca até o esôfago e em outros órgãos, resultando em mortes prolongadas e dolorosas.

Acredita-se que haja menos de 6 mil elefantes do Sri Lanka – uma subespécie do elefante asiático – deixados na ilha. A subespécie foi classificada como ameaçada pela União Internacional para a Conservação da Natureza desde 1986, e a população total caiu em pelo menos 50% nos últimos 60-75 anos.

No Sri Lanka, como em outros lugares, os elefantes sofreram muito com o aumento do contato com humanos. A caça e a erosão do habitat são ameaças quase universais para os elefantes, mas décadas de guerra civil no Sri Lanka representam uma ameaça adicional à vida selvagem local. Armas de fogo e minas terrestres mutilaram e mataram centenas de elefantes durante décadas de combates.

Mas o fim das hostilidades não trouxe descanso. A atividade humana e o desenvolvimento continuam a pressionar as populações de elefantes, e a isca explosiva se tornou a principal causa de morte entre os elefantes no país.

Um total de 319 mortes de elefantes foi relatado em 2018, de acordo com informações do Mongabay. Destas, de 64% a 20% foram causadas por dispositivos explosivos. Isso é mais do que os 53 elefantes mortos por armas de fogo, que anteriormente era a principal causa de morte. A tendência foi mantida em 2019, com 30 mortes de elefantes por explosivos reportados até agora este ano.

Foto: Mongabay News

Foto: Mongabay News

Muitas das vítimas são jovens elefantes com menos de 10 anos de idade e especialmente com menos de 5 anos, disse o veterinário do Departamento de Conservação da Vida Selvagem, Isuru Hewakottage, à Mongabay. “Os filhotes são curiosos e brincalhões. Eles também escolhem coisas e inserem em suas bocas, ao contrário dos elefantes adultos mais cautelosos”, explicou Hewakottage.

Ravi Corea, presidente da Sociedade de Conservação da Vida Silvestre do Sri Lanka, disse à Newsweek que uma média de 246 elefantes foram mortos todos os anos entre 2008 e 2018. A grande maioria foi morta como resultado de conflitos diretos entre humanos e elefantes, e muitas das mortes podem ser atribuídas aos “explodidores de mandíbula”.

“O medo aqui é que esse método se espalhe por toda a ilha, e então isso teria um impacto terrível sobre nossos elefantes”, explicou Corea.

Comunidades humanas carregam seus próprios custos do conflito com seus vizinhos elefantes. No ano passado, o porta-voz do gabinete Gayantha Karunathilleke disse que mais de 375 cingaleses foram mortos por elefantes selvagens desde 2013.

Os agricultores consideram os elefantes ameaças, sem entender que o território que ocupam pertencia antes ao habitat natural dos animais. Em sua defesa os enormes mamíferos podem destruir fazendas, derrubar casas e matar aqueles que tentam ferí-los.

A tendência de aumento do conflito entre humanos e comunidades de animais é real em grande parte da Ásia, disse à Newsweek Nilanga Jayasinghe, do World Wildlife Fund.

“Medidas drásticas, como a isca explosiva”, são evidências de uma deterioração da tolerância entre as comunidades em relação aos elefantes “, disse Jayasinghe, embora tenha observado que a tolerância para os animais geralmente é alta no Sri Lanka.

Infelizmente, não há uma solução simples para esse problema tão complexo. Tanto Jayasinghe quanto Corea enfatizaram a importância de trabalhar com as comunidades mais afetadas pelo conflito com os elefantes conscientizando e educando a população.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Área equivalente a oito Maracanãs é encontrada desmatada no RJ

Uma área de vegetação de Mata Atlântica de tamanho equivalente a oito estádios de futebol do Maracanã foi encontrada desmatada em Baia Formosa, em Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro. Oitenta mil metros quadrados foram destruídos. Uma equipe do Inea fez uma operação no local na segunda-feira (24) para retirar mourões que demarcavam lotes para venda no local.

Foto: Marcelo Morel/Parque Estadual da Costa do Sol

A identificação da área desmatada é de responsabilidade do projeto Olho Verde, que monitora a vegetação via satélite. Investigações estão sendo feitas para tentar identificar os criminosos responsáveis pelo desmatamento. No entanto, até o momento, ninguém foi preso.

O chefe do Parque Costa do Sol, Marcelo Morel, explicou ao G1 que a investigação será enviada para a delegacia do município de Búzios.

Foto: Marcelo Morel/Parque Estadual da Costa do Sol

Segundo ele, a área não faz parte do parque, mas mutias espécies de animais viviam no local e o grupo que desmatou a região não tinha autorização para isso.

Como a área desmatada não pode ser vista da rua, a identificação do desmatamento só foi possível graças ao trabalho do projeto Olho Verde, que é comandado no Rio de Janeiro e detecta a destruição ambiental através da mudança de cor das áreas monitoradas.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


Governo abre consulta pública para liberar exploração da Floresta Nacional do Amapá

Serviço Florestal Brasileiro abriu consulta pública para a concessão de três unidades de manejo florestal (UMF) na Floresta Nacional do Amapá. Pela proposta apresentada, cerca de 267 mil hectares – o equivalente a 65% do território – poderão ser concedidos para a iniciativa privada realizar o manejo florestal sustentável.

Antes parte do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro passou para a alçada do Ministério da Agricultura, em um conflito de interesses promovido pela atual gestão federal. O órgão é liderado por Valdir Colatto, deputado próximo do agronegócio.

Foto: Reprodução / Ecycle

Em uma visão limitada sobre como uma floresta pode gerar lucros, a proposta do Serviço Florestal Brasileiro é permitir a “exploração sustentável” de madeira em uma área de floresta nativa. Os valores mínimos do metro cúbico de madeira a serem oferecidos pelas empresas interessadas em participar da licitação foram fixados em R$ 35/m3 (UMF I), R$ 25/m3 (UMF II) e R$ 15/m3 (UMFIII).

Além das propostas de preço, a concorrência pública levará em consideração a proposta técnica, que inclui fatores como investimentos na proteção da floresta, investimento em infraestrutura, bens e serviços para as comunidades, inovações tecnológicas e processamento local do produto, dentre outros.

O governo afirma que as três unidades de manejo devem produzir 132 mil metros cúbicos de madeira em tora por ano, o que pode gerar cerca de R$ 3,6 milhões/ano para os cofres públicos. A expectativa do Serviço Florestal é que sejam criados mais de 500 empregos diretos e 1.000 indiretos.

São valores muito baixos considerando o impacto de oferecer para madeireiras quase 65% da área de uma Floresta Nacional. O governo fala em manejo sustentável, mas, além da desproporção entre a área de floresta e o baixo lucro previsto, parece difícil que o governo consiga garantir a fiscalização necessária para que a exploração de fato se dê de modo sustentável.

Audiências Públicas

Além de estar disponível para consulta no site do Serviço Florestal, a proposta de edital também será apresentada em quatro audiências públicas, que serão realizadas entre os dias 17 e 21 de junho, nos municípios de Ferreira Gomes (17/06), Pracuúba (18/06), Amapá (19/06) e Serra do Navio (21/06).

As audiências têm por objetivo apresentar a proposta de edital de forma que a população local e demais atores interessados possam avaliar e contribuir na construção do documento. As contribuições, como dúvidas, críticas e questionamentos, também podem ser feitas até o dia 21/07 pelo e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), uma Flona tem por objetivos o manejo sustentável dos recursos naturais; a garantia da proteção dos recursos hídricos, das belezas cênicas e outros; além do fomento ao desenvolvimento da pesquisa básica e aplicada.

Madeira em primeiro lugar?

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) será o responsável pela gestão dos contratos das três UMF submetidas à concessão florestal. Atualmente, mais de um milhão de hectares de florestas públicas estão sob concessão florestal federal. São 17 contratos em seis florestas nacionais situadas nos estados do Pará e Rondônia. Por meio dos contratos, são retirados das florestas nacionais sob concessão cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira por ano.

Com o lançamento de novos editais, o Serviço Florestal pretende aumentar esse número para 2 milhões de metros cúbicos/ano, o que corresponde a 20% da produção amazônica. O número é divulgado com êxito, sob o pretexto de se tratar de manejo sustentável, mas o que não se responde é como toda essa floresta desmatada está se recuperando e qual o custo desse “manejo sustentável”, se é que de fato acontece, em termos de serviços ecossistêmicos, os bens e serviços que obtemos direta ou indiretamente a partir da natureza.

Alternativas sustentáveis e lucrativas

Além das incertezas quanto à fiscalização ambiental, outra questão que fica é: a madeira é o recursos mais lucrativo presente nas áreas de proteção ambiental? É preciso cortar mais árvores para obter renda com uma floresta nativa? A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial composto por mais de 170 membros, entre entidades do agronegócio, ONGs ambientais e representantes do meio acadêmico, elaborou 28 propostas relacionadas ao uso da terra e ao desenvolvimento sustentável. O material foi apresentado no meio de 2018 aos candidatos da disputa eleitoral.

O professor Carlos Nobre, membro do Joint Steering Committee do World Climate Research Programme (WCRP) e um dos mais respeitados climatologistas brasileiros, faz parte do grupo e explica que se trata de um roteiro de bom-senso. “As 28 propostas são factíveis e, de modo geral, apontam um caminho de redução da expansão da fronteira agrícola, com ganhos de produtividade, além de sinalizar a importância da regularização fundiária e destinação para fins de conservação dos mais de 60 milhões de hectares de terras públicas”, declarou.

Conheça algumas das propostas que poderiam ser implementadas na Floresta Nacional do Amapá e que trariam melhores rendimentos que a atividade madeireira:

  • Trabalhar junto aos agentes do mercado financeiro, tanto nacionais quanto internacionais, para estruturar estratégias de financiamento para projetos que tragam benefícios ambientais e para a agricultura de baixo carbono, especialmente o plantio de florestas nativas;
  • Incluir incentivos para a expansão agrícola e pecuária, bem como para a recuperação florestal, em áreas degradadas e de baixa aptidão agrícola por meio dos planos plurianuais de investimento e ação;
  • Eliminar das cadeias produtivas brasileiras a produção oriunda de desmatamento ilegal ou de exploração ilegal, imputando a corresponsabilidade a compradores de produtos de base florestal ilegais e não rastreáveis;
  • Desenvolver mecanismos de financiamento e incentivo à P&D e Inovação voltados ao desenvolvimento de oportunidades para o uso sustentável de produtos não madeireiros e dos recursos genéticos e bioquímicos das florestas nativas, como forma de valorização da biodiversidade nacional;
  • Desenvolver programa pré-competitivo de P&D e Inovação para silvicultura de espécies arbóreas nativas do Brasil;
  • Criar iniciativa específica para recuperar a cobertura florestal, atrelada a múltiplos usos, em áreas de recarga dos aquíferos das bacias hidrográficas consideradas estratégicas.

Conheça a proposta do edital e mande seus comentários para o e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

Fonte: Ecycle


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Xingu registra desmatamento recorde com 13 milhões de árvores derrubadas

Um monitoramento feito pela Rede Xingu +, que recebeu o nome de Sirad X, concluiu que 13.865 hectares foram desmatados na região do Xingu que pertence ao estado do Mato Grosso. Desses, 78% foram destruídos ilegalmente, o que corresponde a 11 mil hectares ou aproximadamente 13 milhões de árvores.

“O alto percentual de desmatamento ilícito expressa a ineficácia dos instrumentos existentes de combate ao crime ambiental. Esse quadro pode piorar com a chegada da estação da seca, quando os números de desmatamento tendem a crescer”, alerta Ricardo Abad, especialista em sensoriamento remoto do Instituto Socioambiental (ISA).

Há municípios do estado de Mato Grosso, como Canarana, Cláudia, Gaúcha do Norte, Peixoto de Azevedo e Querência, que a taxa de desmatamento feito na ilegalidade atingiu 100% durante o período analisado. Na cidade de Feliz Natal, 68% de mata foi desmatada ilegalmente, mas o município foi o que mais desmatou em área: 1.572 hectares. As informações são do portal oficial do Instituto Socioambiental.

Ao ser questionada sobre os motivos que levam ao desmatamento ilegal, Ana Valdiones, analista do Instituto Centro de Vida (ICV), afirmou que “a percepção do risco que é muito baixa”. Segundo o ICV, 85% do desmatamento na parte amazônica do Mato Grosso, no ano de 2018, foi realizado de forma ilegal. As altas taxas são explicadas, também, pela morosidade no processo de regularização ambiental e pela falta de políticas públicas estaduais, segundo Valdiones. “No geral a ilegalidade continua presente. Sempre foi e continua presente”, lamentou.

Outros dados, apresentados pela Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA-MT), indicam que 98% das áreas desmatadas entre 2015 e 2016 no estado não tinham autorização para o desmate e que, entre 2016 e 2017, a taxa foi de 94%. Até o fechamento da reportagem, a SEMA não se pronunciou sobre o caso.

Apesar dos altos números relacionados a desmatamento ilegal, as autuações feitas pelo Ibama caíram 35% quando comparadas ao período de janeiro a maio de 2018.

No mês de março, foi registrado um aumento de 461% no desmatamento feito em Unidades de Conservação na bacia do Xingu, quando comparado ao mesmo período do ano anterior. A Floresta Nacional (Flona) de Altamira, de jurisdição federal, foi alvo de um aumento de 550% no desmatamento em abril, com o desmate de 242 hectares devido a garimpo ilegal.

“É preocupante que, em um momento em que o desmatamento ilegal avança, a atuação do instituto fiscalizador seja reduzida. A fiscalização e responsabilização são etapas essenciais no combate às atividades ilegais”, comentou Abad.

Valdiones afirma que é preciso haver mais transparência nos dados sobre desmatamento ilegal e a promoção de iniciativas de adequação ambiental no estado. “A transparência, aliada ao uso e produção de informações a partir desses dados públicos, deixa claro quem é quem. Fica claro quem tem passivo [ambiental]”, apontou.

As áreas protegidas da região também estão em risco. Em março e abril, o desmatamento na bacia do Xingu aumentou em 156%, quando comparado aos dois primeiros meses do ano. Foram desmatados 21.495 hectares. Desse total, 19% ocorreu em áreas protegidas, isso é, terras indígenas e unidades de conservação.

A biodiversidade do Xingu, que tem uma área de 51 milhões de hectares, com 31 terras indígenas e 21 unidades de conservação, é singular e de grande importância. No entanto, o avanço do desmatamento, da grilagem, do garimpo, do roubo de madeira e da contaminação da flora por agrotóxicos ameaça a região, que abrange mais de 60 municípios do Pará e do Mato Grosso.

Desmatamento no Rio Grande do Sul

O desmatamento não se restringe ao Mato Grosso. No Sul, o pampa gaúcho está ameaçado. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), coletados por dois satélites, mostram que, em 2016, 43,7% da vegetação nativa foi desmatada e apenas 47,3% foi preservada. Os outros 9% representam a hidrografia da região.

Um dos seis biomas brasileiros, o pampa é restrito ao Rio Grande do Sul. E de acordo com Daniel Hanke, professor da Unipampa (Universidade Federal do Pampa), que conduz uma pesquisa sobre o tema, a biodiversidade da região é imensa.

“Ao modificar um sistema que estava em equilíbrio, com os organismos trabalhando todos juntos, destruindo a vegetação, retira-se o alimento de muitos animais e o refúgio de várias espécies com funções ecológicas específicas”, explicou Hanke.

O estudo do Inpe ainda não aponta a causa do desmatamento. Hanke, no entanto, afirma que, enquanto a plantação de arroz está estabilizada e a de milho tem decrescido, o plantio de soja vem ganhando espaço. O grão é majoritariamente produzido no Brasil para alimentar animais explorados e mortos para consumo humano.

“Quando se suprime a vegetação para introduzir uma monocultura de soja, não se troca só uma planta por outra. O que se troca é um sistema que evoluiu ecologicamente para o equilíbrio por uma única vegetação”, explicou o pesquisador.

O levantamento do Inpe mostrou ainda que a maior área preserva pertence à Área de Proteção Ambiental (APA) Ibirapuitã, que foi criada em 1992 por meio de decreto federal. Outras porções preservadas, em meio a áreas desmatadas, também foram registradas.

“Essas ilhas no meio de um mar de soja aumentam a fragilidade do pampa porque a supressão começa pelas bordas. Um campo nativo de 20 hectares é menos resistente à pressão lateral do que um campo nativo de mil hectares”, comentou Hanke.

Com o desmatamento, novas estradas entre os campos são criadas. Nelas, circulam caminhões que espalham sementes do capim-annoni, que é considerado uma praga. O crescimento desse tipo de planta era controlado, no passado, por animais gigantes da pré-história, que foram extintos. Cerca de oito mil anos após a extinção deles, bois e cavalos foram trazidos ao Brasil pelos colonizadores, conforme explicam os pesquisadores Rafael Cabral Cruz, da Unipampa, e Demétrio Luis Guadagnin, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no trabalho Uma Pequena História Ambiental do Pampa, de 2010.

De acordo com Ranke, a vegetação do pampa e os bois convivem em equilíbrio, ao contrário do que acontece na Amazônia, em que grandes áreas são desmatadas para a criação de bois que, depois, serão mortos para consumo. “No pampa, não há efeitos negativos na presença desse animal. Pelo contrário, ela é desejável”, disse Hanke.

No entanto, ultimamente tem sido registrada uma queda no número de bois no pampa, o que reforça a percepção de que a soja tem tomado conta do bioma.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Imprensa internacional noticia aumento do desmatamento na Amazonia

Reuters/Nacho Doce

Reuters/Nacho Doce

O desmatamento na Amazônia aumentou em 20% no ano passado, revelam informações da entidade ambientalista Imazon, que não possui ligação com governo e monitora a floresta tropical há duas décadas, informa o jornal inglês The Independent.

A extração descontrolada de madeira e a invasão de terras foram atribuídas pelos analistas como responsáveis por grande parte da perda, algumas das quais ocorreram em áreas protegidas e reservas indígenas.

O grupo ambientalista afirmou que imagens de satélite mostraram que a região perdeu 2.169 km² de florestas entre agosto e abril. Este número corresponde a 1,807 km² perdidos a mais em relação ao mesmo período do ano anterior.

O ano-base de monitoramento do grupo começa em agosto, para coincidir com a estação seca do Brasil, quando as taxas de extração são geralmente mais altas.

O presidente do país, Jair Bolsonaro, e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo de Aquino Salles, questionaram a realidade da mudança climática e falaram a favor da expansão da mineração e da agricultura industrial na Amazônia e em áreas protegidas.

Ambos os políticos acreditam que as leis ambientais e os grupos ativistas freqüentemente trabalham para impedir o potencial econômico do Brasil.

Salles disse no início do mês que queria reformar o Fundo Amazônia, uma iniciativa criada para conter o desmatamento em uma área de quase sete milhões de quilômetros quadrados.

O ministro agendou uma reunião com representantes dos governos alemão e norueguês, dois dos principais contribuintes do fundo, esta semana.

Salles disse que seu ministério revisou 103 contratos concedidos pelo fundo a grupos sem fins lucrativos, cerca de um terço de todos os contratos assinados desde o seu lançamento em 2008. Ele disse que a investigação encontrou “irregularidades” em todos os 103 contratos, mas ele não deu quaisquer casos específicos, citando cláusulas de confidencialidade até revisão pelos auditores.

Ele reiterou sua intenção de “sacudir” o fundo apertando regras e a supervisão sobre a alocação de contratos e a escolha de projetos que possam obter financiamento, em uma recente entrevista à TV Globo.

“Queremos melhores resultados para reverter o aumento do desmatamento”, disse Salles, acrescentando que queria resultados “mensuráveis” e um “retorno sobre o investimento”.

Ele não pôde dar mais detalhes sobre as mudanças propostas pelo ministério antes de discuti-las com a Noruega e a Alemanha, disse ele. A estatal brasileira de petróleo, a Petrobras, é o terceiro maior contribuinte do fundo.

O fundo foi criado para receber doações para ajudar a prevenir, monitorar e combater o desmatamento na floresta amazônica, uma vasta área rica em biodiversidade e cuja preservação é vista como essencial para conter a mudança climática.

ONG busca ajuda após chuva destruir abrigos e matar animais em Vitória (ES)

A ONG Amizade É Um Luxo, que auxilia entidades que abrigam cães e gatos abandonados, está buscando ajuda após uma forte chuva, que atingiu Vitória (ES), no último sábado (18), ter matado animais e destruído abrigos.

Michelle Jorio, presidente da ONG que doa ração, produtos diversos para animais e custeia castração, exames e tratamento veterinários, explica que a chuva é um problema antigo no município e que, agora, o trabalho é para recuperar os abrigos destruídos e os materiais perdidos na enxurrada.

Reprodução/ Abrigo LASFA

“Sempre que chove tem problema. Dessa vez choveu muito em pouco tempo, e por isso o estrago foi muito grande”, conta. As informações são do portal O Documento.

Apesar dos alagamentos, a maioria dos animais que estavam nos abrigos que foram atingidos pela chuva foram salvos com vida. Alguns, no entanto, não sobreviveram, e outros ficaram doentes.

“Foram poucos animais que morreram, tivemos algumas fugas e alguns adoeceram por causa da umidade, mas a perda maior foi material. Ração, por exemplo, é algo que estamos precisando muito”, afirma.

O LASFA, localizado na cidade de Serra, e o SOS Peludinhos, em Vila Velha, foram os mais atingidos. Alguns locais já conseguiram recuperar parte da estrutura e deixar o abrigo habitável para os animais. Outros permanecem realizando um trabalho pesado de recuperação e limpeza.

“Os lares temporários também ajudaram a conciliar essa falta de espaço causada pelo estrago da chuva”, completa Marcelle.

Os abrigos precisam, com urgência, de ração, material de limpeza (pano de chão, rodo, vassoura, balde), produtos de limpeza (desinfetante, vinagre de álcool), toalhas e lar temporário para os animais.

Reprodução/ Abrigo LASFA

Os pontos de coleta das doações são:

OAB Vila Velha
Na sede: Praça Almirante Tamandaré, Prainha, Vila Velha
Na sala de apoio do Fórum de Vila Velha

Cantina Fiorentina do Mário
Rua Eugênio Neto, 366, Praia do Canto

Animallis Petshop
Rua Madeira de Freitas, 100, loja 2, Praia do Canto

Mont Pet Ami
Shopping Vitória, subsolo

C.E.S.A. – Centro de Especialidades em Saúde Animal
Rua Almirante Tamandaré, 123, Praia do Suá

PROVEL
Avenida Luciano das Neves, 1055

ANIMED – Centro Médico Veterinário e Petshop
Rua Vinicius Torres, 242, Praia da Costa

Mon Ami Pet
Rua Sergipe, 155, Loja B, Praia da Costa

Jornal Tempo Novo
Rua Euclides da Cunha, 394, Salas 103/104, P.R. Laranjeiras, Serra

Fonte: Canal do Pet

Desmatamento da Mata Atlântica cresce em 5 estados e bioma perde 113 km² de floresta

Um levantamento feito pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) concluiu que a Mata Atlântica continua sendo desmatada em cinco estados do Brasil e que, entre 2017 e 2018, o bioma perdeu 113 km² de floresta. Os dados são da 13ª edição do “Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica”.

Foto: Pixabay

Há degradação da Mata Atlântica em Minas Gerais, no Piauí, no Paraná, na Bahia e em Santa Catarina, de acordo com o estudo. Os cinco estados caminham na contramão do restante do país. Isso porque o Brasil registrou queda de 9,3% no desmatamento deste tipo de floresta, o que representa o menor índice em 30 anos.

O desmatamento do bioma coloca em risco espécies de plantas e animais, além de ameaçar a água, já que a preservação da floresta garante a manutenção de rios e nascentes. As informações são do portal G1.

O diretor de políticas públicas da SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, afirma que os índices são inaceitáveis porque demonstram inércia na aplicação de legislações que foram feitas para proteger o bioma – já que a Mata Atlântica é a única floresta do Brasil que tem lei específica para protegê-la – e porque estão ligados à exclusão social, inclusive envolvendo trabalho escravo em muitos casos.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

As principais atividades que geram desmatamento nos cinco estados são:

Carvão

No caso de Minas Gerais e da Bahia, segundo Mantovani, ocorre a derrubada de árvores para queimar e produzir carvão.

“O problema não é só parar a atividade carvoeira, mas tem famílias que vivem disso, famílias inteiras dentro do forno [de carvão]. Teríamos que pegar a cadeia produtiva e identificar quem está por trás. É um trabalho de inteligência para realmente diminuir o desmatamento”, afirma.

Soja

No estado do Piauí, o desmatamento da Mata Atlântica está ligado a plantações de soja. As árvores são retiradas para dar lugar ao plantio do grão que, em sua maioria, é usado para alimentar animais explorados e mortos para consumo.

“Em um estado que enfrenta seca, isso fica ainda pior se pensarmos no dano às águas”, diz Mantovani.

Celulose

Araucárias estão sendo derrubadas em Santa Catarina e no Paraná para a indústria da celulose, matéria-prima do papel, conforme explica Mantovani.

Fauna e flora

Cerca de 20 mil espécies vegetais, 261 espécies de mamíferos, 200 de répteis, 370 de anfíbios, 350 de peixes e 849 espécies de aves dependem da Mata Atlântica para existir, segundo informações do Ministério do Meio Ambiente. Em 17 estados do país são encontradas formações florestais, restingas, manguezais e campos de altitude.

Foto: Tiago Lima/Olhos da Mata Atlântica

O bioma cobria originalmente 15% do território brasileiro, segundo a SOS Mata Atlântica, mas por estar presente na região onde estão os maiores municípios, atualmente há apenas 1% da mata original no país. Mais de 92% da cobertura natural já foi destruída.

O desmatamento é extremamente preocupante também devido aos animais ameaçados. A Mata Atlântica abriga o maior número de espécies que estão sob ameaça de extinção, tanto em números absolutos quanto em proporcionais à riqueza dos ecossistemas. Vivem na floresta 1.026 animais, sendo 428 endêmicos, isso é, que só existem em regiões de Mata Atlântica.

Bolsonaro proíbe Ibama de queimar veículos usados para exploração ilegal de madeira

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicou um vídeo na internet por meio do qual admitiu ter determinado a proibição de queima de veículos usados na exploração ilegal de madeira, procedimento realizado pelo Ibama previsto na legislação ambiental brasileira.

A decisão de desautorizar a ação dos fiscais do Ibama atende a um pedido do senador Marcos Rogério (DEM-RO), feito durante uma recente viagem de Bolsonaro a Macapá. O parlamentar solicitou que os fiscais fossem impedidos de destruir caminhões e tratores apreendidos nos municípios de Cujubim e Espigão D’Oeste, em Rondônia. As informações são do portal Terra.

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

No vídeo publicado na internet, Rogério pede a Bolsonaro que se posicione sobre a operação do “pessoal do meio ambiente” que destruiu caminhões e tratores na área da Floresta Nacional do Jamari, em Rondônia. O presidente, então, respondeu: “ontem, o ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente, veio falar comigo com essa informação. Ele já mandou abrir um processo administrativo para apurar o responsável disso aí. Não é pra queimar ninguém, nada né, ninguém não, nada, maquinário, trator, caminhão, seja o que for, não é esse procedimento, não é essa a nossa orientação”.

Em seguida, Rogério afirmou que a nova ordem “não significa apoiar ilegalidades, descumprir a lei, significa cumprir a lei, quem cometeu erro, que responda na forma da lei, sem destruir o patrimônio”.

Com a ordem dada por Bolsonaro, a operação do Ibama contra madeireiros ilegais, que está em andamento em Rondônia, foi desautorizada.

Ao ser procurado pelo Estado para comentar o caso, o ministro Salles disse que o governo irá editar uma instrução normativa para fazer uma alteração nas regras que autorizam a queima de equipamentos nas operações de fiscalização ambiental. “Vamos publicar uma instrução normativa para estabelecer os novos procedimentos nas operações do Ibama”, afirmou.

Escavadeira de garimpo é destruída pelo Ibama dentro da Terra Indígena Parque do Aripuana (MT) (Foto: Fabiano Maisonnave/Folhapess)

Na última semana, mudanças foram feitas no Decreto 6.514, de 2008, que aborda infrações ambientais, mas sem alterar o artigo 111, que permite a destruição e inutilização de instrumentos usados em infrações ambientais. A norma determina que a destruição é permitida quando “a medida for necessária para evitar o seu uso e aproveitamento indevidos nas situações em que o transporte e a guarda forem inviáveis em face das circunstâncias” ou “possam expor o meio ambiente a riscos significativos ou comprometer a segurança da população e dos agentes públicos envolvidos na fiscalização”.

O Ibama tem destruído equipamentos em operações ambientais há dez anos. Nesse período, nenhum proprietário dos itens destruídos entrou na Justiça contra o órgão. Esse procedimento, no entanto, é feito em cerca de 2% das operações, geralmente em áreas protegias da Amazônia, onde não há logística para a retirada do material apreendido. No caso de Rondônia, a decisão de destruir tratores e caminhões foi tomada por causa das más condições dos veículos e a localização remota, o que geraria riscos para a segurança não só dos agentes e policiais, mas também dos criminosos.

Ataques a fiscais do Ibama

As críticas de Bolsonaro contra a operação realizada em Rondônia têm causado temor, segundo informações divulgadas pela Folha de S. Paulo. A preocupação é devido à possibilidade do posicionamento do presidente incentivar ataques de infratores ambientais contra servidores do Ibama, que permanecem realizando ações de fiscalização em Cujubim, onde está localizada a Floresta Nacional (Flona) do Jamari, em Rondônia, local onde veículos foram recentemente destruídos.

População local do sul do Amazonas incendeia sede do Ibama (Foto: Lalo de Almeida/Folhapess)

Desde a eleição de Bolsonaro, os ataques contra o Ibama e o ICMBio, que já aconteciam na Amazônia, ganharam força. Isso porque o presidente é crítico dos órgãos ambientais, aos quais atribui a responsabilidade por promover uma “indústria da multa” contra produtores rurais e empresários.

Durante a campanha presidencial, Bolsonaro afirmou, durante visita à Rondônia em agosto, que o estado tem um excesso de unidades de conservação e de terras indígenas. “Aqui em Rondônia são 53 unidades de conservação e 25 terras indígenas. É um absurdo o que se faz no Brasil, usando o nome ambiental”, disse.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Uma publicação compartilhada por Marcos Rogério (@marcosrogeriooficial) em

//www.instagram.com/embed.js