Em um período de graves retrocessos na história do país, o tema direitos animais nunca foi tão urgente e necessário e essa é a proposta do curso de extensão Direito Animal ministrado pelo Me. Yuri Fernandes de Lima, professor do curso de Direito da Faculdade Social da Bahia. As inscrições para o curso, que teve inicio dia 13 de abril, infelizmente já estão encerradas, mas ainda é possível desfrutar de uma iniciativa incrível que começou com ele: a extensão do atendimento no Núcleo de Práticas Jurídicas para problemas jurídicos envolvendo o direito e a proteção animal em Salvador, capital baiana.
Em entrevista à ANDA, Yuri conta que abordar a temática direitos animais no curso de Direito é uma importante ferramenta de conscientizar sobre este assunto tão importante. “É um tema atual e urgente, que não pode mais ficar de fora de nossos horizontes acadêmicos e reais. A sociedade está cada vez mais atenta a este assunto, os tribunais têm cada vez mais reconhecido os direitos animais, as universidades têm inserido a disciplina em seus cursos de graduação e pós-graduação. É preciso reconhecer a mudança paradigmática em curso”, disse.
Segundo Yuri, o Núcleo de Prática Jurídica (NPJ) tem como objetivo prestar orientação jurídica à população de baixa renda quanto à legislação e às instâncias jurídicas para a garantia de direitos ao mesmo tempo em que complementa a formação do estudante, a partir do viés prático. A princípio, o NPJ pode prestar orientação jurídica quanto à legislação e às instâncias jurídicas para a garantia dos direitos animais, realização de mediação de conflitos e formalização de acordos em brigas de vizinhos e questões relacionadas à animais em condomínios e guarda de animais em caso de separações e divórcios, além de elaboração de representações ao Ministério Público em caso de maus-tratos aos animais.
Iniciativas como a acolhida pela FSBA são fundamentais para a representatividade da proteção animal na Justiça brasileira, que, para Yuri, está dando alguns passos em consonância com as transformações mundiais. “O direito animal tem tido grande avanço na Jurisprudência brasileira, em todas as instâncias. Em primeira instância, temos visto muitas decisões que consideram os animais como sujeitos de direito, como decisões sobre a guarda compartilhada de animais de companhia, decisões liminares nos casos de exportação de gado vivo e de abate de jumentos, por exemplo. Nas Cortes Superiores, temos tido decisões emblemáticas também, como na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4983, que declarou inconstitucional a vaquejada (STF), e, mais recentemente, no Recurso Especial (REsp) 1.797.175, sobre guarda de animais silvestres (STJ)”, concluiu.
Serviço
Núcleo de Práticas Jurídicas da FSBA
Rua Senta Púa, nº 191 – Ondina – Atrás do Colégio ISBA, ao Lado do Prédio de Fisioterapia da Faculdade Social da Bahia.
Telefone: (71) 4009-2933
Quinzenalmente às quintas-feiras de 13h às 17h.
O ex-policial e ativista ao lado de sua esposa | ARLEN REDEKOP / PNG
Na aposentadoria, o cabo veterano da polícia mudou seu foco e passou a defender os direitos animais, que agora o colocam regularmente do outro lado das linhas de frente de protesto e, ocasionalmente, atrás de uma máscara de Guy Fawkes, símbolo de rebelião e luta, muito utilizado em manifestações por ativistas.
Na última década, Moskaluk, de 56 anos, era porta-voz para o público do departamento de polícia de British Columbia no Canadá -Distrito Sudeste da RCMP. Ele se aposentou em 30 de janeiro de 2019, depois de mais de 33 anos servindo na força policial.
No domingo, ele se juntou a ativistas dos direitos animais em um protesto em uma fazenda de porcos em Abbotsford cidade no Canadá, onde vestiu uma camiseta “Meat the Victims” e usou suas habilidades e antecedentes para se relacionar com a mídia e a polícia e ajudar a garantir a segurança dos animais e dos manifestantes fora da fazenda.
Protestantes se reuniram na Fazenda Excelsior Hog depois que a PETA divulgou um vídeo na semana passada que afirmava ter sido filmado lá. As imagens mostram filhotes de porcos mortos entre os animais vivos, assim como porcos adultos com deformações tumores e ferimentos.
“Eu estive em ambos os lados das linhas de protesto, e dado o que vi ontem acho que não poderíamos ter pedido um cenário muito melhor para realizar o que queríamos fazer, que era essencialmente puxar o véu que cobria as atrocidades praticadas por uma indústria que é representada por esta fazenda, para mostrar ao público as condições em que esses animais estão sendo criados antes de serem mortos”, disse Moskaluk.
O ativismo de Moskaluk não veio da noite para o dia.
Sua esposa, Sheanne, 55, mudou para uma alimentação baseada em vegetais, em 2011, depois de pesquisar um suplemento de musculação para o filho e aprender sobre alguns riscos à saúde em consumir carne e laticínios.
Em 2013, aos 51 anos de idade, Moskaluk foi diagnosticado com câncer renal no estágio 4 e o médico disse que ele poderia morrer dentro de alguns meses. Naquele dia, ele também completou sua mudança definitiva para uma alimentação baseada em vegetais.
O ativista duas semanas antes de se aposentar | COURTESY DAN MOSKALUK / PNG
Ela conta que a mudança ajudou-a a perder mais de 50kg. Já ele diz acreditar que a mudança foi um fator-chave em sua recuperação e o policial aposentado está livre do câncer desde 2015.
O casal Naramata, casados desde 1989, participou de um documentário de 2016 chamado “Eating You Alive”, que explora o impacto de uma alimentação baseada em vegetais e alimentos integrais em condições crônicas de saúde.
Conhecidos como os “Indian Rock Vegans” nas mídias sociais, eles também compartilharam sua história com milhares de pessoas através de seus posts e como palestrantes voluntários em festivais e conferências.
Mas pouco se sabia sobre o ativismo deles na raiz.
Moskaluk disse que há “três portas” pelas quais uma pessoa normalmente entra no estilo de vida vegano: saúde, direitos animais ou preocupações ambientais.
Ele e sua esposa gravitaram em direção ao movimento como “cidadãos preocupados”, mas em pouco tempo começaram a estudar o impacto da indústria de alimentos na exploração animal e na mudança climática, disse ele.
Enquanto se recuperava do câncer, Moskaluk passava seus dias em seu iPad lendo sobre o veganismo e encontrando pessoas que pensavam da mesma maneira online.
Eventualmente, o casal conectou-se com uma rede de Britsh Columbia de ativistas dos direitos animais.
Em 10 de junho de 2017, eles fizeram parte da Marcha de Vancouver para Fechar Todos os Matadouros, sua primeira vez fazendo ativismo pessoalmente. Moskaluk, ainda membro da polícia, sentiu-se obrigado a falar no evento e pediu a um organizador dois minutos para compartilhar sua história com centenas de pessoas que estavam do lado de de fora da Vancouver Art Gallery.
“Como policial, eu só estive do lado de lá da linha de protesto, agindo em defesa da segurança e da ordem pública”, disse ele. “Avançando para 2017 e eu estou lá com esse grupo de ativistas nesses degraus, e todos nós sabemos o que isso simboliza. Foi um discurso bastante emotivo que eu dei e me senti muito bem”.
Depois ele agradeceu aos policiais de Vancouver que estavam fazendo a guarda do evento um deles o reconheceu e sabia de sua história, ele disse.
Os Moskaluks são agora membros do grupo Okanagan do The Save Movement, que trabalha para “aumentar a conscientização sobre a situação dos animais de criação, para ajudar as pessoas a se tornarem veganas e para construir um movimento de justiça animal popular e que que atinja as massas”.
O casal participa do “Cubo da Verdade” com o grupo pró-vegano Anonymous for the Voiceless. O grupo ativista de rua, que mantém uma postura abolicionista contra a exploração animal, faz campanha pacífica enquanto usa máscaras de Guy Fawkes e exibe vídeos de matadouros ao público.
Os Moskaluks juntaram-se às “vigílias” fora dos matadouros em toda a América do Norte, onde os ativistas param os caminhões de entrega para confortar os animais dentro. Eles fotografam, filmam e dão água aos animais, muitas vezes com a cooperação de motoristas, operadores de matadouros e policiais, disse ele.
“Não é para atrasar, desligar ou causar tristeza à operação, mas apenas para transmitir dois minutos de amor e compaixão a um animal que está prestes a entrar em um matadouro e a ser morto”, disse Moskaluk.
Os movimentos a que eles se juntaram não são agressivos e não são do tipo que empurram suas mensagens goela abaixo das pessoas, disse ele.
“Não se trata de violência”, disse ele. “Na verdade, o que todos vêem e sabem é que vivemos em uma sociedade de violência normalizada. O que estamos tentando alcançar é conscientizar as pessoas de que precisamos viver em uma sociedade de não-violência normalizada – e que a não-violência começa no seu prato”.
Mas ele reconhece que pode ser surpreendente para alguns membros do público e também da polícia saber de suas atividades recentes.
Moskaluk estava na linha de frente dos protestos da APEC em 1997 durante o infame “Sgt. Pepper “, onde um policial montado foi flagrado em vídeo jogando spray de pimenta em estudantes que faziam parte da manifestação
Ele tem visto a polícia no seu melhor e pior em protestos, mas está preocupado que os manifestantes dos direitos animais sejam tratados de forma diferente dos outros grupos, com algum preconceito e desdém, disse ele.
Ele reconhece que os ativistas podem ir longe demais.
Mas um policial deve ocupar a linha de protesto? Moskaluk fez isso por 19 meses.
Ele foi verdadeiro e transparente com a polícia sobre isso, ele disse.
Na semana em que ele se aposentou, no entanto, a força enviou uma nota informativa aos policiais sobre a escalada do ativismo pelos direitos animais na província, particularmente no Okanagan, disse ele. Isso fez com que seus ex-colegas soubessem de um “membro regular recém-aposentado” se organizando com um dos grupos.
“Participamos de uma ampla variedade de ativismo e exercemos nosso direito legal e constitucional de fazer isso”, disse Moskaluk. “Eu não me conduzi de nenhuma maneira ilegal ou cometi delitos criminais, e estamos fortemente envolvidos neste ativismo para avançar e não retroceder.”
Moskaluk disse que recentemente começou a fazer apresentações informais a outros ativistas. Ele ensina como o Código Penal pode ser aplicado a eles, mas também sobre como a polícia deve se comportar durante um protesto.
“Minha observação e opinião humilde é que nossas forças policiais não têm uma visão de todo o espectro dos movimentos de ativismo pelos direitos animais”, disse Moskaluk.
“Eles estão baseando-o (suas estratégias) em duas coisas – o que viram no passado distante, porque era isso que era mais coberto pelas notícias – Animal Liberation Front, décadas atrás. Já faz um tempo desde que vimos pessoas quebrando um laboratório de testes em animais ou incendiando uma instalação”
Moskaluk disse que o ativismo de sua esposa é compassivo e baseado no amor.
Eles não têm má vontade em relação aos agricultores e pecuaristas, mas acreditam que eles devem ser encorajados e apoiados a se mudar para a agricultura baseada em vegetais, disse ele.
O ativista vê o sucesso dos restaurantes de Vancouver, Heirloom, Meet e The Acorn, a popularidade do Beyond Meat Burger em A & W, e os seguidores e frequentadores maciços de locais veganos como Erin Ireland como provas concretas de que as dietas baseadas em vegetais não são mais uma moda passageira”.
Moskaluk e sua esposa planejam continuar seu trabalho de divulgação e ativismo, para que outros possam ser encorajados a conhecer e considerar como a ingestão de produtos animais afeta o mundo ao seu redor.
“Queremos deixar um planeta para nossos filhos e seus filhos”, disse ele.
“Temos um período de tempo muito curto para mudar as coisas, considerando a ameaça existencial que enfrentamos com a mudança climática e o meio ambiente”, conclui ele.
Os críticos destacam que é possível perceber que o animal foi colocado na arena contra a sua vontade, senão ele não fugiria (Imagem: Reprodução/YouTube)
Desde ontem, ativistas dos direitos animais de diversas regiões do Brasil estão criticando nas mídias sociais a “pega do porco” realizada durante a Festa do Trabalhador, que reuniu mais de três mil pessoas em São Pedro do Ivaí (PR).
No vídeo disponibilizado na íntegra no YouTube, e compartilhado pelo movimento Nação Vegana Brasil, é possível ver uma arena de madeira, com o interior cheio de lama, e os participantes perseguindo um leitão, que faz o máximo que pode para evitar ser agarrado pelos atacantes. Na prática considerada “tradicional”, o vencedor é aquele que conseguir pegar o animal em menos tempo.
Os críticos destacam que é possível perceber que o animal foi colocado na arena contra a sua vontade, e apontam que a gritaria do público, a narração do locutor e outros barulhos acabam por amedrontar ainda mais o porco, que faz o que pode para tentar escapar.
Além disso, os defensores dos animais frisam que a festa popular, realizada pela Prefeitura de São Pedro do Ivaí no Estádio Natal Breda, é destinada à família, o que significa que crianças também são motivadas a participarem do festejo e a acharem normal a perseguição de um porco apenas por diversão – ainda que este animal demonstre não estar nada satisfeito em estar ali.
A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) proferiu uma decisão controversa na última segunda-feira (29). Sob a alegação de estar garantindo os direitos e a dignidade de um papagaio, a corte decidiu pela permanência do animal em cativeiro, o que contraria as necessidades básicas da espécie, que precisa viver em liberdade, no habitat.
Foto: Pixabay
O papagaio foi retirado da guarda de Maria Angélica Caldas Uliana após serem constatadas condições de maus-tratos na casa onde ele era mantido, em Ubatuba, no litoral de São Paulo. O Ibama, no entanto, não tem infraestrutura para garantir o bem-estar de Verdinho, como é chamada a ave. Diante disso, a tutora acionou a Justiça, que concedeu a guarda provisória do animal a ela até que o órgão conseguisse abrigar o papagaio adequadamente.
Devido ao estado da gaiola em que vivia o papagaio e ao risco que ele corria de morte caso os tutores se ausentassem, Maria foi multada por maus-tratos. Um laudo veterinário atestou que ela não tinha condições de manter a ave. Ao recorrer na Justiça, ela apresentou novo documento por meio do qual afirma que pode oferecer boas condições para o animal. As informações são do portal R7.
Mesmo diante da possibilidade do papagaio ter sido vítima do tráfico, e sabendo que ele viverá aprisionado em cativeiro, o STJ concedeu à Maria a guarda definitiva do animal. O ministro Og Fernandes alegou que a espera e indefinição do encaminhamento do papagaio ao Ibama causaria sofrimento emocional ao animal e à tutora. “Impõe o fim do vínculo afetivo e a certeza de uma separação que não se sabe quando poderá ocorrer”, afirmou o ministro.
Ao invés de exigir que o Ibama se adeque às necessidades da ave, para poder reabilitá-la e devolvê-la à natureza, o STJ estabeleceu regras para que Maria permaneça com o animal. Ela terá que receber visitas semestrais de veterinários especialistas em animais silvestres, que deverão ser comprovadas documentalmente, e se submeter a uma fiscalização anual para verificar as condições do recinto da ave.
Para justificar a decisão tomada pela corte, Fernandes afirmou que existe um novo conceito de dignidade “intrínseco aos seres sensitivos não humanos, que passariam a ter reconhecido o status moral e dividir com o ser humano a mesma comunidade moral”. Segundo ele, animais não devem ser tratados como coisas, como demonstrou acontecer em partes do Código Civil.
O ministro disse ainda que há uma incongruência nos trechos do Código Civil que tratam os animais como coisas em relação à Constituição, já que ela “coloca os demais seres vivos como bens fundamentais a serem protegidos”. Afirmou também que esse tratamento dificulta a mudança na visão humana no que se refere aos direitos animais.
“Essa objetificação acaba por dificultar a mudança de paradigma com relação aos seres não humanos, para que passem de criaturas inferiorizadas à portadoras de direitos fundamentais de proteção”, afirmou.
Fernandes também reproduziu um trecho da Constituição da Bolívia, sobre cumprir o mandato com os povos por meio da força da “Mãe Natureza” e reiterou que é preciso que “esses seres vivos não humanos deixem de ser apenas meios para que a espécie humana possa garantir a sua própria dignidade e sobrevivência”.
O posicionamento do ministro, no entanto, é contraditório, já que usa da premissa dos direitos animais para reforçar uma situação de exploração e crueldade promovida contra uma ave. A própria objetificação criticada por Fernandes é reforçada por ele ao permitir que um ser vivo continue a viver aprisionado, dentro de uma gaiola, para atender aos desejos do ego humano.
Com o objetivo de unir as lutas pelos direitos dos animais e das mulheres, e também abordar temas relativos aos trabalhadores, surgiu o coletivo Feminivegan. Através das redes sociais, o grupo dissemina informações para conscientizar a população. Para explicar melhor a proposta do Feminivegan, o coletivo deu uma entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.
Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan
ANDA: Há quanto tempo o coletivo existe e como surgiu a ideia de criá-lo?
Feminivegan: O coletivo existe desde 11 de março de 2018. A ideia surgiu depois que Ana Motha sentiu a necessidade de trazer mulheres feministas para o veganismo, de mostrar para as pessoas que é possível, que é acessível e que pessoas periféricas podem ser veganas. O veganismo sempre foi um movimento político, sempre teve um viés anticapitalista. Mas com o passar dos anos, com o avanço do liberalismo, de ONGs neoliberais bem-estaristas, foi perdendo a essência e se tornando uma dieta da moda.
ANDA: Há uma relação entre os direitos dos animais e das mulheres que levou a junção das duas causas no coletivo? Se sim, qual?
Feminivegan: Sim, o fato de que toda a indústria que explora os corpos dos animais é sustentada pelo corpo de uma fêmea não humana, com inseminações artificiais, por exemplo. Como nossa capacidade reprodutiva é controlada, como no caso das mulheres que trabalham no setor frigorífico, que muitas vezes têm gestações controladas, para não atrapalhar a produção. Para nós, os direitos animais andam de mãos dadas com os direitos humanos, ou derrubamos o capitalismo e libertamos todos, ou nada mudará.
ANDA: Quantas pessoas integram o feminivegan? Vocês costumam se reunir para debater temas relativos ao coletivo?
Feminivegan: Atualmente, não temos um número certo. Passamos por uma “reforma”, e agora, estamos em fase de formação de novas integrantes, que ainda não são consideradas membros do Femini. No total, são 69 mulheres no grupo de formação. Sim, nos reunimos e realizamos oficinas de militância.
Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan
ANDA: O que é o “ecofeminismo”?
Feminivegan: O Ecofeminismo é a quinta corrente apontada por Karen Warren, no final da década de 80 do século XX, ou o que ela chama de feminista transformativa, enfatizando as diferentes conexões entre a opressão exercida pelos homens sobre a natureza (naturismo) e a opressão exercida pelos homens sobre as mulheres (machismo).
Referência: A perspectiva ecoanimalista feminista antiespecista, Sônia Teresinha Felipe.
ANDA: O trabalho desenvolvido pelo coletivo nas redes sociais tem sido bem aceito?
Feminivegan: Sim, recebemos muitas mensagens de apoio e de interesse em participar do coletivo.
ANDA: Quais temas são debatidos pelo coletivo no Instagram?
Feminivegan: Direitos animais, direitos das mulheres e da classe trabalhadora.
ANDA: Além das redes sociais, vocês atuam de alguma outra forma?
Feminivegan: Passamos por uma “reforma” para que isso aconteça. Desde a criação do coletivo, nossa intenção era levar o veganismo para as ruas, para as periferias. Agora, com tudo resolvido, pretendemos realizar trabalhos voluntários em escolas e com pessoas em situação de rua.
Foto: Reprodução / Instagram / @feminivegan
ANDA: Como vocês se sentem estando à frente deste projeto?
Feminivegan: Nos sentimos felizes, fazendo o que muitas mulheres fortes fizeram no passado, mas que não tiveram tanto espaço. Esperamos fazer a diferença, sair do discurso e mudar a vida de muitas pessoas.
ANDA: De que forma um coletivo que une os direitos das mulheres aos dos animais em uma luta única traz benefícios para a sociedade?
Feminivegan: O Femini além de defender os direitos dos animais e das mulheres, é anticapitalista. Acreditamos que libertar animais não humanos, sem uma mudança no sistema não resolve os problemas do mundo. Atualmente, temos um governo amparado pela bancada ruralista, que além de explorar animais humanos e não humanos, nos envenena dia a dia com milhares de agrotóxicos, por exemplo. Ou seja, libertar animais considerados de produção, sem libertar os trabalhadores, sem libertar humanos, não muda nada. Por isso, lutamos por soberania alimentar para a classe trabalhadora, lutamos pelo direito das pessoas escolherem o que querem comer, mas sabendo de tudo que envolve aquele alimento. A classe trabalhadora conscientizada tem nas mãos o poder de libertar os animais, parando a produção dos frigoríficos, parando o transporte dos animais, etc. Esse é o nosso trabalho na sociedade, fazer as pessoas despertarem!
Se as pesquisas e os especialistas estiverem corretos, o partido Vox da Espanha alcançará seu tão profetizado avanço nas eleições gerais de domingo, tornando-se o primeiro grupo de extrema direita a conquistar mais de um assento no parlamento espanhol desde que o país embarcou em seu retorno pós-Franco à democracia.
Embora as chances da Vox de atrair cerca de 11% dos votos tenham ocupado as manchetes, outra pequena parte – com uma visão de mundo marcadamente diferente – também está se preparando para um dia histórico nas urnas.
O partido pelos direitos animais, Pacma, fundado há 16 anos com o objetivo de pôr fim às touradas, pode ganhar dois assentos no congresso dos deputados, segundo a mais recente pesquisa do Centro de Estudos Sociológicos (CIS) do país.
Com o avanço iminente do Vox, a chegada do Pacma na arena da política nacional teria sido extraordinariamente improvável até poucos anos atrás.
O partido ambientalista espanhol, Equo, conseguiu três cadeiras no parlamento nas eleições gerais de 2015, mas somente depois de entrar para a coalizão liderada pelo partido Poyo anti-austeridade.
A líder do Pacma, Silvia Barquero, atribui o ímpeto repentino do partido aos anos de trabalho duro, mudanças demográficas e uma crescente conscientização dos direitos animais e do ambientalismo na Espanha.
Silvia Barquero líder do partido PACMA | Foto: PACMA/Flickr
“Mais e mais pessoas estão confiando em nós como um grupo político”, disse ela. “Se conseguirmos ganhar duas cadeiras, vamos fazer história no país onde as touradas acontecem e onde as pessoas ainda abandonam e enforcam galgos. Esta é uma imagem muito prejudicial para o país”.
O Pacma, que se opõe à caça e à pesca esportiva, também quer ver o fim dos circos, shows aquáticos e “o uso de animais, vivos ou mortos, em qualquer tipo de espetáculo, tradição ou festival”.
O partido Vox e o conservador Partido do Povo (PP) tomaram o rumo oposto, colocando toureiros e a viúva de um toureiro morto numa tourada há três anos, como candidatos, e procurando se retratar como guardiões das tradições rurais da Espanha.
Mas Barquero acredita que mais e mais espanhóis estão passando a rejeitar as touradas e “não se sentem capazes de se identificar com um país que vê o espetáculo de horror como uma celebração nacional”.
Ela acrescentou: “Há uma nova geração de pessoas que estão preocupadas com os animais e com o meio ambiente além de terem uma compreensão de justiça social que vai muito além do que você vê na política espanhola no momento”.
O partido, que também deve ganhar seus primeiros assentos no Parlamento Europeu nas eleições do próximo mês, sua votação aumentou de 44.795 em 2004 para 286.702 nas eleições gerais de 2016. Desta vez, espera conseguir cerca de meio milhão de votos.
Barquero diz que a segunda prioridade do Pacma depois do bem-estar animal é proteger o meio ambiente e introduzir “medidas drásticas e imediatas” para combater a mudança climática.
Ela diz que nunca houve uma forte tradição de partidos ambientais na Espanha, e argumenta que o partido Equo foi “totalmente neutralizado” depois de unir forças com o Podemos.
Mas ela insiste que as questões ambientais são urgentes demais para serem ignoradas ou abordadas com soluções políticas de ação rápida.
“Precisamos de medidas globais que vão muito além das soluções locais ridículas que os partidos políticos comentam durante as campanhas eleitorais”, disse ela.
Militantes do partido PACMA | Foto: PACMA/Flickr
“Eles estão apenas pensando na próxima eleição – não sobre as consequências de suas decisões políticas para as gerações que se seguirão.”
Por muito tempo, disse ela, os partidos políticos espanhóis procuravam formar capital político para além da crise da independência da Catalunha e disputas entre “tensões e conversas sobre fronteiras e bandeiras”.
“As pessoas estão doentes e cansadas da situação política na Espanha – que não está indo a lugar nenhum – e da falta de autenticidade de seus políticos”, disse Barquero.
“Estamos tristemente acostumados com a ideia de que um político diz uma coisa e depois faz o contrário aqui. [Mas] há uma nova geração que está em sintonia com os valores do Pacma. São jovens entre 18 e 35 anos. A maioria dos nossos eleitores são mulheres nessa faixa etária”.
Ela deixou claro que o compromisso do Pacma com o bem-estar animal e o meio ambiente estava evidente pelo fato de que seus líderes e porta-vozes serem todos veganos.
“Acreditamos que a produção de carne é uma das principais ameaças ao planeta quando se trata de mudança climática – e estamos pessoalmente comprometidos em fazer algo a respeito”, disse ela.
“Essa é a melhor maneira de mostrar que estamos do lado do meio ambiente e das pessoas”.
Barquero diz que toda a filosofia do Pacma é baseada na empatia e minimização do sofrimento e da desigualdade.
O partido está envolvido em um debate interno sobre o aborto e o ponto em que os fetos começam a sentir dor.
“Não há debate ético sobre o sofrimento quando alguém tem apenas duas células, mas quando o feto tem o estímulo nervoso para sentir e sofrer”, disse ela.
“Estamos muito interessados em saber, cientificamente, em que ponto exato isso acontece. Para nós, é aí que o limite deve ser e após o qual o aborto não deve ser permitido. É eticamente inaceitável”.
Barquero descreve o Pacma e o Vox como opostos completos – “somos tão diferentes quanto a noite e o dia” – mas reconhece que sua existência ajudará os eleitores a fazer uma escolha clara no domingo.
“Mais e mais pessoas não querem ser associadas às touradas e à caça, que, como o resto do que Vox está propondo, fazem parte do nosso passado. O Vox viu que somos uma ameaça e vem dizendo exatamente o oposto do que temos dito: “Vamos defender a caça! Nós vamos defender as touradas! ‘”
As pesquisas sugerem que o Partido dos Trabalhadores Socialistas Espanhóis (PSOE) vencerá a maioria dos votos – 29,2% -, mas fica bem aquém da maioria total. O PP terá 20,1%, segundo as pesquisas; o Cidadão de Centro-Direita 15,5%; o Podemos 13,6% e o Vox 10,7%.
Barquero disse que seu partido apoiaria “um governo progressista” liderado pelo PSOE, mas que seu apoio dependeria da consideração dos socialistas em relação às propostas do Pacma para acabar com os maus tratos aos animais na Espanha.
“Eu me sinto envergonhada que pessoas em outros países vejam a Espanha como o país das touradas – isso precisa ser eliminado da imaginação coletiva, já que está causando muito prejuízo ao país”, disse ela.
O Dia da Educação, celebrado em 28 de abril, foi criado para lembrar da importância da educação para a construção de valores essenciais para a sociedade. Dentre esses valores, estão os direitos animais, que devem ser vistos como questão primordial a ser debatida para a garantia de um mundo mais justo e ético.
Foto: Pixabay
A conscientização sobre os direitos animais é uma forma de mudar a maneira como os animais são vistos pela sociedade, combater casos de maus-tratos e reforçar a premissa de que todo ser vivo deve ter resguardados os direitos invioláveis à vida e à integridade física.
Na sociedade atual, números alarmantes de negligência, abuso e abandono de animais domésticos são registrados. E se esses animais, que são amparados pela lei, sofrem tanto, o que dizer daqueles que não tem respaldo algum na legislação? Bois, porcos, vacas, pintinhos, galinhas, peixes, e tantos outros são diariamente explorados, torturados e mortos. Segundo dados do IBGE, um boi, um porco e 180 frangos são assassinados por segundo no Brasil para atender ao paladar humano.
Para mudar esse cenário, a educação é o caminho. Somente através dela é possível mudar o tratamento dado pelas pessoas aos animais, mostrando a elas que vidas não devem ser hierarquizadas entre de maior e de menor valor e que qualquer animal, independentemente da espécie, merece respeito.
É necessário lembrar também que a construção de uma sociedade que protege todos os animais é benéfica não só para eles, mas também para os próprios seres humanos. Isso porque a defesa de valores como a empatia e a compaixão contribuem para a evolução social, tornando o convívio humano mais saudável e criando um mundo mais compassivo.
Os atores Mário Goes e Lisandro Leite, o diretor Arthur Haroyan, a atriz Júlia Marques e a cadelinha Nala que ainda não foi adotada
Depois de estampar as notícias diariamente, dominar as artes em seus diversos segmentos e virar pauta da política, a causa animal ganha no dia 1º de maio um palco de teatro. A peça Benjamin estará no Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação) todas as quartas-feiras de maio às 21h. A doação de um quilo de ração dá direito a meio ingresso e, ao final de cada espetáculo, um cãozinho para adoção é apresentado ao público.
A peça é a terceira do Grupo ARCA, criado pelo artista armênio Arthur Haroyan, e conta a história de Benjamin (Mário Goes), vira-lata que promove mudanças profundas na vida de Berta (Júlia Marques), mulher que o adota após ser traída pelo marido, Nöah (Lisandro Leite), durante sua lua de mel em Istambul (Turquia).
Alguns dos temas discutidos na peça são a falta de leis de proteção animal, precariedades dos abrigos e questões como abandono, eutanásia, sacrifício e qualidade de vida dos animais. Benjamin sofre questões ligadas à indiferença do ser humano, tornando-se assim um representante de vários outros animais que passam por situações semelhantes.
A inspiração surgiu a partir de Raffí, cachorro de Arthur que morreu no ano passado: “Raffí era um akita. Ganhei ele ainda bebê, me apaixonei à primeira vista. Ele tinha um comportamento de gato e, já que agia como um gato, entendi que meu filho nasceu no corpo errado. Então deixei ele ser um gato, mas eduquei como um humano. Era reconhecido como o cachorro mais elegante do Brooklin pelos pedestres do bairro onde eu morava na época. Ninguém passava indiferente. Os vizinhos comparavam o caminhar dele com o jeito de desfilar da Gisele Bündchen”.
Sobre o tema da peça o diretor diz: “Quis escrever algo sobre causa animal por conta das muitas maldades que os humanos causam aos bichos. No meio das minhas pesquisas, Raffí adoeceu de câncer. Quis fazer uma homenagem a ele e outros peludos, então viajamos juntos, longe da loucura da cidade. Eu era o humano mais feliz do mundo porque ele estava sempre ao meu lado me inspirando. Mas Raffí não esperou eu finalizar o texto e morreu apesar de todos os tratamentos tradicionais e alternativos que tentamos”.
Arthur descreve a dor de perder seu companheiro: “Ele se foi em menos de um mês. Uma parte de mim se foi junto, para sempre! Aqueles dias foram os piores da minha vida, mais do que ficar sob os escombros do terremoto de 1988, na Armênia, ou servir no exército russo enquanto um sniper turco mirava a minha cabeça. A ferida é recente e dói ainda. Fiz uma tatuagem grande com o rosto dele no meu peito, na altura do coração. Mas quando você acha que está no fundo do poço vem a arte para te salvar”.
A peça Benjamin tem ambientação inspirada nos anos 40, com referência ao cinema mudo, à filmografia de Charlie Chaplin e a estrutura do jogo de xadrez, com peças brancas e pretas que se colidem e se misturam durante a partida. “O cenário é composto por muitos elementos geométricos e brancos, que vão tomando outras cores após a entrada de Benjamin e mudam novamente depois do retorno de Nöah”, conta Arthur. O dramaturgo explica que a chegada de Nöah “suja” o ambiente, como se ele trouxesse uma atmosfera venenosa e pesada a um espaço que havia sido colorido por Benjamin.
A primeira temporada do espetáculo, em janeiro deste ano, arrecadou 200 quilos de ração e conseguiu adoção para cinco cães.
Sobre o Grupo ARCA
Benjamin é o terceiro espetáculo do grupo ARCA, coletivo de pesquisas artísticas criado em 2011 por Arthur Haroyan. O nome do grupo é inspirado na história bíblica da Arca de Noé. O primeiro espetáculo, “1915”, foi baseado na história dosbisavós de Arthur e se ambientava no período do genocídio armênio. “Fora Desse Mundo”, segunda peça do grupo, foi escrita a partir de uma viagem de Arthur às montanhas de Cáucaso, também na Armênia, onde o artista teve contato com diversas comunidades isoladas do restante do mundo.
Ficha Técnica
Dramaturgia, direção e cenário: Arthur Haroyan. Assistente de direção: Gu Freitas. Elenco: Mário Goes, Júlia Marques e Lisandro Leite. Preparação Corporal: Sidnei Araújo. Figurinos e adereços: Willian Gama e Grupo ARCA. Caracterização: Carol Rossi. Preparação Vocal e Fonoaudióloga: Marília Marques Ramos. Criação de Luz: Georgia Ramos. Composições e Interferências Sonoras: Arthur Haroyan. Hidden Track: Linda Geyman (Rússia). Cenotécnicos: Alfredo Wagner Filho e Rodrigo Briones. Fotografia: Leonardo Santos (Estúdio Meu Ensaio Fotográfico). Arte Gráfica: Rodrigo Briones. Arte das Camisetas e Canecas: Vicente Pavone. Vídeo: Rodrigo Briones, Wellington Oliveira (Videoimagem). Assessoria de Imprensa: Ensaio Comunicação. Duração: 80 minutos. Classificação Indicativa: 12 anos.
Serviço
Benjamin – De 1º a 29 de maio, quartas-feiras, às 21 horas.
Local: Espaço Parlapatões (Praça Franklin Roosevelt, 158 – Consolação)
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Quem doar 1 Kg de ração, tem direito a pagar meia-entrada. Vendas online: https://www.sympla.com.br/benjamin
*Fátima ChuEcco é jornalista ambientalista e atuante na causa animal
O guitarrista e compositor britânico Brian May, da lendária banda de rock Queen, publicou esta semana no Instagram uma foto do seu par de calçados veganos da marca italiana Yatay. Ele deixou claro que realmente não faz muito sentido um ativista dos direitos animais usar calçados com matéria-prima de origem animal.
“Prefiro ser lembrado por acelerar o fim da crueldade contra os animais” (Fotos: Brian May/Instagram
May elogiou a Yatay e disse que pretende incorporá-los às apresentações da sua nova turnê. E visando estimular 1,6 milhão de fãs a optarem por produtos veganos, declarou:
“Não é preciso ser vegano para comer comida vegana ou comprar coisas veganas. Mas toda vez que você investe em produtos veganos, você investe na saúde do planeta e nos animais que vivem nele, incluindo nós mesmos.”
Há alguns anos, o jornal britânico Sunday Express publicou um artigo intitulado Why I have to speak for the Animals (Por que eu tenho que falar pelos animais). No texto assinado por Brian May, ele enfatiza que prefere ser lembrado por ajudar a diminuir a crueldade contra os animais:
“Alguém me perguntou recentemente como eu gostaria de ser lembrado. We Will Rock You? Tocando no Palácio de Buckingham? Eu disse, dada a escolha, que prefiro ser lembrado por acelerar o fim da crueldade contra os animais e por ter semeado as sementes de verdadeiro respeito em relação a maneira como tratamos todas as criaturas. Parece uma mudança radical de carreira para mim, não é?”
E acrescenta: “Meu amor pela música é inabalável, juntamente com meu amor pela astrofísica, estereoscopia e Photoshop, mas o meu amor pelos animais me levou a deixar a minha guitarra em segundo plano para tentar dar voz aos animais. Então, diariamente, me torno impopular com várias pessoas, que ainda acreditam que os animais foram colocados na Terra para serem usados e abusados pelos seres humanos. Humano é o nome que damos a nós mesmos, e há um adjetivo derivado disso, implicando compaixão, sensibilidade e justiça: a palavra “humano”.
Em consulta pública criada no site do Senado a população está se manifestando mais contra do que a favor do PLS 631/2015, que institui o Estatuto dos Animais e altera a redação do artigo 32 da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998.
Até o momento, mais de duas mil pessoas votaram contra o Estatuto dos Animais, e apenas pouco mais de mil saíram em defesa da iniciativa.
Vale destacar que o projeto é de grande importância para a causa animal, já que estabelece obrigações em relação à proteção animal e proíbe práticas e atividades classificadas como cruéis ou que causem danos à integridade física e emocional dos animais.
Também define regras de guarda e trata da proibição de práticas de maus-tratos. Defensor da vaquejada, o senador Otto Alencar (PSD-BA) já se manifestou contra o Estatuto dos Animais, preocupado com a possibilidade de proibição da atividade que, segundo ele, “gera empregos”.
Na semana passada, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO) apresentou uma proposta para que “animais de produção” e de “interesse econômico” sejam excluídos do Estatuto dos Animais PLS 631/2015).
O projeto obriga cada pessoa física ou jurídica a garantir espaço adequado e apropriado para a manifestação do comportamento natural, individual e coletivo dos animais. A exigência foi criticada por Kátia Abreu que a qualificou como um risco à criação de animais em confinamento no Brasil.
A mesma defesa foi feita na última discussão sobre o projeto no CAE pelo senador Telmário Mota (PROS-RR). No texto original do projeto de lei do Senado consta que “não serão toleradas práticas de maus-tratos sob a justificativa de tradição cultural, recreação ou exploração econômica”.
Ao ler a matéria do projeto, Mota exigiu que o texto fosse alterado para “não serão consideradas práticas de maus-tratos aquelas relacionadas à tradição cultural, recreação ou exploração econômica”.
Tudo indica que na consulta pública a oposição à criação do Estatuto dos Animais está vencendo porque há pessoas que desconsideram a violência de atividades recreativas que envolvem animais e também porque resumem muitos animais a objetos ou produtos.
Se você concorda com o Estatuto dos Animais, confirme seu apoio clicando aqui.