Centenas de ativistas pelos direitos animais protestaram ontem na Austrália

Os manifestantes convidavam os transeuntes a assistirem ao documentário “Dominion” (Foto: AFP)

Ontem, centenas de ativistas percorreram as ruas de Melbourne, na Austrália, e de mais algumas cidades do estado de Victoria, protestando contra a exploração animal e cantando: “O que queremos? Libertação animal – agora!”

Em Melbourne, a movimentação começou por volta das 5h30 e bloqueou um importante cruzamento da cidade, nas imediações da Estação Flinders Street. A polícia foi enviada para intervir e 38 pessoas acabaram presas, incluindo três adolescentes.

Os manifestantes seguravam cartazes informando que se tratava de um protesto pacífico e de uma emergência para alertar sobre a realidade dos animais explorados para consumo. Entre os detidos estavam desde garotos de 15 anos até senhoras com mais de 70 anos. Durante a prisão de alguns manifestantes, alguns transeuntes celebraram, segundo o news.com.au

Um homem debochou em sua conta no Twitter, declarando que estava saindo para comer uma salada no café da manhã, mas em vez disso, depois que viu os veganos tomando as ruas de Melbourne, optou por um hambúrguer com uma quantidade extra de bacon.

Em tom sensacionalista, alguns veículos da mídia australiana classificaram o evento como um exemplo de como o “ativismo vegano está causando o caos no país.” Em referência aos protestos, que foram além de Melbourne, o primeiro-ministro Scott Morrison declarou que os “criminosos de colarinho verde” devem enfrentar a “força da lei”. Também os chamou de “criminosos anti-australianos”.

Os manifestantes convidavam os transeuntes a assistirem ao documentário “Dominion”, que tem aproximadamente duas horas de duração e explora seis facetas primárias da relação humana com os animais – animais de companhia, vida selvagem, pesquisa científica, entretenimento, vestuário e alimentos. O filme se propõe a questionar a moralidade e a validade do nosso domínio sobre o reino animal.

Apesar das críticas, não houve registros de violência por parte dos manifestantes, mas apenas discursos e interferências pontuais no tráfego. Protestos também estão planejados para serem realizados em Sydney, Brisbane e Hobart nos próximos dias, mas os locais não foram divulgados para evitar ações que possam prejudicar as mobilizações.

Marcha histórica: governo cubano autoriza manifestação pelos direitos animais

O governo de Cuba permitiu que uma manifestação em prol dos direitos animais fosse realizada em Havana no domingo (7). Mais de 400 pessoas marcharam pacificamente por mais de 1,5 quilômetro. Os manifestantes gritaram palavras de ordem pedindo o fim da crueldade animal em Cuba.

Grettel Montes de Oca Valdés, bailarina profissional e fundadora do grupo Cubanos em Defesa dos Animais, posa com quatro gatinhos que recebeu em sua casa em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa

O ato representa um marco na história de Cuba. Manifestantes e historiadores consideraram inusitada a autorização para ser organizada uma manifestação não associada ao Estado e acreditam que esse seja um movimento talvez sem precedentes desde os primeiros anos da revolução cubana.

“Eu acho muito inteligente que eles aprovaram a manifestação, ou melhor, marcha”, disse o cantor Silvio Rodriguez. “Isso faz a gente se sentir otimista. Agora temos que ver se a mesma coisa acontecerá com outras causas”, completou.

Em Cuba, não é aceito discurso político contrário, por isso, um ato cobrando ações do governo é um acontecimento notável. As informações são do G1.

“É sem precedentes”, disse Alberto Gonzalez, organizador da marcha e editor da The Ark, uma revista on-line cubana de defensores dos animais. “Isso vai marcar um antes e um depois”, acrescentou.

Agentes de segurança do Estado observaram a marcha, mas não interferiram. De acordo com Gonzalez, as autoridades pediram que o ato fosse mantido longe das ruas principais da cidade, para evitar trânsito.

A marcha, que contou também com a participação de cães, que acompanharam os tutores, terminou no túmulo de Jeannette Ryder, uma mulher norte-americana que lutou pelos direitos animais em Cuba no início do século XX.

Defensora dos direitos dos animais, Grettel Montes de Oca Valdes participou de marcha histórica em Havana — Foto: AP/Ramon Espinosa

Devido a tensões remanescentes entre o plano oficial e o não-oficial em Cuba, voluntários de um grupo de proteção animal que é apoiado pelo governo não participou do ato e anunciou que realizará uma nova manifestação na próxima semana.

Em Cuba, não há leis contra maus-tratos a animais. O país, no entanto, tem muitos ativistas e protetores de animais. Praticamente em todos os bairros de Havana há um ou dois voluntários que alimentam, cuidam e castram cachorros e gatos abandonados. Estrangeiros costumam colaborar com doações de suprimentos e dinheiro.

O Aniplant é o único grande grupo de resgate de animais oficialmente reconhecido em Cuba. Outros poucos, pequenos e não-estatais, também trabalham em prol dos cães e gatos em Havana e outras grandes cidades do país. Nos últimos anos, milhares de assinaturas pedindo uma legislação que puna a crueldade contra animais foram coletadas por esses grupos, mas sem sucesso até o momento.

Marcha Animal une centenas de pessoas na luta pelos animais em Portugal

Vinte anos depois da primeira manifestação, a Marcha Animal deste sábado (6), que juntou centenas de pessoas nas ruas de Lisboa, em Portugal, arrancou de um ponto de partida diferente nos direitos conquistados, mas ainda com um longo caminho a percorrer.

Rita Silva, presidente da Associação Animal, que há 20 anos organiza a Marcha Animal em defesa dos direitos dos animais, não tem dúvidas de que foram duas décadas “com resultados”.

“As coisas não estão como estavam, não chega ainda, mas não estão como estavam há 20 anos, de todo”, disse à Lusa a ativista, que esta tarde foi uma das centenas de pessoas que se juntou frente à praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, de onde saiu a marcha com destino à Assembleia da República.

Tiago Petinga/LUSA

Faixas e cartazes com imagens chocantes de animais ensanguentados, acorrentados ou explorados para experimentação científica, e com frases como “Libertação Animal”, “Amas uns e comes outros?”, “E se fosse consigo?”, “As verdadeiras vítimas da moda”, numa alusão ao uso da pele dos animais em roupas, ou “A tauromaquia é doentia” representavam uma espécie de barricada com “o outro lado” que, ali mesmo ao lado, na praça de touros do Campo Pequeno, sem manifestações ou ativistas, marcava a sua posição com um enorme cartaz pendurado na fachada do edifício anunciando os nomes para a temporada tauromáquica de 2019 em Lisboa.

Rita Silva afirmou que a marcha começava naquele local “precisamente por uma questão simbólica”, uma vez que a Associação Animal se prepara para entregar no parlamento as mais de 20 mil assinaturas já recolhidas no âmbito da Iniciativa Legislativa de Cidadãos (ILC) que pede o fim do financiamento público à tauromaquia.

Mesmo depois de o parlamento ter rejeitado na atual legislatura propostas com esse objetivo, ou para proibir a exibição de touradas no canal público de televisão, ou ainda para não permitir a entrada a crianças nas praças de touros, Rita Silva diz que tem “bastante esperança” que a ILC “corra bem”.

“Até porque a iniciativa é pelo fim dos subsídios à tauromaquia, pelo fim dos dinheiros públicos à tauromaquia, que nós cremos que é a torneira que ainda mantém a tauromaquia de pé”, disse.

Para a presidente da Animal, há um “trabalho de sensibilização” a fazer junto dos deputados, sobretudo aqueles que “estão no ‘nim’”, ou seja, não escolheram um lado.

“Temos esperança, claro, que na próxima legislatura as coisas corram melhor, mas vamos ver”, afirmou.

André Silva, deputado do PAN — Pessoas, Animais, Natureza, está na Assembleia da República do lado dos que não precisam de ser convencidos pela argumentação de associações como a Animal e este sábado, na manifestação, declarou-se convicto de que haverá condições para mudanças na próxima legislatura.

“Nós acreditamos, até pelo debate que ocorreu, que na próxima legislatura haverá claramente condições nos vários partidos para que exista maior abertura para conferir mais proteção aos animais, em termos de entretenimento, e naturalmente na luta contra a tauromaquia, que é um resquício de uma atividade anacrônica e de outros tempos que não tem mais lugar na sociedade e nos valores do século XXI”, disse à Lusa.

O deputado disse esperar pela entrada da ILC no parlamento para que o PAN possa acompanhá-la com “diversas iniciativas legislativas” e para que “os partidos se posicionem em relação a essa matéria”.

As votações dos deputados no último Orçamento do Estado, contrárias às pretensões dos defensores dos direitos dos animais, e que, evocando a cultura nacional e a tradição, aprovaram medidas como a redução da taxa de IVA para 6% para a tauromaquia, não desmoralizam André Silva, que afirma que esses deputados correspondem a um conjunto de pessoas que “continuam presas a posições conservadoras”, que está “de costas voltadas para os cidadãos” e que já não representa o “sentimento geral da maioria da população”.

Ana Vitorino, uma manifestante estreante na Marcha Animal, mas há muito consciente de que é preciso olhar os animais “de outra forma”, parece dar razão à ideia do “sentimento geral” de André Silva.

“Se pararmos para pensar, vamos perceber que por baixo da palavra tradição estão violências exercidas contra os animais. Tradição serve para encobrir violência”, disse à Lusa, acrescentando que há uma corrente filosófica que defende que o século XXI será dos animais e a forma como os tratamos vai “ditar o nosso futuro”.

Aproveitando uma trégua da chuva que pontualmente foi marcando presença durante a tarde em Lisboa, a marcha arrancou do Campo Pequeno pelas 16:15 em direção ao Marquês de Pombal e com destino à Assembleia da República, com centenas de pessoas, entre as quais uma comitiva do PAN, e outra do Bloco de Esquerda, entoando quase em uníssono “direitos dos animais são fundamentais”.

Fonte: Observador

ONGs de proteção animal lutam contra concursos de caça no Canadá

A ONG Bears Matters (“Ursos importam”, em tradução livre) tem travado uma batalha contra os concursos de caça no Canadá. Apesar do país apostar em pautas progressistas no que se refere a causas sociais, em relação aos direitos animais o governo ainda demonstra atraso e descaso.

Foto: Tahoe Beetschen

De acordo com a entidade, três concursos de caça são realizados no estado de British Columbia. Um deles envolve, inclusive, uma recompensa de 500 dólares por cada lobo assassinado por um caçador. As informações são do portal Hypeness.

Além da Bears Matters, outras ONGs se uniram à luta contra a caça. Para pedir o fim dos concursos, 54 grupos de defesa dos direitos animais escreveram uma carta aberta, que foi enviada ao ministro do departamento de Florestas, Terras e Recursos Naturais canadense, Doug Donaldson.

Um dos argumentos utilizados pelos grupos de proteção animal no documento é a violação das diretrizes que protegem a vida selvagem que ocorre na realização dos concursos de caça em British Columbia.

O apelo, no entanto, não obteve sucesso. A resposta do ministro foi de que as regras atuais não impedem que esses eventos sejam realizados, desde que os caçadores sejam licenciados e obedeçam a todas as leis.

Ambientalistas e defensores dos animais classificaram a resposta do ministério como inaceitável e iniciaram uma petição contra os concursos de caça, que foi aberta na plataforma Change.Org. O objetivo é conseguir 25 mil assinaturas. Até o fechamento desta matéria, mais de 21 mil pessoas já haviam aderido ao abaixo-assinado.

“O amor pelos animais humaniza as pessoas”, afirma o deputado David Miranda

A defesa pelos direitos animais é uma das bandeiras levantadas pelo deputado federal David Miranda (PSOL), que tem feito uso de sua visibilidade e influência para levar à frente pautas necessárias aos animais. Em uma entrevista exclusiva à ANDA, ele contou sobre sua relação com a causa animal, que, inclusive, o levou a iniciar uma transição para o vegetarianismo. Confira abaixo.

David Miranda (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Quando iniciou seu envolvimento com a proteção animal?

David Miranda: Quando eu era criança e morava na favela do Jacarezinho, teve início o meu envolvimento com a proteção animal, na época, conseguia, com ajuda de outras pessoas, comprar ração para animais de rua. Mas, atuando de forma mais concreta, foi há 14 anos que eu e meu marido começamos a resgatar animais abandonados e propor aos amigos que os adotassem.

ANDA: A ONG comandada por você e pelo seu marido foi fundada quando? O que levou vocês a terem uma entidade voltada para os animais?

David Miranda: Sou casado com o jornalista americano Glenn Greenwald e a ONG é comandada por ele – o Abrigo Hope, fundado em 2017. Tudo começou com uma experiência nova, no bairro do Alto da Boa Vista, onde morávamos e havia um local vazio. Ano passado, foi transferida para um sítio alugado em Maricá.

David Miranda com o marido Glenn Greenwald e os filhos (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Quantos animais são mantidos pela ONG atualmente e de que forma vocês captam recursos para sustentá-los?

David Miranda: No momento, são perto de 50 animais. Os fundos são organizados por doações na internet, como o sistema vaquinha online.

ANDA: O que devem fazer as pessoas interessadas em adotar animais resgatados pela ONG?

David Miranda: Podem entrar em contato diretamente via site ou redes sociais. A partir daí, são mantidas conversas e marcadas datas para equipes de voluntários levarem os animais até as pessoas que vão recebê-los.

ANDA: Você e seu marido têm dois filhos. O amor pelos animais é ensinado para eles?

David Miranda: Meus dois filhos, de 9 e 11 anos, adoram os 24 cachorros que temos em casa. Eles são ensinados a respeitá-los e amá-los. O que não falta à nossa família é amor aos animais. Lutar pelos direitos dos animais é um compromisso que assumimos juntos e que vai nos acompanhar por toda a vida.

David Miranda com o marido Glenn Greenwald, os filhos e cães da família (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Você acredita que ensinar as crianças a respeitar os animais é uma das formas de criar uma sociedade mais compassiva em relação a todos os seres vivos, inclusive os seres humanos?

David Miranda: Juntos, eu e meu marido, já resgatamos centenas de animais. Os nossos filhos sabem dessa nossa história de dedicação e carinho. O amor pelos animais humaniza as pessoas, é transformador. Assim, podemos ajudar a construir um mundo melhor.

ANDA: No seu trabalho na política, você já apresentou algum projeto de lei voltado para a causa animal ou pretende apresentar? Se sim, qual?

David Miranda: Sim. Assim que fui eleito vereador, o prefeito Crivella transformou por meio de um decreto a Secretaria de Defesa dos Animais em subsecretaria. Apresentei um projeto para tornar sem efeito este decreto e lutei muito para termos de volta a secretaria.

Filhos de David com um filhote de cachorro (Foto: Reprodução / Facebook / David Miranda)

ANDA: Você tem usado suas redes sociais para propagar mensagens e notícias de conscientização acerca da causa animal. Isso tem gerado algum retorno positivo que demonstre uma maior abertura das pessoas em prol dos animais?

David Miranda: Uso minhas redes sociais para criar mais consciência sobre os respeitos e a estrutura da vida animal. Faço muitas postagens para criticar os maus-tratos e encaminho denúncias quando recebo informações sobre animais que vêm sofrendo crueldades.

ANDA: Você é vegetariano/vegano ou pretende ser?

David Miranda: Estou num processo para me tornar vegetariano. Glenn, meu marido, é vegetariano, e temos educado nossos filhos para compreenderem que essa forma alimentar é melhor para os animais, para a saúde das pessoas e para o planeta.

Governo do Reino Unido permanece neutro em relação aos testes de laboratório com animais

Global Cosmetic News/Reprodução

Global Cosmetic News/Reprodução

A ONG Cruelty Free International manifestou sua decepção em relação ao fracasso do governo do Reino Unido em descartar testes em animais após a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (Brexit).

Kwasi Kwarteng, subsecretário de estado do Comitê de Saída da União Europeia, foi questionado de forma parlamentar (oficial) pela ministra Jenny Chapman sobre a saída da UE na Câmara dos Comuns na semana passada, com relação ao fracasso do ministro em descartar os testes em animais, com Chapman perguntando ao ministro se ele realmente “se opunha a testes desnecessários em animais”.

Kwarteng respondeu que a moção já havia sido discutida no verão passado e que o governo “tentaria manter os padrões (e regulamentações) sobre a proteção dos direitos animais”.

Desapontada com a resposta, a Cruelty Free International escreveu ao ministro pedindo confirmação sobre o assunto e pediu ao governo que “use o Brexit como uma oportunidade para fortalecer políticas e criar mudanças significativas e duradouras para os milhões de animais usados em experimentos. .

Kerry Postlewhite, diretor de relações públicas da ONG, afirmou que “esta é uma questão que o público britânico considera ser de grande preocupação, além de sua importância fundamental à medida que nos movemos de regras de segurança química da UE para as regras do Reino Unido.

“Esperamos sinceramente, no interesse dos animais, dos cidadãos do Reino Unido e da indústria química do Reino Unido, que o governo deixe bem claro que não haverá testes em animais como resultado dessa transição. Em face do repetido questionamento por parte da indústria, políticos e ativistas, sendo que todos acreditam que não devem haver testes , a resposta do governo tem sido profundamente decepcionante ”, concluiu ele.

Luta pelos direitos animais ganha força na Suíça

Ativistas da Libération Animale impediram o abate de animais em um dos maiores matadouros da Suíça em 2018 (Foto: Divulgação/269 Libération Animale)

Invasões de matadouros, libertação de animais e projeto que visa o banimento da pecuária intensiva são alguns exemplos controversos que têm gerado grande repercussão e feito o ativismo pelos direitos animais ganhar mais adeptos e força na Suíça, país com 8,4 milhões de habitantes, quase três milhões a menos do que o estado do Paraná.

Em 2018, um relatório do grupo de mídia Tages-Anzeiger apontou que os militantes veganos mais ativos estão na parte francófona do país, embora não tenha fornecido números. Na região onde há um predomínio da língua alemã, as mudanças também estão acontecendo.

No ano passado, em uma ação que atraiu repercussão mundial, 130 ativistas da organização 269 Libération Animale impediram o abate de animais em um dos maiores matadouros da Suíça. Eles entraram em uma das instalações dos frigoríficos Bell por volta das 2h20 e ocuparam todo o espaço do “corredor da morte” – o último caminho trilhado pelo gado antes da execução.

Conseguiram resistir até as 20h, quando a polícia invadiu o local, inclusive agredindo alguns ativistas. Apesar disso, a organização comemorou o resultado da ação que atraiu atenção internacional para a realidade dos animais criados para consumo e motivou inúmeros jovens a se tornarem veganos: “Sem abate, sem vítimas, hoje em um dos maiores matadouros da Suíça, graças à ação direta e a corresistência”, publicou o 269 Libération Animale, que hoje tem mais de 73 mil seguidores só no Facebook.

Também em 2018, dois ativistas do mesmo grupo foram acusados de invadir um matadouro e fugir transportando 18 cabras que seriam abatidas, segundo informações do Swissinfo. O episódio foi levado ao tribunal, divulgado por diversas emissoras de TV e se tornou “o primeiro julgamento suíço de roubo de animais em um matadouro”. Apesar das implicações legais, os animais não foram localizados, ganharam novas famílias e mais mentes jovens foram transformadas.

Além disso, uma recente pesquisa de opinião encomendada pelo grupo suíço de defesa dos direitos animais Tier im Fokus revelou que 17% dos entrevistados apoiam o fechamento de todos os matadouros na Suíça; e três entre quatro entrevistados são contra a pecuária intensiva, de acordo com o Tages-Anzeiger.

No campo legal, algumas mudanças também estão acontecendo. Uma iniciativa liderada pela organização Sentience Politics, e que conta com o apoio de outras organizações e grupos de bem-estar animal e direitos animais, tem lutado para tornar ilegal a pecuária intensiva. Intitulada “No Factory Farming in Switzerland”, a campanha exige a criação de uma emenda constitucional em oposição às fazendas industriais.

Vale lembrar ainda que no ano passado uma pesquisa da organização Eco Experts elegeu a Suíça como o melhor país para vegetarianos na Europa. O estudo analisou 26 países europeus e comparou o número de restaurantes vegetarianos disponíveis, consumo anual de carne e preço do quilo da carne. Considerando esses fatores, a Suíça ficou em primeiro lugar, seguida pelo Reino Unido.

Drag Queens fazem a diferença na luta em defesa dos direitos animais

Foto : PETA/Arquivo

Foto : PETA/Arquivo

Donas de uma força poderosa e subversiva, as Drag Queens tem o poder de canalizar as atenções, seja atuando na vanguarda da luta por igualdade dentro e “fora do armário” ou na consciência pública. E de forma menos conhecida, porém ativamente atuante, também em defesa dos direitos animais.

A quebra de paradigmas e o desafio ao politicamente correto que estes artistas provocam abre portas para a queda de preconceitos e abertura de mentes.

Bom exemplos disso são o sucesso e a audiência dos programas RuPaul Drag Race All Stars já em sua quarta temporada, recentemente lançada e RuPaul Drag Race décima primeira temporada estreando essa semana.

Famosas por seu visual ousado, seus movimentos de dança diferenciados ou seu vestuário original, muitas dessas rainhas poderosas também usam seu espaço midiático para defender os animais. O próprio RuPaul, por exemplo, já foi capa do Guia de Compras Livre de Crueldade da PETA.

Drag Queens já eram ativas e parceiras da PETA e defensoras dos animais muito antes do show Drag Race atingir o sucesso e antes até mesmo da arte drag sair dos porões e se tornar um fenômeno de massa.

Foto : PETA/Arquivo

Foto : PETA/Arquivo

Drags lendárias como Lypsinka and Flotilla DeBarge já apareciam nas campanhas publicitárias da PETA, e Boy George, Elvira, Leigh Bowery, e outros ícones e aliados LGBTQIA já haviam se junta à causa em clubes pelo mundo por campanhas e shows itinerantes como “Fur Is a Drag” (Pele é uma Drag, na tradução livre), no qual drag queens usavam casacos de pele cobertos com tinta vermelha imitando sangue.

Seguem algumas drag queens que fizeram a diferença, não só apoiando os animais com palavras mas com sua imagem e ativismo:

LADY BUNNY

Colonel Sanders como Lady Bunny quando se juntou a campanha da PETA para denunciar a KFC por crueldade com aves.

Foto : PETA/Arquivo

Foto : PETA/Arquivo

SHARON NEEDLES

Na campanha #Throwback PETA com a famosa frase: “Comer não deveria custar um braço ou uma perna”.

COURTNEY ACT

Courtney conhecida como a “Drag Diva From Down Under” foi nomeada uma das celebridades veganas mais sexys de 2017 pela PETA Austrália.

Foto : Courtney Act/Instagram

Foto : Courtney Act/Instagram

Mesmo com sua agenda lotada Courtney é vegana declarada. Ela faz receitas veganas deliciosas em seu canal no YouTube.

HONEY LABRONX

Uma das finalista do concurso promovido pela PETA de vegana mais sexy, Honey LaBronx, se tornou vegana apenas um mês após iniciar suas apresentações como drag queen, há oito anos, um movimento que chocou sua família de fazendeiros produtores de laticínios de Winconsin (EUA). Agora sua turnê de shows arrecada fundos para organizações em defesa dos direitos animais pelos país, ela também apresenta o podcast “Big Fat Vegan Radio” e um programa de culinária vegana no You Tube além de promover a alimentação vegana na parada gay de Nova York e no festival de temática drag RuPaul´s DragCon

Foto: The vegan drag queen/Instagram

Foto: The vegan drag queen/Instagram

“Eu amo levar minha mensagem pelos direitos animais para lugares onde as pessoas não estão esperando por isso. A surpresa de assistir a uma drag queen dando lições sobre como cozinhar receitas veganas pode iniciar um novo diálogo que de outra forma poderia nunca acontecer”, conta LeBronx.

Curso de Direito da USP oferece disciplina “Direitos Animais”

Animais criados para consumo também farão parte das discussões da disciplina “Direitos Animais (Foto: MFA)

Este ano a Faculdade de Direito (FD) da Universidade de São Paulo (USP), campi da capital, vai oferecer a disciplina “Direitos Animais”, coordenada pelo professor Roberto Augusto de Carvalho Campos, do Departamento de Direito Penal, Medicina Forense e Criminologia da FD. Além de ser advogado, Carvalho possui formação médica e é especializado em bioética e biodireito, segundo o Jornal da USP.

A professora colaboradora Ivanira Pancheri, também responsável pela idealização da disciplina, explica que o objetivo é estudar os animais não humanos sob uma perspectiva ética frente ao Direito. “Queremos propiciar aos estudantes o entendimento do corpo específico de leis que rege o direito animal”, afirma.

O programa da disciplina vai tratar de questões críticas envolvendo o uso de animais para consumo, experimentos e entretenimento. Segundo Ivanira, também será discutido percepção sobre valores, contexto atual e a viabilidade de recomendações para políticas públicas.

“A disciplina discute ética animal, bem-estar animal, abrangência do ponto de vista do direito, da medicina veterinária e questão econômica”, explica e acrescenta que é notável um vácuo no estudo dos direitos animais nas universidades nacionais.

“Aqui no Brasil, por exemplo, nas faculdades de medicina veterinária, você tem uma preocupação com a produção animal, com mutações genéticas, mas isso passa ao largo da questão do bem-estar animal e da ética”, defende Ivanira Pancheri.

De acordo com a professora, o Brasil está atrasado nessa discussão: “Nos Estados Unidos, por exemplo, a lei animal é ensinada em algumas das mais conceituadas e prestigiadas escolas de direito como Harvard, Stanford, UCLA, Northwestern, Universidade de Michigan, Columbia, Duke e Yale.”

Serviço

Para mais informações, entre em contato com a professora Ivanira Pancheri: paniva@bol.com.br

Juristas publicam livro sobre evolução da legislação sobre saúde animal

Os juristas Thiago Pires Oliveira, mestre em Direito e especialista em Direito do Estado, e Luciano Rocha Santana, doutor em Filosofia Moral e Jurídica, são os autores do mais novo livro sobre Direito Animal. “Direito da Saúde Animal” é um livro que aprofunda a discussão sobre os problemas sociais e sanitários presentes na relação entre seres humanos e animais. E para trazer mais informações sobre a obra, um dos autores, Luciano Santana, concedeu entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

ANDA: Como surgiu a ideia de escrever o livro?

Luciano Rocha Santana: De certo modo, este livro já vem sendo escrito ao longo de mais de duas décadas, quando pela primeira vez intuímos transformar o conceito de posse em guarda responsável. Já no início de 2017, conversávamos, eu e Thiago, sobre a existência de certa lacuna na doutrina jurídica pátria, no tocante aos estudos até então existentes, com o propósito de aprofundamento do Direito Animal enquanto ramo autônomo das Ciências Jurídicas. E considerando que a academia e o mercado editorial brasileiro precisavam desenvolver pesquisas que abordassem com rigor científico os reais problemas sociais e sanitários decorrentes da relação dos seres humanos com os outros animais, ocorreu-nos a ideia de propor uma leitura diferenciada da saúde animal enquanto objeto da Ciência do Direito, nascendo assim nossa concepção da obra que ora trazemos à apreciação do público leitor e, em especial, da vasta gama de profissionais e especialistas nos diversos campos do saber relacionados com a temática aqui tratada.

ANDA: De que forma o livro aborda a guarda responsável?

Luciano Rocha Santana: Considerando que a obra “Direito da Saúde Animal” realiza uma exposição crítica acerca dos marcos regulatórios da saúde dos animais domésticos no Brasil, à luz da evolução da legislação, doutrina e jurisprudência, sem descurar de uma leitura constitucional dos institutos jurídicos postos em evidência na referida normativa, buscamos adotar a premissa segundo a qual a instituição da guarda responsável de animais domésticos constitui uma autêntica política pública de efetivação do Direito da Saúde Animal a ser implementada pelo Estado brasileiro.

Deste modo, a obra faz uma abordagem inédita, no Direito brasileiro, tomando por base o ordenamento jurídico pátrio, dos diversos instrumentos que se acham à disposição do gestor público, dentre os quais sistematizamos alguns deles, a saber: registro público de animais de estimação, vacinação, esterilização, controle do comércio, estímulo à adoção e educação voltada para guarda responsável, como institutos jurídicos que visam a eficiente implementação da metodologia da prevenção ao abandono, em substituição à metodologia da captura e extermínio de animais em situação de rua.

ANDA: Qual a diferença entre as obrigações do Poder Público e de particulares no que se refere à guarda responsável?

Luciano Rocha Santana: Em essência, não há diferença, visto que o dever ético e jurídico de guarda responsável visa a proteção da dignidade dos animais, não mais tidos como simples coisas nem meros recursos naturais renováveis, tampouco como uma espécie de recurso ambiental faunístico, senão, sobretudo, como seres sencientes e conscientes com valor inerente, ou seja, sujeitos-de-uma-vida.

Naturalmente, a interpretação normativa da justiça, denominada “visão da igualdade dos indivíduos”, de conformidade com a doutrina de Tom Regan, da qual deriva o direito a tratamento respeitoso atribuível a todos os sujeitos-de-uma-vida, sejam eles animais humanos ou não humanos, impõe, em contrapartida, um dever moral básico exigível de todos os agentes morais, que é o de respeitar os direitos concernentes à vida, à integridade e à liberdade destes seres.

Do mesmo modo que sucede com este dever universal de respeito e cuidado – exatamente como a luz solar ao passar por um prisma se decompõe em uma série infindável de radiações de amplo e variado espectro, se me permite esta metáfora – ao se expandir por uma série de obrigações morais e jurídicas, negativas e positivas, abstratas e concretas, conforme os costumes, as leis e as circunstâncias de tempo e lugar, assim também acontece com a incidência do instituto da guarda responsável, enquanto feixe imbricado e complexo de obrigações e direitos correlativos devidos aos animais, desde o âmbito dos macrossistemas denominados Estados, Comunidades de Estados, corporações transnacionais, nacionais e locais, até o nível mais elementar das microrrelações interespecíficas individuais de uma cidadania, por assim dizer, planetária, ecológica e animalista.

ANDA: Além da guarda responsável, quais outros temas são abordados no livro?

Luciano Rocha Santana: Inicialmente a obra apresenta a indagação sobre se o Direito da Saúde Animal é um novo ramo do Direito. Diante disto, faz-se um esboço da evolução histórica da legislação pertinente à saúde animal, bem como das políticas públicas de proteção da saúde animal e sua interface com a saúde humana. Posteriormente, aborda-se a saúde animal como preocupação do Direito em si, arguindo a respeito do tratamento conferido a esta temática por parte do Direito brasileiro, notadamente a disciplina jurídica da saúde dos animais de produção e a proteção jurídica da saúde dos animais de companhia, esta última confrontada com o Direito Comparado, contextualizando-o então com os ordenamentos jurídicos da Itália, Suíça, Argentina e Chile.

ANDA: De que forma você avalia a evolução da jurisprudência brasileira em relação aos animais?

Luciano Rocha Santana: Como um círculo moral e jurídico quase sempre em expansão, a jurisprudência pátria vem se aperfeiçoando em argumentação e se estendendo a temas cada vez mais diversificados, que vão do Direito Público ao Direito Privado, buscando neste processo histórico em espiral atender às demandas cada vez mais complexas e diversificadas existentes na realidade brasileira em que se distingue a relação de humanos com animais.

A título ilustrativo, aí se acham ações e decisões favoráveis ao tratamento dos animais como sujeitos de direito, a exemplo do Habeas Corpus da Chimpanzé Suíça, protagonizado por Dr. Heron Gordilho, aqui no Brasil, cujo precedente serviu de modelo para casos similares na Argentina e nos Estados Unidos da América.

ANDA: Que conquistas ainda faltam para os animais no meio jurídico?

Luciano Rocha Santana: O caminho é longo, os primeiros passos já foram dados, o futuro do Direito Animal está sendo construído agora. Se me fosse dado o dom da clarividência, diria que o próximo passo será o pleno reconhecimento por parte do sistema jurídico da condição dos animais enquanto seres sensíveis e, mais adiante, sujeitos-de-uma-vida, como de fato o são por direito próprio.

ANDA: Qual a importância de conseguir que o ordenamento jurídico considere os animais como sujeitos de direito?

Luciano Rocha Santana: Vivemos em uma época de transição e, neste sentido, mesmo persistindo a relação jurídica de propriedade entre o ser humano e o animal, o ordenamento jurídico disponível no Brasil – como pode ser visto no artigo 32 da lei federal nº 9.605/1998, e demais legislações que protegem os animais, em especial, a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, o decreto-lei federal n° 24.645 de 1934 e a lei federal n° 5.197/1967 – já possibilita visualizar a redução de casos de crueldade e maus-tratos, além de funcionar como uma espécie de janela, permitindo lançar um jato de luz sobre este cenário até certo ponto ainda dantesco, no que tange à exploração institucionalizada dos animais.

Desta forma, quando o ordenamento jurídico permite vislumbrar os animais como sujeitos de direito, por meio destas leis que os protegem, ainda que de forma incipiente, isto implica antever uma revolução sem precedentes no dominante paradigma ético e jurídico fortemente antropocêntrico, cujas consequências são, aqui e agora, inimagináveis.

ANDA: Qual é a sua trajetória de trabalho com o meio ambiente e os direitos animais?

Luciano Rocha Santana: Na qualidade de membro do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), ocupo o cargo de Primeiro Promotor de Justiça de Meio Ambiente da Comarca de Salvador, desde julho de 1996. Considerando que a missão do Ministério Público é defender a sociedade e o regime democrático para garantia da cidadania plena, resolvi aprofundar a leitura para melhor embasar a tomada de decisão em casos sobre danos ambientais e animalistas.

Logo no ano seguinte à minha assunção ao cargo, verifiquei que os conflitos envolvendo malefícios aos animais vinham surgindo com maior frequência, demostrando uma demanda pungente nesta área de conhecimento e atuação, ainda pouco discutida academicamente na década de noventa do século passado. Por isto, entendi que poderia melhor contribuir com a sociedade ao estudar este campo emergente da Ética e do Direito, ou seja, o Direito Animal, de modo a gradativamente ampliar as fronteiras da comunidade moral e dos direitos para além do humano.

A propósito, devo enumerar as seguintes funções e tarefas acadêmicas e profissionais: mestrado e doutorado no programa Passado e Presente dos Direitos Humanos, pelo Departamento de História do Direito e Filosofia Jurídica, Moral e Política da Faculdade de Direito da Universidade de Salamanca/Espanha (USAL/ES), publicação de livros e artigos filosóficos e jurídicos sobre Direito Ambiental e Animal, fundador do Núcleo de Pesquisa em Direito dos Animais, Meio Ambiente e Pós-modernidade (NIPEDA) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Revista Brasileira de Direito Animal (RBDA), do Instituto Abolicionista Animal (IAA) e da Asociación Latinoamericana de Derecho Animal (ALDA), pesquisador do International Center for Animal Law and Policy (ICALP) da Universidade Autônoma de Barcelona/Espanha (UAB), presidente honorário da Asociación Human Animal Liberation Time (HALT), e atual presidente do IAA. Finalmente, tais encargos, repito, têm constituído meu itinerário de luta em defesa do meio ambiente ecologicamente equilibrado, da dignidade e saúde dos animais, desenvolvendo assim o debate filosófico e o embate jurídico acerca destes novos valores morais e jurídicos extensivos a nossos irmãos evolucionais.