A mulher que abandonou um cachorro doente no bairro Hípica, em Porto Alegre (RS), será investigada pelo Ministério Público (MP). O animal foi resgatado no dia 18, mas morreu na última terça-feira (22). Gordo, como era chamado o cão da raça são bernardo, foi encontrado debilitado, sujo e faminto.
“Um caso grave como esse, com morte, não se vê todo dia. Instauramos um procedimento civil para investigar a situação e até cobrar uma ação por danos morais coletivos”, contou ao jornal GaúchaZH a promotora de Justiça de defesa do meio ambiente Ana Maria Marchesan.

(Foto: Pixabay / Ilustrativa)
De acordo com Ana Maria, o caso deve ser encaminhado ao juizado especial criminal para que uma ação criminal seja iniciada contra a tutora, que seria servidora da Defensoria Pública da União no Rio Grande do Sul (DPU/RS). Ela pode, caso condenada, ser penalizada com detenção de três meses a um ano e multa. A pena pode ser agravada devido à morte do animal.
A deputada estadual Regina Becker Fortunati foi a responsável por ingressar com uma representação contra a servidora no Ministério Público. Moradora do bairro Ipanema, a tutora de Gordo foi vista por uma vizinha pegando o animal, enrolando-o em um lençol e colocando-o no porta-malas do carro dela. Minutos depois, a mulher foi flagrada por câmeras de segurança de um condomínio no bairro Hípica abandonando o cachorro em um gramado.
“O vigilante viu e avisou a uma moradora. O cachorro chorava, gemia de dor. Foi uma situação muito desgastante. Fiz a representação no MP na certeza de que tomarão providências legais para que ela seja citada e responda pelo crime”, afirmou Regina.
As causas da morte do cachorro devem ser expostas por um exame de necrópsia que está sendo realizado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Gordo estava com miíase – uma espécie de bicheira – em uma das pálpebras e também com cinomose.
Segundo a parlamentar, outros dois cachorros tutelados pela servidora foram encontrados debilitados na casa dela. Eles foram resgatados por vizinhos e estão internados, mas não correm risco de morte.
Os maus-tratos impostos aos cães pela tutora já incomodavam os vizinhos há tempos. Entre os documentos anexados à representação da deputada, há cinco protocolos abertos na prefeitura que denunciavam as más condições em que viviam os animais.
A tutora dos animais é técnica em Assuntos Educacionais, vinculada à DPU, e estaria com viagem marcada para fazer curso de mestrado em Portugal. A DPU disse ter tomado conhecimento do caso através da imprensa. O órgão disse ainda que a situação será averiguada pela Corregedoria-Geral da DPU. Afirmou também que “não coaduna com nenhuma atitude de maus-tratos a animais” e que “a denúncia envolvendo a servidora da instituição deverá ser rigorosamente apurada”.