Cadeia de churrascarias decide investir em alternativas à carne

Por David Arioch

A carne já não é vista pela Fogo de Chão como uma aposta única e integral (Foto: Experimente SP/Fogo de Chão)

A cadeia brasileira de churrascarias Fogo de Chão, que tem sua história iniciada na Serra Gaúcha, anunciou na semana passada por meio de sua sede global no Texas, nos Estados Unidos, que pretende investir em alternativas à carne.

Com 53 unidades espalhadas pelo Brasil, Estados Unidos, México e Oriente Médio, a rede com sede global na cidade texana de Plano é mais conhecida pelo rodízio, modalidade oferecida a um preço fixo. Mas a carne já não é vista como uma aposta única e integral.

Há dois anos a rede tem acompanhado a realidade do mercado de proteínas à base de vegetais e agora quer incluí-las em seu cardápio. “Nossos preços incluem tudo, então por que não ofereceríamos isso? Não há riscos”, disse o CEO da Fogo de Chão, Barry McGowan, ao Nationl Restaurant News, em referência ao fato de que os substitutos da carne estão ganhando cada vez mais mercado.

McGowan não entrou em detalhes se a intenção é trabalhar com produtos de marcas já conhecidas como Beyond Meat ou Impossible Foods ou se pretendem buscar uma outra alternativa menos conhecida. Mas deixou claro que em breve as opções sem carne serão uma realidade na Fogo de Chão.

Maior encontro de direitos animais do mundo será realizado em julho nos EUA

Conferência do ano passado | Foto: ARNC

Conferência do ano passado | Foto: ARNC

A maior e mais antiga reunião sobre direitos animais do mundo, a Animal Rights National Conference – Conferência Nacional dos Direitos Animais (ARNC), será realizada em julho.

O evento é anual e envolve temas, ONGs e ativistas que atuam movimento pelos direitos animais. Conhecida por reunir o maior número de público ligado ao tema no mundo, a conferência acontece desde 1981.

Programada para acontecer no Hilton Alexandria Mark Center, nos arredores de Washington, DC, de 25 a 28 de julho, a conferência deste ano apresenta cerca de 100 palestrantes de mais de 60 organizações envolvidas com o movimento em todo no mundo todo.

A conferência também possui uma variedade de oportunidades educacionais e de networking (conexões e relacionamentos), incluindo oficinas de apoio para ativistas, discussões em grupo, mais de 100 exposições – que são gratuitas para os visitantes – e exibições de filmes.

Informar e inspirar

“Nosso programa projeto em múltiplas camadas de atuação informa e inspira recém-chegados, treina e capacita ativistas, e fortalece o movimento pelos direitos dos animais para promover nossa missão comum de criar um mundo livre de exploração animal”, afirma o site da conferência.

Foto: arconference.org

Foto: arconference.org

“O # AR2019 (Animal rights meeting) se esforça para ser um espaço seguro, inclusivo e acessível a todos. Em um esforço para minimizar as barreiras financeiras, oferecemos descontos de registro, oportunidades de trabalho e bolsas de estudo integrais ou parciais”.

Presidente e fundadora da ANDA,  a jornalista Silvana Andrade, já participou em duas ocasiões como palestrante do evento nas edições realizadas nas cidades de Los Angeles e Washington.

Palestrantes agendados:

A ARNC ainda está aceitando inscrições, mas já possui uma extensa lista de palestrantes preliminares já alinhados, incluindo:

– Aysha Akhtar – Neurologista / especialista em saúde pública

– Allison Argo – ArgoFilms e THE LAST PIG

– Rachel Atcheson – estrategista adjunta do presidente do bairro de Brooklyn

– Olympia Auset – SÜPRSEED

– Anthony Bellotti – Projeto de Resíduos White Coat

– Aashish Bhimani – Ativista dos direitos dos animais

– Jaya Bhumitra – Igualdade Animal

– Birdie Aryenish – Engloba

– Edita Birnkrant – NYCLASS (nova-iorquinos para ruas limpas, habitáveis e seguras)

– Darina Bockman – Líderes Veganos

Direitos Animais – o movimento

O site da conferência ressalta que os direitos animais podem ser vistos de duas maneiras. O primeiro mostra os direitos animais como um movimento social para proteger os animais – até intervir e libertá-los – da exploração e do abuso.

A segunda é a ideia de que animais não humanos, assim como animais humanos, têm o direito de ser tratados com respeito como indivíduos com valor inerente. Todo animal é alguém, não “alguma coisa”, e eles têm o direito de viver livres dos seres humanos, sentindo dor e sofrendo deles.

Negar isso é estar engajado no especismo, que é a ideia de que os humanos foram imbuídos de um conjunto de atributos excepcionais (como fala, autoconsciência, habilidades cognitivas e uma alma) que são únicos para nossa espécie e, portanto, com prioridade moral sobre os outros.

Ao adotar o veganismo como estilo de vida e defender os direitos animais estamos por consequência lutando por um mondo melhor mais justo e acima de tudo com menos sofrimento e morte para nossos irmãos animais.

A filosofia dos direitos dos animais não coloca os animais não humanos acima dos humanos, mas lhes dá igual consideração. Essa consideração igual significa que devemos conceder aos animais não humanos o direito de não serem tratados como objetos – o mesmo direito que concedemos aos seres humanos, pelo menos em princípio.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Cadela volta para a família após ficar desaparecida por 8 anos nos EUA

Uma cadela voltou para casa após ficar oito anos desaparecida. Laila sumiu quando saiu para passear com a tutora e com o cão Blake, que também desapareceu, mas foi encontrado cerca de um ano depois, ao ser anunciado para venda numa rede social. O caso aconteceu nos Estados Unidos.

“Ainda não temos certeza se eles foram roubados porque a porta não estava aberta – não havia nada aberto ou invadido”, relatou Sophia Hanson, tutora dos cães.

(Foto: Sophia Hanson)

Quando soube que um cão semelhante a Blake estava sendo vendido, o casal procurou o responsável pelo anúncio na internet. “Fomos até lá fingindo que iríamos comprar um cachorro”, disse Sophia. “Quando chegamos lá e confirmamos que era Blake, o pegamos de volta. Ele ficava num canil enorme e desconfortável, o mais feio que já vi.”

“Ele ficou muito confuso por um tempo”, acrescentou. “Toda a reabilitação foi um longo processo, mas agora ele voltou a se comportar como um dócil e enorme urso de pelúcia”, brincou. As informações são do site The Dodo, com tradução do Portal do Animal.

Laila, no entanto, não foi encontrada, mas os tutores nunca desistiram das buscas. Por anos, eles iam a abrigos, canis e pet shops à procura da cadela. Eles não sabiam, no entanto, que Laila havia sido encontrada bastante magra e debilitada por Janice Rackley, que se comoveu com a situação da cadela e decidiu cuidar dela.

Inicialmente, Janice passou a alimentar a cadela na rua. “Ela só precisava de ajuda e amor, e ninguém que a via lhe proveu isso”, disse Janice. “Eu apenas sinto que ela estava lá, naquele momento, por um motivo: para que eu pudesse ajudá-la. Ela dependia de mim”, completou.

(Foto: Janice Rackley)

Todos os dias, Janice alimentava e dava carinho para a cadela, conquistando aos poucos sua confiança. “Eu acho que ia lá vê-la todos os dias por cerca de seis meses, quando ela finalmente começou a se aproximar e ter mais confiança em mim”, disse.

“Então pensei: talvez eu consiga pegar uma coleira, já que ela está me deixando acariciá-la, e possa colocar com a coleira enquanto a alimento. Mas sempre que ela via a coleira, ela saía correndo”, contou. No entanto, o frio chegou e Janice entendeu que talvez aquela fosse sua última chance de salvar a cadela. “Acabei por pegá-la, coloquei-a por cima do meu ombro e caminhei com ela até o meu carro. Ela estava realmente muito calma quando eu peguei ela, era muito doce”, disse.

Laila morou, após o resgate, durante um mês na casa de Janice. Até que ela levou a cadela ao Controle de Animais da cidade e descobriu que o animal era microchipado. “Levou um tempo para ela se adaptar, mas uma vez que ela o fez, era o cão mais doce do bairro”, disse. “Ela sabia sentar, sabia rolar, sabia como se deitar. Eu estava tipo, ‘cara, alguém realmente ensinou e amou muito esse cachorro. Alguém tem que sentir falta dela’.”

Ao fazer a leitura do microchip da cadela, Janice encontrou os tutores de Laila e entrou em contato com eles. “Meu marido e eu estávamos andando pela casa, desligando as luzes e nos certificando de que os filhos estavam na cama”, relatou. “Pouco antes de desligarmos a luz, recebemos uma ligação. Meu marido ficou tipo: ‘O que?! Você pode repetir isso?’ E ele colocou no viva-voz e nós dissemos, ‘Não, isso é loucura!’”.

(Foto: Janice Rackley)

Desesperada para reencontrar a cadela o mais rápido possível, Sophia decidiu ir ao encontro de Laila imediatamente.

“Laila apenas me respondeu com os olhos… “mãe, é você?”, brincou Sophia. “E então todo mundo estava chorando junto, uma bagunça emocional.”

Embora a cadela tivesse passado por muitas transformações desde que desapareceu, ela deixou claro que lembrava perfeitamente dos tutores. “Nós costumávamos chamá-la de Scooby Doo porque ela fazia os sons mais loucos que você já ouviu”, disse Sophia. “Meu marido gritava ‘Scooby Doo! Scooby Doo!’ e ela respondia feliz da vida.”

Depois do reencontro, Laila voltou a viver com os antigos tutores, na companhia de Blake e de outros dois cães.

“Ainda não podemos acreditar”, disse Hanson. “Às vezes passamos por ela e temos que dar uma boa olhada. É extremamente surreal. Ela está na mesma cadeira, no mesmo lugar, deitada em sua mesma posição de cabeça para baixo. E é engraçado vê-la tão à vontade – nem consigo imaginar o que ela passou”, completou.

(Foto: Janice Rackley)


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Para proteger abelhas, EUA proíbem agrotóxicos liberados por Bolsonaro no Brasil

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) anunciou o cancelamento de 12 agrotóxicos da classe dos neonicotinóides no Registro Federal devido a danos às abelhas e outros insetos polinizadores. Dentre os venenos banidos, 7 deles continham os princípios ativos Imidacloprid, Azoxistrobina e Tiametoxam – os mesmos pertencentes a pesticidas liberados no Brasil pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Foto: Pixabay

A proibição dos agrotóxicos nos Estados Unidos faz parte de um acordo firmado em dezembro de 2018, após o Centro de Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês) mover uma ação judicial pedindo o cancelamento dos venenos e ser constatada uma falha da EPA para proteger os polinizadores, que são gravemente afetados pelos agrotóxicos. É a primeira vez que a agência é obrigada a analisar os impactos dos agrotóxicos da classe dos neonicotinóides sob espécies ameaçadas de extinção. As informações são do portal oficial do Centro de Segurança Alimentar.

“O cancelamento desses agrotóxicos neonicotinóides é uma batalha duramente conquistada e um marco na direção certa”, disse George Kimbrell, Diretor Jurídico da CFS e principal conselheiro no caso. “Mas a guerra contra os agrotóxicos continua: continuaremos a lutar de forma diligente para proteger nosso planeta, as abelhas e o meio ambiente dessas e de outras toxinas perigosas semelhantes”, completou.

Os neonicotinóides são quimicamente relacionados à nicotina e interferem no sistema nervoso dos insetos, causando tremores, paralisia e até morte, mesmo quando usados em doses muito baixas. Ao contrário dos pesticidas tradicionais, os neonicotinóides – ou neônicos – são distribuídos por toda a planta, tornando-a inteiramente tóxica. Expostos ao veneno através do pólen, do néctar, da poeira, e das gotas de orvalho nas folhas das plantas e nos solos, as abelhas sofrem. Esse tipo de agrotóxico começou a ser usado de forma intensa em meados da década de 2000. No mesmo período, casos generalizados de mortes de abelhas começaram a ser registrados, já que esse veneno é 10 mil vezes mais tóxico para esses insetos do que qualquer outro agrotóxico.

Durante a aplicação, os neonicotinóides são colocados nas sementes e, após elas serem plantadas na terra, esse agrotóxico se espalha para além da plantação, podendo contaminar flores silvestres, solo e água. Além das abelhas, outros animais também são afetados pelo veneno, como pássaros e outras espécies silvestres.

Outros casos

Não é a primeira vez que o assunto é discutido nos Estados Unidos. Em 2017, a CFS ingressou com uma ação na Justiça contra a EPA, exigindo que as sementes com revestimento neônico não escapem mais da regulamentação. No ano seguinte, a CFS protocolou uma notificação na qual expressava a intenção de processar a administração Trump por reverter uma moratória sobre agrotóxicos neônicos e culturas geneticamente modificadas em refúgios de vida silvestre.

Recentemente, a CFS endossou a Lei de Proteção aos Refúgios, de 2019, que irá restabelecer a moratório sobre os refúgios de vida silvestre, e apoiou a Lei de Proteção dos Polinizadores da América, que exigiu que a EPA tomasse medidas imediatas para proteger os polinizadores dos neonicotinóides. Além disso, a CFS está pedindo proteção a quatro espécies de abelhas ao Estado da Califórnia. O pedido é para que esses insetos sejam adicionados à Lista de Espécies em Perigo do estado.

Outra ação recente da CFS foi o lançamento de um aplicativo gratuito, que recebeu o nome de “Wild Bee ID”, para capacitar jardineiros com o objetivo de incentivá-los a desenvolver um papel ativo na conservação das abelhas.

Além dos Estados Unidos, a União Europeia também proibiu três agrotóxicos neonicotinóides de serem utilizados em plantações após a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar expor preocupação sobre os prejuízos que esses venenos representam para os insetos polinizadores. A rança também proibiu o uso de dois agrotóxicos dessa classe em campos de cultivo e estufas.

Brasil e Estados Unidos lideram retrocessos ambientais, revela estudo

Um estudo realizado pela ONG Conservação Internacional concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lidera uma tendência mundial de retrocessos ambientais. A pesquisa, que é a mais abrangente já feita neste segmento, foi feita por um grupo de cientistas de várias universidades estrangeiras. Para chegar no resultado apresentado, os pesquisadores analisaram todos os atos governamentais que resultaram em redução de metragem, diminuição de restrições ou extinções de áreas de proteção ambiental no mundo inteiro de 1892 a 2018. O resultado do estudo sai na edição desta sexta-feira (31) na revista científica “Science”.

(Foto: iStock.com / eppicphotography)

“Antes campeões em conservação global, Estados Unidos e Brasil estão agora liderando uma tendência mundial preocupante de grandes retrocessos na política ambiental, colocando em risco centenas de áreas protegidas”, afirmou uma nota publicada pela Associação Americana Para o Avanço da Ciência (AAAS – na sigla em inglês). “As mudanças regressivas buscam alterar ou remover legalmente o status de proteção e diminuir o tamanho das áreas de conservação natural”, completou.

O estudo analisou os 126 países do mundo e concluiu que 73 deles promulgaram 3.749 legislações que resultaram na extinção de 519.857 quilômetros quadrados de áreas protegidas – o que corresponde a um espaço maior que a Espanha – e no afrouxamento da proteção de 1.659.972 quilômetros quadrados – o equivalente a três vezes o tamanho da França.

Coautor do estudo, o biólogo e geocientista Bruno Coutinho, diretor de gestão do conhecimento da Conservação Internacional Brasil, considera que é importante reforçar que a existência de áreas protegidas “não representa a garantia, para sempre, de proteção legal da biodiversidade e de serviços ecossistêmicos nelas gerados”.

A bióloga e cientista social Rachel Golden Kroner, da área de governança ambiental e impactos da ONG nos Estados Unidos e principal autora da pesquisa, lembrou ainda, em entrevista à BBC News Brasil, “que áreas protegidas não são para sempre”. “Elas podem ser e estão sendo revertidas por meio de afrouxamentos de restrições, limites de área reduzidas e extinções completas”, disse Kroner.

(Foto: luoman/Getty Images)

“A pesquisa mostrou que alterações na legislação ambiental dos países estudados podem comprometer a durabilidade e a eficácia das áreas protegidas, por recategorização, por redução de área ou por extinção completa”, reforçou Coutinho à BBC News Brasil.

Em 62% dos casos, o afrouxamento feito através de leis está ligado a práticas de extração de recursos e desenvolvimento industrial em grande escala, o que inclui obras de infraestrutura, mineração e agricultura de commodities.

Os pesquisadores indicam que seja realizado um debate estratégico entre os setores impactados e os que impactam as áreas protegidas e seus entornos, além da compreensão dos efeitos, o tratamento dos atos promulgados e a manutenção da efetividade das áreas protegidas.

Ainda de acordo com o estudo, 78% dos atos legislativos voltados para esta questão foram promulgados, em todo o mundo, do ano 2000 em diante. “As reversões legais para áreas protegidas parecem estar se acelerando”, explicou Kroner. “Respostas políticas são necessárias para salvaguardar os esforços de conservação”, acrescentou. Segundo a cientista, os processos devem ser “transparentes, baseados em evidências, participativos e responsáveis” e credores e doadores internacionais devem considerar essa questão na tomada de decisão sobre financiamentos.

O Brasil

No Brasil, 85 atos legislativos foram promulgados, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. “Destes, 60 ocorreram na Amazônia”, afirmou Coutinho. Mudanças na legislação fizeram a região amazônica perder pouco mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção.

“A maioria desses eventos, 42 deles, ocorreram após 2010 – grande parte em função de obras de infraestrutura”, disse Coutinho. “A causa mais prevalente foram decorrentes de autorizações de barragens de energia elétrica na Amazônia”, completou Kroner, que compilou dados que revelaram que o Brasil é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.

“Estamos assistindo a uma aceleração desses retrocessos no Brasil”, disse. “Oitenta e quatro por cento das reduções aprovadas ocorreram desde o ano 2000”, acrescentou.

(Foto: Pixabay)

Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira afirmou que sua gestão precisou alterar status de áreas protegidas para equilibrar interesses de diversas políticas públicas. Ela argumentou, no entanto, que essas alterações foram feitas sob compensações, considerando a biodiversidade.

“Muitas vezes isso aconteceu”, afirmou à BBC News Brasil. “Por interesses sociais, programas que precisavam ser implantados. Por outro lado, ampliamos ou compensamos a área, como aconteceu no Parque Nacional dos Campos Amazônicos”, completou. Uma medida provisória do governo Dilma Rousseff alterou o limite de seis unidades de proteção, em 2012, para construir hidrelétricas na Amazônia.

Para Teixeira, retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse.

O geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, classificou o cenário como “assustador”. “Reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”, afirmou Minc, em entrevista à BBC News Brasil.

“Entendo que as reduções têm sua principal origem no interesse econômico. Sobretudo da mineração e da pecuária. Também para obras e empreendimentos do agronegócio”, disse. “Ganhou força o grupo político mais conservador e reacionário que despreza e desqualifica os ganhos ambientais e prega abertamente a extinção de leis e parques que protegem a biodiversidade”, completou.

(Foto: Pixabay)

“Em nossa gestão no Ministério do Meio Ambiente, criamos ou ampliamos 54 mil quilômetros quadrados de parques e reservas extrativistas. Cada uma era uma guerra”, lembrou Minc, que disse ainda que um cabo de guerra existe entre os ministérios quando se trata de criar áreas protegidas. “Eu solicitei um estudo sobre os ganhos econômicos dos parques e reservas para o turismo, o extrativismo, a água e o clima. Mas os demais ministérios geralmente não consideram o ganho ambiental, social, de biodiversidade e até de água para a agricultura”, disse.

Para o jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, “não chega a surpreender que tenha havido redução significativa das áreas protegidas”. “Atribuo a tendência à pressão constante de interesses econômicos – madeireiros, de mineração, agropecuários, grileiros de terras públicas – e, em menor grau, à pressão social de trabalhadores sem-terra”, afirmou à BBC News Brasil.

“Manter as áreas protegidas nunca foi fácil em razão da enorme desigualdade existente entre os recursos de fiscalização e o poder de grupos econômicos regionais”, completou Ricupero.

O atual ministro do Meio Ambiente, o advogado Ricardo Salles, foi questionado pela BBC News Brasil sobre quais medidas devem ser adotadas devido aos dados apresentados pelo estudo. O ministro, no entanto, não respondeu ao questionamento até a publicação desta reportagem.

Decisões atuais e o futuro

Para Ricupero, “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.

“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse.

De acordo com o estudo, é necessário estar alerta às propostas em tramitação. “O estudo encontrou 60 eventos propostos, sendo metade deles na Amazônia”, disse Coutinho. Se aprovadas, as medidas prejudicariam 200 mil quilômetros quadrados de bioma – o que corresponde a uma área do tamanho do estado do Paraná.

“A tendência é só piorar, dada a posição do presidente e do atual ministro, e à maior força da bancada ruralista”, disse Minc. “A maior ameaça à biodiversidade é o projeto de lei que acabaria com a reserva legal, que pode ocasionar o maior desmatamento do planeta, da ordem de 1,3 milhão de quilômetros quadrados”, completou. A área citada por Minc equivale a dez vezes o tamanho da Inglaterra.

“Outros projetos de lei negam ao governo a iniciativa de criar parques ou demarcar terras indígenas. Há ainda os que liberam a caça, a lei do abate, até para espécies ameaçadas – que, segundo os autores, estariam ‘ameaçando os rebanhos nas fazendas'”, disse o ex-ministro. “Os projetos que esvaziam o licenciamento ambiental representam outra grave ameaça aos rios e florestas e à saúde da população”, acrescentou.

Para Coutinho, “reversões na regulamentação devem ser amplamente discutidas”. “Estamos sempre dispostos a estabelecer diálogos para o desenvolvimento sustentável com base em dados e boa informação científica”, disse.

“O que os dados mostram é que a proteção do capital natural – entendido aqui como a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos – pode ser grande aliada do desenvolvimento econômico e social, respeitando-se direitos e interesses de diversos setores da sociedade uma vez que todos são beneficiários dos serviços ecossistêmicos”, defendeu Coutinho. “A velocidade em que a biodiversidade vem sendo perdida pode comprometer a funcionalidade do sistema e consequentemente a humanidade no planeta”, concluiu.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA.


 

Norte-americanos são condenados a mais de 30 anos de prisão por zoofilia

Os norte-americanos Matthew Brubaker, de 31 anos, Terry Wallace, de 41, e Marc Measnikoff, de 34, foram condenados a penas de prisão que vão de 30 a 41 anos por zoofilia. Eles estupraram mais de onze animais durante anos. As vítimas são nove éguas, uma vaca, uma cabra e um número indefinido de cadelas. O caso aconteceu na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

Foto: Reprodução / The Independent

Um adolescente de 16 anos foi o responsável por denunciar os estupradores. Ele acionou as autoridades do condado de Clearfield, em agosto de 2018, e contou que era obrigado a amarrar os animais para que eles fossem abusados sexualmente. No mesmo dia, os três homens foram detidos pela polícia. As informações são do portal SOL.

Uma grande quantidade de vídeos de zoofilia caseiros e equipamentos de gravação foram encontrados na propriedade. Segundo o jornal The Independent, os estupros aconteciam “num curral específico para esse fim”.

Brubaker, Wallace e Measnikoff foram acusados de mais de 1,4 mil crimes relacionados à zoofilia, à crueldade animal, ao risco que eles representavam para crianças que moravam com eles e à corrupção de menores de 18 anos.

O procurador William Shaw afirmou, em entrevista ao The Independent, que “este é um dos casos mais extremos de abuso animal” dentre os quais ele já se deparou em sua vida profissional. Shaw relevou que os menores que viviam com os estupradores estão sob a custódia do estado da Pensilvânia.

Todos os animais vítimas de abuso foram resgatados. Eles estão sob a responsabilidade da Sociedade de Prevenção da Crueldade Animal, uma ONG que trabalhará em conjunto com as autoridades para disponibilizá-los para adoção.

Órgão dos EUA pede cuidado com ninhos de beija-flor durante poda a árvores

O Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (FWS, na sigla em inglês), órgão federal que zela pelos animais silvestres e habitats deles, fez um alerta sobre os ninhos de beija-flor que são feitos pelas aves em árvores e arbustos.

Foto: Pixabay

Por serem animais pequenos, que na vida adulta podem ter de 6 a 20 centímetros e pesar de 1,5 a 20 gramas, conforme a espécie, o beija-flor não precisa fazer um ninho robusto para por os ovos. Por isso, essas aves costumam construir ninhos feitos com teia de aranha e saliva, que são frágeis, têm cerca de 3 a 4 centímetros de raio, e podem ser facilmente destruídos.

Devido a essa delicadeza, é comum que os ninhos sejam derrubados e desfeitos de forma acidental, especialmente durante a prática da poda de árvores de arbustos. As informações são do portal Almanaque SOS.

Preocupado com essa realidade, o órgão decidiu publicar um comunicado, nas redes sociais, pedindo mais cuidado aos norte-americanos durante a poda.

“Ovos de beija-flor são minúsculos, do tamanho de jujubas! Por favor, lembre-se de verificar cuidadosamente se há ninhos antes de aparar árvores e arbustos nesta primavera”, diz a publicação.

O cuidado simples, de verificar se há ninhos no local antes de fazer a poda, é primordial para a preservação da espécie.

Circos com animais selvagens estão a um passo de serem proibidos

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

O sofrimento e a exploração dos animais de circo pode acabar em breve nos Estados Unidos. Um projeto de lei que proíbe o uso de animais selvagens em circos itinerantes acabou de ser introduzido no congresso americano.

A medida, chamada de Viagens com Animais Exóticos e Lei de Proteção à Segurança Pública (TEAPSPA), foi apresentada hoje à Câmara dos Representantes, Common Dreamsreported.

O projeto de lei alteraria a Lei de Bem-Estar Animal, uma lei que monitora o tratamento humano dados aos animais em pesquisa, transporte, entretenimento e muito mais desde 1966.

A TEAPSPA proibiria que circos itinerantes e atos semelhantes que exibissem animais exóticos e selvagens. O site do projeto explica os “efeitos adversos” do cativeiro e do transporte em animais usados para entretenimento.

“Devido ao confinamento severo, falta de exercício ao ar livre e a restrição de comportamentos naturais, os animais usados em circos itinerantes sofrem constantemente e são propensos a problemas de saúde, comportamentais e psicológicos”, explica o texto do projeto.

“É comum a equipe de circo maltratar os animais usando ganchos, chicotes, bastões elétricos e barras de metal, o que muitos considerariam ´tortura pura´”, diz a TPSPSPA.

O texto acrescenta que as autoridades policiais tem que lutar para conseguir monitorar efetivamente os circos devido à sua mobilidade constante, o que significa que a “brutalidade” enfrentada pelos animais geralmente não é documentada.

“O Congresso tem a responsabilidade de proteger o bem-estar dos animais e garantir a segurança pública”, afirma o site.

A proibição do envolvimento de animais exóticos e selvagens em circos também beneficiaria a economia, segundo a TEAPSPA, que a chama de “solução menos dispendiosa para esse problema”.

O projeto aponta que entre 2007 e 2010, o USDA inspecionou o circo Carson & Barnes Circus, 42 vezes, gastando um total de 57.246 dólares para fazer isso.

Cachorro é adotado após viver seis anos em abrigo nos Estados Unidos

O cão Higgins viveu seis longos anos em um abrigo em Ohio, nos Estados Unidos, até que teve a oportunidade de viver em um lar de verdade.

Leslie Renner, diretora executiva da The Humane Society de Preble County, nunca desistiu de encontrar um tutor para o cachorro, que foi viver no abrigo quando ainda era filhote. As informações são do The Dodo.

Foto: Humane Society of Preble County

Logo após chegar na ONG, ele foi adotado. Mas foi maltratado e retornou ao abrigo, onde permaneceu por anos. “Ouvimos dizer que ele não era nada mais do que um cachorro acorrentado a uma casa de cachorro”, disse Renner. “Cerca de um ano depois, alguém entrou com um cachorro perdido – e foi ele”, contou.

“Ninguém nunca veio procurá-lo. Ninguém se importou”, disse ela, ao se referir à família que havia o adotado.

Higgins se sente mais tranquilo sozinho, sem outros animais por perto e isso dificultava a adoção dele. Além disso, ele já não era mais um filhote. “As pessoas estão procurando filhotes ou cachorros com seis meses”, disse Renner. “Quando ele voltou, tinha um ano e depois dois e depois três”, completou.

“O rosto dele sempre parecia tão preocupado que ele ficou um pouco intimidado quando estava em seu canil. As pessoas simplesmente passaram por ele”, lamentou.

Foto: Brendon Reed

No entanto, após tantos anos vivendo no abrigo, o cão foi adotado. Brendon Reed, de 22 anos, foi até o local e disse: “estou aqui para levar Higgins para casa”.

Reed havia acabado de comprar sua primeira casa e, ao saber da triste história do cachorro, não pensou duas vezes e decidiu adotá-lo. “Ele era apenas um cachorro lindo. Ele parecia tão fofo… Eu não sei como ele não foi adotado”, disse o jovem.

Depois de ser maltratado na primeira casa em que viveu e passar anos em um abrigo, sem uma família, Higgins agora desfruta do amor de seu novo tutor, dorme no sofá, assiste TV, diverte-se correndo pelo quintal e rola na grama.

“Ele é tão feliz, é meio louco”, disse Reed.

Foto: Brendon Reed

Recordação: empresa transforma cinzas de animais mortos em objetos

Uma empresa norte-americana transforma cinzas de animais mortos em objetos. O objetivo é permitir que os tutores tenham uma recordação palpável daqueles animais que um dia viveram com eles.

Foto: Reprodução / GreenMe

A Davenport Memorial Glass, localizada em North Idaho (EUA), é capaz de transformar as cinzas em patas, pingentes circulares, corações, elefantes e outros itens, todos em vidro. As informações são do portal GreenMe.

A ideia foi bem aceita pelos norte-americanos. E, apesar do Brasil não ter um serviço como esse, é possível que um brasileiro consiga um objeto feito com as cinzas de um animal. Para isso, basta cremá-lo e enviar as cinzas à empresa pelos correios.

Para produzir os objetos, técnicas clássicas são combinadas com métodos modernos. As cinzas são processadas de forma a serem transformadas em um objeto decorativo.

As peças são vistas pelos tutores como uma forma de manter mais vivas as lembranças do animal, que mesmo após a morte continua sendo parte da família.

Foto: Reprodução / GreenMe

Foto: Reprodução / GreenMe