Gatos são capazes de reconhecer o próprio nome, comprova estudo

Gatos são conhecidos por muitas vezes ignorarem os humanos. E não pense que é porque eles não entendem quando são chamados. Uma nova pesquisa desenvolvida por japoneses traz evidências de que gatos são perfeitamente capazes de reconhecer seus nomes quando os ouvem.

Embora muitos tutores de gatos tenham certeza de que seus amados animais os entendem, não havia até agora evidências científicas para comprovar isso.

Foto: Ralchev Design / Getty Images/iStockphoto

Para desvendar isso, uma equipe liderada por Atsuko Saito, da Universidade Sophia, no Japão, recrutou 78 gatos para fazer experimentos.

“Os gatos são sensíveis às diferenças das características da voz humana”, escreveram os autores em seu artigo, publicado na “Scientific Reports”. “Alguns tutores insistem que seus gatos podem reconhecer seus próprios nomes e palavras relacionadas à comida”.

A equipe, então, investiu em testar a hipótese de que os gatos sejam capazes de discriminar palavras diferentes, particularmente seus próprios nomes.

Como foi feito o estudo

Para cada gato, quatro palavras diferentes foram faladas através de uma gravação dos pesquisadores ou dos tutores falando. Depois de falarem essas quatro palavras, eles pronunciavam o nome do gato.

Os cientistas consideravam que houve algum reconhecimento quando havia uma resposta perceptível, em que o animal movia suas orelhas, cabeça ou cauda, ​​ou fazia barulho.

Enquanto a maioria dos gatos inicialmente reagiu às palavras que estavam sendo faladas, o interesse diminuiu à medida que a lista era lida. No entanto, eles tinham tendência de se entusiasmar quando o cientista lia a palavra final — o nome do animal.

A pesquisadora Kristyn Vitale, que estuda o vínculo entre humanos e gatos na Universidade do Estado do Oregon e não participou do experimento, disse que os resultados “fazem todo sentido”.

No entanto, ela afirmou à Associated Press que não considera que os resultados signifiquem que os animais atribuem um sentido profundo ao seu próprio nome — como uma noção de “eu”. Para ela, eles simplesmente aprender a reconhecer um som.

A equipe da pesquisa concordou que, apesar da aparente compreensão demonstrada pelos gatos, eles provavelmente aprendem a associar o som de seus nomes a algo positivo, como comida, ou a algo negativo, como uma viagem iminente ao veterinário. Por isso, sempre que ouvem esse mesmo som, mostram alguma reação.

Os autores também notaram que os felinos que vivem junto com muitos outros animais têm mais dificuldade de estabelecer uma diferença entre seus nomes e os de seus colegas.

Isto provavelmente acontece porque, quando eles estão ao lado de dezenas de outros gatos, associam todos os nomes sendo chamados com recompensas ou punições familiares.

Fonte: Extra

Convivência com animais garante velhice mais feliz e saudável, diz estudo

Além de transformar a vida de um animal que precisava de um lar e encher a própria vida de amor, um estudo encontrou mais uma vantagem da adoção: garantir uma velhice mais feliz e saudável. De acordo com a pesquisa feita pela Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, e divulgada na quarta-feira (3), 90% dos idosos que tutelam animais domésticos afirmam que a convivência entre eles os ajuda a aproveitar a vida e a se sentir amados. Outros 80% deles afirmam que o contato com os animais reduz o estresse.

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Os pesquisadores ouviram 2 mil pessoas com idades entre 50 e 80 anos, sendo que 55% delas tutelam um animal. Entre os tutores, 80% garantem que o animal ajuda a ser fisicamente ativo, porque demanda cuidados diários e passeios – e lhes dão um propósito na vida.

Mais de 60% das pessoas disseram também que o animal ajuda a lidar com problemas como depressão, isolamento social e solidão. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

Um dos entrevistados pela pesquisa é Francisco Palmisciano, o Franzi, de 80 anos. Ele dizia que não gostava de gatos, até conhecer Mila, a gata da filha dele, que foi passar alguns dias na casa de Franzi, na Vila Constança, na zona norte de São Paulo.

Com a convivência com o animal, Franzi não deixou a filha levá-la embora e, quatro meses depois, adotou outra gata, encontrada por ele embaixo de um carro, abandonada. Ele afirma que se sente menos sozinho e mais bem disposto na companhia dos animais.

“Antes eu chegava aqui e não tinha nada, ninguém. Agora, tem as gatinhas, então quando eu chego em casa procuro logo onde elas estão”, conta. “Você fica mais ativo, sim, é muito bom. Quem não gosta de animal nenhum fica meio vazio, eu acho”, completa.

Estudos comprovam que a convivência com animais reduz o estresse, os sintomas de depressão e ansiedade e incentiva atividades físicas. De acordo com especialistas, os animais promovem uma interação social mais intensa, crucial para a velhice, faixa etária em que a solidão é comum.

“A pessoa tende a conhecer outras pessoas, cria vínculos com outros tutores de animais”, afirma a veterinária Carolina Rocha, especialista em terapia assistida com animais pela Universidade de São Paulo (USP). “Isso mantém a pessoa mais ativa, participativa, menos sozinha, menos deprimida”, acrescenta.

No entanto, a professora de medicina veterinária Juliana Almeida, da Universidade Federal Fluminense (UFF), faz um alerta: é preciso estar atento aos cuidados que um animal precisa, como alimentação adequada, vacinação e atendimento veterinário.

Diversidade genética dos leões sofre impacto de mais de cem anos de caça

Foto: Getty Images/Reprodução

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Ainda aclamado como o rei da selva, as populações de leões têm entrado em um declínio rápido e alarmante em sua composição genética herdada de seus ancestrais, que viveram há mais de 100 anos.

Um estudo realizado por pesquisadores da Zoological Society of London, mostra o impacto que a caça de grandes felinos tem causado uma queda e um enfraquecimento preocupantes em seu status genético.

De acordo com a pesquisa, o declínio em sua força física ao longo de um século foi provavelmente em função do impacto causado pela caça incessante de animais selvagens na África.

O estudo, intitulado “Um século de declínio: Perda de diversidade genética no leão da África do Sul”, tinha como objetivo analisar “a mudança na diversidade genética sobre uma área definida” e trazer a luz sobre o declínio das populações de leões.

Foto: Getty Images/Reprodução

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Para analisar o declínio, a equipe de especialistas em animais comparou as amostras de leões antigos e atuais da região do Kavango-Zambeze.

O principal autor e biólogo conservacionista da Sociedade Zoológica de Londres, Simon Dures, disse: “Nossa análise demonstra que, no último século, a população de leões da região do Kavango-Zambeze perdeu muito de sua diversidade genética”.

Além de coletar o DNA de leões selvagens da área de conservação de Kavango-Zambeze, os pesquisadores também coletaram amostras de pele e osso de leões que haviam sido mortos entre os anos de 1879-1935 e enviados para o Museu de História Natural.

No relatório, Dures acrescentou: “O rápido declínio observado na riqueza alélica e nos níveis mais altos de diferenciação genética coincide com a chegada dos primeiros colonos ocidentais em 1890 e o subseqüente aumento da presença humana na região após o fim das Guerras Matabele em 1897.

Além disso, as armas de fogo modernas tornaram-se mais presentes durante a colonização europeia e os animais eram frequentemente perseguidos e mortos em profusão, o que provavelmente contribuiu para o declínio precoce dos leões na região do estudo.

“Enquanto o tempo de declínio genético e os assentamentos da colonização forem compatíveis o suficiente para sugerir a causa, a evidência não é conclusiva”, esclarece o biólogo.

O novo estudo fornece mais evidências sobre a importância de proteger as espécies de animais selvagens dos caçadores e sobre os efeitos das mudanças climáticas.

Tutores com problemas de saúde constroem forte vínculo com animais

Um estudo realizado pelo Instituto Ipsos para a Boehringer Ingelheim Saúde Animal concluiu que pessoas com problemas de saúde constroem fortes vínculos com os animais. A pesquisa envolveu 3 mil tutores de cachorros e gatos na França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália e Espanha. Em cada país foram ouvidos 300 tutores de gatos e 300 de cachorros.

Participaram do estudo tutores saudáveis, com problemas de saúde e também aqueles que têm crianças com problemas de saúde na família. As informações são do blog Bom Pra Cachorro, da Folha de S. Paulo.

Foto: Fotolia

Primeiramente, os pesquisadores fizeram uma pesquisa qualitativa sobre relação diária e os laços com os animais. Depois, foi realizada uma consulta para quantificar o relacionamento e os benefícios dos animais para cada um deles.

A maior parte dos entrevistados considera o animal como membro da família e afirma que a presença dele traz benefícios, proporcionando mais relaxamento e contribuindo para a prática de exercícios físicos, devido à necessidade de levá-lo para passear.

De acordo com os resultados da pesquisa, 96% dos tutores de cachorros e 91% dos tutores de gatos afirmam que os animais têm impacto positivo na vida diária e 66% os considera membros da família. Para 55% dos entrevistados, os animais melhoram o estado de saúde do tutor e proporcionam relaxamento. Já 43% afirma que ter um animal contribui para aumento da prática de exercícios físicos.

Ainda segundo a pesquisa, 7% dos tutores diminuíram o uso de medicamentos – relaxantes, depressivos e sedativos – devido à convivência com um animal. O estudo concluiu também que pessoas com problemas de saúde passam mais tempo com o animal e estão mais envolvidos emocionalmente com ele. Para 80% dos entrevistados, amor incondicional e confiança estão relacionados aos animais.

Mais um resultado obtido pela pesquisa é o de que entrevistados com filhos que sofrem de doença grave ou crônica são mais conscientes do vínculo existente entre animais e humanos do que os outros dois grupos que participaram do estudo.

O interesse da Boehringer Ingelheim em contratar a pesquisa tem relação com o evidente aumento do vínculo das pessoas com os animais e a interferência disso na saúde dos tutores. De acordo com a empresa, o benefício dessa ligação entre animal e humano ganha cada vez mais reconhecimento de especialistas, especialmente no que se refere a crianças doentes.

Pesquisadores descobrem que árvores têm “batimento cardíaco”

Os pesquisadores Zlinszky e Anders Barfod descobriram que as árvores têm uma espécie de “batimento cardíaco”. Segundo eles, os troncos e galhos se contraem e se expandem para levar a água das raízes até as folhas, de forma semelhante ao que é feito pelo nosso coração para bombear sangue para todo o organismo do corpo humano.

Foto: Pixabay

A principal diferença entre o que o coração e as árvores fazem é a frequência do “batimento cardíaco”. A árvore tem um “batimento” a cada duas horas ou mais e, ao invés de regular a pressão sanguínea, esse “batimento” serve para regular a pressão da água. As informações são do Portal Raízes.

Para chegar ao resultado do estudo, os pesquisadores usaram um scanner a laser terrestre que monitorou 22 espécies de árvores e documentou a forma como o topo dessas árvores se transformou. Os cientistas tiveram o cuidado de realizar as medições em estufas à noite para descartar o sol e o vento como fatores nas mudanças do formato das árvores.

Em várias árvores estudadas, os galhos subiam e desciam cerca de um centímetro a cada duas horas. O movimento, para os pesquisadores, é uma indicação clara de que as árvores bombeiam água das raízes para as folhas.

Os pesquisadores não sabem ainda, porém, de que forma esse “bombeamento” funciona. A sugestão deles é que o tronco aperte a água, empurrando-a através do xilema – um sistema de tecido vegetal formado por células mortas, rígidas e lignificadas que conduzem a seiva e sustentam a plana, cuja principal função é transportar água e nutrientes.

Estudo denuncia a morte de um milhão de cangurus

Um estudo experimental de ração para cangurus em Victoria (Austrália) descobriu que atiradores estão matando mais animais para aumentar seu lucro. O programa foi cercado por acusações de fraude e suborno, de acordo com um relatório do governo.

A legislação deste país permite que o cidadão comum, em posse de uma licença concedida pelo governo, possa matar os cangurus e até paga por isso. Alguns deles se tornam “assassinos profissionais” desses animais.

A desculpa usada para o extermínio dos seres sencientes é a contenção da superpopulação da espécie. A morte se torna a escolha mais fácil e simples quando demais alternativas compassivas estão na mesa.

O resultado do estudo realizado pelo governo, leva a crer que essa premissa perigosa abre espaço para fraudes, suborno e demais crimes envolvendo ambição humana. A que preço for.

Foi constatado um aumento de 250% no número de cangurus mortos em Victoria, desde o início do teste, em 2014. Um milhão morreu por causa do programa.

O relatório do Departamento de Meio Ambiente, Terra, Água e Planejamento foi liberado sob a diretriz de liberdade de informação para a Sociedade Australiana de Cangurus.

“Atiradores estavam matando mais cangurus para maximizar os lucros e davam preferência a cangurus do gênero masculinas pois quanto maior a carcaça mais dinheiro por ela”, dizia o relatório.

“O atual escopo do projeto é insuficiente para gerenciar os riscos associados ao estudo”, diz o relatório.

O relatório alertou ainda para os excessos que estão ocorrendo, como atiradores subornando proprietários de terra para ter acesso aos cangurus e agricultores cometendo fraudes e fornecendo informações falsas e enganosas sobre os pedidos enviados (de atiradores). Em um dos casos as autoridades já deram início aos trâmites legais para execução do processo.

Ainda de acordo com o relatório, os custos para o governo, que administra o teste, superaram os benefícios calculados durante o período experimental. Supostamente pelas fraudes.

A presidente da Sociedade Australiana de Cangurus, Nikki Sutterby, disse que quase metade dos cangurus de Victoria foi eliminada desde o início do teste, há apenas cinco anos.

“Centenas de milhares de cangurus indefesos foram brutalmente mortos ou deixados órfãos como resultado deste teste”, disse Sutterby.

Ela apontou para um estudo de 2014 que descobriu que atiradores profissionais, em alguns casos, tinham sido flagrados puxando cangurus por suas patas traseiras, enquanto os jogavam contra pedras, batiam em suas cabeças e os decapitavam sem misericórdia.

O departamento de meio ambiente insistiu que fez alterações no programa, incluindo protocolos de relatórios mais frequentes em relação ao número de canguru mortos e uma repressão às marcas remanescentes nas propriedades.

“O objetivo do programa é reduzir o número de cangurus com controle, independentemente do julgamento”, disse o representante do departamento.

Ele afirmou ainda que “o número de mortes de cangurus motivou mudanças no cumprimento, monitoramento e educação do programa e que fossem resolvidos os problemas que surgiram na avaliação e desempenho do mesmo”.

O programa de testes continua até o final deste mês.

Baleia-jubarte é considerado o animal mais acusticamente complexo do mundo

Foto: Pixabay

Um estudo realizado por pesquisadores da Espanha e do Reino Unido identificou que baleias da espécie jubarte emitem sons com 47 formantes, frequências fundamentais de emissão, as colocando no topo da lista dos animais mais acusticamente complexos do planeta.

A análise foi feita tomando como base gravações da espécie originárias do Alasca, do Atlântico Norte, do Caribe, do Havaí, do Oceano Indico, do Pacífico Norte e do Pacífico Sul. Segundo um comunicado emitido pela Universidade de Extremadura, na Espanha, existem apenas 15 mil indivíduos da espécie jubarte.

O professor e pesquisador Daniel Patón explicou em entrevista à agência internacional EFE, que “o número de formantes depende da estrutura anatômica de cada espécie, de tal forma que, enquanto o ser humano tem quatro ou cinco, o cervo tem sete e um rouxinol poderia ter entre 10 e 12 formantes”.

Segundo ele, o estudo dos sons emitidos pelas jubarte podem ser comparadas a uma “impressão digital” que permite traçar características peculiares a cada população e ainda analisar a evolução da espécie. Um estudo realizado em 2018 pela Universidade de Washington afirmou que sons emitidos por baleias são tão diversos quanto o canto dos pássaros.

Apenas através do estudo dos sons da jubarte comparados através de 16 distâncias matemáticas foi possível identificar parentescos entre as populações, rotas migratórias e as populações mais antigas do ponto de vista evolutivo. A pesquisa foi realizada através da análise de áudios.

Estudo científico condena a exploração de baleias e golfinhos em cativeiro

Foto: Reprodução/WAN

Foto: Reprodução/WAN

De acordo com um relatório produzido pelo Animal Welfare Institute (AWI) e WorldAnimal Protection (WAP) a situação dos mamíferos marinhos em cativeiro esta mudando, mas operações de captura ao vivo, shows itinerantes com golfinhos, mares poluídos e mortes de animais desnecessárias continuam a manchar a indústria exploratória desses animais em todo o mundo, especialmente na Ásia.

A quinta edição do relatório “O Caso Contra Mamíferos Marinhos em Cativeiro”, divulgada na conferência da ITB em Berlim (Alemanha), pretende ser material de referência para aqueles que desejam entender porque é inaceitável confinar e explorar mamíferos marinhos em exibições públicas e entretenimento.

Citando evidências científicas sólidas e argumentos éticos, o relatório de 156 páginas investiga a realidade dos bastidores de zoológicos, aquários e parques temáticos marinhos que exibem esses animais, que apesar de garantirem a “segurança e conforto” das instalações, não fornecem informações essenciais ou mesmo precisas a respeito dos recursos de conservação ou educacionais. Mamíferos marinhos sofrem problemas de saúde física e mental como consequência do confinamento em tanques pequenos. A falta de avaliação científica aprofundada e rigorosa sobre o bem-estar desses animais em cativeiro usados nessas operações é uma questão de preocupação global.

“Mamíferos marinhos simplesmente não podem ser mantidos em cativeiro”, disse a dra. Naomi Rose, principal autora do relatório e cientista especializada em mamíferos marinhos da AWI, em um comunicado. “Quase todas as espécies de mamíferos marinhos são predadores de grande alcance e o melhor que esta indústria exploratória faz por eles são tanques de concreto ou pequenos currais marítimos cercados”.

A quinta edição deste relatório – produzido pela primeira vez em 1995 – é especialmente oportuna considerando o recente anúncio feito pelo Dolphinaris Arizona de que encerraria seu show com golfinhos depois que quatro golfinhos morreram em menos de 18 meses. Desde a publicação da última edição em 2009, a controvérsia sobre os mamíferos marinhos em cativeiro se intensificou, em grande parte devido a documentários de alto impacto como “The Cove” e “Blackfish”, garantindo que cada nova proposta para construção de um dolphinário em todo o mundo terá que lidar com maior escrutínio e ceticismo.

“Uma vida em cativeiro para mamíferos marinhos, como os golfinhos, é tão contrária ao seu ambiente natural – que simplesmente não pode ser chamada de vida”, disse Nick Stewart, líder global da campanha sobre turismo na vida selvagem na World Animal Protection. “Os turistas e a indústria global de viagens criam e fornecem demanda por instalações com mamíferos marinhos em cativeiro existentes e novas, e é por isso que escolhemos lançar o relatório em um dos maiores shows de viagens do mundo. Os argumentos e evidências do sofrimento estão aqui em linguagem simples para as empresas de viagens verem”, declara ele.

Outros pontos em destaque do relatório:

• Embora esteja ocorrendo uma mudança de paradigma, com muitos países proibindo a exibição ou criação de cetáceos para entretenimento, ou proibindo e restringindo o comércio de cetáceos vivos, a captura ao vivo de mamíferos marinhos na natureza, particularmente os cetáceos, continua. Os pontos altos de captura em 2019 são a Rússia (belugas e orcas) e o Japão (várias espécies de golfinhos). O principal mercado hoje é a China, onde o número de parques temáticos de vida marinha saltou de 39 em 2015 para 76 no início de 2019.

• Considera-se que os cativeiros marinhos (cercados) de golfinhos na Ásia e no Caribe correm um risco extremo de serem atingidos por furacões e tsunamis. Sua construção também degrada o habitat da costa, destruindo mangues e danificando os recifes de corais. Várias instalações desse tipo foram severamente danificadas durante a temporada de furacões de 2017 no Caribe.

A principal preocupação em relação aos mamíferos marinhos mantidos em cativeiro é a natureza artificial e estéril do ambiente, particularmente a quantidade de espaço fornecido. Na natureza, os cetáceos podem viajar 40-100 milhas por dia cerca de (64 a 160 km), atingir velocidades de 30 milhas por hora (cerca de 48km/h) e mergulhar centenas de metros de profundidade. Mesmo nas maiores instalações, os cetáceos recebem menos de um décimo de milionésimo de 1% do seu habitat natural. Um estudo de 2014 descobriu que uma orca macho em cativeiro passou quase 70% do seu tempo totalmente imóvel. No entanto, os padrões globais para o tamanho do cativeiro não foram revisados ou melhorados.

• As condições inadequadas em que são mantidos os mamíferos marinhos em cativeiro dão origem a uma infinidade de impactos negativos sobre o seu bem-estar. A maioria deles é um predador de larga escala – o confinamento em pequenos tanques ou cercados os leva ao estresse, o que, por sua vez, leva a vários problemas de saúde, comportamentos neuróticos e níveis anormais de agressividade.

• Golfinhos nariz-de-garrafa enfrentam um aumento seis vezes maior no risco de mortalidade imediatamente após sua captura na natureza e transferência entre as instalações. As taxas anuais de mortalidade de orcas diminuíram ao longo dos anos, mas ainda não correspondem as populações saudáveis na natureza.

• A preocupação com a segurança e o bem-estar dos golfinhos tem levado várias empresas de turismo, incluindo o TripAdvisor e a Virgin Holidays, a acabar ou restringir a promoção de atrações envolvendo nado com golfinhos. Esses animais belos, inteligentes e únicos jamais vão se adaptar ao cativeiro e mantê-los dessa forma é um crime contra a natureza.

Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla só 1,2%

O Brasil é o 4º maior produto de lixo plástico do mundo – ficando atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Índia – e recicla só 1,2% do lixo produzido. Os dados são de um estudo feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

O relatório “Solucionar a Poluição Plástica – Transparência e Responsabilização” será apresentado na Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-4), que será realizada em Nairóbi, no Quênia, de 11 a 15 de março. As informações são do portal G1.

Foto: Adneison Severiano/G1 AM

De acordo com a pesquisa, o Brasil produz 11.355.220 milhões de toneladas de lixo plástico por ano e cada brasileiro produz 1 kg de lixo plástico por semana. Somente 145.043 toneladas do lixo produzido são recicladas. Outras 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de forma irregular e 7,7, milhões de toneladas ficam em aterros sanitários. O estudo concluiu ainda que mais de 1 milhão de toneladas não é recolhida no Brasil.

Dentre os maiores produtores de lixo plástico, o Brasil é o que menos recicla. A pequena quantidade de lixo reciclado coloca o país atrás do Yêmen e da Síria e abaixo da média mundial, de 9%.

“O fato de o Brasil está no 4º lugar como gerador de lixo plástico do mundo e reciclar somente 1% é resultado da falta de políticas públicas adequadas que incentivem a reciclagem em larga escala”, explica Anna Carolina Lobo, coordenadora do Programa Mata Atlântica e Marinho do WWF-Brasil. “Mas também da adoção de um trabalho conjunto com indústrias para desenvolver novas tecnologias, como plásticos de uso único ou plásticos recicláveis, ou substituir o microplástico de vários produtos. Além da própria sociedade enquanto consumidora porque podemos mudar o cenário de acordo com nossas atitudes do dia a dia”, acrescenta.

A ONG explica que a poluição pelo plástico afeta a qualidade do ar, do solo e também os sistemas de fornecimento de água, já que o produto absorve diversas toxinas e pode levar até 100 anos para se decompor na natureza.

Foto: WWF

Para resolver o problema, as possíveis soluções são destinação correta, reciclagem e diminuição da produção de lixo plástico. Para Lobo, banir canudos e descartáveis é importante, mas é preciso também realizar um trabalho com os estabelecimentos comerciais para que eles não continuem ofertando produtos plásticos e com o consumidor para que ele faça o descarte correto.

Lobo considera que há muitos entraves no Brasil para uma taxa mais alta de reciclagem e um descarte correto do lixo. “Se a gente pensar que nem saneamento básico chegou para todo mundo, imagina a reciclagem. Tem também a falta de estrutura para fazer coleta seletiva em larga escala e a questão da educação ambiental de fazer a separação do lixo. E falta também uma conscientização por paste das empresas de que elas precisam ser responsáveis pelo produto durante todo o ciclo de vida”, comenta.

A curto prazo, uma ideia possível e mais barata é voltar a utilizar embalagens retornáveis, como anunciado pela Coca-Cola e pela Pepsico, que já testam o serviço em alguns países.

Poluição afeta oceanos

Devido à falta de destinação correta do lixo, boa parte dos resíduos plásticos chega aos oceanos. De acordo com a WWF, todos os anos 10 milhões de toneladas do produto contamina os oceanos, o equivalente a 23 mil aviões Boeing 747 pousando nos mares e oceanos anualmente – mais de 60 por dia.

Foto: Pixabay

Se a situação não for revertida, o equivalente a 26 mil garrafas de plástico será encontrado no mar a cada km² até 2030.

“De todo lixo encontrado no litoral brasileiro, a maior parte é plástico. Esse verão do fim de 2018/início de 2019 foi o recordista de animais mortos na costa brasileira – principalmente no litoral de São Paulo – e boa parte dos grandes mamíferos tinham plástico em seus estômagos”, disse Lobo.

Cientistas afirmam que 1700 espécies de pássaros e animais estarão ameaçadas de extinção nos próximos 50 anos

Araçaçu de bico curvo uma das espécies listadas pelo estudo | Foto: Reprodução/Pinterest

Araçaçu de bico curvo uma das espécies listadas pelo estudo | Foto: Reprodução/Pinterest

Os seres humanos vão colocar centenas de espécies de pássaros e animais em risco de extinção destruindo seus habitats naturais nos próximos cinquenta anos, um estudo avisa.

Conforme a humanidade expande a utilização da terra ao redor do planeta, a vida selvagem vai perdendo muito de seu habitat o que pode levar numerosas espécies a extinção de fato.

Até o ano 2070, pesquisadores preveem que até 1.700 espécies de anfíbios, aves e mamíferos estão ameaçados exatamente por terem sido expulsos de seus lares.

Ecologistas da Universidade de Yale examinaram como as mudanças causadas pelo uso da terra vão impactar no futuro da biodiversidade, a variedade de plantas e da vida animal encontradas em um habitat particular.

Eles examinaram cenários diferentes baseados em crescimento da população e mudanças econômicas na sociedade global que poderiam levar a um aumento no uso da terra

Eles então compararam as áreas mais prováveis para expansão humana a regiões que 19.400 espécies chamam de lar.

Pesquisadores descobriram que 886 anfíbios, 436 pássaros e 376 mamíferos perderiam tanto de seu habitat natural correriam um risco muito maior de extinção.

Espécies vivendo no Centro e no Leste da África, Mesoamerica, África do Sul e Sudeste da Ásia vão sofrer as maiores perdas, de acordo com o estudo.

A equipe de pesquisadores disse que os caminhos potenciais para expansão representam “expectativas razoáveis” sobre os futuros desenvolvimentos sociais, demografia e economia.

O co-autor do estudo, Walter Jetz, disse: “Nossas descobertas ligam esses futuros plausíveis a suas implicações para a biodiversidade”.

“Nossas análises nos permitem rastrear como as decisões políticas e econômicas – através de suas mudanças associadas à cobertura da terra global – devem causar declínio na extensão do habitat de espécies em todo o mundo.”

O estudo mostra que, em um cenário de “meio termo” de mudanças moderadas no uso da terra, cerca de 1.700 espécies provavelmente experimentarão um aumento acentuado em seu risco de extinção nos próximos 50 anos.

As descobertas sugerem que elas perderão de 30% a 50% de seus atual habitat até 2070.

Entre elas estão espécies cujos destinos serão particularmente terríveis, como o sapo de Lombok na Indonésia, o iechwe do Nilo no Sudão do Sul, trepador sobrancelha no Brasil e o arapaçu de bico curvo encontrado na Argentina, Brasil e Uruguai.

Iechwe do Nilo | Foto: E.J. Peiker

Iechwe do Nilo | Foto: E.J. Peiker

Prevê-se que todos eles percam metade da faixa geográfica que ocupam atualmente nas próximas cinco décadas.

As projeções e todas as outras espécies analisadas podem ser analisadas no site Map of Life (Mapa da Vida, na tradução livre).

O mapa mostra o impacto nas espécies numa resolução de escala por quilômetros.

“A integração de nossas análises com o Mapa da Vida pode servir como apoio a qualquer um que deseje avaliar como as espécies podem sofrer sob cenários futuros específicos de uso da terra e ajudar a prevenir ou mitigar esses efeitos”, disse Ryan P. Powers, co-autor, pós-doutorando e professor aposentado de Yale.

As Espécies que vivem na África Central e Oriental, América Central, América do Sul e Sudeste da Ásia sofrerão a maior perda de habitat e maior risco de extinção, de acordo com o estudo.

Mas o professor Jetz alertou o público para não assumir que as perdas são apenas problema dos países em cujas fronteiras elas ocorrem.

“Perdas em populações de espécies podem impactar de forma irreversível no funcionamento de ecossistemas e na qualidade de vida humana”, ele disse

“Embora a destruição da biodiversidade em partes longínquas do planeta possa não nos afetar diretamente, suas consequências para a subsistência humana podem reverberar globalmente”, alerta o professor.

O professor explica ainda que é frequentemente das demandas situadas mais distantes que surge a necessidade que leva a essas perdas de biodiversidade e habitats – por exemplo as madeiras de lei tropicais, o óleo de palma ou soja – tornando assim, a nos todos, co-responsáveis pela situação.

Os resultados do estudo foram publicados pela revista Nature Climate Change.