Açougueiros oferecem alternativas à carne em resposta à demanda no Reino Unido

Por David Arioch

“Se eles estão olhando para a sua ingestão de carne e estão procurando algo diferente, então esta é uma ótima alternativa” (Foto: Divulgação)

O que até alguns anos atrás parecia improvável, hoje já é uma realidade cada vez mais comum. Em resposta à demanda, açougueiros no Reino Unido estão comercializando também alternativas à carne. Um exemplo é a Thurston Butchers, de Suffolk, que desde ontem (13) começou a estocar e oferecer os produtos da marca THIS, que diz criar “a alternativa à carne mais realista do mundo”.

Entre os produtos oferecidos pela empresa, e que têm atraído a atenção dos açougueiros, estão substitutos de bacon e de frango. “As pessoas provavelmente acham que é absurdo um açougueiro vender produtos veganos. Mas eu vejo isso como uma alternativa – nós realmente recebemos muitas solicitações de alternativas vegetarianas ou veganas de nossos clientes”, explica Alistair Angus, que comanda a Thurston Butchers.

Fundada por Andy Shovel e Pete Sharman, a THIS surgiu com o objetivo de incentivar o consumo de mais alimentos à base de plantas. “Fiquei francamente surpreso quando a Thurston Butchers entrou em contato. Não é todo dia que uma marca baseada em plantas consegue o endosso de tradicionalistas amantes da carne”, diz Andy Shovel.

“Se eles estão olhando para a sua ingestão de carne e estão procurando algo diferente, então esta é uma ótima alternativa”, justifica o açougueiro Alistair Angus. A THIS destaca que sua missão é conquistar principalmente os amantes da carne, e que seus produtos, que têm ervilha como um dos ingredientes principais, resultam de dois anos de pesquisa e desenvolvimento em parceria com especialistas em texturas e aromatizantes – mas sem o impacto ético ou ambiental da carne.

Os produtos da THIS já estão sendo comercializados em alguns açougues no Reino Unido e também na Holland & Barret, Ocado, Patty & Bun e Chilango.

De olho nos veganos, açougues canadenses comercializam “carnes vegetais”

A demanda por proteínas de origem vegetal está crescendo no Canadá, e assim como no Reino Unido, os açougues estão comercializando “carnes vegetais” – e não se trata de açougues veganos ou vegetarianos, mas de açougues convencionais mesmo.

Em vez de declarar guerra ao veganismo, como tem acontecido em algumas regiões do Reino Unido e da França, onde já ocorreram conflitos entre veganos e açougueiros, há quem prefira se adaptar a uma nova realidade. Exemplo disso é a Meridian Meats & Seafoods, que tem compartilhado em sua conta no Instagram as suas opções de “carnes vegetais” disponíveis em todos os seus açougues.

Ao Daily Hive, o presidente e CEO da Meridian Farm Market, Josh Penner, justificou que o papel deles é vender boa comida, que vá ao encontro dos valores pessoais dos clientes. “Eles nos dizem o que querem e estamos sempre ouvindo”, explica e acrescenta que as novas opções podem também conquistar o paladar de quem não é vegano nem vegetariano.

Essa mudança de comportamento no mercado canadense também foi estimulada recentemente pela última atualização do Guia Alimentar do Canadá, desenvolvido por médicos nutrólogos e nutricionistas.

No guia, o governo canadense qualifica oficialmente a “dieta vegana” ou “vegetariana estrita”, em referência a uma dieta sem alimentos ou ingredientes de origem animal, como saudável. Além disso, destaca a importância do consumo de vegetais e encoraja a drástica redução do consumo de alimentos de origem animal.


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Livro sobre ética ambiental discute o valor da natureza

O livro “Qual o valor da natureza? Uma introdução à ética ambiental”, de autoria do jurista Daniel Braga Lourenço, pretende discutir o valor da natureza e as ações humanas.

Foto: Divulgação

De acordo com a sinopse da obra, “não há mais como negar a importância e a imbricação entre ética e meio ambiente ou entre ética e ecologia”.

“A obra pretende contribuir para suprir um déficit teórico relativamente ao mapeamento crítico das principais correntes ideológicas, políticas e filosóficas que procuram responder à pergunta central lançada no título: Qual o valor da natureza? Possuiria a natureza valor meramente instrumental para os seres humanos ou teria ela valor próprio, intrínseco? Em que constitui cada um desses valores e quais são as consequências derivadas de sua aceitação e adoção? Podemos falar em direitos da natureza ou direito dos animais?”, completa.

O objetivo dessas perguntas expostas na sinopse da obra é formar uma taxonomia do debate moral relativo ao valor da natureza para “influenciar novas compreensões e novos olhares sobre o lugar que ocupamos no mundo e sobre o que estamos autorizados ou não a fazer com a natureza, afinal, tudo o que é humano é ecológico e tudo o que
é ecológico é humano”.

O autor

Daniel Braga Lourenço é formado em Direito pela PUCRio. Doutor pela UNESA/RJ e Mestre pela UGF/RJ, sempre na área de ética aplicada ao meio ambiente. É Professor Adjunto de Biomedicina e Direito Ambiental da UFRJ, do IBMEC/RJ, e do Programa de Pós-Graduação em Direito da UniFG/BA. É membro do Oxford Centre for Animal Ethics – UK e coordena o Laboratório de Ética Ambiental da UFRJ e o Antilaboratório de Direito Animal da UniFG/BA. É autor da obra Direito dos Animais: Fundamentação e Novas Perspectivas (Fabris, 2008). Possui diversos artigos publicados relacionados ao Direito Ambiental, Ética Ambiental, Bioética e ao Direito dos Animais.


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Segunda maior companhia aérea do Reino Unido corta relações com o SeaWorld

Por Rafaela Damasceno

A British Airways, segunda maior companhia aérea do Reino Unido, é a mais recente empresa a cortar qualquer tipo de parceria com o SeaWorld e outros parques temáticos que exploram os animais em prol do entretenimento humano.

Duas baleias do SeaWorld

Foto: Livekindly

A organização em defesa dos direitos animais PETA parabenizou a British Airways por sua decisão. “Ao se comprometer em parar de oferecer passeios que incluam exploração dos animais, essa importante notícia coloca a British Airways como líder em bem-estar animal na indústria do turismo”, afirmou a organização em seu site.

Além de se desvincular do parque temático, a companhia também criou uma parceria com o The David Sheldrick Trust, que opera o maior programa de resgate de resgate e reabilitação de elefantes órfãos do mundo.

Em 2005, a British Airways também interrompeu o transporte de animais destinados a experiências. A United Airlines, China Southern Airlines e Qatar Airways fizeram movimentos parecidos.

A British Airways se uniu a uma crescente onda de rompimentos de empresas com o SeaWorld. Thomas Cook, a maior empresa de turismo do Reino Unido, parou de vender ingressos para o parque depois que mais de 90% de seus clientes expressaram preocupações com o bem-estar dos animais em cativeiro.

“Eu sou claro em relação ao tipo de negócio que queremos ser”, afirmou Peter Frankhauser, presidente da Thomas Cook, no ano passado. “Por isso introduzimos uma política de bem-estar animal”.

A popularidade do SeaWorld está diminuindo, principalmente após denúncias de maus-tratos às baleias, feitas por ex-treinadores que deixaram o parque. Segundo a PETA, os animais marinhos são confinados em tanques tão pequenos e apertados que, para eles, podem ser comparados a baleias.

A organização ainda afirma que no mínimo 41 orcas e dezenas de golfinhos morreram no SeaWorld, vivendo em média 14 anos – na natureza, orcas podem viver entre 50 e 80 anos.


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Amigos criam método livre de crueldade para a prática de laçar bois

Por Rafaela Damasceno

Laçar bois é uma prática comum e considerada um esporte. Infelizmente, os animais são machucados e maltratados em nome do entretenimento cruel. Buscando reproduzir a paixão pelo esporte, sem causar dano aos animais, um grupo de amigos teve a ideia de criar uma alternativa livre de crueldade.

Um boi de madeira sendo laçado

Foto: Reprodução/Internet

O 1° Circuito Laço do Boi Parado estreou na Praça de Eventos Leandro Corrê, na cidade Terenos (MS), no último domingo (4). A festa foi minuciosamente planejada, e a organização levou cerca de sete meses até finalmente ser anunciada. A competição laço de boi parado, que consiste em laçar um boi de madeira, pôde ser disputada por pessoas de todas as idades.

As regras básicas são laçar perfeitamente o boi de madeira a uma distância de três metros. Os vencedores receberam prêmios, mas o importante é a diversão, segundo o Campo Grande News.

Os três finalistas ganharam um cavalete personalizado, onde poderão continuar praticando. Segundo os organizadores da festa, o evento resgata a paixão pelo esporte, sem maltratar os animais.


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Congresso aborda questões éticas e jurídicas da relação entre humanos e animais

O V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais será realizado de 4 a 6 de setembro na Universidade Federal de Sergipe (UFS). O evento será promovido pela UFS em parceria com o Instituto Abolicionista Animal (IAA) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção Sergipe e contará com o apoio da Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), do Departamento de Zootecnia (DZO) da UFS, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade Católica de Salvador (UCSAL), da Universidade Tiradentes (UNIT) e da Universidade Sete de Setembro (FASETE).

Congresso será realizado em Aracaju (SE) (Foto: Reprodução)

O objetivo do Congresso é transformar Aracaju no maior pólo difusor da temática, aproveitando a experiência desses eventos realizados desde 2008. Expandir temas relacionados à bioética e ao direito dos animais, evidenciando “a possibilidade de convivência pacífica entre todas as espécies”, conforme explicou o coordenador científico do evento, o jurista pós-doutor pela Pace University, Tagore Trajano, professor da Universidade Federal da Bahia, em entrevista exclusiva à ANDA. Confira abaixo.

ANDA: Qual é intuito do Congresso?

Tagore Trajano: A ideia do evento é fazer com que o Brasil se torno o maior pólo difusor da temática da bioética e dos direitos dos animais na América Latina. Estes eventos itinerantes colaboram com a expansão da temática, capacitação de professores e estudantes, bem como fortalecimento dos grupos de defesa da bioética e dos animais. Tudo começou com os congressos mundiais em 2008, sempre bienais, sendo realizados nos intervalos os congressos brasileiros e, agora também, o latino-americano.

ANDA: Qual é a sua expectativa para o evento que será realizado em setembro?

Tagore Trajano: A melhor possível. Primeiro porque cada vez mais, no Brasil, grandes grupos vão surgindo dentro da área do direito animal. Já somos referência para o mundo sobre a questão animal e seus estudos. A região Nordeste, em especial, tem tido um grande protagonismo nessa discussão, tendo o apoio de grandes universidades e de seus pesquisadores.

ANDA: O que tem motivado, no seu ponto de vista, uma discussão maior dessas pautas no Nordeste?

Tagore Trajano: Creio que seja por causa da Universidade Federal da Bahia (UFBA), este centro do conhecimento em pouco tempo se tornou o maior pólo de conhecimento da temática, tendo realizado os dois primeiros congressos mundiais, promovido a Revista Brasileira de Direito Animal e capacitado pessoas que, como eu, hoje difundem o tema. Fui estudante da UFBA e participei de iniciação científica, grupos de pesquisa sobre a temática. Hoje, estando como professor da cadeira, tento promover e estimular tudo que aprendi ali. Da mesma forma, outras instituições do Nordeste estiveram engajadas nesse processo, foi o que aconteceu com as Universidade Federais de Pernambuco e Paraíba. Mas não se pode esquecer que esse debate não se limita a uma região. Por exemplo, os congressos brasileiros já rodaram o Brasil, tendo tido como sede Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre e Niterói, no Rio de Janeiro. Creio que todos estão imbuídos a fazer essa causa crescer.

ANDA: Qual tipo de público é esperado para o Congresso?

Tagore Trajano: Todos sem restrição. O público em geral. Ativistas, defensores e pessoas que têm afeição pelos animais, graduados, mestres, doutores e estudantes de graduação e pós-graduação. O que queremos é dialogar com todos os setores que pensam a relação com o não humano. Queremos ensinar, mas também aprender muito com os participantes sempre com intuito de melhorar o convívio entre todos os seres.  

ANDA: Qual será a estrutura do evento no que se refere à programação e aos profissionais e temas que farão parte do Congresso?

Tagore Trajano: Esse evento será o maior desde os eventos da Bahia e Curitiba. Contaremos com grupos de trabalho, minicursos – nos quais professores vão oferecer capacitação para grupos pequenos de alunos – e dois auditórios grandes com palestras ocorrendo de maneira simultânea, a fim de que o participante possa eleger qual tema lhe toca. A abertura do Congresso será feita pelo jurista e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto. O encerramento ficará por conta do juiz e ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça José de Castro Meira e o Professor Doutor Andreas Krell, da Federal de Alagoas. Entre os profissionais que irão debater temas relativos à bioética e ao direito dos animais estão médicos veterinários, médicos, juristas, zootecnistas, biólogos, engenheiros e filósofos. O objetivo é promover um diálogo entre todas as áreas do conhecimento.

ANDA: O que são e o que farão os grupos de trabalho?

Tagore Trajano: Os grupos de trabalho funcionarão como uma espécie de iniciação científica que farão a apresentação dos debates que irão ocorrer durante o evento. Todo participante pode submeter seu artigo para apresentar no evento. As inscrições estão abertas no site. Nesses espaços, outros participantes, com o apoio de um professor-coordenador, debaterão sobre o artigo proposto, seus pontos positivos e negativos e como aprimorá-lo. 

ANDA: Qual é o tema do evento deste ano e o que ele significa? 

Tagore Trajano: O tema do evento é Mãe-Terra: Direito da Natureza e dos Animais: diagnósticos e perspectivas. Trata-se de uma defesa da natureza em relação a todos os seres vivos. O objetivo é passar a mensagem de que vivemos num mesmo habitat e que somos seres importantes – todos nós, sem distinções – e que devemos fortalecer e defender, cada vez mais, a relação entre humanos e não humanos. Um chamamento para os participantes fazerem sua parte nessa luta. 

Tagore Trajano (Foto: Arquivo Pessoal)

ANDA: Como você enxerga a evolução do direito animal no ordenamento jurídico brasileiro?

Tagore Trajano: Venho acompanhando atentamente este debate desde 2005, tendo tido momentos de avanços e outros de retrocesso. Por exemplo, acompanhamos uma caminhada de passos largos até 2017, congressos ao redor do país, decisões favoráveis aos não-humanos, evolução dos centros de pesquisa e de seus pesquisadores, bem como da legislação ao redor do mundo. No entanto, desde a promulgação da Emenda nº 96/2017, no caso da vaquejada, temos que nos alertar para os próximos passos a serem dados, uma vez que podem gerar um retrocesso sem precedentes. A crise política e institucional que acometeu o Brasil foi ruim para todos, inclusive para os não humanos que tiveram seus direitos limitados pela inserção de um novo parágrafo na Constituição. Gosto do dizer do Supremo Tribunal Federal (STF), nas palavras da Presidente da Corte na época, Carmen Lúcia, que disse que o Direito tem um papel de estimular condutas positivas na sociedade, e, eventos como a vaquejada não parece um exemplo a ser seguido. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem dado decisões importantes na seara animal, possibilitando o que se chama de família multi-espécie, guarda compartilhada para animais domésticos e a evidencia de uma certa politica de proteção ao determinar que os animais não podem ser tratados de forma desrespeitosa. 

ANDA: Você apontou retrocessos promovidos pelo STF. Neste cenário, o V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais pode ser considerado uma forma de resistência a tais retrocessos? 

Tagore Trajano: Não só uma forma de resistência, mas uma maneira de trazer também elementos novos para o debate. Temos grandes pesquisadores participando desses eventos: Paula Brugger, Luciano Santana, Vânia Tuglio, Fernanda Medeiros, Ângela Ferreira, Francisco Figueiredo, Heron Gordilho, Carlos Machado, Ilzver Matos, dentre outros. São essas pessoas que ajudam a formar um novo senso de moralidade em nossa sociedade, colaborando com o avanço da proteção dos animais e das desigualdades do povo. O papel do Direito é dar tráfego social a todos que precisam. É garantir que as pessoas tenham segurança e paz para poderem oferecer o que há de melhor no humano, o respeito para com o outro. Sendo assim, o Congresso ajuda a estimular, acreditar e perceber que existem condutas positivas que devem existir não só entre os seres humanos, mas também entre as demais espécies. O Congresso finca uma bandeira que mostra que está na hora de olhar além do próprio espelho, além do próprio umbigo. Vivemos com outras espécies e é importante que essas espécies sejam atendidas também.

ANDA: Além da evolução do direito animal no ordenamento jurídico, há também uma evolução no que se refere aos profissionais não só do Direito, mas de diversas áreas. Como você vê esse processo?

Tagore Trajano: Acredito que esse evento evidencia isso ainda mais, o que é outro lado positivo do Congresso. Estamos fazendo o evento em colaboração com as ciências agrárias, então a gente está rediscutindo a forma de pensar a economia de nosso país. Já está na hora do Brasil não ser mais a fazenda do mundo, o espaço de utilização do outro, seja o não humano, o trabalhador, a natureza. Pode-se mais, se quer mais. O Brasil tem como base econômica o agronegócio, em uma relação de antagonismo com a proteção do não humano e do ambiente, isso faz com que haja uma série de conflitos agrários, devastação ambiental e exploração animal. Ao realizar o debate com a participação das ciências agrárias, estamos revendo a forma de pensar a relação com os animais. Por isso acredito no avanço. Se o veterinário, o zootecnista, os advogados penalista e civilista estão vindo debater com a gente para questionar o que é o direito animal é porque eles querem se informar sobre o tema e repensar sua forma de pensar o outro, seja a natureza, seja os demais animais. Esse é o legado do evento: pensar as bases para uma sociedade mais justa e solidária.

ANDA: Você acredita que a proposta de repensar nossa relação com a natureza como um todo, o que inclui os animais, beneficia também seres humanos e possibilita a criação de uma sociedade mais compassiva? 

Tagore Trajano: Sim, constrói-se uma sociedade melhor. Se conseguimos ter uma relação respeitosa com os animais, vamos conseguir perceber nossa relação de forma positiva com qualquer outro ser, inclusive com a natureza e com outros seres humanos. E é isso que a gente pretende. A gente não quer uma sociedade separada, queremos uma sociedade unida, com todos os seres que fazem parte dela vivendo em harmonia. Não há problema ser diferente ou que exista discordância, o problema é a imposição de um estilo, de uma ideologia a todos sem pensar, sem questionamentos.

Um evento como esse ajuda a gente a perceber a mudança que devemos promover na sociedade. Por exemplo, um zootecnista, acostumado a tratar o animal como um produto, vai ao Congresso pra repensar essa relação. Quando a gente chama todo esse grupo para esse debate, a gente começa a promover mudanças e, assim, conseguimos chegar ao ponto de mudar uma decisão do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Isso porque o Direito estimula condutas, o que faz com que as cortes, ao perceberem que a sociedade tem um novo tipo de relação com os animais, comecem a emitir decisões favoráveis a eles. Gosto de pensar o básico, o simples, pois são essas relações que transformam e fazem com que compreendamos que apenas juntos seremos mais fortes.

As inscrições para o V Congresso Brasileiro e II Congresso Latino-americano de Bioética e Direito dos Animais, que será realizado em Aracaju (SE), estão abertas e devem ser feitas no site oficial do evento. 

Cerca de 30% da população da Suíça está reduzindo o consumo de carne

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

Cerca de 2,6 milhões de suíços ou 31% da população estão cortando ou eliminando o consumo de carne. As informações são resultado de uma pesquisa recente realizada pela Swissveg, uma revista suíça de conteúdo vegano e vegetariano.

Veganos na Suíça

Em torno de 14% da população suiça não consome carne – 11% são vegetarianos, enquanto 3% são veganos, o que significa que há atualmente 252 mil veganos na Suíça. Os mais jovens são mais propensos a adotar uma alimentação baseada em vegetais, com 6% daqueles entre as idades de 15 a 34 anos dizendo que não consomem produtos de origem animal.

Outros 17% se identificam como flexitarianos, alegando que estão conscientes de seu consumo de carne. A geração mais jovem também é mais propensa a dizer que é flexitariana, com 22% deles afirmando que come menos carne. Pessoas com idades entre 35 e 56 anos comem mais carne.

As razões mais populares para se deixar de comer carne incluem bem-estar animal (78%), ética (60%), meio ambiente (58%), preocupação com a sustentabilidade do sistema alimentar (45%) e saúde (35%). Quanto àqueles que ainda comem carne, é porque gostam, acreditam que é bom para a saúde, e por hábito.

As pessoas que vivem em cidades com educação superior são as mais propensas a ser veganas, vegetarianas ou flexitarianas.

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Paul McCartney cita Martha, cachorra que inspirou músicas dos Beatles, em pedido à universidade

Na última quarta, 26, Paul McCartney criticou a Texas A&M University por praticar experimento com cães.

(Foto:The Yomiuri Shimbun/AP Images)

Ele se posicionou depois que a PETA (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais) divulgou algumas filmagens que revelam testes de distrofia muscular em cachorros.

O ex-Beatle, então, escreveu uma carta ao presidente da instituição, Michael K. Young, na qual suplica pelo fim dos experimentos científicos com animais.

“As imagens de golden retrievers no laboratório de cães da sua universidade são de partir o coração. Eu tenho cachorros desde que era um menino e amei muito a todos eles, incluindo a Martha, que foi a minha companheira por quase 15 anos e sobre quem eu escrevi a canção ‘Martha My Dear’. Por favor, faça a coisa certa e acabe com o sofrimento dos cachorrinhos no laboratório de distrofia muscular da Texas A&M University, mudando para métodos de pesquisa modernos”, suplicou o músico.

Fonte: Rolling Stone


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Nova agência de recrutamento é especializada em empregos para veganos

Foto: Adobe

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Uma agência de recrutamento especializada em combinar pessoas e empregos veganos oferecidos por empresas alinhadas com seus valores – tratamento sustentável, vegano e ético para todos – foi lançada recentemente.

A Citizen Kind foi lançada por Emma Osborne, que tem mais de uma década de experiência no recrutamento e é vegana desde 2015.

Foto: Citizen Kind

Foto: Citizen Kind

Despertar

Quando Osborne percebeu que ela estava cansada de defender empresas cujos valores ela não compartilhava, a recrutadora tirou um ano sabático e viajou pelo mundo.

Ela montou seu negócio para que pudesse trabalhar de forma proativa para encontrar para os veganos candidatos o lugar certo dessa forma eles se antecipariam às necessidades do crescente movimento vegano, que conta restaurantes, sites de comércio eletrônico, empresas de investimento e uma instituição de caridade entre os clientes da Citizen Kind.

Desmistificando o veganismo

“Ser vegano ainda é considerado uma escolha extrema e difícil até agora, e por isso eu queria ajudar a normalizar e popularizar este estilo de vida compassivo, abrindo oportunidades em empresas veganas, sustentáveis e éticas para aqueles que conscientemente estão reduzindo seu impacto no planeta”, disse a fundadora da empresa Emma Osborne.

Foto: Citizen Kind

Foto: Citizen Kind

“Ao trazer amor e compaixão uns pelos outros, o planeta e os animais para o local de trabalho, você cria um ambiente onde ideias, colaboração e ação podem crescer”, disse Emma.

“Dessa forma, estou colocando minhas habilidades corporativas em uso para o bem daqueles que não podem falar por si mesmos, e trazendo consciência para a crise em questão. Eu não consigo pensar em um trabalho melhor para mim.”

Você pode descobrir mais sobre Citizen Kind aqui.

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Três razões pelas quais o veganismo é mais próximo das pessoas do que elas acreditam

Foto: Adobe

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Muitas pessoas estão começando a entender que o veganismo, mais do que uma mera escolha alimentar, é uma maneira de pensar e viver.

Aqui estão três razões pelas quais você já pensa como um vegano e não sabe disso:

1. Você ama animais

Você tem grande admiração por animais que conhece pessoalmente: seu gato é mais zen do que você jamais poderia imaginar e o cachorro de seu amigo está sempre atraindo seus carinhos.

Em algum momento de sua vida, você sentiu uma conexão comovente com seu animal de companhia ou cm o animal doméstico de outra pessoa. Uma conexão profunda que é mais facilmente descrita como “amor”, mas que, de certa forma, vai além dessa palavra usada em excesso; é um tipo de amor puro e reverente que não se importa com reciprocidade: incondicional.

Você descobriu que, ao observar animais – selvagens ou domésticos, na vida real ou mesmo através de uma grade ou janela – você está testemunhando uma vida interior complexa.

Quando você vê um vídeo de um humano intervindo para salvar um tubarão encalhado, seu coração se enche de alívio e orgulho na raça humana. Mesmo que no caso seu instinto seria nadar em outra direção se você visse um tubarão nadando ao seu lado.

Foto: Adobe

Foto: Adobe

2. Você se sente frustrado com a falta de ação contra a mudança climática

Você entende perfeitamente que o tempo está passando e nós temos que encontrar soluções rápidas e poderosas para consertar os danos que já causamos como espécie.

Você deseja que seus os seres humanos mostrem um sinal de união coletiva voltada para o cuidado com o planeta, nosso lar compartilhado.

Você não consegue nem imaginar a catástrofe que nos espera se não agirmos todos juntos.

3. Você está exausto por todo o sofrimento do mundo

Evitar ler as notícias porque sabe que o conteúdo delas vai trazer tristeza e preocupação é sinal de que você esta antenado com a situação do mundo.

Você se desespera porque a paz parece tão ilusória no mundo e você sonha com um futuro em que as coisas sejam diferentes.

Você teme em pensar nos animais sendo abusados e mantidos em gaiolas.

Da mesma forma, você fica enojado ao ouvir sobre seus outros companheiros animais humanos que sofrem fome ou abuso.

Em tempos difíceis, você tem empatia consigo mesmo e se sente solitário ou incompreendido.

Você sente todas essas coisas porque a empatia está arraigada em todos nós. Esse sentimento está no coração da experiência humana; quando deixamos de abordar emoções que ela invoca em nós, nos desumanizamos.

Flexibilidade psicológica

“Quando você olha pra si mesmo de um modo compassivo, bondoso e amoroso, a vida se abre e então você consegue se voltar para o significado e propósito da vida e percebe como você é capaz de trazer amor, contribuição, beleza e bondade para a vida dos outros.”

Essas palavras são proferidas pelo professor de psicologia Dr. Steven Hayes em sua palestra no TED de 2016. Como o amor transforma a dor em propósito. Hayes considera a capacidade de se envolver e responder ativamente às emoções dos outros de “flexibilidade psicológica”.

“Basicamente, isso significa permitir que pensamentos e sentimentos apareçam, depois, de forma ponderada, atentar para o que o ajuda a se mover na direção que valoriza”.

Mova-se na direção que você valoriza

Se você já está pensando como um vegano, tente viver como um por um mês ou dois e veja se você desenvolve um relacionamento melhor consigo mesmo.

Pode parecer impossível no começo, mas é fácil quando você já sabe como agir. Você logo descobrirá que há muito mais a ser ganho do que sacrificado.

Se você está procurando orientação, pesquise no Facebook por uma comunidade vegana local. Os veganos adoram compartilhar dicas e quase todos começaram não-veganos, para que eles saibam de onde você está vindo.

Ninguém espera que você faça isso e se transforme de uma vez, e partindo do nada. Mas você aprenderá muito ao longo do caminho, e um dia, muito em breve, olhará para trás e terá orgulho de ter sido corajoso o suficiente para se apropriar de seus valores em um mundo que não o encoraja a fazer isso.

Cerca de 60% da “carne” consumida em 2040 não virá de animais mortos

Um relatório lançado recentemente pela consultoria global AT Kearney concluiu que cerca de 60% da “carne” consumida em 2040 não virá de animais explorados e mortos para consumo humano. O estudo foi feito com base em entrevistas com especialistas e analisado pelo jornal “The Guardian”.

Foto: Marco Massimo / Pixabay

De acordo com os autores do relatório, a “carne” será cultivada em laboratório ou será proveniente de produtos à base de vegetais com aparência e gosto de carne de origem animal, mas sem que tenha vindo de animais mortos. As informações são da Revista Planeta.

Essas alternativas, de acordo com os pesquisadores, são mais eficientes que a carne convencial – além de, conforme reforçam ativistas pelos direitos animais, serem éticas do ponto de vista do respeito à vida animal.

O estudo concluiu que 35% de toda a carne consumida em 2040 será cultivada e outros 25% serão substituições vegetarianas e veganas.

Essas alternativas também são éticas do ponto de vista ambiental, já que a exploração de animais para consumo humano é responsável, segundo estudos científicos, por emissões de gases de efeito estufa, destruição de habitats e poluição de rios e oceanos.

“A mudança para estilos de vida flexitários, vegetarianos e veganos é inegável, com muitos consumidores reduzindo seu consumo de carne como resultado de se tornarem mais conscientes em relação ao meio ambiente e ao bem-estar animal”, observa Carsten Gerhardt, sócio da AT Kearney. “Para comedores de carne apaixonados, o aumento previsto de produtos de carne cultivados significa que eles ainda conseguem desfrutar da mesma dieta que sempre têm, mas sem o mesmo custo ambiental e animal associado”, completou.

Atualmente, já existem empresas voltadas para esse ramo. Entre elas está a Beyond Meat, a Impossible Foods e a Just Foods. De acordo com a AT Kearney, US$ 1 bilhão foi investido em produtos veganos – parte desse valor veio de empresas que trabalham, também, com carne advinda de animais.

Já existe, também, o desenvolvimento em laboratório de células de carne em cultura, feito com o intuito de fabricar carne com sabor, textura e aparência da carne convencional, mas sem precisar criar, explorar e matar animais.

De acordo com a AT Kearney, a carne cultivada em laboratório vai conquistar o mercado em longo prazo, já que conseguirá sabores e sensações mais próximos da carne convencial do que as alternativas à base de plantas.