Cientistas exploram macacos e colocam genes humanos nos animais

Macacos foram explorados e submetidos a experimentos cruéis por cientistas chineses do Instituto de Zoologia de Kunming, que injetaram genes humanos nos cérebros desses animais com a intenção de torná-los mais inteligentes. O estudo foi publicado no jornal National Science Review.

Macacos da espécie rhesus foram explorados por cientistas (FOTO: WIKIPEDIA COMMONS)

Onze macacos da espécie rhesus (Macaca mulatta) foram vítimas do experimento. Eles receberam em seus cérebros o gene MCPH1, que é considerado importante para o desenvolvimento cerebral humano. A revista MIT Technology Review afirmou que os embriões dos macacos foram expostos a um vírus que carregava o gene.

Os macacos que receberam os genes apresentaram um desempenho melhor em testes de memória a curto prazo e tempos de reação mais curtos, se comparados aos macacos normais. Além disso, seguindo um padrão de aprendizado semelhante ao humano, os cérebros dos animais modificados demoraram mais para se desenvolver, segundo informações da Revista Galileu.

De acordo com os cientistas, pela primeira vez um experimento foi utilizado para explicar a base genética da origem do cérebro humano. A pesquisa, no entanto, foi fortemente criticada, devido à crueldade presente nela.

Uma das pessoas que contestou o estudo, criticando a falta de ética dos pesquisadores ao explorar macacos em um experimento, foi a bioeticista Jacqueline Glover, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos. “Humanizar macacos é causar danos. Onde eles viveriam e o que eles fariam? Não crie um ser que não pode tem uma vida significativa, seja qual for o contexto”, disse Glover, em entrevista ao jornal britânico The Independent.

O grupo internacional de defesa dos direitos animais People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) também se posicionou contra a pesquisa. “Macacos-rhesus são primatas muito inteligentes que formam relações sociais complexas, experimentam cada emoção que os humanos também sentem e podem sofrer como nós. Nesse estudo, macacos fêmea foram abertas e fertilizadas artificialmente – e muitas gravidezes foram interrompidas”, criticou a pesquisadora do PETA, Anna Van Der Zalm, ao jornal The Sun.

Investigação secreta mostra animais sendo violentamente surrados no Egito

Foto: PETA

Foto: PETA

Uma investigação secreta conduzida pela PETA revelou que os animais explorados nos principais destinos turísticos do Egito, incluindo a Grande Pirâmide de Gizé, Saqqara e Luxor são”espancados até sangrar” por manipuladores.

Agora, a PETA Asia, responsável pelas imagens, pede a proibição do uso de animais para transporte e locomoção em pontos turísticos do país.

De acordo com a ONG, cavalos e camelos são explorados diariamente pela indústria do turismo em locais de enorme influxo de turistas, são usados para transportar os visitantes em suas costas ou em carruagens.

A PETA relata que as condições em que os animais são explorados são terríveis – com os cavalos e camelos trabalhando sem parar “sob sol e calor escaldantes, sem sombra, comida ou água”.

Animais espancados

A ONG ressalta que o vídeo mostra os exploradores responsáveis pelos animais em Gizé batendo violentamente em um cavalo que havia caído exausto enquanto era forçado a puxar uma carruagem, homens e crianças são vistos também “gritando e batendo violentamente em camelos com paus” até seus rostos ficarem ensanguentados no Mercado de Camelos Birqash.

A PETA Asia escreveu para a ministra do Turismo do país, Rania Al-Mashat, pedindo ao Egito que utilize meios de transportes modernos como veículos elétricos, em vez de animais, para transportar as pessoas.

Vergonhoso

“É vergonhoso que animais exaustos e visivelmente abatidos sejam espancados e chicoteados para fazer passeios sem fim no calor, mesmo quando suas pernas vergam de tanto cansaço e chegam a entrar em colapso”, disse a diretora da PETA, Elisa Allen, em um comunicado enviado ao Plant Based News.

“A PETA está pedindo ao Ministério do Turismo egípcio que substitua esses animais maltratados por veículos, como os riquixás elétricos, para que os turistas possam apreciar a rica história do país sem apoiar a crueldade contra os animais”.

A ONG acrescenta: “Uma vez que os camelos vendidos no mercado Birqash não são mais capazes de fazer passeios em torno das pirâmides de Gizé e Saqqara, eles são devolvidos ao mercado e enviados para serem mortos”.

Transporte elétrico em pontos turísticos

Há um precedente para as investigações da PETA que levaram a esse resultado ja esperado; após a investigação realizada pela ONG em Petra, o príncipe filantropo e vegano, Khaled Bin Alwaleed, revelou seu real papel nos planos de restauração de um importante sítio arqueológico na Jordânia, que envolviam preservar a história dos seres humanos e proteger os animais.

O Parque Arqueológico de Petra – declarado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 1985 – atrai centenas de milhares de pessoas todos os anos. Muitas pessoas montam animais, incluindo burros, camelos, mulas e cavalos ao longo dos degraus do parque até o mosteiro do local. Isso está danificando os degraus e causando sofrimento aos animais.

Através de sua empresa KBW-Ventures, o Príncipe Khaled deu assistência específica para reconstruir as escadas, construir um santuário para os animais se mudarem e fornecer veículos personalizados para o local que será entregue aos moradores locais. Além disso, estações de carregamento solar serão doadas, assim os veículos serão 100% livres e sem despesas também.

Algumas pessoas, realmente fazem a diferença quando assim o desejam. Cada um pode desempenhar um papel em defesa dos direitos animais. Ao recusar-se a fazer passeios sobre animais e alimentar essa indústria cruel de turismo, seja em que país for, ou envolvendo qualquer outra forma de exploração

Novo filme de animação gráfica aborda o papel da China na agricultura industrial

Foto: Pixabay/ Jai79

Foto: Pixabay/ Jai79

Co-produzido pelo cineasta chinês Jian Yi e pelo cineasta norte-americano vencedor do Emmy, Allison Argo, “Piggy’s New Year’s Dream” (O Sonho de Ano Novo do Porquinho, na tradução livre) é um curta-metragem de animação que usa rotoscopia, que acompanha o documentário da suinocultura de verdade.

Em homenagem ao Ano do Porco, que cai em 2019 sob o calendário lunisolar chinês, o documentário mostra um porco de estimação que sai para explorar o mundo em busca de outros porcos, apenas para descobrir a realidade aterrorizante da pecuária industrial.

“O projeto foi uma colaboração multicultural (e multi-fuso horário). Eu acho que o fato de nossos países serem tão diferentes ajudou a criar uma história universal”, disse a cineasta Allison Argo.

“De fato, a história poderia ser narrada em qualquer país. A criação de porcos existe em todo o mundo e está se tornando cada vez mais mecanizada. Infelizmente, essa mecanização está levando a maiores e mais intensos maus-tratos aos porcos e outros animais”, acrescentou.

A China consome cerca de 28% da carne do mundo e cerca de metade disso é carne de porco. Em 2016, o governo chinês publicou diretrizes nutricionais recomendando que o público reduzisse seu consumo de carne pela metade, conforme informações do Vegan News.

“É o Ano do Porco, um bom momento para celebrar esses incríveis animais”, conclui o filme.

“No zodíaco chinês, as pessoas nascidas no ano do porco são descritas como gentis e generosas”.

“Infelizmente, milhões de porcos nascidos neste ano especial não viverão para ver o final do ano.”

Lançado na China em meados de fevereiro durante o Festival das Lanternas, cerca de duas semanas após o Ano Novo Lunar, “O Sonho de Ano Novo do Porquinho” foi visto dezenas de milhares de vezes.

O curta está disponível em inglês, narração em inglês com legendas em chinês, inglês com legendas em inglês e narração em chinês com legendas em inglês. Para todos os gostos.

Sensíveis e inteligentes

Os porcos são animais extremamente inteligente, cientistas afirmam que esses animais, inclusive, são mais espertos que os cachorros e seu nível de inteligência seria similar ao dos parentes mais próximos dos humanos: os chimpanzés.

Entre as principais evidências da inteligência dos porcos encontradas estão a excelente memória a longo prazo, o poder de compreender a linguagem simbólica simples e a capacidade de aprender combinações complexas de símbolos para ações e objetos.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Além disso, os porcos são ótimos em cooperação e demonstram empatia. Esses animais possuem um número maior de capacidades cognitivas de outras espécies muito inteligentes como cachorros, chimpanzés, elefantes, golfinhos e até mesmo humanos.

São esses animais únicos e singulares que são explorados, abusados, privados de sua liberdade e perdem suas vidas na indústrias de criação de animais. As porcas, principalmente, passam a maior parte de suas vidas em ‘celas de gestação’, que não permitem que os animais sequer se mexam. Após darem a luz, logo engravidam novamente e o ciclo reinicia até serem mortas.

Esses animais, donos de uma inteligência ímpar tem o sofrimento duplicado por entenderem e sentirem exatamente o que se passa com eles. Essa crueldade é inaceitável e qualquer pessoa que se diga compassiva, precisa se colocar contra esse abuso criminoso.

Polvos serão os próximos animais a serem criados em cativeiro para serem comercializados

Foto: Quartz/Reprodução

Foto: Quartz/Reprodução

A chegada das fazendas de criação de polvo está se aproximando rapidamente. Até agora, os animais escaparam da agricultura de criação porque são extremamente difíceis de alimentar logo após o nascimento, e têm uma baixa taxa de sobrevivência. Mas os avanços tecnológicos e a experimentação estão tornando isso possível.

Uma empresa japonesa que comercializa frutos do mar chocou artificialmente ovos de polvo em 2017 e espera ver o polvo criado em escala à venda até o próximo ano; uma fazenda mexicana informou já estar criando polvos, e fazendas na Espanha e na China também estão entrando no negócio.

Isso não é motivos para comemoração, de acordo com quatro pesquisadores da vida marinha que apresentaram seus argumentos na edição de Inverno de 2019 da revista Questões de Ciência e Tecnologia. Eles observam que os polvos são carnívoros e, assim, criá-los em cativeiros aumenta a pressão sobre o ecossistema, porque os criadores teriam que pegar uma enorme quantidade de peixes selvagens para alimentá-los.

A criação de polvos “aumentaria, não aliviaria, a pressão sobre os animais aquáticos selvagens”, escrevem eles. “Os polvos têm uma taxa de conversão alimentar de pelo menos 3:1, ou seja, o peso da alimentação necessária para sustentá-los é cerca de três vezes o seu”.

Mas também há uma questão exclusiva dos polvos: eles são incrivelmente inteligentes. “Um estudo descobriu que os polvos retiveram o conhecimento de como abrir um frasco com tampa por pelo menos cinco meses”, escrevem os pesquisadores da vida marinha.

“Eles também são capazes de percorrer paisagens complexas, realizar extensas viagens para alimentação e usar marcos visuais para navegar”, atestam os cientistas.

De acordo com os especialistas em vida marinha os polvos são considerados os únicos invertebrados definitivamente conscientes, o que significa que são os animais mais desenvolvidos que são menos semelhantes aos humanos e, como tal, a coisa mais próxima de um alienígena neste planeta.

Polvos criados em cativeiro provavelmente serão mantidos em tanques pequenos com vidas monótonas que não satisfazem sua necessidade de estimulação mental e exploração. Além disso, observam os pesquisadores, até agora os polvos reproduzidos em cativeiro apresentaram aumento da agressividade, infecção parasitária e altas taxas de mortalidade.

O mesmo argumento para não criar polvos em cativeiro serve para outros animais na mesma medida. O salmão pode ser menos inteligente do que os polvos, mas as eles ainda gostam de brincar nos córregos e merecem um estilo de vida agradável.

Seria necessário um esforço considerável para parar com a prática desse tipo de criação que já vem de longa data (como as ovelhas, que começaram há 9 mil anos, dizem os pesquisadores). Antes de iniciarmos a criação do polvo, pelo menos temos a chance de reconsiderar: esse é realmente o jeito certo de tratar outro animal?

Filhote de elefante é forçado a se apresentar e dançar para turistas em zoo

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

A decadente e cruel indústria do turismo e entretenimento humano faz mais uma vítima, dessa vez o alvo não passa de um bebê elefante, que antes de aprender a ser um animal selvagem na selva com seus iguais é forçado a aprender truques sem sentido sob a ameaça de ser espancado.

E a filhote não é a única vítima da exploração do parque, os demais elefantes cativos que vivem no zoológico na Tailândia são obrigados a fazer poses antinaturais com suas patas dianteiras, pedalar uma bicicleta feita com pneus de carro e pintar quadros, tudo isso em um palco para entretenimento de uma plateia de turistas.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

Um vídeo pungente mostra como uma bebê elefante, apelidada de Dumbo, é forçada a fazer truques para os visitantes em um show no zoológico de Phuket na Tailândia.

Ativistas afirmam que o jovem animal realiza apresentações por até três vezes ao dia “sob ameaça de um imenso gancho”, nos shows que chegam a ter 20 minutos de duração.

Milhares de pessoas assinaram uma petição online pedindo ao zoológico de Phuket que liberte Dumbo, e permita que ela vá viver em um santuário.

O grupo responsável pela campanha, Moving Animals, afirmou que o animal apresenta um “corpo esquelético” e sugere que ele pode estar sofrendo de desnutrição e exaustão.

Eles também relataram que o animal fica preso por correntes quando não está se apresentando.

Um porta-voz do grupo disse: “Nós assistimos os turistas rindo e tirando fotos e selfies da cena, enquanto o pobre bebê elefante estava com os olhos fechados, silenciosamente sugando o ar por sua o tromba”.

Foto: Moving Animals

Foto: Moving Animals

“A vida cruel que aguarda por Dumbo, o bebê elefante, será de torturas e abusos a serem suportados sem prazo de duração, e então nós começamos uma petição pedindo a sua libertação imediata e envio para um santuário”, disse o representante da ONG.

“Esperamos que em breve ela possa viver em um lugar onde possa ser livre, conviver com seus iguais e sentir paz e tranquilidade, sem qualquer ameaça de dor ou sofrimento ou ser forçada a se apresentar”.

Elefanta explorada em circo passa a sofrer de paralisia de tromba

Animais selvagens que são explorados e mantidos em cativeiro em circos sofrem de problemas de saúde como obesidade, artrite e fome (desnutrição). O pior de tudo é que eles desenvolvem zoocose – depressão e comportamento compulsivo, como movimentos ritmados sem objetivo e automutilação.

Na natureza, os elefantes vivem em grupos de até 100 outros animais e chegam a caminhar até 40 quilômetros por dia. Mas em cativeiro, eles são privados da socialização – atividade de extrema importância para a espécie – com outros elefantes e sua saúde mental e física é terrivelmente afetada.

Em fevereiro, Animal Defenders International publicou imagens comoventes de Betty, uma elefanta que vem sendo explorada pelo Garden Bros Circus, o video foi gravado durante a passagem do circo itinerante por Denver, Colorado (EUA).

O vídeo mostra Betty severamente abatida, de cabeça baixa, exibindo um comportamento estressado e sendo forçada a carregar pessoas em suas costas no circo. Sua tromba fica se arrastando no chão o tempo todo, o que é um sinal de paralisia do membro, freqüentemente causado por trauma.

Isso é ainda mais preocupante considerando que o homem ao lado de Betty, Larry Corden, está segurando um “bullhoook” – ferramenta de tortura criada especialmente para o “treinamento” de elefantes – e já foi acusado publicamente de crueldade contra animais há alguns anos. Em 2015, ele forçou um elefante assustado a sair de um palco de circo, inserindo um gancho em sua boca.

O bullhook é um cabo longo de metal com um gancho afiado na ponta. Esta ferramenta cruel é usada para quebrar o espírito e a vontade dos elefantes, para que eles fiquem com medo de serem feridos e obedeçam a tudo que for mandado por seus algozes, desde carregar humanos em suas costas até realizar truques artificiais.

Foto: Animal Defenders International

Foto: Animal Defenders International

Além do óbvio desconforto e da paralisia de tromba de Betty, acredita-se que ela também tenha outros problemas de saúde, que exijam cuidados médicos imediatos, incluindo dor e rigidez nas articulações.

Foi criada uma petição exigindo a imediata libertação de Betty para que ela possa receber tratamento médico adequado e se ver livre dessa vida cruel de circo onde a exploração e o sofrimento são sua rotina diária.

Ibama autoriza uso de armas brancas e exploração de cães na caça ao javali

O Ibama atualizou as regras para a prática cruel da caça ao javali, única espécie que tem autorização para ser caçada em todo o território nacional. Com a mudança, passa a ser permitido de arma de fogo, facas e armadilhas, além de ter sido autorizada a exploração de cachorros durante a caça. A nova portaria foi publicada no Diário Oficial na última semana.

A nova portaria implementou também o Sistema Integrado de Manejo de Fauna (SIMAF), um sistema eletrônico para recebimento de declarações e relatórios sobre a caça ao javali que, segundo o pesquisador da UNESP de Rio Claro (SP) Felipe Pedrosa, é a principal novidade das novas regras estabelecidas.

Foto: Pixabay

“Antes o processo era o uso de documentação em papel e ida na sede do Ibama mais próxima”, disse. As informações são do portal O Eco.

Pedrosa classifica a exploração de cachorros na caça como “polêmica”, mas a defende, dizendo que trata-se de uma ferramenta portante “que não poderia ser negligenciada ou proibida”, ignorando o fato de que esses cães são explorados ao serem submetidos a treinamentos anti-naturais e forçados a participar de uma prática que coloca suas vidas e sua integridade física em risco, além de causar sofrimento também para os javalis.

A normativa estabelece que a exploração de cães deve ser vedada de maus-tratos, que o javali deve ser morto rapidamente “sem que provoque sofrimento desnecessário aos animais”. No entanto, vídeos divulgados na internet que mostram cachorros mordendo javalis, sob ordem de caçadores, demonstram que a crueldade animal é intrínseca a essa prática e que, portanto, os animais sofrem e sentem dor.

As novas regras estabelecem que os cães usem um colete peitoral, com identificação do responsável, que deve portar atestado de saúde dos animais emitido por veterinário e carteira de vacinação atualizada. O caçador poderá ser punido nos termos da Lei de Crimes Ambientais caso não cumpra essas exigências.

A exploração de cachorros, no entanto, não foi autorizada de forma definitiva. O Ibama disse que irá reavaliar a autorização em um período de até dois anos para definir se os caçadores poderão continuar explorando cães, conforme prevê o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil.

Enquanto o Ibama caminha na contramão dos direitos animais, autorizando a exploração de cães e promovendo mais sofrimento aos javalis, a Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados aprovou, em 31 de março, um projeto de lei que criminaliza a prática de explorar cachorros em caçadas. A proposta será analisada ainda pela Comissão de Constituição e Justiça para depois seguir para o plenário da Câmara e, em seguida, para o Senado.

Nota da Redação: a caça ao javali, que já é permitida no Brasil há bastante tempo, é por si só uma prática extremamente cruel e que atenta contra os direitos animais. No entanto, as novas regras são ainda mais cruéis, já que autorizam o uso de armas de fogo e facas, que causarão ainda mais sofrimento aos javalis, e permitem que cachorros sejam explorados, o que os insere em uma situação em que eles são forçados a realizar uma atividade anti-natural que os coloca em risco. O fato dessas normas terem sido regulamentadas pelo Ibama, um órgão que se diz defensor do meio ambiente e que deveria zelar pela vida e integridade física dos animais, torna o caso ainda mais alarmante e inaceitável. É preciso que órgãos e governantes atuem em consenso em prol da proteção animal, garantindo o direito à vida a todos os seres, não o contrário.

Núcleo da UFPB denuncia morte de animais a pauladas e exploração de trabalho análogo ao escravo em dezenas de matadouros

O que chama a atenção também é que todos os matadouros investigados são legais, não clandestinos (Foto: Reprodução)

Um trabalho do Núcleo de Justiça Animal da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) concluído no mês passado denuncia que 71 matadouros da Paraíba abatem animais a pauladas e estão envolvidos em exploração de trabalho análogo ao escravo, além de atuarem sem o mínimo de condições de higiene.

O levantamento também foi encaminhado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), que se comprometeu em investigar todas as denúncias protocoladas pelo professor Francisco Garcia, coordenador do Núcleo de Justiça Animal da UFPB. Para endossar as queixas, Garcia reuniu dados de seis relatórios do Conselho Regional de Medicina Veterinária, duas dissertações de mestrado e um artigo científico.

Segundo o professor, em todos os matadouros denunciados foram constatados abate de animais a pauladas. Em 34% dos abatedouros foi identificado trabalho infantil realizado por crianças que deixaram a escola. O que chama a atenção também é que todos os matadouros investigados são legais, não clandestinos.

Ainda assim, foram classificados como locais onde a prática de trabalho análogo ao escravo é comum, além de estarem em situação em que é colocada em perigo a saúde dos trabalhadores e dos consumidores.

Nos 71 matadouros, a atuação sem o mínimo de higiene é padrão, além de não haver controle de doenças. Outra observação é que os animais são tratados de forma identificada como visceralmente cruel, o que inclui o abate a pauladas.

Além disso, os trabalhadores não utilizam equipamentos de proteção individual (EPI) e acidentes de trabalho são apontados como comuns. “Há trabalho degradante e análogo ao escravo”, frisa o professor Francisco Garcia.

Resultado de uma pesquisa realizada ao longo de quatro anos, o levantamento destaca também que nenhum dos abatedouros denunciados passou por qualquer fiscalização.

Em resposta às denúncias, o procurador chefe do MPT, Carlos Eduardo de Azevedo Lima, declarou que o objetivo agora é a resolução da situação. No entanto, tudo indica que o Ministério Público deve apenas exigir termos de ajustes de conduta.

Alemanha fecha sua última fazenda de extração de peles de animais

De acordo com informações da organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), a Alemanha fechou a sua última fazenda de extração de peles de animais. A propriedade situada em Rahden, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, agora não abriga mais nenhum animal com essa finalidade.

Oposição à indústria de peles está crescendo no mundo todo (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Embora a Alemanha tenha proibido a criação de animais para a indústria de peles em 2017, o governo deu um prazo para quem atuava nesse ramo migrar para outra atividade até 2022. No entanto a maioria dos produtores de peles do país decidiu se antecipar em decorrência da intensificação da fiscalização e da pressão de grupos em defesa dos animais.

A proibição do uso de peles tem se tornado cada vez mais comum na Europa. No início deste ano a Sérvia anunciou que a criação de animais para a extração de peles está definitivamente banida do país.

A decisão já era bastante esperada, considerando que a Lei de Bem-Estar Animal criada em 2009 deu um prazo de dez anos de transição para quem atua ou atuava nesse ramo. Agora, quem for flagrado insistindo nesse mercado vai responder criminalmente.

“A imposição da proibição é o resultado bem-sucedido de uma década de luta decisiva e persistente de cidadãos, especialistas e ativistas dos direitos animais”, informou a organização Fur Free Alliance, lembrando que a indústria de peles fez lobby para reverter a proibição, mas ainda assim foi derrotada.

Esta semana a fotojornalista Jo-Anne McArthur lançou o documentário “The Farm in My Backyard”. Com duração de pouco mais de 15 minutos, o filme mostra os impactos éticos e ambientais da criação de animais silvestres com a finalidade de extrair suas peles e comercializá-las.

Segundo o documentário, é importante que o público saiba que além do mal causado aos animais, a cadeia que envolve a produção de artigos baseados em peles também prejudica os ecossistemas ao interferir no ciclo de vida dos animais silvestres.

“The Farm in My Backyard” tem como mote a realidade da Nova Escócia, no Canadá, onde quem atua no mercado de peles se recusa a migrar para outra atividade. E para piorar, a prática tem o apoio do governo da província.

Cães explorados para puxar trenós são mantidos acorrentados sob o sol

Uma protetora de cachorros decidiu investigar a exploração de cães forçados a puxar trenós e encontrou uma fazenda na qual cerca de 200 cães eram mantidos presos a correntes curtas durante o verão. Os animais eram obrigados a suportar altas temperaturas e tinham abrigos improvisados feitos de barris de plástico, que superaquece, impedindo que eles se protejam do calor.

Foto: Reprodução / YouTube / Animal Stories

Os cães estavam em uma propriedade denominada “Chocpaw Expeditions”. Lá, andavam de um lado para o outro, no pouco espaço que dispunham, caminhando em círculos, o que expunha o estresse que sentiam devido ao isolamento e as péssimas condições do local. As informações são do portal I Love My Dog.

A crueldade imposta aos cães nesta fazenda descoberta pela protetora não é incomum. Tratados como objetos que devem servir aos humanos, os cachorros explorados para puxar trenós frequentemente são mantidos em condições deploráveis.

Foto: Reprodução / YouTube / Animal Stories

Diante deste terrível cenário, ativistas pelos direitos animais têm lutado pelo fim da exploração animal em trenós para tentar libertar os cachorros da vida de sofrimento que eles levam.

Confira mais imagens sobre o caso no vídeo abaixo: