Festival de música anuncia shows dentro das instalações de zoológico

Lêmures em cativeiro | Foto: Tayto Park Zoo

Lêmures em cativeiro | Foto: Tayto Park Zoo

Grupos de defesa dos direitos animais condenam o zoológico e parque temático Tayto Park, na Irlanda, pelo impacto que os shows do festival que o parque irá abrigar, terão nos animais que vivem em cativeiro na instalação.

Como se não bastasse serem privados de sua liberdade e serem mantidos presos em cativeiros contra a sua vontade, distantes de seus habitats naturais e de suas famílias, sendo obrigados a servir de entretenimento humano, os animais agora tem que suportar barulho, bagunça e intrusos em sua hora de descanso noturna.

A ISPCA e a Born Free Foundation disseram que o evento no local, “anunciado como um festival de diversão para a família”, não seria “divertido para o os animais de maneira nenhuma”.

O evento está previsto para os dias 29 e 30 de junho, com apresentações ao vivo de artistas como Key West, Nathan Carter e Hudson Taylor.

Os grupos de defesa dos direitos animais disseram que o evento incluirá música alta nas duas noites do festival em “momentos em que os animais normalmente não são perturbados e estão descansando”.

Eles acrescentaram que é “irresponsável” que o evento continue, uma vez que “é muito provável que os animais sofram estresse considerável”.

Propaganda do Festival de música | Foto: Tayto Park Zoo

Propaganda do Festival de música | Foto: Tayto Park Zoo

Os grupos disseram que levantaram suas preocupações ao conselho regional, Meath County Council, que emitiu a permissão para o festival, mas que nenhuma exigência adicional de bem-estar em relação aos animais presentes no local foi acrescentada.

O porta-voz da ISPCA, Andrew Kelly, disse estar “muito desapontado” com o conselho “ignorar as preocupações dos especialistas em bem-estar animal e dar o aval para este tipo de evento”.

Ele acrescentou: “No mínimo, acreditamos que uma condição para a emissão da licença deveria incluir a presença de um veterinário especializado no zoológico para monitorar o bem-estar dos animais durante a realização do evento”.

O porta-voz da ONG Born Free, o Dr. Chris Draper, disse que uma vez que o festival comece, “haverá pouco que possa ser feito para proteger qualquer animal que esteja estressado”.

Ele acrescentou: “Os zoológicos e os conselhos locais devem pensar mais nos eventos que permitirem no futuro e priorizar o bem-estar animal em detrimento do lucro”.

Em resposta, um porta-voz do Tayto Park disse que “os guardiões e cientistas comportamentais monitoram os animais durante todos os nossos eventos para garantir seu bem-estar”.

O parque disse que seu plano de proteção ao beme-star animal garantirá que nenhum distúrbio aos animais do zoológico e que ele será fechado às 19h, sem mais acesso ao público.

O porta-voz disse que o palco não estava localizado no zoológico, mas fora do perímetro do parque e que os recintos mais próximos da área ficavam a pelo menos meio quilômetro de distância.

Ele acrescentou: “Os auto-falantes vão ficar pendurados para cobrir o público e reduzir o barulho no zoológico e nas áreas residenciais”.

Eles disseram que os níveis de ruído não excederiam seus protocolos e os níveis seriam monitorados com a assistência de veterinários e funcionários.

Shows dessa proporção, com palco, iluminação e projeção de som para platéia imensas podem ser ouvidos a quilômetros de distâncias, como mostram os eventos de cantores e andas famosos realizados em estádios.

Estrelas como os artistas convidados atraem multidões e com certeza os animais ficarão incomodados não só pelo som, como pelas luzes e o excesso de pessoas, males dos quais, em seus habitats naturais jamais encontrariam.

O irrefreável sede de lucro dos seres humanos triunfa uma vez mais sobre os animais indefesos perante sua ambição desmedida.

Zoológicos de Londres realizam festas noturnas chamadas de “Zoo nights”

“Zoo nights”- um evento apenas para adultos, onde o SLZ London Zoo (zoológico de Londres) serve álcool e toca música alta – foi criticado e acusado de representar um “flagrante crueldade contra animais”.

A vegana e ativista pelos direitos animais, Abbie Andrews, criou uma petição pedindo que o zoológico cancele o evento, que recebeu quase 500 assinaturas em menos de 24 horas.

“Este é um evento recorrente onde o zoológico é basicamente transformado em uma boate noturna, com música tocando alto e álcool sendo vendido, sem nenhum cuidado com os animais como mostram os incontáveis incidentes que ocorreram nos anos anteriores”, disse Andrews.

A petição afirma que incidentes anteriores ocorridos no zoológico incluem pessoas tentando entrar em locais cercados e protegidos, pessoas derramando cerveja sobre os tigres, pinguins sendo perseguidos e supostamente feridos, e borboletas sendo esmagadas.

Absolutamente nenhuma consideração pelo animais

“Não há absolutamente nenhuma consideração pelos animais que já são mantidos no zoológico contra sua vontade, é tudo para os consumidores e visando lucro e dinheiro”, diz o texto da petição.

“A última coisa que esses animais precisam é estar cercados de pessoas bêbadas e música alta. Esse evento foi renomeado várias vezes sem nenhuma indicação de que seja cancelado de uma vez por todas.”

Andrews está pedindo ao público para assinar a petição antes de junho, quando o evento ocorrerá todas as sextas-feiras do mês.

O ZLS London Zoo disse: “Temos medidas rigorosas em vigor e bem-estar animal é sempre uma prioridade ao planejar nossos eventos. Em todos os eventos Zoo Nights, temos um oficial de bem-estar animal junto com nossos tratadores especialistas que cuidam de nossos animais. Nós também monitoramos os níveis sonoros para garantir que sejam cumpridas todas as políticas relevantes.

“No Zoológico ZSL de Londres, nossos animais vêm em primeiro lugar. Durante o dia, ou em eventos especiais, nossos especialistas veterinários, funcionários do zoológico dedicados e especialistas em bem-estar animal são dedicados a garantir que fornecemos tudo o que precisam para se manter saudáveis, estimulados e em forma”.

O zoológico também alegou que os supostos incidentes foram “reportagens altamente sensacionalistas” e que “nenhum visitante jamais feriu um animal nem entrou em um cercado de animais”.

Zoológicos – fábricas de morte

Todo tipo de cativeiro, sem exceções, causa prejuízos aos animais. Estes seres sencientes nasceram livres, com a natureza por habitat, e nenhum local ou nenhuma justificativa (como proteção das espécies e reprodução assistida) pode isentar o crime que esse fato representa.

Além do sofrimento psicológico e físico, dos traumas, da perda de vontade de viver e uma série e outros sintomas ligados a privação da liberdade, os animais ainda são afastados de seus bandos, suas estruturas sociais, seus vínculos consanguíneos e amorosos.

Sim, eles criam vínculos, são capazes de amar, sofrer, sentir, compreender o mundo ao seu redor e responder a estímulos externos. Essa capacidade de sentimento e consciência foi registrada sob o título de senciência animal e conta com a aprovação cientifica de especialistas do mundo que assinaram a Convenção de Cambridge em 2012.

Dessa forma essa evidencia científica só torna o sofrimento de nossos companheiros de planeta ainda maior e nossa culpa ainda mais condenável e vexatória.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Mais de 60 cachorros são resgatados de matadouro dias antes do início do Festival de Yulin

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Mais de 60 cães que aguardavam a morte trancafiados em gaiolas superlotadas e sujas foram resgatados de um matadouro em Yulin, na China, dias antes da cidade receber seu festival anual de carne de cachorro.

Os 62 cães, alguns ainda usando coleiras, estavam aterrorizados, exaustos e desnutridos quando foram encontrados em um matadouro escondido por ativistas chineses em 12 de junho, segundo relatos.

Eles foram levados imediatamente para um abrigo temporário para receber atendimento de emergência, comida e água, disseram que os ativistas estão no processo de organizar os animais para serem enviados para os centros de resgate em todo o país.

Todos os anos, milhares de cães são cruelmente mortos, esfolados e cozidos com maçaricos antes de serem comidos pelos moradores de Yulin durante o festival realizado no solstício de verão.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Imagens comoventes e fortes, divulgadas pela organização Humane Society International (HSI), mostram dezenas de cachorros indefesos sendo mantidos em uma pequena sala vazia. Muitos deles espremidos em gaiolas enferrujadas.

Wei, um dos ativistas chineses, disse à HSI: “Estava quente demais dentro do matadouro quando chegamos lá, os cães estavam exaustos e ofegantes, alguns se apertando contra a parede em um esforço para não serem notados”.

“Outros nos perseguiram se enrolando em nossas pernas, ansiosos por atenção”.

Esses animais provavelmente vieram em um dos últimos caminhões de cães que entraram em Yulin antes do festival porque o governo local provavelmente impediria a entrada de mais caminhões na cidade, acrescentou Wei.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

O ativista continuou: “Queremos que o mundo veja os horrores que é o comércio de carne de cachorro da China, entre os quais Yulin é o típico exemplo, e também para que os amantes de cachorros, de todos os lugares do mundo, ergam suas vozes contra esta terrível crueldade”.

“Por favor, não desperdice sua saliva dizendo que comer carne de cachorro faz parte da cultura chinesa. Não é nossa cultura roubar os animais domésticos das pessoas. Não é nossa cultura comer cachorros”.

Embora o festival de carne de cachorro de Yulin tenha deixado o mundo em estado de choque, a maioria das pessoas na China não come de fato cães.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Os animais são tipicamente consumidos por uma minoria de residentes no norte da China, perto da península coreana e da Mongólia, bem como no sul da China, perto do Vietnã.

Segundo o Dr. Peter Li, especialista em políticas da HSI na China, Yulin se torna um “lugar muito tenso” agora, com os comerciantes de cães e matadouros em alerta máximo à medida que o festival se aproxima.

“Por isso, foi difícil para esses ativistas chineses conquistarem a confiança dessa instalação para liberar os cães”, disse Li.

Ele acrescentou: “Pedimos ao governo chinês que mostre que não tolerará as gangues de ladrões de cães que perpetuam esse comércio e que acabam indo parar no comércio brutal de carne de cachorro e gato”.

A HSI está atualmente ajudando os cães resgatados a serem transportados para um abrigo de longo prazo no norte da China. A organização disse que também procuraria famílias adequadas no exterior, para adotar os animais.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

O Yulin Dog Meat Festival, realizado no solstício de verão, é um festival de comida altamente controverso na província de Guangxi, no sul da China.

Todos os anos, milhares de cães são cruelmente mortos, esfolados e cozidos com maçaricos antes de serem comidos pelos habitantes locais.

O popular restaurante de carne de cachorro Yulin No. 1 Crispy Dog Meat preparou 12 mesas ao longo da calçada do lado de fora com mais 20 mesas próximas para as festas do ano passado, informaram fontes locais na época.

Estima-se que 10 milhões de cães são mortos por sua carne na China anualmente. Pessoas de outros países asiáticos, como Vietnã e Coréia do Sul, também têm a tradição de comer cachorros.

No ano passado, a Humane Society International, organização de bem-estar animal, resgatou 136 cães de três abatedouros subterrâneos perto de Yulin, antes do início do festival que dura de três dias

A ONG afirma que os trabalhadores dos frigoríficos e matadouros matam cerca de 50 cães todos os dias para consumo humano.

Mas a organização explicou que a influência e o tamanho do festival foram reduzidos nos últimos anos graças ao protesto do público.

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Foto: HSI (Humane Society Internacional)

Embora a China tenha leis para salvaguardar a fauna silvestre e terrestre, atualmente faltam leis para proteger o bem-estar animal ou para evitar a crueldade contra os animais.

Em setembro de 2009, ativistas dos direitos animais e especialistas jurídicos começaram a circular um projeto de lei sobre a proteção de animais e em 2010, outro projeto de lei sobre a prevenção de crueldade com animais para consideração do Conselho de Estado, de acordo com a Human Rights in China – organização governamental com sede em Nova York.

O esboço propõe uma multa de até 6.000 yuans (cerca de 900 dólares) e duas semanas de detenção para os culpados de crueldade contra animais, segundo o jornal China Daily. No entanto, até hoje, nenhum progresso foi feito.

Embora a primeira legislação do país que protege o bem-estar animal ainda tenha que ser adotada, os casos crescentes de abandono de animais e séria crueldade contra animais como a morte de cães e a queima de gatos levaram a um sério ressentimento espalhado pela sociedade.

Camelo é vestido com roupas extravagantes e obrigado a circular em festival musical

Foto: LEAH INGHAM/FACEBOOK

Foto: LEAH INGHAM/FACEBOOK

Um festival musical conhecido como Land Beyond Festival – que tem como tema os instrumentos bateria e baixo – e acontece na Inglaterra anualmente, foi classificado como “nauseante” por vestir e enfeitar um camelo e obrigá-lo a desfilar pelo local.

Imagens do festival, realizadas em Brighton, Sussex, mostraram o animal vestido com uma capa vermelha brilhante e repleto de enfeites pelos rosto e corpo enquanto era conduzido através de um campo barulhento e lotado.

Daniel James, que participou do festival no domingo, descreveu que viu claramente o camelo se incomodar e demonstrar sofrimento por causa da música alta.

Ele disse: “O animal foi exposto a pessoas bebendo álcool e a música estava extremamente alta, como seria de esperar aliás de um festival de Drum and Bass (bateria e baixo).

Foto: soroat6/ Instagram

Foto: soroat6/ Instagram

“Havia pessoas que estavam noriamente bêbadas correndo e tirando fotos com seus telefones pra lá e pra cá, que assustaram o camelo algumas vezes”, conta um expectador do festival.

“Ele (o camelo) estava cercado por seis seguranças, então eles claramente sabiam que estavam colocando o animal em risco.”

Daniel, um expectador que do festival que trabalha com eventos, disse que ele e seu parceiro saíram do local assim que viram o camelo, acrescentando: “Eu nunca vi nada como na minha vida”.

Ele twittou um pequeno vídeo do animal com a seguinte legenda:“Por Deus, por que trazer um camelo para o festival e explorá-lo dessa forma é nojento. Crueldade animal nos dias modernos”.

Outros usuários das mídias sociais responderam ao vídeo com surpresa e revolta, um dos comentários dizia: “Absolutamente repugnante e vergonhoso! Os animais não estão aqui para entretenimento”.

Outro disse: “Abuso e exploração animal repugnantes por si mesmos. Por favor, não use os camelos dessa maneira”.

“Eles têm que ter sua vontade quebrada com espancamentos para se submeterem e estarem a salvo”.

Um terceiro acrescentou: “Estamos em 2019. Por que apoiar a crueldade contra os animais com o uso de um camelo em seus eventos?”.

“Certamente o evento e a música ja se bastam, o animal não deveria jamais ser usado para entretenimento. Que vergonha!”.

O camelo foi alugado da empresa Joseph’s Amazing Camels em Warwickshire.

A companhia disse que os camelos foram “domesticados por mais tempo que os cavalos” e enfatizou que o animal foi colocado em uma cela protetora durante seu tempo no festival.

Mas um porta-voz da RSPCA disse que a entidade ficaria preocupada com qualquer animal que aparecesse em um festival e questionaram a “necessidade” de trazer o camelo para o evento.

Eles disseram: “A grande multidão de pessoas festejando, dançando e bebendo e a música alta em tais eventos, como também o transporte de ida e volta, causam muito stress ao animal”.

“Nós questionamos a necessidade de levar um camelo para um evento como este. Além disso, animais como os camelos são naturalmente sociais, portanto, ser exibido sozinho, sem um animal de companhia adequado, aumenta o estresse”.

Um porta-voz do festival alegou em sua defesa que o animal tem uma licença de performance e foi visto em filmes como Aladdin e uma série de outras produções.

Como se uma exploração previamente realizada fosse permissão ou justificativa para que novas explorações aconteçam.

“Land Beyond é um festival de nome e um de nossos objetivos é nos esforçar para levar experiências incomuns para nossos eventos”.

“Nunca foi nossa intenção ofender ninguém e gostaríamos de agradecer a todos pelo feedback”.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

ONG revela histórias de sucesso de cães resgatados do festival chinês de carne de cachorro

Cães a espera na morte em matadouro de Yulin | Foto: HSI

Cães a espera na morte em matadouro de Yulin | Foto: HSI

Com a aproximação do bárbaro festival de carne de cachorro de Yulin na região de Guangxi, na China, a ONG britânica Humane Society International (HSI) compartilha algumas histórias de sucesso de cães que seus parceiros ativistas chineses já resgataram dos matadouros de Yulin.

Snorki, Rosie, Fred mais dois cachorros e Lily, são apenas cinco das centenas de cachorros e gatos que ativistas chineses salvaram da morte no cruel Yulin Dog Meat Festival, onde os animais indefesos são mortos e queimados em frente aos demais e aos compradores de carne. Muitos resgates ocorrem em matadouros em toda a China também.

Embora o evento do solstício de verão que ocorre em 21 de junho em Yulin seja realizado como símbolo do comércio de carne de cães e gatos na China, muitas pessoas não sabem que a brutalidade desse comércio alimentado pelo crime, que motiva roubos e mortes de animais durante todo o ano e em todo o país, com uma estimativa de 10 a 20 milhões de cães e 4 milhões de gatos sendo mortos anualmente.

Foto: animalpeople.com

Foto: animalpeople.com

Acredita-se que muitos desses animais sejam cães e gatos em situação de rua e animais roubados dos quintais de residências. Eles são amontoados em gaiolas de arame e levados em viagens que duram horas ou mesmo dias pelo país, antes de chegar ao matadouro onde são espancados até a morte, alguns ainda usando coleiras que provam que tinham uma família e um lar.

Ano passado, ativistas chineses apoiados pela ONG HSI resgataram 135 cães dos matadouros de Yulin, cinco dos quais – Lily, Harley, Fred, Coco e Rosie – a entidade levou para o Reino Unido, onde encontraram famílias para eles.

Em 2016, a ONG resgatou 170 cães doentes e feridos de matadouros e mercados em Yulin, sendo que quatro cães sortudos – Lily, Snowy, Snorki e Lucy – e dois gatos – Simon e Li – estão agora vivendo seguros e felizes com suas famílias no Reino Unido. O grupo de 170 animais tinha sido resgatados há apenas um dia de ser morto no festival de Yulin.

Alguns dos sobreviventes resgatados do comércio de carne de cachorro fizeram amigos famosos. Li, a gata, teve a sorte de encontrar a atriz de Harry Potter, Evanna Lynch, quando a HSI filmou as duas para um vídeo sobre o sofrimento dos gatos no comércio de carne chinês.

Evanna Lynch com a gata Li | Foto: HSI

Evanna Lynch com a gata Li | Foto: HSI

Lily, Snowy, Snorki e Lucy foram todos muito bem-vindas ao novo continente pelo ator e ativista pelos direitos animais Peter Egan, que lhes deu seu primeiro abraço em solo britânico, acompanhado pela ONG que proporcionou o resgate.

“Esses cães e gatos conheceram o inferno e voltaram, sobrevivendo ao aterrorizante comércio de carne da China, e é tão humilhante dizer que, apesar de sua provação e sofrimento, sua resiliência e natureza indulgente saltam aos olhos. Eles são apenas alguns dos milhões de cães e gatos que são roubados e capturados para esse comércio cruel durante todo o ano ”, disse Claire Bass, diretora para Reino Unido da HSI, em um comunicado.

“Yulin é um exemplo relativamente pequeno de uma questão muito maior e mais feia, que milhares de ativistas chineses dedicados estão trabalhando para impedir. Ao contrário dos pressupostos de muitos no Ocidente, a maioria das pessoas na China não come cachorro e, de fato, fica horrorizada com o pensamento de um comércio que tira seus companheiros caninos deles”.

Rosie foi salva de um matadouro Yulin em 2018 e agora vive com Kirsten McLintock em Norfolk (Inglaterra). “Já se passaram seis meses desde a primeira vez que recebi Rosie e ela tem sido um encanto absoluto; amigável com outros cães, sem ansiedade de separação, uma viajante perfeita no carro. É claro que ela deve ter sido um animal doméstico roubado de alguém, quando ela chegou, foi treinada em casa e costumava ter uma coleira e andar na frente nos passeios”, disse McLintock. “Sua mais recente descoberta foi a praia. Ela dança e pula de felicidade quando chegamos à praia, é tão lindo de assistir o contentamento dela. Eu a amo de todo o meu coração, ela é o cão mais doce, intuitivo, suave e gentil qu eeu ja vi na vida”.

Rosie | Foto: HSI

Rosie | Foto: HSI

Lily foi salva de um matadouro Yulin em 2018 por ativistas chineses. O resgate produziu uma foto icônica de Lily sentada pacientemente no chão onde seria morta, encarando suplicante aos seus salvadores. Ela agora vive com sua irmã Sophie, uma cocker spaniel e sua mãe e adotante Susie Warner em Berkshire.

Lily antes, no dia do resgate | Foto: HSI

Lily antes, no dia do resgate | Foto: HSI

Susie disse: “Lily é uma diva superstar e ela é adorável. Agradeço de todo o meu coração àqueles que tornaram possível que ela chegasse até mim e a salvaram da morte, permitindo que ela viva a melhor vida possível”.

Lily com sua nova família e lar, ao lado da irmã | Foto: HSI

Lily com sua nova família e lar, ao lado da irmã | Foto: HSI

O pequeno Fred foi salvo da morte em 2018 e agora mora em Londres com Fernanda Gilligan, seu marido e sua filha de três anos. Fernanda disse: “Somos muito gratos por sermos a nova família de Fred. Ele é realmente um membro de nossa família e é tão dedicado. Fred adora passear e correr no parque. As aventuras no campo são ainda mais agradáveis com Fred ao nosso lado e adoramos tê-lo conosco o máximo de tempo possível. Ele é verdadeiramente um acréscimo notável à nossa família”.

Feed | Foto: HSI

Feed | Foto: HSI

Lily foi resgatada em 2016 e adotada por Lynn Hutchings em Kent, que disse: “Lily floresceu de uma garota assustada e esquiva, que não confiava muito em humanos para um cachorro confiante e feliz, membro da nossa família e que ama a todos incondicionalmente, especialmente se ela puder convencê-los com seus encantos a dar muitos petiscos para ela”.

Lily | Foto: HSI

Lily | Foto: HSI

Snorki, foi resgatado em 2016 e encontrou sua família e casa em Clapham, no sul de Londres, com Angelina Lim, onde vive hoje. Angelina disse: “Snorki está muito melhor do que estava no começo, mas ainda tem medo de estranhos. Uma vez que ela conhece você, ela vai aceitar alegremente carinhos e coçadinhas na barriga, mas você tem que ganhar sua confiança primeiro. Estou convencida de que ela foi um animal doméstico roubado porque ela aprendeu tudo muito rápido. Snorki também tinha uma pequena protuberância nas costas, que desde então desapareceu, eu creio que isso era uma sequela por ter sido esmagada em uma gaiola por um bom tempo antes de ser resgatada. Minha vida é tão feliz com Snorki, ela é uma alegria completa, apesar de ser uma máquina de comer 24 horas por dia”.

Snorki | Foto: HSI

Snorki | Foto: HSI

O belo e dedicado trabalho desses ativistas tornou possível que esses animais tivessem uma nova chance em lugar de morrer nas mãos de comerciantes cruéis para abastecer um mercado antiquado e desaprovado pela própria população chinesa.

Muitos outros animais não tem essa oportunidade e perecem das maneiras mais bárbaras e tristes aos milhares.

Fatos sobre o comércio de carne de cachorro da China

1. O festival de carne de cachorro Yulin não é tradição como seus defensores alegam. Foi inventado em 2010 por comerciantes de cães para aumentar seus lucros. Antes do início do festival, o consumo de carne de cachorro já estava declinando como uma subcultura culinária, e nenhum festival de carne de cachorro jamais existiu anteriormente.

2. A Organização Mundial da Saúde adverte que o comércio de cães se espalha a raiva e aumenta o risco de cólera.

3. A maioria das pessoas na China não come cachorro; na verdade, a carne de cachorro é consumida com pouca freqüência por menos de 20% da população chinesa. Muitos deles comem carne de cachorro sem saber.

4. Em sua primeira edição, cerca de 15 mil cães foram mortos durante os principais dias do festival de Yulin, mas a pressão chinesa e internacional reduziu esse número para cerca de 3 mil cães. No entanto, muitas centenas ainda são mortas todos os dias nas semanas que antecedem o festival.

5. Cães e gatos são espancados até a morte, um em frente do outro, e a carcaça é queimada para venda nos mercados. O massacre de cães e gatos continua ocorrendo em lugares públicos, expondo crianças pequenas a uma brutalidade horrenda e potencialmente dessensibilizando as gerações mais jovens da China.

Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Nação Vegana Brasil realiza ato contra Festival de Carne de Cachorro na próxima semana

Por David Arioch

Já tem alguns anos que o Festival de Yulin, como também é conhecido, conquistou má fama fora da China (Acervo: HSI)

Na próxima quarta-feira (12), a partir das 11h, o movimento Nação Vegana Brasil vai realizar na Embaixada da China, em Brasília, um ato contra o Festival de Carne de Cachorro, que ocorre entre os dias 21 e 29 deste mês.

Na ocasião, será entregue um abaixo-assinado com mais de 2,2 milhões de apoios contra a realização do evento em Yulin, na província de Guangxi, onde anualmente são mortos cerca de 10 mil cães, segundo a organização Humane Society International (HSI).

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens.

O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, além de gatos, que com certeza não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc.

Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Yulin, como também é conhecido, conquistou má fama fora da China. Além disso, não são poucos os cães e gatos servidos no evento que são abatidos aos olhos do público.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. DOE AGORA


 

Artistas internacionais se apresentam em festival no Caribe contra a poluição plástica

Por David Arioch

Músico australiano Cody Simpson foi uma das atrações do Play it Out (Foto: Divulgação/EPA/ONU)

No final de semana, artistas, celebridades e líderes políticos se reuniram no Estádio Nacional Sir Vivian Richards, na ilha de Antígua e Barbuda, para participar do festival Play it Out, que visa ampliar a conscientização e inspirar ações para combater a poluição plástica.

Além de apoiar o ativismo global, o festival teve como objetivo reconhecer iniciativas concretas que ajudam a responder ao problema da poluição plástica, incluindo a campanha Mares Limpos, da ONU Meio Ambiente, que se propõe a acelerar ações previstas no Plano de Ação Caribenho para Plásticos.

Com apresentação das atrizes Meagan Good e Amanda Cerny, o evento contou com apresentações do rei do gênero caribenho soca, Machel Montano e da cantora Ashanti, vencedora do Grammy, além de outros nomes como DJ Robin Schulz; da dupla de R&B Nico & Vinz; da banda de indie-rock St. Lucia; da banda colombiana de eletropop Bomba Estereo; do músico australiano Cody Simpson; e do cantor de reggae ganês Rocky Dawuni.

O evento foi organizado pela presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, junto aos governos da Noruega e de Antígua e Barbuda.

Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo

Segundo a ONU, 80% de todo o lixo marinho é composto por plástico e a estimativa é que em 2050 a quantidade de plásticos na água supere a de peixes. Vale lembrar também que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo plástico do mundo e recicla apenas 1%. Sem a destinação adequada, grandes quantidades de resíduos plásticos chegam aos oceanos e afetam a vida marinha, já que muitos animais acabam consumindo esse tipo de produto que interfere até mesmo no comportamento reprodutivo das espécies.

Artistas assinam petição que alcança 160 mil assinaturas contra festival de carne de cães e gatos

Artistas europeus estão entre as pessoas que assinaram uma petição contra o Festival de Yulin, no qual carne de cães e gatos é comercializada. O festival é realizado na região de Guangxi, no Sul de China. A petição deve ser entregue na embaixada chinesa em Paris, na França, nesta quarta-feira (29).

Foto: REUTERS/Reinhard Krause

A cantora britânica Petula Clark e os cantores franceses Michel Sardou e Nicoletta foram alguns dos artistas que assinaram o documento lançado pela associação Stéphane Lamart “Pela defesa dos direitos dos animais”. A entidade afirma que  “vem lutando há muitos anos para pedir ao presidente chinês, Xi Jinping, que não autorize essas práticas bárbaras “. As informações são da AFP.

“Para que a carne fique mais macia, os métodos de execução são muitas vezes extremamente cruéis, os animais são escaldados, estripados, envenenados, dilacerados vivos ou mortos com paus”, afirma Stéphane Lamart.

“Eu não estou surpreso, há milênios que os chineses comem cães e gatos, mas que eles façam disso um festival, é chocante”, completou Michel Sardou, que afirma ter se comprometido com a causa animal “graças a Brigitte Bardot”.

“É bom reclamar com um embaixador que vai encaminhar a queixa, mas isso deveria acontecer em escala global para que o abuso de animais cesse”, completou o cantor, que lembrou ter ficado satisfeito com os 2,2% de votos que o Partido Animalista conseguiu durante as eleições europeias realizadas no ano passado na França. O percentual é o dobro do registrado em 2017.

Durante a entrega da petição à embaixada, uma manifestação será realizada, das 11h às 13h. Bonecos gigantes de cachorros e gatos, com dois metros de altura, serão levados para o local para chamar a atenção dos transeuntes.

De acordo com Stéphane Lamart, “10.000 cães e 4.000 gatos foram mortos em 2018” durante o festival. O dado é confirmado pela A US Humane Society. Apesar disso, o consumo de cães na China é feito apenas por uma pequena parcela da população. De acordo com a Humane Society International (HSI), aproximadamente um terço dos 30 milhões de cães consumidos no mundo estão na China. A prática também parece estar diminuindo em outros locais da Ásia. Na Coreia do Sul esse consumo é cada vez mais criticado e em Taiwan já foi banido.

Na era maoísta (1949-76), ter um cachorro era proibido. Atualmente, no entanto, cada vez mais os chineses têm tutelado cachorros e repudiado o Festival de Yulin.

Prefeito institui Semana da Consciência Vegana em cidade canadense

Foto: Livekindly/Reprodução

Foto: Livekindly/Reprodução

Lienhard, Plcolin Basran, o prefeito de Kelowna, na Colúmbia Britânica (Canadá), proclamou primeira Semana da Consciência Vegana atendendo um pedido dos organizadores do Kelowna VegFest (festival anual vegano).

Os organizadores encorajaram o prefeito a fazer o anúncio como parte de seu boicote ao Ribfest Weekend (Festival da Costela), que foi anunciado em setembro último.

A Global News informou que o evento acontece na semana de 19 a 26 de maio na preparação para o segundo VegFest da cidade que aconteceu em 26 de maio.

Empresas locais criaram uma variedade de ofertas diferentes para comemorar a inauguração da primeira Vegan Awareness Week. Variando de pizzas veganas grátis a brindes oferecidos junto com as compras, a cidade está entusiasticamente envolvida na promoção da Semana da Consciencia Vegana.

Kelowna está se tornando conhecida por ser uma opção aos veganos. Muitas empresas locais aumentaram suas opções veganas, e o restaurante vegano, Naked Cafe, geralmente tem filas de espera para conseguir uma mesa davido a grande procura.

Os proprietários Olivia e Teghan Gordey dizem que isso é em parte porque “agora é moda ser vegano”. Eles acrescentaram que “as pessoas se tornam veganas por diferentes razões, como saúde ou especificamente pelos animais”.

O site do restaurante fala sobre o orgulho que p estabelecimento sente em poder estar envolvido com a comunidade local. A publicação diz: “Nossa equipe está profundamente comovida ao ver uma comunidade vegana se unindo diante de seus olhos, desde que a Naked se tornou realidade em 2015”.

De acordo com o site do VegFest, cerca de 70 fornecedores estarão presentes no festival deste ano. Além da enorme variedade de barracas disponíveis, haverá palestras e outros eventos. Os visitantes podem participar de aulas de ioga, ouvir concertos com os músicos locais ou participar de uma demonstração ensinando como fazer queijo vegano.

Os apresentadores também falarão sobre assuntos com os temas: “Tornar-se um empreendedor vegano”, “Nutrição no esporte” e “Jornada rumo ao desperdício zero”.

Festivais Veganos

O Canadá tem muitas versões do VegFest acontecendo a cada ano. FairSquare descreve como os ontarienses são “presenteados pela escolha” quando se trata de encontrar eventos e festivais veganos.

Bem como grandes cidades como Toronto, Ottawa e Vancouver também hospedam vários eventos, muitas províncias estão criando seus próprios VegFests. Diversos eventos veganos ocorrem no país da Colúmbia Britânica até Quebec e em diversas outras cidades.

Os EUA também estão se tornando conhecidos por seus festivais veganos. A Eat Drink Vegan celebra seu aniversário de 10 anos este ano, e o SoCal VegFest acontece em dois dias em outubro deste ano.

Os organizadores do segundo Kelowna VegFest doarão todo o dinheiro arrecadado aos santuários de animais.

Festival de Carne de Cachorro de Yulin será no mês que vem

Por David Arioch

Não são poucos os cães servidos no festival que são abatidos aos olhos do público (Foto: Billy H.C.Kwok)

A cada ano, ativistas dos direitos animais têm livrado pelo menos mil animais da morte no Festival de Lichia e Carne de Cachorro, onde cerca de dez mil cães são mortos para consumo. Com duração de dez dias, o festival que ocorre em Yulin no mês que vem, na província de Guangxi, oferece carne de cachorro, carne de gato, lichias frescas e licores.

O primeiro festival foi realizado em 2009, e surgiu a partir da crença de que comer carne de cachorro durante o verão chinês traz sorte e boa saúde. Há até mesmo uma crença de que afasta doenças e aumenta o desempenho sexual dos homens.

O problema é que o custo disso é a morte violenta de milhares de cães, que com certeza não gostariam de ter suas vidas precocemente usurpadas para atender interesses humanos não imprescindíveis, assim como fazemos com bois, vacas, porcos, frangos, galinhas, etc.

Afinal, senciência é senciência, não é mesmo? E todos os animais que os seres humanos comem partilham dessa mesma capacidade. Embora tenha se tornado tradicional, já tem alguns anos que o Festival de Lichia e Carne de Cachorro, mais conhecido internacionalmente como Festival de Yulin, conquistou má fama fora da China, inclusive por práticas nada ortodoxas de abate de animais.

Não são poucos os cães e gatos servidos no festival que são abatidos aos olhos do público. Outro problema é que o festival incentiva o roubo de cães. Prova disso é que visitantes de passagem pelo festival já testemunharam que viram animais com coleira de identificação – cães que também foram mortos para consumo.

No entanto, o que não pode ser desconsiderado é que o Festival de Yulin representa muito pouco quando analisamos o cenário nacional chinês. Há uma estimativa de que pelo menos 10 milhões de cães são mortos por ano na China para serem reduzidos a pedaços de carne, segundo a Humane Society International.

E talvez a prática tenha alguma relação com a Revolução Cultural Chinesa iniciada em 1966, e idealizada por Mao Tsé-tung, que à época proibia que cães fossem criados como animais de estimação, impedindo o desenvolvimento de vínculos afetivos.

Por outro lado, e felizmente, a China se tornou um país onde muitos não concordam nem com a realização do festival nem com o consumo de carne de cachorro. Uma prova disso é que há mais de 62 milhões de cães e gatos domésticos registrados no país.

Há uma estimativa de que mais de 60% dos chineses são contra o festival, incluindo a maioria dos moradores de Yulin. Mas se há tantas pessoas que não concordam com o festival, por que ele continua sendo realizado?

(Foto: Billy H.C.Kwok)

Provavelmente porque muitos o reprovam, mas não o suficiente para deixarem suas casas e protestarem contra a matança de animais iguais aqueles que eles mantêm ao seu lado. Quem sabe, com exceção dos ativistas chineses que fazem o que podem, impere algo como o clichê:

“O que os olhos não veem o coração não sente.” Sobre a possibilidade de se interromper o festival, o governo municipal de Yulin alega que não “há nada a ser feito porque o festival não existe como evento oficial”. Em síntese, o clássico “lava mãos”.

Talvez o Festival de Yulin, que hoje é um evento que ocorre em uma época auspiciosa, afinal, é isso que o verão também simboliza para os chineses, tivesse um potencial muito maior se fosse transformado em um festival só de lichias frescas e licores.

Acredito que atrairia muito mais visitantes. Afinal, lichia e licor combinam muito mais com a fausta representatividade do verão, com sua luz e cores, do que o sangue derramado de criaturas que gostariam de viver.

Claro, não há como negar que a oposição ao festival tem o seu aspecto positivo, de conscientização em relação à coisificação de cães e gatos, mas talvez seja válido ir um pouquinho além, e estender essa mesma preocupação a outros animais que todos os dias matamos aos milhões mais para satisfazer os nossos paladares que sem muitas dificuldades poderiam ser reeducados.

Saiba mais

Desde 2017, uma campanha criada no site Avaaz pede o fim do Festival de Yulin, que normalmente é realizado no dia 21 de junho. A iniciativa já conta com mais de 3,4 milhões de apoiadores. Se você também é contra, clique aqui e assine a petição.

Espectador morre ao participar de festival de touros na Espanha

As imagens flagram o momento em que um homem de 74 anos foi ferido mortalmente em um festival de touros na Espanha.

Explorados, intimidados e amedrontados os touros são provocados, ofendidos e muitas vezes machucados por uma platéia que se diverte covardemente às custas de seu sofrimento. Com bolas amarradas aos seus chifres (para evitar que os espectadores se machuquem) os animais correm pelas ruas em desespero.

Os que assistem a esse espetáculo de crueldade e se divertem com a dor de outro ser em agonia estão se expondo à riscos óbvios, visto que os touros são animais livres e selvagens, que podem acabar em tragédia.

O aposentado que foi ferido e morto estava participando do cruel e “tradicional” evento Toro Embolao em Vejer, em Cádiz (Espanha), quando o animal que corria em uma carreira desabalado pelas ruas, apavorado e ferido, com cerca de 400 kg de peso, o atacou.

O homem, apontado como como morador local, Juan José Varo, tentou fugir do animal escalando uma parede próxima, mas acabou caindo bem no caminho do touro.

Apesar das tentativas desesperadas de atrair o animal para outra direção, o touro atormentado voltou e atacou o aposentado duas vezes mais o que causou feridas fatais.

Foram mais alguns minutos até que o socorro médico pudesse chegar ao homem ferido enquanto demais espectadores tentavam afastar o touro desorientado da cena.

Os espectadores conseguiram puxar o homem ferido para trás de uma barreira e tirá-lo do caminho do touro, mas ele teve um pulmão perfurado e várias costelas e vértebras quebradas.

O homem foi levado para o hospital e internado na unidade de terapia intensiva, mas não se recuperou de seus múltiplos ferimentos.

Um porta-voz do conselho local disse que foi um acidente infeliz, já que o homem “assistia normalmente ao touro correr por trás das barreiras”.

Os touros explorados no festival têm “almofadas arredondadas” presas à ponta de seus chifres em uma tentativa de proteger os espectadores caso eles sejam atacados.

Foto: Vejerdelafrontera.com

Foto: Vejerdelafrontera.com

No entanto, o evento ainda está repleto de perigos tanto para touros como para humanos devido ao enorme tamanho e peso dos animais, sem falar que são selvagens e são provocados e cutucados pelos espectadores do hediondo espetáculo vendido como atração turística.

Paramédicos no local também tiveram que tratar uma mulher que desmaiou na cena do incidente e outro homem que foi ferido pelo mesmo touro. Ele levou sete pontos.

O festival é celebrado na cidade que fica no topo de uma colina desde 1976 e envolve a passagem e corrida de dois touros pelas ruas da cidade.

Foto: Vejerdelafrontera.com

Foto: Vejerdelafrontera.com

Infelizmente ele é assistido por milhares de pessoas e é considerado uma grande atração turística para Vejer, que alimenta a indústria da exploração animal.

Os festivais de corrida de touros são uma triste e vergonhosa parte da cultura popular espanhola, mas ativistas pelos direitos animais não se cansam de alertar que estes eventos são cruéis e lutam incansavelmente pela sua proibição.