Releitura do filme ‘O Rei Leão’ tem animais da Amazônia como protagonistas
A versão brasileira do filme “O Rei Leão” é uma releitura do longa-metragem da Disney, criado em 1994. A animação original tem como protagonistas leões e leoas, um suricato, um javali, um pássaro, um macaco babuíno e hienas. Na releitura, idealizada pelo designer gráfico e ilustrador Vilmar Rossi Júnior, as estrelas são os animais da Amazônia.

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior
“Eu me inspirei com a chegada do novo filme [lançamento da versão computadorizada do Rei Leão]. Sou muito fã de animação e, conversando com a minha esposa sobre política e o que está acontecendo, sobretudo no meio ambiente, a junção das ideias foi natural”, explicou Rossi ao G1.
“Eu gosto muito de ‘mashups’, pois a gente mistura dois temas muito conhecidos e gera um terceiro resultado e, nesse momento, gera uma leitura nova. No original a gente dá pouca atenção para a savana e foca no drama do jovem príncipe”, disse.
“Ao mudar o cenário, a gente passa a questioná-lo: se o Rei Leão fosse aqui, teria que lidar com o desmatamento, as queimadas, os madeireiros, os latifundiários, a extinção. O ‘mashup’ aflorou as questões ecológicas que se escondiam na animação original – e isso foi inesperadamente bom”, completou.
Oito cenas já foram reproduzidas até agora. A do Hakuna Matata foi a primeira. “Ela tem uma certa alegria despretensiosa, sabe? De quem só estava se divertido… estava ‘Hakuna Matata’ (risos). Mas gostei do resultado da cena da abertura, da conversa do Simba com o espírito do pai e da última, onde o Mufasa diz ao Simba que até onde a luz toca é o reino deles. Ao fundo, coloquei uma queimada, subindo um rolo de fumaça. Quem conhece o filme sabe que o Simba pergunta ‘E aquele lugar escuro?'”, explicou.

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior
Simba, nas ilustrações, é uma onça-pintada, Timão é um cateto e Pumba uma irara ou papa-mel. “Alguns animais foram fáceis de escolher, mas tentei trazer espécies mais desconhecidas, como o araçari (em vez do tucano que todos já viram). O Rafiki fiz, na primeira vez, um mico-leão, mas algumas pessoas chamaram a atenção de que ele não é tão típico da Amazônia. Então lembrei do uacari, que acho um macaco imponente, lindo. Agora, as hienas me deram dor de cabeça, pois não temos animais carniceiros desse tipo aqui. Até que o cachorro-do-mato-vinagre coube nesse papel”, disse.
Dentre as espécies escolhidas pelo ilustrador, a onça-pintada é a mais conhecida. Extinta nos Estados Unidos, a onça-pintada, considerada o maior felino das Américas, está criticamente em perigo na Caatinga e Mata Atlântica, em perigo no Cerrado e vulnerável na Amazônia e Pantanal. A espécie é uma das prioridades da Lista Vermelha da União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN).
O cateto está presente em quase todos os biomas e é considerado quase ameaçado, vulnerável ou em perigo, dependendo da localização. Eles vivem em bandos de 5 a 25 membros, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Foto: Arquivo pessoal/Vilmar Rossi Júnior
Presente em vários habitats, especialmente naqueles de vegetação densa, segundo o ICMBio, a irara ou papa-mel tem olfato bastante apurado. O araçari-castanho, que tem status de conservação considerado “menos preocupante”, alimenta-se de frutos e vive no alto das árvores.
Conhecido como macaco-da-noite ou macaco-da-noite-de-pescoço-cinza, o uacari tem uma população de cerca de 10 mil animais. Eles vivem na Amazônia do Brasil e de outros países, como Colômbia, Equador e Peru.




























