Guia ensina a identificar mamíferos aquáticos do Brasil

A publicação mostra as principais diferenças físicas entre peixe-boi, baleias e golfinhos | Foto: Pixabay

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), acaba de lançar o Guia Ilustrado de Identificação de Cetáceos e Sirênios do Brasil.

A publicação mostra as principais diferenças físicas entre baleias, golfinhos e peixe-boi. No guia, o interessado encontrará os tipos de nadadeiras (dorsal, caudal, peitoral), as características da cabeça, o peso, as medidas, além de hábitos alimentares de cada espécie.

Segundo o guia, muitos mamíferos aquáticos ocorrem em áreas costeiras e fluviais e, por consequência, estão sujeitos a uma variedade de ameaças impostas por atividades antrópicas. As principais ameaças estão relacionadas ao crescimento desordenado ou irregular de atividades urbanas, pesqueiras, industriais, agrícolas e portuárias.

A publicação traz ainda o mapa de distribuição dos mamíferos aquáticos no Brasil. O objetivo é permitir que leigos, amantes da natureza e pessoas que trabalham próximo ao habitat dos animais (turistas, pescadores, mergulhadores, salva-vidas, estudantes e outros) possam identificar, de forma rápida e eficiente, os cetáceos e sirênios.

Para ter acesso ao Guia Ilustrado de Identificação de Cetáceos e Sirênios do Brasil, clique aqui.

Centro de recuperação de animais em SP cuida de falcão mais veloz do mundo

Um veado catingueiro órfão de 15 dias que mama na mamadeira é a sensação do CRAS (Centro de Recuperação de Animais Silvestres) que fica dentro do Parque Ecológico do Tietê, Zona Leste de São Paulo.

Foto: Deslange Paiva/G1

Ele foi resgatado e entregue ao centro por um fazendeiro no Alto do Tietê, na região de Mogi das Cruzes, e será criado no núcleo até se tornar independente para se alimentar, de acordo com a médica veterinária e diretora do CRAS, Liliane Milanelo, 46 anos.

“Essa espécie é muito comum naquela área, onde há muitas fazendas. Essa espécie fica órfã geralmente por ação trópica (caçador, atropelamento ou morte por cachorro). Acreditamos que a mãe tenha sido vítima e ele sobreviveu”, diz ela.

Atualmente, o filhote mama leite de cabra a cada duas horas e logo vai aprender a comer pequenas folhas, flores e frutas, coisas que ele encontrará na natureza. Ele será solto no mesmo local de origem quando aprender a comer sozinho.

Falcão mais veloz

O CRAS recebe em média 30 animais machucados por dia e os recupera antes de reinseri-los no meio ambiente em áreas de soltura cadastradas pela Secretaria do Verde e Meio Ambiente e pelo Ibama. Os mais comuns são araras, papagaios, gavião, macacos, cobras, tartarugas e jabutis, jaguatiricas, além de muitos pássaros, entre outros.

Atualmente o centro também recupera um falcão peregrino, espécie rara de se encontrar no Brasil e considerada a ave mais veloz do mundo, podendo atingir até 440Km/h em vôos predatórios dependendo da distância e ângulo de ataque, mas estudos dizem que geralmente fica entre 250 a 380Km/h. Ele foi encontrado na região da Cantareira, Zona Norte de São Paulo.

Foto: Deslange Paiva/G1

“É um animal raro de se aparecer em cativeiro, eles só passam pelo Brasil fazendo migrações intercontinentais. Provavelmente ele saiu dos Estados Unidos em direção à Patagônia. No Oriente Médio essa espécie é muito usada para falcoaria, [esporte que treina falcões e outras aves de rapina para caça], que, para mim, é mais uma dominação animal”, diz Liliane.

O falcão se recupera de uma cirurgia de osteossíntese devido a uma fratura no úmero (osso longo e o maior do membro superior que se localiza no braço da ave) e será solto em breve.

Atualmente o CRAS mantém 1200 animais, mas sua capacidade máxima é de 1800. O núcleo é o único Cetas (Centro de Triagem de Animais Silvestres), órgão gerenciado pelo Ibama, do governo do estado. Ele foi inaugurado em 1986 e é administrado e mantido pelo DAEE ( Departamento de Águas e Energia Elétrica).

Cuidados e tratamento

A maioria dos animais recebidos pelo CRAS do Parque Tietê são oriundos de resgates da polícia após denúncias de tráfico, comércio ilegal ou maus tratos. Além disso, qualquer munícipe pode levar até o parque animais machucados.

Na quarta-feira (27), por exemplo, uma operação da Polícia Civil de Guarulhos levou 63 aves ao parque.

De acordo com Liliane, geralmente as aves que chegam ao CRAS são animais bonitos, mais visados pelo tráfico. Na última leva recebida pelo centro, foram recebidos canário da terra, sanhaço, tico-tico, azulão e sábia.

Foto: Deslange Paiva/G1

Chegando ao CRAS, os animais são examinados, anilhados e têm material coletado (sangue, fezes, pena) para análise clinica e laboratorial. Mamíferos recebem um microchip com suas informações, de origem do animal, condições de chegada, espécie, peso, comprimento, idades, exames, evolução, data de saída e onde foi solto.

“Geralmente ele chegam aqui machucados por ficarem se debatendo na gaiola. Depois que estão bem sanitariamente, nutricionalmente e comportadamente, iniciamos o processo de reinserção. Se o animal vive em grupo, tem de estar inserido em um grupo, se voa, tem de saber voar. As aves primeiro se acostumam em um recinto menor e depois passam para um maior para irem se acostumando”, explica Liliane.

O CRAS conta com um banco de penas, retiradas de animais que morrem, para implante em outros.

“A troca de penas, que chamamos muda, é demorada. Quando o animal chega com a pena quebrada ou amassada por linha de pipa, que é muito frequente, a gente reinsere como se fosse um implante”, explica Liliane.

Segundo a médica veterinária, as pipas são grandes vilãs, inclusive.

“A gente abomina pipa. Não tem nada de bom nisso: motoqueiros sofrem, é ruim para as árvores e péssimo para aves. Mesmo linha que não tem cortante, os animais acabam se enrolando nelas, quebrando a asa, muitos caem na água e se afogam. Às vezes chegam aqui sem asas. Os animais já são sobreviventes por viver em São Paulo, e ainda têm de lidar com essas variáveis”, diz Liliane.

Outro comportamento humano que só faz mal a animais é manter aves em gaiolas.

Foto: Deslange Paiva/G1

“Se você pensar que esses animais vivem em bando, voando a grandes distâncias, comendo o que querem em total liberdade… Aí ficam condenados a ficar em uma gaiola dentro de uma cozinha falando ‘louro’, aprendendo palavrão e cantando hino de time. É deprimente para a espécie”, desabafa.

Alguns animais, segundo Liliane, chegam ao centro de recuperação deprimidos e com problemas psicológicos.

“A gente tinha um macaco prego fêmea que não saía do lugar. Ela foi achada em uma casa de família abandonada na gaiola. Ficou meses sendo alimentada por um vizinho até a polícia resgatar. Há papagaios que chegam aqui extremamente agressivos, alguns se mutilam. Então eles desenvolvem problemas psicológicos. Alguns tomam remédios psiquiátricos e conseguem reverter, outros não. Ficarão sujeitos a cativeiro para sempre.”

Os animais que não conseguem se recuperar para serem reinseridos no meio ambiente são enviados à criadouros autorizados ou zoológicos.

“A retirada de animais da natureza causa um impacto ambiental gigantesco. Cada ser da fauna silvestre faz parte de uma engrenagem, de um equilíbrio ambiental e as consequências nós humanos também vamos sofrer. Cada pessoa que adquire um passarinho, um papagaio, um macaco, um tucano, está cometendo um crime”, resume Liliane.

Como denunciar?

• IBAMA: (11) 3066-2633 ou linhaverde.sede@ibama.gov.br

• Polícia Ambiental: 0800-55-51-90 ou cpamb@polmil.sp.gov.br

Fonte: G1

Refúgios da vida selvagem salvam 13 espécies de mamíferos australianos da extinção

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Bilbies mamíferos australianos ameaçados de extinção | Foto: Bruce Thomson

Os proprietários de gatos estão sendo encorajados a manter seus animais domésticos dentro de casa, o motivo é recente descoberta dos pesquisadores australianos de que 13 dos mamíferos nativos do país, existem atualmente apenas em áreas protegidas devido à introdução de predadores no ecossistema.

O Centro de Recuperação de Espécies Ameaçadas, um grupo que conta com a colaboração de cientistas de 10 das principais universidades australianas, vem realizando uma auditoria dos refúgios de conservação de animais no país.

Eles descobriram 13 espécies que agora só existem dentro desses locais protegidos, incluindo as espécies de roedores “eastern barred bandicoot”, bandicoot-listado-oriental e o “greater stick nest rat”, rato de ninho de pau (ambos endêmicos da Austrália).

A professora Sarah Legge, da Universidade de Queensland, disse que a principal causa da morte das espécies têm sido a caça protagonizada por gatos e raposas.

“Todas essas 13 espécies estão presentes nas ilhas, e oito delas também habitam em áreas cercadas e protegidas dentro no continente”, disse a professora Legge.

“Precisamos resolver esse problema, porque isso têm devastado a ecologia deste país”, alerta ela.

“Refúgios e centros de proteção são a forma mais extrema de intervenção, mas há uma variedade de espécies que se beneficiam disso quando você reduz a ação de gatos e raposas com propostas simples de proteção e isolamento”.

Atualmente existem cerca de 101 refúgios protegidos que estão em quarentena, livres de predadores introduzidos, com uma área total de mais de dois mil quilômetros quadrados.

Há também dezessete refúgios cercados no continente australiano, cobrindo 346 quilômetros quadrados.

Nas áreas de proteção localizadas nos continentes, a principal ameaça são os gatos.

“Não temos como impedir os gatos de atacar, eles agem por instinto e a única opção é isolar os roedores ameaçados”, disse a professora Legge.

Ela alega que nas áreas selvagens onde também há refúgios, os gatos são selvagens mas as quantidades são menores o que mantem o ecossistema em equilíbrio.

Mas os gatos domésticos podem causar grandes danos a essas espécies quando saem da casa de seus tutores para “dar voltas” pela rua.

Sarah Legge explica que em sua visão gatos mantidos seguros em casa ajudam a todos, inclusive a eles mesmos, pois correm menos riscos de atropelamento e de ficarem expostos a outros acidentes com os demais animais, incluindo cães, enquanto estão fora de casa.

“Muitas pesquisas apontam que manter seu gato em casa é muito mais seguro do que permitir que ele saia para a rua”, reflete a professora.

“Gatos que saem podem se envolver em brigas, correm o risco de se perder, por isso, contanto que você ofereça um ambiente comportamentalmente rico (com diversões estimulantes do ponto de vista cognitivo) em ambientes fechados, é muito melhor para o seu gato”.

O Dr. Michael Bode, da Universidade de Tecnologia de Queensland, lembra que é preciso haver colaboração e coordenação em nível nacional nos refúgios de proteção para prevenir futuras extinções de mamíferos.

“Agora sabemos onde precisam existir novos refúgios e, com apenas 12 novos desses centros, podemos proteger todas as espécies ameaçadas de mamíferos vulneráveis à predação por gatos e raposas”, diz ele.

“Mas a longo prazo, precisamos encontrar formas de reduzir os impactos de raposas e gatos em toda a Austrália, para que possamos restaurar nossos mamíferos nativos às paisagens de origens deles em larga escala”, declara o dr. Michael.

“Até lá, os refúgios livres de gatos e as raposas são fundamentais na prevenção de extinções dessas espécies”, conclui ele.

Em Queensland, os pesquisadores da UQ (Universidade de Queensland) estão tentando recuperar populações de bilby (marsupial endêmico da Austrália) no Parque Nacional Currawinya, um refúgio especialmente vedado e à prova de predadores no longínquo sudoeste de Queensland.

Pesquisadores dizem que os bilbys são altamente adaptáveis e quando a ameaça predatória de raposas e gatos é isolada, suas populações crescem rapidamente em função de seus ciclos curtos de reprodução.

Região de Brumadinho abriga aves e mamíferos ameaçados de extinção

Washington Alves | Reuters

Devastada pelo rompimento da barragem da Vale na última sexta-feira (25), a região de Brumadinho é habitada por cinco espécies de animais ameaçados de extinção. Entre elas figuram três aves e dois mamíferos.

As informações estão presentes no Rima (Relatório de Impacto Ambiental) apresentado pela Vale em um projeto de continuidade das operações da mineradora na região dos municípios de Brumadinho e Sarzedo, ambos em Minas Gerais.

Entre as 153 espécies de aves localizadas na região, 27 vivem em um tipo específico de ambiente, 23 têm hábito migratório e três estão ameaçadas de extinção. Destas, o choca-da-mata e o patinho são listadas como vulneráveis e chupa-dente encontra-se em perigo.

Das 14 espécies de mamíferos presentes na área de Brumadinho, nove apresentam médio porte e outros cinco são de pequeno porte. Presente na lista de ameaçados de extinção, o lobo-guará figura com o maior número de registros na região. “Trata-se de um mamífero de hábitos solidários e que vive em áreas de vegetação aberta”, avalia o documento.

A onça-parda é outro mamífero nas listas de ameaçados de extinção do Ministério do Meio Ambiente e de Minas Gerais que vive na localidade.

No caso específico dos mamíferos, o documento afirma que o baixo número de espécies encontradas na região “pode ser explicado pela proximidade de alguns pontos de áreas próximas à mina e pela ausência de solos propícios para a marcação de pegadas e outros vestígios”.

Já entre as quatro espécies de peixes, duas de répteis (lagarto e jararaca) e 19 de anfíbios identificadas na região de Brumadinho, nenhuma encontra-se ameaçada de extinção ou ainda não foi descrita pela ciência.

O Relatório de Impacto Ambiental também destaca para a presença de 520 espécies de flora na região, sendo que nove delas aparecem como ameaçadas de extinção em uma portaria do Ministério do Meio Ambiente publicada em 2014.

Para coletar os dados, foram realizadas visitas ao local para identificar espécies de animais plantas. No caso de alguns animais, o documento aponta que foram também realizadas entrevistas com moradores para saber se as espécies foram vistas por eles.

Fonte: R7