Singapura planeja proibir o comércio de marfim de elefantes africanos

Por Rafaela Damasceno

Singapura anunciou que passará a proibir as vendas locais de marfim até setembro de 2021. Estima-se que, todos os dias, cerca de 100 elefantes são mortos por caçadores que querem suas presas.

Várias presas de elefante enfileiradas no chão e duas mãos segurando uma na frente da câmera

Foto: picture-alliance/Xinhua/Then Chih Wey

“Isso significará que a venda do marfim de elefante, dos produtos de marfim e a exibição do marfim serão proibidos”, afirmou o órgão governamental National Parks Board.

O comércio internacional do marfim está proibido desde 1990, em um tratado assinado pela maioria dos países. Apesar disso, o material ainda podia ser vendido no mercado interno, se os comerciantes pudessem provar que o marfim foi adquirido antes daquele ano.

A demanda por produtos de marfim de países asiáticos, como a China e o Vietnã, torna a caça aos elefantes na África muito lucrativa. Atualmente, apenas 400 mil elefantes africanos ainda estão vivos.

No mês passado, as autoridades de Singapura fizeram sua maior apreensão de marfim contrabandeado, apreendendo um carregamento de quase nove toneladas de presas de elefante. Estima-se que cerca de 300 animais tenham morrido.


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Bijuterias feitas com pele de elefante se tornam ameaça para a espécie

Foto: Bigthink

Foto: Bigthink

Por centenas de anos, a maior ameaça aos elefantes, foi o comércio de marfim. Como a demanda por suas presas aumentou nos tempos modernos, a indústria do material se tornou uma ameaça perigosa – para não mencionar insustentável – para as populações selvagens do paquiderme. Entre 1979 e 1989, por exemplo, a demanda por marfim reduziu a população de elefantes africanos de 1,3 para 600 mil.

O comércio de marfim sofreu um sério golpe em 1989, quando a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) proibiu o comércio internacional de marfim de elefante africano, uma medida que seguiu a proibição de 1975 de comercializar marfim de elefante asiático.

Mas a caça continuou a ser um problema, particularmente porque ainda havia uma demanda considerável no mercado chinês, onde o marfim era usado na medicina e em adornos. Mas, em 2018, chegou outra boa notícia: a China proibiu o comércio de todos os produtos de marfim e marfim em estado bruto.

Novas ameaças

Esta foi certamente uma grande vitória para os conservacionistas, mas parece que os elefantes não conseguem respirar sossegados. A partir de 2014, os elefantes asiáticos começaram a ser caçados pela sua pele.

Um relatório de 2018 da Elephant Family, uma organização sem fins lucrativos sediada no Reino Unido, descobriu que o principal mercado de pele de elefante estava localizado na China, onde é usado principalmente para duas finalidades: é transformado em pó para uso em medicamentos tradicionais, e é moldado em contas polidas para pulseiras e colares. Belinda Stewart-Cox, diretora de conservação da Elephant Conservation Network, sem fins lucrativos, explica:

“Se você olhar para as contas, você acha que elas se parecem com granadas, rubis ou algum tipo de pedra vermelha. Mas essas camadas subcutâneas [na pele] incluem muitos vasos sanguíneos, então há muito sangue nisso.” Essas contas parecem vermelho rubi porque contêm sangue “.

De muitas maneiras, esse comércio é ainda mais destrutivo do que o comércio de marfim. Primeiro, visa principalmente os elefantes asiáticos, que já estavam mais em risco do que os elefantes africanos. Hoje, restam apenas cerca de 50 mil elefantes asiáticos selvagens. Além disso, a caça de marfim só poderia atingir elefantes que poderiam produzir presas – entre os elefantes asiáticos, em apenas 25% dos machos adultos as presas crescem – mas a caça é indiscriminada.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Além da tragédia inata de perder um dos maiores mamíferos terrestres da Terra, seria um desastre ecológico se o elefante asiático fosse extinto. Os elefantes asiáticos são às vezes chamados de “jardineiros da floresta”, pois comem plantas que de outro modo crescem selvagens, criam caminhos pela floresta para outros animais se moverem e para que novas plantas cresçam, e distribuem sementes por meio de seu esterco, que também tem o benefício adicional de fertilizar o solo e fornecer casas e nutrientes para uma variedade de espécies de insetos.

Infelizmente, não é fácil para os elefantes se recuperarem de um grande golpe em sua população. Como espécie grande, os elefantes não têm muitos descendentes e o período gestacional de um elefante é de cerca de 22 meses. E, embora a caça de marfim vise principalmente os machos, agora os elefantes fêmeas também são alvos viáveis para os caçadores furtivos, prejudicando ainda mais a capacidade desses animais de se recuperarem.

Esforços de conservação

Os elefantes asiáticos estão listados no Apêndice I da CITES, o que significa que todos os produtos derivados desses elefantes são proibidos, exceto para fins não comerciais, como pesquisas científicas. Apesar disso, no entanto, a Administração Florestal do Estado da China está emitindo licenças para a fabricação e venda de produtos farmacêuticos contendo pele de elefante.

No entanto, a proibição da China ao comércio de marfim indica que regulamentação semelhante pode ser implementada e funcionar no futuro. Após significativo apoio público, incluindo a estrela do basquete Yao Ming, a China implementou a proibição do comércio de marfim no início de 2018.

Uma pesquisa com indivíduos chineses indicou que após a proibição entrar em vigor, 72% dos chineses não comprariam marfim, comparado a 50% quando a pesquisa foi realizada no ano anterior, antes da proibição ser aplicada.

Várias organizações sem fins lucrativos estão trabalhando para aumentar a conscientização sobre esse assunto e levá-lo à atenção de organismos internacionais, como a CITES. A Elephant Family, por exemplo, apresentou seu relatório de 2018 à CITES, obtendo aprovação da União Europeia e dos EUA para emendas, como a exigência de investigações sobre comércio ilegal e relatórios de implementação.

O World Wildlife Fund também está equipando e treinando guardas florestais para parar a caça em Mianmar, onde esta crise é particularmente terrível. Com alguma sorte e com maior conscientização e engajamento do público, esses esforços almejam levar a caça, ao invés dos elefantes, à extinção.

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Aumento no valor do marfim representa uma ameaça aos elefantes

Por Rafaela Damasceno

Desde a proibição comercial do marfim de 1989 pela Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITIES), o preço do material aumentou dez vezes. O estudo foi feito pela Escola de Veterinária da Universidade de Bristol e é o primeiro a analisar as tendências dos valores globais do marfim desde a proibição.

Um elefante andando sozinho

Foto: Monique Sosnowski

Quanto mais alto o preço, mais lucrativo o comércio, o que encoraja os caçadores a assassinar os animais em busca do marfim. A proibição nunca impediu o sofrimento e a morte dos animais, e estima-se que 8% da população mundial de elefantes morre a cada ano.

Utilizando um grande conjunto de dados dos preços de marfim de 1989 a 2017 os pesquisadores foram capazes de determinar os fatores que impulsionam o aumento do preço de marfim. Até 2014, o valor aumentou dez vezes, mas começou a diminuir lentamente desde então.

“Com caçadores matando cerca de 100 elefantes, dos 350.000 restantes, a cada dia, acreditamos que nossas descobertas são significativas”, afirmou Monique Sosnowski, autora principal da pesquisa.

“Esperamos que uma maior compreensão dos fatores que determinam o preço do marfim leve a intervenções políticas melhores informadas que ajudem a criar um futuro mais seguro para os elefantes e outros animais que sofrem pelo comércio do marfim”, continuou.

Os pesquisadores confiam que os estudos podem inspirar melhores decisões em relação às políticas globais de marfim. Os dados apresentados podem informar conservacionistas, autoridades e criadores de política sobre onde concentrar esforços em campanhas anti-comércio, conservação da vida selvagem e educação.


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Singapura faz apreensão histórica de nove toneladas de marfim

Por Rafaela Damasceno

Singapura fez recentemente sua maior apreensão de marfim contrabandeado e confiscou cerca de nove toneladas de presas, retiradas de cerca de 300 elefantes africanos, segundo as autoridades.

Vários marfins de elefante enfileirados no chão

Foto: AFP/Getty

A carga ilegal foi descoberta na República Democrática do Congo, em um contêiner, e também havia escamas de pangolim – a terceira apreensão em poucos meses – entre os marfins. As autoridades afirmaram que o contêiner deveria estar carregado de madeira, que se dirigiria até o Vietnã, com uma parada em Singapura.

O carregamento de marfim foi avaliado em cerca de 13 milhões de dólares (quase 44 milhões de reais) e essa foi a maior apreensão de presas de elefante em Singapura até hoje. As escamas de pangolim pesavam cerca de 12 toneladas, vindas de 2.000 animais, e foram avaliadas em 35,7 milhões de dólares (quase 134 milhões de reais).

Desde abril, Singapura apreendeu 37,5 toneladas de escamas de pangolim. Esses mamíferos, conhecidos como tamanduás escamosos, estão ameaçados de extinção. Eles costumam ser caçados por sua carne, considerada uma iguaria, e sua escamas, que alguns acreditam possuir qualidades medicinais.

Já o marfim de elefante é muito usado em ornamentos, jóias, pingentes etc. A espécie também está ameaçada de extinção.

Singapura declarou que irá destruir todas as cargas apreendidas.


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Traficantes de marfim posam em foto sobre corpo de elefante mutilado

Por Rafaela Damasceno

O comércio do marfim é crime em muitos países. Infelizmente, o tráfico ainda é comum. O marfim é muito lucrativo e a taxa de mortalidade dos elefantes já é muito maior do que a natalidade. Em junho, dois homens foram presos no Congo pelo tráfico, após serem encontrados com quatro presas de elefante (44 kg de marfim). Elas valeriam milhares de libras no mercado negro.

Dois traficantes presos, segurando as presas de marfim

Foto: Eagle Network

Fotos foram encontradas no celular de um dos homens. Em uma das imagens, seis caçadores se encontravam presentes sobre um elefante caído, orgulhosos do assassinato cruel. As autoridades não sabem dizer se as fotos mostram dois animais diferentes, mas acreditam que sim, já que os traficantes possuíam dois pares de presa quando foram encontrados.

Os outros quatro homens foram rastreados pela Eagle Network, agência que fiscaliza o tráfico de animais. Ela monitora a prática criminosa na África Subsaariana.

Dois traficantes em cima do elefante morto

Os homens posam sobre o corpo do elefante | Foto: Eagle Network

Perrine Odier, coordenadora da PALF (Project for the Application of Law for Fauna), agência parceira da Eagle, disse que as imagens foram encontradas no celular do principal traficante do grupo.

“Ele guarda as imagens como arquivo pessoal. Ele não precisa mostrar aos clientes como matou para fazer negócio. Eles tiraram as fotos porque estavam orgulhosos em posar com armas em cima de um cadáver de elefante”, afirmou ela.


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Imagens de drone mostram corpo de elefante mutilado por motosserra

Por Rafaela Damasceno

Os elefantes correm sérios riscos devido ao tráfico do marfim, material presente em suas presas. Nesta semana, seis caçadores foram presos ao serem identificados como os homens (posando sobre o corpo de um elefante) em uma foto encontrada no celular de um deles. O cineasta Justin Sullivan encontrou e fotografou, com um drone, a horrível imagem do elefante assassinado por eles no norte de Botsuana, país africano.

Foto tirada de cima do corpo do elefante desmembrado. Sua tromba está caída, separada do corpo

Foto: Justin Sullivan / Magnus News

“Este animal em específico foi morto de uma forma especialmente brutal”, disse ele. O elefante teve parte de sua cabeça cortada com uma motosserra, para que as presas fossem retiradas. “A foto representa, mais do que a maneira que o elefante está desconectado no momento, o jeito que nós mesmos nos desconectamos desse tipo de situação”, declarou.

Justin mora na Cidade do Cabo, mas estava em Botsuana para um projeto de filme. Ele escutou alguns caçadores falando sobre o corpo, então pediu para ser levado até lá e fotografou o crime na esperança de chamar atenção para o impacto e a crueldade da caça.

Estima-se que cerca de 30 mil elefantes são mortos todos os anos no mundo, com milhões de libras sendo geradas pelo comércio do marfim adquirido através do assassinato. A caça é um problema global, mas é especialmente elevada em Botsuana.

A quantidade de elefantes mortos no país aumentou cerca de 600% de 2014 a 2018. A caça era proibida, então, mas a proibição foi vetada neste ano. Justin afirma que sua foto gerou um debate público, o que ele espera que possa promover resoluções para as atuais crises ecológicas do mundo.

Os caçadores do elefante fotografado foram presos há alguns dias, encontrados pelas autoridades na posse de marfim. Eles tinham fotos que atestavam sua participação no crime. Ainda não se sabe se as imagens encontradas em seus celulares envolviam mais de um assassinato.

Dois traficantes na posse dos marfins

Foto: Eagle Network

A Eagle Network, organização responsável por proteger a vida selvagem, ajudou no rastreamento e captura de todos os envolvidos no grupo de caça. Só em junho, ela auxiliou na prisão de 22 traficantes de animais silvestres em quatro países diferentes.

Perrine Odier, a coordenadora de uma ONG parceira da Eagle (PALF), disse que os caçadores estavam orgulhosos dos assassinatos e felizes em matar animais tão grandes e majestosos.

“Espero que a justiça condene os criminosos com a pena máxima, e que isso os impeça de continuar com estas atividades devastadoras”, declarou ela.


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Lei que impede o comércio de marfim dos elefantes pode mudar o foco dos caçadores para os hipopótamos

Por Rafaela Damasceno

Muitos países tornaram ilegal o comércio das presas de elefante, na esperança de proteger a espécie. A transação do marfim acontece há centenas de anos e é responsável pela ameaça de extinção de vários animais, inclusive os elefantes, segundo o World Animal News.

Marfim de elefante

O comércio do marfim é feito sem a noção do impacto que isso gera nos animais | Foto: ColognetoCapeTown/iStock

A proibição do comércio de marfim é uma das maiores lutas mundiais, e felizmente se tornou lei no Reino Unido. The Ivory Act, a lei defendida pelo secretário britânico do meio ambiente, Michael Gove, entrará em vigor ainda este ano.

Infelizmente, há uma lacuna nessa lei, que ainda permite o comércio do marfim de hipopótamo.

Apesar de cada vez mais países lutarem contra a caça cruel dos elefantes, a demanda por produtos de marfim ainda é alta. Isso significa que, se a remoção das presas de elefante não for mais permitida, o foco será redirecionado para outros animais, incluindo os hipopótamos.

Atualmente existem cerca de 400 mil elefantes na natureza, e a população de hipopótamos é ainda menor: em torno de 130 mil. Estima-se que a proibição do marfim de elefante no Reino Unido aumentará, e muito, o assassinato de hipopótamos.

Hipopótamo com a boca aberta, mostrando as presas

O marfim de hipopótamo pode se tornar o novo alvo | Foto: Planeta Animal

O marfim de hipopótamo, material que forma os dentes do animal, se assemelha ao marfim de elefante e está sendo importado para o Reino Unido na forma de instrumentos e ornamentos – o que ainda é considerado legal.

Esse tipo de brecha na lei é um grave erro. Ao invés de proteger os animais dos assassinatos, apenas muda o foco dos caçadores para outra presa – que também corre risco grave de extinção. Para acabar com a destruição da vida selvagem em busca do marfim, a legislação deveria incluir todos os animais ameaçados pela caça.

O site Care2 fez uma petição pedindo para que os legisladores do Reino Unido protejam os hipopótamos, fechando a lacuna na lei. Você pode assinar também clicando aqui.

 

Número de rinocerontes aumenta na Tanzânia após repressão à caça

Por Rafaela Damasceno

A Tanzânia foi descrita em 2015 como o “ponto zero” da crise da caça, com apenas 15 rinocerontes presentes em todo o seu território. Ao assumir o poder, o presidente John Magufuli adotou uma linha dura no combate do crime da caça, estimulando as autoridades a prender todos os envolvidos no tráfico de animais. Nos últimos quatro anos, a população de rinocerontes no país cresceu já em 1.000%.

Um rinoceronte andando ao lado de seu filhote

Foto: Wild for Life

Os elefantes, que costumam ser assassinados para alimentar o comércio do marfim, também se reproduziram consideravelmente. A população aumentou quase metade em cinco anos, fato que o governo da Tanzânia também atribuiu ao combate da caça.

Em 2015 havia apenas 15 rinocerontes em todo o país. Atualmente são 167. Entre 2009 e 2014, o número de elefantes despencou 60% (de 110.000 para 43.000), mas hoje há mais de 60.000, segundo as autoridades.

Desde que o combate teve início, diversas pessoas foram presas. Alguns meses após o presidente assumir o poder, quatro chineses foram condenados a 20 anos de prisão após serem detidos na fronteira da Tanzânia com o Mauí, contrabandeando chifres de rinoceronte. Em fevereiro deste ano, uma empresa chinesa (apelidada de “Rainha do Marfim”), recebeu a sentença de 15 anos de prisão na Tanzânia por contrabandear mais de 350 presas de elefantes para a Ásia.

As autoridades afirmam que o número de animais cresceu devido a uma força-tarefa especial, criada em 2016 apenas para combater a caça de animais selvagens. Mark Jones, diretor de política e caridade da vida selvagem da Born Free Foundation, discorda. “Devemos ver esses números com cautela até que haja uma verificação independente. Não é possível que isso tenha acontecido por meio de proteção e reprodução apenas”, afirmou, em entrevista ao Independent.

Mark diz que rinocerontes e elefantes se reproduzem muito devagar, portanto, acredita que eles foram importados para o país. Mesmo assim, enxerga o crescimento da população dos animais como algo positivo.

O comércio de marfim é um problema que muitas pessoas desconhecem com totalidade. Pesquisas apontam que até mesmo alguns compradores acreditavam que as presas e chifres, de onde o marfim vem, cresciam de volta nos animais.

O preço do marfim diminuiu quando a China, a principal compradora, tornou o comércio ilegal. Mas o negócio ainda é lucrativo no Japão, Hong Kong, União Europeia e outros lugares do mundo.

Apesar de tudo, o combate à caça e o reforço de segurança em áreas protegidas, que deveriam ser seguras para os animais, é a melhor solução para proteger as vidas selvagens antes que elas cheguem à extinção.


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Fotógrafo flagra em imagem a triste situação dos elefantes mortos por caçadores de marfim

Foto: Justin Sullivan

Foto: Justin Sullivan

O fotógrafo Justin Sullivan tirou recentemente uma fotografia que deixou o mundo atordoado. A imagem forte e chocante captada pelo talentoso fotógrafo, mostra um elefante africano morto por caçadores que buscavam o marfim de suas presas no norte de Botsuana. A foto expõe de forma inequívoca a situação desses paquidermes gigantes, gentis e inteligentes e como seu número tem diminuído de forma acentuada devido à caça.

Segundo o autor da foto, intitulada de “Desconexão” a imagem “não mostra apenas o quão isolado e desconectado o elefante esta naquele momento comovente, mas como nós todos estamos da situação como um todo”.

“Mantive essa imagem por meses, aguardando a oportunidade certa para compartilhá-la. É um processo emocional para mim, mas ter minha foto de “Desconexão “anunciada como finalista no Concurso Stenin é emocionante e ao mesmo tempo desolador. É emocionante ver que uma questão importante será manchete em todo o mundo e despertará interesse novo nas conversas em torno da caça a elefantes. Também é algo que parte o coração, um lembrete da perda ecológica que enfrentamos atualmente. Esse elefante específico foi morto de uma maneira extremamente desumana não é uma imagem fácil de ser digerida”, disse Sullivan.

“Espero que esta imagem e a publicidade que ela esta recebendo do Stenin Contest World Tour reacenderão as conversas de que tanto precisamos, para evoluir nessa questão”, diz.

Justin Sullivan nasceu na pequena cidade de Eshowe, na África do Sul. O fotógrafo é formado em Geografia e Estudos Ambientais, Gestão Pública e Desenvolvimento, e mestre em Sociologia.

Justin tem explorado a fotografia nos últimos 3 anos, ampliando sua especialização em fotografia documental e se especializando em incêndios florestais no Cabo.

O foco de seu trabalho é destacar questões contemporâneas na África do Sul, usando a fotografia para exibir insights sobre um mundo muitas vezes “invisível”, segundo ele.

O fotógrafo se descreve como um apaixonado pelo meio ambiente e por estar ao ar livre. Os planos de Justin incluem fotos que documentem incêndios florestais em todo o mundo para aumentar a conscientização sobre as mudanças climáticas e os impactos socioeconômicos desses desastres.

Na imagem finalista do concurso, os caçadores usavam uma motosserra para cortar a tromba e as presas, a apenas 20 minutos de distância de um acampamento nas proximidades. A caça em Botswana está aumentando rapidamente, com um aumento estimado de cadáveres em 593% nas regiões do norte do país entre 2014 e 2018.

Ameaçados e perseguidos

Uma pesquisa realizada por cientistas das universidades de Freiburg, York e da Convenção para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES), revela um declínio na taxa anual de mortalidade de elefantes proveniente da caça saindo de um pico estimado de mais de 10% em 2011 para menos de 4% em 2017.

Estima-se que haja cerca de 350 mil elefantes restantes na África, mas aproximadamente de 10 a 15 mil são mortos a cada ano por caçadores.

Nas atuais taxas de caça, os elefantes correm o risco de serem praticamente eliminados do continente, sobrevivendo apenas em bolsões pequenos e fortemente protegidos.

Um dos autores do estudo, o Dr. Colin Beale, do Departamento de Biologia da Universidade de York, disse: “Estamos vendo uma queda na caça, que é obviamente uma notícia positiva, mas o número de mortes ainda está acima do que pensamos ser sustentável, então as populações de elefante populações estão em declínio”.

“As taxas de caça parecem responder principalmente aos preços do marfim no sudeste da Ásia e não podemos esperar ter sucesso sem atacar a demanda naquela região.”
A equipe de pesquisa diz que é impossível dizer se a proibição do comércio de marfim introduzida na China 2017 está tendo um impacto nos números, já que os preços do marfim começaram a cair antes da proibição e podem refletir uma desaceleração mais ampla na economia chinesa.

“Precisamos reduzir a demanda na Ásia e melhorar o sustento das pessoas que convivem com elefantes na África; esses são os dois maiores alvos para garantir a sobrevivência dos elefantes a longo prazo”, acrescentou Beale.

“Embora não possamos esquecer o combate à caça e a aplicação da lei, melhorar apenas esses pontos isoladamente não resolverá o problema da caça em si”, acrescentou Beale.

Os cientistas analisaram dados do programa MIKE (Monitoramento do Abate Ilegal de Elefantes), que registra dados de cadáveres fornecidos por guardas florestais em 53 locais protegidos em toda a África.

O Dr. Beale acrescentou: “Os elefantes são a própria definição da megafauna carismática, mas também são importantes engenheiros do cerrado africano e dos ecossistemas florestais e desempenham um papel vital na atração do ecoturismo para que a sua conservação seja uma preocupação real”.

Lisa Rolls Hagelberg, diretora de Relações com a Vida Silvestre e Relações com Embaixadores da ONU, disse: “Garantir um futuro que conte elefantes selvagens e uma série de outras espécies exigirá leis e esforços mais rigorosos e envolvimento genuíno da comunidade; no entanto, desde que haja demanda as pessoas vão encontrar uma maneira de supri-la.

“Apenas cerca de 6% do financiamento atual para combater o comércio de animais selvagens é direcionado para a comunicação.

Para o sucesso a longo prazo, os governos precisam priorizar intervenções abrangentes de mudança social e comportamental para prevenir e reduzir a demanda. Nós temos o know how (como fazer), agora precisamos investir para realmente influenciar a consciência ambiental”.

Severin Hauenstein, da Universidade de Freiburg, acrescentou: “Esta é uma tendência positiva, mas não devemos ver isso como um fim para a crise da caça”.

“Depois de algumas mudanças no ambiente político, o número total de elefantes mortos na África parece estar caindo, mas para avaliar possíveis medidas de proteção, precisamos entender os processos locais e globais que impulsionam a caça de elefantes”.

O estudo foi publicado na Nature Communications.

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Zimbábue, Botsuana e Namíbia pedem o fim da proibição da venda de marfim cru

Elefantes no parque nacional de Hwange no Zimbábue | Foto: Philimon Bulawayo/Reuters

Elefantes no parque nacional de Hwange no Zimbábue | Foto: Philimon Bulawayo/Reuters

Os países Zimbábue, Botsuana e Namíbia fazem um novo apelo a um órgão de fiscalização global para suspender as medidas restritivas ao comércio de marfim cru.

A convenção da Cites, proíbe o comércio não regulamentado envolvendo espécies ameaçadas de extinção em todo o mundo.

Os três países da África do Sul, que abrigam 61% dos elefantes do continente, farão sua solicitação para a mudança na próxima conferência da Cites, em Colombo, no Sri Lanka. O último apelo para a suspensão das medidas, na conferência Cites de 2016 na África do Sul, foi rejeitado.

De acordo com o Ministério da Informação do Zimbábue, são quase 13 anos desde a última venda comercial de marfim do país. “Nosso estoque de marfim vale mais de 300 milhões de dólares, o que não podemos vender porque países que não possuem elefantes estão dizendo àqueles que os tem, o que fazer com seus animais”, disse Nick Mangwana, secretário permanente do ministério.

Há um clamor crescente sobre a proibição, e os movimentos para suspendê-la alegam que vão conseguir fundos para a conservação das espécies.

Crianças locais perseguem um trator carregando um elefante morto para sua aldeia | Foto: Gemma Catlin/Rex Features

Crianças locais perseguem um trator carregando um elefante morto para sua aldeia | Foto: Gemma Catlin/Rex Features

O Zimbábue também fará um apelo separado na conferência para a permissão de vender alguns de seus elefantes, à medida que o conflito entre pessoas e a vida selvagem aumenta.

O país tem uma população de elefantes em expansão, que está cada vez mais em contato com as pessoas. Cerca de 200 pessoas morreram de ataques de elefantes nos últimos cinco anos.

Estima-se que 40% dos casos envolveram elefantes invadindo comunidades humanos em busca de água. Só neste ano, quatro pessoas foram pisoteadas, de acordo com o departatamento de Gestão de Parques e Vida Selvagem do Zimbábue (Zimparks).

O Zimbábue tem 85 mil elefantes, mas os parques nacionais e áreas de conservação do país só conseguem lidar com 55 mil.

Aldeias em áreas de baixa altitude perto de grandes parques de caça como Hwange e Gonarezhou reclamaram de incursões feitas por animais selvagens.

A Zimparks informou que fazendeiros que vivem perto de áreas de preservação perderam mais de 7 mil hectares de cultivos para elefantes que se desviaram.

Encurralados ao terem seus habitats naturais invadidos por ocupações humanas os animais são cada vez mais espremidos em terrenos menores o que causa o conflito humanos X elefantes.

Uma crescente população humana, por sua vez, levou as pessoas a invadirem parques de caça, florestas e outros ecossistemas em busca de terras.

Mokgweetsi Masisi, presidente de Botswana, entrega bancos feitos de pés de elefante aos seus partidários do Zimbábue, Zâmbia e Namíbia | Foto: The Guardian

Mokgweetsi Masisi, presidente de Botswana, entrega bancos feitos de pés de elefante aos seus partidários do Zimbábue, Zâmbia e Namíbia | Foto: The Guardian

O governo do Zimbábue está desenvolvendo uma política para limitar o conflito entre seres humanos e animais selvagens à medida que ele se move para aliviar o atrito sobre os recursos. As autoridades também querem ver as regras da Cites mais frouxas para que possam vender mais animais. Entre 2012 e 2018, o Zimbábue vendeu 98 elefantes, principalmente para a China.

Farawo disse que a seca induzida pelo El Niño estava ameaçando a vida selvagem, à medida que os veios de água se esgotavam. “Estamos enfrentando a seca. Como vamos cuidar desses elefantes? É por isso que estamos dizendo que os elefantes cuidem de si mesmos pedindo a suspensão da proibição do comércio”, disse ele.

Botswana também está considerando suspender a proibição de caçar elefantes para usar sua carne como fonte de alimentação. Enquanto o movimento foi recebido com críticas generalizadas de especialistas em conservação, o presidente do país, Mokgweetsi Masisi, diz que a caça impulsionaria o turismo ao mesmo tempo em que gerenciaria a população nacional de elefantes.

O elefante africano, o leão e o hipopótamo aparecem na “lista vermelha” da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) de animais em risco de extinção, e precisam de maior proteção para que continuem a andar sobre o planeta.