Japão recebe pressão internacional para fechar os mercados internos de marfim

Mercado japonês representa uma das maiores demandas de marfim do mundo | Foto: WAN

Mercado japonês representa uma das maiores demandas de marfim do mundo | Foto: WAN

A ONG World Wildlife Fund (WWF, na sigla em inglês) solicitou na quinta-feira última (9), que o governo do Japão conduzisse uma revisão do sistema legal que governa seu mercado doméstico de marfim.

Ryuji (Ron) Tsutsui, CEO da WWF Japão, fez o pedido ao apresentar as conclusões de um estudo sobre os sistemas legais nas principais jurisdições do país ao diretor-geral do departamento de conservação da natureza no ministério do meio ambiente.

“A análise jurídica detalha as falhas atuais na regulação do mercado de marfim do Japão e recomenda que fechar o mercado e definir isenções legais muito estreitas é a única abordagem para o governo do país cumprir integralmente suas obrigações de estrutura sob a CITES”, Scott Martin, O sócio-gerente da Global Rights Compliance e principal autor do relatório disse em um comunicado.

Com uma necessidade urgente de combater a crise da caça de elefantes e o comércio de marfim, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) acordou na última Conferência das Nações Participantes em 2016 o apelo total e incondicional ao encerramento urgente de quaisquer mercados que estejam contribuindo para a caça ou comércio de marfim.

Após o recente fechamento do mercado interno de marfim da China, que até recentemente era o maior centro de demanda mundial de marfim, o Japão está sob crescente pressão para fazer sua parte. A 18ª Conferência das Nações da CITES será realizada ainda este ano.

O Japão continua sendo um dos maiores mercados de marfim do mundo e abriga uma indústria de fabricação de marfim ativa, apesar de ter diminuído nos últimos anos. O país também possui estoques significativos de presas inteiras e pedaços de marfim em propriedade privada e é o único país sob CITES que se beneficiou duas vezes da importação comercial de marfim puro (bruto) totalizando 90 toneladas através de duas “vendas únicas” realizadas em 1999 e 2008.

O governo japonês sustenta que seu mercado não contribui para a “caça” nem para o “comércio” de marfim. No entanto, as pesquisas da ONG TRAFFIC (focada no combate ao tráfico da vida selvagem) realizadas em 2017 e 2018 contestaram isso, revelando sua contribuição ao comércio cruel ao permitir a exportação do material para a China.

O governo japonês ampliou certos aspectos do controle interno, incluindo um anúncio recente sobre a severidade dos requisitos para o registro de presas inteiras de marfim para a comercialização a partir de julho de 2019.

No entanto, muitas das questões críticas permanecem sem solução. O sistema legal ainda carece de controle sobre vastos estoques privados e uma regulação efetiva e exequível sobre o comércio de marfim que não as presas inteiras (ou seja, peças cortadas e marfim trabalhado).

“É esperado que o Japão aumente suas ações rapidamente e em escala para garantir que esforços globais realizados até aqui não sejam prejudicados pela falta de reconhecimento do significado de seu papel e responsabilidade como pais”, disse Ryuji (Ron) Tsutsui, CEO da WWF Japan.

Cientistas alertam para o aumento do número de elefantes nascendo sem as presas

Foto: Bored Panda/Reprodução

Foto: Bored Panda/Reprodução

Há diversos itens de colecionador, raros e exclusivos, cobiçados por milionários do mundo todo, muitos deles pagariam qualquer preço para possuí-los: carros, quadros, joias, entre outros bens materiais. Infelizmente, o custo de alguns desses itens cobiçados têm um preço maior do que aparentam, alguns chegam a custar a vida de um animal indefeso.

O marfim sempre foi considerado símbolo de status e poder aquisitivo. Esculturas de arte feitas com o material alcançam valores altíssimos. Existe até uma crença popular ignorante de que ele possa curar numerosas doenças (como o câncer) e tenha o poder de aumentar a virilidade e a força.

A morte de elefantes por suas presas tem ocorrido há muitos anos. Esta prática já ameaça a sobrevivência de elefantes africanos e asiáticos. Segundo o The Elephant Census (entidade filantrópica que estuda e protege os elefantes) esses animais podem estar extintos nos próximos cinco anos se a taxa de extermínio da espécie se mantiver nos mesmo níveis que agora.

Foto: Bored Panda/Reprodução

Foto: Bored Panda/Reprodução

Presas de elefante têm sido alvo de caçadores ávidos por dinheiro ao longo da história, feitas de marfim e de difícil acesso são consideradas um dos artigos mais valiosos no mercado paralelo, e mesmo que matar esses animais inocentes pelo material de suas presas seja estritamente ilegal, ainda há uma enorme demanda por ele em muitos países ao redor do mundo, o que alimenta esse comércio cruel.

Ainda que o tráfico nacional e internacional de marfim seja estritamente ilegal, ele continua acontecendo.

Porém um novo movimento da natureza pode estar mudando o rumo dos acontecimentos.

Recentemente cientistas do Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique (África), notaram um fenômeno que vem acontecendo com os elefantes. Segundo a National Geographic, a maioria dos elefantes idosos que sobreviveram à guerra civil e à caça eram elefantes nascidos sem presas.

Agora, os pesquisadores descobriram que um terço dos elefantes em Moçambique não têm presas, ou seja, estão nascendo sem elas.

Foto: Bored Panda/Reprodução

Foto: Bored Panda/Reprodução

Costumava haver apenas cerca de 4% de elefantes nascidos sem presas no território, mas esse tipo de animal raramente é morto, desta forma, eles estão se reproduzindo rapidamente e suas populações estão crescendo.

Depois que a notícia sobre os elefantes sem presa se espalhou, muitos classificaram o fenômeno como a forma da mãe natureza de lutar contra o extermínio dos animais.

Com o aumento do número de elefantes nascendo sem presas, esse tipo de mudança pode acabar, de uma forma natural, com o tráfico cruel e desumano de marfim. No entanto, tudo na natureza funciona em conjunto e o efeito borboleta dessa mudança pode causar alterações em todo o ecossistema.

Mesmo que agora os cientistas não tenham notado nenhuma mudança significativa na maneira como os elefantes se comportam sem as presas, esses “dentes superdesenvolvidos” são muito importantes, além de serem usados pelos elefantes para conseguir comida em seu cotidiano.

De acordo com a National Geographic, há uma espécie de lagartos, que normalmente vive em árvores, que costuma ser espantada pelos elefantes (com as presas em função da altura, para se alimentar das folhas), então se o número de elefantes nascidos sem presas crescer, isso também pode afetar outras populações de animais.

Alguns especialistas argumentaram que a espécie poderia estar “evoluindo” para sobreviver.

Mas outros, com uma visão diversa, rapidamente entraram em cena para explicar que esse tipo de mudança não pode ser considerada evolução, pois é o resultado de uma atividade humana cruel e irresponsável que pode levar diversos outros problemas em nosso ecossistema.

Assim sendo caracteriza-se mais uma ocasião em que a interferência humana afeta o planeta de forma inesperada e imprevisível. Consequências e possíveis efeitos só poderão ser consistentemente avaliados com o tempo, mas uma coisa é certa, o novo “tipo” de elefantes que esta nascendo, não será alvo dos caçadores mercenários.

Maior apreensão já realizada intercepta 9 toneladas de marfim vindas da África para o Vietnã

Foto: WAN/Reprodução

Foto: WAN/Reprodução

Uma apreensão de mais de nove toneladas de marfim, realizada pela alfândega do Vietnã, em um carregamento de contêineres proveniente da República do Congo (África), esta sendo considerada, até o momento, a maior confisco de marfim já feito.

De acordo com a Agência de Investigação Ambiental (EIA, na sigla em inglês), a operação fornece ainda mais evidências de que sindicatos do crime organizados continuam a usar o Vietnã como um ponto chave para o tráfico de vida selvagem.

A descoberta teria sido feita por autoridades alfandegárias em Da Nang durante a inspeção de um contêiner que havia chegado da República do Congo.

O marfim encontrado representa mais de mil elefantes mortos e eleva o peso total do marfim apreendido no Vietnã desde 2004 para acima de 70 toneladas, o equivalente a mais de 10 mil elefantes mortos.

O Vietnã também foi ligado a apreensões de aproximadamente 24 toneladas de marfim na China, França, Quênia, Uganda e Reino Unido, representando mais de 3 mil e 500 elefantes mortos.

O papel fundamental do Vietnã no comércio de vida selvagem tem sido exposto várias vezes. Embora o país tenha feito diversas apreensões, pouca fiscalização tem sido registrada.

As investigações da EIA documentaram como a fraca aplicação da lei, a corrupção e uma acentuada falta de vontade política no Vietnã tornaram o país um atraente centro de operações para organizações criminosas especializadas em vida selvagem.

O recente relatório da organização, intitulado “Expondo a Hidra, revelou as operações dos sindicatos liderados pelos vietnamitas no roteiro de abastecimento ao tráfico de marfim e partes de outros animais selvagens da África para o Vietnã e China.

No entanto, até o momento, nenhuma ação de execução notável foi tomada no Vietnã contra os indivíduos identificados; em vez disso, a resposta do governo vietnamita tem sido rejeitar e negar as descobertas suportadas por evidências da investigação, junto com informações de outras fontes.

“Embora celebremos a apreensão de marfim no Vietnã, enfatizamos que sem esforços de acompanhamento que resultem em processos e penalidades apropriadas, as interceptações por si só não impedem a ação de criminosos envolvidos no tráfico de vida selvagens”, disse Mary Rice, Diretora Executiva do EIA em uma declaração.

Em um relatório publicado antes da 18ª Conferência das Partes (CoP18) da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Extinção (CITES) em maio, o Vietnã tem sido apontado como o principal destino do marfim ilícito.

Se os governos mundiais não usarem esse importante encontro para adotar medidas urgentes contra o comércio de animais selvagens, os elefantes, principalmente, têm poucas chances de sobrevivência.

Fotógrafo captura as últimas imagens “rainha dos elefantes”

Foto: Will Burrard-Lucas

Foto: Will Burrard-Lucas

O fotógrafo Will Burrard-Lucas acaba de lançar uma série de fotografias com um dos últimos representantes dos elefantes chamados “tusker” (com presas de marfim mais longas que os demais), espécie que acredita-se que restem menos de 20 animais na Terra.

A “rainha dos elefantes” como o fotógrafo a chamava, morreu logo após ele ter tirado as fotos. Ela vivia em Tsavo, na região do Quênia (África).

Elefantes africanos são chamados de “tuskers” ou “big tuskers” quando possuem longas presas de marfim, tão compridas que chegam a alcançar o chão.

“Esse tipo de elefante é muito raro nos dias de hoje, exatamente porque são suas presas enormes que fazem deles os principais alvos dos caçadores de troféus”, disse Mark Jones, da ONG Born Free Wildlife, à BBC.

Foto: Will Burrard-Lucas

Foto: Will Burrard-Lucas

“Como esses animais são frequentemente mortos antes de chegarem ao seu auge reprodutivo, os genes das presas longas estão sendo eliminados das populações de elefantes, e nós poderíamos muito bem estar vendo o último deles nessa imagens”, revela ele.

Há apenas dois anos caçadores mataram um elefante de 50 anos que era um dos últimos, com presas longas, que vivia nessa mesma região.

É notável, então, que esta elefanta tenha vivido mais de 60 anos e ainda morrido de causas naturais.

“Ela sobreviveu a períodos terríveis de caça e foi uma vitória que sua vida não tenha sido encerrada prematuramente por uma armadilha, bala ou flecha envenenada”, escreveu Burrard-Lucas em um post no seu blog.

Foto: Will Burrard-Lucas

Foto: Will Burrard-Lucas

“Se houvesse uma rainha dos elefantes, certamente teria sido ela”

Graças a colaboração da organização de conservação da vida selvagem Tsavo Trust e do Kenya Wildlife Service, Burrard-Lucas conseguiu rastrear a elefanta após vários dias de buscas de carro e um avião de reconhecimento.

Burrard-Lucas usou sua BeetleCam (câmera besouro, na tradução livre), construída por ele mesmo e operada por controle remoto, para conseguir fotos em close da elefanta.

Foto: Will Burrard-Lucas

Foto: Will Burrard-Lucas

“Eu olhei para a visualização ao vivo do meu monitor sem fio e tive que me beliscar”, escreveu ele.

“Foi uma sensação de privilégio e euforia que vai ficar comigo para sempre”.

Burrard-Lucas publicará imagens da rainha dos elefantes e outros elefantes de presas longas em seu livro “Land of Giants” (Terra de Gigantes, na tradução livre), que será lançado em 20 de março no Reino Unido.

Mianmar, na Ásia, queima mais de 1 milhão de dólares em partes de animais selvagens

Foto: Pixabay

Organizado pelo Ministério de Recursos Naturais e Conversação Ambiental em oposição ao tráfico ilícito de animais silvestres, o evento comemorou o Dia Mundial da Vida Selvagem e marcou a segunda manifestação simbólica desse tipo no país. O primeiro ocorreu em outubro do ano passado, quando 1,3 milhão de dólares (cerca de 5 milhões de reais) em partes de animais selvagens apreendidos foram incinerado em um complexo do governo em Nay Pyi Taw , a capital de Mianmar.

No total foram 219 peças de marfim, 210 troncos de elefante, 527 ossos de tigres, leopardos e outros animais selvagens, 800 chifres diferentes e 134,7 kg de escamas de pangolim.

Apesar de ser signatária da CITES , o que significa que qualquer caça à vida selvagem é ilegal no país, Mianmar enfrenta sérios problemas com o tráfico e a venda de animais ameaçados.

U Win Naing Thaw, diretor do Departamento de Conservação da Natureza e da Vida Silvestre , declarou que enquanto lamenta a queima das partes da vida selvagem, ele se sente “mais triste pelos animais vivos que são comercializados ilegalmente”. As informações são do World Animal News.

O tráfico de pangolins na Ásia

Pangolins são considerados os mamíferos mais traficados do planeta.

Ano passado, a Malásia queimou aproximadamente nove milhões de dólares em escamas de pangolim apreendidas em uma operação para impedir o tráfico destes animais.

Foto: Pangolinsg.org

Um total de 2,8 toneladas foi incinerado na Nature Quality Center, Seremban, Negeri Sembilan, segundo informações postadas na página oficial Jabatan PERHILITAN Semenanjung Malaysia.

“O descarte de itens através de métodos de combustão garante que eles não retornarão ao mercado negro”.

Cerca de 3.000 pangolins foram mortos para a quadrilha obter os 2.800 quilos de escamas. A carga foi apreendida após tentativas de contrabandos que foram desviados pelo Departamento de Alfândega Real da Malásia (JKDM), no Porto Klang da Malásia entre maio e setembro de 2017.

Já na China, também em 2017, sacos e malas contendo partes de pangolins foram recolhidos de traficantes de animais selvagens em um porto em Shenzhen. Os oficiais do país anunciaram que esta apreensão está sendo considerada uma das maiores da história.

Aproximadamente 13 toneladas de escamas finas, acastanhadas e cinzentas foram encontradas e estimou-se que entre 20 e 30 mil animais foram assassinados para serem traficados para a China, onde se acredita que as escamas de pangolim tenham propriedades medicinais.

Mulher é condenada a 15 anos de prisão por contrabando de 2 toneladas de marfim

Foto: WAN

De acordo com Reuter s, Yang Fenglan, que viveu na Tanzânia e fora por décadas “foi considerada culpada por trabalhar com dois homens no contrabando de mais de 800 peças de marfim entre 2000 e 2004”.

“Parabéns à Tanzânia por se posicionar contra o tráfico de animais selvagens e por prosseguir com a acusação de uma caçadora de marfim de alto nível da Ásia”, disse Damien Mander, fundador da International Anti-Poaching Foundation. As informações são da World Animal News.

“Muitas vezes, essas pessoas podem entrar em um avião e voar para casa intocadas. Esta sentença de 15 anos é uma das mensagens mais fortes até agora de que a vida selvagem da África está fora dos limites”.

Yang Fenglan e os homens com quem ela conspirou, Salivius Matembo e Manase Philemon, teriam sido condenados por “liderar uma gangue de crime organizado”.

Em uma coletiva de imprensa na última terça-feira (19), quando questionada sobre as notícias da Reuters, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Geng Shuang, confirmou que a China apoia a decisão do tribunal da Tanzânia.

“O governo chinês tem ‘tolerância zero’ para com o comércio ilegal de animais em extinção e seus produtos”, Shaung respondeu ainda explicando que “desde 2015, a China lançou medidas para proibir a importação e exportação de esculturas de marfim, troféus de caça e processamento interno e venda de marfim para fins comerciais”.

“Apoiamos os departamentos relevantes da Tanzânia na investigação deste caso de acordo com a lei”, continuou Shuang. “A China está pronta para trabalhar com a Tanzânia e outros membros da comunidade internacional para proteger espécies ameaçadas e reprimir o comércio ilegal”.

O governo chinês solicita a seus cidadãos estrangeiros que respeitem as leis e regulamentos locais e nunca protejam aqueles que violaram as leis.

“Eu gostaria de lembrar os cidadãos chineses viajando na África para ter em mente as leis relevantes e não para comprar ou transportar com eles quaisquer produtos feitos de animais selvagens ameaçados, como marfins e chifres de rinoceronte”, disse Shuang.

Proibição na China

A ANDA noticiou no fim do ano passado que a exploração de rinocerontes e tigres continuaria sendo ilegal na China, após o governo chinês acabar com a revogação da lei que proíbe a exploração, comércio, transporte e exibição desses animais. Esta lei existe há vinte e cinco anos.

A lei foi revogada em outubro de 2018, abrindo uma exceção que permitia o uso de partes de rinocerontes e tigres para fins medicinais. A decisão causou revolta a grupos de ativistas, como a fundação WWF e a Humane Society International.

De acordo com Huang Caiyi, porta-voz do Departamento Nacional de Gestão Ambiental, a repressão ao comércio ilegal de rinocerontes e tigres, assim como suas partes, ocorre em todo o país desde 13 de novembro e permaneceria até dia 31 de dezembro.