Preocupado com o meio ambiente, prefeito de Nova York anuncia corte de 50% na compra de carne

Por David Arioch

Foto tirada ontem durante o lançamento do programa em Nova York (Foto: Michael Appleton)

Preocupado com o meio ambiente, o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, do Partido Democrata, anunciou ontem o corte de 50% na compra de carne por parte da prefeitura, além da gradual eliminação da aquisição de carne processada. A medida está sendo adotada como forma de ajudar a reduzir os gases causadores do efeito estufa.

“São exatamente os tipos de ações políticas que acreditamos que são necessárias para melhorar a saúde pública e enfrentar os desafios ambientais das próximas décadas”, disse Craig Willingham, diretor-adjunto do Instituto de Políticas Alimentares Urbanas da Universidade da Cidade de Nova York.

O prefeito de Nova York também foi parabenizado por Jeff Sebo, diretor do Programa de Mestrado em Estudos Animais, da Universidade de Nova York.

“Quero estender meus sinceros agradecimentos ao prefeito de Blasio e a todos os outros do governo de Nova York por dar esse passo importante para enfrentar a mudança climática e a desigualdade econômica. Se quisermos evitar que o pior aconteça, então precisamos agir agora, e na ausência de liderança federal, precisamos que cidades como Nova York assumam a liderança”, declarou.

Quem também ficou muito feliz com a atitude foi o presidente do Brooklyn, Eric Adams, que deixou de se alimentar de animais em 2016 e ampliou recentemente a sua fama ao transformar o Brooklyn em uma referência para vegetarianos e veganos.

Vale lembrar também que no mês passado o prefeito Bill de Blasio anunciou que todas as escolas públicas da cidade de Nova York terão a “Segunda Sem Carne” no biênio 2019-2020. O projeto OneNYC 2050, que prevê corte na compra de carne, pode ser consultado online.

Governo libera mais 31 agrotóxicos; 16 deles, “extremamente tóxicos”

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) liberou mais 31 agrotóxicos. Já são 152 pesticidas liberados em apenas 100 dias. A nova autorização aconteceu um dia após a ministra Tereza Cristina afirmar, diante da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Câmara, que “não existe liberação geral” de agrotóxicos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Foto: Pixabay

A autorização do uso dos novos agrotóxicos foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (10). Dentre os produtos, 16 são classificados como “extremamente tóxicos”. As informações são da revista Fórum.

O grau mais elevado de risco toxicológico entre os agrotóxicos é chamado de classe I. De todos os 152 liberados desde o início do mandato de Bolsonaro, 44 pertencem a essa classe, elaborada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que foi responsabilizado pela ministra pelo número recorde de registros.

A liberação desses agrotóxicos altamente tóxicos contraria uma declaração dada pela ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que afirmou: “nós temos que mudar a legislação para que os produtos de baixa toxicidade tenham seu registro facilitado e possam chegar mais rápido ao mercado”.

Dos 152 agrotóxicos liberados até o momento, apenas 18 foram considerados pela Anvisa como “pouco tóxicos”.

Nota da Redação: a liberação desenfreada de agrotóxicos é bastante alarmante e deve ser vista com preocupação pela população. Isso porque os pesticidas envenenam a comida e o meio ambiente, destruindo a natureza e levando as pessoas ao adoecimento. Um governo sério e comprometido com as causas ambientais e sociais deve prezar pelo aumento da produção de alimentos orgânicos, não pela liberação de agrotóxicos.

Parlamento europeu aprova proibição de plástico descartável a partir de 2021

O Parlamento europeu aprovou um projeto que proíbe o uso de plástico descartável a partir de 2021. Foram 560 votos a favor, 35 contra e 28 abstenções.

A medida reforça a aplicação do princípio do “quem polui, paga”, responsabilizando os produtores. A lei afetará, inclusive, os filtros de cigarro e artigos de pesca. As informações são do portal GreenMe.

Foto: Pixabay

“Esta legislação reduzirá os danos ambientais em 22 bilhões de euros, o custo estimado da poluição por plásticos na Europa em até 2030. A Europa agora tem um modelo legislativo para defender e promover internacionalmente, dada a natureza global do problema da poluição marinha causada pelo plástico. Isso é essencial para o planeta”, afirmou a relatora Frédérique Ries (ALDE, BE).

A nova lei torna obrigatória a rotulagem de informações sobre o impacto ambiental da dispersão de cigarros com filtros de plástico. O que também deve-se aplicar a outros produtos, como copos de plásticos, lenços umedecidos e absorventes higiênicos.

Os produtos proibidos pela União Europeia a partir de 2021 são: objetos de cozinha feitos de plástico descartáveis ​​- como garfos, facas, colheres e pauzinhos para mexer café -, pratos fabricados a partir de plástico descartáveis, canudos de plástico, cotonetes de plástico, bastões de plástico para balões, plásticos oxi-degradáveis, recipientes para alimentos e copos de poliestireno expandido.

Mais de 40% dos holandeses reduzem drasticamente o consumo de carne

Foto: Pixabay

A Europa vem ganhando destaque nas questões de bem-estar animal e conservação do planeta. Embora os desafios e obstáculos ainda sejam sejam grandes, o crescente número de pessoas que aderiram ao veganismo pela conscientização dos problemas e da crueldade causados pelo consumo de carnes é animador.

Recentemente, o Reino Unido foi considerado o “líder mundial do veganismo” devido ao crescimento dessa população no país. Mais de 50% dos veganos britânicos mudaram a alimentação por questões éticas.

Agora é a vez da Holanda surpreender e mostrar que está engajada na causa animal, após escândalos e denúncias de maus-tratos em fazendas e laboratórios.

Os holandeses estão se afastando da carne mais do que nunca. Mais de 30% das pessoas dizem que diminuíram significativamente o consumo.

Um estudo de 20.000 indivíduos revelou que um em cada três holandeses reduziu o número de bifes e hambúrgueres no ano passado, segundo pesquisa da Nu .

Alimentos à base de plantas são cada vez mais populares: dois por cento dos participantes se dizem vegetarianos e um por cento são veganos.

Novamente, as questões de bem-estar animal e do planeta foram os principais motivadores para aqueles que optaram abandonar o consumo de carne. Cerca de 90% dos vegetarianos e veganos disseram que a crueldade animal era a principal razão para evitar a carne.

A questão ambiental é a principal razão pela qual os consumidores reduzem a ingestão de carne. Cerca de 50% dos consumidores de carne também citaram o bem-estar animal como uma preocupação – o que é bastante contraditório, como já mencionou a cantora vegana Miley Cyrus.

Carne vegana na Holanda

As opções veganas e vegetarianas de carnes estão se tornando mais populares entre os holandeses. Nos primeiros 11 meses de 2018, 97 milhões de euros foram gastos em carnes sem originam animal, destacou a DutchNews.

Em março, a “Semana Nacional Sem Carne da Holanda” será realizada pela segunda vez. A campanha anual incentiva as pessoas em todo o país a abrir mão da carne por razões éticas, ambientais e de saúde.

Foto: Pixabay

De acordo com a organização por trás da iniciativa, todos os adultos que deixam de comer carne durante a semana economizam 770 gramas de carne animal, 130 litros de água e o impacto ambiental equivalente de 76 quilômetros de direção. As informações são do DutchNews.

O Conselho de Infra-estrutura Ambiental dos Países Baixos,  que oferece soluções políticas, também reconheceu o potencial de uma dieta baseada em vegetais e recomendou que, por razões de sustentabilidade e saúde pública, o governo e o parlamento devem ajudar os cidadãos a cortar a carne.

“Uma dieta mais saudável terá um impacto positivo nos custos dos cuidados de saúde, enquanto uma dieta mais sustentável beneficiará o ambiente natural e humano” , escreveu o Conselho.

Segundo o LiveKindly, em resposta ao crescente interesse, a cadeia de supermercados Spar Supermarket, fundada pelos holandeses, acaba de lançar sua própria linha vegana com mais de 100 produtos, incluindo carne à base de vegetais e sorvete sem laticínios.

Outra cadeia de supermercados, chamada Jumbo Foodmarkt, acrescentou várias prateleiras dedicadas a produtos veganos.

 

 

 

 

 

Protetora do meio ambiente morre em Brumadinho tentando salvar cadelinha

A tragédia de Brumadinho devastou a vida de milhares de pessoas, interrompeu sonhos e lutas. Enquanto bombeiros trabalham incessantemente em busca de corpos, famílias choram a perda de parentes e amigos.

Foto: Bárbara Fereira / O Globo

Não é apenas o sofrimentos do ser humano o que choca nisso tudo. Vítimas do descaso do governo e da Vale, milhares de animais sofreram até a morte soterrados na lama. Enquanto agonizavam esperando socorro, muitos deles foram friamente assassinados a tiros pela polícia.

Os dois lados se misturam em meio a tanta dor. O caso da advogada e secretária municipal de Desenvolvimento Social da cidade mineira, Sirlei Brito Ribeiro, de 47 anos, tem chamado a atenção da cidade em meio ao luto. Ela era defensora do meio ambiente e teve a chance de se salvar da tragédia, mas tentou levar consigo sua cadela e acabou ficando presa na lama de rejeitos.

O velório de Sirlei reuniu centenas de pessoas na Câmara Municipal do município durante a manhã da última quarta-feira(30).

De acordo com o jornal O Globo, Sirlei morava a 500 metros da barragem, na região do Córrego do Feijão, e convivia diariamente com os funcionários da mineradora. Ela costumava fazer abaixo-assinados contra os impactos da mina e estava sempre envolvida na luta pela melhoria de vida da população local. Eduardo Toscano lembra também que ela era muito apegada aos animais e cuidava de vários deles em casa e que militava pelo meio ambiente.

“Ela estava em casa com um jardineiro e uma empregada. O jardineiro nos contou que eles ouviram o barulho e viram a lama vindo. Correram. Mas ela voltou. Acreditamos que tenha ido buscar a cachorrinha. Era muito apegada — conta o cunhado de Sirlei, Eduardo Toscano, de 55 anos”.

“A dor é de centenas de pessoas. A revolta também não é só por ela, mas por todos. Sabemos agora é que a Vale é criminosa e é um crime reincidente. Quem sabe dessa vez vejamos uma postura de uma punição efetiva para este crime”, desejou Toscano.

Foto: Márcia Foletto / Agência O Globo

O marido de Sirlei é engenheiro e já foi funcionário da Vale. Segundo parentes, após sair do ramo de minérios, ele passou a apoiar a mulher em sua luta. Seja pelos caminhões que colocavam as pessoas do Córrego do Feijão em risco (por conta da velocidade em vias rurais), seja pela poeira que afetava a saúde da população, ou pelo risco iminente de rompimento das barragens. Ela sempre pediu por mudanças efetivas por parte da empresa, mas acabou vítima do “mar de lama” que tanto tentou combater.

O número de animais resgatados em Brumadinho aumentou para 57. A Brigada Animal acolheu 27 cães, 14 pássaros, oito galinhas, dois galos, dois bovinos, dois patos, um gato e um cágado. Todos foram encaminhados para o hospital de campanha, montado em uma fazenda da região.

Dezenas de veterinários e organizações de direitos animais estão em Brumadinho cobrando e fiscalizando o trabalho de resgate. A ativista Luisa Mell tem sido fundamental para a divulgação das informações e da situação dos animais.

 

 

 

 

 

Barragem da Vale se rompe em Brumadinho (MG) e causa destruição

Uma barragem da Vale se rompeu em Brumadinho (MG) nesta sexta-feira (25) na Mina Feijão. A região ficou tomada por um mar de lama, que foi registrado em fotos e vídeos (confira abaixo). Dezenas de animais foram encontrados atolados na lama e outros milhares devem ter perdido a vida nesta tragédia que devastou o meio ambiente.

(Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

O rompimento da barragem acontece apenas pouco mais de três anos após a cidade mineira de Mariana viver a maior tragédia ambiental já registrada no Brasil. Em novembro de 2015, a barragem de Fundão, da Samarco, empresa de propriedade da Vale e da BHP, rompeu-se e matou 19 pessoas, além de causar imenso prejuízo para a fauna e flora local. Na época, a lama avançou sobre a bacia do rio Doce e chegou ao litoral do Espírito Santo. As informações são do portal El País.

Para o desastre de Brumadinho, a Vale ativou o Plano de Atendimento a Emergências para Barragens e enviou uma equipe para sobrevoar a área atingida pela lama para diagnosticar a dimensão do problema. De acordo com a empresa, a prioridade “é preservar e proteger a vida de empregados e de integrantes da comunidade”. A tragédia fez com que as ações da Vale na Bolsa de Valores de Nova York caíssem 8% nesta sexta-feira.

(Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)

O Ministério do Desenvolvimento Regional emitiu nota por meio da qual afirmou que está “monitorando e em contato constante com as equipes de Defesa Civil”. A pasta informou ainda que o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, está à caminho de Brumadinho.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Germano Vieira, disse que toda a equipe de emergência foi enviada à cidade. Seguiu para Brumadinho também um grande contingente de bombeiros e uma equipe do Ibama.

(Foto: Reprodução)

Uma das preocupações em relação à tragédia se refere ao fato de que o rio em que houve o desabamento desemboca no São Francisco.

O caso repercutiu nas redes sociais, causando indignação nos internautas. “Mais uma vez será o meio ambiente que ‘pagará essa conta'”, escreveu um usuário do Facebook. “Mais um descaso que se transforma em tragédia”, disse outro.

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Barragens com risco de rompimento

A Agência Nacional das Águas (ANA) divulgou um relatório no final de 2018, com dados levantados em 2017, sobre as barragens brasileiras. De acordo com o documento, o número de barragens no Brasil com risco de rompimento subiu de 25 para 45 em um ano.

No país, há 24 mil barragens utilizadas para diferentes finalidades, como acúmulo de água, de rejeitos de minérios ou industriais e para geração de energia, segundo informações do jornal Gazeta Online.

Das 45 barragens que correm risco de rompimento, três estão localizadas no Espírito Santo. No entanto, elas não são de rejeitos de minério. As barragens apresentam problemas estruturais, como rachaduras e infiltrações e são de responsabilidade do poder público.

A barragem da Mina do Feijão, que se rompeu em Brumadinho, não estava na lista das barragens vulneráveis. Porém, segundo o relatório, o estado de Minas Gerais possuía em 2017 cinco barragens com risco de rompimento. Na Grande Belo Horizonte foram consideradas vulneráveis pela ANA as seguintes barragens: Mina Engenho I e II, da Mundo Mineração, em Nova Lima, Região Metropolitana de BH; as barragens B2 e B2 auxiliar, da Nacional Minérios, em Rio Acima, também na Grande BH; e a barragem Água Fria, em Ouro Preto, região Central de MG.

De acordo com o levantamento, 14 incidentes ou acidentes com barragens foram registrados em 2017 no Brasil. Três deles ocorreram em Minas Gerais. Os dados pertencem ao Relatório de Segurança de Barragens 2017 (RSB), coordenado pela Agência Nacional das Águas.

Dezenas de cavalos selvagens morrem por causa do calor escaldante

Temperaturas escaldantes foram culpadas por desencadear a morte em massa de dezenas de cavalos selvagens que foram encontrados em um poço seco.

Ralph Turner, um artista de Arrernte e oficial de engajamento de atividades, encontrou na semana passada os cavalos em Deep Hole, cerca de 20 km a nordeste de Santa Teresa, no Território do Norte, Austrália,

As fotos chocantes, postadas no Facebook, mostram cerca de duas dúzias de cavalos parcialmente decompostos espalhados dentro no poço,  informou a ABC News .

Turner fez a descoberta sombria durante uma viagem ao local para avaliar como a onda de calor do “Centro Vermelho” afetou os níveis de água. As informações são do Daily Mail.

“Eu não pude acreditar que algo assim aconteceu aqui, a primeira vez”, disse Turner.

O Red Centre tem chegado a alguns dos seus dias mais quentes ultimamente, com um recorde de 12 dias com temperaturas acima dos 42°C.

A cerca de 80 quilômetros de Santa Teresa, o aeroporto de Alice Spring registrou na última terça-feira (22) o maior número de dias acima de 42°C desde que a estação meteorológica foi inaugurada em 1940.

Temperaturas escaldantes foram responsabilizadas pelo desencadeamento da morte em massa dos animais.

O mentor de mídia de Santa Teresa, Rohan Smyth, disse que os cavalos podem ter morrido como resultado da desidratação severa, devido ao clima extremo que a comunidade experimentou recentemente.

“Os cavalos selvagens foram até lá procurando por água, que normalmente estaria lá. Então, basicamente, eles simplesmente não tinham mais para onde ir”, disse Smyth.

Ele acrescentou que os moradores de Santa Teresa estão profundamente preocupados com o bem-estar dos cavalos pela forte ligação que eles têm com os animais.

“Eles são animais selvagens, então, têm um impacto do meio ambiente”, disse ele.

 

 

 

copos de plástico descartados poluindo a água

Lisboa proibirá copos de plástico descartáveis a partir de 2020

Na quinta-feira, 10, a câmara municipal de Lisboa anunciou a medida que proibirá a distribuição de copos de plástico descartáveis em restaurantes, bares e outros estabelecimentos. A proibição veio com o intuito de incentivar as pessoas a ter um comportamento mais ambientalmente responsável.

copos de plástico descartados poluindo a água

Foto: Getty Images

A medida dará aos empresários “até 31 de Dezembro de 2019 para eliminarem os plásticos descartáveis, nomeadamente os copos, em espaço público”, disse o vice-presidente, Duarte Cordeiro, vereador responsável pelos Serviços Urbanos. “Acreditamos que a restauração da cidade está pronta para este desafio.”

Essa proibição não se aplica somente aos copos de plástico, mas também a todos os utensílios descartáveis comumente utilizados no consumo de alimentos na rua. A câmara pretende atualizar o Regulamento de Gestão de Resíduos, Limpeza e Higiene Urbana, cuja última versão data de 2004, e essa medida faz parte de um conjunto de alterações no regulamento que serão discutidas na próxima semana.

Cordeiro assegurou que a nova proibição não significa que as pessoas não poderão mais consumir bebidas alcoólicas em espaço público, embora haja essa exigência em alguns setores da cidade por outros motivos. Ele disse que a autarquia não pretende “mudar hábito nenhum da cidade”, admitindo que ele próprio e o presidente Fernando Medina são adeptos de uma boa bebida ao ar livre.

“Existem soluções, existe capacidade. Muitas vezes não há vontade, mas com esta medida assinalamos uma vontade política”, continuou ele, citando as Festas de Lisboa, do Ano Novo e do Jardim do Arco do Cego, em que os copos descartáveis foram substituídos por reutilizáveis.

Assim como já acontece em alguns festivais de verão e outros eventos, os consumidores alugam um copo, pagando uma taxa no início do evento e, se o devolverem intacto, o valor será restituído. Durante a festa de Ano Novo na Praça do Comércio foram entregues mais de 58 mil copos aos cidadãos e cerca de 10 mil não foram devolvidos.

A nova proibição entrará em vigor no primeiro dia de 2020, o que dá aos empresários o espaço de um ano para realizarem as mudanças necessárias. Não é obrigatório o uso de copos de plástico reutilizáveis, havendo a opção de oferecer copos de vidro ou limitar o consumo de bebidas fora do estabelecimento. As penas para o não cumprimento da nova lei são multas de valor entre 150 e 1500 euros para pessoas físicas e entre 1000 e 15 mil euros para empresas.

chaminés soltando fumaça no céu azul

Como a indústria de combustíveis fósseis levou a mídia a pensar que a mudança climática era discutível

No final do ano passado, o governo Trump divulgou a mais recente avaliação do clima nacional no mesmo dia da Black Friday, no que muitos supuseram ser uma tentativa de fazer o documento passar despercebido. Se esse era o plano, saiu pela culatra, e a avaliação acabou ganhando mais cobertura do que provavelmente teria de outra forma. Mas grande parte dessa cobertura perpetuou uma prática de décadas, que foi armada pela indústria de combustíveis fósseis: equivalência falsa.

chaminés soltando fumaça no céu azul

Foto: Getty Images

Embora vários interesses comerciais tenham começado a resistir a ação ambiental em geral no início dos anos 70, como parte da conservadora “guerra de idéias” lançada em resposta aos movimentos sociais da década de 1960, quando o aquecimento global entrou pela primeira vez na esfera pública, foi questão bipartidária e permaneceu assim por anos.

Na campanha eleitoral em 1988, George H.W. Bush identificou-se como um ambientalista e pediu ação contra o aquecimento global, enquadrando-o como um desafio tecnológico que a inovação americana poderia enfrentar. Mas os interesses dos combustíveis fósseis estavam mudando à medida que a indústria e seus aliados começaram a recuar contra as evidências empíricas da mudança climática, levando muitos conservadores junto com eles.

Documentos revelados por jornalistas e ativistas durante a última década apresentam uma estratégia clara: primeiro, direcionar os meios de comunicação para fazer com que eles relatem mais sobre as “incertezas” da ciência do clima e posicionar os cientistas que discordam das evidências da mudança climática apoiados pela indústria como fontes especializadas da mídia. Segundo, pôr em foco os conservadores ​​com a mensagem de que a mudança climática é uma farsa liberal, e pintam qualquer um que leve a questão a sério como “fora de contato com a realidade”.

Na década de 1990, companhias petrolíferas, grupos de comércio de combustíveis fósseis e suas respectivas firmas de relações públicas começaram a colocar cientistas céticos, como Willie Soon, William Happer e David Legates, como especialistas cujas opiniões sobre as mudanças climáticas devem ser consideradas de igual importância e opostas à opinião dos cientistas do clima.

O Instituto Heartland, que hospeda uma Conferência Internacional sobre Mudança Climática anual, por exemplo, rotineiramente chama a atenção dos meios de comunicação por mostrarem “preconceito” na cobertura da mudança climática quando se recusam a citar um negacionista ou quando questionam sua credibilidade.

Os dados sobre a eficácia desta estratégia são difíceis de obter, mas há indícios de seu sucesso. No início dos anos 90, as pesquisas mostraram que cerca de 80% dos americanos estavam cientes da mudança climática e aceitaram que algo deveria ser feito a respeito, uma opinião que cruzava as linhas partidárias. Em 2008, a Gallup, empresa de pesquisa de opinião, encontrou uma divisão partidária marcada na mudança climática. Em 2010, a crença do público americano na mudança climática atingiu um recorde histórico de 48%, apesar do fato de que nesses 20 anos aumentaram a pesquisa, a melhoria dos modelos climáticos e a realização de várias previsões de mudanças climáticas.

Ao exigir “equilíbrio”, a indústria transformou a mudança climática em uma questão partidária. Sabemos que essa foi uma estratégia deliberada porque vários documentos internos da ExxonMobil, da Shell, do American Petroleum Institute e de um punhado de grupos da indústria de combustível fóssil agora extintos revelam não apenas a estratégia do setor para atingir a mídia com essa mensagem e esses especialistas, mas também um próprio desmembramento preventivo das próprias teorias que passaram a apoiar.

Não precisa ter sido uma estratégia tão bem-sucedida: se os provedores de notícias realmente queriam ser persuadidos sobre a cobertura da mudança climática, eles certamente poderiam tecer os insights de cientistas mais conservadores. Em vez disso, muitos pegaram a isca do setor, rotineiramente inserindo afirmações negacionistas em matérias sobre ciência climática com o objetivo de fornecer equilíbrio: em uma análise de 636 artigos sobre mudança climática que apareceram em “prestígio nos EUA” de 1988 a 2002, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz e da American University descobriram que 52,65% apresentaram a ciência do clima e as teorias contrárias como equivalentes. A prática continuou em meados dos anos 2000. Em 2007, o PBS New Hour convidou Anthony Watts, um ex-meteorologista conhecido (e amplamente desbancado) para contrabalançar Richard Muller, um ex-cético de Koch que mudou sua visão.

Por volta de 2008, a maioria dos veículos impressos ultrapassou a noção de que “equilíbrio” significa incluir negacionistas do clima na cobertura da ciência climática. Em 2017, a ProPublica publicou uma entrevista incrivelmente acrítica com Happer, por exemplo, descrevendo-o como “brilhante e controverso” e caracterizando sua visão de que o aquecimento global é bom para o planeta como apenas “incomum”. Naquele mesmo ano, o New York Times foi duramente criticado por contratar o negacionista Bret Stephens como colunista editorial regular (e sua primeira coluna não ajudou).

Embora os canais de impressão não sejam perfeitos, os noticiários da TV ficaram mais atrasados ​​em relação ao clima, muitas vezes apresentando os negacionistas como um equilíbrio equivalente aos cientistas do clima. Na cobertura da avaliação do clima nacional, por exemplo, vários canais de notícias da TV a cabo apresentavam tanto cientistas climáticos quanto negacionistas, como se os dois fossem lados simplesmente opostos de um debate.

“Meet the Press”, “Anderson Cooper 360” e “State of the Union”, todos trouxeram negacionistas para equilibrar seus shows. Políticos republicanos também fizeram as rodadas de notícias a cabo, dizendo histórias familiares sobre a mudança climática sendo normal e cíclico, ou pontos de sol e vulcões como sendo os verdadeiros culpados. A senadora Joni Ernst (R-Iowa) repetiu a reportagem “o clima sempre muda” na CNN, enquanto Rick Santorum, o conselheiro informal da Casa Branca Stephen Moore e o político britânico Nigel Farage pressionaram a narrativa dos “cientistas do clima enriquecendo”.

Embora algumas agências tenham se retirado para livrar negacionistas da conversa, muitos canais de notícia continuam a atrair especialistas “contrários”, dando uma plataforma para mentiras cansativas. Em uma “cartilha do aquecimento global” preparada nos anos 90 pela Global Climate Coalition, um consórcio de produtores de combustíveis fósseis, empresas de serviços públicos, fabricantes e outros interesses comerciais dos EUA (incluindo a Câmara de Comércio dos EUA), um cientista da Mobil desmentiu todos das teorias negacionistas prevalecentes do dia na mudança de clima. Essa parte da cartilha não foi impressa e as companhias de petróleo passaram a financiar cientistas promovendo essas mesmas teorias – as mesmas que os porta-vozes da indústria e os políticos conservadores promovem hoje.

Além de apoiar os especialistas e apoiar os meios de comunicação para usá-los como fontes, as empresas petrolíferas gastaram milhões em publicidade e propaganda ao longo dos anos. A maioria das pessoas não é fiel a uma determinada marca de gás; eles compram o que for mais conveniente ou mais barato. Então, quando as empresas petrolíferas publicam anúncios, é com a intenção de mudar as opiniões do público votante, dos formuladores de políticas e da mídia.

Em uma pesquisa exaustiva dos anúncios publicitários da ExxonMobil de 1977 a 2014, a historiadora de ciência Naomi Oreskes e o pesquisador Geoffrey Supran descobriram que essas peças frequentemente tomavam a forma de “opiniões -anúncios” que se parecem e são lidos como opiniões editoriais mas são pagos por um anunciante. Alguns simplesmente apresentaram histórias positivas sobre a empresa (fortemente focados em seus investimentos em biocombustíveis de algas, por exemplo), mas outros defenderam políticas mais relaxadas sobre perfuração offshore ou uma abordagem de “senso comum” para a regulação da mudança climática. Os pesquisadores descobriram que “83% dos artigos revisados ​​por especialistas e 80% dos documentos internos reconhecem que a mudança climática é real e causada pelo homem, mas apenas 12% dos anúncios publicitários o fazem, com 81% expressando dúvidas”.

Um memorando interno da Mobil, de 1981, descoberto pelo Climate Investigations Center é uma avaliação da primeira década do programa de advertências da Mobil, e deixa claro os objetivos da empresa: “Não apenas a empresa apresenta sua opinião aos principais formadores de opinião, mas também tem se envolvido em contínuo debate com o próprio New York Times. Na verdade, o jornal chegou a mudar para posições similares às da Mobil em pelo menos sete questões-chave de energia. ”

É verdade que a equipe de comunicações da Mobil está se dando muito crédito aqui, mas se eles atingiram seu objetivo é quase irrelevante. Este documento mostra a intenção dessas campanhas, e isso é algo que deve ser levado a sério por qualquer meio de comunicação concordando em executá-las, especialmente porque muitas ainda o fazem hoje. Campanhas que geram muito dinheiro numa época em que o negócio das notícias está enfrentando dificuldades são certamente difíceis de recusar, mas os meios de comunicação precisam considerar seriamente o impacto dessas campanhas em sua capacidade de informar o público e trabalhar para mitigar esse impacto, acima e além da divisão usual entre publicidade e editorial. Eles poderiam parar de veicular essas campanhas junto com relatórios climáticos, fazer um trabalho melhor em campanhas de rotulagem ou se recusar a executá-las completamente.

Já passou da hora em que a parou de se permitir ser uma ferramenta na guerra de informações da indústria de combustíveis fósseis. Oreskes compara a pressão pelo “equilíbrio” na mudança climática aos jornalistas que discutem a pontuação final de um jogo de beisebol. “Se os Yankees vencessem o Red Sox por 6-2, os jornalistas reportariam isso. Eles não se sentiriam compelidos a encontrar alguém para dizer, na verdade, o Red Sox ganhou, ou a pontuação foi 6-4,” diz ela.

mãos segurando um punhado de terra com uma plantinha

Leis, acordos e estratégias ao redor do mundo para proteger o planeta

A mudança climática está causando desastres de secas severas e inundações repentinas a furacões devastadores e derretimento de geleiras. No entanto, não é apenas o aquecimento global que está prejudicando o planeta em que vivemos. Existem muitas outras questões importantes, incluindo o uso de plástico e nosso uso excessivo de recursos naturais que estão tendo um grande impacto no meio ambiente.

mãos segurando um punhado de terra com uma plantinha

Foto: Getty Images

As negociações climáticas deste ano na Polônia entregaram uma mensagem urgente aos líderes mundiais sobre este cenário. Eles foram instruídos a agir agora e reduzir as emissões de gases de efeito estufa antes que seja tarde demais. Falando na cúpula, Sir David Attenborough reforçou essa mensagem, alertando que a mudança climática é agora a maior ameaça à humanidade e poderia levar ao colapso das civilizações e à extinção da maioria das espécies no planeta Terra.

No entanto, há boas notícias.

A conscientização do público sobre a questão está aumentando e não é apenas por causa das legislações. Instituições beneficentes ambientais, programas populares de transmissão, celebridades influentes e toda uma série de mídias também estão causando um grande impacto – educando as massas e inspirando ações em escala global.

É evidente que ainda há um longo caminho a percorrer para combater as mudanças climáticas, mas estamos progredindo. Líderes de todo o mundo estão intensificando os esforços para garantir que mudanças marcantes sejam feitas para reduzir drasticamente as emissões e mudar comportamentos.

O acordo de Paris

Este foi um acordo histórico e o primeiro desse tipo. Ele une as nações do mundo em um único acordo para enfrentar a mudança climática a partir de 2020. Quase 200 países da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) chegaram a um consenso em 2015 para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e se comprometeram a limitar os aumentos de temperatura no mundo inteiro até não mais do que 2°C acima dos tempos pré-industriais. Na verdade, o objetivo é limitar isso ainda mais, a 1,5°C, se possível. O progresso será revisto a cada cinco anos e o financiamento das nações doadoras será destinado a países menos desenvolvidos.

No entanto, os cientistas comentaram que este acordo deve ser intensificado para atingir as metas estabelecidas e restringir realisticamente os efeitos da mudança climática. Um recente relatório da ONU sugere que o mundo realmente precisa triplicar seus esforços atuais para atingir a meta de 2°C.

Como foi noticiado recentemente, o Acordo de Paris está em certo risco em sua forma atual, com o Presidente Trump preparando-se para retirar os Estados Unidos do compromisso. Porém, isso não é algo que pode legalmente acontecer até depois da próxima eleição presidencial, então devemos ficar de olho.

A guerra contra o plástico

Estima-se que 12,7 milhões de toneladas de plástico acabam em nossos oceanos a cada ano (o equivalente a uma carga de caminhão a cada minuto). Isso levou muitos países a introduzir proibições ou taxas para tentar limitar o aumento exponencial do uso de plástico. A Dinamarca começou a cobrar uma taxa sobre as sacolas plásticas em 1993, e a taxa sobre sacolas de 2002 na Irlanda resultou em uma queda de 90% na demanda por sacolas plásticas de uso único.

Mais recentemente, o Secretário do Meio Ambiente Michael Gove anunciou a proibição de canudos e cotonetes de plástico no Reino Unido no final de 2019. Olhando para o futuro, a União Européia expressou sua intenção de proibir uma série de itens plásticos (incluindo canudos, placas e cutelaria de uso único) completamente até 2021, justificando que estes podem ser substituídos por materiais mais sustentáveis.

O tema da poluição plástica tem sido amplamente abordado na mídia recentemente, fazendo com que ela se torne a vanguarda da consciência pública. Isso levou uma série de grandes empresas a fazer mudanças significativas em suas operações, abandonando o plástico (ou prometendo fazê-lo rapidamente). Isso inclui restaurantes como McDonalds e Pizza Express, todos os hotéis Four Seasons e Hilton, bem como a cadeia de pub Wetherspoons e a lanchonete Pret a Manger – para citar apenas alguns.

Estratégia de Ar Limpo

O governo do Reino Unido divulgou a Estratégia de Ar Limpo em maio de 2018. O país está tentando reduzir a poluição do ar e a exposição humana à poluição por partículas – o quarto maior risco para a saúde depois do câncer, obesidade e doenças cardíacas. A nova estratégia é parte de um plano de 25 anos para deixar o meio ambiente em um estado melhor e é um acréscimo ao esquema de 3,5 bilhões de libras para reduzir a poluição do transporte rodoviário e veículos a diesel, estabelecida em julho do ano passado.

A ideia é reduzir a quantidade de pessoas que vivem em áreas onde as concentrações de material particulado estão acima dos limites estabelecidos até 2025. Além disso, promete garantir que apenas os combustíveis domésticos mais limpos estejam disponíveis para combater a amônia da agricultura, abordar emissões não exaustivas de microplásticos de veículos, capacitar o governo local com nova legislação primária, investir em pesquisa científica e inovação em tecnologia limpa e muito mais.

Proibição do carvão

No Reino Unido, existem atualmente oito usinas termoelétricas a carvão em uso. No entanto, a proibição do carvão introduzida este ano (que entrará em vigor em outubro de 2025) apresentou às empresas de energia um ultimato: adaptar seus ativos existentes para gerar energia mais verde ou fechar sua usina. Esta regra já pôs em marcha a mudança, com algumas usinas se adaptando ou construindo infraestrutura para geração de energia mais limpa, enquanto outras decidiram permanecer ativas até a proibição.

A decisão foi tomada para eliminar progressivamente as usinas a carvão e substituí-las por tecnologias mais limpas nas negociações sobre o clima que aconteceram em Bonn (COP23). Foram o Canadá, o Reino Unido e as Ilhas Marshall, que formaram uma aliança global chamada “Powering Past Coal.” Um ano depois de seu lançamento, a aliança agora conta com 75 membros comprometidos com a substituição de eletricidade ininterrupta a carvão por alternativas mais limpas e sustentáveis.

“Road to Zero Strategy”

O transporte rodoviário tem a maior parcela de emissões de gases de efeito estufa no setor da economia. Isso significa que as mudanças são vitais para o Reino Unido atingir suas metas de redução de carbono. A “Road to Zero Strategy” do Departamento de Transportes de 2018 define que pelo menos 50% (e até 70%) das vendas de carros novos terão emissões ultrabaixas até 2030 e até 40% para as novas vans. Essa política também trata da redução de emissões de veículos que já estão nas estradas e planeja encerrar a venda de carros e caminhões convencionais a gasolina e diesel até 2040.

Com um grande impulso em direção a carros de emissão zero, é necessária uma enorme expansão da infraestrutura verde em todo o país, assim como um grande foco no aumento da disponibilidade de estações de recarga para veículos elétricos (EVs). A Road to Zero Strategy define o cenário para o que o governo considerou “o maior avanço tecnológico para atingir as estradas do Reino Unido desde a invenção do motor de combustão.”