Justiça permite que pintinhos machos continuem a ser triturados vivos

A Justiça da Alemanha autorizou que a indústria permaneça matando milhões de pintinhos machos até que exista um método que permita diferenciar o sexo desses animais na produção de ovos em larga escala. Assim como ocorre no Brasil, o setor agropecuário alemão tritura esses animais vivos. A decisão judicial foi emitida nesta quinta-feira (13).

Foto: Pixabay

O caso foi julgado pela Corte Administrativa Federal, que analisou se seria possível continuar matando estas aves em conformidade com o primeiro artigo da lei sobre proteção animal do país, que considera que “ninguém tem o direito de infligir aos animais dores, sofrimentos, ou danos sem motivos razoáveis”. As informações são do portal O Tempo.

“A prática atual (de eliminar os pintos machos) se baseia em um motivo razoável até o surgimento, em um prazo próximo ‘a priori’, de métodos para determinar o sexo no ovo”, declarou a juíza Renate Philipp, sem levar em consideração que triturar pintinhos vivos, causando-lhes intensa dor, fere a lei de proteção animal alemã.

Para a Justiça, os interesses econômicos dos criadouros de galinhas exploradas para botar ovos são considerados prioridade. A indústria considera os pintinhos machos inúteis e caros demais para se reproduzirem e, por isso, mata 45 milhões deles por ano, de forma extremamente cruel.

Em 2013, o Ministério da Agricultura da região de Renânia do Norte-Westfália tentou proibir a matança de pintinhos, mas fracassou após criadouros acionaram a Justiça e ganharam jurisdições do estado regional e, agora, em nível federal.

Na Alemanha, o extermínio de pintinhos tem gerado polêmica. Entre as pessoas que são contrárias a essa prática cruel está a ministra da Agricultura, Julia Klöckner.

“Matar os animais depois de seu nascimento por causa de seu sexo não é possível”, disse a ministra ao jornal regional “Rheinische Post”. Segundo Klöckner, oito milhões de euros foram liberados para buscar alternativas a essa prática.
A Alemanha e a Holanda têm testado atualmente métodos de diferenciação de sexo no ovo, que permitem matar os machos antes da eclosão. No entanto, não há, ainda, como aplicá-los em larga escala.

Nota da Redação: o único caminho ético em relação a esse tema é o fim da exploração de galinhas e seus filhotes. Isso porque, além da crueldade relacionada aos pintinhos, a indústria condena, também, as galinhas a uma vida miserável. Tratadas como máquinas produtoras de ovos e não como seres vivos dignos de respeito, essas aves são exploradas a vida inteira e, muitas vezes, são mortas já exaustas e adoecidas. É comum que elas sejam mantidas em gaiolas minúsculas ou granjas superlotadas, sem espaço sequer para esticar as asas, e que tenham seus bicos cortados, sem anestesia, para evitar situações de mutilação causadas por estresse – inclusive no Brasil. Explorar galinhas, condenando-as ao sofrimento, e depois impedir o nascimento de pintinhos ou matá-los depois de nascidos, são práticas que devem ter fim em todo o mundo.

Prefeitura de Mairiporã (SP) incentiva população a matar caracol africano de maneira cruel

A Prefeitura de Mairiporã, no interior de São Paulo, publicou um vídeo em rede social por meio do qual incentiva a população a utilizar um método cruel para matar caracóis africanos.

Foto: Reprodução / Facebook / Prefeitura de Mairiporã

Nas imagens, a agente de saúde Adryana Suba Brasil afirma que o caracol africano foi introduzido no Brasil em meados da década de 80 para ser explorado para consumo humano. A proposta, no entanto, fracassou e o animal foi abandonado no meio ambiente.

No decorrer do vídeo, Adryana conta que a população tem ateado fogo nos caracóis para matá-los. Ela discorda da ação dos moradores do município, mas não pelo sofrimento imposto ao animal, e sim porque ao ser morto queimado, o caracol solta uma secreção que, segundo a agente de saúde, fica no meio ambiente e atrai moscas.

Sob a justificativa de controle da espécie, Adryana ensina um método cruel para matar o animal, que ela chama de “solução caseira e simples”. A funcionária pública indica que a população coloque os caracóis dentro de um balde com água e adicione detergente e sabão em pó comum, o que, de acordo com ela, matará os animais em alguns minutos.

Depois de matá-los, Adryana orienta os moradores a retirar os caracóis do balde, colocá-los em uma sacola plástica, quebrar a carapaça deles e, em seguida, descartá-los no lixo da coleta comum.

Nos comentários do vídeo publicado pela prefeitura, uma internauta criticou a atitude da administração municipal. “Os caramujos foram introduzidos no Brasil para consumo humano. Sabemos que essa moda não pegou e por isso eles foram soltos na natureza de forma errônea gerando impactos ambientais. Ou seja, o próprio ser humano criou essa situação!”, escreveu a usuária do Facebook, que lembrou que “é privativo e é competência do médico veterinário a realização de eutanásia em animais” e que “a eutanásia por afogamento ou substâncias como o sabão ou detergente são métodos inaceitáveis, pois causam dor e sofrimento, segundo a resolução 1000/2012 do Conselho Federal de Medicina Veterinária”.

Confira o vídeo divulgado pela prefeitura: