O Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, foi criado em 1972 pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Na data, ONGs lançam, todos os anos, manifestos e medidas para alertar sobre a necessidade de preservação do meio ambiente. No mesmo dia é celebrado também O Dia da Ecologia.

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A exploração irresponsável e gananciosa dos recursos naturais tem causado devastação em todo o mundo. No Brasil, o cenário está se tornando cada vez mais preocupante. Dados indicaram que os primeiros 15 dias de maio foram os piores no mês em uma década, com 19 hectares de floresta amazônica sendo destruídos por hora, em média. O número é o dobro do que foi registrado no mesmo período em 2018.
Além disso, um estudo feito pela ONG Conservação Ambiental concluiu que o Brasil e os Estados Unidos lideram uma tendência mundial de retrocessos ambientais. De acordo com o levantamento, 85 atos legislativos foram promulgados no Brasil, entre 1900 e 2017, atingindo uma área de 114.856 quilômetros quadrados de floresta – o equivalente a praticamente metade do estado de São Paulo. Desses, 60 afetaram a Amazônia, região que perdeu mais de 90 mil quilômetros quadrados de proteção devido a mudanças legislativas.
O Brasil, ainda de acordo com o estudo, é responsável por 87% dos retrocessos em áreas protegidas da Amazônia, em um levantamento que abrange outros oito países amazônicos.
Ministra do Meio Ambiente entre 2010 e 2016, a bióloga e ambientalista Izabella Teixeira explica que retrocessos ambientais podem ter diversas origens. “Precisaríamos identificar caso a caso para saber. Mas há natureza técnica, política e econômica. Do ponto de vista político, isso remete a uma situação de fragilidade e de não priorização da política ambiental. É muito comum que interesses econômicos sejam preponderantes a interesses da biodiversidade, mas isso é só um contexto: vejo como algo muito grave”, disse Teixeira, em entrevista à BBC News Brasil.

(Foto: AP Photo/NOAA Pacific Islands Fisheries Science Center)
Para o geógrafo Carlos Minc, que foi ministro do Meio Ambiente entre 2008 e 2010 e atualmente é deputado estadual, o cenário, que ele considera assustador, “reflete a força da bancada ruralista e a cumplicidade de vários governos estaduais”.
O jurista, historiador e diplomata Rubens Ricupero, ministro do Meio Ambiente entre 1993 e 1994, reforça que “o atual governo vem contribuindo para agravar o quadro pela posição pessoal e o exemplo altamente negativo do próprio presidente da República”.
“O sistemático desmantelamento do sistema já precário do Ibama e do ICMBio estimula maiores violações dos espaços ainda protegidos e desencoraja a ação dos fiscais. Isso sem mencionar os numerosos projetos em tramitação no Congresso, que terão certamente impacto igualmente destruidor”, disse Ricupero à BBC.
O desmatamento, no entanto, não é o único problema que tem afetado o meio ambiente no mundo. A poluição, especialmente aquela causada pelo plástico, tem devastado ecossistemas e tirado a vida de animais, principalmente os marinhos. No oceano Pacífico, entre a costa do estado norte-americano da Califórnia e o Havaí, 80 mil toneladas de plástico compõe um “ilha de lixo” de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. As consequências dessa quantidade extrema de plásticos nos oceanos, caso ações para reverter esse cenário não sejam executadas, são graves: segundo um estudo feito pelo Fórum Econômico Mundial de Davos em parceria com a fundação da navegadora Ellen MacArthur e a consultoria McKinsey, os oceanos terão mais plástico do que peixes até 2050. A pesquisa concluiu que a proporção de toneladas de plástico por toneladas de peixes era de uma para cinco em 2014, será de uma para três em 2025 e vai ultrapassar uma para uma em 2050.

(Foto: Pixource/Pixabay)
A poluição do ar também é considerada alarmante e será tema, inclusive, da conferência internacional do Dia Mundial do Meio Ambiente, sediada pela China e promovida pela Organização das Nações Unidas no quadro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. O objetivo é incentivar governos, indústrias, comunidades e indivíduos a usar a energia renovável e as tecnologias verdes, bem como melhorar a qualidade do ar em todo o mundo, já que a poluição tem gerado cerca de 7 milhões de mortes humanas e afetado, também, os animais.
“A China será uma grande anfitriã global das comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente em 2019. O país demonstrou liderança no combate à poluição do ar internamente e, agora, pode ajudar a estimular outras partes do mundo a agirem. A poluição do ar é um desafio global e urgente que afeta a todos. A China irá, agora, liderar o impulso e estimular a ação global para salvar milhões de vidas”, declarou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente, ao portal Nações Unidas Brasil.
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