Bolsonaro diz que pretende autorizar caça submarina em área protegida

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou, durante entrevista ao programa Luciana by Night, na terça-feira (7), que pretende autorizar a caça submarina em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Foto: Wilton Junior/Estadão

Para que o objetivo do presidente se torne realidade, será necessário revogar o decreto 98.864/90, do ex-presidente José Sarney, que torna a área uma Estação Ecológica e proíbe a pesca. As informações são do Estadão.

O assunto foi abordado por Bolsonaro enquanto ele lamentava ter abandonado esportes que praticava antes do atentado ocorrido na campanha eleitoral. “Hoje em dia o que sobrou para mim foi a caça submarina. Pretendo implementá-la ali na região de Angra. Lá é uma Estação Ecológica demarcada por decreto presidencial. Estamos estudando nesse sentido, né, revogar isso aí e abrir aquela área para fazer um turismo, realmente, que o Brasil merece. A iniciativa privada vai investir ali naquela região, e quem sabe nós tenhamos uma Cancún aqui na baía de Angra brevemente”, disse.

Bolsonaro foi multado em R$ 10 mil pelo Ibama em Angra, no ano de 2012, após ser flagrado pescando na área protegida. A multa foi cancelada no início deste ano, após a posse presidencial. A cidade também esteve no centro de outra polêmica, quando uma reportagem apontou que uma assessora parlamentar era paga pelo governo, mas trabalhava na casa de Bolsonaro no balneário.

Após participar de um evento comemorativo aos 74 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (8), Bolsonaro voltou a falar do desejo de transformar Angra do Reis em uma “Cancún Brasileira”. Ao lado do governador Wilson Witzel, o presidente disse que a promoção do município depende apenas de um decreto presidencial que anularia outro decreto que, segundo ele, atrapalha o desenvolvimento da região.

“A Estação ecológica de Tamoios (em Angra) não preserva absolutamente nada e faz com que uma área rica, que pode trazer bilhões (de reais) por ano para o turismo, está parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista disso daí”, disse o presidente. “O meio ambiente e o progresso podem casar sim e permanecer juntos para o bem da nossa população”, completou.

“Angra pode ter certeza, brevemente, se deus quiser será uma Cancún aqui no Brasil”, finalizou.

Nota da Redação: a proteção de uma área ambiental não representa um impedimento ao desenvolvimento porque não há desenvolvimento sem que os recursos naturais sejam protegidos. Ameaçar ainda mais a natureza e os animais que nela vivem é um retrocesso e a decisão do presidente de, mais uma vez, atacar o meio ambiente, demonstra o desinteresse dele com a agenda ambiental, que é tratada em seu governo como um empecilho a ser derrubado, colocando em risco milhares de espécies da fauna e da flora brasileira.

Pesca comercial já matou 1,2 mil golfinhos e botos na França este ano

Corpo de um golfinho, vítima da pesca comercial, que foi arrastado até a praia (Foto: Associated Press)

Número de golfinhos e botos encontrados mortos na França já ultrapassou 1,2 mil nos quatro primeiros meses deste ano, segundo informações do Observatório Pelagis, em La Rochelle.

É um número ainda mais chocante, considerando que nos últimos anos o registro mais elevado foi de 846 em 2017 e cerca de 700 em 2018. E o que tem causado essas mortes é a pesca comercial, já que é comum pequenos cetáceos morrerem presos às armadilhas utilizadas pelos pescadores.

Segundo o Observatório Pelagis, os animais morrem asfixiados, e quando os pescadores os retiram de suas redes de emalhar, eles descartam os golfinhos na água. Parte dos corpos costuma ser arrastada até a praia.

A bióloga marinha Hélène Peltier conta que em uma necropsia realizada pelo Observatório Pelagis, eles perceberam que um golfinho teve a cauda cortada pelos pescadores – na tentativa de soltá-los de seus equipamentos. “Seus pulmões estavam cheios de sangue, um sinal claro de asfixia”, conclui.

Em março, a Sea Shepherd anunciou que encontrou um “depósito” de golfinhos mortos em Les Sables d’Olonne, na Baía de Biscaia. Segundo a organização de conservação da vida marinha, o local está servindo como área de despejo de parte dos golfinhos mortos pela pesca comercial.

“É onde eles são despejados antes de serem enviados para uma usina de processamento”, informou. A denúncia foi feita pouco tempo depois que a Sea Shepherd revelou que cadáveres de golfinhos mutilados têm se multiplicado às centenas na costa atlântica francesa.

“Trinta anos de reuniões e discussões com os comitês de pesca levaram à situação catastrófica em que estamos hoje. O tempo para discussão acabou, há uma necessidade urgente de ação”, diz a presidente da Sea Shepherd France, Lamya Essemlali.

Em fevereiro, a Sea Shepherd contabilizou mais de 600 golfinhos, a maioria mutilados, encontrados nas praias francesas, vítimas da pesca comercial. Os animais foram atingidos por redes de arrasto. “Embora esse número possa parecer enorme, está muito abaixo da verdadeira escala de mortes em curso”, garante a organização.

Pinguim é devolvido ao mar após ter ficado dias preso em rede de pesca

Foto: Kennedy News and Media

Foto: Kennedy News and Media

As imagens mostram o momento em que um pinguim volta para a água depois de ser libertado de uma rede de pesca abandonada.

Os médicos Stephan Brill, 29, e Ruan Van Der Walt, 32 anos, encontraram o pinguim perto de East London, na África do Sul, emaranhado pelo bico e pescoço ao lado de outros dois que já estavam mortos.

O casal, que estava em uma viagem de pesca de fim de semana, cortou a rede que prendia o pássaro e o soltou de volta na natureza. Eles acreditam que o pinguim esteve preso ali por “alguns dias”.

A filmagem mostra o pinguim que está em uma placa plástica que olha em torno enquanto as ondas quebram de encontro a ela.

Em seguida, ele atravessa as ondas antes de mergulhar e nadar de volta para o oceano.

Foto: Kennedy News and Media

Foto: Kennedy News and Media

A dupla afirma que o pássaro parou um pouco mais adiante no mar e deu ao casal uma olhada para trás em um “momento especial” de despedida e agradecimento.

Stephan, um médico clínico geral de East London, África do Sul, disse: “O pinguim ficou preso por um bom tempo e, apesar do risco de feri-lo, sabíamos que precisávamos fazer tudo o que pudéssemos para ajudá-lo”.

“Nós podíamos ver que ele estava vivo enquanto se debatia, o animal tinha muita força ainda e nós ficamos muito felizes em perceber isso”.

“Inicialmente ele estava um pouco nervoso, mas depois eu acho que ele se acostumou conosco – naquela posição e sem poder se mover ele era uma presa fácil para qualquer predador”.

“Eu estava preocupado do bico dele, porque não sabia o quanto estava emaranhado na rede, o quanto estava apertado em seu pescoço e se ele poderia lutar enquanto tentávamos libertá-lo, fazendo com que se machucasse mais”.

Foto: Kennedy News and Media

Foto: Kennedy News and Media

“Com muito cuidado, usando uma faca, cortamos as cordas que estavam atrás de sua cabeça para que ele não pudesse nos ver e, em seguida, as puxamos pela frente.

“Quando finalmente saiu, ele olhou para nós como se dissesse: O quê? Estou livre, realmente?”

Os turistas achavam que o pinguim esteve preso alia há uns “dois dias”, com base no cheiro dos dois cadáveres que também estavam na rede.

Preocupados se o pinguim poderia estar cansado ou desidratado, Stephan e seu companheiro, o cirurgião ortopédico, Ruan, estimularam o animal a beber agua em um balde e levaram-no até a beira da água.

Stephan conta: “Andei cerca de 100 metros para chegar ao mar e encontrar uma pequena enseada de águas mais calmas”.

“No início do dia, vimos muitos peixes pequenos na área, então pegamos o topo do balde e o deixamos ficar lá e se aclimatar.

“Nós o encorajamos a ir em direção ao oceano, então ele começou a caminhar sozinho e assim que entrou na água, molhando suas penas, nadou muito bem.

“Depois que terminamos de gravar o vídeo, ficamos de pé e o observamos. Ele estava longe demais para tirar fotos, mas podíamos vê-lo claramente mergulhando, mergulhando de novo e nadando feliz”.

“Ele ficou naquela pequena baía por pelo menos dez minutos onde estava a salvo de tubarões e predadores.

“Ele nadou debaixo de uma ou duas ondas, olhou para nós por um tempo e depois nadou mais – foi um momento muito especial.”

Stephan lembrou que as pessoas que visitam as praias precisam ser responsáveis.

Ele alertou para o fato de que canudos, pontas de cigarros, redes de pesca, plástico e linhas de pesca que cobrem o litoral poderiam ser evitados se as pessoas limpassem seus lixos.

A Marine Conservation Society classificou as redes de pesca como uma “armadilha de morte” flutuante e convocou as pessoas à ajudar a vida selvagem, recolhendo seu lixo.

“Lixo em nossos oceanos é uma enorme ameaça à vida selvagem em todo o mundo”, disse um porta-voz da organização.

“Devemos agir agora para impedir que mais plásticos cheguem aos nossos mares. As redes de pesca perdidas no mar transformam-se em armadilhas mortais flutuantes.

Eles também afirmaram que o plástico nos oceanos é uma forte ameaça à vida selvagem.

“Tartarugas confundem sacolas plásticas com águas-vivas, mamíferos maiores são encontrados mortos com quantidades imensas de resíduos de plástico em seus estômagos, sem dúvida contribuindo para a morte, e aves marinhas estão fazendo ninhos com pedaços de plástico e até mesmo alimentando seus filhotes com microplásticos”.

“Devemos agir agora para impedir que mais plásticos entrem em nossos mares.”

Poluição e pesca ameaçam sobrevivência de golfinhos no Brasil

Duas espécies amazônicas de água doce são ameaçadas: o peixe-boi amazônico e o boto-rosa — Foto: Rudimar Narciso Cipriani/ TG

Quando o assunto é mamífero, o Brasil se destaca: casa para mais de 700 espécies reconhecidas cientificamente, o País possui uma das maiores riquezas de mamíferos do mundo. Dessas, 51 são marinhas, sendo 19 golfinhos, 24 baleias, sete espécies carnívoras e o peixe-boi-marinho.

Em águas brasileiras, os pintados-do-atlântico se destacam por ser a espécie mais comum no litoral norte paulista, onde também são observados nariz-de-garrafa, dentes-rugosos, golfinho-comum, boto-cinza e toninha.

Dentre as espécies listadas no Livro Vermelho do ICMBio, a toninha, também conhecida como boto-amarelo, é o Cetáceo mais ameaçado da América do Sul.

Tida como “Criticamente em Perigo”, categoria anterior a “Extinto na Natureza”, a espécie é vítima da pesca de emalhe – um tipo de rede -, diminuição do habitat e poluição.

De acordo com pesquisas realizadas em 2002, a espécie pode chegar a 10% do tamanho populacional em 23 anos no Sul do Brasil.

Endêmica do Atlântico Sul Ocidental, a toninha pode ser encontrada nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, no Uruguai e na Argentina. Comum em águas mais rasas, de até 30 metros, ocorre principalmente em ambientes marinhos e em alguns poucos estuários, como a Baía da Babitonga.

Atenção aos rios

De acordo com pesquisas do Livro Vermelho, os golfinhos fluviais são as espécies mais ameaçadas de extinção, resultado do conflito pelo uso dos recursos hídricos, captura direta por pescadores, captura acidental em redes de pesca e encalhes.

O desmatamento e a ocupação humana nas margens do rio também afetam a sobrevivência do boto-vermelho, o maior golfinho de rio, classificado como “Em Perigo” na categoria de risco de extinção.

De acordo com os especialistas, suspeita-se um declínio populacional da espécie de pelo menos 50% nas próximas três gerações, ou cerca de 30 anos.

No Brasil, o boto-vermelho ocorre em rios como o Negro, Solimões, Japurá, Purus, Juruá e Madeira, abrangendo a Amazônia, Acre, Roraima, Rondônia, Pará e Amapá, além da bacia dos rios Araguaia e Tocantins, podendo ser avistado em Goiás, Mato Grosso e Tocantins.

A poluição, mineração e a fragmentação do habitat, que resultam no assoreamento dos rios, são outras ameaças à espécie, que na última década foi muito usada como isca na pesca de bagre e piracatinga.

Fonte: G1

Pesca está matando golfinhos na França

Retrato da pesca comercial: golfinho morto depois de ficar preso em uma rede de arrasto (Foto: Sea Shepherd)

A pesca comercial está matando golfinhos na costa atlântica francesa. Na semana passada, a Sea Shepherd encontrou mais dois golfinhos mortos sendo içados por dois arrastões que pescavam na região. Não é a primeira vez este mês que a organização de conservação da vida marinha flagra golfinhos mortos ou feridos em consequência da pesca comercial.

Só nas últimas seis semanas, a Sea Shepherd contabilizou mais de 600 golfinhos, a maioria mutilados, encontrados nas praias francesas. Os animais foram atingidos por redes de arrasto. “Embora esse número possa parecer enorme, está muito abaixo da verdadeira escala de mortes em curso”, garante a organização.

Segundo o Observatório Científico Pelagis, a estimativa é de que 80% dos golfinhos mortos na costa atlântica francesa afundam no mar e nunca chegam à costa. “Durante nossas patrulhas, encontramos diariamente muitos golfinhos nessa área particularmente sensível”, informa a presidente da Sea Shepherd France, Lamya Essemlali.

A organização rejeita a tese de que os animais são mortos em consequência da “pesca acidental”. A justificativa é que as técnicas de pesca comercial utilizadas na região são sistemáticas. Ou seja, os pescadores assumem conscientemente o risco de matarem os golfinhos.

Mais de 100 milhões de tubarões são mortos por ano

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano (Foto: Brian Skerry/Boston Globe)

Não é incomum as pessoas definirem os tubarões como ameaças e até mesmo demonizá-los por atacarem alguém no mar. Porém o que muitos não sabem é que no mundo todo a quantidade total de ataques de tubarões em um ano dificilmente chega a cem, segundo informações do International Shark Attack File (ISAF). Além disso, em muitos casos, o ataque de um tubarão é uma ação de defesa, levando em conta que normalmente ele só ataca alguém quando, por alguma razão, se sente ameaçado. Outra informação relevante é que dos mais de 460 tipos de tubarões existentes no mundo, poucos são considerados agressivos e atacam pessoas.

De acordo com a organização internacional WildAid, o ser humano é uma ameaça muito maior aos tubarões do que o oposto. Prova disso é a estimativa de que 100 milhões de tubarões são mortos a cada ano no mundo todo. Suas barbatanas, que são usadas no preparo de sopas em países asiáticos, sob a alegação de que supostamente trazem benefícios à saúde, são cortadas e eles são devolvidos ao mar onde têm uma morte lenta e dolorosa.

O consumo de sopa de barbatanas tem custado a morte de aproximadamente 73 milhões de tubarões por ano; e não há qualquer comprovação dos benefícios apontados pelos defensores desse hábito. Outro ponto desfavorável é que as toxinas que hoje contaminam os oceanos passam por biomagnificação no organismo dos tubarões, o que significa que o consumo de qualquer parte desse animal pode aumentar o risco de demência e envenenamento por metais pesados como o mercúrio.

Ainda assim, sopas de barbatanas de tubarão continuam a ser servidas em casamentos, restaurantes e reuniões de negócios na China, na Tailândia e em outros países da Ásia. A WildAid enfatiza que a caça de tubarões é uma grande ameaça ao meio ambiente, já que esses animais são vitais para o equilíbrio dos ecossistemas do oceano. Os tubarões são apontados por defensores da vida marinha como importantes indicadores da saúde do oceano, assim como os tigres são indicadores de uma floresta saudável e, com o impacto da caça desses animais, os ecossistemas marinhos podem entrar em colapso.

Fonte: Vegazeta

Pesca assombra com morte e mutilação quase 70 mil animais por dia no Brasil

© AP Photo / Jose Ingnacio

O descarte e a perda de equipamentos de pesca nos mares do mundo inteiro criam um fenômeno chamado de “pesca fantasma”, que assola quase 70 mil animais marinhos todos dias no Brasil. A Sputnik Brasil conversou com o biólogo João Almeida, da ONG Proteção Animal Mundial, cujo relatório lançou luz sobre o problema no país.

“A pesca fantasma é aquela pesca que é realizada por equipamentos de pesca como redes, linhas, cabos, boias que foram perdidos no oceano e uma vez perdidos continuam fazendo pesca sem nenhuma utilidade. E é um tipo de pesca que no fim das contas acaba gerando um grande nível de sofrimento animal e também impacto em mortes de várias espécies marinhas, tendo grande impacto aí em termos de bem-estar e conservação para as espécies dos nossos oceanos”, explica o biólogo João Almeida.

Almeida faz parte da ONG Proteção Animal Mundial, que lançou em dezembro passado o relatório “Maré Fantasma — Situação atual, desafios e soluções para a pesca fantasma no Brasil”, revelando que o problema está presente em 12 dos 17 estados da costa brasileira. Segundo a publicação, o primeiro diagnóstico nacional feito sobre a questão, o fenômeno afeta 69 mil animais todos os dias ao longo de toda a costa do país.

O biólogo explica que o problema do descarte irresponsável de materiais de pesca vai desde a pesca industrial até os pequenos pescadores. Essa situação é uma decorrência de uma falta de consciência ambiental, legislação específica, negligência governamental e também de conhecimento sobre os impactos causados pelo fenômeno.

“Grande parte do material de pesca que vai para os oceanos e fica perdido está relacionada a uma falta de consciência ambiental de quem realiza a pesca, e aí a gente pode incluir a indústria de pesca e também alguns pescadores tradicionais e artesanais”, ressalta o pesquisador.

A falta de conhecimento sobre o tema cria, segundo o pesquisador, uma necessidade de divulgação e educação geral para que haja maior cuidado com os materiais utilizados. Ele explica que, no entanto, isso não é suficiente, tendo em vista que a atividade no mar está sob o risco de diversas variáveis e é comum que decorra daí, também, a perda dos materiais que causam a pesca fantasma.

“Além da questão de consciência ambiental, a gente sabe que trabalhar no mar não é uma atividade fácil. O mar recorrentemente vira e entra em condições de difícil operação, então tem uma perda mesmo intrínseca ao fato do oceano ser um ambiente muitas vezes hostil para o trabalho”, lembra Almeida.

Mutilações e crueldade com os animais marinhos

A rede de pesca é provavelmente o material com maior nível de crueldade com os animais, explica o biólogo. Isso porque o equipamento é abrangente e arrasta tudo que estiver no caminho, fazendo uma “pesca inespecífica”, e afetando uma larga gama da diversidade da vida marinha.

Há dificuldades de estimativa de quantas espécias sofrem os impactos da pesca fantasma, mas o pesquisador cita casos de animais como as tartarugas, as baleias e os golfinhos, que precisam subir à superfície para respirar. Ele explica que além de mutilações, esses casos podem levar esses animais à morte por sufocamento.

Em outras situações, as mutilações causadas pelas redes podem fazer com o que os animais percam a capacidade de encontrar comida e morram em decorrência disso. Há também os animais que se emaranham nas redes e com isso atraem predadores que também ficam presos, em uma espécie de efeito cascata que chega a prender, inclusive, aves marinhas.

Segundo o biólogo, já há estudos que demonstram que entre determinadas espécies, o impacto da pesca fantasma chega a diminuir as populações em até 30%.

Estima-se que no mundo todo cerca de 640 mil toneladas de equipamentos de pesca sejam dispensadas anualmente. No Brasil a estimativa da ONG em que trabalha Almeida aponta para um descarte ou perda diária de 580 quilos desse tipo de ferramenta de trabalho. Animais como os tubarões, lagostas, pinguins e caranguejos estão entre as vítimas desse tipo de “lixo marinho”.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma”

Almeida explica que os governos têm poucas iniciativas em relação ao problema e que há uma necessidade do aumento da atuação desse setor. É preciso, segundo ele, que haja um aumento de investimentos na estrutura de pesquisa para que se identifique com mais clareza o problema, apontando os locais mais críticos e as possibilidades de ação.

“Daí então definir estratégias para a remoção desses materiais, para trabalhar mais próximo dos moradores da região litorânea, dos atores da indústria, dos pescadores artesanais, para que estes, principalmente nas áreas críticas, contribuam fortemente para a mudança que é necessária”, apela o pesquisador.

Uma das ideias em voga é a implementação de certificação e auditorias para que os produtos de pescado vendidos ao consumidor final, encontrados nos supermercados, tenham selos ou identificações de pesca responsável. Dessa forma o consumidor poderia optar por produtos cuja produção abrace a consciência ambiental em relação aos oceanos e seus animais.

O biólogo também aponta que o consumidor pode escolher, por ora, diminuir seu consumo de pescado a fim de contribuir com o meio ambiente, que seria menos impactado pela pesca no formato atual.

“O governo pode caminhar melhor na solução da pesca fantasma. O Brasil ainda engatinha nesse sentido, a gente conseguiu identificar isso muito bem no relatório Maré Fantasma — muito poucos estados com estrutura dedicada especificamente para mapear o problema da pesca fantasma”, destaca o biólogo.

Almeida destaca que São Paulo e Santa Catarina são os estados cujo trabalho nesse sentido se encontra em estado mais avançado, porém os outros estados ainda precisam de mais investimentos. Para João Almeida, só assim será possível criar um “grande diagnóstico nacional”, que vai subsidiar futuramente a elaboração de políticas públicas.

Primeiras ações desenham futuro melhor

Por outro lado, o Brasil tem demonstrado interesse em levar adiante a questão. Almeida destaca que, em 2018, pela primeira vez foi realizada no Brasil a reunião da Comissão Baleeira Internacional, na qual o país liderou uma inédita resolução contra a pesca fantasma.

“E o que significa essa vitória liderada pelo Brasil? Significa que de agora em diante a Comissão Baleeira Internacional vai precisar despender recursos financeiros e de equipe, de seus pesquisadores, para trabalhar no combate à pesca fantasma e reduzir o impacto desse tipo de pesca sobre as diferentes espécies de baleia ao redor do mundo”, comemora o pesquisador.

A exemplo da Comissão Baleeira Internacional e da própria Proteção Animal Mundial, João Almeida destaca o papel de organizações internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), que através da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), tem também apoiado o debate e ações de combate à pesca fantasma.

“Recentemente a gente teve um trabalho interessante de engajamento da ONU na agenda, que foi que, em julho, teve uma reunião da FAO, mais especificamente de seu comitê que discute a pesca. Nessa reunião, realizada em Roma, em julho [de 2018], nessa reunião, foi colocada para votação a proposta de que, daqui para frente, todos os materiais de pesca, como redes, cabos, linhas, já saiam da indústria com uma etiqueta em que seja possível registrar os dados do proprietário do equipamento de pesca e também que esses equipamentos já saiam das indústrias que os produzem com a marcação do tipo GPS”, informa o biólogo João Almeida.

A resolução da FAO foi aprovada durante a reunião e agora cabe à ONU trabalhar junto aos países para que a medida contra a pesca fantasma se torne parte da legislação mundo afora, e também da consciência dos cidadãos e das empresas.

Fonte: Sputnik

Alfândega chinesa prende quadrilha de contrabando de peixe em extinção

A alfândega chinesa anunciou recentemente os resultados de sua repressão à quadrilha de contrabando do peixe totoaba, em 2018.

Foto: Richard Herrmann

As investigações resultaram na prisão de 16 membros de gangues e na apreensão de aproximadamente 980 libras de bexigas de totoaba, o equivalente a um valor estimado em US $ 26,4 milhões .

O caso ainda está sendo apurado, mas descobertas preliminares revelam que a gangue criminosa, que operava em várias províncias chinesas, comprou ilegalmente as bexigas totoabas no Golfo da Califórnia , no México , e as transportou para vários países antes de chegar à China. Esta repressão é um dos casos mais bem sucedidos no combate ao contrabando de espécies ameaçadas de extinção .

Zak Smith , procurador sênior no Programa de Natureza do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC) disse em um comunicado, “O governo chinês está trabalhando duro para cumprir o seu compromisso de erradicar o comércio ilegal de totoaba na China. Esperamos que o governo mexicano implemente esforços vigorosos para combater o tráfico de totoaba. Precisamos desesperadamente de cooperação internacional para eliminar o comércio de tototaba, que está colocando em risco a vaquita, que hoje somam menos de 15 animais em todo o mundo.

Vaquita. Foto: Alamy

O pretexto medicinal 

Enfrentando a extinção, o totoaba é listada na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES) , o que significa que o comércio internacional do peixe  é proibido. Nativa no Golfo da Califórnia, no México, a totoaba é usada na culinária chinesa sob a falsa suposição de que poderia tratar problemas de saúde ou fornecer outros benefícios, como a fertilidade e vitalidade da pele.

As bexigas de natação de Totoaba são oferecidas para venda em Shantou, China. Foto: EIA

A pesca ilegal deste peixe no México também ameaça a vaquita , uma espécie rara de golfinho criticamente em perigo listada sob o Ato de Espécies Ameaçadas de Extinção, porque a vaquita se emaranha e morre nas redes usadas, originalmente, para capturar totoabas.