Foca grávida é encontrada morta com um tiro no coração

Foto: SWNS

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O corpo de uma foca grávida foi encontrado em um banco de lama de um rio na quinta feira última (5), autoridades da vida selvagem apuraram que o animal foi baleado no coração por um rifle.

A descoberta anterior dos corpos de outras duas focas grávidas nos remansos do Canal Walton, em Essex, na Inglaterra no início do ano, provocou indignação e um apelo público pedindo que seus assassinos fossem encontrados.

Suspeita-se que os animais foram mortos por pescadores que estavam com raiva das focas por elas estarem interferindo em sua pescaria.

Foto: SWNS

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Uma recompensa de £ 3.000 (cerca de 14 mil reais) também foi oferecida pela Sea Shepherd UK, uma ONG de conservação que visa prevenir e desencorajar a matança de focas.

Agora, o grupo voluntário Essex Marine Mammal Resgate e Pesquisa anunciou as descobertas de um post-mortem – ou necropsia – no corpo de uma das focas.

Um porta-voz do grupo disse: “Em janeiro, duas focas mortas foram encontrados com o que parecia ser ferimentos de bala. “Uma das focas foi levada para o Programa de Investigação de Encalhe de Cetáceos (CSIP) para uma necropsia a ser realizada.

Foi confirmado que todas as suposições sobre a morte das focas estavam de fato corretas.

Um relatório escrito por Rob Deaville da CSIP afirma: “Esta foca adulta estava em muito bom estado nutricional na morte e também estava grávida de um feto de dois a três meses.

Foto: SWNS

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“Foi relatado que ela encalhou no canal junto com outra foca e vários relatórios ligaram as mortes a tiros”.

“O exame constatou que a causa da morte era consistente com tiro, com uma única entrada da bala entre as nadadeiras”.

“A bala penetrou parte do coração e a borda do pulmão esquerdo. A bala foi recuperada durante o exame e parecia estar praticamente intacta”.

“O projétil foi provisoriamente identificado como sendo de uma arma calibre 22 e foi retida para análise”. Tony Haggis, que realiza tours pelos remansos dos canais de agua doce, encontrou as focas mortas na época.

Ele disse: “É tão triste, eu espero 12 meses para ver as mães focas darem à luz”.

“Acreditamos que quatro focas foram vistas mortos na água por pescadores, mas apenas duas foram encontradas mortas.

“Infelizmente eles não têm evidências de quem fez isso e o assunto esfriou.

Foto: Hugh Ryono

Foto: Hugh Ryono

“Mas uma vez que foi tornada pública a morte das focas, quem quer que tenha feito isso sabe que todo mundo está olhando e vigiando”.

Tony disse que atualmente aparecem muitos filhotes de focas mortos nos remansos dos rios, embora ele acredite que alguns nasceram prematuros e morreram, o que ele diz ser causado por pessoas que perturbam e incomodam as mães.

Ele acrescentou: “Eu tento dizer às pessoas para manter distância e não perturbá-las, é muito importante que elas possam descansar.

“É uma atitude de respeito.”

Um porta-voz da RSPCA disse: “Aplaudimos os esforços para tentar descobrir o que aconteceu com as focas e aguardamos que os criminosos sejam pegos o quanto antes”.

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Focas e leões marinhos ganham uma segunda chance na vida em hospital de mamíferos marinhos

Foto: jervisbaywild

Foto: jervisbaywild

Na cidade litorânea de San Pedro, no estado de Los Angeles (EUA) existe um porto seguro para dezenas de focas e leões marinhos no Marine Mammal Care Center.

Desde 1992, o hospital de resgate e reabilitação vem tratando mamíferos marinhos doentes e feridos que acabam ficando presos no litoral de 70 milhas (mais de 100 km) do condado de Los Angeles.

O hospital sem fins lucrativos trata principalmente elefantes marinhos, leões marinhos e focas.

“As vezes eles estão desnutridos, outras eles apresentam mordidas de tubarão ou uma lesão causada por linhas de pesca ou ainda podem estar presos em redes de pesca”, disse Jeff Cozad, diretor-executivo do Marine Mammal Care Center de Los Angeles.

Os mamíferos marinhos ficam, em média, cerca de três meses de reabilitação na instalação antes de serem devolvidos à natureza.

“A liberação de um animal saudável é o ápice do nosso trabalho. É o destaque”, disse Cozad. “Isso acontece quando o animal está livre de problemas médicos, tem o peso corporal adequado e se exercita o suficiente”.

O MMCCLA libera focas e leões marinhos saudáveis no White Point Royal Palms Beach, em San Pedro. Com a ajuda de 150 voluntários, o hospital trata cerca de 300 mamíferos marinhos todos os anos.

As pessoas são encorajadas a visitar o hospital e ver as focas e leões marinhos. Para mais informações, visite o site do hospital.

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Cerca de 100 milhões de tubarões são mortos em pescarias anualmente

Foto: linkedin.com

Foto: linkedin.com

Embora o tubarão carregue o falso estereótipo de ser uma espécie selvagem e perigosa, quase tudo o que as pessoas acham que sabem sobre os tubarões, na maioria das vezes, é falso, e a humanidade corre o risco de perder a presença desses belos animais completamente dos oceanos, antes mesmo de conhecê-los de verdade.

Esses animais incríveis existem no planeta há mais de 400 milhões de anos, muito antes dos seres humanos, e até mesmo antes das árvores evoluírem. No entanto, hoje, esses reis dos mares estão sendo discretamente aniquilados pelos oceanos, com cerca de 100 milhões deles sendo mortos em pescarias todos os anos.

Esse é um número enorme, grande demais para se crer nele o que requer uma contextualização. Ao longo de décadas e séculos, as pessoas capturaram e mataram tubarões, o que levou a declínios maciços em algumas espécies e levou muitos à extinção. Hoje, um quarto das espécies de tubarões e raias é considerado ameaçado de extinção e em oceano aberto essa taxa sobe para uma em cada três espécies.

Algumas populações foram tão gravemente afetadas que foram reduzidas em 99%.

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Parte disto é porque os tubarões são alvos de pesca para alimentação, ou apenas por suas barbatanas, mas uma grande quantidade é chamada de “captura acessória”, quando as espécies são acidentalmente capturadas e mortas em pescarias que tinham como alvo outra espécie.

As capturas acessórias (quando a espécie-alvo é outra) simplesmente não deveriam acontecer, mas as frotas implacáveis de barcos de pesca rondando indiscriminadamente o oceano, forma-se uma ameaça fenomenal à vida marinha, incluindo aves marinhas, tartarugas, tubarões, golfinhos e baleias.

Isso acontece porque redes enormes e linhas de anzóis com muitos quilômetros de comprimento cruzam o oceano para pegar peixes. Os tubarões, possivelmente procurando por comida, são pegos e arrastados a bordo com as redes e acabam morrendo.

Foto: Antony Dinckinson/AFP

Foto: Antony Dinckinson/AFP

Relatórios também descobriram que algumas pescarias atacam tubarões diretamente e, para piorar, muitas dessas espécies estão em extinção. O tubarão mako de barbatana curta (Isurus oxyrinchus), provavelmente o tubarão mais veloz do oceano, está sendo pescado até a extinção.

Um novo relatório do Greenpeace mostra que cerca de 25 mil desses animais foram mortos em 2017, um número incrivelmente alto, apesar de um claro alerta dos cientistas recomendando que nenhum tubarão da espécie seja pego ou morto sob nenhuma circunstância. Esses números são alarmantes e provam que tanto os oceanos quanto os tubarões estão sob séria ameaça.

No oceano os tubarões são os principais predadores, mas o verdadeiro predador do topo da cadeia que eles devem temer são os seres humanos. A pesca tem destruído repetidamente a vida selvagem em todo o mundo, levando algumas das mais icônicas criaturas oceânicas à beira do abismo – incluindo atum-azul, tartarugas marinhas, albatrozes e muitas, inúmeras espécies de tubarões também.

Foto: Mark Conlin/VW PICS/UIG

Foto: Mark Conlin/VW PICS/UIG

Quando se trata de leis de proteção ao oceano, o déficit é claro. Isso é ainda mais óbvio quando se trata de alto mar, as áreas fora da jurisdição dos países – que são basicamente o oeste selvagem, lugar sem lei para a vida selvagem.

Os cientistas calculam que pelo menos 30% dos oceanos devem ser protegidos como santuários seguros para a vida selvagem. Isso não é essencial apenas para uma vida marinha saudável e próspera, é também de grande importância para a sustentação de populações de peixes em todo o mundo e para permitir que os oceanos lidem com os impactos da mudança climática.

Este ano, os países estão discutindo um novo Tratado de Oceanos Globais nas Nações Unidas. Esse tratado pode, e deve, ser o primeiro grande passo para proteger os oceanos e toda a vida marinha. Mas questão também abrange a proteção da humanidade – porque dependemos dos mares para metade do oxigênio que respiramos, e para nos ajudar a lidar com o crise climática.

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Tartarugas morrem em SC e hipótese de afogamento é cogitada

Três tartarugas foram encontradas mortas em Barra Velha, no estado de Santa Catarina. A suspeita é de que elas tenham ficado presas em uma rede de pesca, o que pode ter causado um afogamento. Os animais marinhos foram colocados em cima de um pedaço de madeira na areia da Praia das Pedras Brancas, conhecida popularmente como Praia da Barrinha.

Foto: Arquivo Pessoal

Os corpos foram localizados na segunda-feira (24). A pesca feita perto das rochas aumenta a chance desses animais ficarem presos nas redes e acabarem morrendo afogadas. As informações são do NSC Total.

A morte das tartarugas foi constatada por equipes da unidade de estabilização de animais marinhos da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), que estiveram na praia. Da espécie verde, as duas mediam de 40 a 50 centímetros e tinham entre cinco e dez anos. Em fase juvenil, as tartarugas ainda estavam longe de entrar no período reprodutivo.

“Uma das hipóteses da causa da morte das tartarugas é o aprisionamento delas em rede de pesca ou captura acidental. Elas estavam com aspecto corporal bom e nenhuma evidência de doenças”, explica Jeferson Dick, coordenador da unidade de estabilização Univali.

Segundo ele, dificilmente animais com aparência saudável morrem devido a doenças, por isso a hipótese de afogamento é considerada. O estrangulamento das nadadeiras, ocasionado por linhas de pesca, também pôde ser visto nos corpos dos animais.

“Além das pesca, nós temos outros fenômenos que causam a morte, como a presença de lixo no mar. Atendemos tartarugas caquéticas que ingeriram lixo e não conseguem mais se alimentar direito, por exemplo”, ressalta o coordenador.

Dick lamentou a morte de tartarugas tão jovens. “Elas teriam uma longa história de vida, é sempre um dano enorme perder esses animais ainda jovens, extinguindo a chance de reprodução e assim perpetuar a espécie”, diz.

A tartaruga verde, segundo o especialista, é uma espécie ameaçada de extinção. E casos como o registrado em Barra Velha, costumam ser registrados com muitos outros animais em fase juvenil.

No caso daqueles que são resgatados com vida, um processo de reabilitação é realizado por membros do grupo de estabilização, seguindo protocolos para, por exemplo, reverter situações de afogamento. Até que estejam totalmente recuperadas e prontas para retornar à natureza, as tartarugas permanecem em tanques na unidade.

Quando já estão saudáveis, elas são transferidas para o Projeto Tamar, em Florianópolis, para que sejam soltas no habitat. Durante todo esse processo, as tartarugas recebem anilhas com numerações diferentes que ajudam na pesquisa e na conservação das espécies.


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Animais do Pantanal estão sob ameaça da caça

O Pantanal, um dos biomas mais conservados do mundo, localizado em parte do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, tem apenas um fiscal a cada 204 km² para combater crimes ambientais, o que coloca a natureza e os animais em risco.

Casos de jacarés assassinados, pesca em local proibido e uso de apetrechos vetados foram flagrados durante um percurso feito pela reportagem em parte dos dois estados. Nestes casos, não havia fiscalização nos locais ou os fiscais chegaram após a ocorrência do crime.

Pantanal tem um fiscal a cada 204 km² (Foto: Eduardo Palacio/G1)

A área que abriga animais como ariranhas, onças-pintadas – que estão ameaçadas de extinção, araras, tuiuiús, jacarés e outras centenas de espécies, tem apenas 737 policiais e servidores para vigiar 150.100 km².

Para ficar expor de melhor forma a negligência que o meio ambiente tem sofrido devido à baixa fiscalização, basta comparar o número de servidores do Pantanal com o do Sistema de Parques Nacionais dos Estados Unidos, onde há 20 mil profissionais para 340 mil km², o que representa uma média de um servidor para cada 17 km².

A fiscalização e a punição de crimes ambientais no Brasil, especialmente quando não há flagrante, é uma dificuldade. Prova disso é o caso das onças-pintadas e outros animais caçados em 2011, em um safári, que ainda se arrasta na Justiça, com a maior parte das acusações já prescritas. As informações são do G1.

A dificuldade de acesso para as autoridades a locais que conservam a maior biodiversidade e servem de santuário para peixes durante a fase de crescimento das espécies também é um problema. O paradoxo, no entanto, é que turistas hospedados em barcos-hotéis costumam passar dias nessas regiões. Com pouca ou nenhuma fiscalização por perto, esses turistas podem, em questão de minutos, ultrapassar a fronteira entre o que é permitido e o que é proibido nessas áreas.

Como as chances de condenar os criminosos na esfera penal são pequenas, as autoridades tentam puni-los nas esferas administrativa e cível, com multas e compensações financeiras que são revertidas em equipamentos de fiscalização.

Novas medidas

Para tentar coibir crimes ambientais, medidas estão sendo tomadas – algumas mais eficazes e éticas, outras nem tanto.

Mais de 80 mil licenças de pesca amadora foram emitidas pelo MT e pelo MS em 2018 (Foto: Eduardo Palacio/G1)

Em relação aos peixes, o estado do Mato Grosso do Sul aprovou uma legislação denominada “Cota Zero”, que impede que pescadores amadores e desportivos capturem peixes nos rios do estado e os transporte. Seria uma boa medida, que garantiria proteção aos animais, caso não houvesse brechas antiéticas nela. Isso porque a lei impede apenas o transporte desses peixes. Pescadores que quiserem consumi-los no local, podem pescá-los normalmente, causando a eles intenso sofrimento por meio da morte por asfixia. Além disso, a medida também mantém autorização para realizar o pesque e solte, prática que trata peixes como objetos de entretenimento humano, causando-lhes sofrimento desnecessário apenas para divertir os pescadores.

No caso das onças, o turismo de observação, que tende a ser expandido, aliado ao trabalho feito por pesquisadores, tem gerado emprego e renda e valorizado a manutenção dos animais vivos.

No entanto, os jacarés, assim como os peixes, não recebem a mesma proteção que as onças. Para evitar a caçada a esses animais, que na década de 1980 foram mortos aos milhões, a decisão foi substituir a prática da caça pela da criação em cativeiro para comércio de pele e de carne – isso é, a medida escolhida nesse caso troca uma forma de crueldade por outra, sem impedir que os jacarés continuem a ser explorados e mortos.

A situação, no entanto, pode piorar. Isso porque projetos de lei, que tramitam no Congresso Nacional, tentam liberar a caça a animais silvestres, o que é criticado por ativistas e moradores locais.

Número de fiscais

O levantamento feito pelo G1 leva em conta o númer máximo informado por órgãos do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, não apenas do bioma Pantanal. Para a coleta dos dados, foram utilizadas informações da Polícia Militar Ambiental (PMA), do Instituto Chico Mendes (ICMBio), de fontes internas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), da equipe do Juizado Volante Ambiental (Juvam), órgão da Justiça de Mato Grosso, e das secretarias de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso do Sul (Semade). Confira, abaixo, os números relacionados a quantidade de fiscais nos dois estados:

  • Polícia Militar Ambiental-MT: 190 policiais em todo o estado
  • Política Militar Ambiental-MS: 360 policiais em todo o estado
  • Ibama-MT: 56 servidores com poder de fiscal
  • Ibama-MS: 16 servidores com poder de fiscal
  • Estação Ecológica de Taiamã: 4 servidores com poder de fiscal
  • Parque Nacional do Pantanal Matogrossense: 3 servidores (sendo 2 com poder de fiscal)
  • Juvam: 2 policiais ambientais, 2 oficiais de justiça e 2 servidores
  • Sema-MT: 108 servidores com poder de fiscal

Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (Foto: Eduardo Palacio/G1)

Quando se considera apenas os servidores lotados no Pantanal, o número é três vezes menor. O que faz com que fiscalizações planejadas com antecedência, como as realizadas neste feriado de Corpus Christi, tenham que contar com reforços de autoridades de outras localidades – como é o caso do Ibama, que conta com o apoio de servidores de outros estados em suas operações.

De acordo com a Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul (PMA-MS), diversas embarcações de pescadores foram fiscalizadas no período, mas apenas uma foi autuada e 25 kg de peixe foi apreendido.

Quase 100 mil pescadores amadores e profissionais cruzam, segundo estimativadas, os rios do Pantanal durante os oito meses em que a pesca é liberada.

De acordo com os policiais, os profissionais cometem, com mais frequência, a infração do uso de redes e outros itens proibidos. No caso do pescadores amadores, que vão ao local para realizar o cruel “turismo de pesca”, a principal ilegalidade cometida é a pesca de peixes fora dos tamanhos permitidos. Mesmo quando agem dentro da lei, qualquer pescador realiza ações que prejudicam a natureza e os animais, já que a legislação é especista – isso é, defende a ideia de que o ser humano pode explorar, causar dor e sofrimento e matar animais sencientes.

Lamentavelmente, o Pantanal é o principal destino de pescadores que pescam peixes apenas para entretenimento humano. De maneira sádica, eles fazem o que erroneamente é chamado de “pesca espotiva” – o erro, obviamente, está em classificar essa prática cruel como esporte. Em 2018, mais de 80 mil carteiras de pesca para turistas amadores foram emitidas no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Em julho, um festival internacional de pesca será realizado em Cáceres (MS) e já conta com 5 mil participantes inscritos. Nos dois estados, há 14.413 pescadores profissionais com cadastro ativo.

Com tamanho contingente de pescadores, a falta de fiscalização eficiente condena ainda mais a vida dos animais que, como se não bastasse serem pescados legalmente, também correm o risco de serem submetidos a crueldade ainda maiores – essas ilegais -, por meio, por exemplo, do uso de apetrechos proibidos.

As duas companhias da PM Ambiental que respondem pela maior área do Pantanal são a de Cáceres e de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Em maio, as duas tinham, respectivamente, apenas 21 e 14 policiais.

“Eu consigo colocar em regime de escala de dois a três policiais num período de 24 horas para fiscalizar essa região imensa”, afirmou o capitão Roosevelt Barros da Silva Junior, comandante da 4ª Companhia da PMA-MT. “Para funcionar bem, eu teria que ter umas duas equipes de dois a três policiais por dia”, completou.

Segundo o capitão, a companhia perdeu 12 policiais apenas em 2017. “No ano de 2018 nós perdemos mais três. Com esse receio de reforma da Previdência, muitos que ainda não tinham o tempo integral, passaram para a reserva remunerada”, disse. O número tem sido reposto, segundo Silva Junior, mas ainda não alcançou os índices de 2016.
As ações de fiscalização em Mato Grosso também contam com o apoio do Juizado Volante Ambiental (Juvam) da Justiça estadual de Cáceres. De acordo com a juíza Hanae Yamamura de Oliveira, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ao qual o Juvam está vinculado, a expectativa era de que o grupo tivesse mais três policiais ambientais, e não apenas os dois atuais.

Jacaré morto boiando no Rio Paraguai (Foto: Eduardo Palacio/G1)

O soldado Eder Prado, que é um desses policiais ambientais, conta que uma norma da PM exige que um policial sempre atue ao lado de outro. Por essa razão, os dois passam os dias úteis no Fórum de Cáceres, no horário de funcionamento do local, mas também têm que estar prontos para atender operações fora desse horário, em caso de necessidade.

“Nós temos uma lancha, uma caminhonete se precisar no serviço terrestre. Drone não temos, já fizemos o pedido, mas não chegou ainda”, afirmou. “Se a gente precisar passar uns dias a mais dentro do mato, tem um gerador. Uma condição mínima para a gente. Poderia ter uma melhor, mas a gente fica até meio constrangido de pedir mais aparelhos, sendo que o efetivo é tão pouco que a gente não vai conseguir utilizar tudo”, completou.

O drone facilitaria a busca por infratores sem que eles percebam que estão sendo vistos, explicou o segundo o capitão Diego Ferreira, da 4ª Companhia da PMA-MS em Corumbá. No entanto, o aparelho também desfavorece o trabalho de fiscalização porque os pescadores se comunicam por rádio ou telefone para avisar quando a polícia chega ao rio.

Para inibir os criminosos, segundo Ferreira, é preciso que sejam feitas mais ações de fiscalização, porque assim os infratores evitam correr o risco de serem pegos e terem seus barcos e equipamentos apreendidos.

Esfera administrativa

De acordo com o governo de Mato Grosso do Sul, vários órgãos atuam de forma conjunta, na esfera estadual da área administrativa, na fiscalização de crimes ambientais. A Semade é um deles, além do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), que é ligado à secretaria e atua em convênio com a Polícia Militar Ambiental do estado, especialmente para investir recursos financeiros nas operações e realizar fiscalizações de forma direta.

Uma superintendência de 108 servidores fazem operações de fiscalização no estado do Mato Grosso, segundo o governo. Na esfera federal, os crimes são combatidos pelo Ibama e pelo ICMBio.

Unidades de conservação sob ameaça

Duas unidades de conservação do ICMBio integram o território de mais difícil acesso no Pantanal, onde a pesca é proibida em qualquer período do ano e a multa para quem praticá-la é o dobro da aplicada nas demais áreas dos rios pantaneiros.

O local, no entanto, está sob ameaça devido à falta de fiscalização. Com 11,5 mil hectares, ou 115 km², a Estação Ecológica de Taiamã conta com apenas quatro servidores que trabalham como fiscais e também atuam nas demais funções administrativas. No Parque Nacional do Pantanal Matogrossense a situação não é diferente. No local, com 135 mil hectares, o que representa cerca de 1.350 km², há apenas três servidores, sendo dois fixos e um cedido, que não trabalha como fiscal.

“O procedimento é uma equipe mínima de três fiscais para realizar uma operação de fiscalização, e a nossa equipe ainda não tem esse número. Então a gente depende de apoio de parceiros ou das outras unidades para realizar as operações”, diz Nuno Silva, chefe do Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.

Nos dois casos, os servidores do ICMBio são mantidos na cidade e dois funcionários terceirizados ficam em tempo integral nas sedes das unidades. Para acessá-las, a viagem pode levar entre três e mais de dez horas. De acordo com os chefes, em todas as operações é comum encontrar infratores ambientais, especialmente no que se refere à pesca.

Na Estação Ecológica de Taiamã, sete multas foram aplicadas em 2018, alcançando um valor de R$ 5,6 mil e outras três neste ano, no valor de R$ 6 mil.

Jacaré nadando no Rio São Lourenço, conhecido também como Rio Cuiabá (Foto: Eduardo Palacio/G1)

Entre as ilegalidades flagradas em Taiamã, está o caso de um jacaré encontrado morto no Rio Paraguai em 16 de maio deste ano. O motivo mais comum da caça ao jacaré no Pantanal, segundo as autoridades, é a retirada da cauda dele, única parte usada para consumo humano.

Sob condição de anonimato, moradores locais afirmaram ao G1 que a caça ao animal costuma ser motivada por turistas que subornam pilotos de barcos para matarem o jacaré e cortarem a cauda dele para consumo.

No entanto, dificilmente o responsável por matar o jacaré no Rio Paraguai será punido, já que casos como esse são difíceis de punir quando não há flagrante. Já crimes como desmatamento e poluição são mas difícies de esconder da fiscalização.

Outro caso que ilustra a dificuldade de punir esses crimes é o da denúncia de uma onça encontrada boiando, morta, no Rio Bracinho, afluente do Paraguai em Mato Grosso. “Quando a gente foi lá, a gente não achou [a carcaça da onça]. Mas é uma informação, ele não tinha por que mentir pra gente”, explicou Kantek. Após apuração feita em acampamentos de pescadores, os fiscais apreenderam uma arma de fogo, que foi encaminhada à Polícia Civil.

“Só que essa onça não foi resgatada, não foi periciada para saber qual a causa da morte desse animal”, explicou Wilson Souza Santos, delegado responsável pela investigação, que atua no Centro Integrado de Segurança e Cidadania (Cisc) em Cáceres, localizado a mais de 200 km do ponto onde a onça foi encontrada.

“Então, vai restar mesmo nós investigarmos, neste caso específico, a questão da posse da arma”, explicou Souza Santos. “É difícil investigar, né. Você vê uma onça morta, você vai sondar, perguntar, mas ninguém fala nada. Porque as pessoas sabem que é um animal em extinção, que pode ir preso. Ninguém fala nada”, disse Daniel Kantek, da Estação Ecológica de Taiamã.

Há casos, porém, em que se encontra o corpo do animal, mas não o responsável por matá-lo, como aconteceu em Mato Grosso do Sul, no dia 12 de junho, quando a Polícia Rodoviária Federal encontrou uma onça morta nas margens da BR-262, a 140 km de Cuiabá. O animal tinha sinais de ferimentos feitos por arma de fogo. De acordo com as autoridades, não é raro que caçadores deixem onças mortas em estradas para parecer que foram mortas devido a um atropelamento acidental. A polícia foi acionada, mas não encontrou o corpo da onça. O caso é investigado, assim como o da onça morta no Rio Bracinho – ambos não tinham suspeitos identificados até a segunda-feira (24).

Crimes podem prescrever

Como as penas por caça e pesca não chegam a quatro anos de detenção, elas prescrevem mais rapidamente. Além disso, a prisão pode ser revertida em penas alternativas, como prestação de serviços comunitários ou pagamento de indenização.

Desta forma, mesmo com inquérito concluído e denúncia do Ministério Público, os casos podem prescrever, deixando os criminosos impunes, como aconteceu com caçadores que praticaram um safári matando onças-pintadas em 2011 em uma propridade privada com status de reserva de proteção ambiental.

O crime envolveu até a Polícia Federal, devido à presença de estrangeiros entre os infratores, e sete pessoas se tornarem rés na Justiça. Oito anos depois, o caso ainda não chegou à fase de oitiva das testemunhas e dois réus tiveram os crimes prescritos e não podem mais ser julgados.

No último dia 17, a prescrição da maior parte das acusações dos demais réus também foi determinada pela Justiça. A proprietária da fazenda, por exemplo, responde atualmente apenas por porte ilegal de armas e munições.

Polícia Ambiental comprou barco-hotel com dinheiro de indenizações ambientais (Foto: Eduardo Palacio/G1)

O promotor do Ministério Público Estadual em Campo Grande, Luciano Loubet, considera a esfera penal nesses casos pouco efetiva. Por essa razão, a acusação usa acordos de compensação financeira em troca da extinção do processo, numa tentativa de evitar a impunidade e a reincidência.

“O Ministério Público em alguns casos utiliza a parte cível dessa indenização ambiental para atingir no bolso das pessoas”, explicou Luciano Loubet, do MPE-MS. Esses acordos já levaram ao pagamento mensal, em dinheiro vivo, de R$ 170, para gastos pontuais, caso de uma condenação favorável à Estação de Taiamã, até a compra de um barco-hotel para a 4ª Companhia da PMA de Corumbá.

Conscientização

O biólogo e perito ambiental Ednilson Paulino Queiroz, que trabalha há mais de 20 anos na Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, afirma que reforçar o efetivo e os equipamentos para combater crimes e aprimorar as ferramentas para punir os criminosos são pontos positivos, mas que não reparam o dano causado à natureza.

Segundo Queiroz, o ideal é que a polícia chegue ao infrator antes da prática do crime. “Os trabalhos de inteligência são a base da prevenção”, diz o tenente-coronel.

O perito ambiental reforça ainda a importância da conscientização. “A gente não tem a pretensão de que os crimes ambientais vão acabar, até por causa da ganância do ser humano. Mas quando faço educação ambiental, eu mudo a cultura, para que essas pessoas que vão tomar decisões dali a bem pouco tempo tomem decisões mais acertadas do que [as que] foram tomadas até agora”, diz o tenente-coronel Queiroz.


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Mais de 600 mergulhadores se unem para coletar lixo do oceano

Foto: Livekindly

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Mais de 600 mergulhadores quebraram um recorde mundial participando de uma limpeza no fundo do oceano em Deerfield Beach na Florida (EUA).

Ao todo seiscentos e trinta e três mergulhadores se reuniram na semana passada para coletar o lixo do fundo do oceano próximo ao pier de Deerfield Beach International.

O juiz da Guinness (Livro dos Recordes), Michael Empric, viajou de Nova York até o estado da Flórida para conduzir o número oficial de funcionários. “Eu realmente fiquei lá e conferi todos quando entraram na água”, disse ele a Sun Sentinel.

Os mergulhadores foram obrigados a permanecer na água por pelo menos 15 minutos para serem contados.

Redes de pesca no fundo do mar

A mergulhadora de 13 anos, Dahlia Bolin, estava entre o time, acompanhada por sua mãe, Rebecca. As duas par vieram de outro estado para participar da coleta.

Bolin disse que entre os “peixes realmente lindos” no fundo do mar, há “muito lixo e porcaria lá embaixo também”. Ela levantou uma grande placa de metal descartada, do fundo do oceano.

A quantidade exata de lixo coletado é difícil de estimar, no entanto, o mergulhador e ecologista RJ Harper – que ajudou a recrutar pessoas para a limpeza – disse que os mergulhadores recuperaram 1600 libras de pesos de pesca de chumbo (usados para segurar as redes no lugar), deixados para trás pelos pescadores.

“Todas as vezes que a linha é pega, ou seja que eles pescam um peixei, eles nunca pensam nas consequências disso, nem na atitude covarde de tirar a vida do peixe nem no descarte correto do material, simplesmente deixam tudo lá no mar”, disse Harper ao jornal Sun Sentinel.

Foto: Livekindly

Foto: Livekindly

“Obviamente, o lixo foi coletado, mas a beleza disso tudo é que 633 mergulhadores se uniram para essa ação conjunta, fomos capazes de fazer uma limpeza completa”.

O peso total do lixo coletado está sendo contabilizado ainda, mas os mergulhadores retiraram pelo menos 60 quilos de linha de pesca do mar, informou a CNN. O grupo de conservação do oceano Project AWARE prevê que os participantes tenham coletado cerca de 3.200 quilos de lixo.

O juiz da Guinness Empric disse que o esforço foi “incrível”.

O recorde anterior para uma limpeza subaquática incluiu 614 mergulhadores e ocorreu no Mar Vermelho, no Egito, em 2015. A equipe levou 24 horas para ser concluída, enquanto o evento da Flórida levou apenas duas.

“Não importa o que aconteça hoje com o Guinness World Records”, disse Empric. “O que realmente importa é que todo mundo está lá fora, limpando o píer e tentando melhorar a comunidade.”

A cidade garantirá que todo o lixo seja descartado de forma responsável.

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Administração Trump anuncia plano de expandir acesso para caça e pesca nas reservas americanas

Foto: Getty Images

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Tentando camuflar-se sob a bandeira da tradição de caça americana, o governo pretende abrir partes das reservas da vida selvagem àqueles que tem intenção de matar os animais, que ali estão justamente para serem protegidos desse tipo de investida covarde.

Em mais uma de seus diversos movimentos contra os animais a administração Trump agora anuncia um plano para ampliar ainda mais o acesso para caça e pesca às terras federais protegidas. O plano visa aumentar o acesso a 1,4 milhão de acres de terras públicas em 74 refúgios de vida selvagem e 15 incubadoras protegidas de peixes.

O governo também alega que planeja atualizar os regulamentos de caça e pesca em refúgios nos EUA para adequar-se melhor às regulamentações estaduais, disse o secretário do Interior dos EUA, David Bernhardt, em um comunicado semana passada.

Bernhardt tenta defender a iniciativa covarde alegando que a medida trata-se de um compromisso do governo em dar às pessoas mais acesso a “atividades esportivas”, segundo Bernhardt, a falta de acesso às reservas é uma das razões mais comuns pelas quais as pessoas não participam de atividades ao ar livre.

O departamento do interior do país disse que caça, pesca e outras atividades ao ar livre contribuíram com mais de 156 bilhões para a economia em 2015, evidenciando espontaneamente a importância do lucro na tomada da decisão.

É preocupante e triste que chefes de estado como Bernhardt e a vice-diretora-chefe do departamento, Margaret Everson, defendam a caça e da pesca como uma tradição a ser transmitida entre as famílias de geração em geração. Foi graças a esse tipo de valores que o planeta chegou ao estado de exaustão em que se encontra atualmente.

Valores como compaixão, conscientização, amor a toda vida, respeito e igualdade sejam relegados ao segundo plano em comparação com os lucros que a morte pode trazer aos cofres públicos.

O anúncio porém segue uma crescente de ofensivas contra o meio ambiente e acontece na esteira das medidas que administração Trump tem revertido em relação às políticas de conservação da era Obama.

No mês passado, o governo anunciou planos para substituir as barreiras por 100 milhas da fronteira sul da Califórnia e do Arizona, inclusive por meio de um monumento nacional e um refúgio de vida selvagem, que os ambientalistas alertam severamente prejudicial à vida selvagem.

No verão passado, funcionários do governo anunciaram planos para limitar algumas proteções a espécies ameaçadas e propuseram uma nova regra para reduzir o número de áreas úmidas sob proteção federal, que são vitais para a qualidade da água do país.

Em maio, as Nações Unidas divulgaram seu primeiro relatório abrangente sobre a biodiversidade, que descobriu que o risco de extinção atualmente se aproxima de mais de 1 milhão de espécies de plantas e animais.

De acordo com o relatório, a perda de espécies está acelerando a uma taxa dezenas ou centenas de vezes mais rápida do que no passado, com a pesca sendo uma das cinco principais maneiras pelas quais as pessoas estão reduzindo a biodiversidade.

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Cientistas alertam que haverá mais plástico que peixes nos oceanos em 2050

Foto: Getty

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Não há como negar que a poluição plástica é uma das maiores ameaças aos oceanos do planeta – os cientistas agora advertem que, a menos que sejam realizadas mudanças urgentes, haverá mais plástico do que peixes nos mares até 2050.

Muitos países pelo mundo proibiram o uso de sacolas plásticas ou passar a desestimular seu uso por meio de cobranças de valores. No Reino Unido por exemplo, um ano após o governo introduzir a legislação forçando grandes varejistas a cobrar por cada sacola plástica, os sete maiores supermercados do bloco de países distribuíram mais de 6 bilhões de sacolas a menos.

Mais iniciativas se juntaram ao movimento do governo, a especialista em alimentos congelados “Iceland” prometeu remover todas as embalagens plásticas de sua linha até 2023, e uma proibição oficial de canudos de plástico – que muitas empresas já abandonaram em favor das de papel – junto com paletes plásticos de mexer café e cotonetes de plástico entrarão em vigor em Abril de 2020, segundo informações do jornal The Mirror.

Todos estes são passos na direção certa, mas ao abordar essa questão urgente, contudo, itens como canudos e sacolas plásticas são apenas a ponta do iceberg. Medidas efetivas para conter a poluição plástica que está tomando conta dos oceanos e matando a vida marinha, envolveriam uma mudança na alimentação banindo bacalhau e atum e demais peixes da dieta alimentar.

Essa afirmação esta baseada no fato comprovado de que a pesca e o lixo que ela gera causam muito mais danos à vida selvagem do que os canudos ou sacolas de plástico. É fácil entender por que itens menores de plástico estão sob fogo – ninguém que tenha visto o vídeo de um canudo sendo puxado para fora da narina de uma tartaruga marinha ou um golfinho enroscado em um sacola plástico jamais conseguirá esquecê-lo.

Mas, de acordo com Adam Minter, autor do livro Junkyard Planet: Travels in the Billion-Dollar Trash Trade (Planeta do Lixo: Viagens pelo comércio de lixo de bilhões de dólares, na tradução livre), “mesmo que todos os lixos de canudos de plásticos deixados nas praias pelo mundo caíssem nos oceanos, elas representariam cerca de 0,03% das 8 milhões de toneladas métricas de plásticos que entram nos oceanos em um determinado ano’.

E apesar da redução no uso de sacolas plásticas no Reino Unido, a quantidade total de poluição marinha por plásticos permaneceu igual, principalmente devido a um aumento nos detritos oriundos da pesca. Tartarugas marinhas e outros animais são muito mais propensos a serem prejudicados por redes de pesca perdidas, abandonadas e descartadas do que por outros resíduos de plástico.

Cientistas afiliados ao The Ocean Cleanup, um grupo que trabalha para reduzir a poluição plástica, determinaram que, em peso, as redes de pesca compõem pelo menos 46% do plástico da Great Pacific Garbage Patch, uma pilha flutuante de lixo que é três vezes maior que a França.

Armadilhas de enguia, cestos, cordas e outros equipamentos de pesca abandonados, também conhecidos como “engrenagem fantasma”, compõem a maioria do resto do lixo. Cerca de 640 mil toneladas de equipamento fantasma entram nos oceanos do mundo a cada ano e podem mutilar e matar animais marinhos ainda por muitos anos depois.

É uma morte horrível. Os animais que se emaranham e se enroscam em armadilhas pesadas de pesca e podem se afogar, morrer exaustos depois de semanas lutando para se libertar, ou morrer de fome lentamente se o lixo plástico estiver alojado em suas bocas ou estômagos e impedi-los de se alimentar. No mês passado, uma foca presa em uma enorme massa de redes de pesca e outros lixos foi avistada na costa da Cornualha.

Após os socorristas não conseguirem localizá-la viva, seu corpo acabou sendo levado para uma praia próxima, embrulhado em 35 quilos de plástico. “Este animal sofreu uma morte prolongada e torturante, não há dúvida disso”, disse um voluntário que inspecionou o animal.

Um destino semelhante recai sobre milhões de outras focas, tartarugas, baleias, golfinhos, tubarões, pássaros e outros animais.

Os seres humanos que consomem peixe também estão em risco, recentemente um estudo descobriu que o consumidor médio de “frutos do mar” inconscientemente come 11 mil pedaços de micro plásticos a cada ano.

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Nelson Barbudo (PSL) quer mais apoio do governo para a pesca esportiva

Por David Arioch

“A pesca do tucunaré-açu atrai pescadores esportivos de todo mundo” (Foto: Agência Câmara)

Na semana passada, o deputado Nelson Barbudo (PSL-MT) protocolou o Projeto de Lei (PL) 2877/2019, que propõe alterações na lei de Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca com o objetivo de beneficiar os praticantes da pesca esportiva.

Barbudo defende que a biodiversidade de peixes e a variedade de ambientes de pesca (bacias hidrográficas, lagos, reservatórios de hidrelétrica e mais de oito mil quilômetros de costa) confere ao Brasil um enorme potencial para atrair pescadores do mundo inteiro.

“A atividade carece, entretanto, de apoio governamental e normas específicas que possibilitem a plena organização do segmento”, afirma.

O deputado do PSL afirma que a diferenciação dos conceitos de pesca amadora e pesca esportiva na Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca é essencial para a posterior regulamentação específica da pesca esportiva.

“Como exemplo, citamos o Estado do Amazonas, no qual a atividade de pesca esportiva movimenta cerca de R$ 70 milhões ao ano, sendo cerca de R$ 10 milhões apenas no município de Barcelos, onde a pesca do tucunaré-açu atrai pescadores esportivos de todo mundo”, argumenta.

Botos continuam sendo mortos e usados como iscas de pesca no Brasil

Por David Arioch

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização (Foto: WAP)

No Brasil, botos continuam sendo mortos para serem usados como isca de pesca da piracatinga, uma espécie de peixe que ganhou valor comercial principalmente nos últimos dez anos.

Endêmico da Amazônia, o que facilita a matança de botos é a ausência de fiscalização, ainda que seja um animal protegido pela legislação brasileira desde 1987.

Normalmente arpões e redes são utilizados na captura e na morte dos botos, e o que intensifica a preocupação é que se trata de um animal dócil com capacidade de viver até 30 anos e com baixo índice de reprodução.

Após o abate, pedaços de botos são colocados em caixas que funcionam como pequenos currais fluviais, que atraem as piracatingas, que costumam se alimentar de restos de outros animais. Então é feita a captura e o abate dos peixes visados comercialmente.

Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente estabeleceu uma moratória para tentar acabar com a pesca de piracatinga. No entanto, tudo indica que não foi o suficiente para coibir, de fato, a matança de botos.

E uma prova dessa ineficiência é que no último dia 11, de acordo com a Portaria nº 19/2019, publicada no diário eletrônico do Ministério Público Federal (MPF), o procurador da República Valdir Monteiro Júnior solicitou envio de ofício ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pedindo documentos comprovando a instalação de bases de fiscalização onde os botos são vulneráveis.

“Informe se já existe algum tipo de cooperação para a fiscalização com outros órgãos públicos ambientais (federais, estaduais ou municipais), empresas privadas ou organização não governamental ou forças armadas acerca do enfrentamento da matança de botos-vermelhos na Amazônia para servirem de iscas para a pesca maciça e ilegal da espécie da piracatinga”, cobra em trecho da portaria.

Além disso, a piracatinga, que tem sua pesca associada à matança de botos, é um peixe apontado como tendo alta concentração de mercúrio no organismo. E por esse motivo em 2017 o governo colombiano proibiu a comercialização da espécie após resultados de análises feitas pela Universidade de Los Andes.