Mortalidade aumenta a taxa de mortalidade entre porcas nos EUA

Porcas passam a vida toda em caixas de reprodução | Foto: Andia/Getty Images

Porcas passam a vida toda em caixas de reprodução | Foto: Andia/Getty Images

Porcas exploradas pela indústria de criação passam a vida inteira presas em locais apertados, mal conseguindo se movimentar, em pé o tempo todo, em condições não naturais. Elas são mantidas em caixas específicas para reprodução e parto, apenas com o objetivo de procriar até não suportarem mais, e quando chega esse momento são mortas e substituídas por outras mais jovens.

Dada a velocidade com que têm subido essa taxa de mortalidade de porcas nos EUA, especialistas estão preocupados com o impacto na espécie. Estima-se que sejam mais de três milhões de porcas exploradas para reprodução no país.

A taxa de mortalidade subiu de 5,8% para 10,2% em fazendas de criação que possuem mais de 125 porcas entre 2013-2016, segundo informações de uma organização que coleta dados em 800 empresas.

Os números estão ligados a um aumento preocupante do prolapso, que seria o colapso do reto, da vagina ou do útero do animal. Em alguns casos, o prolapso é fatal. Em outros, a porco acaba sendo eutanasiada. Algumas fazendas não admitem o aumento, mas um relatório do ano passado descobriu que algumas delas possuíam altos índices de prolapso, causando entre 25% e 50% das mortes de porcas.

A Associação Americana de Veterinários de Suínos criou um grupo de trabalho para estudar exclusivamente como lidar com o prolapso em porcas, mas suas descobertas até agora foram inconclusivas. Em abril, o National Pork Board anunciou uma pesquisa de longo prazo em colaboração com o Iowa Pork Industry Center da Iowa State University, projetado para obter uma ampla visão do problema. Iowa (EUA) é o maior produtor de carne suína do país. O estudo, que ainda está em andamento, tem como objetivo coletar dados detalhados de 400 mil porcas – ou cerca de 13% das 3 milhões de porcas exploradas em cativeiro do país – em mais de 100 fazendas em 16 estados.

Várias causas possíveis para o problema foram sugeridas, incluindo deficiência de vitaminas, microtoxinas na ração, dietas de alta densidade ou problemas abdominais. Alguns especialistas culpam os sistemas de confinamento na criação intensiva – as porcas gastam uma grande porcentagem de suas vidas em caixas de gestação e parto que não permitem que elas se movimentem. Práticas “modernas” de criação também têm sido sugeridas como um fator causal.

A Indústria de criação se recusa a comentar a acusação, mas alguns reconheceram que estão tendo que lidar com a questão. “É um tópico em nossas reuniões, tanto nos corredores quanto nas salas de reunião”, disse Tom Burkgren, diretor executivo da Associação Americana de Veterinários Suínos, um grupo referência para veterinários em todo o país.

Estima-se que 97% dos 73 milhões de porcos dos EUA sejam criados em ambientes isolados e fechados ou em operações de alimentação em confinamento, condições cruéis. Nesses sistemas, as porcas geralmente vivem a maior parte de suas vidas em caixas de gestação ou parto que não permitem que elas se levantem ou se virem. Nessas condições, a porca dá em média a luz a 23 leitões por ano – ou dez por ninhada. Depois de duas a quatro ninhadas, a maioria das porcas tende a ser substituída por fêmeas mais jovens que podem produzir filhotes a uma taxa mais alta.

A indústria de reprodução forçada e intensiva está colhendo as consequências de suas atividades. Segundo especialistas, um dos efeitos de selecionar os animais pelos mais férteis é uma tendência a claudicância.

No final dos anos 80, os porcos eram criados com três características em mente: ganho de peso rápido, pouca gordura nas costas e um grande lombo. Agora, eles estão criando as porcas para produzir muitos bebês. Porém, chega um ponto em que esse sistema foi longe demais.

Porcas pastando ao ar livre | Foto: Nyman Ranch

Porcas pastando ao ar livre | Foto: Nyman Ranch

“Nós construímos uma contradição nesses animais”, explica Leah Garces, diretora da Compassion in World Farming (Compaixão na Criação Mundial de Animais). “Nas últimas décadas, as porcas foram criadas para ter menos gordura nas costas – porque não é interessante para o comércio que elas tenham tanta gordura – mas agora é esperado que elas produzam mais e mais bebês. E isso não é biologicamente possível; seus ossos são fracos e eles não têm gordura suficiente para suportar o processo reprodutivo. Nós os criamos e modificamos até o limite e as mortes entre esses animais está nos dizendo isso.”

O ideal seria jamais escravizar ou explorar os animais mas quando os porcos eram criados em uma escala menor, talvez de 200 a 300 de cada vez, e permitindo que eles passassem um tempo fora do cativeiro, tendo comportamentos que são típicos de porcos, como chafurdar na lama e construir ninhos de palha, o diretor afirma que as mortes eram em muito menos quantidade. Mas criados desta forma, os porcos produzem apenas cerca de metade dos descendentes por ano do que nos sistemas industriais.

Um sistema especista que dita as regras de acordo com a ambição e o lucro assassina animais inocentes anualmente, animais capazes de sentir, dotados de inteligência e conscientes de tudo o que lhes acontecem, morrem enclausurados, muitas vezes sem jamais terem conhecido a liberdade.

Japão autoriza o implante de células-tronco humanas em porcos

Com a decisão do ministério de educação e ciência na última sexta-feira (1) de revisar suas diretrizes, os pesquisadores japoneses poderão solicitar licenças para realizar estudos que empregam a técnica, disse um oficial do ministério à AFP.

O processo envolve a implantação em animais embrionários, provavelmente porcos, com células “induzidas por haste pluripotente” (iPS), que podem se transformar em qualquer parte do corpo. A ideia é que as células iPS se transformem em órgãos humanos transplantáveis dentro dos embriões dos animais.

O Japão já havia exigido que os pesquisadores matassem os embriões de animais implantados com células humanas após 14 dias “devido a preocupações éticas com a linha vaga entre seres humanos e animais”, disse a autoridade. As antigas regulamentações também impediram os pesquisadores de colocar os embriões em úteros de animais para que pudessem se desenvolver.

O ministério diminuiu as duas restrições “já que concluímos que há risco tecnicamente zero de produzir um novo organismo que misture elementos humanos e animais sob a pesquisa”, acrescentou o funcionário.

Os pesquisadores agora poderão, por exemplo, criar embriões de animais com um pâncreas humano e transplantá-los para o útero de um porco, o que poderia, em teoria, resultar no nascimento de um porquinho com um pâncreas humano.

Na prática, onde pesquisas semelhantes foram realizadas em outros lugares, os embriões foram mortos antes do parto, evitando que questões morais levantadas pela criação de criaturas que contêm células humanas e animais.

Pesquisas envolvendo os híbridos às vezes chamados de “quimeras” – depois do monstro na mitologia grega com cabeça de leão, corpo de bode e cauda de dragão – também foram controversos em outros lugares.

Questões éticas foram levantadas sobre o estado dos animais contendo células humanas, e se as células iPS humanas implantadas em animais poderiam se transformar em matéria cerebral ou órgãos reprodutivos. As informações são do Daily Mail.

Vídeo com apenas dois minutos pode te ajudar a ser vegano

Foto: Divulgação | Casa de Carne

No curta metragem, Eric sai para comer com os amigos e ter uma experiência única. Ao ser atendido por um garçom, ele pede costelas suínas e é convidado por ele para conhecer a preparação de seu prato desde o início.

Em uma sala trancada, com uma faca na mão, ele fica frente a frente com um lindo e inocente porco. Se quiser comê-lo, Eric deve primeiro matá-lo.

Como esperado, ele não consegue matar o animal e opta por acariciá-lo. Então os chefs da Casa de Carne entram na sala e Eric é forçado a assistir enquanto um açougueiro corta a garganta de seu jantar para ele.

“A experiência de Eric lança luz sobre verdades ocultas, além de levantar algumas questões muito importantes que todos nós devemos nos perguntar”, observa o Kinder World.

A realidade é que as costelas só acabam temperadas em um prato porque alguém fez o que o corpo de Eric dizia para ele não fazer. Ele não está sozinho; um estudo de setembro do ano passado revelou que metade da população da América não podia tirar a vida de um animal para comer se tivesse que fazê-lo por conta própria.

Incêndio em fazenda de criação de porcos mata 1.175 animais

Um incêndio que atingiu uma fazenda de criação de porcos em Portugal matou 75 porcas adultas e 1.100 filhotes no último domingo (3). A fazenda está localizada em Ferreiros, no concelho de Cartaxo.

(FOTO: PAULO CUNHA/LUSA)

“O incêndio atingiu a zona da maternidade da fazenda e por isso vitimou um número tão grande de leitões”, explicou o comandante do Corpo de Bombeiros, David Lobato. Segundo ele, “a estrutura da fazenda foi muito atingida pelas chamas”. As informações são do portal Observador.

O incêndio teve início às 7h30. A corporação levou mais de uma hora e meia para combater as chamas. Vinte bombeiros e nove viaturas participaram da ação. Após apagar o fogo, eles permaneceram no local para realizar o rescaldo da área.

De acordo com o Comando Distrital de Operações de Socorro de Santarém, integrantes da Guarda Nacional Republicana e dos Bombeiros de Santarém estiveram no local.

porcos

Vídeo mostra abuso de porcos na Holanda e governo conduz debate sobre bem-estar animal

A Animal Rights Netherlands divulgou um vídeo mostrando as terríveis condições em que porcas e leitões são obrigados a viver em uma fazenda em Venray, Holanda. Um debate sobre a vida dos animais na indústria pecuária foi conduzido nesta quinta-feira (24) na Câmara dos Deputados do país.

porcos

Foto: Animal Rights Netherlands

A organização afirmou que enviou as imagens para a NVWA, o órgão do governo holandês que monitora a segurança e o bem-estar animal no país, solicitando que eles tomassem providências quanto à situação deplorável dos porcos. Infelizmente, cenas terríveis como essas são comuns na indústria pecuária, onde os animais são forçados a viverem em gaiolas apertadas em meio às próprias fezes.

“Qual é o nível de imundície que um estabelecimento precisa atingir para que o governo intervenha e feche a empresa?”, questionou a diretora da Animal Rights Susan Hartland, referindo-se ao estábulo mostrado no vídeo, onde há teias de aranha, poeira e sujeira acumuladas junto a instalações elétricas.

De acordo com a organização, os problemas elétricos e de curto-circuito são a principal causa de incêndios em estábulos ​​na Holanda, e é um dos tópicos a serem discutidos durante a reunião na Câmara dos Deputados.

“A vida dos porcos nos estábulos holandeses é extremamente deplorável”, observou Erwin Vermeulen, gerente de campanha da Animal Rights. Tragicamente, mais 5,4 milhões de leitões são mortos a cada ano nos estábulos holandeses.

No entanto, de acordo com a organização, a Federação Holandesa de Agricultura e Horticultura e a Associação Holandesa de Criadores de Porcos não aborda mais as questões de bem-estar, mas todo o seu foco está em atacar os investigadores e chamar os ativistas pelos direitos animais de “extremistas”.

animais mortos e pendurados

Imagens mostram animais presos em meio a cadáveres e poças de sangue em matadouro

Imagens perturbadoras do interior de um matadouro foram divulgadas pela polícia de Dyfed-Powys, no sudoeste do País de Gales. Porcos e ovelhas são vistos acorrentados ao lado de cadáveres de animais e poças de sangue espalhadas por todo o local.

animais mortos e pendurados

Foto: Media Wales

“A horrível descoberta de ontem mostrou a importância das denúncias feitas pela comunidade e de nossos relacionamentos vitais com as agências parceiras para acabar com essas práticas cruéis,” disse a polícia em seu perfil no Twitter.

animais presos e poças de sangue espalhadas

Foto: Media Wales

“O Conselho de Pembrokeshire confirmou que duas prisões foram feitas na segunda-feira (21) em um endereço na área de Pembroke em relação a uma investigação sobre a morte e o abuso de animais,” disse um porta-voz do Conselho, que está conduzindo as investigações.

Cerca de 15 ovelhas, incluindo as ovelhas mortas, foram encontradas no endereço. Ainda não se sabe exatamente quantos animais foram mortos no matadouro desde o início da operação.

Ativistas filmam a realidade dos porcos antes de serem mortos na Grande SP

Na madrugada deste sábado, dezenas de ativistas pelos direitos animais se reuniram em frente ao Frigorífico Rajá, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, para filmarem a realidade dos porcos pouco antes de serem abatidos. No vídeo registrado pela ativista Beatriz Silva é possível ver os animais amontoados, assustados e sedentos dentro dos caminhões que chegavam ao matadouro.

Incomodados com a situação, os ativistas deram um pouco de água aos animais. Imagens: Beatriz Silva

Os porcos estavam em jejum, inclusive de água, prática que visa evitar que evacuem durante o processo de abate, que consiste em choque seguido de degola. Basicamente é a mesma realidade partilhada por dezenas de milhões de suínos que são mortos todos os anos no Brasil. Incomodados com a situação, os ativistas deram um pouco de água aos animais.

Também questionaram como isso pode ser aceitável e criticaram o fato de que os interesses que pesam no destino dos porcos são apenas os dos criadores, dos frigoríficos e dos consumidores – já os interesses dos animais são ignorados porque são classificados apenas como produtos.

O objetivo da filmagem foi mostrar que por trás da carne que as pessoas compram confortavelmente nos açougues, há uma trajetória que inclui privação, sofrimento e morte precoce – já que os porcos têm expectativa de vida de 15 anos, mas são abatidos com seis meses.

A agitação e o estresse dos animais registrados no interior dos caminhões são apontados como uma reação natural de estranhamento diante da realidade, assim como os gritos e gemidos durante o processo de abate. “Não existem abatedouros felizes, mágicos ou éticos. Matar sempre será cruel. Matar um ser que não deseja morrer é assassinato”, destacaram em um banner exibido durante a vigília.

A dolorosa verdade sobre os porcos na Itália

Brincar e andar livremente em campos espaçosos e dormir tranquilamente em palhas secas e limpas é a vida que todos os porcos merecem ter. Mas a realidade é bem diferente e em todo o mundos fazendas produtoras de carne torturam e maltratam esses pobres animais.

Foto: Pixabay

Milhares de suínos destinados ao mercado de presuntos na Itália – no valor de 7,98 bilhões de euros (7 bilhões de libras) no ano passado – são submetidos à penosa prática do tail-docking, entre tantas outras extremamente cruéis e desumanas. As informações são do The Guardian.

Uma recente auditoria da UE constatou que, em fazendas da Lombardia e Emilia-Romagna, as duas principais regiões de criação de suínos do país, 98% dos agricultores retiram as caudas de seus animais, uma taxa que está entre as mais altas da Europa.

O tail-docking – realizado sem anestesia quando o leitão tem três a quatro dias de idade – destina-se a evitar as lesões graves que podem ocorrer quando os porcos mordem as caudas uns dos outros. Estudos têm demonstrado que isso  causa trauma agudo e muita dor, e pode desencadear infecções, além de deixar um desconforto duradouro.

Um relatório da UE de 2014 observa que as condições superlotadas e estressantes comuns em fazendas de escala industrial, nas quais os porcos são incapazes de ter seu comportamento natural, são os principais fatores desencadeante dos surtos de contusões. O tail-docking é ilegal sob uma diretiva da UE e, embora essa legislação não seja aplicada em toda a Europa, a prática é proibida pela lei italiana. Então, por que esses regulamentos são tão amplamente desconsiderados?


Tail-docking usando um ferro quente. Foto: FareWellDock

“Em teoria, para que um veterinário pudesse cortar a cauda de um porco, eles tinham que declarar que havia lesões nas tetas da porca, nas orelhas ou cauda de outros porcos”, explica Enrico Moriconi, ex-veterinário agora o ombudsman de direitos dos animais do Piemonte.

“Mas as caudas são cortadas quando os leitões têm cinco dias de idade. É impossível saber nesse ponto se o grupo se comportará dessa maneira. É apenas uma suposição que esse tipo de criação leva o animal a morder a cauda, ​​então eles os cortam ”.

A Itália não é a única na Europa com altas taxas de tail-docking, segundo o Eurogroup for Animals. “No entanto, é um caso emblemático, porque os produtos italianos, como o presunto de Parma, estão associados à excelência”, destaca a consultora veterinária do grupo para animais de fazenda, Elena Nalon. “Os produtores estão exibindo rotineiramente requisitos legais mínimos sobre o bem-estar animal“.

O governo italiano reconhece a escala do problema. Este ano, montou um grupo de trabalho, que elaborou um plano de ação de três anos para ser implementado em cada uma das 3.000 fazendas de criação da Itália para melhorar as condições, evitando assim a necessidade do corte dos rabos dos porcos.

“É uma ação positiva”, diz Annamaria Pisapia, da Compassion in World Farming Italy. “Mas é claro que os criadores às vezes têm dificuldade em entendê-lo. Alguns deles estão dizendo que serão obrigados a fechar 30% das fazendas… Mas este é o futuro. Temos que criar animais com melhor cuidado e pagar ao agricultor preços mais altos. ”

O clima da Itália significa que o país é um caso especial, já que o calor torna a vida particularmente difícil para os porcos, diz Stefano Salvarani, representante de suinocultores da Confagricoltura, uma das principais associações de agricultores. As temperaturas do verão excedem regularmente os 35ºC, o que é problemático para os suínos, que têm uma capacidade limitada para regular a temperatura corporal. “Os animais ficam nervosos”, diz ele. “É normal que eles mordam as caudas dos seus irmãos. Não é comparável ao norte da Europa. Além disso, nossos porcos crescem mais e podem pisar na cauda um do outro ou causar lesões na espinha. ”

Foto: Shutterstock

A obsessão com o tail-docking se resume a um bloqueio psicológico para os agricultores italianos, segundo Mazzali. “Sim, você tem que organizar uma melhor gestão do esgoto, e se você tem um prédio antigo, pode ser caro, e você precisa prestar atenção extra aos animais. Mas não é nada difícil. É mais caro”, diz Pizzagalli.

“Com a palha, por exemplo, o porco se move mais e cresce mais devagar. Em vez de 2 kg de ração para 1 kg de crescimento de carne, você precisa de 3 kg. Mas existe uma lei. É como se eu ignorar o limite de velocidade a 130 km / h porque eu queria dirigir mais rápido e chegar ao meu destino mais rápido. Normalmente, eu seria multado e, se continuasse infringindo a lei, eles tirariam minha carteira de motorista”.

No entanto, sem que a lei contra o “tail-docking” seja rigorosamente aplicada, será que a Itália conseguirá banir a prática? “Mudar esta situação exigirá uma revisão do sistema, uma mudança na mentalidade dos agricultores para colocar as necessidades dos animais no centro do modelo de produção de suínos”, diz Elena Nalon, do Eurogroup for Animals. “Alguns fazendeiros já estão fazendo isso, mostrando que isso não é impossível. Precisamos torná-lo mainstream”.

A hora é certa para a mudança, diz o veterinário Giovanni Alborali, que lidera o grupo de trabalho do governo italiano. “Os criadores entendem a importância da tendência do bem-estar animal”, diz ele.

Brasil matou mais de 40 milhões de porcos em 2018

(Foto: Anita Krajnc/Toronto Pig Save)

O Brasil matou mais de 40 milhões de suínos em 2018. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), só no terceiro trimestre do ano passado foram mortos 11,56 milhões de porcos.

No mundo todo, cerca de 23 milhões de porcos são mortos por semana, segundo a organização Animal Ethics, do Reino Unido. China, União Europeia e Estados Unidos respondem por mais da metade da morte de suínos. Em seguida, vem o Brasil.

Dos mamíferos reduzidos a alimentos e produtos, os porcos estão no topo. Mata-se no mundo todo pelo menos três vezes mais suínos do que bois e vacas, de acordo com a AE. Sem dúvida, são dados chocantes, considerando o fato de que porcos são seres sociáveis que nascem com aptidão para interagir e viver em grupo, e podem ser mais inteligentes do que os cães.

Recentemente, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Messerli, vinculado à Universidade de Viena, na Áustria, provaram que os porcos são mais inteligentes do que pensamos. Segundo o estudo “Pigs (Sus scrofa domesticus) categorize pictures of human heads”, publicado pelo Jornal da Sociedade Internacional de Etologia Aplicada, os suínos não são apenas curiosos e têm boa capacidade de aprendizado, mas possuem uma boa memória de longo prazo. Também conseguem enganar deliberadamente outros porcos e podem antecipar necessidades e intenções.

Fonte: Vegazeta

Depois de criar santuário para porcos, casal se torna vegano

Há dois anos, Lexie Lovelace comprou seu primeiro porco doméstico. Agora, ela tem 37 animais.

Foto: Andrew Dye

O Pearl’s Preserve, um santuário de porcos em Danbury, nos Estados Unidos, foi fundado por Lovelace, que começou a organização sem fins lucrativos para dar aos porcos resgatados uma segunda chance após a vida em abrigos, matadouros ou situações de colecionismo.

“Muitos porcos entram nos abrigos e depois vão a leilão. É lei estadual ”, disse Lovelace.

Os porcos do santuário de 11 acres de Lovelace – que ela fundou em fevereiro passado com seu namorado, Thomas Walker – são todos designados como animais domésticos e não como gado, disse ela.

Foto: Andrew Dye

Alguns estavam destinados a matadouros e outros enfrentaram negligência em casas, disse Lovelace.

Um de seus porcos, ZuZu, saltou de um caminhão a caminho do matadouro e quase morreu durante uma cirurgia de hérnia subseqüente. Outro porco, o Parsnip, foi mantido em uma casa de cachorro por cinco anos, tornando o porco parcialmente achatado de um lado. Os cascos não aparados tinham até oito polegadas de comprimento. As informações são do Journal Now.

Foto: Andrew Dye

“Todo porco daqui veio de uma situação muito ruim. Alguns deles têm TEPT ”, disse Walker, 31 anos.

“Nós tentamos dar a eles a melhor vida possível.”

No ano passado, eles salvaram 45 porcos através da organização Pearl’s Preserve e muitos deles foram adotados.

Dependendo de suas origens, alguns dos porcos do santuário são elegíveis para adoção, após um extenso processo de análise e uma checagem do local para garantir que os porcos sejam colocados com um bom lugar, disse ela.

As taxas de adoção para os porcos – que são esterilizados, castrados e vacinados – são de US $ 100 para um e US $ 150 para dois.

Foto: Andrew Dye

“Porcos são ótimos animais domésticos. Eles são muito inteligentes. Você tem que ganhar sua confiança ”, disse Lovelace, que completa 29 anos este mês. “Eles vivem 20 anos, então a longevidade deles é incrível”.

O início 

Lovelace e Walker adotaram seu primeiro porco, Minnie Pearl, alguns anos atrás, após a morte de seu cachorro.

Lovelace gastou os últimos US $ 100 em sua conta bancária para pagar pela porca, que o criador disse que chegaria ao máximo entre 50 e 80 libras, disse ela. Hoje, Minnie Pearl pesa quase 300 libras.

Lovelace disse que parte de sua motivação para iniciar o santuário de porcos era dissipar o “mito do mini-porco” público.

Mesmo suínos anunciados como minúsculos podem pesar até 100 a 200 libras quando atingem o tamanho adulto completo, disse ela.

“Há um enorme problema com o mini-porco. As pessoas acham que ficam de 5 a 10 libras, mas esse não é o caso ”, disse ela. “Um ano depois, quando os porcos estão entre 50 e 80 libras, eles os jogam em abrigos.”

A definição de um porco em miniatura é inferior a 300 libras, disse Walker, que é muito maior do que muitas pessoas esperam que seja, criando um ciclo de porcos nos abrigos.

Desde que adotaram dois porcos de um abrigo há duas semanas, o abrigo já acumulou mais dois, disse Lovelace.

“Há tantos porcos que merecem um bom lar”, disse ela.

De cães a porcos

Quando o casal se conheceu, há seis anos, Walker estava administrando um abrigo para resgates do pit bull, mas ele fechou.

Depois que eles pegaram Minnie Pearl e mais tarde adotaram um porco de resgate, Petunia, eles decidiram mudar de direção e começar o santuário dos porcos.

Foto: Andrew Dye

Chris Lawson, diretor do Stokes County Animal Control, disse que o condado está ciente do santuário.

Ele disse que o casal não precisa de permissão para manter os porcos em suas propriedades, embora seja necessária uma autorização para algumas outras espécies, como cães.

Quando os vizinhos questionaram, os trabalhadores do condado examinaram a propriedade e não encontraram problemas, o que significa que o santuário pode continuar seu trabalho.

O casal comprou a propriedade perto do Parque Estadual Hanging Rock, que atualmente está equipado para acomodar 50 suínos, mas pode ser expandido se abrirem mais de 11 acres, disse Lovelace.

Resgatar os porcos também levou o casal a se tornar totalmente vegano.

“Você encontra esses porcos e vive com eles todos os dias e abre os olhos para a agricultura animal em geral”, disse Lovelace. “Os porcos são muito espertos. Estudos mostram que eles têm a competência mental de uma criança pequena”.

Lovelace disse no Ano Novo, ela gostaria de trabalhar com os legisladores para mudar a forma como os porcos domésticos são classificados e também para promulgar os requisitos para esterilização a fim de controlar sua população.

Ela também espera trazer mais consciência para a comunidade sobre o problema e incentivar mais pessoas a considerarem o apadrinhamento de um de seus porcos por US $ 20 por mês, o que ajuda a pagar os alimentos e materiais de construção para as cabanas.

Os porcos são mantidos em uma série de pequenas canetas, isoladas em 11 seções cercadas, compostas de famílias de porcos compatíveis entre si.

“Cada um dos porcos tem sua própria personalidade”, disse Lovelace. “É muito trabalho duro, mas todos os nossos porcos são bem tratados e amados.”

Alguns dos maiores porcos – como Zelda e Groot, de 2.000 libras – comem até oito xícaras de comida por refeição, disse Walker.

A organização sem fins lucrativos também aceita doações de frutas e verduras para complementar a dieta vegana especial dos porcos.

Eles também realizam captação de recursos ao longo do ano, como “Yoga with the Pigs”.

“Alimentá-los leva uma hora pela manhã e uma hora à noite, então é muito trabalho duro e provavelmente milhares de dólares todo mês”, disse ele.

Lovelace trabalha em casa como representante de atendimento ao cliente e cuida dos porcos antes e depois do trabalho. Walker, que disse estar se recuperando de uma lesão nas costas, passa o dia inteiro cuidando dos porcos.

Enquanto o trabalho é cansativo – eles começam a se alimentar por volta das 6 da manhã e geralmente terminam todas as tarefas por volta da meia-noite – vale a pena, ele disse.

“Às vezes, são 3 ou 4 da manhã e eles ficam pedindo comida. Quando você sai e interage com eles, percebe que são simplesmente incríveis”, disse Walker. “Tem sido incrivelmente gratificante.”