Governo abre consulta pública para liberar exploração da Floresta Nacional do Amapá

Serviço Florestal Brasileiro abriu consulta pública para a concessão de três unidades de manejo florestal (UMF) na Floresta Nacional do Amapá. Pela proposta apresentada, cerca de 267 mil hectares – o equivalente a 65% do território – poderão ser concedidos para a iniciativa privada realizar o manejo florestal sustentável.

Antes parte do Ministério do Meio Ambiente, o Serviço Florestal Brasileiro passou para a alçada do Ministério da Agricultura, em um conflito de interesses promovido pela atual gestão federal. O órgão é liderado por Valdir Colatto, deputado próximo do agronegócio.

Foto: Reprodução / Ecycle

Em uma visão limitada sobre como uma floresta pode gerar lucros, a proposta do Serviço Florestal Brasileiro é permitir a “exploração sustentável” de madeira em uma área de floresta nativa. Os valores mínimos do metro cúbico de madeira a serem oferecidos pelas empresas interessadas em participar da licitação foram fixados em R$ 35/m3 (UMF I), R$ 25/m3 (UMF II) e R$ 15/m3 (UMFIII).

Além das propostas de preço, a concorrência pública levará em consideração a proposta técnica, que inclui fatores como investimentos na proteção da floresta, investimento em infraestrutura, bens e serviços para as comunidades, inovações tecnológicas e processamento local do produto, dentre outros.

O governo afirma que as três unidades de manejo devem produzir 132 mil metros cúbicos de madeira em tora por ano, o que pode gerar cerca de R$ 3,6 milhões/ano para os cofres públicos. A expectativa do Serviço Florestal é que sejam criados mais de 500 empregos diretos e 1.000 indiretos.

São valores muito baixos considerando o impacto de oferecer para madeireiras quase 65% da área de uma Floresta Nacional. O governo fala em manejo sustentável, mas, além da desproporção entre a área de floresta e o baixo lucro previsto, parece difícil que o governo consiga garantir a fiscalização necessária para que a exploração de fato se dê de modo sustentável.

Audiências Públicas

Além de estar disponível para consulta no site do Serviço Florestal, a proposta de edital também será apresentada em quatro audiências públicas, que serão realizadas entre os dias 17 e 21 de junho, nos municípios de Ferreira Gomes (17/06), Pracuúba (18/06), Amapá (19/06) e Serra do Navio (21/06).

As audiências têm por objetivo apresentar a proposta de edital de forma que a população local e demais atores interessados possam avaliar e contribuir na construção do documento. As contribuições, como dúvidas, críticas e questionamentos, também podem ser feitas até o dia 21/07 pelo e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

De acordo com o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc), uma Flona tem por objetivos o manejo sustentável dos recursos naturais; a garantia da proteção dos recursos hídricos, das belezas cênicas e outros; além do fomento ao desenvolvimento da pesquisa básica e aplicada.

Madeira em primeiro lugar?

O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) será o responsável pela gestão dos contratos das três UMF submetidas à concessão florestal. Atualmente, mais de um milhão de hectares de florestas públicas estão sob concessão florestal federal. São 17 contratos em seis florestas nacionais situadas nos estados do Pará e Rondônia. Por meio dos contratos, são retirados das florestas nacionais sob concessão cerca de 200 mil metros cúbicos de madeira por ano.

Com o lançamento de novos editais, o Serviço Florestal pretende aumentar esse número para 2 milhões de metros cúbicos/ano, o que corresponde a 20% da produção amazônica. O número é divulgado com êxito, sob o pretexto de se tratar de manejo sustentável, mas o que não se responde é como toda essa floresta desmatada está se recuperando e qual o custo desse “manejo sustentável”, se é que de fato acontece, em termos de serviços ecossistêmicos, os bens e serviços que obtemos direta ou indiretamente a partir da natureza.

Alternativas sustentáveis e lucrativas

Além das incertezas quanto à fiscalização ambiental, outra questão que fica é: a madeira é o recursos mais lucrativo presente nas áreas de proteção ambiental? É preciso cortar mais árvores para obter renda com uma floresta nativa? A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, movimento multissetorial composto por mais de 170 membros, entre entidades do agronegócio, ONGs ambientais e representantes do meio acadêmico, elaborou 28 propostas relacionadas ao uso da terra e ao desenvolvimento sustentável. O material foi apresentado no meio de 2018 aos candidatos da disputa eleitoral.

O professor Carlos Nobre, membro do Joint Steering Committee do World Climate Research Programme (WCRP) e um dos mais respeitados climatologistas brasileiros, faz parte do grupo e explica que se trata de um roteiro de bom-senso. “As 28 propostas são factíveis e, de modo geral, apontam um caminho de redução da expansão da fronteira agrícola, com ganhos de produtividade, além de sinalizar a importância da regularização fundiária e destinação para fins de conservação dos mais de 60 milhões de hectares de terras públicas”, declarou.

Conheça algumas das propostas que poderiam ser implementadas na Floresta Nacional do Amapá e que trariam melhores rendimentos que a atividade madeireira:

  • Trabalhar junto aos agentes do mercado financeiro, tanto nacionais quanto internacionais, para estruturar estratégias de financiamento para projetos que tragam benefícios ambientais e para a agricultura de baixo carbono, especialmente o plantio de florestas nativas;
  • Incluir incentivos para a expansão agrícola e pecuária, bem como para a recuperação florestal, em áreas degradadas e de baixa aptidão agrícola por meio dos planos plurianuais de investimento e ação;
  • Eliminar das cadeias produtivas brasileiras a produção oriunda de desmatamento ilegal ou de exploração ilegal, imputando a corresponsabilidade a compradores de produtos de base florestal ilegais e não rastreáveis;
  • Desenvolver mecanismos de financiamento e incentivo à P&D e Inovação voltados ao desenvolvimento de oportunidades para o uso sustentável de produtos não madeireiros e dos recursos genéticos e bioquímicos das florestas nativas, como forma de valorização da biodiversidade nacional;
  • Desenvolver programa pré-competitivo de P&D e Inovação para silvicultura de espécies arbóreas nativas do Brasil;
  • Criar iniciativa específica para recuperar a cobertura florestal, atrelada a múltiplos usos, em áreas de recarga dos aquíferos das bacias hidrográficas consideradas estratégicas.

Conheça a proposta do edital e mande seus comentários para o e-mail concessao.amapa@florestal.gov.br.

Fonte: Ecycle


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Vereadores aprovam PL que autoriza entrada de animais em hospitais de Maringá (PR)

O Projeto de Lei n. 15.005/2019, que autoriza a entrada de animais domésticos em hospitais de Maringá (PR), foi aprovado pelos vereadores. Uma emenda à proposta, que estabelece que as visitas devem ter a anuência dos demais pacientes do quarto onde está internado o tutor do animal, também foi aprovada.

(Foto: Getty)

Segundo o autor do projeto, o vereador Flávio Mantovani, leis semelhantes já vigoram em diversas cidades brasileiras. As informações são do portal GMC Online.

“Pesquisas comprovam que a recuperação de pacientes pode ser mais rápida quando recebem visitas de familiares, amigos e de seus animais. Os animais fazem parte da família”, disse Mantovani.

O parlamentar Mário Verri, que apresentou a emenda, em parceria com os parlamentares Altamir Antônio dos Santos e Dr. Jamal, defendeu a proposta. “O que um paciente precisa? De mais alegria, e é isso que o bichinho de estimação trará para quem está internado. Alegria”, afirmou.

O projeto também foi visto com bons olhos pelo vereador Alex Chaves. “Eu também sou procurado por pessoas envolvidas com a causa animal e costumo atuar em conjunto com o vereador Mantovani. Parabenizo pelo pioneirismo em mais uma lei que beneficiará os animais e também seus tutores”, concluiu.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


 

Projeto que proíbe retirar garras de gatos é aprovado em Nova York

Um projeto de lei que proíbe a retirada das garras de gatos foi aprovado na terça-feira (4) por parlamentares no estado de Nova York, nos Estados Unidos. A proposta segue agora para análise do governador Andrew Cuomo.

Foto: Ralchev Design / Getty Images/iStockphoto

Gatos têm suas garras retiradas por tutores que querem evitar arranhões nos móveis da casa onde vivem. No entanto, alerta a Humane Society, a retirada das garras é um procedimento doloroso, no qual o último osso de cada dedo do animal é tirado, e que não beneficia os gatos. A ONG defende o procedimento apenas em caso de saúde.

O projeto é de autoria da democrata Linda Rosenthal. Ao jornal The New York Times, ela afirmou que a proposta é para os tutores “que pensam que o móvel é mais importante que seus gatos”. “É desnecessário, é doloroso e causa problemas aos gatos. É apenas brutal”, disse. Rosenthal, que é autora de outras leis em prol dos animais, como a proibição deles em lojas e a criação de um registro de abusos cometidos contra animais.

Cidades norte-americanas, como Los Angeles e Denver, já possuem leis que proíbem a retirada das garras de gatos. Mas não há, ainda, nenhum estado que tenha sancionado uma legislação do tipo. Além de Nova York, outros estados, como Califórnia e New Jersey, cogitam a aprovação de um projeto de lei neste sentido, segundo a Humane Society.


Gratidão por estar conosco! Você acabou de ler uma matéria em defesa dos animais. São matérias como esta que formam consciência e novas atitudes. O jornalismo profissional e comprometido da ANDA é livre, autônomo, independente, gratuito e acessível a todos. Mas precisamos da contribuição, independentemente do valor, dos nossos leitores para dar continuidade a este imenso trabalho pelos animais e pelo planeta. Doe agora.


Proposta que proíbe provas de laço em Avaré (SP) depende de mais apoio para ser aprovada

No dia 27 vai ser votada em Avaré (SP) uma proposta de emenda à lei de proteção animal que proíbe a realização de provas de laço curto e duplo em bezerros.

“Uma experiência horrível, que causa estresse, medo, dor e muitas vezes lesões”, destaca a ativista (Foto: Getty)

A prática que nos últimos anos tem sido proibida em muitas cidades do Brasil ainda encontra forte resistência em Avaré, segundo ativistas dos direitos animais.

Por enquanto, três vereadores se posicionaram favoráveis à proibição – Ernesto Ferreira de Albuquerque (PT), Marialva Araújo de Souza Biazon (PSDB) e Francisco Barreto de Monte Neto (PT).

Segundo a ativista pelos direitos animais, Lorena Borges, ainda é preciso garantir o apoio da maioria, já que nove vereadores podem votar a favor da prática. “Eles precisam entender que ser a favor das provas de laço implicaria em retrocesso”, aponta Lorena.

Nas provas de laço, bezerros com três meses de idade são perseguidos, têm seus pescoços laçados e são arremessados ao chão. “Uma experiência horrível, que causa estresse, medo, dor e muitas vezes lesões”, destaca a ativista, acrescentando que até mesmo em Barretos a prática foi proibida.

Para fortalecer a opinião pública foi criado um abaixo-assinado contra as provas de laço em Avaré. Para assinar, clique aqui.

Projeto que obriga clínicas a denunciar maus-tratos a animais é sancionado em MT

Um projeto de lei que obriga pet shops, clínicas e hospitais veterinários a denunciar à Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema) casos de maus-tratos a animais atendidos nesses estabelecimentos foi aprovada na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso e sancionada pelo governador Mauro Mendes.

Foto: Pixabay

“Traçando um paralelo com o ser humano, pratica-se crime de maus-tratos contra animais sempre que ele é exposto a perigo em relação à sua vida e saúde”, afirmou a titular da Delegacia do Meio Ambiente, Alessandra Cozzolino, por meio da assessoria.

Segundo a delegada, crimes de maus-tratos podem ter origem em uma atitude que exponha o animal a risco de morte e prejuízo a saúde ou em uma omissão deliberada, como privação de alimento. As informações são do portal Só Notícias.

“Além da Lei de Crimes Ambientais, a própria Constituição Federal, em seu artigo 225, já protege todos os animais em relação a qualquer abuso ou maus-tratos”, explicou.

Segundo a nova lei, a comunicação do crime à Dema ou a qualquer outra delegacia deve ser feita de forma imediata, por meio de ofício físico ou comunicação digital.

Na denúncia, deve ser comunicado: nome, endereço e contato do responsável pelo animal, relatório de atendimento prestado, com espécie, raça e características físicas do animal e descrição do estado de saúde dele no momento do atendimento, além dos procedimentos adotados.