Recife (PE) implementa de forma gradual proibição de tração animal

A Prefeitura de Recife (PE) iniciou o período de implementação gradual da proibição da circulação de veículos de tração animal e a condução de animais carregando cargas nas ruas da cidade após publicação de um decreto que regulamentou a Lei de Tração Animal. Até o final de 2020, as carroças só poderão circular em ruas com menor fluxo de veículos e em horários determinados, fora dos períodos de pico de trânsito. Inicialmente, quem descumprir a norma será conscientizado. Não há, ainda, prazo para o início da aplicação de multas. A regulamentação da lei cumpre determinação do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE).

Foto: Ricardo Fernandes/DP

Durante o período de adaptação à lei, as carroças poderão circular pelas ruas coletoras, que distribuem o fluxo de veículos para vias de trânsito rápido ou arteriais, das 9h às 16h e das 21h às 6h, e das 9h às 17h e das 20h às 6h nas vias locais, sem semáforo destinadas ao acesso às áreas residenciais ou restritas. Fora desses horários, o tráfego de veículos de tração animal está proibido. A proibição também vale para vias arteriais, em qualquer horário, como as avenidas Agamenon Magalhães, Avenida Norte, Mascarenhas de Morais, Caxangá, Cabugá, Abdias de Carvalho, Domingos Ferreira, Conselheiro Aguiar e Conde da Boa Vista.

O Secretário-Executivo dos Direitos dos Animais do Recife, Robson Melo informou que irá se reunir com outras secretarias da administração municipal, além da Guarda Municipal, para estabelecer a fase da campanha de conscientização que será realizada inicialmente. As informações são do Diário de Pernambuco.

“Teremos agentes de trânsito, panfletos informativos e reuniões com os profissionais do setor. Veremos quantos efetivos cada um destes representantes podem disponibilizar. Ainda não sabemos quanto tempo deverá durar esta fase da campanha, mas a ação contínua para fiscalização sobre maus-tratos já existe e vai continuar”, afirmou.

Após o prazo de conscientização, carroceiros terão seus animais resgatados e as carroças apreendidas e serão obrigados a pagar R$ 500 para recuperá-los. O valor poderá ser revertido para ONGs da causa animal. “O objetivo, entretanto, é que a campanha educativa seja efetiva para que não haja reincidência”, explicou.

A administração municipal pretende passar a capacitar carroceiros para que eles possam se inserir em outra atividade no mercado de trabalho. “Para isso, a ideia é inscrevê-los em cursos educacionais e profissionalizantes, visando a elevação do nível de escolaridade e a qualificação uma nova atividade econômica, com o apoio da Prefeitura”, complementou. Segundo o secretário, os cursos devem ter início neste semestre.

A regulamentação da lei, nos moldes em que ela se encontra, é reprovada pela Associação de Defesa de Meio Ambiente de Pernambuco (Ademape). “Apoiamos a Lei, mas desde que ela passe a vigorar de forma racional e planejada. Onde serão colocados estes cerca de 5 mil animais caso sejam resgatados? Temos receio de que “invadam” os municípios vizinhos de Olinda e Paulista, por exemplo, ou sejam sacrificados. Nossa preocupação é a destinação dos mesmos. Além disso, há muitos pais de família que vivem há anos desta atividade, muitos deles analfabetos. Esta inserção no mercado de trabalho deveria acontecer antes da regulamentação da lei”, disse o presidente da entidade, Manoel Tabosa.

O secretário, por sua vez, garantiu que caso o tutor não busque o animal, após pagamento de taxa, o município irá alocá-lo em área rural e disponibilizá-lo para adoção sob o critério de que o novo tutor não o explore em trabalhos forçados. O servidor público disse ainda que o sacrifício de animais saudáveis é proibido em Pernambuco há mais de cinco anos e que os cursos de capacitação serão amplamente oferecidos durante o prazo de dois anos de implementação gradual da lei.

“Vale lembrar que ainda não há uma proibição deste tipo de transporte, mas uma restrição de áreas onde os carroceiros podem atuar durante 2019 e 2020, tempo suficiente para a sua reinserção profissional”, concluiu o secretário.

Cão é resgatado pelo polícia após passar 5 dias abandonado em uma loja

Um cachorro foi resgatado por policiais da Delegacia de Boa Viagem, na última sexta-feira (18), após passar cinco dias abandonado dentro de uma loja em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, bebendo água do ar-condicionado do estabelecimento.

O animal, da raça Yorkshire, estava preso no local, sem assistência, desde segunda (14).

Cachorro da raça yorkshire estava sem comida e água dentro de loja no Recife — Foto: Thiago Carvalho/WhatsApp

A loja onde o cachorro foi resgatado oferece serviços de conserto de celulares. De acordo com a delegada Beatriz Leite, titular da Delegacia Seccional de Boa Viagem, o caso é investigado pela Delegacia de Polícia do Meio Ambiente (Depoma). O proprietário do estabelecimento pode ser autuado pelo crime de maus-tratos.

“O dono tem o costume de deixar o cachorro na loja, mas ela estava fechada desde a segunda-feira e o animal estava sem se alimentar. Trouxemos um chaveiro para abrir a porta. Pelo que parece, o cão estava sem comida e tomando a água que caía do ar-condicionado”, afirma a delegada.

O caso foi denunciado pela estudante Natália Tavares, presidente do projeto Mais Amor aos Animais. Ela trabalha em um empresarial ao lado da galeria onde o cachorro estava e foi avisada do ocorrido por um funcionário do local. Segundo ela, não é a primeira vez que o cão é deixado na loja.

Chaveiro foi levado à loja onde cachorro estava preso no Recife para abrir a porta — Foto: Thiago Carvalho/WhatsApp

“O tutor tem o costume de deixar o cachorro no local, isso aconteceu há 15 dias também. Fui a primeira a pegar o cachorro quando o chaveiro abriu a porta. Ele estava rouco de tanto latir, debilitado, todo molhado e bem cansado. Não queria nem beber a água que dávamos por baixo da porta. É revoltante”, diz.

Ainda segundo Natália, tanto o Depoma quanto a Companhia de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma), da Polícia Militar, negaram-se a atender a ocorrência. “Me disseram para falar com a Vigilância Sanitária, que disse que não era uma situação emergencial. Falei com o deputado Romero Albuquerque (PP), que articulou com a polícia o resgate”, afirma.

De acordo com a delegada, o irmão do dono da loja foi ao local e disse que se responsabilizaria pelo animal. “Ele vai levar o cachorro para a família e se responsabilizar por ele formalmente. O Depoma vai pegar testemunhas, entrar em contato com o dono e investigar o caso”, conta Beatriz Leite.

Cachorro estava preso em loja há cinco dias no Recife — Foto: Thiago Carvalho/WhatsApp

Apesar disso, Natália disse que tentaria impedir que o cachorro fosse levado para o tutor. “Dar à família é devolver ao agressor. Vou fazer de tudo para tentar rever isso. É um bicho indefeso, tem tanta gente fazendo mal e tão poucas fazendo o bem. Se devolver o cachorro vai acontecer a mesma coisa ou pior. Vou lutar para que isso não aconteça, para dar voz a esse indefeso”, declara.

Segundo Romero Albuquerque, os órgãos que não acataram a denúncia também podem ser responsabilizados. “A população está tendo dificuldade em acionar a Polícia Militar para casos de maus-tratos a animais. Mas crime é crime. E, quando um agente público não cumpre a legislação, ele está prevaricando (cometendo um crime)”, diz o deputado.

Questionada sobre o contato e negativa de resgate, a Polícia Militar enviou nota em que “esclarece que para atuar nesse tipo de resgate, a população deve entrar em contato com a prefeitura, que dispões de equipe específica e viaturas adequadas para esse tipo de procedimento”.

O G1 entrou em contato com a Polícia Civil para saber o destino do cachorro e aguarda resposta.

Fonte: G1