Cuidar de animais exige cautela com a saúde mental para não desencadear transtornos psicológicos

O trabalho exercido pelos defensores dos animais e pelos veterinários é exaustivo e, em muitos casos, causador de transtornos psicológicos como a depressão. A empresária e ativista pelos direitos animais Andressa Ciccone, 29 anos, é uma das pessoas que vivenciam a dor que a luta pelos animais traz devido aos tantos casos de maus-tratos, descaso, exploração e morte envolvendo cães, gatos, bois, vacas, galinhas e outros.

Doenças mentais atingem pessoas que cuidam de animais (Foto: Getty Images)

“Muitas vezes, você está de frente a animais que sabe que não tem como salvar e que vão morrer. Você fica de olhos com olhos com aqueles animais. Nossa, isso é muito triste e frustrante. Machuca”, desabafou Andressa. Vegana, ela se considera “ativista independente” e participa há 10 anos de ações como invasões a matadouros de porcos para registrar o horror promovido contra os animais, manifestações contra a exportação de bois vivos e resgate de animais vítimas de abandono e de maus-tratos.

“Pessoas veganas e que lutam pelos animais costumam ser mais sensíveis, empáticas. Como tem muita maldade no mundo, essas coisas afetam muito a gente. Nas transmissões ao vivo que faço, às vezes não consigo falar, de tanto chorar”, contou. As informações são da BBC News Brasil.

“Sabemos que isso afeta, mas o amor fala mais alto. Eles (os animais) precisam da nossa ajuda, não podemos simplesmente cruzar os braços. A força também vem da empatia: não tem nada no mundo que pague salvar vidas”, completou.

Em tratamento para a depressão – doença causada, em parte, pelas experiências vividas no ativismo animalista -, Andressa toma alguns cuidados para suavizar as emoções difíceis de lidar.

Estudos

Os efeitos psicológicos da atuação das pessoas em casos difíceis e tristes envolvendo animais foi tema da convenção anual da Associação Americana de Psicologia, realizada no último fim de semana em Chicago.

Durante o evento, estudos sobre o assunto foram apresentados, como uma revisão de pesquisas feitas e reunidas por Angela Fournier, pesquisadora da Universidade de Bemidji, em Minnesota.

“Pessoas que trabalham com animais ou se voluntariam para isso são muitas vezes motivadas por que veem (isso) como uma missão de vida”, explicou Fournier em um comunicado à imprensa no qual são expostos os riscos para a saúde mental da pessoa, que pode sofrer com problemas como a ansiedade e a depressão.

“A força também vem da empatia: não tem nada no mundo que pague salvar vidas”, afirmou a ativista Andressa Ciccone (Foto: Arquivo pessoal)

“No entanto, elas encaram rotineiramente o sofrimento e a morte de animais, o que pode levar ao burnout (síndrome despertada por um esgotamento físico e mental), à dita fadiga por compaixão e a outras questões de saúde mental”, completou.

“Estudos sugerem que pessoas dedicadas ao bem-estar animal carregam um peso ainda maior do que outras pessoas que trabalham com algum tipo de assistência por conta de particularidades do trabalho com animais, como a possibilidade de sacrifício e o contato com seres que viveram dor e sofrimento, mas não podem comunicar suas necessidades e experiências”, explicou.

A especialista sugere que pacientes e terapeutas busquem estratégias para reenquadrar experiências negativas e para criar uma fronteira saudável entre a vida pessoal e o trabalho ou ativismo.

“Pode ser importante fazer com que o paciente se concentre no quadro geral do quanto estão fazendo a diferença e nos animais que foram salvos, em vez de focar em histórias individuais de crises e perdas”, disse Fournier.

Dentre as estratégias executadas por Andressa para cuidar da própria saúde mental estão: exercícios físicos; pausas no uso das redes sociais, que no seu caso têm muitos pedidos de ajuda e de imagens de animais maltratados; e conversas com outros ativistas e veganos para buscar apoio e compreensão.

Transtornos psicológicos

Dentre os transtornos que a imersão na luta pelos direitos animais pode causar, estão a ansiedade, a fadiga por compaixão, a depressão e o burnout. Entenda, abaixo, o que é cada um deles, de acordo com informações fornecidas pelo Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA e pela Organização Mundial da Saúde.

Compaixão move o cuidado dispensado aos animais (Foto: Pixabay)

Ansiedade: quando sentimentos de apreensão e nervosismo passam a ser frequentes na vida de uma pessoa, eles podem se transformar em um distúrbio. A rotina, situações determinadas – como estarem uma multidão e encontrar um animal -, ou uma imprevisibilidade – muitas vezes relacionada a temores pré-existentes – podem gerar cansaço, mente agitada, palpitações, dificuldades de respirar, suor, rubor e sensação de descontrole.

A ansiedade, segundo classificações internacionais se dividem em vários tipos, como ansiedade generalizada, fobias e transtorno de pânico.

Burnout: Ligada ao mundo do trabalho, essa síndrome pode ser fonte para um estresse crônico que leva à exaustão, distanciamento e sentimentos negativos em relação à função exercida e queda na eficiência.

Depressão: Trata-se de um estado contínuo de incômodo e perda de interesse por coisas da vida, afetando questões básicas do dia a dia, como dormir, comer e se relacionar.

Estimativas indicam que mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofram de depressão atualmente, o que representa um aumento de 18% entre 2005 e 2015. A World Mental Health Survey realizou uma pesquisa em 17 países e revelou, em 2012, que 1 a cada 20 pessoas, em média, relatou ter tido depressão em algum momento do ano anterior.

Entre os tipos de depressão estão: a distimia, pós-parto e depressão psicótica. Episódios e sintomas depressivos também fazem parte do transtorno bipolar. Além disso, ansiedade e depressão se associam.

Fadiga por compaixão: Apesar de não estar consolidada na literatura científica ou em classificações internacionais, essa denominação é defendida por pesquisadores norte-americanos como Charles Figley, especialista em trauma.

A fadiga de compaixão seria uma combinação entre características do burnout com o trauma “vicárioou secundário”, que nada mais é do que o momento em que uma pessoa se sensibiliza com o testemunho ou narrativa de dor alheia, como profissionais da saúde ou agentes da Justiça.

Incidência de suicídio entre veterinários é alta

Estimativas de vários países já mostraram que veterinários têm uma propensão maior ao suicídio. Um estudo publicado no periódico Journal of the American Veterinary Medical Association revelou que, nos Estados Unidos, a incidência de suicídio entre veterinários foi de 2 a 35, vezes maior, entre 1979 e 2015, do que na população norte-americana em geral.

Uma monografia apresentada em 2012 por Tatiana Guimarães, então graduanda orientada pelo sociólogo Ignacio Cano, estudou dados sobre suicídio em profissões que, na literatura científica mundial, tendem a apresentar maior incidência. Dentre elas, os veterinários, que registraram incidência duas vezes maior na comparação com a população brasileira em geral.

“Mais pesquisas estão sendo feitas para compreender melhor por que os veterinários podem ter este risco aumentado, mas uma combinação de traços de personalidade, demandas profissionais e o ambiente de aprendizado da veterinária podem contribuir”, explicou a veterinária Katherine Goldberg durante a convenção da Associação Americana de Psicologia.

Ajuda a animais abandonados pode afetar saúde mental do protetor , ativista ou veterinário quando cuidados não são tomados (Foto: Pixabay)

Essa maior propensão ao suicídio entre os profissionais da medicina veterinária também pode ser explicada pelo contato frequente com o sacrifício de animais; o acesso a fármacos; uma rotina intensa de trabalho, muitas vezes sem remuneração e benefícios à altura das expectativas do profissional.

Especializado no atendimento a animais em estado crítico, o médico veterinário intensivista Rodrigo Cardoso Rabelo estuda e escreve sobre saúde mental na medicina veterinária e implementa ações na Intensivet, clínica na qual ele atende em Brasília.

Dentre as ações, estão a aplicação periódica de um formulário que pode detectar o burnout e que, segundo o veterinário, tem três indicadores principais: realização profissional; despersonalização (distanciamento que o profissional mantém do paciente); e esgotamento emocional.

Segundo Rabelo, ao se debruçar sobre as respostas dos formulários é possível concluir que o esgotamento tende a pesar mais entre os veterinários brasileiros.

“O veterinário lida não só com os animais, mas com seu tutor (humano). Diferente dos europeus e americanos, nós brasileiros, latinos, temos uma relação muito mais próxima da família e dos animais. Às vezes deixamos a parte profissional e financeira de lado, de tanto que nos envolvemos emocionalmente. Isso fica difícil em uma rotina diária, considerando o volume de pacientes que a gente recebe”, explicou.

“Eu mesmo cheguei a um nível de estresse muito alto. O luto que via no consultório acabava se refletindo em um medo de perder pessoas queridas em casa. Somente neste ano, perdi amigos (veterinários) neste tipo de situação (suicídio)”, relatou.

“Hoje, reduzi o número de pacientes, inclusive para prestar um atendimento de melhor qualidade a eles e também para estar bem comigo mesmo”, completou.

Para o veterinário, alguns cuidados com a saúde mental podem ser tomados por aqueles que cuidam de animais. Rabelo recomenda evitar jornadas longas de trabalho e prezar por intervalos; realizar uma rotatividade de funções no trabalho; praticar exercícios físicos; ter uma alimentação e hidratação equilibradas; manter um hobby e apoio emocional, como em terapias e práticas espirituais; conversar com pessoas próximas e colegas; e reduzir o uso de celular e redes sociais.


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Vacas e bois são amarrados e içados por guindaste nas ruas do Paquistão

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Imagens fortes divulgadas recentemente mostram vacas e bois sendo içados de grandes alturas até o chão, numa operação arriscada e improvisada. Os animais estão sendo levados pelos agricultores paquistaneses, que mantêm seu rebanho no telhado, para o mercado da região de Karachi.

Nas fotos pode-se ver homens sobre os animais enquanto eles são movimentados por um guindaste, presos a cordas e mal acomodados, eles pousam no chão muitas vezes de forma abrupta e mal planejada, causando sofrimento aos animais.

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

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Embora aparentemente incomuns, essas visões são comuns em Karachi, a maior cidade do país, onde a falta de terrenos agrícolas e uma população volumosa significam que os agricultores optam por manter seus animais em cima dos telhados.

Fazendo uso de um guindaste, os fazendeiros desceram seus animais enquanto uma aglomeração de pessoas assiste à operação arriscada, as vacas e bois são transportados de uma altura correspondente a de um prédio de quatro andares.

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Os animais estavam sendo enviados para o mercado antes da festa muçulmana do Eid al-Adha, que começa no próximo domingo.

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Considerado um dos dias mais sagrados do calendário, o festival marca a disposição do profeta Ibrahim de sacrificar seu filho por Allah, mas seu filho foi então substituído por um cordeiro.

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

Em comemoração à data, um animal é sacrificado e dividido em três partes.

Uma parte é dada aos pobres e necessitados, outra é reservada para casa e uma terceira é dada à família.

O festival dura quatro dias, mas alguns países muçulmanos observam um feriado mais longo.

Foto: Anadolu Agency via Getty Images

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Touro sangra até a morte em ritual de sacrifício religioso

Foto: Ruptly

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Um touro foi brutalmente sacrificado por aldeões mexicanos que beberam seu sangue para homenagear o santo padroeiro da cidade.

Um vídeo foi divulgado mostrando os moradores da aldeia Mochitlan, no México puxando o animal amarrado e empurrando-o no chão para depois matá-lo com facas.

O sangue do animal é visto jorrando das feridas feitas no corpo do touro que jaz do lado de fora da igreja.

Atenção, imagens fortes:

O animal indefeso é visto tremendo de dor depois de ser puxado pelo chão, enquanto um homem coleta o sangue que jorra dos cortes em uma tigela.

Momentos depois, os aldeões, incluindo mulheres e crianças, podem ser vistos bebendo copos de líquido que eles acreditam ser “abençoado”.

A “celebração” aconteceu na quarta-feira para homenagear a santa padroeira local, Santa Ana, a mãe da Virgem Maria.

Eduardo Reyes, um dos participantes, disse: “Bem, eles dizem que, se você beber, é como se estivesse bebendo água benta.

“Quando você bebe o sangue de boi que eles estão dando, é como se fosse abençoado, porque o touro foi claramente entregue à igreja, já foi apresentado à vovó Santa Ana.”

Foto: Ruptly

Foto: Ruptly

Após o assassinato, os aldeões desfilaram pelas ruas com uma banda e outros touros.
Jovanny Jimenez Mendoza, prefeito de Mochitlan, disse: “Recebemos uma carta do Vaticano ao padre, na qual eles proibiram essa cerimonia, esses passeios”.

“Não podemos ser proibidos de fazer isso porque faz parte da nossa tradição, essa proibição se opõe à nossa cultura, uma tradição de muitos anos”, disse o prefeito.

Mimi Bekhechi, diretor da Fundação PETA, já havia criticado a morte cruel dos animais, de acordo com o Daily Mail.

Foto: Ruptly

Foto: Ruptly

Ela disse: “Somente o diabo seria honrado se, em seu nome, alguém mergulhasse uma faca no estômago de um touro vivo e cortasse suas orelhas, deixando-o morrer lentamente em agonia e medo.

“Em seu tratado de 2015, ‘Laudato Si ‘, o Papa Francisco falou sobre a importância vital de tratar os animais com gentileza, escrevendo que “todo ato de crueldade contra qualquer criatura é’ contrário à dignidade humana'”, concluiu o diretor da ONG.

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Vestido de Batman, homem encontra novos lares para animais que seriam sacrificados

Chris Van Dorn, fundador da ONG Batma4Paws (Batman 4 Patas, em tradução livre), resgata animais que seriam sacrificados em abrigos nos Estados Unidos e os leva para novos lares, dando-lhes uma nova chance de vida. O diferencial de Chris, no entanto, está na aparência: eles faz as ações solidárias vestido de Batman.

Foto: Arquivo Pessoal / Chris Van Dorn

Entre os animais salvos por ele está Koko, uma pit bull vítima de abandono. Resgatada pelo Pet Resource Center de Tampa, ela foi levada para o abrigo. Devido à superlotação do local, a cadela foi colocada na lista para ser sacrificada.

Uma hora antes de Koko ser sacrificada, Chris chegou ao abrigo, vestido de Batman, e a resgatou. Após tirá-la do local, ele a levou para um novo lar em Gatlinburg, no Tennessee.

Até chegar na nova casa, Koko viajou oito horas na companhia do Batman, seu novo amigo.

Foto: Arquivo Pessoal / Chris Van Dorn

“Eu diria que sou apenas o intermediário”, disse Chris ao The Dodo. “Os verdadeiros heróis são as pessoas que dão a esses cães um lar bom e amoroso”, completou.

Segundo ele, a ideia de fazer o trabalho voluntário em prol dos animais fantasiado de Batman tem o intuito de despertar o interesse das pessoas pela adoção. ”O traje apenas deixa todo mundo feliz e sorrindo”, disse. “É especial ver o Batman andando por aí e, quando descobrem que ele está fazendo uma boa ação no mundo, ficam ainda mais impactados”, concluiu.


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Cavalo sofre fratura exposta durante tourada e é sacrificado em Portugal

Um cavalo, chamado Xeque-Mate, sofreu uma fratura exposta durante uma tourada em Coruche, uma vila portuguesa. Uma ação violenta do cavaleiro João Moura Jr causou o ferimento. Após ser avaliado por um veterinário, o cavalo foi sacrificado. A justificativa para o sacrifício foram os “danos irreversíveis” causados ao animal.

Foto: antonioramalho / Flickr

A tourada aconteceu no último sábado (6) e o cavalo foi sacrificado no dia seguinte. As informações são do portal Correio da Manhã.

Além do cavalo, quatro pessoas ficaram feridas durante a tourada realizada na praça de Coruche, em Santarém. Dois cavaleiros, sendo João Moura Jr e Ana Batista, e dois “forcados” – que são os homens responsáveis por pegar o touro – foram socorridos com ferimentos. Os dois foram levados ao Hospital de Santarém, mas já receberam alta médica e se recuperam dos ferimentos.

Os forcados João Ventura e Luís Fera foram socorridos com ferimentos graves no momento em que lidavam com o quinto touro explorado pelo cruel espetáculo. Ventura perdeu os sentidos na arena, mas foi levado ao hospital, recuperou-se e teve alta hospitalar. Fera, no entanto, encontra-se em coma induzido, como medida preventiva, no Hospital de São José, em Lisboa, para onde foi levado de helicóptero após sofrer uma fratura no maxilar. Exames indicam que ele não sofreu lesões cerebrais de maior gravidade e a manutenção da sedação está sendo avaliada pelos médicos.

Nota da Redação: as touradas são eventos extremamente cruéis que condenam os touros e cavalos a intenso estresse e sofrimento e que caminham na contramão do desenvolvimento ético social e da luta pela garantia dos direitos animais. Além disso, são perigosas também para os seres humanos, já que colocam em risco a vida daqueles que dela decidem participar.


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Ativistas do Nepal saem as ruas pedindo pelo fim dos sacrifícios com animais

Foto: AFP

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Ativistas nepaleses protestaram em Katmandu na sexta-feira última pedindo o fim dos sacrifícios religiosos de animais, meses antes de um festival regional que no passado já matou dezenas de milhares de animais.

Alguns dos mais de 100 manifestantes usavam cabeças de búfalos, porcos e galinhas, enquanto cantavam e protestavam contra a prática cruel profundamente enraizada nas tradições hindus do país.

“Isso está errado e deve parar”, disse à AFP Sneha Shrestha, da Federação de Bem-Estar Animal do Nepal.

“Somos todos iguais aos olhos de Deus, e Deus não pedirá o sacrifício de seus próprios filhos”.

Foto: AFP

Foto: AFP

Os defensores dos direitos animais enfrentam uma luta difícil no Nepal, onde os hindus compõem 80% da população e onde o sacrifício ritual é parte da vida cotidiana e fundamental para os grandes festivais.

Os cartazes e faixas presentes no protesto também pediram a suspensão dos sacrifícios em Gadhimai, um festival que se acredita ser o maior massacre ritual do mundo.

Uma vez a cada cinco anos, a pequena aldeia de Bariyapur, perto da fronteira do Nepal com a Índia, se afunda em sangue, enquanto milhares de devotos hindus visitam seu templo para homenagear Gadhimai – uma deusa hindu que representa o poder.

Foto: AFP

Foto: AFP

O sacerdote principal do templo inicia o festival centenário com o sacrifício ritual de dois ratos selvagens, dois pombos, um galo, um cordeiro e um porco antes que dezenas de milhares de animais sejam mortos.

Embora o templo tenha proibido a prática sob forte pressão em 2015, os ativistas temem que os sacrifícios ainda sejam realizados no próximo festival, previsto para novembro.

Durante o festival de dois dias, os adoradores do Nepal e da vizinha Índia passam dias dormindo ao ar livre e oferecendo orações à deusa no templo.

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Filhote de urso pode ser morto por ser amigável com esquiadores

Tornou-se viral nas redes sociais, na última semana, o vídeo de um filhote de urso, aparentemente órfão, que abordou um grupo de esquiadores em Truckee, no estado norte-americano da Califórnia. O urso foi amigável, não exibindo qualquer tendência violenta, mas esse comportamento fez com que as autoridades passassem a cogitar matá-lo, conforme notificado por uma estação de televisão local, afiliada da NBC.

Foto: Kelsey Hughes

Foi um comportamento “muito raro”, reconheceu uma responsável da Bear League, uma organização não-governamental que zela pela segurança dos ursos e de outros animais selvagens. “O filhote de urso abordou as pessoas porque tem pouco juízo, mas imagine que ele cresce e engorda 100 ou 200 quilos — é grande, forte e continua a pensar que consegue abordar as pessoas… Não vai ser bom, alguém lhe vai dar um tiro…”, comentou Ann Bryant.

Este vídeo tornou-se viral, mas poucos dias antes o mesmo urso já se tinha aproximado de um outro snowboarder, que também publicou as imagens nas redes sociais, dizendo que tinha feito “um amigo novo a quem ia ensinar” a praticar aquele esporte.

O California Department of Fish and Wildlife já levou o animal para avaliar o seu comportamento. Se o urso demonstrar sentir-se muito confortável perto de pessoas, os receios relacionados com a segurança pública podem levar a que o animal seja morto ou que, em outra alternativa, seja levado para um santuário para animais selvagens.

 

Visualizar esta foto no Instagram.

 

Uma publicação compartilhada por Brian Jordan (@brianjordan30) em

Nota da Redação: matar um animal selvagem porque ele não teme a presença humana e, por isso, aproxima-se das pessoas, não é apenas uma prática anti-ética, mas também extremamente cruel. Os animais não são objetos que podem ser descartados quando considerados inadequados. É necessário que a vida animal seja respeitada e protegida e que hipóteses como a levantada pelas autoridades norte-americanas jamais sejam sequer cogitadas. Neste caso, levar o animal para um santuário deveria ser a única possibilidade vista como possível pelos Estados Unidos.

Fonte: Observador

Filhotes de cachorro que seriam sacrificados são resgatados nos EUA

Três filhotes de cachorro extremamente maltratados que foram levados para um abrigo no Texas, nos Estados Unidos, tiveram as vidas salvas após serem resgatados do local. No abrigo, eles estavam na lista de animais que seriam sacrificados.

Foto: Reprodução / YouTube

A co-fundadora do Rescue Dogs Rock NYC, Stacey Silverstein, foi a responsável por salvá-los. Ela viu um vídeo no qual dois dos filhotes apareceriam agarrados um ao outro, enquanto o terceiro permaneceria por perto. O estado deplorável dos animais comoveu Stacey, que decidiu ajudá-los.

“Onde está o respeito? Onde está a humanidade? Eles entraram neste abrigo de morte nesta condição, jogados no duro chão infectado por concreto em condições obviamente críticas e fracas”, disse Stacey. As informações são do portal I Love My Dog.

Foto: Reprodução / Facebook / Rescue Dogs Rock NYC

“Estamos tão enojados a cada dia para sermos confrontados com essa dura realidade. Mais uma vez seremos seus protetores e salvadores e obteremos a ajuda de que eles precisam desesperadamente”, completou.

Retirados do abrigo no qual seriam sacrificados, os três cachorros foram levados por Stacey e passaram a receber os cuidados necessários para que possam ficar saudáveis.

Os animais receberam os nomes Mulani, Po e Mishi. “Suas novas vidas começam hoje!”, comemorou a co-fundadora da ONG.

Me recordo do Gadhimai

Gadhimai realizado em in Bariyarpur, no Nepal, em 2014 (Foto: Omar Havana/Getty Images)

Me recordo de pessoas criticando exaustivamente o Gadhimai, no Nepal, festival tradicional daquele país onde 500 mil animais eram sacrificados por degola e decapitação. Diziam que era um absurdo, inadmissível. O Gadhimai então, celebrado pelo povo madhesi e bihari, foi proibido. Muitos consideravam o festival de viés religioso absurdo pela quantidade de animais mortos, mas, como dizia Tom Regan, o número não importa para o animal que vai ser morto, se ele for o escolhido.

Sou contra o sacrifício religioso de animais

Que responsabilidade tem um animal não humano sobre as inclinações religiosas humanas? (Foto: Getty)

Sou contra o sacrifício religioso de animais. Se a defesa da liberdade religiosa perpassa pelo assassinato de animais, realmente não sou favorável a isso. Há pessoas que justificam contrariedade à defesa da proibição da prática alegando preconceito, racismo, instrumento de opressão, etc. Então isso significa que há grupos, que por serem oprimidos, deveriam ter o direito de sacrificar vidas? E que se eu me posicionar contra estou sendo opressor?

Me desculpe, mas não concordo com esse raciocínio. Nos últimos anos, publiquei algumas matérias sobre os abates kosher e halal, e muitas pessoas que hoje qualificam a proibição do sacrifício de animais em religiões de matrizes africanas como arbitrária e inconstitucional sempre condenaram tanto o abate halal quanto kosher – que são abates rituais e sacrificiais.

Eu poderia citar inclusive muitas pessoas que anseiam fervorosamente por esse tipo de proibição em países de minoria muçulmana. Seguindo esse raciocínio, isso também não seria se opor à tradição de uma minoria? Considere também o fato de que o abate halal e kosher, ainda que sacrificiais, estão vinculados estritamente ao consumo, não a oblações, oferendas.

Que responsabilidade tem um animal não humano sobre as inclinações religiosas humanas? Nenhuma. Mas muitas pessoas, na tentativa de justificar a sua oposição à proibição, alegam que os católicos sacrificam animais nas celebrações de Páscoa, Natal, etc.

Bom, não me alimento de animais, então não estou sendo hipócrita ao condenar qualquer tipo de matança de animais para qualquer finalidade que seja. Não vejo como matar animais, ceifar vidas de criaturas vulneráveis e inocentes, ainda que com viés religioso, possa inspirar algo de bom, e isso independente de qual seja a religião.

Então alguém pode dizer que a ideia da proibição do sacrifício de animais no Brasil surgiu anos atrás a partir de uma iniciativa de um grupo pentecostal. Certo, mas isso muda o fato de que sacrificar animais é errado? Muitas das leis de proteção animal ou de proibição de determinadas violências contra animais que existem no mundo hoje não foram feitas por vegetarianos nem veganos, e não duvido que algumas tenham surgido a partir de algum interesse. Porém, isso as qualifica como arbitrárias ou irrelevantes?

Claro que há hipocrisia quando uma pessoa se alimenta de animais e condena o sacrifício religioso de animais. Afinal o que muda nesse aspecto são apenas os métodos e finalidade, até porque para quem morre não interessa o propósito, mas sim a obliteração da vida.

E se eu for usar o discurso do tipo: “de que adianta acabar com o sacrifício de animais enquanto bilhões de animais são mortos por ano para consumo?”, isso acaba esbarrando em uma consciência fatalista, na crença de que o pouco é nada diante da imensidão exploratória em que estamos imersos. Mas eu não sou fatalista, então não concordo com esse raciocínio.

Também não acho adequado usar o discurso de que o animal não sofre durante o sacrifício, porque isso pode soar como uma anuência ao ilusório “abate humanitário”. Ademais, considero adequado apontar que a recente decisão que valida o sacrifício de animais no Brasil prevê apenas o sacrifício no contexto das religiões de matrizes africanas – ou seja, não inclui todas as religiões.

Se alguém diz que o exercício de uma religião depende do sacrifício de animais, e que isso é insubstituível, há algo de muito errado com essa religião ou pelo menos com essa concepção. Se você discorda da minha posição, sem problema, mas espero que você não seja uma daquelas pessoas que compartilham vídeos e textos que condenam abates rituais ou sacrifícios realizados por outras religiões que não sejam de matriz africana.

Atualmente, há tantas pessoas condenando a exportação de gado vivo para o Oriente Médio, e muitas apontam como um dos principais problemas o fato de que esses animais serão mortos seguindo os preceitos do abate halal que, como citei antes, é um abate religioso. Então sejamos ponderados em nossas inclinações, predileções e contradições.