Diretor de “O Rei Leão” diz que não havia razão para usar animais reais

Por David Arioch

Diretor da nova versão do clássico “O Rei Leão”, que estreou no Brasil no dia 18 de julho, Jon Favreau explicou à revista Vanity Fair que não havia razão para usar animais reais no filme, e que hoje com toda a tecnologia disponível se torna injustificável colocar animais em perigo para fazer uma obra cinematográfica.

“Espero que com essas imagens tão realistas, que as crianças verão pela primeira vez, elas possam desenvolver um senso de responsabilidade em ajudar a proteger isto [a natureza]” (Imagens: Vanity Fair)

“Você tem bibliotecas e bibliotecas de filmagens de animais e com toda a referência que você poderia querer”, acrescentou. Favreau explicou também que a aparição do rinoceronte-branco do norte no filme é uma homenagem ao animal já extinto na natureza.

O filme ambientado na África Subsaariana, e que já arrecadou mais de um bilhão de dólares nas bilheterias, contou com uma equipe de designers gráficos na idealização e concepção dos personagens:

“Espero que com essas imagens tão realistas, que as crianças verão pela primeira vez, elas possam desenvolver um senso de responsabilidade em ajudar a proteger isto [a natureza].”


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Empresa de tecnologia desenvolve linguiça a partir de células de porco cultivadas em laboratório

Salsichas feitas a partir de células de porco cultivadas em laboratório | Foto: New Age Meats

Salsichas feitas a partir de células de porco cultivadas em laboratório | Foto: New Age Meats

Empresa de tecnologia de alimentos New Age Meats desenvolve salsichas partir das células de um porco chamado Jessie.

Ao contrário de milhões de porcos que são mortos na indústria da carne a cada ano, Jessie – nomeada no site da New Age como Chief Sausage Officer – não é machucada ou prejudicada no processo de fazer as salsichas.

Os cientistas extraíram e depois multiplicaram as células de seu corpo. Estas células foram induzidas em músculo e gordura. O resultado final é um produto que parece, tem o mesmo sabor e textura que uma tradicional linguiça de porco, mas é livre de morte ou crueldade.

De acordo com o site This Is Money, a New Age Meats é a primeira empresa de carne limpa (termo usado para produção de carne que não envolve morte ou crueldade) a desenvolver linguiça.

Foto: StoryBlocks

Foto: StoryBlocks

A Agronomics – uma empresa de investimento em carnes limpas, presidida pelo fundador da Innocent Drinks, Richard Reed – investiu na empresa, avaliando-a em 10 milhões de dólares.

“A carne cultivada aborda simultaneamente três grandes questões: a saúde humana, o meio ambiente e o bem-estar animal”, disse o fundador da New Age, Brian Spears, em um comunicado, de acordo com o This Is Money. “Este é o primeiro pequeno passo que estamos dando para reverter a mudança climática, parar de criar animais em uma vida que não vale a pena viver e ajudar os seres humanos a se tornarem mais saudáveis”.

Espera-se que as linguiças da New Age Meats estejam comercialmente disponíveis até 2021. Mas elas já foram testadas com sucesso, com jornalistas e colegas cientistas concluindo que as linguiças à base das células de Jessie têm o mesmo sabor da carne tradicional.

O site da New Age Meats diz: “Cerca de 7,4 bilhões de humanos vivem na Terra. Nós mantemos cerca de 40 bilhões de animais para alimentação. Alguns deles vivem vidas felizes, mas a grande maioria não. Nossas primeiras linguiças de porco foram feitas a partir de algumas células de uma porca chamada Jessie. No futuro, não precisaremos de células ou carne de animais, permitindo que eles vivam suas próprias vidas, livres na natureza”.

A ascensão da carne limpa

A indústria de carne limpa está se expandindo, mais e mais empresas estão investindo no desenvolvimento do cultivo de carne animal sem matar ou ferir nenhum animal.

A Agronomics espera construir um portfólio de dez a 15 empresas de carne limpas A New Age é seu segundo investimento, o primeiro foi a BlueNalu, uma empresa de carnes limpas especializada em frutos do mar.

A BlueNalu espera atender este ano peixes silvestres e mahi-mahi cultivados em laboratório, e espera ser a primeira empresa a lançar produtos de frutos do mar limpos em escala industrial. Lagosta, caranguejo, peixe-relógio e robalo chileno são os próximos na agenda da empresa.

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Testes em animais caem para o nível mais baixo em 12 anos

Foto: PCRM

Foto: PCRM

Os testes em animais no Reino Unido atingiram seu nível mais baixo desde 2007.

O número de procedimentos concluídos em animais vivos em 2018 foi 7% menor do que em 2017, de acordo com dados do Ministério do Interior.

A maioria dos procedimentos envolveu camundongos, peixes e ratos –assim como na última década – no entanto, o uso de ratos em experimentos diminuiu em 27%.

O número de experimentos com gatos também diminuiu, caindo em 20%.

Cerca de 56% dos procedimentos foram realizados para pesquisa, tipicamente estudos envolvendo o sistema imunológico, o sistema nervoso e o câncer.

Os procedimentos para criação e reprodução caíram 10% e os procedimentos experimentais caíram 4%.

De acordo com a Understanding Animal Research, dez organizações são responsáveis por quase metade de todas as pesquisas com animais no Reino Unido.

O Medical Research Council, o Francis Crick Institute, a University of Oxford, a University of Edinburgh, a University College London, a University of Cambridge, a University of Glasgow, o King’s College London, a University of Manchester e o Imperial College London são as organizações realizando uma grande quantidade de pesquisas em animais.

O problema com testes em animais

Embora o número de procedimentos em animais no Reino Unido tenha caído nos últimos 12 anos, 3,52 milhões de procedimentos ainda foram conduzidos em animais vivos na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales no ano passado.

Enquanto algumas taxas de uso de animais diminuíram em testes, outras aumentaram. O número de experimentos com aves aumentou de 130 mil para 147 mil, o número de testes em cães aumentou 16% e o número de testes em primatas cresceu 8%.

O teste em animais é amplamente impopular entre o público, particularmente por razões de crueldade contra os animais. Cerca de 72% dos consumidores acreditam que os testes em animais são “desumanos ou antiéticos”, segundo pesquisas.

Foto: Istock

Foto: Istock

Experimentos com animais também podem não ser confiáveis. A organização de bem-estar animal PETA afirma que mais de 90% das experiências realizadas em animais pelos Institutos Nacionais de Saúde – a principal agência governamental responsável pelo financiamento da pesquisa científica – não levam a tratamentos humanos eficazes, o que significa que os testes são “inúteis”. Ele acrescenta que mais de 95% dos testes de drogas farmacêuticas são tão seguros e eficazes em animais, mas falham em testes em humanos.

As dez organizações responsáveis por cerca de metade dos testes em animais do Reino Unido estão comprometidas com os “3Rs” – substituição, redução e refinamento. Isso significa que eles trabalham para substituir o uso de animais quando possível, reduzindo o número de animais explorados e refinando a experiência dos animais usados nos testes.

Outros grupos estão trabalhando para desenvolver métodos de experimentação livres de animais, como o modelo organ-on-a-chip (órgãos em chips) que simula as respostas fisiológicas de órgãos humanos.

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Drone mostra beagles explorados para testes vivendo em condições precárias

Por Rafaela Damasceno

Reprodução | YouTube

O grupo SHARK (Showing Animals Respect and Kindness – Mostrando aos Animais Respeito e Gentileza) gravou, com um drone, cachorros criados para serem explorados em pesquisas vivendo em celas sujas, superlotadas e cruéis na Virgínia, Estados Unidos.

“A primeira coisa que você percebe é o choro, os lamentos, a dor. Terrivelmente triste”, disse Stuart Chaifetz, um dos investigadores que gravou as centenas de cachorros mantidos na instalação da Covance Research Products.

“As gaiolas eram imundas, cobertas de fezes e urina”, contou à KSN, dizendo que gravaram um dos cachorros até mesmo comendo a sujeira. O vídeo publicado já rendeu muito debate e preocupações em relação à proteção dos animais.

Vários cachorros gravados demonstraram comportamentos repetitivos, como andar em círculos repetidamente. Segundo o SHARK, isso pode ser um indicador de um colapso mental causado pelas condições extremamente precárias em que eram obrigadas a viver.

A Covance pertencia à empresa LabCorp. Em um comunicado ao 8News, a LabCorp afirmou que a Covance “leva muito a sério nossas responsabilidades éticas para tratar os animais de pesquisa com cuidado e respeito”. Além disso, a empresa também disse que as imagens fornecem uma visão incompleta da instalação. Segundo ela, os animais possuem acesso a outros lugares muito confortáveis, o que é difícil de acreditar, visto as condições em que eram mantidos.

Em 2006, a Covance foi multada em quase 10 mil dólares (30,5 mil reais) depois que uma investigação da PETA descobriu macacos sendo abusados em um laboratório. Também recebeu uma multa de 32,5 mil dólares (quase 121,9 mil reais) em 2016, depois que 13 macacos morreram. As autoridades ainda investigam o ocorrido atual.


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Empresas usam tecnologia de reconhecimento facial para localizar cães perdidos

Uma empresa chinesa desenvolveu um aplicativo por meio do qual utiliza uma tecnologia de reconhecimento facial para localizar cachorros desaparecidos. O “Megvii” é um programa que encontra os cães através de imagens dos focinhos deles, previamente registradas.

Pixabay

O aplicativo consegue ter, segundo a startup, 95% de precisão no reconhecimento dos cachorros. Ainda de acordo com a empresa, já foram reunidas informações de mais de 15 mil animais. As informações são do portal TAB.

Além de criar o programa, a empresa também fez uma parceria com o governo para monitorar tutores que deixam os animais andar sem coleira em locais públicos, submetendo-os ao risco de acidentes. Na China, deixar animais soltos na rua é ilegal e pode ser punido com multa. Atualmente, mais de 91 milhões de cachorros e gatos vivem nas áreas urbanas do país.

A iniciativa da startup chinesa, no entanto, não é a única no campo do reconhecimento facial voltado para a localização de animais perdidos. Isso porque uma empresa norte-americana também já desenvolveu um aplicativo semelhante, chamado Finding Rover.

Reprodução / Portal TAB


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Cientista e empresário afirma que a criação de animais para consumo pode acabar até 2035

Foto: Adobe

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O fundador da Impossible Foods diz que é sua missão remover definitivamente os animais do sistema alimentar até 2035.

Pat Brown, que além de empresário é cientista biomédico e trabalhou na Universidade de Stanford antes de começar a Impossible Foods, falava na conferência EAT Food Forum, em Estocolmo, quando ele fez o anúncio.

Segundo Brown, é imperativo que a criação de animais para consumo termine devido ao “impacto catastrófico dos alimentos de origem animal” no meio ambiente

Acabando com a criação de animais para consumo

“Nossa missão é substituir completamente os animais no sistema alimentar até 2035. As pessoas riem, mas nós falamos absolutamente sério sobre isso e é factível”, disse ele na conferência.

“Desde o momento em que a primeira câmera digital de baixa qualidade chegou ao mercado até que a Kodak basicamente encerrou seu negócio de filmes, demorou cerca de 10 anos. Se você pode fazer algo que supere o que os consumidores querem, o mercado pode funcionar rápido”.

Falando sobre o impacto da pecuária no planeta, ele acrescentou: “Eu percebi que o problema era o impacto ambiental catastrófico do uso de animais como uma tecnologia de alimentos. Nada chega nem remotamente próximo”.

Missão

Esta não é a única vez que Brown falou publicamente sobre sua missão. Ele falou pela primeira vez sobre seus grandes planos em uma coletiva de imprensa em 2017, anunciando: “Queremos substituir completamente os animais como alimentos até 2035. Estamos trabalhando na produção de alternativas à todos os alimentos que consumimos de origem animal”.

Rachel Konrad, diretora de Comunicação da Impossible Foods, acrescentou: “Não somos uma empresa de hambúrgueres. Somos uma plataforma tecnológica para alimentação. Nosso primeiro produto foi uma ‘prova de conceito’. Podemos ter produtos de diversas categorias depois disso comprovado”.

Impossible Burguer

A Impossible Foods teve um ano excelente até agora, lançando a versão 2.0 do seu hambúrguer de vegetais há vários meses. Em abril, foi revelado que a gigante do fast food Burger King estaria usando o produto em uma versão sem carne de seu principal sanduíche, The Whopper.

O Whisper Impossible apresenta a mesma compilação de hambúrgueres da tradicional opção de carne bovina da loja, substituindo a carne de origem animal pelo hambúrguer à base de vegetais da Impossible Foods. O lanche também possui tomate, alface, maionese, picles e cebola branca em fatias no pão de gergelim. A mionese pode ser removido para tornar a opção totalmente livre de ingredientes de origem animal.

Inicialmente, a cadeia de fast-food experimentou o Impossible Whopper em 59 localidades em St. Louis, Missouri (EUA). Agora, a marca tem planos de disponibilizá-lo em mais regiões durante o verão e nacional até o final de 2019.

Controvérsia

A trajetória da Impossible Foods não ocorreu sem controvérsias. A empresa descreve sua carne como baseada em vegetais, em vez de vegana, porque um de seus ingredientes – leghemoglobina de soja, também conhecido como “heme” – era usado em ratos para testar sua segurança. Mais de 180 ratos foram mortos como resultado do teste.

Quando o teste se tornou de conhecimento público, Pat Brown, CEO da Impossible Foods, um vegano de mais de 16 anos, publicou um comunicado intitulado “O Dilema Agonizante dos Testes em Animais”.

Nele, Brown disse que o núcleo da missão de sua empresa é “eliminar a exploração de animais no sistema alimentar”, bem como reduzir o impacto da pecuária no meio ambiente.

“Entre as milhares de espécies de animais pesquisadas a cada década pelo World Wildlife Fund, o número total de animais silvestres vivos hoje é menos da metade do que era 40 anos atrás”, escreveu ele.

“Esta perda de vida selvagem é esmagadoramente devida à exploração de animais para alimentação, incluindo a caça, a pesca e especialmente a substituição do habitat da vida selvagem pela criação de animais”.

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Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

Parceria para produção de carne feita a base de vegetais promete transformar o mercado chinês

Foto: Sublime China

Foto: Sublime China

O anúncio de uma parceria entre o WalMart e a Qishan Foods (maior produtora de carne vegetal da China) vem com a promeça de criar os produtos de carne vegetais mais saborosos e comercialmente adequados ao futuro do mercado chinês – tornando este um dos passos mais importantes para a integração e popularização da carne à base de vegetais na China nos últimos meses.

Em agosto passado, a Qishan Foods, a primeira empresa de produção de carne vegetal na China, aprovou a rigorosa revisão de qualificação de fornecedores e toda a cadeia da indústria e inspeção do Wal-Mart.

No início de março deste ano, a WalMart e a Qishan Foods iniciaram testes de mercado em três lojas em Shenzhen, colocando produtos de carne vegetal na área de alimentos pré-cozidos e montando prateleiras especiais para os consumidores escolherem os produtos.

Foto: Sublime China

Foto: Sublime China

A Qishan Foods é uma fabricante e também fornecedora de serviços de alimentos à base de vegetais que atende à Ásia e a diversos mercados internacionais.

Em 1993, a Qishan Foods foi oficialmente estabelecida como a primeira empresa lançada no exterior, introduzida pela Shenzhen Shajing. No mesmo ano, a sede foi transferida para Shenzhen, oficialmente renomeada para Shenzhen Qishan, e imediatamente introduzida na Alemanha na época.

A recém-lançada linha de produção e equipamento de processamento de proteína de soja formou a maior fábrica vegetariana moderna na Ásia na época. O mercado de exportação expandiu-se ainda mais para a Austrália, o Reino Unido, Portugal e outros locais.

Nos últimos 26 anos, a empresa investiu pesado em ciência e tecnologia em um esforço para tornar a China líder no movimento a base de vegetais no mundo.

Foto: Reuters

Foto: Reuters

Zhou Qiyu, gerente sênior do Departamento de Produtos da Qishan Foods, disse aos repórteres: “Quanto mais cedo o Tang and Song Dynasties, nosso restaurante vegetariano, puder usar tofu e vegetais para imitar o sabor da carne melhor. Por exemplo, uma mistura de picles Sichuan com berinjela pode fazer as pessoas acreditarem que provaram carne. A tecnologia moderna pode imitar o sabor da fibra da carne após a isomerização da proteína vegetal. Proteínas vegetais diferentes podem imitar o sabor de diferentes tipo de carnes”.

Tecnologia anti-caça que detecta humanos em vez de animais tem ajudado na proteção da vida selvagem

Foto: Divulgação

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A tecnologia que reduziu de forma impressionante a caça de rinocerontes em uma reserva caça sul-africana poderá ser usada para ajudar outras espécies ameaçadas em todo o mundo, à medida que os conservacionistas e desenvolvedores do projeto buscam novas formas de deter os caçadores antes que eles consigam chegar até a vida selvagem.

A Dimension Data e a Cisco apresentaram pela primeira vez o resultado de seu esforço conjunto, a Conected Conversation, em 2015. A tecnologia usa uma mistura de sensores, circuito interno de câmeras, biometria e wi-fi para detectar caçadores em uma área remota no noroeste do país (África do Sul), onde há muito pouca comunicação eletrônica disponível.

O objetivo da iniciativa é rastrear pessoas em vez de animais, coletando dados sobre aqueles que entram no perímetro e enviando alertas aos guardas do parque quando uma atividade incomum é detectada.

Atualmente, os rinocerontes brancos estão quase no status de ameaçados, enquanto os rinocerontes-negros já são classificados como ameaçados de extinção, com apenas pouco mais de 5 mil membros da espécie vivos, segundo a World Wildlife Foundation (WWF).

A África do Sul abriga a maioria dos rinocerontes do mundo, que estão sob ameaça constante de caçadores. Os criminosos removem seus chifres e os vendem no mercado paralelo por preços mais altos que o ouro.

O chifre de rinoceronte é procurado por aqueles que acreditam que ele tem poderes medicinais para curar doenças como câncer e ressaca, embora seja o membro seja composto em grande parte por queratina, uma proteína também encontrada nos cabelos e unhas.

O projeto de proteção já foi lançado na Zâmbia, com outro equipamento já pronto para começar o monitoramento no Quênia, mas os conservacionistas por trás da tecnologia agora estão procurando novos locais para expandir mais ainda a tecnologia, com um número grande de interessados da Índia, Nova Zelândia e outros.

“Eu acredito que a tecnologia seja particularmente adequada para a África, onde o que estamos procurando é salvar rinocerontes, elefantes, leões e pangolins, e todas as demais espécies ameaçadas”, disse Bruce Watson, conservacionista e executivo do grupo da Aliança Cisco com a Dimensiona Data.

“Existem cerca de 7 mil espécies ameaçadas em todo o mundo, mas o que vamos fazer agora é pegar a solução e movê-la para a Índia”, afirma Watson.

“Recebemos dois pedidos de parques de proteção aos tigres na Índia, solicitações na para a Ásia, e até tivemos requisições de uma baía na Nova Zelândia para proteger raias, baleias e tubarões.

“Fomos contatados por um parque em Montana nos EUA, que será um imenso parque de pradarias, provavelmente uma das maiores reservas do mundo, para colocar nossa solução tecnológica contra a caça lá também”.

“E depois vamos levar nossa descoberta para a América do Sul, para proteger onças e leões da montanha”.

O projeto tem sido um enorme sucesso para na área de conservação e proteção até agora, não tendo perdido um rinoceronte para a caça desde janeiro de 2017. Em seus dois primeiros anos de operação, a tecnologia conseguiu reduzir a caça na reserva em 96%.

Nacionalmente, a África do Sul também registrou queda na caça, com 508 rinocerontes mortos nos primeiros oito meses de 2018, uma redução de 26% em relação ao mesmo período de 2017.

Além da expansão para proteger outras espécies, a Connected Conservation também está explorando novas soluções para aprimorar seu próprio trabalho, usando aprendizado de máquina (termo original: machine learning), inteligência artificial e sensores mais sofisticados.

“A solução proativa está criando um refúgio seguro para os animais andarem livremente e protegendo a terra contra pessoas mau intencionadas, que fazem parte da fraternidade da caça”, continuou Watson.

“O número de incursões diminuiu de forma acentuada – o número de tiros disparados, o número de cercas de arame cortada em pontos de entrada, todos foram reduzidos.”

No entanto, o conservacionista alertou que os caçadores estão continuamente tentando truques alternativos para entrar na reserva protegida com a nova tecnologia.

“Muitas vezes o que eles fazem é rastejar por uma estrada, por exemplo, usando os cotovelos e joelhos, então você não pode pegar os rastros de sapatos ou pés para interceptar esse estratagema”, disse ele.

“Às vezes eles colocam seus sapatos no sentido errado, então parece que eles estão saindo da reserva, em vez de entrar na reserva.

“Os caçadores também colocam uma garrafa plástica nos pés, para que o sistema pense que é apenas um pequeno antílope cruzando a estrada.”

Watson elogiou o Reino Unido e a família real por sua ajuda sobre o assunto, depois de participar da Conferência sobre o Comércio Ilegal da Vida Selvagem em Londres, no ano passado, com o ministro responsável pelo combate ao tráfico internacional de animais, Mark Field.

Conferência de tecnologia de comida vegana reúne 300 especialistas do mundo todo

Em março de 2018, a organização em prol da conscientização alimentar, ProVeg, reuniu todos aqueles que se dedicam a mudar nosso atual sistema alimentar: mais de 300 especialistas vindo de mais de 30 países diferentes foram até Berlim (Alemanha) para conhecer os últimos avanços nos campos de alimentação a base de vegetais e proteína cultivada.

Com o objetivo de encontrar alternativas aos produtos de origem animal comumente usados, pesquisadores, empreendedores, estrategistas de investimentos e outros atores sociais interessados compartilharam seus conhecimentos sobre todos os aspectos dos lançamentos mais bem-sucedidos de novos conceitos de alimentos.

As análises incluem o comportamento do consumidor e psicologia alimentar, bem como as tendências do mercado e exemplos de melhores práticas com base em produtos de sucesso – e, claro, como criar sabores e texturas que deixem uma impressão duradoura.

Critérios para novos alimentos

Todos os palestrantes estavam de acordo com o fato de que os alimentos precisam ser deliciosos, ter preços competitivos e estar convenientemente disponíveis para serem levados com sucesso ao mercado. Somente se esses critérios forem cumpridos poderemos esperar uma mudança duradoura dos métodos cruéis e insustentáveis de produção de alimentos de hoje para melhores alternativas.

Felizmente, esses novos alimentos já estão a caminho. Para alguns, é parmesão de amêndoas que já está disponível, enquanto outros podem estar aguardando em antecipação pelo primeiro atum rabilho feito de células cultivadas – mas para todos que compareceram à conferência, o mundo dos novos alimentos parece promissor e inspirou o apetite para mais.

Exemplos como clara de ovo feita de fungos, queijo artesanal de castanha de caju, leite de ervilhas são indícios do início de uma nova era na alimentação.

Para os interessados em acompanhar as informações compartilhadas na New Food Conference, todas as palestras foram gravadas e agora estão sendo publicadas no YouTube. Em 2020 o evento terá uma nova edição, já confirmada.