Startups veganas de produção de alimentos atraem investidores

Foto: Beyond Meat

Foto: Beyond Meat

Carne obtida de cultura de celular, foie gras à base de plantas, leite de algas e caviar de algas marinhas são apenas algumas das possibilidades cada vez mais sofisticadas de proteínas alternativas que inundam o mercado e aguçam o apetite dos investidores.

Somente no ano passado, dezenas de empresas foram iniciadas e muitas estão atraindo grandes investidores, de acordo com os pioneiros da indústria em desenvolvimento.

“Para cada empresas que esta à procura de dinheiro, há dois ou três investidores. Nunca vi isso no Vale do Silício”, disse Olivia Fox Cabane, fundadora da startup Kind Earth e presidente da International Alliance for Alternative Protein.

Fox Cabane diz que precisa atualizar sua lista a cada duas semanas, e compara o dinamismo do mercado alternativo de proteínas ao burburinho das redes sociais quando começaram a monopolizar a atenção.

Além da Califórnia, a primeira leva de inovadores vem da Holanda, o berço da carne e de outras alternativas a produtos animais, e também de Israel.

A demanda dos consumidores está impulsionando o interesse do mercado por alternativas a carne, de acordo com participantes do Festival South by Southwest desta semana em Austin, Texas (EUA), que se vê na vanguarda das novas tendências.

A nova tecnologia tem refinado produtos alternativos a base de proteína para um público mais amplo, de acordo com Dan Altschuler Malek, sócio do grupo de investimento de risco New Crop Capital.

“A comida vegana existe há décadas, desde o final dos anos 60, início dos anos 70. No início, era para os consumidores éticos que estavam dispostos a se sacrificar”, disse Altschuler Malek.

“Tivemos que esperar pelos anos 90 para que esses alimentos se tornassem mais palatáveis. Mas agora estamos entrando na terceira geração de produtos veganos, com novas tecnologias, o consumidor não precisa mais sacrificar seu paladar: as pessoas estão gostando porque realmente é bom, não porque é comida vegana”

Para os investidores, o gosto tem sido o maior fator na decisão de apoiar um produto. Preço, diz Altschuler Malek, vem em segundo lugar.

Liderando o mercado em cinco anos?

Para garantir que eles não sejam deixados de lado, a maioria dos grandes grupos de agronegócios começou a investir em novas proteínas.

Até mesmo a Tyson Foods – o segundo maior produtor de carne nos Estados Unidos e o maior exportador mundial de carne bovina americana – aderiu à disputa.

A Impossible Foods está entre as várias empresas, incluindo sua rival da Califórnia, Beyond Meat, que desenvolve substitutos de carne à base de plantas ou de laboratório que alegam oferecer produtos iguais ou melhores que os produtos produzidos a base de animais.

A empresa usa proteína de trigo, proteína de batata e óleo de coco, e seu “ingrediente especial” chamado heme, que possui elementos da hemoglobina na proteína animal, mas é desenvolvido a partir da soja.

Há ainda muito progresso a ser feito, incluindo o desenvolvimento da logística para oferecer esses produtos em grande escala e fornecer substitutos para outros produtos de carne comumente adquiridos.

Altschuler Malek, por exemplo, gostaria de poder vender “costeletas de porco” vegetarianas.

Ele diz que um novo substituto à base de tomate para a carne de atum vermelho tem a mesma textura e sabor que a “coisa real” usada no sushi japonês.

Malek acredita que os novos alimentos não serão mais vistos como alternativas em cinco anos, mas sim a norma, encontrada “em todas as geladeiras”.

A maioria das alternativas à carne é feita principalmente com soja, ervilha, grão-de-bico e glúten de trigo, mas as algas e os cogumelos também são promissores.

Insetos, embora favorecidos por algumas startups, não foram um sucesso entre os investidores em Austin.

Além dos problemas de regulamentação sanitária, seria um grande salto para a população geral de consumidores adquirir o gosto por qualquer coisa com seis pernas.

Proteína à base de insetos “pode ser mais aceitável em algumas partes do mundo, mas eu não acho que o consumidor médio ocidental vá comprar em massa esse tipo de produto”, disse Andrew Ive, diretor de gestão da Big Idea Ventures.

Pesquisadores desenvolvem ‘queijo azul’ de aveia

Foto: Northern Alberta Institute of Technology

A criação do ‘queijo azul’ é uma parceria entre o Instituto canadense com a Associação de Produtores de Aveia da Pradaria.

Além do queijo azul dinamarquês, Maynard Kolskog criou gouda defumado, leite, sorvete, iogurte e até mesmo uma versão de pasta de miso com aveia.

“Estou animado com a utilização do grão inteiro”, disse Kolskog à Tech Life Today . “É muito acessível e mais é um produto de Alberta.”

O ‘queijo’ ainda não está totalmente pronto. Segundo o pesquisador, ele ainda precisa de mais cremosidade.

“Estamos trabalhando para experimentar e fazer coisas que não foram feitas antes. O potencial é realmente incrível com este produto ”, disse ele.

Kolskog não está apenas focando sua atenção nas versões veganas de produtos lácteos. Ele também criou um “Wellington de carne vegana” (um enroladinho com massa folhada assado no forno), e quer transformar feijões e ervilha em carnes à base de vegetais.

“O desafio é fazer coisas extraordinárias com esses projetos” , disse ele. “Isso é o que eu amo sobre o trabalho.” As informações são do LiveKindly.

O Canadá esta cada vez mais ativo e atento às consequências desastrosas do consumo de carne e laticínios, movendo esforções para uma mudança significativa nos costumes alimentares da população.

O guia alimentar de 2019 trouxe algumas mudanças importantes em relação à versão de 2017, com produtos lácteos quase totalmente descartados e um foco maior incentivar a ingestão de alimentos vegetais.

Seguindo os passos da Austrália, que no mês passado realizou sua primeira conferência sobre nutrição vegetal, o Canadá também vai reunir profissionais de saúde para fornecer educação baseada em evidências no campo da nutrição sobre dietas vegetais para prevenção e tratamento de doenças crônicas. A conferência acontecerá em Toronto no dia 1º de junho deste ano.

O evento é organizado pela Academia Canadense de Medicina do Estilo de Vida (CALM) e pela Plant-Based Health Professionals UK, uma organização membro da True Health Initiative e da British Society of Lifestyle Medicine.

“A conferência é destinada a profissionais de saúde, médicos e membros do público”, dizem os organizadores.

“Os tópicos abordados incluem o papel da nutrição na obesidade e diabetes, saúde cardíaca, câncer e saúde mental. Nós vamos quebrar alguns mitos comuns de uma dieta baseada em vegetais, discutir o impacto global de nossas escolhas alimentares e muito mais”.

Gigantes da internet se unem para proteger a vida selvagem

Foto: Coalition to End Wildlife Trafficking Online/WWF

Foto: Coalition to End Wildlife Trafficking Online/WWF

O aniversário de um ano (6 de março) da Coalizão pelo Fim do Tráfico da Vida Selvagem Online, apelidada apenas de “Coalizão”, foi comemorado na China esta semana durante um evento com o tema “Protegendo a Vida Selvagem com a Tecnologia”. A Coalizão é uma parceria inovadora de algumas das principais empresas online e de tecnologia do mundo, formada em março de 2018 e unidas com ajuda da TRAFFIC, WWF e IFAW.

Um total de 32 empresas de internet da China e de outros países participaram do evento ao lado de representantes do governo chinês e autoridades mundiais no assunto, incluindo o secretário geral do CITES1, a delegação da União Europeia, embaixadas do Reino Unido e EUA, GIZ, universidades e ONGs além dos representantes dos departamentos chineses de Administração Nacional de Florestas e Pastagens (NFGA), Combate ao Contrabando da Administração Geral de Alfândega (GACC), da Agência Nacional de Polícia Florestal e dos gabinetes da Comissão Central de Assuntos do Ciberespaço, e Supervisão do Mercado e de Pesca.

O evento foi uma oportunidade para avaliar o desempenho e os impactos alcançados pela Coalizão até o momento. Os participantes também discutiram como as empresas globais de comércio eletrônico, tecnologia e mídias sociais efetivamente previnem e combatem o comércio de animais selvagens em seus canais.

Enquanto isso, outras oito empresas de internet se juntaram ao grupo no compromisso de reduzir o comércio de vida selvagem em suas plataformas, implementando planos de ação individuais.

Crimes contra a vida selvagem figuram entre os crimes organizados internacionais mais sérios, perigosos e prejudiciais, assim como o tráfico humano, tráfico de drogas e venda ilegal de armas.

Nos últimos anos, o comércio de animais selvagens migrou gradualmente dos mercados offline para as plataformas online, facilitando as transações clandestinas. A internet permitiu o comércio rápido, conveniente e anônimo da vida selvagem, criando desafios consideráveis para empresas de comércio eletrônico, plataformas de mídia social e agências responsáveis pela aplicação da lei.

Com o objetivo da Coalizão de reduzir em 80% o comércio online da vida selvagem até 2020, as empresas associadas ao grupo têm auxiliado ativamente na aplicação da lei, explorado novas tecnologias para detectar e eliminar informações comerciais ligadas a esse tipo de crime e participado da coordenação mecanismos entre as agências envolvidas. Aumentar a conscientização sobre a importância da conservação da vida selvagem, do consumo sustentável e da rejeição de produtos oriundos desse comércio também é um componente crucial.

As experiências foram compartilhadas por membros novos e antigos. O Sina Weibo, como novo membro, apresentou o conteúdo “Como proteger a vida selvagem pelas mídias sociais” – uma abordagem inovadora que envolve o uso de plataformas online para reduzir a demanda por produtos de marfim entre os consumidores chineses, destacando a vantagem que as mídias sociais possuem em aumentar a conscientização pública e mudar o comportamento do consumidor.

Durante este evento, a TRAFFIC apresentou as principais descobertas do recém publicado estudo “Tendências do Cibercrime da Vida Selvagem na China: Resultados do Monitoramento Online 2017-2018”, que indica que o número médio mensal de novos anúncios de produtos da vida selvagem diminuiu 73% em comparação com 2012-2016.

Essas descobertas fornecem referências importantes para entender a atual natureza do cibercrime envolvendo a vida selvagem na China e ajudam a melhorar a capacidade das empresas de internet de combater o cibercrime da vida selvagem. Além disso, a TRAFFIC, juntamente com o WWF e o IFAW, divulgou o Plano de Ação Global contra o Cybercrime da Vida Selvagem, que fornece orientação sistemática para o trabalho futuro dos membros.

Steven Broad, diretor executivo da TRAFFIC International afirma que a Coalizão tem o poder de facilitar de forma sólida que empresas associadas ao grupo a cumpram a lei do comércio eletrônico, incluindo o fortalecimento de sua gestão de vendedores e usuários.

“A TRAFFIC fornecerá conhecimentos e recursos para ajudar a facilitar a coalizão com os parceiros WWF e IFAW, apoiando membros atuais e potenciais, o governo, o público e demais ONGs envolvidas, nosso objetivo comum é a conservação e proteção da biodiversidade”, conclui ele.

Pele humana impressa em 3D pode trazer o fim aos testes de cosméticos em animais

Testes de cosméticos feitos em tecido cutâneo humano impresso em 3D ao invés de animais podem ser uma realidade até 2020. A Organovo, uma empresa que produz tecido humano para testes medicinais e aplicações terapêuticas, está oferecendo uma alternativa ética às empresas de cosméticos que desejam acabar com os testes em animais.

Foto: BBC

“O que antes só aparecia em histórias de ficção científica agora está se tornando uma realidade em nossas pesquisas”, disse Taylor Crouch, CEO da Organovo, ao Financial Times.

Em 2015, a L’Oréal anunciou que estava experimentando o uso de pele humana impressa em 3D para testar seus cosméticos. A empresa de cosméticos francesa foi a primeira a anunciar tais intenções. No mesmo ano, a L’Oréal fez uma parceria com a Organovo. Esses tecidos impressos em 3D imitam a forma e a função do tecido nativo no corpo, aumentando a precisão dos resultados dos testes realizados.

Existem dois tipos de tecidos da pele que podem ser criados pela tecnologia de bioprinting, de acordo com Joshua Zeichner, dermatologista e diretor de pesquisa clínica e cosmética em dermatologia do Hospital Mount Sinai, em Nova York, EUA. O primeiro tipo de tecido da pele é desenvolvido com as próprias células do indivíduo e pode ser usado para tratar queimaduras ou doenças de pele.

O segundo tipo é uma pele regular formada usando um estoque de células de DNA humano. Aqui as células são retiradas de órgãos de doadores e restos de cirurgia plástica e depois transformadas em uma bio-tinta imprimível. É esse segundo tipo de tecido que poderá ser uma alternativa aos testes em animais.

Segundo a PETA, entre 100 mil a 200 mil animais – incluindo coelhos, cobaias, hamsters, ratos e camundongos – sofrem e morrem em cruéis experimentos realizados pela indústria de cosméticos a cada ano em todo o mundo.

A União Européia proibiu o teste de produtos cosméticos em animais em 1998 e proibiu a venda de cosméticos cujos ingredientes foram testados em animais em 2013. Enquanto isso, nos EUA, apenas quatro dos 50 estados aprovaram leis que proíbem testes em animais. De acordo com a Cruelty Free International, milhares de animais morrem em testes de cosméticos a cada ano nos EUA.

Na China, a realização de testes de cosméticos em animais ainda é legalizada, o que significa que as empresas geralmente terceirizam os experimentos para este e outros países onde a prática ainda não foi proibida. A L’Oréal, apesar de ter afirmado que “não testa mais seus ingredientes em animais e não tolera mais nenhuma exceção a essa regra”, ainda permite que seus produtos sejam testados em animais em alguns países.

A coordenadora de mídia e parcerias da PETA, Jennifer White, disse que “a PETA reconhece que a L’Oréal está dando passos significativos no sentido de fabricar produtos mais éticos, e esperamos ansiosamente pelo dia em que a empresa acabará com todos os testes em animais – visto que a empresa atualmente paga ao governo chinês para conduzir os testes em seus produtos na China.”

Além do óbvio argumento contra os testes em animais, que é a crueldade envolvida no processo, outro fato que refuta a suposta relevância da prática é que 92% das drogas que foram testadas em animais e consideradas seguras para seres humanos falharam em testes em humanos. Andrew Knight, assessor científico do Animal Welfare Party e professor de bem-estar animal na Universidade de Winchester argumenta que “faz sentido testar produtos de beleza em pele humana impressa em 3D em vez de animais, pois é mais ético e mais confiável”.

Outra boa notícia é que os testes em pele impressa em 3D também acabarão custando menos. Em experimentos que realizam testes em animais, leva de dois a três anos para se obter os resultados, enquanto com os testes em pele humana impressa em 3D, os resultados saem em até duas semanas. Quanto menos tempo levarem os testes, menos dinheiro será gasto nos experimentos.

Estima-se que os Estados Unidos gastem anualmente mais de 12 bilhões de dólares em testes em animais para fins de pesquisa. O uso de métodos “in vitro”, pele humana e outros órgãos impressos em 3D, reduziria significativamente esse valor.

Índia anuncia o fim de testes com animais em pesquisas biomédicas

Em um movimento histórico para o progresso da medicina humana e o afastamento do uso de animais em testes como de macacos e cães, entre outros, o Conselho Indiano de Pesquisa Médica ( ICMR), sob a égide do Ministry of Health & Family Welfare, anunciou seus planos para estabelecer um novo “Centro de Excelência em Biomedicina e Avaliação de Risco Baseado em Roteamento Humano do ICMR” em Hyderabad.

Foto: Pixabay

O anúncio do ICMR vem logo após as reuniões com Humane Society International e People for Animal, que pediram aos órgãos de financiamento da Índia para aumentarem seus investimentos em tecnologias de ponta, como órgãos humanos em um chip e técnicas de modelagem computacional de próxima geração. Essas técnicas alternativas são essenciais para o avanço da saúde pública e do crescimento econômico ao lado dos Estados Unidos, Europa, China  e outros líderes globais em inovação. As informações são do World Animals News.

O vice-diretor da HSI / Índia , Alokparna Sengupta, disse em um comunicado : “Somos gratos ao ICRM por ‘pensar fora da caixa’ e atender nosso chamado para estabelecer este centro urgentemente necessário para o avanço de abordagens específicas para pesquisas médicas e testes de segurança de produtos”.

“Mais e mais cientistas estão questionando a relevância e a utilidade da pesquisa e dos testes baseados em animais, enquanto as agências de financiamento estrangeiras estão investindo pesadamente em tecnologias não animais de ponta. Este novo centro do ICMR, se tiver recursos adequados, tem o potencial de tornar a Índia um importante ator global na pesquisa médica do século XXI. Esperamos continuar colaborando com o ICMR para tornar essa visão uma realidade”.

Foto: Dmitry Korotayev | Epsilon |Getty Images

Paralelamente, o ICMR coordenou a elaboração de um “Roteiro indiano sobre alternativas aos animais em pesquisa” com contribuições de importantes cientistas e especialistas indianos na área, incluindo representantes do HSI / Índia.

Espera-se que este documento do white paper sirva como base para o desenvolvimento de futuros pedidos de financiamento para pesquisa pelo ICMR, que conduzirá a agenda científica no novo Centro de Excelência focado no ser humano em Hyderabad.

A Humane Society International é um membro fundador da Biomedical Research for the 21st Century (BioMed21) , um grupo diversificado e internacional de interessados ​​que compartilham a visão de um novo paradigma focado no ser humano na pesquisa médica.

Atualmente, a colaboração está anunciando uma  chamada de financiamento aberta  destinada exclusivamente a cientistas da saúde, para apoiar o desenvolvimento e a publicação de artigos de revisão em áreas-chave da saúde pública, como câncer, diabetes (tipo II), doenças cardiovasculares e tuberculose.

 

chip

Chip capaz de imitar órgãos humanos promete pôr um fim nos testes em animais

A tecnologia “human-on-a-chip” consiste em um chip capaz de recriar órgãos humanos, por meio de cultura de células inseridas em um dispositivo que simula algumas características do organismo. O chip usa tecido humano doado por voluntários para imitar órgãos humanos, e tem sido fundamental nos testes de segurança química, bem como na produção de vacinas e desenvolvimento de medicamentos, de acordo com a Cruelty Free International.

chip

Foto: Wyss Institute

Cientistas da Universidade da Flórida Central fizeram progressos na cultura de células do coração humano, o que significa que agora podem prever com mais precisão os efeitos de drogas e substâncias químicas no coração humano – citados anteriormente como um dos principais motivos do fracasso dos ensaios clínicos.

A Cruelty Free International diz que muitas vezes não são as drogas em si que são tóxicas para o coração, mas que o problema está em como elas são processadas pelo fígado.

“O novo avanço ajudou os cientistas da Universidade da Flórida Central a descobrir como o coração e o fígado reagiriam a diferentes substâncias químicas”, acrescenta a organização. “Isso dá uma indicação muito mais precisa de como o corpo humano irá responder.”

“Os mais recentes avanços na tecnologia human-on-a-chip melhoram a previsão de toxicidade no coração humano, o que tem sido um fator importante nos estudos sobre novas drogas”, disse o Dr. Jarrod Bailey, pesquisador sênior da Cruelty Free International em um comunicado.

“Ele dá resultados ainda melhores do que antes, é superior aos testes em animais e reflete com mais precisão o que vai acontecer nas pessoas.”

“Este é um exemplo interessante de como uma inovação tecnológica pode produzir uma forma muito mais ética e relevante de entender os processos de doenças humanas e os efeitos de novas drogas e produtos químicos, sem a necessidade de causar sofrimento aos animais”.

projeto do satélite

ONG irá lançar satélite para rastrear emissões de gases de efeito estufa

A organização sem fins lucrativos Environmental Defense Fund (EDF) concedeu a duas empresas um total de 1,5 milhão de dólares em contratos para projetar um satélite que monitorará as emissões de gás metano em todo o mundo. A EDF anunciou em 10 de janeiro que as empresas competirão para oferecer o melhor projeto para o satélite, chamado MethaneSAT.

projeto do satélite

Foto: EDF

O MethaneSAT irá monitorar as emissões de metano geradas por seres humanos em todo o mundo. As duas empresas escolhidas – Ball Aerospace e SSL – continuarão desenvolvendo planos para o satélite. Quando seus projetos estiverem completos, a EDF escolherá uma das duas empresas para construir a nave, que será lançada em 2021.

A EDF anunciou seus planos de desenvolvimento do satélite em abril de 2018, como parte de um esforço maior para o melhor rastreamento dos gases de efeito estufa. O metano é cerca de 30 vezes mais capaz de capturar calor do que o dióxido de carbono, por isso é particularmente potente. Espera-se que o melhor rastreamento leve a novas formas de diminuir ou lidar com as emissões de gases de efeito estufa.

“Isso vai aumentar muito a nossa capacidade de monitorar as emissões de metano das atividades humanas em escala global”, disse Steven Hamburg, cientista-chefe do projeto MethaneSAT. Como o satélite coletaria dados sobre a produção de metano em todo o mundo, esses dados poderiam ser usados ​​para descobrir quem é responsável pela geração do metano e quais medidas podem ser necessárias para diminuir essas emissões, diz ele.

Sabemos que as operações de petróleo e gás, assim como a agricultura, produzem grandes quantidades de metano, mas esse satélite será capaz de coletar dados concretos para mostrar exatamente o quanto está sendo produzido e onde.

“A noção de que poderemos ver as emissões em uma escala relevante para a mitigação eficaz pode ser um divisor de águas para as reduções globais de gases de efeito estufa”, disse Hamburg.

Além disso, Hamburg disse que desde que o satélite será financiado pelo setor privado, o que fará o processo se mobilize mais rapidamente do que se fosse desenvolvido com financiamento do governo.

Pesquisadores testam drones para monitorar ninhos de tartarugas em praias da Amazônia

Localizada às margens do Rio Solimões, no estado do Amazonas, a praia do Horizonte é uma faixa de areia com atuais 9 km de extensão – que variam de tamanho diariamente. É um ponto de desova para centenas de quelônios, entre tartarugas-da-amazônia, iaçás e tracajás, e também foco de interesse de pesquisadores e ativistas. Pensando na proteção de áreas de reprodução como essa, o Instituto Mamirauá, a WWF-Brasil e a Universidade da Flórida testam o uso de drones para o trabalho de monitoramento na área.

Foto: G1 AM

Controlado de forma remota por um piloto integrante da pesquisa, o drone realizou percursos aéreos a diferentes altitudes, filmando e fotografando com uma câmera de alta definição o relevo da praia. A ideia, de acordo com a pesquisadora Marina Secco, é identificar rastros de tartarugas na areia e, assim, chegar até os ninhos.

“Conseguimos ver perfeitamente os rastros de tartarugas-da-amazônia na areia, que do alto parecem marcas feitas por um tratorzinho. As marcas da iaçá, que é um quelônio de menor porte, também foram nítidas”, comentou Marina.

Os voos-teste foram realizados na faixa de 11 às 14 horas, quando os raios do sol chegam à superfície da terra em ângulos mais próximos a 90 graus, facilitando ainda mais a visibilidade. Os melhores resultados foram gravados a 20 metros de altura em relação à praia.

Foto: G1 AM

“Com o possível sucesso desses experimentos, esperamos em breve poder usar drones para contagem de ninhos”, indica Marina, que faz parte do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Tecnologia a serviço da conservação

Desde a década de 1990, o instituto apoia ações de conservação de quelônios realizadas de forma voluntária por moradores da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, onde está a praia do Horizonte. A conservação comunitária de praias, que envolve a contagem e monitoramento de ninhos de tartaruga, está nesse rol e pode ser ampliada com o auxílio dos drones.

“Uma das vantagens da tecnologia é reduzir o tempo gasto no monitoramento de uma única praia e distribuir melhor os esforços para encontrar novas áreas de desova nessa região. Em pontos de difícil acesso, também podemos usar os drones para fazer a contagem remota de ninhos dos quelônios”, explica Marina Secco.

Foto: G1 AM

Além das metas diretamente ligadas à conservação, a pesquisadora aponta que os veículos aéreos não tripulados também podem ser úteis em estudos mais amplos sobre a ecologia de quelônios na Amazônia. A ferramenta tem potencial em levantamentos de altimetria (medição de altitudes) em pontos de desova nas praias.

Próximos passos

Os vídeos e as fotos captados na praia do Horizonte estão agora sob a análise de equipe da Universidade da Flórida, parceira do projeto.

“A ideia é ver em que medida os pesquisadores de lá conseguem identificar os rastros de tartarugas e os ninhos nas imagens, qual a taxa de erro entre a contagem in loco (feita pelos pesquisadores do Instituto Mamirauá na praia) e a contagem feita por eles nas imagens”, explica Marina.

Fonte: G1 AM

Em Pernambuco, profissionais criam próteses em 3D para ajudar animais

Em Pernambuco, profissionais de várias áreas se uniram para melhorar a vida de animais mutilados. Com tecnologia de impressão 3D, eles até criaram um casco artificial para um jabuti.

Foto: G1

A Dora ganhou um casco novinho em folha: colorido e cheio de estilo para uma senhora jabuti de 30 anos de vida. Ela perdeu 90% da carapaça num incêndio num canavial. Foi um ano de sofrimento antes da transformação.

“A carapaça serve como proteção. Proteção para predador, proteção para arranhões, e também para manter a temperatura deles”, afirma Maria Cristina de Oliveira Cardoso Coelho, veterinária e professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

A solução veio em forma de inovação com uma prótese feita numa impressora 3D. Além da tecnologia, a solidariedade também foi importante nesse esforço para dar uma qualidade de vida melhor pra Dora. Doze profissionais se juntaram e trouxeram as suas diferentes habilidades para criar um novo casco para a jabuti e trazer esperança para tantos animais mutilados.

“A gente iniciou mapeando todo casco, a gente fez foto 360° e a tomografia para a gente saber a espessura, para a gente moldar o casco dela todo e para iniciar o processo da prótese”, explica Thabata Morales, doutoranda em medicina veterinária da UFRPE.

Foram 50 horas na impressora 3D para fazer a carapaça sob medida. Trabalho do designer Eduardo Sales, que se juntou à turma de apaixonados por animais: “Durou mais ou menos uns três meses para sair a prótese definitiva”.

O acabamento ficou por conta da artista plástica Nani Azevedo, que dedicou um mês de trabalho para pintar cada traço da carapaça: “Como a jabuti vai voltar a levar chuva, a sofrer essas ações do tempo, eu precisava saber como dar o acabamento para a tinta não perder”.

Tem ainda uma espuma por dentro para não machucar a jabuti. O novo casco pesa 700 gramas, é encaixado e parafusado. “A nossa missão é essa mesma, é minimizar o sofrimento desses animais que são maltratados e perdem o seu habitat natural por conta, infelizmente, do homem”, acredita Maria Cristina.

Todos os dias, o centro de triagem de animais silvestres da Agência Estadual de Meio Ambiente recebe animais apreendidos com traficantes ou que eram criados ilegalmente. Por ano, 11 mil animais passam pelo local para se recuperar e voltar à natureza. Quase 10% deles chegam doentes ou mutilados.

Um carcará e dois jabutis estão na fila por uma prótese. A Dora, faceira, testou e aprovou.

“É alegria total, né? Alegria total. É você ver que, juntando uma equipe boa, você consegue fazer coisas maravilhosas!”, comemora Eduardo.

Fonte: G1

três corações humanos em miniatura dentro de jarros com equipamentos

Como corações humanos em miniatura irão revolucionar os testes científicos para medicamentos

Durante décadas, empresas farmacêuticas realizaram testes em animais e ensaios clínicos para determinar a eficácia e a segurança de novas fórmulas de drogas. Mas esses métodos provaram ser caros, perigosos e altamente ineficientes. Para consertar isso, a empresa global de biotecnologia Novoheart desenvolveu os primeiros corações humanos em miniatura usando células-tronco.

três corações humanos em miniatura dentro de jarros com equipamentos

Foto: Novoheart

Fundada por Ronald Li, Kevin Costa e Michelle Khine em 2014, a empresa está em uma missão para transformar a indústria médica, oferecendo um novo padrão para testes de precisão que proporcionam economia de tempo e custos sem precedentes.

“O desenvolvimento de medicamentos tradicionalmente baseia-se em culturas de células e modelos de pequenos animais para prever toxicidade e eficácia cardíacas,” afirma Kevin Costa, diretor científico da Novoheart.

“Mas eles não são especialmente preditivos de como um medicamento se comportará quando entregue a pacientes humanos, e tanto a indústria farmacêutica quanto as agências reguladoras vêm buscando ativamente alternativas melhores.”

Uma alternativa pioneira

Depois de 20 anos de pesquisa pioneira, Costa, Li e seus colegas demonstraram uma solução que consiste em um “coração-em-um-jarro” em miniatura que pode prever como as drogas podem reagir em um paciente humano.

Ele replica uma das quatro principais câmaras do coração humano, com uma parede fina o suficiente para não precisar de suprimento de sangue. “Com esse modelo 3D avançado, conseguimos reproduzir algumas das principais respostas ao carregamento mecânico, estimulação elétrica e tratamentos com drogas,” explica Costa.

“Conseguimos fazer mini-corações saudáveis ​​para detectar possíveis efeitos cardiotóxicos de drogas. Também fizemos corações doentes portadores de anormalidades genéticas específicas, em parceria com empresas farmacêuticas que estão desenvolvendo medicamentos para o tratamento das doenças, mas que não possuem modelos que mimetizam adequadamente os sintomas humanos para testar sua nova terapêutica.”

Além do coração em miniatura, a empresa criou um conjunto complementar de testes cardíacos derivados de células-tronco humanas chamado MyHeart Platform. Usando essas tecnologias, os especialistas obtêm informações sobre o impacto que as drogas podem causar no coração. Eles podem detectar efeitos benéficos ou reações adversas perigosas, potencialmente fatais – como ritmos cardíacos irregulares.

Costa acredita que essas soluções podem revolucionar a medicina tornando as terapias mais seguras e eficazes para os pacientes, além de reduzir o desperdício de recursos. “No geral, estamos testemunhando uma tendência de toda a indústria para explorar ensaios baseados em células-tronco humanas como um afastamento dos tradicionais testes em animais,” diz ele.

Entre os primeiros sucessos da empresa, ele não apenas demonstrou o modelo de coração em miniatura, mas também foi listado na TSX Venture Exchange do Canadá. No entanto, Costa admite que Novoheart teve que superar muitos desafios. Ele diz: “Um obstáculo que estamos enfrentando é o momento em que a indústria farmacêutica precisa adotar novas tecnologias, mas entendemos que isso requer persistência, enquanto continuamos a oferecer ciência de alta qualidade e inovação impulsionadora de fronteiras.”

Um futuro brilhante

Olhando para o futuro, Costa diz que a Novoheart continuará aperfeiçoando suas tecnologias e investindo em pesquisas futuras. “Por exemplo, desenvolvemos um biorreator modular que nos permite monitorar múltiplos mini-corações, ou organoides cardíacos, de uma só vez,” continua ele.

“Isso pode potencialmente ser estendido a mini-órgãos além do coração, que podem ser conectados para simular interações no nível dos sistemas entre o coração e outros órgãos do corpo. Se, em última instância, quisermos perceber o potencial de substituir estudos em animais por estudos com organoides baseados em humanos, então haverá a necessidade de criar sistemas compreendendo diferentes tipos de órgãos.”

Em suas instalações de Pesquisa e Desenvolvimento na Califórnia, a Novoheart está desenvolvendo ativamente novos hardwares e softwares que fazem interface com seus tecidos de coração humano projetados. O objetivo é melhorar o rendimento, a sensibilidade e a precisão dos ensaios biológicos.

“À medida que os ensaios se tornam mais sofisticados, os conjuntos de dados geram aumento de tamanho e complexidade, o que exige uma mineração extensiva para utilizar plenamente as gravações de grande valor feitas com esses tecidos,” conclui Costa.

“Desenvolvemos algoritmos de aprendizado de máquina para analisar os dados de maneira imparcial e abrangente, para maximizar as informações que podemos obter de forma eficiente e eficaz a partir desses ensaios. Nossos testes inteligentes de última geração prometem ser ainda mais poderosos do que são agora.”