Testes realizados em beagles aumentam no Reino Unido

Por Rafaela Damasceno

Os testes de laboratório realizados em cachorros aumentaram no Reino Unido. Os números chegaram a quase 5 mil só em 2019, um aumento de 16% em relação ao ano passado. Apesar dessa elevação, a maior parte dos testes ainda é realizada em outros animais, como camundongos e peixes. Ao todo, 3,52 milhões de procedimentos foram realizados no país em 2017.

Um beagle preso em uma gaiola

Imagem ilustrativa | Foto: Getty

Os beagles são os cachorros mais explorados nos testes. A maior parte dos procedimentos (71%) visava experimentar a segurança de produtos medicinais, odontológicos e veterinários.

Gatos, cachorros, macacos e cavalos são normalmente considerados espécies protegidas e compõe ao todo 1% dos testes no mundo. O número de gatos explorados diminuiu em 20%, mas o número de macacos cresceu 8%.

Em 2017, cerca de metade dos procedimentos foram experimentais, mas 1,72 milhões de animais foram explorados para estudos envolvendo criação de espécies geneticamente modificadas.

Todos os lugares que fazem testes em animais recebem uma licença para isso. A maior parte, 51%, foram realizados em universidades de medicina.

Desde 2014, os testes são classificados de acordo com a quantidade de sofrimento que causa. Há cinco categorias: sublimiar, sem recuperação, leve, moderada e grave.

Lindsay Marshall, cientista da Sociedade Humana Internacional, afirma que as pesquisas médicas da Grã-Bretanha são ultrapassadas e irracionais. Já a Dra. Frances Rawle, diretora do Conselho de Pesquisa Médica, acredita que os testes em animais ainda são essenciais para a pesquisa progressiva.

“Essas figuras compõem um sistema ultrapassado, cujos experimentos drogam, envenenam, mutilam e matam certos animais apenas porque sempre fizeram isso”, declara a consultora política da PETA, Julia Baines. Ela ainda chama atenção para o fato de que camundongos, ratos e peixes têm menos proteção do que cachorros e gatos, mesmo tendo a mesma capacidade de sentir dor.

“O governo do Reino Unido tem uma obrigação moral de proteger os animais e podem continuar promovendo a saúde humana trocando os testes em seres vivos pelas tecnologias atuais, como os chips que recriam órgãos”, completou.


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Audiência na Câmara vai discutir uso de cães em testes de agrotóxicos

Por David Arioch

Discussão é motivada por denúncia feita em março de cruéis testes em animais realizados pela multinacional agroquímica Dow AgroSciences por exigência da Anvisa (Imagem: Reprodução)

Na próxima terça-feira (11), a partir das 14h, o uso de cães em testes de agrotóxicos vai ser discutido pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável no Plenário 8 da Câmara dos Deputados.

A audiência é uma iniciativa do deputado Fred Costa (Patri-MG), que manifestou preocupação após denúncia feita em março pela organização Humane Society International de que testes em cães estavam sendo financiados pela multinacional Dow AgroSciences para atender as exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“A Humane Society afirmou que os testes são para um fungicida fabricado pela Dow AgroSciences que será vendido no Brasil”, apontou Fred Costa. Após a repercussão de um vídeo denunciando a crueldade da prática, a multinacional reconheceu que os testes em animais não são essenciais e destacou que está trabalhando em pareceria com a Humane Society para que a Anvisa altere os requisitos de testes.

No vídeo divulgado em março, 36 beagles aparecem sendo alimentados à força com altas doses de agroquímicos. A escolha dos beagles é justificada pelo seu comportamento dócil, pela facilidade em confiar nas pessoas.

Na terça-feira, também foram convidados para participar da discussão a promotora de Justiça do Promotorias de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural (Prodema) e do Ministério Público da União, Luciana Bertini Leitão; os veterinários Luiz Cesar Cavalcanti Pereira da Silva e Flávia Quadros Campos Ferreira; e as ativistas Alexia Deschamps e Carolina Mourão.


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Campanha pede à Johnson & Johnson para abdicar dos testes em animais

Por David Arioch

No desenvolvimento do Splenda, a multinacional causou a morte de 12,8 mil animais entre cães, macacos, coelhos e camundongos (Foto: Getty)

Uma campanha criada recentemente está pedindo à empresa Johnson & Johnson, gigante do ramo de produtos farmacêuticos e de higiene, para abdicar dos testes em animais. Segundo a idealizadora e ativista dos direitos animais, Jacqueline Canlas, com base nos princípios que a multinacional promove, o consumidor pode acreditar que a empresa tem altos padrões morais. Porém, a realidade não é bem assim.

A Johnson & Johnson pode alegar ser uma empresa ‘cruelty free’, no entanto, Jacqueline reforça que isso não condiz com a verdade, já que a multinacional desenvolve produtos testados em animais, o que pode ser confirmado pela internet – considerando tipo de produto e destino.

Além disso, o que pode criar uma ilusão da não realização de testes em animais são os braços menores da empresa, ou seja, suas subsidiárias – como a marca de produtos para pele Aveeno, os produtos de higiene feminina Carefree, os de higiene bucal Listerine; de cuidados com a pele e corpo Lubriderm; e de maquiagem, pele e cuidados com o corpo Neutrogena.

Há muitas outras como a Rembrandt, RoC, Stayfree, Reactine, Acuvue, Benalet, Clean & Clear, Cotonetes, NeoStrata, Mylanta, Nicorette, ob, Reach, Sempre Livre, Sundown, Tylenol, Band-Aid, Hipoglos, OGX e Desitin.

“A quantidade de testes em animais realizados pela Johnson & Johnson e suas empresas é colossal. Quantas vidas inocentes de animais foram tomadas, envenenadas e torturadas? Não deveria ser assim. Peço ao CEO da Johnson & Johnson, Alex Gorsky, e ao Conselho da Johnson & Johnson, que parem imediatamente de realizar testes em animais”, enfatiza a ativista dos direitos animais, que criou uma petição no site Care2, que já se aproxima de 83 mil assinaturas.

Segundo informações da Humane Society Internacional, só nos testes de segurança do adoçante Splenda, a multinacional fundada em 1879, causou a morte de 12,8 mil animais entre cães, macacos, coelhos e camundongos.

“Os cientistas queriam observar os efeitos do Splenda no sistema nervoso. Eles morreram simplesmente porque queríamos uma alternativa ao açúcar”, lamenta. Se você é contra a realização de testes em animais, assine a petição clicando aqui.  


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Vencedor do Lush Prize enfatiza que testes em animais não trazem resultados confiáveis

Por David Arioch

Renato com a professora Marize Valadares no dia da premiação do Lush Prize: “Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana” (Foto: Divulgação)

Vencedor do prêmio internacional Lush Prize, que premia as melhores iniciativas de substituição aos testes em animais em pesquisas toxicológicas, o pesquisador Renato Ivan de Ávila nasceu em Goiânia e tem a Universidade Federal de Goiás (UFG) como norte da sua formação profissional.

Após a graduação em farmácia, se especializou em farmacologia clínica, concluiu mestrado em ciências farmacêuticas e doutorado em ciências da saúde – parte conduzido na Lund University, da Suécia.

Mas foi antes, em 2008, que despertou o interesse pela pesquisa científica, quando foi introduzido a um projeto de iniciação científica. Ávila conta que a responsável foi a professora Marize Campos Valadares, que o orientou durante a iniciação científica até a finalização do doutorado.

“Foi com ela que adentrei ao conhecimento de métodos inovadores sem o uso de animais e que mimetizam melhor a fisiologia humana”, revela.

Após a graduação, Renato trabalhou no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado de Goiás (LACEN-GO), onde adquiriu experiência como professor da Residência Multiprofissional da Secretaria da Saúde de Goiás.

“Ano passado, fui professor temporário de toxicologia para alunos de graduação em farmácia na UFG e também em disciplina de biossegurança para diferentes cursos – farmácia, direito, engenharias, medicina, biomedicina, veterinária etc”, informa.

Hoje, considerando a atual conjuntura política, Renato de Ávila não vê boas oportunidades para continuar no Brasil. Por isso tomou a decisão de trabalhar, a partir de junho, na empresa sueca de biotecnologia SenzaGen, em parceria com a Lund University.

Em entrevista ao VEGAZETA, o pesquisador fala sobre o interesse em buscar alternativas aos testes em animais, premiações e o futuro da pesquisa toxicológica, entre outros assuntos. Confira:

Como surgiu o interesse por desenvolver uma alternativa aos testes em animais? Trabalho que você já tem desenvolvido há dez anos.

Nesses 10 anos, a minha área de pesquisa é a Toxicologia, uma ciência que procura investigar os efeitos danosos que substâncias químicas ou misturas possam causar no organismo humano. Apesar de ser uma área de estudo antiga, veio de um grupo de pesquisa que reconhece que a Toxicologia, assim como outras partes da ciência, ainda usa protocolos obsoletos envolvendo animais.

São obsoletos, uma vez que causam dor e sofrimento desnecessário aos animais e são modelos que falham, ou seja, não trazem resultados confiáveis. Como dizem pesquisadores de referência na nossa área, “o homem não é um camundongo de 70 kg” e, por isso, há diferenças entre o organismo do homem e de outros animais.

Nessa perspectiva, meu desafio é desenvolver modelos inovadores, sem animais, que imitem melhor o organismo humano na busca de respostas sobre o que pode ser tóxico ou não, seja um medicamento, um cosmético ou um agrotóxico, por exemplo.

 Então o projeto é bem mais amplo do que criar uma alternativa para a substituição dos testes sem animais na indústria cosmética?

É mais amplo. Meu projeto é voltado para investigar se alguma substância ou produto pode ocasionar alergias severas quando em contato com a pele (esse evento é clinicamente conhecido como dermatites alérgicas de contato).

Nesse sentido, toda substância ou produto que, de forma intencional (ex.: cosmético) ou não (ex.: agrotóxico), possa entrar em contato com a pele deve ter a resposta para a seguinte pergunta: tem potencial ou não para promover alergias na pele? Essa é uma pergunta que fabricantes de cosméticos, medicamentos, agrotóxicos, dentre outros, devem investigar para solicitar a venda do seu produto em algum país.

Com o meu trabalho, propus uma estratégia eficaz, sustentável e livre de animais de laboratório e até com capacidade preditiva superior aos modelos animais historicamente usados para avaliar o potencial alergênico de produtos. No Brasil, é uma área de extrema carência e por isso necessitamos de autonomia tecnológica.

Para isso, é fundamental investimento em Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PD&I) para adequar os modelos inovadores atuais às nossas necessidades regulatórias e científicas. Com isso, meu projeto veio a contribuir para o fortalecimento das bases científicas e tecnológicas para a implementação e desenvolvimento de experimentação sustentável in vitro (sem animais de laboratório) no Brasil.

Os modelos historicamente usados para a avaliação toxicológica de alergenicidade envolvem o uso de camundongos e porquinhos-da-índia. Para se ter uma ideia, a literatura mostra que o desempenho desses ensaios animais em relação aos dados humanos é de 72%.

Meus resultados, usando técnicas 100% livre de animais de laboratório, alcançaram um desempenho superior a 90% e, a depender do ensaio, um valor máximo de 100%. Assim, evidencia-se a superioridade preditiva das tecnologias in vitro quando comparadas com os protocolos que usam animais de laboratório.

 Vocês levaram quanto tempo para desenvolver uma estratégia de testes, baseado no mapa molecular do processo alérgico, capaz de determinar se uma substância causa ou não alergia? E como esse trabalho foi desenvolvido?

Essa busca foi longa, durante os quatro anos do meu doutorado. O mapa molecular dos principais eventos celulares e bioquímicos do processo alérgico foi publicado pela Organisation for the Economic Co-operation and Development (OECD) em 2012, portanto algo bem recente. Em cima desse conhecimento, estabelecemos métodos inovadores que avaliam se um produto ou substância tem a capacidade de reagir com as proteínas da pele e promover alterações nas células da pele que culminem para o desenvolvimento de alergias.

Assim, utilizamos proteínas sintéticas e células humanas cultivadas em laboratório, entre elas queratinócitos, uma das células mais presentes na pele, e células dendríticas que são responsáveis por processar e identificar substâncias alergênicas no organismo.

Uma parte das minhas análises foi conduzida na Lund University, sob a orientação da professora Malin Lindstedt. Em seu grupo de pesquisa, tive a oportunidade de ser treinado em uma tecnologia inovadora, chamada GARD (Genomic Allergen Rapid Detection), baseada no conhecimento dos 200 genes humanos que são alterados por substâncias alergênicas.

Esse ensaio foi desenvolvido pelo grupo da professora Malin e hoje é um produto comercial disponível para indústrias e pesquisas que adotam práticas tecnológicas inovadoras livres do sofrimento animal.

De onde veio o investimento para a pesquisa e quantas pessoas participaram do projeto?

Contou com investimento de diferentes instituições e entidades. No Brasil, contou com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FUNAPE) da UFG, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). No nível internacional, o prêmio “Lush Prize” também foi investido no projeto, juntamente com o apoio da Swedish Foundation for Strategic Research e da Faculdade de Engenharia (LTH) da Lund University.

Contei com a participação de uma equipe multiprofissional, de diferentes backgrounds, entre farmacêuticos, químicos, odontólogos e engenheiros, entre eles: Danillo F. M. C. Veloso, Gabriel C. Teixeira, Thaisângela L. Rodrigues, Tim Lindberg, Malin Lindstedt, Simone G. Fonseca, Eliana M. Lima, Marize C. Valadares.

Você foi bolsista do Ciência Sem Fronteiras, certo? Seria possível desenvolver esse trabalho sem o programa?

Realizei parte do meu doutorado (nove meses) na Lund University com investimento do Ciência Sem Fronteira. Foi uma experiência muito relevante, tanto a nível profissional como pessoal. Pude ser treinado em técnicas inovadoras e tive contato com importantes pesquisadores da minha área.

Pude desenvolver parte da minha pesquisa lá, aumentando o impacto do meu trabalho. Aprendi bastante e pude repassar o conhecimento para o meu grupo de pesquisa e alunos. Morar em outro país também me permitiu crescimento pessoal e também tive uma troca cultural bastante interessante, uma vez que a cidade onde morei era uma cidade universitária.

Além de ser uma das 100 melhores universidades do mundo, a Lund University tem um processo de internacionalização do ensino e pesquisa muito interessante, e recebi anualmente alunos de todos os lugares do mundo. Então foi uma troca muito rica de experiências e conhecimentos.

Como você analisa a atual situação do Brasil em relação a cortes de investimentos em pesquisa científica e educação?

Pra mim, é muito frustrante o cenário atual. Passamos por cortes nos últimos quatro anos, mas nada tão preocupante havia sido visto como agora. Para se ter uma ideia, o atual presidente havia prometido para 2019 o menor orçamento dos últimos 14 anos para o MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Em março desse ano, propôs o bloqueio de 42% desse orçamento – o que já era pouco, tornou-se escasso. Sem falar no bloqueio de investimentos impostos ao MEC. As consequências disso são diversas, como atraso tecnológico e perda dos jovens pesquisadores brasileiros para outras nações.

Precisamos de prioridades para o Brasil. Nossos governantes têm que entender que não há desenvolvimento econômico sustentável se não há educação de boa qualidade. Não há possibilidades de um país alcançar autonomia tecnológica se não há investimento em PD&I. Essa receita foi – e ainda é – adotada por diversas potências tecnológicas mundiais, entre elas EUA, Suécia, Alemanha, Coreia do Sul, Japão etc.

Renato, o prêmio de 10 mil libras do Lush Prize foi de grande ajuda no projeto?

O meu projeto já estava sendo desenvolvido quando ganhei o prêmio. Contudo, estávamos com a possibilidade de o projeto não ser finalizado pela falta de investimento. O Lush Prize permitiu que eu finalizasse minha pesquisa.

O que é preciso agora para ampliar a penetração dessa alternativa aos testes em animais no meio comercial?

O projeto foi realizado com técnicas in vitro, sendo que algumas já estão disponíveis em nível comercial. Contudo, tem sido estabelecido que apenas uma técnica in vitro não pode substituir o modelo animal – mas a integração de duas ou mais técnicas sim.

Nesse sentido, a inovação do trabalho foi investigar a forma em integrar diferentes técnicas e determinar sua aplicabilidade para produtos acabados, ou seja, para aquele cosmético ou medicamento comprado pelo consumidor. Assim, conseguimos identificar quais técnicas funcionam melhor, que são superiores aos testes animais, quando associadas em uma estratégia de testes in vitro.

Associado a isso, precisamos que a legislação acompanhe esse ganho tecnológico. Precisamos que as agências regulatórias, como a Anvisa, aceitem ensaios in vitro para avaliação toxicológica de produtos e substâncias químicas. Isso tem sido feito recentemente no Brasil, quando o Concea [Conselho Nacional de Experimentação Animal] reconheceu em 2014 a aplicabilidade dos métodos alternativos à experimentação animal. A partir de então, a Anvisa também passou a reconhecer esse ganho em 2015.

Além disso, precisam-se ter recursos humanos capacitados nas práticas inovadoras livres de animais. Nesse sentido, o grupo de pesquisa por meio do qual desenvolvi toda minha formação, o Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In/UFG), coordenado pela professora Marize, faz treinamentos periódicos para alunos, pesquisadores, profissionais da indústria e da área regulatória. Com esse trabalho importante na disseminação de métodos livres de animais no Brasil, nosso grupo ganhou o segundo Lush Prize, dessa vez na categoria Training, ano passado.

Você recebeu dois prêmios internacionais como jovem pesquisador. O projeto foi o mesmo ou tem alguma diferença?

Para a premiação, submeti a primeira parte do meu trabalho, realizado totalmente no Brasil, aqui na UFG. Nessa primeira parte, realizei melhoramentos de uma técnica existente. Esses refinamentos permitiram que a técnica se tornasse mais barata, com o uso de menos solventes orgânicos (portanto, uma técnica ambientalmente correta) e com aplicabilidade para identificar substâncias que se tornam alergênicas quando expostas a luz solar (o que é muito importante para países de alta incidência solar como o Brasil). E tudo isso sem o uso de animais. Esses dados foram publicados em um periódico muito importante da minha área [https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0887233317300875?via%3Dihub].

O investimento recebido com o Lush Prize foi fundamental para a finalização da segunda parte do projeto. Essa parte envolveu um trabalho mais desafiador do ponto de vista técnico-científico, em que estabelecemos uma estratégia integrada de testes para avaliação do potencial alergênico de “misturas da vida real” (ou seja, de produtos acabados na forma que chega ao consumidor, como o cosmético e o medicamento disponível na prateleira).

Além disso, esse trabalho teve um impacto na necessidade de estabelecer políticas públicas de saúde que garantam a qualidade de produtos cosméticos: detectamos casos de adulteração e falsificação de tinturas naturais de cabelo contendo henna com uma substância sintética altamente alergênica e que estudos mostram um potencial de promover câncer, chamada para-fenilenodiamina (PPD).

Nossas análises utilizando a estratégia de ensaios mostraram que esses produtos adulterados apresentam um risco aumentado para o consumidor, uma vez que apresentam o potencial maior em desencadear dermatites alérgicas. Os dados dessa pesquisa foram recentemente publicados em um jornal de alto impacto [https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/cod.13294].

 Como você analisa a realidade nacional e internacional de pesquisas nessa área? Acredita o banimento dos testes em animais no mundo pode ser uma realidade próxima?

A legislação brasileira a respeito de métodos substitutivos à experimentação animal é recente. Somente em 2008 foi aprovada a Lei Arouca que legisla sobre a experimentação com animais e incentiva a adoção de métodos substitutivos aos animais de laboratório.

Em 2014, tivemos um marco regulatório com o reconhecimento de métodos alternativos pelo Concea e, mais tarde, pela Anvisa. Além disso, os grupos de pesquisa e indústrias vêm se estruturando para se adequarem a essa necessidade. Outros países, como aqueles da União Europeia, já estão bem à frente e inclusive são exemplos para o Brasil.

Apesar de ser um movimento recente no Brasil, temos obtidos ganhos de forma bem progressista. Por exemplo, conforme estabelecido na Resolução do Concea nº 18/2014, em setembro de 2019, estabelecerá o prazo final para que o Brasil faça a substituição dos tradicionais métodos animais de avaliação de alguns parâmetros toxicológicos por métodos inovadores.

Por exemplo, o tradicional ensaio de avaliação de irritação ocular, chamado Teste de Draize, não será mais permitido no Brasil para qualquer produto, seja cosmético, medicamento ou agrotóxico. O Teste de Draize é um exemplo de protocolo animal obsoleto: é um teste que foi desenvolvido por volta de 1944 e que consiste em aplicar um produto no olho de coelhos vivos e verificar alterações oculares indicativas de irritação.

Apesar de ser um método antigo, nunca passou por acreditação científica, e mesmo assim vem sendo historicamente aceito pelas agências regulatórias do mundo todo. Hoje, como temos métodos superiores livres de dor e sofrimento animal e que imitam melhor as condições fisiológicas do organismo humano, esse ensaio finalmente poderá ser banido no Brasil para qualquer tipo de produto – e não apenas para cosméticos como ocorre na União Europeia, por exemplo.

Então a sociedade está caminhando para práticas inovadoras e humanizadas. E isso tem sido fruto dos investimentos realizados que permitem que a Ciência avance – e a sociedade também.

Xuxa apoia campanha mundial contra testes de cosméticos em animais

A apresentadora Xuxa Meneghel declarou apoio à campanha mundial “#LibertesedaCrueldade”, que luta contra os testes de cosméticos em animais. Xuxa é vegana há pouco mais de um ano e usa as redes sociais para falar de veganismo.

Xuxa Meneghel (Foto: Blad Meneghel)

A campanha é de iniciativa da Humane Society International (HSI) e tem parceria com a organização não-governamental (ONG) Te Protejo. As informações são do E+, do Estadão.

A youtuber Nátaly Neri, o blogueiro Jonas Maria, as modelos Fernanda Tavares e Ellen Jabour e a designer de moda Ray Neon também aderiram à campanha que incentiva as pessoas a assinarem uma petição que pede a proibição dos testes de cosméticos em animais no Brasil.

Blogueiro Jonas Maria e youtuber Nátaly Neri (Foto: Blad Meneghel)

“Testar cosméticos em animais é uma prática antiética e ineficiente. Temos alternativas para acabar com o sofrimento de milhares de animais todos os anos”, diz a diretora executiva da Te Protejo Brasil, Mayara Tutumi.

No domingo (21), a campanha estará na Avenida Paulista, em São Paulo. Guias sobre uma vida livre de testes em animais, produzidos pela Te Protejo, serão distribuídos gratuitamente no local.

Para colaborar com a campanha, assinando a petição, basta acessar o site oficial da “#LibertesedaCrueldade”. As assinaturas coletadas serão entregues a integrantes do Congresso e do governo, segundo o gerente de campanha da HSI, Helder Constantino.

Designer de moda Ray Neon (Foto: Blad Meneghel)

Editora de beleza Renata Kalil (Foto: Blad Meneghel)

Youtuber Nicole Make (Foto: Blad Meneghel)

Filhotes de gatos são torturados e mortos em testes de laboratório

Foto: Pixabay

De acordo com o White Coat Waste Project, os gatinhos têm menos de três meses de idade e são forçados a comer carne estragada. A maioria deles está perfeitamente saudável após o experimento, mas mesmo assim são covardemente assassinados, no laboratório do USDA em Beltsvill, por não serem mais considerados “úteis”. Cem filhotes são mortos a cada ano na instalação.

O Departamento de Agricultura dos EUA tentou se defender dizendo que o número de gatinhos supostamente mortos nos testes foi superestimado. Não importa o número – infectar um ou cem animais indefesos e depois matá-los e desmano.

O laboratório do USDA está localizado em Maryland, que no mês passado aprovou a “Lei da Liberdade do Beagle”, que exige que todos os laboratórios trabalhem com organizações de resgate de animais dispostas a encontrar lares para animais quando não forem mais necessários. O projeto também protege os gatos.

A Lei ainda não entrou em vigor e, por isso, ativistas criaram uma petição pedindo que o laboratório pare de assassinar os animais e os coloquem para adoção.

Os Beagles

A maior empresa de produtos químicos do mundo pôs fim aos testes de fungicida em beagles após a divulgação de imagens secretas pela Humane Society dos Estados Unidos (HSUS).

Na semana passada, uma filmagem feita de dentro do laboratório revelou métodos cruéis usados em dezenas de cães – eles eram alimentados com altas doses de fungicidas em nome da Dow AgroSciences para testar a eficácia de um novo produto.

Finalmente, na sexta-feira (22), a Dow AgroSciences (Corteva AgriScience) declarou no Twitter: “Estamos trabalhando para refinar, reduzir e substituir testes em animais. Hoje temos o prazer de anunciar que nossos esforços resultaram em uma renúncia e podemos interromper o estudo. Faremos todos os esforços para realocar os cães.”

A investigação secreta denunciou que cerca de 36 beagles estavam sendo submetidos a terríveis testes, durante um ano inteiro, apesar do fato de que a lei dos EUA exige apenas um teste oral de 90 dias para a aprovação de novos pesticidas.

 

Havaí está perto de proibir testes em animais para produtos cosméticos

Foto: Adobe

Ao longo dos anos, o Havaí tem se mostrado mais compassivo com os animais e preocupado com o futuro do planeta.

Só em 2018, o estado proibiu a exploração de animais selvagens em circos e fechou uma fazenda de laticínios por irregularidades ambientais.

Já em 2019, ele está a um passo de proibir o comércio de pele animal e agora avançou significativamente para abolir também o uso de animais em testes para produtos cosméticos.

De acordo com a Cruelty-Free International , a Lei de Cosméticos sem Crueldade do Havaí (HB 704, que foi apresentada pela representante Chris Lee e visa acabar com a venda de cosméticos testados em animais no estado depois de 2020) passou na Câmara e agora vai para o Senado para consideração. As informações são do Plant Based News.

A Cruelty Free International, que trabalha com a The Body Shop para testar animais para cosméticos, apoia a Lei, que diz que traria o Havaí à Califórnia, à UE e a outros 30 países para impedir a venda de cosméticos testados em animais. As organizações aconselham as pessoas que vivem no Havaí a escrever para o senador estadual, pedindo-lhes que apoiem o projeto.

Alternativas éticas

“Hoje, métodos modernos de testes não animais que são mais rápidos e melhores para prever a resposta humana do que os testes em animais que eles substituem estão amplamente disponíveis”, disse Monica Engebretson, Gerente de Campanha para a Crueldade Internacional na América do Norte. As informações são do Plant Based News.

“Nosso sucesso em acabar com testes desnecessários em animais em outros países e estados prova que é possível uma mudança positiva. Agradecemos à representante Lee por apresentar este projeto de lei e à Câmara por seu apoio esmagador e pedir ao Senado que faça o mesmo.”

“Por mais de 20 anos, a The Body Shop tem feito campanhas para proibir testes em animais em cosméticos e estamos imensamente orgulhosos do impacto que fizemos na mudança da lei na União Européia”, disse Andrea Blieden, gerente geral dos EUA no The Body Shop.

“Como líder na indústria de beleza global, gostaríamos de ver todos os estados nos EUA finalizando os testes de cosméticos em animais”.

Fiozcruz lança pós-graduação sobre alternativas aos testes em animais

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) irá abrir neste ano a primeira turma da pós-graduação lato sensu em Métodos Alternativos ao Uso de Animais de Laboratório. As aulas serão realizadas no campus Manguinhos, no Rio de Janeiro e serão oferecidas pelo Instituto de Ciência e Tecnologia em Biomodelos (ICTB).

O curso é voltado para profissionais graduados nas áreas das ciências da saúde e agrárias e terá carga horária total de 480 horas, com duração de 12 meses. As aulas serão realizadas durante uma semana a cada mês.

Foto: Pixabay

 

As inscrições serão realizadas de 6 a 31 de maio e o início das aulas está previsto para agosto de 2019. As informações são do site oficial da Fiocruz.

A pós-graduação foi criada em parceria entre a Fiocruz e o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (BraCVAM). O objetivo da especialização é formar profissionais capacitados a desenvolver, divulgar e aplicar novos procedimentos em pesquisa e ensino que substituam ou reduzam a exploração de animais em experimentos científicos.

“Até hoje, a maior parte da formação nessa área acontece por meio de cursos avulsos ou limita-se a disciplinas específicas de cursos de pós-graduação. Essa especialização vai focar exclusivamente no tema dos métodos alternativos, visando fortalecer a pesquisa e mostrar o potencial do Brasil nesta área”, ressalta o pesquisador Octavio Presgrave, coordenador do BraCVAM. O profissional é também responsável por coordenar a nova pós-graduação, em parceria com Etinete Gonçalves, coordenadora de ensino do ICTB/Fiocruz.

“É um curso pioneiro no Brasil, e ainda desconhecemos a existência de uma especialização como essa em outros países. Também haverá foco na área educacional, visando a substituir o uso de animais em graduações de medicina veterinária, biologia e zootecnia”, destaca Etinete.

Nos últimos vinte anos, a Fiocruz tem buscado métodos alternativos para reduzir ou substituir por completo a exploração de animais em pesquisas. Em 2016, quando criou o mestrado profissional em ciência em animais de laboratório, também oferecido pelo ICTB/Fiocruz, a Fundação deu mais ênfase a uma formação com base no princípio internacional dos 3R’s, que são, em inglês: redução, refinamento e substituição de animais na ciência, com foco no bem-estar animal e na criação e implementação de métodos alternativos.

“O novo curso será de grande importância estratégica para toda a Fiocruz, pois estaremos na vanguarda dessa modalidade, proporcionando pesquisas que utilizam essas novas metodologias e que têm se mostrado extremamente promissoras na substituição de animais de laboratório, colaborando para o fundamento dos 3R’s”, avalia a vice-diretora de ensino e pesquisa do ICTB/Fiocruz, Fátima Fandinho.

A especialização terá disciplinas de ciência em animais de laboratório, métodos alternativos na experimentação e na educação, boas práticas em laboratório, biossegurança e cultivo celular, metodologia de pesquisa, legislação e bioética, entre outras.

O edital para inscrição será publicado nos próximos meses no site www.ictb.fiocruz.br. Mais informações pelo e-mail ensino.ictb@fiocruz.br ou telefone (21) 3194-8452.

Johnson & Johnson anuncia que não vai mais realizar testes de “nado forçado” em camundongos

Foto: Stock

A decisão da Johnson & Johnson de abolir este tipo de teste foi tomada após pressão da PETA.

Apesar de não representar o fim dos testes em animais, o anúncio trouxe esperança para os ativistas.

Nos testes de “nado forçado”, camundongos são colocados em provetas inescapáveis cheias de água onde lutam desesperadamente para sobreviver.

De acordo com a PETA, alguns pesquisadores afirmaram que o teste “serve como um modelo de depressão em animais e pode ser usado para testar a eficácia de novos medicamentos para a doença” – mas isso foi negado por outros cientistas.

Inútil

A PETA dos Estados Unidos diz que seus cientistas revisaram estudos publicados e descobriram que “colocar animais na água dessa maneira era menos preditivo do que o lançamento de uma moeda da eficácia de uma droga em humanos.”

“Os animais utilizados nesses testes tentam desesperadamente subir nas laterais dos cilindros ou até mesmo mergulhar para buscar uma saída”, disse a ONG.

“Eles remam furiosamente, tentando manter a cabeça acima da água. Eventualmente, a maioria deles começa a boiar.”

A decisão

“A Johnson & Johnson fez a coisa certa ao deixar de usar o teste de “nado forçado”, que não é apenas uma ciência ineficaz, mas também terrivelmente cruel”, disse a neurocientista da PETA US Emily Trunnell, em um comunicado enviado à Plant Based News .

“A PETA pede à Eli Lilly, à Pfizer e à Bristol-Myers Squibb que sigam a liderança da Johnson & Johnson e deixem de aterrorizar os animais dessa maneira.”

Futuro

O mundo está caminhando para ser mais compassivo com os animais. À medida que as pessoas tomam consciência dos horrores cometidos contra seres indefesos dentro de laboratórios, a demanda por produtos livres de crueldade aumenta.

Países e empresas estão cedendo a pressão do mercado e começam a trabalhar com alternativas éticas.

No setor alimentício, a Hershey’s e a Kellogg’s anunciaram o fim de testes em animais. Para cosméticos, a P&G fez uma parceria com a HSI para proibir que eles sejam usados na indústria da beleza. Recentemente, a Austrália aprovou uma lei que proíbe essa prática. Na Ucrânia, um projeto de lei semelhante está em andamento e a Índia deu um grande e importante passo anunciando o fim de testes em animais para pesquisas biomédicas.

Governo do Reino Unido permanece neutro em relação aos testes de laboratório com animais

Global Cosmetic News/Reprodução

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A ONG Cruelty Free International manifestou sua decepção em relação ao fracasso do governo do Reino Unido em descartar testes em animais após a saída da Grã-Bretanha da União Europeia (Brexit).

Kwasi Kwarteng, subsecretário de estado do Comitê de Saída da União Europeia, foi questionado de forma parlamentar (oficial) pela ministra Jenny Chapman sobre a saída da UE na Câmara dos Comuns na semana passada, com relação ao fracasso do ministro em descartar os testes em animais, com Chapman perguntando ao ministro se ele realmente “se opunha a testes desnecessários em animais”.

Kwarteng respondeu que a moção já havia sido discutida no verão passado e que o governo “tentaria manter os padrões (e regulamentações) sobre a proteção dos direitos animais”.

Desapontada com a resposta, a Cruelty Free International escreveu ao ministro pedindo confirmação sobre o assunto e pediu ao governo que “use o Brexit como uma oportunidade para fortalecer políticas e criar mudanças significativas e duradouras para os milhões de animais usados em experimentos. .

Kerry Postlewhite, diretor de relações públicas da ONG, afirmou que “esta é uma questão que o público britânico considera ser de grande preocupação, além de sua importância fundamental à medida que nos movemos de regras de segurança química da UE para as regras do Reino Unido.

“Esperamos sinceramente, no interesse dos animais, dos cidadãos do Reino Unido e da indústria química do Reino Unido, que o governo deixe bem claro que não haverá testes em animais como resultado dessa transição. Em face do repetido questionamento por parte da indústria, políticos e ativistas, sendo que todos acreditam que não devem haver testes , a resposta do governo tem sido profundamente decepcionante ”, concluiu ele.